Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

A GRANDE ALIENAÇÃO = APOSTASIA MODERNISTA

O Presente artigo inicia-se com a idéia de esclarecer um conceito que parece muito importante à compreensão do status quo da Igreja hoje, e dos tempos que vivemos. Esse conceito é a Alienação.

Na hora presente parece claro que bem poucos querem refletir sobre as cruciais realidades históricas que, por marcarem a vida de todo homem, condicionam o modo de pensar e de agir humano em todos os tempos.

Para tratar destes eventos passados decisivos, embora separados por séculos, mas sempre intimamente relacionados entre si e com a alma humana, aqui vamos usar um termo que impregna a época presente: «alienação», que é usado e abusado pelo pensamento revolucionário.

Ora, a filosofia autêntica se consolida com a boa definição socrática de seus termos e disto não está isento o pensamento religioso, para o qual o termo alienação define uma perda. A esta luz, não há perda mais crucial que a relativa ao que liga à Palavra divina, à Verdade mesma, visto que esta é por definição conformidade ao real em todas as esferas. Porque assim é, qual poderia ser a pior alienação para a alma e a mente de todo homem que a alienação da verdade objetiva a favor de ilusões subjetivas?

Há, portanto, que começar pela definição do termo alienação, seguido de outros como consciência, para usa-los neste trabalho para acusar a última e extrema revolução, a da «semântica», que mira justamente a indefinição e conseqüente inversão do sentido de palavras e conceitos. Assim operou a mentalidade modernista, ecumenista e conciliar para a «atualização» do pensamento católico a uma nova mentalidade «ideológica».

É a obscura inversão religiosa que seguimos no livro Segredo de Fátima ou Perfídia em Roma?.

Lembramos aqui como o termo consciência foi amplamente manipulado por Sigmund Freud, por Jung e pelos discípulos da cultura freudiana, que criaram e povoaram o universo virtual do «inconsciente». Pois bem, ali todos os credos, todas as religiões se fundem numa só mitologia de deuses e fantasmas com feições e comportamentos terrenos que representam as novas divindades, à imagem e semelhança das idéias humanas.

De fato o mundo subjetivo e a sua gnose passaram a ser a realidade que conta para essa mente humana cujo inconsciente edifica seu panteon. A este vai corresponder na sociedade a união ecumenista de toda crença.

Lembramos igualmente como o termo «alienação» foi sistematicamente empregado pelos comunistas para acusar a sociedade tradicional. Era o início da revolução assim chamada semântica, cuja propaganda não fez menos estragos e confusões que aquela violenta porque, uma vez desencadeada, continua irrefreavelmente a enganar, desviando de modo confuso as mentes e as almas da verdade que mencionam, mas sem definir.

Uma imagem da revolução semântica pode-se ter imaginando-a como uma incursão noturna de inimigos numa cidade, não para miná-la, mas para mudar todos os nomes e sinais de suas ruas e do tráfego. Na manhã seguinte os automóveis na contramão e as pessoas desnorteadas causariam sem querer acidentes e confusões semeando caos e conflito. A confusão ideológica, ao deturpar o sentido dos sinais e das palavras pode causar mais danos que uma batalha campal e sem que o inimigo dispare um tiro, ou viole fronteiras. Esta revolução avança abatendo conceitos basilares sobre os quais se apoiam a lógica, a moral, a lei e toda a ordem da vida social. Mudando palavras e conceitos o que era recomendável hoje pode torna-se condenável amanhã, o que era proibido, obrigatório; sua arsenal, cultural ou artística, é oculta e por vezes alimentada pelas vítimas. Importa que as pessoas se encontrem em rota de colisão com os próprios conceitos tradicionais, especialmente morais e religiosos. Para o crente isto acontece através de sincretismos que confundem as verdades da Fé com mitologias. Na Bíblia tal confusão corresponde a chamar bem o mal e mal o bem; o pecado fatal contra o Espírito da Verdade.

 

Como o Gnosticismo pretendeu superar o Cristianismo.

Diga-se logo que os ramos do gnosticismo são muitos, embora seu fim seja o mesmo: substituir todas as religiões, mas especialmente o Cristianismo, com uma super religião gnóstica que ultrapassa todas porque – “a divindade se manifesta em todas as religiões”, há pois uma religião universal – ecumenista – que contem elementos de todas elas (Matter, Histoire du Gnosticisme, 1844 ).

Aqui vai nos interessar o gnosticismo que parte das especulações sobre a consciência e a mística desse “novo mundo” que reside no tal «inconsciente coletivo».

 

Como o Marxismo pretendeu alienar o Cristianismo.

Vejamos o significado tradicional do termo «alienação». No “Vocabulaire de la Philosophie” de E. Jolivet. Alienação (da alter, fazer-se outro): “Termo geral que serve para designar as perturbações psíquicas de caráter demencial.”

Esse significado se desdobra na Enciclopédia Temática de Filosofia (L’Universale, Ed. Garzantine, Milão 2003, p. 19), pela qual alienação é, na filosofia moderna, “termo que se usa sobretudo com referência a Hegel e a Marx e in­dica o estado de alheamento do espírito de si mesmo, que se verifica, segundo Hegel, porque a realidade espiritual se coloca como objeto, dando origem à natureza; a objetividade da natureza deve ser superada dialetica­mente (- Aufhebung) pela atividade com que o espírito se apropria do mundo, seja praticamente (com o trabalho) seja teoricamente (com atividades espirituais como arte, religião, filosofia). Feuer­bach e Marx mudaram o uso hegeliano do termo. Para Feuerbach, alienação é o ato com que o homem cria uma divindade perfeita à qual se submete, resolvendo assim ilusoriamente os conflitos e os limites da própria condição.

Marx, por sua vez considera a alienação só no quadro das relações capi­talistas de produção. Em tal situação, o mundo dos objetos produzidos pelo homem tende a constituir-se como mundo das mercadorias, que não tem mais como razão de ser satisfazer as necessidades dos pro­dutores: o valor da troca substitui-se ao valor – e finalidade – do uso.

Pode-se concluir, pois, que foi a filosofia hegeliana a apropriar-se do termo alienação, cujo significado foi em seguida adaptado por Feuerbach à nova mentalidade que cancela a idéia de Deus porque alienação seria “o ato com que o homem cria uma divindade perfeita, à qual se submete, resolvendo assim ilusoriamente os conflitos e os limites da própria condição!!!”

Como se vê, tal “filosofia” não usa mais o significado objetivo convencional de um termo, mas o adapta ao sentido que serve às próprias idéias; passa a incutir um sentido subjectivo que passa do geral ao particular, do universal ao pessoal, do espontâneo ao utópico; tudo para operar a grande “liberação” utopística consistente na praxe criativa com que o homem passou a moldar o conhecimento da própria origem, natureza e fim último.

Para Marx, a alienação basilar do ser humano não derivaria da ignorância desse conhecimento, mas do impulso universal de procurá-lo na religião. E desse modo salta da fé apoiada no saber à fé no poder do imaginar e fazer!

A este propósito, basta considerar o pensamento central de Karl Marx, que se tornou seu epitáfio: “os filósofos, até agora, só interpretaram o mundo segundo tantos modos; agora se trata de transforma-lo”.

Aplicada tal tendência à religião, vamos dar na razão do «aggiornamento» conciliar cuja transformação mirava nada menos que a uma «nova consciência da Igreja» compreensiva de toda outra religião e ideologia! Trata-se-ia, pois de promover a mente humana como autora da ordem terrena!

O epitáfio de Marx, derivado da tese marxista sobre Feuerbach, representa em cheio o espírito revolucionário no sentido da “ultrapassagem da idéia de Deus: o homem que deixa de“criar uma divindade perfeita à qual se submeter”. Seria melhor submeter-se à idéia marxista, mesmo que isto custe cem milhões de mortos. Ou à actualização da Fé, mesmo que isto custe infinitas almas. Só estas resolveriam a condição atávica do homem – até hoje «alienado» pelo divino – e tudo seguindo a elaboração progressiva de uma “perfeição utópica”. Note-se que tudo isso parte de um fio lógico através do qual se pode voltar ao sentido do termo alienação.

Marx, aplicando esse termo ao campo das relações dos trabalhadores com o produto acabado e as instituições, reconhece uma justa hierarquia de valores: o produto do trabalho e as instituições são para o homem e não o contrário. Assim, o valor do uso humano dum produto de seu trabalho não deveria ser superado pelo valor de troca, porque o mercado é feito para o homem e não o contrário, lembra justamente Marx. Mas para que essa idéia se aplique à vida humana sua lógica deveria ir mais além; o valor do homem integral, feito de corpo e alma, deve preceder ao valor do dinheiro, assim como o homem espiritual deve preceder o homem carnal. Enfim, a vida humana integral deve preceder, não só o valor do dinheiro, mas o da matéria. Esta equação, sem a constante da verdade sobre o fim último da vida humana, é insolúvel; representa a mais completa «alienação» da razão mesma da vida, que vai além da matéria.

Logo, a inversão semântica, a verdadeira alienação, consiste em tomar a parte pelo todo, o secundário pelo principal, o meio pelo fim. Eis o ponto de encontro de todas as revoluções: um gnosticismo baseado no messianismo do progresso ilimitato. Para que fim? Para o próprio progresso! Eis porque se pode dizer que isso foi gerado através duma inversão semântica. A nova definição de «progresso social» justifica o comunismo que, para obter tal «bem», vai envolver a sociedade em deletérios conflitos e massacres sociais, uma nova «religião» que constitui uma “alienação terminal”.

 

A alienação do primado da verdade em campo conciliar

Para que não se pense que o paralelismo que se traça no livro Segredo de Fátima ou Perfídia em Roma? entre o pensar marxista e o conciliar-modernista diante da verdade seja fantasia vamos seguir um texto significativo escrito por um aprovado pregador do Vaticano II. O movimento dos cristãos maiores de idade visava uma nova interpretação bíblica segundo a maturidade moderna.

Seus termos transparecem finalmente no artigo do Osservatore Romano (OR), aqui explicado por Lenildo Tabosa Pessoa (prefácio do livro Mons. Marcel Lefebvre: Rebelde ou Católico? do juiz Ricardo Henry Dip, O Expresso, S. Paulo, 1977):

“Não deve causar surpresa essa peregrina doutrina, tendo em vista o que o (OR) órgão oficioso do Vaticano e, portanto, o jornal do Papa, publicou em sua primeira página (3.3.77), no local de destaque destinado a seus editoriais, um artigo de franciscano Raniero Cantalamessa [de posição relevante no Vaticano e na TV italiana] que, inex­plicavelmente, não teve, no mundo, a repercussão justificada pela sua extrema gravi­dade. Entre as inacreditáveis afirmações do artigo estava a de que o antigo critério da verdade objectiva verum, est ens foi substituído, com o advento do histori­cismo, pelo verum est factum, substituído, por sua vez, com a passagem do Ilumi­nismo para o marxismo e o pensamento tecnológico moderno, pelo verum est fa­ciendum, em virtude do que a verdade que importa é o que fazer, isto é, a praxis. Pondo no passado os verbos que grifamos, o articulista perguntava: «Se a Tradição tinha um seu lugar quando o primado era da verdade – e, indirectamente, do passado – que utilidade poderia ter agora que este primado é atribuído à praxis e portanto ao futuro?». E, com uma sinceridade e uma coragem que deveriam servir de lição aos ingénuos ou tímidos que tentam reduzir tudo aos excessos dos progressistas, por um lado, e dos tradicionalistas, por outro, acres­centava: «Esta – queiramos admiti-lo ou não – é a verdadeira, profunda razão da crise da Tradição na Igreja e na teologia». E, para não deixar dúvidas quanto à opção da Igreja pós-conciliar, dizia, pouco adiante, que, «nesta situação, dois são os perigos (e as tendências realmente em ato!)», acrescentando: «O primeiro é a recusa global do novo princípio da verdade com praxis, com conseqüente retorno nostálgico à concepção da Tradição como tradicionalismo. É o caso de Mons. Lefebvre, e é significativo que nele a componente tradicionalista e anti-progressista vai de pari passo com a componente antimarxista». Note-se que o perigo não está em que os católicos aceitem o novo princípio da ver­dade, mas em que não o aceitem. Por outro lado, sendo significativo que o tradicio­nalismo de Mons. Lefebvre venha acompanhado do antimarxismo, justamente porque ele não aceita o novo critério de verdade, disso se segue que nos que o aceitam, como é o caso dos que seguem a «ortodoxia» pós-conciliar, não há mais lugar para o antimarxismo. O artigo do OR cita como um problema que se arrasta sem ter sido jamais resolvido o de saber se existe alguma verdade ou insti­tuição verdadeiramente apostólica que não se encontre de nenhuma maneira teste­munhada na Escritura mas só na Tradição, acrescentando: «Se existe, qual é tal ver­dade ou instituição? (Pergunta, esta, à qual não se pode jamais dar uma resposta convincente, nem mesmo no período em que se falou das duas fontes da Revelação). Se não, o que transmite em concreto a Tradição? Considero muito persuasiva a explicação teológica (mas advirto que se trata justamente de uma explicação teológica) que vai abrindo caminho e que o Vaticano II, deixando cair a fórmula das duas fontes da Revelação (Dei Verbum, sigla DV, 9), tornou pelo menos possível, e que se pode formular assim: objeto primeiro da Tradição é a interpretação da própria Escritura. A esse respeito, isto é da operação pela qual a Tradição da Igreja, transmitida diretamente por Jesus Cristo aos Apóstolos, deve ser “lida” na Escritura, interpretada segundo o progresso da palavra de Deus na história que, como a Igreja e o seu Magistério, continua a desenvolver sob a ação do Espírito Santo. Em outras palavras, deve-se crer na palavra de Deus transmitida pela Tradição escrita e oral, mas com o cuidado de adaptá-la segundo “novas pentecostes”! (Lenildo Tabosa, op. cit.).

A este ponto, só referindo-se ao que é essencial para a vida humana e afastando-se das inversões ideológicas pode-se resolver o dilema da alienação humana. Eis aqui o pensamento religioso cristão e católico que define os conceitos universais e permanentes que transcendem às épocas históricas.

O discurso marxista começou a tratar de alienações sociais e políticas, de trabalho escravo e infantil, mas concluiu com o fantasma de uma alienação de ordem religiosa: crer em Deus seria a conseqüência de grosseira alienação… mental, que traria atrazo ao mundo humano porque seria aceitar que o divino condicione o humano; seria ceder às ilusórias verdades reveladas! Assim, na sociedade moderna, o homem religioso deve ser considerado alienado porque cede a uma idéia de Deus, concebido como “outro” alius, cujo poder priva os homens da liberdade; a antítese do pensamento cristão pela qual só a verdade torma o homem livre (Jo. 8, 31).

Pois bem, a história moderna foi escrita na linguagem desta antítese; da oposição da modernidade à Religião tradicional, do materialismo ao pensamento espiritual, do profano ao sagrado, da fé no homem à fé divina.

A revolução concilar quis abrir a Igreja Católica a tal «pensamento moderno». Mas como isto é contradotório, só criou uma nova igreja conciliar!

A este ponto o termo alienação tem sentido e deve ser usado precisamente no sentido inverso do dessas revoluções: do que aliena o homem espiritual a favor do carnal; das questões do espírito a favor das do corpo; da Fé em Deus a favor de utopias mundanas; da Verdade revelada a favor de elucubrações terrenas, das quais as piores vêm disfarçadas de ecumenismo.

Uma idéia contorta alterou o sentido de uma palavra que, aplicada à vida social e política, terminou por empestar a humanidade. De fato, o termo “alienação” é o mais conciso para explicar a carência humana do que a religião fornece: a explicação divina do homem e, no entanto, foi usado justamente para classificar essa “procura espiritual” como absurda!

O termo alienação pode explicar perfeitamente o contrário do discurso cristão no qual o alimento é finalizado à vida e a liberdade ordenada à verdade. O contrário significa a inversão dos valores; seria como jogar as pérolas dos conceitos aos porcos. Em suma, a palavra assume um decisivo valor religioso para ilustar aos homens o principal diante do secundário na vida e na história.

O caso primordial dessa aplicação é o da alienação original de Adão e Eva, quando perdemos a graça da direta explicação divina de nossas vidas. Qual seria agora a figura da justa aplicação dessa palavra à vida do alienado homem contemporâneo? Esta se demonstra quando sobre a Fé na Palavra divina prevalecem reuniões das mais variadas crenças, unidas por utópicos sentimentos visando uma paz indefinida. E tudo isto ao serviço de propósitos de fraternidade conformes a visões veladas ou gnósticas de concórdia, cujo falso “princípio” repousa na ilusória “bondade” e capacidade humana de gerir o próprio destino, negando a sua alienação original.

A nossa indagação começou aqui considerando a aplicação do termo alienação pelo marxismo às questões relativas às alienações sociais, trabalhistas, etc, para concluir que se tal uso é a favor das questões materiais, excluindo ou sobrepondo-se às questões espirituais, é a essa mesma ideologia que vai aplicado o termo alienação. Essa ideologia alienou assim o que era mais importante para a vida humana: seu valor transcendente a favor de seu estado contingente. Agora, porém, sobe à ribalta do mundo outra ideologia muito mais pérfida porque disfarçada em pensamento transcendente, ecumenista. Se para o pensamento marxista crer em Deus seria alienante, agora, para o pensamento ecumenista crer em um só Deus, Ser absoluto, como Ele se revelou, seria ideia limitada, retrógrada, fundamentalista e belicosa. Há que superá-la abraçando toda ideia humana sobre Deus, toda crença, numa visão ecumenista aberta a toda visão religiosa!

Tal abertura, vaticinada também por organizações de não crentes, quer convencer o mundo que o multiplicar de “visões religiosas” enriquece a alma humana, além de abrir um caminho de paz e a fraternidade humana. Talvez alguém pense mesmo que valem mais muitas religiões juntas que uma só “limitada à única verdade de seu Deus”.

De tal modo, resistindo à ideia de um Deus concebido como um “outro”, que priva o homem de sua liberdade religiosa, não mais se poderia aplicar o termo de “alienação” às religiões. Pelo contrário, seria nas assembléias ecumenistas, representando um “admirável laboratório”, toda fé e liberdade humana seria sublimada a favor da nova criação de harmonia mundial.

Pode haver alguma verdade a visão de conjunto das religiões do mundo? Pode alguém pensar que muitas religiões valem mais que a única? Pois bem, é o que sempre negaram os Padres da Igreja católica durante vinte séculos, mas também o simples bom senso. Em matéria religiosa o pensamento humano não procura primordialmente alianças, mas a Verdade objetiva. E esta é naturalmente uma. Subjetivamente cada homem pode ve-la segundo sua posição, mas se a vêem é porque uma é a verdade existente: é a Religião verdadeira revelada por Deus Uno e Trino. Como podem ser todas verdades reveladas que em muitos pontos se contradizem? Eis que há que admitir que uma verdade é tal porque única e se distingue de todas as outras porque vem de Deus único; é objetiva.

Voltando, portanto à questão da alienação consistente em abandonar o mais pelo menos; a unicidade da verdade divina pela multiplicidade das crenças humanas, subsiste nessa ideia ecumenista, uma incontestável alienação da Verdade una a favor de um decadente, confuso e ímpio plano humano. O Vaticano II, que é a sede onde esse plano foi preparado, elaborou diversos documentos para esse fim.

Vejamos a declaração Nostra aetate,

2) No hInduísmo, os homens perscrutam o mistério divino e exprimem-no com a inexaurível fecundidade dos mitos e os esforços da penetração filosófica, buscando a libertação das angústias da nossa condição quer por meio de formas de ascetismo, quer por uma meditação profunda, quer pelo refúgio amoroso e confiante em Deus. No budísmo, segundo as suas várias escolas, reconhece-se a radical insuficiência deste mundo mutável, e propõe-se o caminho pelo qual os homens, com espírito devoto e confiante, possam alcançar o estado de libertação perfeita ou atingir, a iluminação suprema pelos próprios esforços ou ajudado do alto.

De igual modo, também as outras religiões que existem no mundo todo procuram superar em vários modos, a inquietude do coração humano, propondo caminhos, doutrinas, normas de vida e ritos sagrados.

A Igreja aceita o que nestas religiões existe de verdadeiro e de santo. Olha com sincero respeito esses modos de agir e viver, esses preceitos e doutrinas que embora se afastem em muitos pontos daqueles que ela própria segue e propõe, reflete por vezes um raio da verdade que ilumina todos os homens.

Assis 1986

Sem dúvida, estes esforços não podem, de nenhum modo, ser aprovados pelos católicos, pois eles se fundamentam na falsa opinião dos que juogam que quaisquer religiões são, mais ou menos, boas e louváveis, pois, embora não de uma única maneira, elas alargam e significam de modo igual aquele sentido ingênito e nativo em nós, pelo qual somos levados para Deus e reconhecemos obsequiosamente o seu império. Mortalium Animos – Pio XI

“A Verdade vos libertará”. Encontram-se verdades em todas as crenças, não porque pertençam a estas, mas porque derivam do patrimônio de Verdade da Religião revelada por Deus. Pode quem tem o dever de anunciar Cristo justificar uma (amorosa e confiante) busca de um refúgio num deus assimilado às forças naturais? Que comparação pode haver entre o Deus três vezes santo e as vacas sagradas, os símbolos fálicos da fecundidade, o Kali: divindade bramânica, esposa de Siva, deusa do inferno representada com quatro mãos que sutêm cabêças humanas?

Há que referir aqui e longamente sobre a segunda grande alienação religiosa histórica, quando o Povo eleito recusou o Messias ao qual estava ordenada a sua eleição. Pois bem, por desígnio divino esta alienação hoje guia a alienação final que abusa do nome de Cristandade.

Jesus Cristo é o Logos, e quando os primeiros filósofos cristãos, como S. Justino, Clemente e Orígenes, falaram em sementes ou germe do Logos, que se podia encontrar também no pensamento antigo e na filosofia grega, indicavam a direção daqueles valores para o seu único princípio. Dai que todo o bem que jamais se fez foi feito em virtude do Logos, como todo mal jamais praticado visava o Logos. Seu germe, almejado por todo homem, é o Filho de Deus, Jesus Cristo. O que dizer pois da idéia de germe da verdade presente em religiões que chegaram a constituir um sistema de outras verdades? Podem outras verdades e valores, desligados do que é o seu princípio mesmo, serem ensinados como caminhos da Verdade? Quais verdades essenciais subsistem numa hierarquia das verdades que não conduz à plena Verdade do Logos?

 

O ataque na ordem moral.

O princípio da moral é a Lei de Deus. Não há verdadeira moral se não ligada ao Bem, à Verdade e portanto à Religião. Temos então o resultado da ruptura semântica: todo valor ético e moral é destacado do seu princípio que é a Religião divina. Passa-se a uma ética e moral humana e social cujas raízes estariam numa vaga consciência da justiça e do dever.

Uma das mais tortuosas rupturas na ordem moral vem do livre exame que redunda em uma moral em bases humanas e pessoais; moral auto-cêntrica que implica uma responsabilidade pelagiana ou imanentista, isto é, resposta só aos homens ou ao próprio eu.

O plano divino para a harmonia social põe na consciência humana em primeiro lugar o vínculo da sua dependência de Deus; a responsabilidade pessoal diante do divino Inocente crucificado. O aggiornamento modernista ao invés, põe como primeiro valor transcendente, a criatividade humana na liberdade para a obtenção de uma paz terrena.

Eis a alienação final: uma verdade que muda conforme os tempos.

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