Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

Testemunhos Cruciais na atual Paixão da Igreja – Parte I

Poderia a Paixão da Igreja, que dura dois mil anos, ser diversa da Paixão de Jesus Cristo? E não ser como a Sua – crescente – da agonia no Getsemani até a morte na cruz? A Igreja militante não pode perecer, mas pode falhar no testemunho da Fé, que é a sua vida. Fé única e integral, que hoje, no fragor de um mundo paganizado e hostil, é confundida com outra que se apresenta como Católica, embora seja só seu mais letífico simulacro. «Deus não faria justiça aos seus eleitos que o invocam dia e noite? Tardará em ajudá-los? Digo-vos que logo lhes fará justiça. Mas o Filho do Homem, quando vier, encontrará a fé na terra?» (Lc 18, 8).

Vaticano II

Abertura do Luterano II

Início do atual colapso católico

Considerando o agravamento contínuo do colapso católico, parece que na Igreja militante não houve percepção suficiente do que viria a ser letal para a vida na Fé; do efeito demolidor das aberturas ecumenistas que bradam aos céus pelo que representam de engano humano e ofensa a Deus.

Estes enganos surgiram desde o tempo de João XXIII, que para promove-los havia dado carta branca ao padre Agostinho Bea, elevado ao cardinalato e alocado à testa do aparato eclesiástico com poderes para condicionar o Vaticano II. De fato, depois da conclusão deste, ficou claro que se tratava de uma operação de conciliação mirada ao que se demonstrou verdadeira “restituição” do juízo sobre tudo e todos ao Judaismo imperante; uma grave infidelidade para com a autoridade e posição universal e única da Igreja, apenas percebido só por alguns fieis, apesar da evidência dos fatos. Estes, ficaram demonstrados, desde o escandaloso uso da parte de Paulo VI do “ephod” judaico usado por Caifás quando condenou Jesus à morte, até as visitas de seus sucessores às sinagogas e Muro das lamentações para pedir perdão pelas injustiças cristãs para com os judeus.

Bem poucos resistiram à essas aberturas de alcance desastroso não só para a Igreja, mas para o mundo. Isso se deve não só aos ataques sofridos da parte de progressistas em número crescente, mas pela falta de união e apoio da parte dos eclesiásticos remanescentes ainda fieis à Igreja de sempre.

Na verdade houve uma renúncia geral a apelar-se aos recursos da Lei da Igreja, que restou desde então ignorada. Deste testemunho pretende ocupar-se este escrito, apontado em especial para três livros cruciais.

Testemunho das traições iniciais
O primeiro livro em questão foi distribuído na vigília da abertura do Vaticano II, sobretudo entre os Padres conciliares. Trata-se do “Complô contra a Igreja”, livro editado em várias línguas, de Maurice Pinay, pseudônimo que, devido a riqueza da documentação, certamente representa um grupo de prelados, talvez “um sindicato de cardeais”, como relatou então algum jornal. Nesse livro se manifestava a grave preocupação que uma Igreja do silencio fosse vítima de um complô talmúdico na reunião conciliar. Isto porque se diz em seguida no seu preâmbulo que “uma instituição que proclamasse contradições substanciais não poderia ser divina” e perderia toda autoridade sobre os fieis, não indica estar aludindo só à Igreja nos países comunistas, mas à mesma Igreja de Roma. Indica que o livro era resultado de uma clara consciência das forças mobilizadas então para uma mutação disfarçada mas radical das bases doutrinais da Igreja através do evidente modernismo de João XXIII, aberto às potentes lojas e sinagogas do mundo.

Foi o que revelou a manipulação operada durante o Vaticano II, em especial na elaboração do documento “Nostra aetate”, alavanca tremenda para abalar os fundamentos da fé com uma inversão ecumenista, Eis a herança do Vaticano II legada a seus continuadores a fim de ser ampliada até concorrer para a formação de uma grande união religiosa, que seria no plano religioso o que as Nações Unidas são no âmbito internacional. Plano que aos poucos assumiu forma operativa mundial e hoje aparece com o nome de U. R. I.*

A incontornável questão de consciência
Visto o resultado deletério dessa demolição católica, para os fieis há uma muito grave questão de consciência: como poderia um verdadeiro papa, cuja eleição e direção da Igreja é assistida pelo Espírito Santo, presidir à presente destruição da Fé, a mais profunda e extensa da história e realizada com uma brevidade que o pior heresiarca do passado não teria conseguido?

Durante o Vaticano II houve a reação criada pelo “Coetus Internationalis Patrum”, que reunia toda semana centenas de consagrados, cardeais e bispos de todo o mundo para defender a fé “à luz da doutrina tradicional da Igreja e ao magistério dos Soberanos Pontífices”. Tais iniciativas obstaram o avanço dos liberais, como reconheceu um deles, o P. Ratzinger.

Visto porém que Paulo VI era favorável aos inovadores como ele (Le Rhin se jette dans le Tibre, Le Concile inconnu), isto foi inútil.

Na verdade esta reação católica a tanto engano durante o Vaticano II contava com mais de quinhentos Padres conciliares que formaram o “Coetus”, que até o fim resistiu às insídias modernistas, mas com a pia ilusão de corrigi-las confiando na intervenção papal. Eis o maior engano daquela hora.

Houve uma circunstância extrema em que esta ilusão foi posto em dúvida e, visto que os prelados não ousavam dizer o que pensavam naquela Sede, devem ter sugerido a grupos leigos de fazê-lo em suas publicações com um texto comum.

Eis a história, que é crucial, pois um “Coetus Fidelium” hoje, à distância de mais de quatro décadas, deve repetir as mesmas objeções católicas para concluir que tais desvios e heresias só foram possíveis porque faltava então e permaneceu ausente a ação da autoridade papal.

Recordamos agora essa importante reação de prelados e de leigos durante o Vaticano, que hoje parece inteiramente esquecida. O fazemos aqui citando o autor que se indignou daquela reação, se trata do Diário do Concilio” do progressista Henri Fesquet (Tutto il Concilio giorno per giorno, DC = Diario del Concilio, Henri Fesquet, Mursia, Milano, 1967).

Não se trata pois de livro da Tradição católica, mas de um volumoso livro escrito por de seus mais ativos inimigos: um convicto “conciliarista”.

No dia 16 de Outubro de 1965 (p. 966) escreve: “Sobre a definitiva adoção pelo Concílio da Declaração Nostra aetate neste dia, cujo voto põe fim “a um número incrível de pressões, iniciativas, visitas, cartas, panfletos, de tratados que submergiram o Secretariado para a unidade dos cristãos por mais de três anos.” Assim escreve Fesquet, entusiasta do novo curso revolucionário para a Igreja e indignado com quem reagiu a essa mutação.

“Quando serão conhecidos os particulares destas varias tentativas para fazer abortar ou reduzir à insignificância a declaração conciliar, há de que ficar confuso diante de tanta paixão, ódio, aberração e sobretudo, ignorância e bestialidade (!?). Por outro lado, muitos lamentarão que em verdade a ultima versão do texto apresentado pelo Secretariado para a unidade tenha perdido algo do seu mordente. É sobretudo pena que as verdadeiras razões pelas quais foram efetuadas estas modificações tenham ficado em parte obscurecidas por pios motivos. A diplomacia romana prevaleceu sobre uma franqueza absoluta. Mas há que reconhecer que a declaração, como foi votada, salvou o essencial [isto é, una verdadeira e própria restituição do “juízo religioso” às religiões em geral e ao judaismo em especial!]. Os observadores que durante as intervenções haviam difundido as vozes mais alarmadas enganaram-se de muito. O Vaticano Il realizou, grosso modo, a vontade de João XXIII acusando severamente o anti semitismo. A Igreja reconheceu implicitamente as suas culpas passadas em tal matéria, que são pesadas, duráveis e numerosas. A nova mentalidade ecumênica venceu os preconceitos antigos. A este respeito, o voto de sexta-feira inaugura uma página branca na história das relações entre Roma e os Judeus. Até o ultimo dia os anti semitas católicos [esta é a acusação de sempre] aliaram-se para tentar amordaçar o Concilio. Já assinalamos o panfleto italiano de Don Zaga. Outro de Léon de Poncins, acusando os bispos que aprovaram o texto do ano passado de « inconsciência ». «Uma declaração digna de um antipapa. » (ib., p. 967): Mas há que lembrar sobretudo o libelo de 4 paginas recebido pelos bispos; era precedido por este titulo longo e curioso: «Nenhum Concilio e nenhum Papa podem condenar Jesus, a Igreja católica, apostólica e romana, os seus pontífices (o libelo enumera 15 papas «anti semitas», desde Nicolau I (IX século) até Leão XIII) e os concílios mais ilustres. Ora a declaração sobre os judeus comporta implicitamente tal condenação, e, devido à esta eminente razão deve ser rejeitada».

No texto se lêem estas espantosas palavras: «Os hebreus desejam agora levar a Igreja a condenar-se tacitamente e a mudar de parecer diante de todo o mundo. É evidente que só um antipapa ou um conciliábulo (sic) poderiam aprovar uma declaração de tal gênero. É o que pensam como nós um numero sempre maior de católicos esparsos no mundo os quais estão decididos a operar no modo que será necessário
para salvar a Igreja de uma tal ignomínia ».

“Quais firmas subscrevem esse panfleto? Trinta movimentos católicos entre os quais para a França as revistas «Itinéraires, Nouvelles de chrétienté», la «Cité catholique» cuja revista «Verbe» (que depois se chamou «Permanences»), è bem conhecida, l’«Action Fatima-la-Salette », e o « Movimento tradizionalista cattolico».
Eis o numero dos outros movimentos classificados por nacionalidade: USA (3), Itália (3), México (3), Espanha (2), Argentina (2), Portugal (2), Chile (2), Alemanha (1), Áustria (1), Brasil (1), Equador (1), Venezuela (1), Jordânia (1). A França – como se vê – com cinco movimentos, tem o triste privilégio de estar na frente. Acrescento que è dificílimo interpretar os votos negativos de que falamos acima: 10 abstenções mais 250 non placet. [surpreendente aqui é só a surpresa de Fesquet!]. Votaram contra o esquema numa proporção desconhecida os bispos dos Países árabes , os bispos de extrema direita, e alguns bispos descontentes que o texto atual fosse menos preciso e menos forte daquele adotado em 1964.”

Assim descreveu o fato o jornalista progressista francês, Henri Fesquet, entusiasta das aberturas conciliares, pretendendo silenciar com desprezo os contestadores destas. Parece que o conseguiu.

Aqui é indispensável pois recordar o caso desse manifesto da reação leiga às mutações na Igreja, quando, no fim do Vaticano II, foi aprovada a declaração “Nostra aetate”, com sua ignóbil deserção diante dos outros credos em geral e do judaísmo em especial. Deserção que implica uma verdadeira inversão na doutrina e na missão de converter à única Fé católica de sempre.

É outrossim importante notar que, embora a guiar o “Coetus” fosse mais que Mons. Lefebvre, como aliás ele mesmo sempre reconheceu, o Arcebispo de Diamantina, Brasil, Mons. Geraldo de Proença Sigaud, amigo de Mons. Castro Mayer, a mentalidade dessa resistência era impregnada pela cultura católica francesa da época, dos acordos diplomáticos e das idéias sobre a “politique d’abord”.

Tudo indica que por isto prevaleceu então uma tendência para adaptar a reação católica à revolução conciliar, inspirada aos lemas de liberdade, fraternidade e igualdade da Revolução francesa, aos termos de uma simples oposição democrática e não nos termos de defesa intransigente da Lei de Deus e consequente ruptura com o erro e o abuso, como entendera no começo do século o papa São Pio X.

Essa tendência a conviver com os erros revolucionários condicionou desde então a real resistência ao poder aparente que se apresentava no vértice da Igreja. E assim passou, sem uma oposição definida pela lei da Igreja, a ímpia subversão ecumenista da “Nostra aetate”, que iria restituir as chaves do juízo único de Cristo ao “pantheon” das religiões, mas sobretudo àquela que é eminentemente anti cristã e bem se pode denominar a religião da “Shoah”, hoje dominando na direção do mundo.

Ora, os católicos devem ter presente que o “Mistério da iniqüidade” não tem como causa primária os inimigos da Fé, mas o abandono de suas defesas. São Paulo ensina: “antes do Mistério de iniquidade deve vir a apostasia”. E a defesa contra esta reside no reto pensar e na memória e uso dos recursos de que foi dotada a Igreja católica. Para isto existe a lei canônica e o seu código, ordenado por S. Pio X.

Considere-se assim que durante o Vaticano II houve a ação do Coetus Internationalis Patrum que reuniu centenas de prelados de todo o mundo para defender a fé “à luz da doutrina tradicional da Igreja e do Magistério dos Sumos Pontífices”, mas isto não impediu a aprovação de documentos ambíguos que carreavam as doutrinas liberais e modernistas, como se fossem católicas.

Por isto a legítima reação católica foi aos poucos se dispersando porque os componentes de tal “Coetus” foram na maior parte se cansando de serem classificados reacionários desobedientes ao papa e cismáticos potenciais, acusações provenientes justamente dessa desinformação que mirava a atirar veneno e desacreditar quantos se mostravam fieis à memória da Igreja pré-conciliar, como se vê na página de Fesquet, onde usa até o termo “bestial”.

Permaneceram assim na resistência católica apenas poucos grupos, muito divididos e infelizmente desarticulados até hoje. O conceito de suprema autoridade do Vigário de Cristo, ao invés de unir dividia.

Aqui foi considerado historicamente importante salientar que não faltou uma tomada de posição diante a tanto engano modernista e judaizante, mas que esta se quebrantou diante de um engano ainda maior: do dever de obedecer em qualquer condição à vontade de Paulo VI.

Note-se que a subsequente reação da parte de prelados corajosos, como os bispos Marcel Lefebvre e Antonio de Castro Mayer, surgiu quando Paulo VI estendeu o espírito conciliar à Santa Missa.

Nesse campo litúrgico a consciência sacerdotal de muitos padres e fieis sentiu-se profundamente ferida com as inovações, o que determinou uma mais ampla reação do Clero e do Laicato católico.

Mesmo assim, nas diversas publicações que entendiam defender a honra da Santa Madre Igreja, parecia impossível fazê-lo sem recorrer àquela mesma autoridade que promovia as mudanças.

A posição que exprimia o conceito católico pelo qual, só apurando as razões da suspeita da presença de um antipapa promotor de um conciliábulo, podia explicar tais desvios e demolições na vida cristã, foi desertada. Como se tal possibilidade, que se demonstrava real, não comportasse um desastre de dimensão inimaginável diante do qual os católicos não poderiam ficar inermes e ausentes, mas deveriam dispor uma defesa proporcional e sem fazer acepção de pessoas, mesmo de quem ocupava o cargo papal.

Nos anos que seguiram o Vaticano II, ficou pois claro que tal libelo de acusação de 1965, do espírito conciliar, claramente de teor “modernista” e “evolucionista”, e portanto estranho à Fé católica, era fundado pois se tornara evidente que só através de um supremo poder desviado e um conciliabulo proclamado ecumênico, mas manipulado por forças alheias e contrárias às verdades cristãs, teria sido possível urdir e aprovar declarações profundamente anti evangélicas e anti tradicionais que levavam a Igreja a uma contradição ecumenista a todo campo.

Não foi, porém, igualmente fundada a reação dos autores daquele manifesto que, partindo de uma suspeita legítima, deixaram de recorrer à lei da Igreja.

Além disso, essa reação que seguia a linha de uma acusação que, mais que legítima, constituía um dever, fracassou por não reconhecer que estando em jogo a Fé, até um papa legítimo podia e devia ser redargüido.
E a Fé, tanto estava em jogo que a partir de então não só nenhum problema sobre o que a ofendia foi resolvido, mas, ao contrário, estes aumentaram em modo escandaloso até hoje.

Muitos, talvez em boa fé, passaram a crer, seguindo os pastores conciliares, que as religiões monoteístas adoram o mesmo Deus e podem reconciliar-se em torno de questões terrenas, deixando de lado as suas seculares diferenças sobre, nada menos que Jesus Cristo e a Santíssima Trindade!

Foi assim que, não tendo aquele testemunho sobre os perigos que pendiam sobre a Igreja seguido seu curso católico e canônico, os chefes conciliares passaram a operar além de todo limite e o que restou do testemunho católico ficou em grande parte tristemente humilhado e ruinosamente dividido. Faltavam talvez à Igreja instrumentos legais para impedir a seus inimigos e demolidores de operarem em nome da mesma Igreja? Não certamente, porque não podem faltar ao Corpo Místico de Cristo, instituído perfeito pelo Espírito Santo, os meios suficientes para a sua defesa e difusão. Podem faltar, porém, como aconteceu, a lucidez e coragem dos filhos da Santa Madre Igreja, incapazes assim de defende-la nessa hora de paixão.

* A Iniciativa das Re­ligiões Unidas (United Religions Initiative, U.R.I.) resumido por “Epiphanius, «Massoneria e Sette Segrete: La Faccia Occulta della Storia»
“A URI representa a mais recente tentativa de amplo alcance da Teosofia para unir as religiões com fins mundialistas. Tudo começou em 1993 numa sessão do “Parlamento das Religiões” de Chicago. A idéia de formar uma autoridade internacional dedicada à unificar as religiões do mundo e constituir um ramo espiritual das Nações Unidas, foi proposta por Sir Sigmund Sternberg, na sua qualidade de diretor do I.C.C.J., Conselho Internacional dos Cristãos e Judeus, conjuntamente a Robert Muller, ilustre representante New Age junto às mesmas Nações Unidas.

“O húngaro Sternberg foi um dos organizadores do primeiro encontro de João Paulo II com a Sinagoga e empenhou-se para a solução (anti-ecumênica) da “crise” de Auschwitz desencadeada pela presença, considerada ultrajosa, do convento carmelita dentro do perímetro do campo e que terminou, como se sabe, com o seu afastamento dessa área em 1986. Sternberg empenhou-se em seguida intensamente para o reconhecimento de Israel da parte do Vaticano, que realizou-se nos anos 1993-1994. “João Paulo II, tomando conhecimento do impulso conferido por Sternberg, às novas relações judeu-cristãs, em 1982 o nomeou Cavalheiro da Ordem Pontifícia Equestre de S. Gregório Magno, cuja Grã Cruz foi conferida, por méritos de serviço, a Maurice Lever da loja “Moses Gaster” do B’nai B’rith. No dia 13 de Abril de 1986 Sternberg, em uniforme de Cavalheiro da Ordem, o acompanhou na visita à sinagoga de Roma. Em 1988 Sternberg recebeu as insígnias da Ordem maçônica de S. João de Jerusalém. Em 1990 a sua obra estendia-se também à Comunidade de S. Egídio de Roma, patrocinada pelo Vaticano na sua promoção do diálogo inter-religioso. Em 1994 Sir Sternberg esteve no Vaticano guiando a delegação britânica em ocasião do concerto, na presença de João Paulo II e do Presidente italiano, para a comemoração da Shoa.”

“Em 1996 sua segunda mulher (havia divorciado em 1970) foi decorada no Vaticano por João Paulo II como Dama da Ordem Pontifícia de S. Silvestre, tornando-se assim a primeira judia com tal título. Devido à sua obra a favor do sincretismo inter-religioso, Sternberg em 1998 foi condecorado com o prêmio maçônico Templeton para o Progresso da religião. Em Julho do mesmo ano a Open University do bilionário Soros lhe conferia o diploma honoris causa. Sir Sternberg é o patrocinador, junto com Gorbachev, do Dalai Lama e da mulher do fundador da Scientology, Bárbara Marx Hubbard, da “Comissão mundial para a Consciência e a Espiritualidade globais” presidida por R. Muller, que reúne leaders mundiais com o fim declarado de “cultivar a visão global e a sabedoria para o novo milênio”. Uma idéia de Sternberg e Muller no entanto avançava e no dia 25 de Junho de 1995, na ocasião de uma cerimônia sincretista na catedral de S. Francisco para o 50° aniversário da Carta da O.N.U., o “bispo” presbiteriano William Edwin Swing anunciou a intenção de fundar a United Religions. Foi uma cerimônia deveras estranha na qual foram ofertas dezenas de orações diversas, salmos e… “encantos”. Para a Grace Cathedral de S. Francisco esses espetáculos não eram novos: no Outono de 1994, de fato, um dominicano apóstata que se tornou estreito colaborador de Swing e Matthew Fox, oficiou uma ceia protestante dita “Missa Planetária”. Este “rito”, repetido na presença de Swing em 1995 a Dallas, era animada com écrans videos, projetores, “tecno-música” e um “altar” para uma “adoração dirigida ao ambiente”: “um misto de rito cristão, ocultismo, teosofia, em honra do Deus e da Mãe natureza”. Em seguida Swing publicou o livro “O advento das Religiões Unidas”, que evoca as “Nações Unidas” e um parlamento de religiões. Swing em 1996 visitou João Paulo II. As conferências U.R.I. foram em breve estendidas aos cinco continentes, com a participação de cristãos, judeus, muçulmanos, budistas, baha’i, indús, zoroastrianos, sikh, seguidores do New Age e da Wicca (movimento neo-pagão de cultores da bruxaria), etc. Foi decidido de elaborar “mapas” para a metade de 2000, envolvendo políticos conhecidos pelas suas iniciativas de “orações” comuns – no estilo de Assis – para proceder enfim à fundação oficial da nova organização.”

“A U.R.I. tinha no seu mapa de ação o objetivo de “promover uma durável cooperação inter-religiosa e criar uma cultura de justiça e paz. Em conseqüência era necessário induzir religiosos e leigos à gradual aceitação dessa “Nova Religião” derivada de uma filosofia e ecologia espiritual. […] Para contribuir a esta iniciativa alguns bispos católicos fundaram, com o apoio de João Paulo II, a World Conference on Religion and Peace (W.C.R.P), Conferência mundial para a Religião e a Paz, acreditada junto à O.N.U., e presente em mais de 100 países e cujo primeiro presidente foi o arcebispo de Nova Dehli, Angelo Fernandes. Presidente da secção italiana do W.C.R.P. é Lisa Palmieri Billig, representante para a Itália da Anti Defamation League do B’nai B’rith, cuja sede está em Roma. A sexta assembléia-geral da Conferência no dia 3 de Novembro de 1994 teve seus trabalhos de abertura junto à sala sinodal da S. Sé. Era a primeira conferência inter-religiosa no Vaticano, com a presença pessoal de João Paulo II na veste de presidente de uma assembleia de quase mil representantes de quinze crenças diversas, inclusive as religiões indígenas da África, Austrália e Oceania.”

Sob a cúpula vaticana ecoaram por duas horas, na presença de João Paulo II, na veste de presidente da assembléia, versos do Alcorão e hebraicos, como também invocações para a paz dos xintoístas, budistas e indús, entremeados por blues africanos. A “Declaração final” das Conferências afirmava: “Dominamos a natureza como se essa fosse nossa, e esta arrogância é uma causa primária da atual crise ecológica. Na nossa obra de restauração da harmonia e da vida normal, devemos começar por arrepender-nos das nossas ações destrutivas e efetuar uma mudança desde um modelo antropocêntrico a um bio-cêntrico eco­cêntrico”.

O W.C.R.P. é o intermediário oficioso do Vaticano com os grupos inter-confessionais de projeção mundialista como a U.R.I., enquanto o canal oficial resta o Pontifício Conselho para o Diálogo inter-religioso. O quartel general da W.C.R.P não reside em Roma, mas no número 777 da Praça das Nações Unidas de Nova York, onde opera em estreito contacto com a O.N.U., com a U.N.E.S.C.O. e com a U.N.I.C.E.F.

“Pode-se concluir aqui com uma citação tirada do significativo livro, publicado por uma editora maçônica, do conhecido padre Rosário Espósito, professor de várias universidades pontifícias e extremado adepto da aliança da Igreja com a Maçonaria: “(dado que) duas realidades idênticas a uma terceira são idênticas também entre si, e as três realidades são, neste caso, justamente a Maçonaria, a Sociedade das Nações, a ONU e a Igreja; é portanto forçoso deduzir que a Igreja do Vaticano II e a Maçonaria constituem agora uma só coisa” (Rosário F. Espósito, “Le grandi concordanze tra Chiesa e Massoneria”, Firenze, Ed. Nardini, 1987, p. 197) ”.

continua…

por Araí Daniele.

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