Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

Gustavo Corção – Conservador ardente

Arai Daniele

(Resumo do artigo em homenagem do Autor falecido em 1978, publicado na rev. Permanência em março-abril 1980)

Gustavo Corção

A descoberta da verdadeira vida não se faz com longos estudos ou com valorosas conquistas pessoais, mas pela humilde adesão a uma graça. Saberemos então, que também a verdadeira vontade humana não se realiza impondo idéias, mas aceitando reverente, a suprema ordem vital que é para nós um mistério.

Eis, então, que o Reino Sublime que nos envolve a todos, per­tencerá àqueles que abandonaram artificiosas elucubrações men­tais para, esquecidos de si mesmos, ermitões das fantasias do mun­do, pobres de espírito, servir de corpo e alma a Causa da divina perfeição.

Incrível fecundação no real conhecerá então esse doador de boa vontade e, poeira perdida em trevas abissais, receberá a luz do Ver­bo que habitou entre nós para ser atraído por Sua salvadora gra­vitação. Átomo fugaz de crosta agreste, será transfigurado para refletir o esplendor do Absoluto que tudo cria e tudo exalta na Sua imensa órbita de vida. A palavra será alimento da verdadeira ação, dada para vivifi­car e difundir o secreto equilíbrio de separações e atrações essen­ciais, na perfeita ordem, na perfeita razão e na vontade do Ser Su­premo que em cada homem gravou feições pessoais dentro de uma entidade universal à Sua imagem, para acolhe-lo, após o desterro, nas dimensões da Sua eternidade.

O católico fiel Gustavo Corção viveu plenamente essa ideia e sua ação vital se exprimiu pela vontade de servir e de ligar, apli­cando artes e técnicas, relacionando palavras e pessoas, enquanto seguia com ardor as linhas de força que sua devoção a Cristo e ao exemplo indicavam.

Muitos acharão paradoxal um homem que, procurando unir, seja ao mesmo tempo polêmico e agressivo, mas o autor explicará que a verdadeira união se faz separando, distinguindo e enaltecen­do. Cristo disse: “Eu não vim trazer a paz mas a espada.”

Cristo, da sua boca saia uma espada de dois gumes

Outros acharão contraditório apresentar um homem de vasta cultura e brilhante inteligência como um pobre de espírito, mas aí está a lição: despiu-se e esvaziou-se de coisas próprias para conter muito mais, conter a verdadeira sabedoria que emana das palavras divi­nas. “Se não acolheres o Reino de Deus como um menino, não en­trareis…”

Minha tentativa de lembrar o pensador que marcou a socie­dade em que viveu, não se deterá portanto diante de seu aspecto de escritor brilhante, de professor de vértices e abismos ou do des­temido polemista católico; seguirei seus pólos de atração, suas li­nhas divisórias, suas intimas e férteis oposições, descobertas no próximo, na mulher, no outro. Vamos assim percorrer os acidentes geográficos e históricos da vida do autor, descendo nos abismos de seus pensamentos ou subin­do na senda de suas altas visões, para chegar ao aconchego de uma casa arrumada que abriga o peregrino universal que foi por ele acolhido e dignificado em si e no próximo. Falaremos pois de Corção pai de família, homem religioso e conservador de valores pe­renes. Tendo se sagrado à rudeza e austeridade da “idade medieval”, manteve até o fim uma luta cerrada em defesa da Igreja e dos valores que ela ensina, não hesitando em aparecer nas vestes do homem comum que retorna à condição de criança para melhor tocar a maravilhosa realidade de Deus, ou então de cava­leiro armado, do crente assinalado.

O romance “Lições de Abis­mo”

Infenso à sociedade mundana, com o romance “Lições de Abis­mo” a estimulou e provocou para, em seguida, pedir atenção e ouvidos a sinais que vinham de muito mais alto. Escritor apartado, homem religioso tenso, mantinha sua rede de antenas em ação, re­forçando os tirantes de sua torre vigilante, enquanto canalizava reservas de sangue e linfa para a grande missão: a auscultação e propagação terrena do Absoluto Revelado. Repetiria, fiel, a fala de videiras e grãos de mostarda, de coisas simples e quotidianas que são os ingredientes do verdadeiro romance de nossa existência.

Que melhor sentimento pode inspirar a literatura senão o amor pela linguagem comum dos homens, que por sua vez ecoa à som­bra da comunicação sobrenatural? E onde pode levar o progresso da comunicação humana senão à comunhão com o Criador? Com essa intenção, vale a pena ser artista da palavra e articular a harmonia verbal como testemunha da origem da Verdade, do Bem e do Belo.

Toda a fantasia do cavaleiro medieval é sair à demanda da Suprema Realidade, para melhor servir os Seus desígnios e defen­der a Sua ordem. Pois bem, assim é com o pai, quando defende os valores da família: mantém íntegra e saudável a sua vida e pensa com prudência na sua conservação e renovação. Não deve temer expor-se ao escárnio ou ser abatido nessa tarefa, porque essa fun­ção habita a alma humana, e é imperecível.

Hoje, porém, uma “onda” enorme vai convencendo os pais à renúncia dos próprios deveres, não somente através dos abusos de sempre, os vícios, as fraquezas, as incompreensões e a ignorância, mas cedendo à moderna investida que condena e ridiculariza a au­toridade do chefe da família para substituí-lo por “especialistas” diplomados por ideologias revolucionárias.

Acrescentemos ao assédio feito ao responsável pelo patrimônio e pela vida, a rebeldia dos filhos em idade de dúvidas e os rancores de todas as idades. Juntemos os remorsos pelos castigos injustos, as dúvidas pelos métodos escolhidos, e ainda os momentos de impa­ciência, de canseira, de nervosismo. Será preciso muita clareza e força para resistir ao assalto. Como é possível porém renunciar ao irrenunciável? Como dei­xar de ser aquilo que nem a sociedade nem a ciência dos especia­listas elaborou? Pois bem, é preciso que os pais se lembrem que, mesmo sendo imperfeitos, a família é sagrada porque engendra e conserva a vida e a sua defesa lhes foi confiada pela Suprema autoridade.

Autores como Corção puseram todo o seu zelo nessa rememo­ração, foram além, conseguiram transmitir a satisfação que deriva da árdua mas sublime missão de “pater familias”. Na realidade, os homens e as mulheres serão pais e mães de maneira indissolúvel. Ninguém e nenhuma organização pode substituí-los plenamente, nem com o corpo nem com o espírito. Se a mente trair essa verdade, se degradará; se quiser aceitá-la, será a mesma luta a exaltá-la.

O nome do pai é um escudo

Corção repetiu direta e indiretamente a noção de que o nome do pai é um escudo e bastará pronunciá-lo com força para que os vendilhões do Templo sejam desbaratados, para que todo o seu con­trário, a rebelião, a sedutora Revolução, a pérfida doutrina, a pala­vra estéril, sejam expulsas. No seu livro “O Século do Nada”, lembra essa permanente procura feita por Leon Bloy: “A França acabara de marcar a vitória do Marne. Os jornais estavam encharcados de júbilo, de esperança, de triunfo. Mas Leon Bloy folheava os jornais com cólera crescente, e depois com tristeza infinita. O que é que o velho leão procurava nos cantos dos jornais? Lá está escrito em seu diário: “je cherche en vain le nom de Dieu”. Nesse ponto é justo colocar um autor diante do grande dilema pessoal e social, a questão do equilíbrio na verdade, na qual a razão humana presta seu exame de madureza. A posição de um escritor está expressa em seus escritos, mas ela é resultado de uma escolha que, por sua vez, exprime uma doutrina. Não devem ser porém os sentimentos ou intuições, as amizades ou simpatias, as afinidades ou o estilo literário a constituir termo de juízo.

A qual equilíbrio pode um ser humano aspirar, suspenso em um mundo que orbita num espaço infinito? A razão procura um centro, um fulcro imóvel, uma perfeição acima da própria razão. A mente facilmente se perderia na vastidão da procura e por isso a Razão perfeita, o Ser imóvel nos revelou seu modelo ideal, de nossa mesma carne, centro humano de perfeição divina: Jesus Cristo.

Agora nossa procura de equilíbrio tem uma referência defini­tiva: O Bem feito Homem, e o equilíbrio do Bem significa o aper­feiçoamento, a procura de tudo que pode melhorar as pessoas, enriquecer suas qualidades inatas e, por conseguinte, sua capacidade de combate ao mal e a repulsa de tudo aquilo que degrada e corrompe. Essa guerra decisiva se processa pelas definições claras, pelas sepa­rações vitais e pelas purificações do Templo. Será o santo equilíbrio acessível, depois de ter sido batizado por Cristo e guardado pelos seus pastores e pela sua Igreja? Na história do Cristianismo sabemos como as inúmeras heresias, mes­mo apontadas e condenadas, continuaram enevoando a mente co­mum propondo níveis intransponíveis à verdadeira luz. Sabemos que os maiores desvios surgiram nos meios religiosos e pediam uma força inusitada para reequilibrar idéias que se auto-definiam como “novos equilíbrios”.

A santa obediência pode transformar-se em arma vil

Até mesmo a santa obediência pode se transformar em arma vil ao passo que o equilíbrio cristão nos foi ensinado na humilde imitação do único e supremo Chefe, d’Aquele que ficou só, minoria absoluta, para dar testemunho e exemplo da Via, Verdade e Vida, quando houve até mesmo o sacrifício do Centro de qualquer poder e sabedoria, esquecido, condenado e crucificado enquanto os discí­pulos, temerosos, procuram dialogar com as maiorias.

O número, a quantidade, a riqueza, a concentração de poder econômico e político, a tecnologia dos confortos e das conquistas, tudo está aí a nos dizer que a vida deve ser vivida, que os católicos de sempre são extremistas, que os santos são fanáticos, que o Re­dentor é um mito, que Deus não existe, que tudo é ilusão, que a religião deve ser um serviço social e que o equilíbrio humano está no meio do nada, como esse homem medíocre que vai por aí perdido.

Gustavo Corção vivera o drama de um Centro Católico, nascido à sombra do convento beneditino e que tivera sua função alterada e seu alimento contaminado por novas ideias. Arregimentou então as forças fiéis e fundou um novo grupo para que, mesmo depois de sua morte, resistisse à intempérie: Permanência, um reduto de vigilância mais que de erudição e diálogo. Tentativa feita por uns poucos contra uma multidão mun­dana, crescente, com cunho de sacrifício ingênuo se medirmos a disparidade numérica das armas no plano material.

Como combater o ensurdecedor efeito da propaganda com o silêncio? Ou a invasão da sensualidade feita doutrina, com renúncia? Ou mes­mo o alarido festivo do templo com a penumbra?

Há um canto na alma humana onde a Igreja de Cristo sempre pode preparar um altar. Hoje este parece ter sido enxotado dali tam­bém, e ela vive um momento de abandono e de paixão. Quem vigiará com ela? Se em outros momentos da história foi possível procla­mar aos quatro ventos que nela residia a Via, a Verdade e a Vida, agora se trata apenas de proclamar e dar testemunho de permanên­cia na doutrina, de um canto ou de uma catacumba que seja. Mas qual pode ser a tristeza se o próprio Senhor do Universo escolheu uma gruta para nascer, uma manjedoura para ficar, uma pedra para pousar e uma cruz para morrer? Deve ficar impaciente e agitado o fiel por viver sua fé num canto humilde e desprezado pelo mundo?

A tomada do poder pelo homem medíocre multiplicado, acu­mula resultados: são as presenças vazias, as abundâncias insigni­ficantes, as eficiências paralizadoras, as displicências urgentes e a gravidade caricata com que falam de problemas humanos; a inso­lência segura com que propagam dúvidas enquanto manifestam um cuidado obsessivo em ocultar as próprias responsabilidades na fa­lência moral do mundo que pensam dirigir.

Não há surpresa, porém, pois o homem moderno assumiu por modelo uma média ponderada que exprime valores quantitativos que, variando continuamente, lhe dá a ilusão de progresso.

A im­possível eqüidistância entre o Bem e o Mal está calculada em co­lossais computadores, fornecendo a exaltante utopia: um homem novo, votado pela maioria e aperfeiçoado pela tecnologia espacial!

Ora, com manobras grandiosas, o inimigo induz as mentes en­fraquecidas pelas tentações da carne e do mundo, a se rebelar con­tra as vozes primordiais que pedem renúncias, como se o organismo social e familiar servisse a uns em detrimento de outros, engordasse os pais à custa dos filhos, enaltecesse o homem com a degradação da mulher, enriquecesse a humanidade com a poluição da natureza e o poder fosse medido pela capacidade de infligir castigos.

O equilíbrio, como a liberdade, pede coragem e ideias claras e assim não será o padre medíocre, temeroso de saltar suas refeições regulares ou perder o seu consenso social, nem menos ainda, maio­rias confusas e ululantes, a estabelecê-lo.

O equilíbrio cristão se rea­liza na direção oposta, no sentido vertical, na consciente escalada para o Ser, por duras e estreitas que sejam as passagens. Foi sempre necessário que se repetisse, sem medo, que cada um de nós já nasceu especializado. Quem nos criou já nos fez de certo modo, e nos marcou de uma identidade particular e outra uni­versal. Não podemos alterar nossa natureza íntima sem o risco de anular o nosso ser. Esta é a lei de quem criou também a lógica e nos pede respeito pelo que somos, por aquilo que nos circunda, por tudo aquilo que é.

Quem vive os dias atuais com ouvidos para os seus sinais, per­cebe que tudo o que foi insinuado como evolução dos tempos, outra coisa não era senão a mais assustadora investida do abominável ini­migo contaminador da humanidade.

O campo político está arra­sado pela imbecilidade; o social ressequido pelo ódio e o reli­gioso invadido pela dissimulação e pelo medo. Que resta? So­mente alguns hortos que cultivam, sofridamente, a boa palavra de sempre.

Esses redutos são atacados, ridicularizados e desprezados justamente pela fidelidade que prestam à santidade da Igreja imutável, à qual todos somos chamados. Mas alguém entre nós é designado para ilustrar o patrimônio de verdade, para proclamá-lo em altos brados se preciso for. Quem? Alguém escolhido pelos homens, ou líder voluntário, ou caráter poderoso ou então sagrado pela hierar­quia? Já houve áureos tempos cristãos em que a capacidade de viver a Fé produzia apóstolos, capazes de reunir essas qualidades cujo valor e legitimidade, porém, só iam se confirmar na adesão e cumprimento da palavra. Não importa a situação do reduto, a resistência ali está cen­trada em um chefe combatente que não teme expor-se pela Causa e pelos outros, fiel no desejo de oferecer o sangue da paixão e a pró­pria vida para semear a salvação. Gustavo Corção recebeu do Cria­dor esse especial molde de líder. E soube preenche-lo com o metal fino de sua preparação, para fundi-lo à chama de sua conversão madura e ao ardor constante de sua fé.

Entre os mortais, o amor se exerce também através da Justiça. Ora, se formos privados daqueles que conhecem sua origem e seu fim e que são capazes, a tempo e contratempo, de proclamá-lo dian­te de todos, apesar de riscos, de ameaças e do desprezo de tantos outros, sem esses, nada teremos.

A necessidade de verdadeiros Juízes

Os problemas humanos se repetem porque derivam de nossas tendências de sempre. O corpo é, continuamente, atraído por sua gravitação em torno da matéria que exibe suas riquezas e seus pra­zeres. A mente é, por sua vez, seduzida pelo brilho da vaidade e vacila diante do poder e da glória. Desde os albores da humanidade essas atrações levaram o homem ao acúmulo de posses e de domí­nios que só foram mantidos em equilíbrio, mesmo precário, pela invocação destemida de Juízes.

Igualmente, na esfera religiosa, foi sempre difícil contrapor a serenidade e o silêncio da vida espiritual ao desequilíbrio de nossas cobiças e paixões. Foi preciso cultivar sempre a auto-repressão para conter o mal da alienação mundana indiscriminada, porque é difícil contemplar a porta estreita do Ser, dentro de um corpo que anseia por uma corrida na larga avenida do haver. Aqui também, somente o austero exemplo de poucos evitou a decadência de muitos.

Dos raros Juízes destes últimos dias, de há muito sem espada, lhes é tirada também a tribuna por uma hierarquia de fariseus e hipócritas a serviço de estranhos senhores. De fato, os vícios, rumo­rosos e turbulentos que a todos escravizam, vêm juntos com teorias sociais que os destilam em nome da liberdade, para servir aos novos poderosos de um mundo que devora mentes e almas humanas no lugar do ouro e das terras, tanto cobiçadas no passado.

A Revolução mobilizou os grandes empreiteiros de artimanhas, os especialistas do próprio bem-estar, os sacerdotes do prazer a baixo preço, os apóstolos da bondade exterior, da caridade obrigatória, da misericórdia programada e da consciência coletiva. Legiões se servem também do edifício eclesiástico para “cursilhar” acima da pessoa e alterar as leis da própria essência que as ordena. Contra esses desvios que degradam a natureza humana, contra a revolução da anti-palavra, contra os decretos que destroem a autoridade da doutrina, contra a hierarquia que protege e promove anarquias delirantes, veio o brado vigilante do juiz Corção que montou, com amor, sua própria tribuna para convocar as consciências em defesa da Cidade Celeste, atacada pelas hordas dos vândalos da cidade ter­rena, que, depois de reduzir seus terreiros e suas sedes a covis de bandidos e prostitutas, partiram com urros e gestos obscenos à conquista de uma harmonia que não lhes é dado nem mesmo ava­liar e entender.

O cristão sabe que “essa geração não passará sem que tudo o que foi escrito se cumpra”. São palavras eternas. Sempre foi assim e não será a mola da vitória terrena que irá mover o verdadeiro cris­tão para o cumprimento da dúplice batalha, contra o mundo e con­tra si mesmo. O único desespero é desertar, até a morte, da vigilân­cia e da luta que são os meios eficazes para atingir o Fim Supremo.

Essa campanha em defesa da vida, da verdadeira vida, mesmo quando feita lembrando a morte passageira, é a missão cristã, de cada cristão, padeiro ou bispo e nela devemos perseverar para que esta também deixe de ser um fim mas se mantenha um meio. Com essa idéia saberemos colocar prudência em nossas alianças, desmas­carando falsos pastores que exigem obediência aos seus desmandos, às suas duvidosas elucubrações, às rebeliões centra a doutrina de sempre e às suas festivas alianças novas. Com essa fé poderemos aceitar todos os revezes sem sermos submersos pelo desespero que tudo destrói.

“A única tristeza é não ser santo”, e o católico fiel, Gustavo Corção, também nos ensina que o bom cristão quer ser camelo de corcunda servil. “A carga que nos é posta em cima não depende de nossa vontade nem de nossa sabedoria, a missão é transportá-la ao seu destino.” Entre aqueles que fazem seu dever, o pensamento comum é posto na pureza da Fé. Tudo o mais vem por acréscimo, parentesco, amizades, simpa­tias. “Se assim não fora tanto vale que os contatos humanos se façam pelos ombros, peitos ou nádegas, comprimidos na multidão.”

A solidariedade cristã se vai cumprir mais na aspereza dos sa­crifícios e no ardor das campanhas comuns que na convivência prazerosa e nas efusões de amizade. Considerar a condescendência, a tolerância sobre as questões vitais, os desejos de alegria ou mes­mo a obediência indiscriminada como características próprias da vida cristã é uma das falácias do mundo.

Pensemos por um momento na atitude pública de uma maio­ria e também de um grande número de membros de nossa Igreja, diante de uma polêmica que envolve assuntos religiosos. No início, o sentimento predominante será o de curiosidade pela discussão. Em seguida, serão as incertezas muito humanas a prevalecer. Fi­nalmente, um medo difuso tomará conta das mentes, temerosas de serem envolvidas e obrigadas a tomar partido ou uma atitude definida. Qual pode ser o resultado do processo senão uma raiva incon­tida contra o intransigente que, com sua polêmica, suscitou tal es­tado de intranqüilidade? O ser humano é mais sujeito à preocupação pelos fatos que solicitam as suas reações superficiais, do que pelas questões pro­fundas que envolvem a sua própria origem e destino. Por isso as inteligências mal amparadas por uma vontade cercada de confor­tos, vaidade e sensualidades, começam a elaborar razões a favor daquelas forças que abandonam ou mesmo atacam o Cristianismo. Justificarão a própria atitude como amor ao equilíbrio, à liberdade, à tolerância universal e à obediência ao exemplo dos pastores que representam Cristo. Hoje, essa maneira de esconder a pusilanimidade se fez tão generalizada que viceja abundante até mesmo nas imediações do Templo, para não dizer que lá dentro se discute a maneira de regu­lamentá-la.

Não se negou ainda Cristo com palavras mas a huma­nização de Sua divina Pessoa se alastra enquanto o culto à Santíssima Virgem Maria já foi considerado, por alguns membros da hierarquia eclesiástica, excessivo e exagerado. Podem ser obe­decidos? Pois bem, nesse ponto não será preciso aprofundar-se na ver­dade religiosa para apontar a miséria mental desse falso equilíbrio. Cristo, Deus encarnado, é o modelo que nos conduz a Deus-Pai. A Santíssima Virgem Maria é a Sua mãe, pessoa humana sem man­cha que nos conduz a Jesus e à Sua Igreja. A Perfeição Divina se nos revela à nossa medida, pela família sobrenatural, com o pai, a mãe e o Filho, pessoas que compõem também a nossa família natural imperfeita. Essa é a revelação, ou se quiserem, a proposta integral do Cristianismo. Fora dela não há meias propostas, nem meias famílias, como não pode haver um modelo médio que nos eleve com uma meia devoção, de mentes desequilibradas por outros tantos conceitos, certamente não cristãos. O equilíbrio cristão está na procura da máxima devoção de que se é capaz, pois essa já é precária e imperfeita, embora a única que nos possa levar em direção ao Ser que nos criou à própria ima­gem e semelhança mas nos resta velado. Assim o equilíbrio se rea­liza na imitação de Cristo, que seguirá a imitação de Maria e tam­bém dos Santos. A palavra deverá seguir a ação.

É nesse encadeamento de dívidas e imitações que o cristão pode procurar o seu aperfeiçoamento e também uma vida familiar e so­cial melhor. Felizes aqueles que dispuseram de mestres e exemplos que os ajudaram nessa tarefa. Pois bem, o grupo de Permanência teve o seu precioso guia em Gustavo Corção, e pelas dimensões de seu trabalho e presença será muito difícil que o seu desapareci­mento não provoque cedo ou tarde uma desorientação. Que fazer?

A Igreja cresceu e frutificou depois do sacrifício de Cristo, cultivando a Sua palavra, comemorando a Sua Presença, oferecendo a sua devoção. É seguindo Suas palavras que se deve vigiar e orar para não cair em tentação mas permanecer com Ele.

Neste momento de desalento e tristeza, a lembrança de Corção deve ajudar a superar os problemas que surgirem. O exemplo foi marcante. A fidelidade do fundador de Permanência foi sua força, o conhecimento da doutrina foi sua inteligência, a coragem em pro­clamá-la dando testemunho de seu Chefe foi a sua vontade, e cul­tivar os momentos de vigilância e oração, foi seu método. Todos aqueles que quiserem se unir para prosseguir a sua fru­tuosa tarefa, embora privados de uma palavra brilhante, uma ló­gica agilíssima, uma cultura de ampla dimensão, características do grande pensador, dispõem de algo; do seu exemplo e da sua obra pela qual podemos fortificar e melhorar a nossa pro­cura de imitação do exemplo e da obra de Cristo.

Toda a devoção que dedicarmos à pessoa do mestre carioca, não pode se perder nem se extraviar porque a sua devoção era, por sua vez, toda dedicada ao Alto, ao Pai, ao Divino Filho, à Santíssi­ma Mãe e também a todos aqueles mestres que, como ele, travaram uma santa luta de aperfeiçoamento de si mesmos e do mundo.

Os homens do nível de Corção sabiam e puseram em prática a grande regra da Caridade e do Amor que nos foi ensinada pelo nosso Salvador: o oferecimento de si mesmo. Somente o homem alimenta a vida dos homens e Deus se fez homem para se fazer nosso alimento. Imitemo-lo, mas também na Sua perfeição porque senão, que alimento seremos?

A CRIPTO-HERESIA «CONCLAVISTA» E «SEDEVACANTISTA»

No ideário de D. Lourenço da neo Permanência

O que enquadra melhor a falta de lucidez de muitos escritos tradicionalistas sobre a realidade presente é justamente a confusão no essencial para que a Igreja defenda a Fé diante de qualquer «outra»: a autoridade divinamente constituída: o Pontífice romano.

De fato, a Igreja é a instituição posta no mundo para representar a Autoridade de Deus junto aos homens, dispondo da graça da Infalibilidade se preciso for. E todo esse poder é conferido ao seu chefe supremo em terra, o Papa, que é Vigário de Jesus Cristo.

Tratando-se da obra de continuação, preservação e confirmação da Fé da Igreja, fora da qual não há salvação para as almas nem Ordem cristã no mundo, toda a atenção católica deve aplicar-se a reconhecer a autenticidade dessa autoridade vigária de Jesus Cristo.

É um fato que, desde o início da história humana, há um adversário que tenta anulá-la!

Neste sentido vamos lembrar aqui o ensino apostólico sobre a falsificação dessa mesma identidade divina e apostólica, e isto através do autor valoroso que foi Gustavo Corção, que falou e escreveu nos anos Setenta sobre «duas igrejas»:

“O que me parece difícil é fugir à evidência de um cisma, não do governo da Igreja, mas na sua própria personalidade: o que há no mundo moderno são duas Igrejas com parte da hierarquia comum ou alternante. E mais do que nunca tornou-se importante para todos bem demarcar a Igreja a que pertence” (O Globo, 30/03/1974).

Gustavo Corção

É claro que nenhuma autoridade, nem mesmo da mais alta hierarquia, pode obrigar-nos a abandonar ou a diminuir a nossa fé católica, claramente expressa e professada pelo magistério da Igreja há 19 séculos. O caso é identificar os «apóstolos» com referência à epístola aos Gálatas: “Ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie um evangelho diferente daquele que vos temos anunciado, seja anátema!” (Gl 1, 8).

É um fato que para identificar esse pregador anátema hoje não é mais preciso apurar se nega verdades de fé, mas se muda o sentido do Evangelho, seja alterando verdades ensinadas pelo Magistério apostólico, seja sufocando o essencial com o aleatório.

Jesus avisou desse ataque final com o mega engano dos falsos cristos e falsos profetas.

Escreve Corção: “Nenhuma reforma pode prevalecer sobre a identidade e sobre a continuidade dessa identidade.”

É para combater o mal de tais desvios camuflados e silenciosos que existe a legítima autoridade magisterial, identificável pela continuidade na Doutrina na Igreja Católica.

Daí que o católico precisa identificar toda falsa igreja que se faz passar pela Igreja católica valendo-se de clérigos que seguindo carreiras audazes conseguiram posições de comando, até papal, para engendrar uma igreja alterada no lugar da verdadeira Igreja.

Estamos evidentemente diante de alguma Coisa, ou adulterada, que em vários sinais difere profundamente da Igreja Unam et Sanctam. Não podendo crer que a própria Igreja se alterou e se adulterou, como pretendem os que começam por duvidar de sua perseverante identidade, só nos resta pensar que outra substância está nos meios católicos sem ser católica. E faz questão de se inculcar como católica, pelos sinais exteriores e pelos títulos, não fazendo porém nenhuma questão de ser católica pelas idéias que difunde: “decifra-me ou devoro-te”(O Globo, 21.2.76).

Corção compreendeu que o ataque à Igreja ia além das reformas revolucionárias do Vaticano 2, mirava à demolidora supressão no silêncio da sua identidade “Católica!”

Neste sentido temos a intuição escrita por Jean Madiran (Itinéraires n.º 65, pp. 20-21) e explicada pelo Padre Belmont, sendo traduzida pelo amigo Felipe Coelho:

 “Um teólogo falou da ‘heresia criptogâmica’. Ela consiste notadamente nisto: uma pregação, diz ele em substância, que fosse literalmente exata, mas que não falasse nunca (por exemplo) dos Anjos, nem do Inferno, que omitisse metodicamente as verdades de fé referentes a eles e deixasse o povo cristão na ignorância a seu respeito, seria uma heresia muitíssimo real: uma heresia que, porém, não se manifestaria por nenhuma proposição explícita e condenável, mas somente por uma omissão permanente com conseqüências muito graves”.

Na verdade o próprio Madiran incide nela porque não fala da autoridade que falta e devia lembrar tudo o que o Vaticano 2 omitiu: a omissão da doutrina do Cristo Rei, a omissão da doutrina católica do Estado, a omissão parcial ou total da doutrina católica da escola, nem sequer o Papa, que declara: ‘Não se está obrigado e é impossível de recordar a todos e em todas as ocasiões tudo o que já foi dito’. Omissões constantes, prolongadas durante vinte, trinta anos, constituem uma penosíssima e extremamente nociva ‘traição’ da doutrina, para retomar a palavra do Pe. de Soras: uma ‘traição’ no mínimo tão grave, e provavelmente até mesmo mais grave ainda, que as duas traições às quais ele limita o seu esquema.

Onde e quando o Vaticano II falou do Inferno eterno? E Paulo VI? E João Paulo II? E Bento XVI? É um ponto da fé católica ausente faz 50 anos. É um ponto da fé católica do qual o mundo teria a maior necessidade para ser contido no caminho da apostasia, da imoralidade, dos crimes legalizados em que ele desce cada vez mais baixo. É um ponto da fé católica que está entre os mais eficazes para a salvação das almas (e, portanto, para a glória de Deus). O Vaticano II é o triunfo do inferno: faz-se silêncio sobre ele; não mais se desvia dele as almas; recruta-se para ele pelo desvanecimento da fé, pelo ecumenismo que impede as conversões, pela liberdade religiosa, por uma liturgia dessacralizada, pelo vazio sacramental. E tudo isso seria pela ação, pela cumplicidade ou pelo tácito consentimento da verdadeira autoridade santa e infalível da Igreja de Jesus Cristo? Impossível. Mil vezes impossível”. (http://wp.me/pw2MJ-1o8)

Ainda bem que o P. Belmont colocou a questão real da falta da «verdadeira autoridade» na Igreja de Jesus Cristo, com «A heresia criptogâmica» (trad. br. por F. Coelho, S. Paulo, maio 2012, blogue Acies Ordinata, http://wp.me/pw2MJ-1o8). De: “L’hérésie cryptogamique”, blogue Quicumque, doc. B-4, dossiê “Sedevacantismo” (16.7.2011):
http://www.quicumque.com/article-la-foi-est-infrangible-mosaique-autour-du-sedevacantisme-79571175.html

Nós católicos, que queremos restar fiéis ao combate pela Fé da única Igreja apesar de toda marginalização e desprezo, não podemos nunca silenciar o principal, isto é, que a Igreja é a instituição para representar a Autoridade de Deus no mundo e é para isto que o seu chefe em terra, o Papa, Vigário de Jesus Cristo, recebe um poder divino.

Sua missão, e portanto identidade, está na obra de continuar, preservar e confirmar a Fé da Igreja, fora da qual não há salvação para as almas nem Ordem cristã no mundo, razão porque o inimigo, não de carne e sangue… (Ef 6, 12) mas engabelador, quer anulá-la!

Por isto, toda a atenção católica deve aplicar-se a reconhecer a autêntica autoridade vigária, na necessidade vital de submeter-se à hierarquia da Igreja, como a Deus mesmo.

Qual a questão essencial para esse reconhecimento e para o combate pela Fé, senão a autenticidade da autoridade demonstrada na continuidade da fé católica?

Aparentemente todas estas verdades são evidentes para qualquer católico ponderado.

Mas não é assim na prática porque quando o problema do papa autêntico começa a ser colocado, aparece o temor e a angústia diante da possibilidade de se estar fora da Igreja, provocando diferentes formas de encarar a própria crise e um incerto estado de alma se manifesta para sugerir novos eruditos «métodos» de combate disfarçado. Ao ponto que passa a ser necessário achar uma explicação que seja ao mesmo tempo teologicamente verossímil e pacificadora dessas angústias da própria alma, antes que esta se perca nos redemoinhos da Roma modernista que já engoliu multidões. Na agitação dessa hora, mentes que não se sentem privadas, mas munidas de uma superna graça, vão conceber os maiores absurdos e sofismas em relação à autoridade vigária do papa.

O espaço é escasso para descrever tudo, mas se diga que o que mais transpareceu foi o repúdio à nova Missa de Paulo 6. Isto levantava a questão do «papa herege», que foi tratada no livro de Dom Mayer com o Arnaldo Vidigal Xavier da Silveira (ver artigo).

Ora, o que não foi bastante conhecido é que a aberta e torrencial acusação (um livro inteiro) do Padre francês Georges de Nantes, iniciava uma ruptura com o Arcebispo Marcel Lefebvre e com os padres Saenz y Arriaga, Guérard de Lauriers, Noël Barbara, Mouraux, Louis Coache, os Padres mais ativos nessa reação, para se limitar à França.

O Padre de Nantes empenhou-se em especulações teologais para resolver a seu modo o imenso problema do «papa» culpado de evidentes heresias e cisma escandaloso na Fé.

Não fez segredo de sua conclusão pessoal, considerada única possível e daí obrigatória: Paulo 6 era papa e só podia ser julgado por si mesmo! Não adotar tal solução seria, para ele, ser cismático. Descrevemos a acusação pública feita pelo Padre de Nantes ao seu «irmão na fé Paulo 6» e levada a Roma em 1973 para ser entregue em mãos (ver artigo).

O vespeiro teologal estava armado na primeira linha da resistência sacerdotal; com a desculpa da defesa da Fé passaria a ser obrigatório aceitar o «papa herege e cismático»!

A cripto-heresia «conclavista»

Foi descrito o quadro do direito católico transferido para a opinião de uns inteligentes estudiosos de soluções teologais próprias. A santa Igreja devia, de fato e em pleno direito, ficar, não só à mercê dos heresiarcas por eles acusados, e que continuam a se revezarem até hoje na Sé de Pedro, mas desses «opinionistas teologais». Até quando?

Para eles, até que um desses «papas conciliares» decida de julgar a si mesmo para que deixe de querer converter o mundo à sua «fé» modernista, maçônica e ecumenista!

Até lá o «desviado» manteria o direito divino que o «conclave absoluto» lhe outorgou para desviar! Era a heresia do «conclavismo»: uma reunião humana tida por infalível, apesar da possibilidade de erro sobre a fé do eleito (v. Bula Cum ex apostolatus).

Poucos diante do zumbido de tão extraordinário vespeiro herético reagiram.

A matéria é muito grave para se pôr a espernear ou esbravejar, como preferem fazer alguns «sede-plenistas» enfunados nos próprios juízos. Não seria melhor seguir a lei da Igreja, cujas razões respondem às questões capitais até para os tempos mais cruciais?

Vejamos o que ensinam os Papas, começando pela «Mystici Corporis» de Pio XII.

- “Não se objete que com o primado de jurisdição instituído na Igreja ficava o Corpo místico com duas cabeças. Porque Pedro, em força do primado, não é senão vigário de Cristo, e por isso a cabeça principal deste corpo é uma só: Cristo; o qual, sem deixar de governar a Igreja misteriosamente por si mesmo, rege-a também de modo visível por meio daquele que faz as suas vezes na terra; e assim a Igreja, depois da gloriosa ascensão de Cristo ao céu não está educada só sobre ele, senão também sobre Pedro, como fundamento visível. Que Cristo e o seu vigário formam uma só cabeça ensinou-o solenemente nosso predecessor de imortal memória Bonifácio VIII, na carta apostólica “Unam Sanctam” e seus sucessores não cessaram nunca de o repetir”.

- Se a submissão ao Vigário de Cristo é condição para pertencer à Igreja e salvar-se, a fé nessa necessidade, e daí na presença do verdadeiro Vigário, também o é. O fiel pode estar enganado quanto ao homem que personifica esse cargo, não quanto à necessidade da fé deste, que não pode ter uma fé outra da que é alvo; fé na sua missão de converter.

Ora, os «papas concilares» professam uma «fé ecumenista» pela qual nas religiões que desconhecem o papa católico há uma salvação que dispensa conversão à Fé do papa, único Vigário de Cristo. Ou não crêem na necessidade dessa Fé, ou dessa sua missão.

Ora, os documentos do Vaticano 2 representam a série completa de auto-renúncias à fé da Igreja única da Tradição. Bastaria a Dignitatis humanae sobre a liberdade religiosa diante de Deus para demonstrar essa «renúncia tácita» enquadrada pela Lei canônica. Mas também os outros convergem na execrável renúncia anti-católica ecumenista.

A cripto-heresia «sedevacantista»

Há uma explicação histórica para enquadrar o caso da igreja duplicada, formulada por Gustavo Corção. Lembrava que no séc. XIV, no cisma do Ocidente, os católicos se encontraram diante do fato de uma única Igreja com mais papas, sem saber qual o verdadeiro. Hoje, ao contrário, estamos diante de um só «papa», mas que governa mais igrejas: a verdadeira Igreja Católica e Outra

“minha sofrida e firme convicção, tantas vezes sustentada aqui, ali e acolá é que existe, entre a Religião Católica professada em todo o mundo católico até poucos anos atrás e a religião ostensivamente  apresentada como “nova”, “progressista”, “evoluída”, uma diferença de espécie ou diferença por alteridade. São portanto duas as Igrejas atualmente governadas e servidas pela mesma hierarquia: a Igreja Católica de sempre, e a Outra.” (O Globo, 29/12/1977)

Ora, quem diz que “Paulo VI nada mais fez do que acelerar o trem do modernismo, se não gerou a Outra, é responsável por tê-la levado à maturidade… na tentativa de demolição da verdadeira Igreja católica pelo câncer espiritual que a agarrou pela garganta, a sufoca e crucifica-a”, descreve não só: “a Outra que procura destruir a Igreja, o que difere muito de uma auto-demolição”, mas o “pregador anátema” (Gl)*.

Lobo em pele de cordeiro

Se este foi eleito para ocupar o lugar na Sé de Pedro, que existe para a confirmação do Evangelho de Cristo, a sua presença ali indica a vacância do Vigário de Jesus Cristo.

A não ser que se queira, Deus não o permita, que Ele mesmo tenha outorgado a autoridade divina a quem promove a existência real da Outra enganando em Seu nome.

Aqui não há que falar de mistério, mas do que é real sede-vacantismo, raciocinando a possibilidade de haver um papa para duas igrejas, algo inexistente em alguma ordem, lógica ou teológica. Só podia ser matéria de livros de ficção histórica.

Todavia hoje faz parte da mentalidade de um mundo tradicionalista que pretende assim defender a Igreja, aderindo ao “pregador anátema”, ou acusando-o em suas capelas, mas sempre aceitando-o como enviado por Deus, pois seria artigo obrigatório de Fé!

Note-se o nível mental: não seria a presença da Outra que destrói a verdadeira Igreja o imenso problema, mas o fato que católicos que têm por doutrina honrar a Igreja e ao seu Papa que representam a Autoridade de Deus no mundo e não poderiam ensinar nada que fosse contra a Fé e a Moral, como a dita «pestilência sede-vacantista».

Para estes, em boa ou má fé, a vacância de um Papa católico que defenda a Fé da Igreja, fato por eles descrito com detalhes, é razão para acusar a «pestilência sede-vacantista», doutrina que significaria que as portas do inferno teriam prevalecido sobre a Igreja.

Eis a ereção da nova doutrina anti-sede-vacantista, melhor dita «vespeiro teologal» pois pontifica os seguintes pontos «doutrinais»: – o «papa» pode ser herege e ministrar sua «fé» e culto herético, mesmo com um concílio de valor universal; pode-se e até se deve contestar papas que ensinam sistematicamente a própria doutrina contra a Fé e a Moral; – a certeza para que se receba essa «autoridade divina» deriva do voto cardinalício em um «conclave canônico», indiscutível e daí de valor absoluto, infalível!

É a «nova doutrina» anti-católica que, favorecendo a permanência de um “pregador anátema” na Sé de Pedro, aceita a vacância nesta de um defensor da Fé.

Eis a ereção de uma real «pestilência sede-vacantista», que tem a agravante de atacar, não só os grandes princípios do reto pensar segundo «identidade e não contradição», mas quem defende a verdadeira doutrina católica codificada pela Igreja sobre o Papa.

Para saber se isto implica cripto-heresia «conclavista» e «sedevacantista» para a própria alma, que cada um invoque a graça do Sagrado Coração de Jesus para o discernimento espiritual que deve nos preservar de desonrar a Igreja ofendendo a Deus.

* Falei com Gustavo Corção pela última vez em 1978, quando lhe levei na casa de Laranjeiras um livro que me encomendara em Roma. Falou-me do papa que não era católico, visão aliás bastante repetida pelo amigo Julio Fleichman. Basta lembrar isto, e o que se passou na Igreja depois de sua morte, para saber que não honra a sua memória dizer que ele aceitaria esses outros «papas não católicos». Talvez eu deveria ter falado mais disso no artigo que escrevi em sua memória (Um conservador ardente, Permanência, nn. 136-137, 1980).

FÁTIMA: O MILAGRE PROMETIDO DA CONSAGRAÇÃO DA RÚSSIA

Na questão da promessa crucial contida na Profecia de Fátima sobre a consagração e a conversão da Rússia, à qual me tenho dedicado já há muito tempo, ressalto sempre a distinção que se deve fazer entre as palavras «consagração» e «conversão» porque a primeira implica a conversão da Igreja à qual é pedida a consagração da Rússia.

Nossa Senhora de Fátima, Imaculado Coração

Isto segundo a explicação de Jesus à Irmã Lúcia sobre o desígnio divino para o nosso tempo: “Porque quero que toda a Minha Igreja reconheça essa consagração como um triunfo do Coração Imaculado de Maria, para depois estender o seu culto e pôr, ao lado da devoção do Meu divino Coração, a devoção deste Imaculado Coração.”

Ao reino dos Sagrados Corações chega-se só pelo sinal que, representando a vontade de Nosso Senhor Jesus Cristo, deve atrair-nos sem nenhuma outra elaborada elucubração.

Procuremos antes de tudo e sem esmorecer o Reino de Deus e sua Justiça, representado no mundo pela Sua Igreja verdadeira, e o milagre nos será dado por acréscimo, segundo o claro desígnio divino atual, isto é, através Maria Medianeira de todas as graças.

Como entender um desígnio divino para nossos tempos?

Este não pode diferir dos desígnios divinos para todos os tempos, acrescido do que será comunicado com sinais oportunos para a salvação através da Igreja nos nossos tempos.

Isto está indicado no Evento de Fátima, que resta por cumprir-se se forem entendidas suas condições históricas, isto é, que haja a autoridade na Igreja que entenda e cumpra esse desígnio, constante na sua Mensagem de 13 de julho de 1917.

Vejamos o que está escrito para que se realize a promessa de Nossa Senhora no Segredo: «Por fim o meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar‑me‑á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz».

Será preciso, então, além de quaisquer interpretações particulares, que haja na Igreja um Santo Padre fiel que por fim tenha superado a crise espantosa que vivemos.

Atenção, porém. Como a disposição na fé para cumprir tal consagração pode justamente ser a solução para a crise da Igreja, aqui falamos de duas diferentes conversões, isto é, da primeira, interna à mesma Igreja, para suscitar quem possa entender e cumprir a necessária consagração para a conversão da Rússia.

Esta demonstra ser a chave de entendimento da oportunidade histórica aqui mencionada. Mas se trata dos eventos históricos lidos através da Profecia de Fátima. É possível?

A visão católica segue o Pensamento que precede e transcende o pensamento humano.

Quanto a este pensamento, como já fora descrito por Aristóteles, inicia com o mesmo maravilhar-se do conhecer filosófico, citação à qual haveria que acrescentar a outra na parte da Metafísica, em que descreve de certa maneira o fim para o qual as admirações começaram. Isto para saber se as coisas são como parecem, como devem ser vistas pela mente que manifesta o objetivo de transcender a maravilha do conhecimento que é mais divino que humano. Assim se chega à posição filosofia aristotélica cristianizada por São Tomás de Aquino, vendo todas as coisas como tendo sua origem em Deus a conhecer, prolongando e até perpetuando o sentimento de estupefacção que Aristóteles exprimiu para o início do pensar filosófico e continua com São Tomás ao escrever que “todos os esforços da mente humana não podem esgotar a essência de uma única mosca.”

E quanto à visão histórica, pode o cristão não ficar admirado diante da Revelação sobre o Verbo encarnado que instituiu Sua Igreja para salvar celebrando Sua paixão salvadora?

Essa admiração será portanto o início do entendimento mais completo do que aconteceu. Isto para que fique clara a impossibilidade humana de conhecer por si a história futura.

A história da «consagração da Rússia» até o tempo de Pio XII

A Promessa de Fátima transcende as categorias do «possível humano», não menos que a possibilidade de reconversão da Igreja, hoje envolvida numa crise devastadora.

Consideremos agora as ações dos papas desde 1917 a esse respeito. Bento XV pediu a intervenção de Maria Santíssima pela paz universal. Não cogitou, porém, que Fátima fosse a resposta [De todo modo, foi ele a restabelecer a Diocese de Leiria]; Pio XI, citado na mensagem, apoiou o culto de Fátima e instituiu a festa de Cristo Rei, mas não fez a consagração pedida; Pio XII, chamado o papa de Fátima, atendeu pessoalmente duas vezes à solicitação, mas sem ordená-la aos bispos.

Pio XII consagra o mundo [com menção a Rússia] ao coração Imaculado de Maria no 25º aniversário das aparições

Pio XII consagra o mundo [com menção a Rússia] ao coração Imaculado de Maria no 25º aniversário das aparições

Em 1942 Pio XII quis atender parcialmente ao pedido de consagração do mundo do Imaculado Coração de Maria, com especial menção à Rússia. Assim havia sido pedido pela irmã Lúcia, em carta de dezembro de 1940:

“… Povos separados pelo erro e pela discórdia, e especialmente aqueles que professam por Vós uma singular devoção e em cujas casas não faltava o vosso venerável ícone para honrar-Vos, provavelmente hoje escondido à espera de melhores dias. Dai-lhes a paz e reconduzi-os ao único rebanho de Cristo, sob o único e verdadeiro pastor!”

Era a alusão, indireta, mas inequívoca, à Grande Rússia, que se separou de Roma e proclamou-se ortodoxa e fora submetida ao comunismo ateu.

Faltou, porém, a essa consagração a participação dos bispos, como fora pedido, e isto fazia com que ela fosse incompleta. Apesar disso, pode-se verificar que naqueles dias alterava-se o curso da guerra, e um dos livros que dá testemunho disso, Fátima, The Great Sign, de Francis Johnston, cita como referência a obra «The Second World War», vol. 4,33, do insuspeito Winston Churchill, que para aqueles dias usava a expressão: “the turning of the hinge of fate”, sem certamente referir-se, não sendo católico, à consagração feita dia 31 de outubro de 1942, tão radical foi a mudança do curso da guerra. Johnston cita a frase de irmã Lúcia no mês seguinte:

“Deus já demonstrou a Sua satisfação por esse ato. Mas, como ele foi incompleto, fica a conversão da Rússia para mais adiante.” [p. 40] Carta da Lúcia de 4.5.1943 em DOC (P. A. Martins, Porto).

Cabe concluir que a esperança posta no cumprimento da promessa de intervenção do Céu era insuficiente. Com quais conseqüências em seguida?

Viu-se isto na eleição do modernista filo-mação João XXIII, que mandou arquivar a parte ainda secreta da mensagem, justamente no período que esta seria «mais clara»!

Seguiu a convocação do tenebroso Vaticano 2 para a demolição demoníaca da Igreja.

Isto sob a chefia de Paulo 6 que, embora indo a Fátima em 1967, evitou toda menção da Mensagem. Na véspera da viagem leu a exortação apostólica Signum Magnum, com a qual reconhecia em Nossa Senhora a mulher vestida de sol do Apocalipse, mas ignorou seu pedido. Não escondeu que punha sua última esperança de paz na ONU. Foi quem adaptou a Santa Missa aos protestantes, transferiu a liberdade da Igreja aos cidadãos e a tiara, símbolo da soberania de Cristo Rei, aos pobres. Seus sucessores houveram por bem continuá-lo e ao seu concílio de perdição. Ficava assim instaurada uma Igreja Conciliar onde o projeto de paz passou a depender de iniciativas humanas sem vínculos espirituais. Além do quê, seria a liberdade de consciência e de religião a constituir o fundamento da dignidade dos homens, e como desta destoa prostrar-se contrito diante de Deus para elevar-lhe súplicas de misericórdia, a oração transformou-se em simples e vulgar diálogo. Aos homens livres competiria mais julgar que acatar mistérios.

Era a liberdade de “julgar” o que deve ser verdade, a premissa da grande apostasia da Palavra, insuflada desde o início pelo ofídico sedutor: “Sereis como deuses, conhecendo o bem e o mal” (Gn 3, 5). São Paulo (Ts.II, 2) fala desse mistério de iniqüidade presente desde o início, mas retido pela Igreja até que alguém, recebendo a «chave», abrisse o abismo de onde sairia o leviatã para impor na Igreja o culto e o domínio do homem.

Podemos ainda considerar essa liberdade diante da verdade uma insídia hermética e remota nos nossos dias?

É claro que pôr em dúvida a verdade única e os sinais da vontade de Deus é manifestação de apostasia e adesão a poder que, “com sinais e prodígios enganosos, com todas as seduções da iniqüidade para aqueles que se perdem porque não abraçaram o amor da verdade para serem salvos. Por isso Deus lhes enviará o artifício do erro de tal modo que creiam na mentira” (Ts. II, 9-10). Qual artifício do erro maior que o culto do homem, o homem que se faz deus na Igreja de Deus que se fez Homem?

Jesus deu-nos o sinal do momento culminante dessa iniqüidade: “Quando pois virdes a abominação da desolação, que foi predita pelo profeta Daniel, posta no lugar santo…” (Mt 24, 15). Daniel fala do Templo onde cessou o sacrifício e a oferta (9, 27), do santuário da fortaleza onde cessou o sacrifício perpétuo (11, 31).

É sempre à Igreja do Sacrifício que somos chamados a dirigir os olhos. Esta é a Nova Jerusalém, o Lugar santo, o templo e o santuário, a fortaleza da fé. Dela vêm os chamados à vigilância e à oração, mas nela veremos o assédio, a invasão, a abominação da desolação no altar, o iníquo que “se sentará no Templo de Deus, apresentando-se como se fosse Deus” (II Ts 2,4). Mas quando o engano atinge tal ponto tudo é possível e os católicos seduzidos defenderão e respeitarão tal invasor. A quem apelar, então?

A conversão da Rússia nesse desígnio divino

É um fato que Pio XII fez duas consagrações da Rússia, de modo limitado, instituindo a festa do 31 de maio para repeti-las até satisfazer Nosso Senhor.

Eis que a decisiva consagração está ainda por cumprir para resolver o interregno dessa acefalia desoladora em Roma.

Devemos, pois, lembrar que o nome  Rússia está desde o início na Profecia de Fátima.

Era um nome estranho aos pastorinhos, que não podiam tê-lo inventado (v. A RÚSSIA NA PROMESSA DE MARIA EM FÁTIMA).

Quanto aos erros que espalhou com a revolução comunista de 13 de Outubro 1917, trata-se de fato histórico. Mas hoje, quando a «União Européia» ecumenista, como o EUA, colaboram na ameaça de demolição da Cristandade, já gravemente ferida pelas duas grandes guerras européias, qual poder terreno poderia ainda defende-la diante do Islã que avança? Não é preciso ser profeta para entender que só resta a Rússia.

Essa grande nação após ter sobrevivido à infernal tirania soviética e ateia, “conservando as ícones cristãs e marianas na espera de melhores tempos… ”, como escreveu Pio XII para a sua parcial consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria em 1942 e depois em 1952, hoje testemunha seu antigo cristianismo sem acanhamento político.

[Prefeitura de Moscou de novo proíbe parada gay ]

Eis o País que abrigou o colosso revolucionário, mas que apresenta-se hoje do outro lado do aparato maçônico-ecumenista, que ocupa a Igreja de Deus e pontifica o erro por toda a Terra, seduzindo com uma falsa união religiosa pela paz que é ofensiva à religião única revelada por Deus e lembrada pelo portento sobrenatural de Fátima.

Ali foi colocada a pedrinha que destruirá o leviatã infernal para glória de Deus e triunfo de Maria, Mãe da Misericórdia que não deixou de avisar seus filhos da hecatombe do papa católico com todo o seu séquito fiel, como está na visão do Terceiro Segredo.

Nessa hora, que seria mais clara em 1960, estava instalado no Lugar santo da Igreja de Deus o clérigo Ângelo Roncalli, aliás, João 23, para, arquivar a Profecia de Fátima e fazer avança o plano para a ocupação da Roma fiel, a descristianização geral e para a abertura do abismo de perdição, que só a grande conversão mariana poderá sustar.

Deus não abandonará Sua Igreja nesse momento de paixão e apostasia. Prometeu a conversão da Rússia. Para isso avisou querer: “que toda a Minha Igreja reconheça essa consagração como um triunfo do Coração Imaculado de Maria”.

No «reconhecimento» do poder de intervenção divina no mundo, através do ato de um verdadeiro papa – cumpridor do desígnio divino – o mundo verá a «conversão da Igreja», para a salvação de uma multidão de almas e um período de paz na terra!

Vice-Primeiro Ministro da Hungria peregrino em Fátima

Vice-Primeiro Ministro da Hungria, Zsolt SEMJÉN

No dia 12 de maio de 2012, o Vice-Primeiro Ministro da Hungria, Zsolt SEMJÉN, visitou o Santuário de Fátima, acompanhado pela sua esposa, pelo embaixador da Hungria em Portugal, Norbert Konkoly, e pela conselheira da embaixada, Katalin Szurovszky. Em Fátima teve como guia um membro da Associação de Servitas para percorrer o caminho da Via-sacra e visitar a Capela de Santo Estêvão.

No Santuário, foi recebido na Reitoria e pronunciou umas palavras de saudação e entrega de recordações do Santuário, gravando a seguinte mensagem: “Peço à Virgem de Fátima e a Santo Estêvão da Hungria que nos ajude a seguir o caminho certo para construirmos uma nação de Maria”.

À noite, a comitiva participou nos atos oficiais da peregrinação aniversaria da primeira aparição do 13 de maio, no Rosário, na procissão de velas e na eucaristia.

São muitos os laços dessa nobre Nação com Fátima e a 10 de novembro de 2011, na Cova da Iria, foi prestada homenagem póstuma ao padre Luís Kondor, sacerdote nascido na Hungria falecido em 2009 em Fátima, com o nome da Praça Luís Kondor, quando o embaixador da Hungria em Portugal leu uma mensagem enviada de Budapeste pelo vice-primeiro ministro da Hungria em que ressalta a sua personalidade e atividade, que “aproximaram Portugal e a Hungria”. Sobre Fátima escreveu: “Desde as aparições de Fátima que o mundo tem mudado muito, mas acredito que hoje em dia as pessoas necessitam mais do que nunca da mensagem de Fátima”.

As esculturas em pedra da Via Sacra e a Capela do Calcário, foram doações dos refugiados húngaros em 1956 à Nossa Senhora de Fátima. E aqui pode-se lembrar a tragédia daquela rebelião ao jugo soviético, sufocada pelos tanques, quando o Arcebispo Mindszenty teve que refugiar-se na Embaixada americana. Ali permaneceria por muitos anos, até que no acordo entre Moscou e o Vaticano, foi expatriado a contragosto, como relata nas suas famosas memórias.

Desta vez, em entrevista à Rádio Renascença, o representante político da Hungria, Zsolt Semjén, nessa importante visita, deixou claro que a Hungria que elegeu com 2/3 dos votos um governo cristão, permanecerá fiel às suas tradições, e referindo-se ao aborto, etc., declarou que não aceitariam nenhum diktat da presente Europa jacobina.

JOÃO 23 INIMIGO DO APELO À PENITÊNCIA DE FÁTIMA!

As forças no mundo contrárias à Fé da Igreja são enormes e crescentes até em Roma.

Já o eram no tempo de Pio XII, o último papa católico, submerso por problemas doutrinais e políticos nunca vistos, e circundado por uma classe clerical deplorável, à beira da apostasia pessoal, hoje constatada na difusa indiferença da apostasia geral.

Isto se tornou evidente e muitos querem culpar esse papa por não ter removido, mas promovido figuras do cripto-modernismo maçônico do calibre de Roncallis e Montinis.

O Céu não podia ignorar a origem de tal descalabro religioso.

Não foi por esta razão que suscitou um Papa santo como Pio X e depois Fátima?

Após a morte de São Pio X, talvez eliminado*, e sua ação amortecida, a resistência católica clerical, ficou tão depauperada que a Igreja precisou de um milagre sem igual.

Foi a Aparição de Fátima onde a Mãe de Deus, atendendo ao recurso público do papa (artigo), trouxe um pedido para um milagre: a consagração colegial da Rússia que seria uma conversão para esse País, para o mundo e para a mesma Roma.

Ali já operava a oposição modernista de carreiristas «pro novus ordo seclorum».

* Sua morte parece um tanto suspeita. Despachou pela manhã normalmente os documentos ao Secretário de Estado (Card. Merry Del Val) e à tarde este foi chamado com urgência para ver o Papa. Quando chegou Pio X já estava morrendo e levando a mão a garganta como se dissesse não poder falar e então morreu, segundo a notícia oficial, devido à uma “pneumonia fulminante”. Também o Cardeal Merry Del Val iria morrer de modo estranho, pois foi durante uma cirurgia de pequena gravidade, estrangulado pela própria prótese dentária. ( http://promariana.wordpress.com/2010/09/03/festa-de-sao-pio-x-soberano-pontifice-e-confessor/ )

Como Bento XV não reconheceu a Profecia, nem Pio XI a ouviu, nem o Papa de Fátima, Pio XII, soube cumprir o pedido profético, o que aconteceria?

O resultado foi que, já antes da morte do último papa, em outubro de 1958, a Igreja estava aberta aos inimigos da verdade, da conversão à ortodoxia católica, doutamente ensinada desde os Apóstolos e repetida com simplicidade na mensagem salvadora de Fátima, cuja graça não souberam devidamente acolher.

Novas confabulações humanas eram primícias de manobras contrárias à Providência, que preteriam a fé na mediação de Maria junto ao único Senhor do Céu e da Terra.

Isto teria levado ao flagelo de um «concílio ecumenista» que silenciaria sobre a terrível ameaça comunista e sobre a esperança de Fátima, extenuando parte do Magistério e do testemunho que a Igreja edificou em vinte séculos contra as forças das trevas.

Nesses anos o «novo clero» sentia-se capaz de dialogar com tais poderes para acertar a convivência pacífica em que os “retrógrados” predecessores haviam falhado!

Para esse fim a Igreja devia desculpar-se de ter acusado erros!

Paulo VI - Cardeal Montini - expulso de Roma por relações com o comunismo.

Reportagem de L’Italia, por Giulio Ferrari

Revista L'Italia reportagem de Giulio Ferrari sobre Paulo VI

Montini Homossexual e comunista

Afastado de Roma nos últimos anos do Pontificado de Pio XII por suas relações com comunistas

Passaram então a comandar na Igreja homens que tanto estavam próximos à Cátedra papal quanto distantes do pensamento de Pio XII. Entre eles: o arcebispo de Milão, Montini, que pelos seus abusos e traições na Secretaria de Estado fora “removido” para aquela posição, mesmo sem ser feito cardeal; o cardeal Roncalli, patriarca de Veneza, futuro João 23, cujo primeiro ato foi fazer Montini cardeal e supremo consultor do concílio inaugurado para divergir dos «profetas de desdita» e abrir a Igreja a um decantado mundo moderno, onde o confessor de Pio XII, o jesuíta e biblicista alemão Bea era promovido a grande líder progressista do Vaticano II.

Palácio Patriarcal em Veneza, Lapide de João 23

Em recolhimento fecundo [perjúrio e ambiguidade?] a vastidão ecumênica e o fermento inovador do seu glorioso pontificado.

Havia nesse novo curso um afastamento da visão do mundo de Pio XII, o temor que o mundo ouvisse a mensagem de Fátima sobre os perigos do inferno; contra o programa do Vaticano 2 implementado pelos novos chefes contrários à Fátima e à fé tradicional.

Todavia, Pio XII, em agosto de 1958, e eram seus últimos dias, perguntava a um grupo de peregrinos americanos conduzidos pelo padre Leo Goode: “Acreditais em Fátima?” À resposta positiva dos fiéis o papa continuou: “Se quisermos paz, devemos obedecer aos pedidos feitos em Fátima. O tempo de duvidar de Fátima já passou; é tempo de agir.” (Fatima the Great Sign, Francis Johnston, Augustine Publ. Devon, 1980, p. 73).

Mas a ocasião propícia passara e ele se esquecera de que o timão da barca de São Pedro estava em suas mãos e competia-lhe comandar. Se suas palavras foram firmes e seus documentos doutos, seus atos foram por vezes tíbios. Temendo punir e remover, como compete ao chefe da Igreja de Deus, promoveu e transferiu diplomaticamente homens que seriam os bispos, cardeais e papas da auto-demolição da Igreja. Seriam os fatos a fazer esse julgamento neste mundo, que apesar dos sonhos utópicos só piorou.

Na Arquidiocese de Milão, de onde o santo cardeal Schuster, de acordo com Pio XII, já em 1941 fazia divulgar a devoção de Fátima, ficava o arcebispo João Batista Montini, que usaria essa devoção e tudo mais na Igreja para mandar avante seu projeto de fraternização humanitarista e paz, pelo culto do homem.

A TRISTEZA DE NOSSA SENHORA

Nossa Senhora de Salette

No dia 19 de setembro de 1846, na montanha de La Salette, França, dois pastorzinhos, Melania e Maximino, viram uma linda senhora sentada sobre a pedra onde haviam construído um pequeno “paraíso” de flores. Chorava com a testa entre as mãos.

Chamou os meninos para transmitir-lhes uma mensagem.

Podia esta não ser triste se fazia a Mãe chorar pelos filhos?

A infinita tristeza de Maria será vista e suas lágrimas recolhidas em diversos lugares do mundo na nossa época. Já não é esta uma mensagem, um aviso de valor inestimável?

A mensagem que segue esses milagres pode deixar de ser igualmente triste?

Ora, isto é dito aqui porque há dois tipos de considerações feitas sobre as aparições que só podem confundir as idéias dos católicos.

A primeira, ao dizer que nelas tudo é vago e, portanto, interpretável.

A segunda, a de que só a autoridade da Igreja pode entendê-las.

No primeiro caso confunde-se vago com velado. Também as Escrituras são veladas, mas nada têm de vago. Cada palavra, vinda de Deus, tem valor e sentido inestimável. No segundo caso, confunde-se o que só a autoridade pode esclarecer e confirmar, com o que dispensa explicações humanas.

A tristeza de Nossa Senhora é uma mensagem que dispensa palavras.

Indica que muitos de seus filhos estão na via da perdição. As palavras podem servir para ajudá-los e guiá-los, mas se não forem ouvidas, se ninguém souber ou quiser chamá-los de volta, se na Igreja prevalecer o silêncio e a omissão sobre os perigos iminentes, a tristeza da Santa Mãe aumenta.

Essa tristeza e menosprezo têm sido a constante de nosso tempo e para demonstrá-lo será relatado aqui o caso do padre mexicano Agostinho Fuentes, escolhido como vice-postulante da causa de beatificação dos pastorzinhos Francisco e Jacinta e que para isto interrogou irmã Lúcia no Convento de clausura em Coimbra, onde ela vive desde que se tornou carmelita descalça.

O encontro foi em 16 de dezembro de 1957. Na sua volta à pátria deu uma conferência em 22 de maio de 1958, onde relatou a entrevista com a vidente de Fátima, autorizado pelo bispo de Leiria-Fátima e pelo seu Bispo no México. O sacerdote relata que a irmã Lúcia recebeu-o cheia de tristeza, magra e aflita, comunicando-lhe suas meditadas preocupações (publicadas em seguida em espanhol e inglês):

“Padre, a Senhora está muito triste porque não se deu atenção à sua mensagem de 1917. Nem os bons nem os ruins tomaram conhecimento. Os bons seguem o seu caminho sem preocupar-se com atender às indicações celestes; os ruins, marcham na estrada larga da perdição sem tomar nenhum conhecimento das ameaças de castigo. Creia, padre, o Senhor Deus muito em breve castigará o mundo. O castigo será material e o padre pode imaginar quantas almas cairão no inferno se não se rezar e fizer penitência. Esta é a causa da tristeza de Nossa Senhora.

“Padre, diga a todos o que a Senhora tantas vezes me disse: ‘Muitas nações desaparecerão da face da Terra. Nações sem Deus serão o flagelo escolhido por Deus para castigar a humanidade se vós, por meio da oração e dos santos Sacramentos, não obtiverdes a graça da conversão dessas nações. Diga, padre, que o demônio está travando a batalha decisiva contra a Senhora, e o que aflige o Coração Imaculado de Maria e de Jesus é a queda das almas religiosas e sacerdotais. O demônio sabe que religiosas e sacerdotes, descuidando de sua excelsa vocação, arrastam muitas almas para o inferno. Estamos ainda em tempo de evitar o castigo do Céu. Temos à nossa disposição meios muito eficazes: a oração e o sacrifício.

“O demônio faz de tudo para distrair-nos e tirar-nos o gosto pela oração. Porém, é preciso dizer às pessoas que não devem permanecer à espera de uma convocação à oração e penitência, nem de parte do papa, nem dos bispos, nem dos párocos, nem dos superiores gerais. Chegou o tempo de cada um, por sua própria iniciativa, realizar santas obras e reformar a sua vida segundo a convocação de Nossa Santíssima Mãe.

“O demônio quer se apossar das almas consagradas, trabalha para corrompê-las, para instigar muitos à impenitência final; serve-se de todas as astúcias, sugerindo até mesmo o aggiornamento da vida religiosa [introduzir o mundo na vida religiosa]. Resulta disso a esterilização da vida interior, o esfriamento nos leigos do espírito de renúncia aos prazeres e a total imolação a Deus. Lembre-se, padre, de que foram dois fatos que concorreram para santificar Jacinta e Francisco: a grande tristeza da Senhora, e a visão do inferno. A Senhora encontra-se como que entre duas espadas: de um lado vê a humanidade obstinada e indiferente às ameaças de castigos; de outro, vê a profanação dos santos Sacramentos e o desprezo dos avisos de castigo que se aproximam, permanecendo incrédulos, sensuais, materialistas. A Senhora não disse claramente que nos aproximamos dos últimos dias. Mas me deu a entender, repetindo isso três vezes: na primeira, que o demônio está para iniciar a luta decisiva, isto é, final, da qual sairemos vitoriosos ou vencidos, ou estamos com Deus ou estamos com o demônio. Na segunda vez me repetiu que os últimos remédios dados ao mundo são o Santo Rosário e a devoção ao Imaculado Coração de Maria. E últimos significa que não haverá outros. Na terceira vez, disse-me que esgotados os outros recursos desprezados pelos homens, oferece-nos com temor a última âncora de salvação: a Santíssima Virgem em pessoa, com suas numerosas aparições, suas lágrimas, as mensagens dos videntes espalhadas por toda parte do mundo. E a Senhora disse ainda que se não a ouvirmos e continuarmos na ofensa, não seremos mais perdoados, será como recusar aberta e conscientemente a salvação que nos é oferecida, e isto no Evangelho é chamado o pecado contra o Espírito Santo. Padre, é urgente que tomemos consciência da terrível realidade.

“Não se quer encher as almas de medo, mas é uma convocação urgente à realidade, porque desde que a Virgem Santíssima deu grande eficácia ao Rosário, não há problema material ou espiritual, nacional ou internacional, que não possa ser resolvido por ele e pelos nossos sacrifícios. Recitá-lo com amor e devoção, consolando Maria, enxugará tantas lágrimas de Maria Santíssima, de seu Imaculado Coração, nos salvaremos e obteremos a salvação de muitas almas.

“Na devoção ao Imaculado Coração de Maria, aproximaremos o trono da clemência, da serenidade e do perdão e encontraremos nele o seguro caminho para o Céu.

* Ver nota no fim do artigo.

Essa mensagem foi publicada e difundida pelo mundo com todas as garantias de autenticidade e com aprovação episcopal. Em seguida, porém, parece que foi distorcida em tom sensacionalista criando alarmes sobre eventos que teriam lugar em 1960.

Ai o bispado de Coimbra interveio com uma comunicação oficial que condenava a “campanha de profecias que chegam a provocar uma tempestade de ridículo”, com uma declaração de irmã Lúcia de ignorar castigos falsamente atribuídos a ela.

Referia-se à entrevista de padre Fuentes, mas, como muito bem nota o padre Alonso, que é o maior relator dos fatos de Fátima (obra em vários volumes, em edição póstuma), no seu livro Segredo de Fátima, fatos e lenda: “o que padre Fuentes diz no texto original de sua conferência no México corresponde, sem dúvida, à essência do que ele ouviu durante suas visitas à irmã Lúcia, pois embora no relatório os trechos tenham adornos oratórios e outros recursos literários, não dizem nada que a vidente já não tenha dito em seus numerosos escritos publicados. Talvez o defeito foi ter classificado de mensagem ao mundo o que ouviu.” É verdade que há distorções e abusos sobre muitas mensagens proféticas, isso ocorre até com a Bíblia, mas justifica que seja preterida a distinção entre o falso e o genuíno, condenando este como fez o bispo de Coimbra?

Padre Joaquim Alonso

Padre Joaquim Alonso

Entrevista adversa ao Vaticano de João 23, mas autêntica?

O que nos refere padre Fuentes é sem dúvida valioso; não há fantasias sobre os castigos como deve ter descrito a irmã Lúcia. E há também um segundo relatório em que o padre mexicano fala dos sofrimentos pessoais de Pio XII, que nos últimos meses de sua vida sofria com uma situação preocupante no mundo e na Igreja.

Sabia da demolição que aconteceria sob os novos «pontificados»?

De fato, o quadro religioso descrito nesse relato de 1957 em pouco tempo demonstrou ser apenas um esboço. Os católicos que testemunharam as transformações da Igreja depois de Pio XII viram a vida eclesial degenerar rápida e sinistramente. Abandonou-se a oração e a penitência como desprezou-se a doutrina e a virtude, e, embora os males do mundo dilatassem em turbilhão e invadissem o sagrado, ninguém mais convocava à defesa da fé. Se antes não se ouvira Fátima, depois se tentou deturpá-la. A tristeza de Maria Santíssima ficou esquecida. E aconteceu que, enquanto crescia a indiferença para com os sinais do Céu, aumentava a invocação de obediência e respeito para com os projetos e transformações efetuados na Terra. Nunca se convocou tanto à caridade e compreensão para com os erros de toda ordem. Só a fé para a salvação das almas era esquecida! E na segunda metade do século XX esse novo espírito passou a dominar.

O que falta demonstrar? Sobre as distorções, ambigüidades, hipocrisias e heresias da «nova igreja» e do culto do Vaticano 2, deveria bastar a vasta bibliografia do que foi publicado neste último meio século; das acusações de Mgr Lefebvre as de Dom Mayer, dos escritos de Gustavo Corção aos de Plínio Corrêa de Oliveira, do Padre Barbara ao Abbé de Nantes, do Padre Cornélio Fabro ao filósofo Romano Amerio.

À bibliografia do Prof. Tomás Tello sobre a revolução litúrgica que apenas publicamos, acrescente-se a minha às páginas 216-217 da «Eclisse del Pensiero Cattolico»(http://promariana.wordpress.com/livros/).

Enfim, pouco ou nada falta para descrever a devastação na «Vinha de Nosso Senhor» e nem mesmo sobre a censura do «Terceiro Segredo» por João 23 e a sua apropriação por João Paulo 2, tratando-se de falcatruas públicas e notórias.

Talvez ficasse por provar que a entrevista da Irmã Lúcia com o Padre Fuentes, que apareceu retratada por ela no jornal de Coimbra, fosse mesma autêntica. Pois bem, esta consta de meu livro de 1988, «Entre Fátima e Abismo», que foi entregue e lido pela Irmã segundo me confirmou sua sobrinha Maria do Fetal diante do P. Robert Bellwood e da Irmã Marie Lucie. Importa lembrar que, na companhia deste sacerdote, tive um encontro muito revelador em Fátima com o Padre Messias Coelho na Pensão Solar da Marta de Fátima quando este nos informou, de modo tão explicito como ingênuo, que o Vaticano havia enviado instruções à Irmã Lúcia e a alguns clérigos ligados ao apostolado de Fátima, como ele mesmo, o Padre Pierre Caillon, o Abbé de Nantes da CRC e o Rv. Nicholas Gruner e outros: a consagração da Rússia já havia sido realizada e que o Céu se dignara aceitá-la. Portanto não se devia mais importunar o Santo Padre! Estavam também presentes nessa ocasião o proprietário da pensão, Armando Mendes e o editor inglês Tindal-Robertson, editor da Apologia de Mons. Lefebvre, que ficaram felizes com as instruções vaticanas de 1988 sobre a consagração feita em 1984!

No caso do Padre Coelho há que lembrar que no seu livro, “O que falta para a conversão da Rússia” (Fundão, 1959), ele diz que ela “só pode entender-se, no sentido do retorno à fé católica, De resto, só esta é a verdadeira conversão” (p. 286).

Conclusão: a consciência da Irmã fora forçada, tanto para negar a «entrevista Fontes», que leu e não negou no meu livro, como para a consagração da Rússia, que negou até 1988 e depois parece ter aceitado junto com a abolição da centralidade crucial de 1960.

Mas o que os humanos podem negar, fica num Livro incancelável (Ap  9, 10) porque Nosso Senhor quer até o fim salvar quem procura Seus sinais inconfundíveis.

* Há diferenças nos textos por causa das traduções. Aqui publicamos o texto do livro enviado à Irmã Lúcia, que ela tacitamente reconheceu e aprovou.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Join 33 other followers