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A história do Americanismo Religioso

Novus Ordo Seclorum

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A melhor maneira de identificar a alienação religiosa americanista consiste em seguir as relações entre E.U.A. e Roma.

Visto que os E.U.A. são portadores da “nova ordem“, e ao mesmo tempo são a segunda nação católica do mundo, os povos precisam entender como isto funciona, para não acabar comemorando com eles uma incerta religiosidade global das religiões na ONU, de uma paz utópica, onde a grande excluída é a Verdade.

A crise da consciência europeia do século XVIII, não foi só a parteira do enciclopedismo e de revoluções nacionais e mundiais, mas também do americanismo, como «fé» simples, igualitária, liberal e ecumenista, que não foi devidamente impugnado no começo e que por isso, tornou-se poderoso bastante para superar as diferenças religiosas e estabelecer-se como novo ideal no mundo.

A Revolução americana pretendia ter resolvido o dilema diante da «fé», através dessa superior democracia dos EUA, que aplicava pacificamente os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade, para tornar-se exemplo para todo o mundo, porque capaz de gerir em concreto as grandes antíteses, até entre o veraz e o falso, entre o bem e o mal. Isto porque o juiz de toda idéia seria a tal opinião pública, sempre à disposição das sondagens e do voto, para decidir e concluir uma questão humana por um certo tempo. Mas a moral, e a verdade da Religião divina não muda com o tempo, com o voto ou com os governos.

Quem pode ignorar, porém, que atrás da Revolução americana estava a Maçonaria? E que as relações desta com Roma eram de diametral oposição? Todavia, conviviam na América na base de uma recíproca tolerância, visto que essa grande nação tinha por prioridade desenvolver seus enormes potenciais e realizar um progresso material sem precedentes no mundo.

Prevalecia pois a «religião» do utilitarismo e do pragmatismo que deixava para as outras a liberdade de culto. É o exemplo claro do fato que uma sociedade, que crê segundo vive, ou seja, adaptando a verdade e o bem ao que parece a melhor escolha de vida, liberal e democrática, ignora estar sujeita às manipulações imperceptíveis de ocultos poderes, que são os centros secretos da Maçonaria.

Foi assim que diversas gerações de cristãos americanos, depois de uma ação contínua de lavagem cerebral, trocaram a norma de vida cristã pela dependência consumística, com a convicção de ter escolhido uma liberdade pela qual valia até a pena morrer.

Se a suspeita de consciência europeia levou a negar que haja uma ordem superior na terra e propor uma nova ordem, a Revolução americana resolveu seu dilema com a “fé” na democracia que os EUA passaram a exportar como exemplo para o mundo.

Isto implicava a liberdade religiosa da super religião ecumenista.

È o programa do «pluralismo religioso» que se identifica, portanto, com o «americanismo»: doutrina e movimento religioso cuja inspiração é liberal e naturalista, embora tenha amadurecido nos EUA no seio do catolicismo no fim do século XIX. Sua meta seria a de intensificar e facilitar as conversões à fé, através de uma vasta obra de conciliação e de síntese entre a antiga tradição católica e o novo pensamento de novas aspirações da religiosidade moderna» (Enciclopédia Católica). Tratava-se, pois, essencialmente, da idéia de «estabelecer uma síntese religiosa» de marca modernista, para quem aguardava que a Igreja universal se convertesse aos ditames gnósticos de aparência católica. Muitos seguiam esse «ideal» por ignorância do que fosse a «Fé única». Mas outros visavam mesmo a fé pluralista do que viria a ser o ecumenismo conciliar, cujos danos vieram à luz com o «aggiornamento» da Fé segundo os tempos e as conveniências contingentes do Vaticano II.

Mas o vírus letal de que era portador o americanismo «católico», fora subestimado em Roma, até a infestação «ecumenista» mundial, que precedeu o Vaticano II.

Note-se que já o primeiro bispo da América, o irlandês Carrol, tinha seu pensamento atraído, seja pela universalidade da Igreja, como pelo «patriotismo americanista», cuja utopia é nada menos que a libertação e união global de uma humanidade guiada pela exemplar democracia americana, nascida da revolução iluminista.

Como se vê o americanismo religioso vem de longa data, mas nem seus «confessores» o sabiam, como depois não entenderam que era ligado ao modernismo e tudo vinha da mesma revolução liberal.

O que se vai conhecer sob o nome de «americanismo» começou a florir plenamente sob o cardeal Gibbons, como se lê na sua carta junto aos bispos Ireland, O’Connell e Keane. Foi quando a heresia ficou patente para as autoridades de Roma, que a enquadraram sob o aspecto de uma consolidada ignorância: «O grande dilema dos prelados americanos era o da dupla fidelidade ao Vigário de Cristo e à autoridade civil». O «popular» Gibbons era conhecido pela sua cega fidelidade ao Estado, mesmo quando a política democrática deste favorecia a Maçonaria e fortalecia o indiferentismo religioso. (v. Luigi Bruti Liberati, «Santa Sede e Stati Uniti»). Nisto, esse prelado visava a unidade, orgulhando-se que «o seu catecismo não continha nem uma linha em conflito com o Protestantismo».

Em 1893, por ocasião da «Exposição mundial de Chicago», seus organizadores decidiram promover um «Congresso Internacional de Religiões», no qual aos representantes destas competia explicar o que cada uma destas fazia para o bem da humanidade! Por mais de duas semanas, a pedido do cardeal Gibbons, os padres, ao lado de ministros protestantes, muçulmanos e budistas, aplicaram-se a dar explicações para «no sentido de uma ação coordenada contra os inimigos comuns, chegar a um acordo no terreno de princípios morais e religiosos». Roma não podia admitir que os princípios morais e religiosos fossem discutidos separados da Fé verdadeira, e numa feira, mas manteve silêncio. Em 1895 uma Delegação Apostólica foi enviada à América. Os americanistas protestaram, mas o Papa Leão XIII insistiu no envio, explicando-o na sua carta conhecida como «Longinque Oceani» sobre os perigos do que se manifestava como «americanismo». Era o primeiro aviso. Depois de louvar o trabalho feito pela Igreja na América o Papa escrevia: «A Igreja daria frutos mais abundantes se, além da liberdade, tivesse o favor das leis e o patronato da autoridade pública».

Quando um congresso semelhante foi proposto em Paris, em 1900, Leão XIII pronunciou-se com um não sereno, mas firme.

Note-se que, assim como para a revolução liberal, também para tais congressos ecumenistas, a iniciativa americana precedeu a francesa.

Uma condenação do «Americanismo» chegou ao cardeal Gibbons com a carta de Leão XIII, «Testem benevolentiae» (sigla TB), de 22 de janeiro de 1899, que restabelecia a verdadeira missão do padre católico, falseada na biografia do padre Hecker, sacerdote de doutrina incerta. Ora, justamente nos anos da crise entre Estado e Igreja na França, a voz que chegava do clero americano sugeria que o pluralismo e a separação da Igreja do Estado americano deviam servir de modelo também para a Europa. Deste modo, os americanistas, apesar da intenção de difusão do catolicismo na América, punham em dúvida a universalidade da Igreja romana.

Pope Leo XIII

Papa Leão XIII

Leão XIII interveio lamentando esse erro com a carta ao cardeal Gibbons, admirador das idéias do padre Hecker. Essa era uma carta em tom amigável, não de uma encíclica, porque pode-se crer que Roma duvidasse da consciência desses prelados diante da gravidade dos problemas concernentes o sistema religioso e o modo de pensar americano. Por causa desses erros capitais que pareciam completamente ignorados, no exame que a carta faz do americanismo, o Papa parece escrever mais para protestantes e modernistas que para católicos. Na síntese desses erros pode-se facilmente ler os futuros erros e heresia conciliares.

Sustentam (os americanistas) que seria oportuno, para obter conversões, que a Igreja deveria adequar-se a civilização moderna, acomodando sua mentalidade às necessidades do povo, segundo uma nova regra de vida, não só em matéria disciplinar, mas também nas doutrinas pertencentes ao depósito da fé. Isto, porém, é contra a doutrina católica (conferir Concílio Vaticano I, Const. De Fide Cath. Cap. IV), já que todos os princípios vêm do mesmo Autor e Mestre da verdade adequada a todos os tempos e todos os povos.

Ninguém pode, por razão alguma, diminuir algo da doutrina recebida por Deus ou, ainda, negligenciá-la; quem o faça, ao invés de reconduzir os dissidentes à Igreja, afastará da Fé aos mesmos católicos. Quanto à norma de vida prescrita aos católicos, a Igreja não exclui certa redução, conforme os tempos e lugares. A Igreja sempre moderou sua disciplina, salvo o direito divino, com o fim de nunca ignorar os costumes e as exigências relacionadas à diversidade dos povos que ela abrange, se assim exigisse a salvação das almas.

O perigo maior para a doutrina católica é a opinião dos “inovadores”, segundo a qual, pensam estes se deva introduzir na Igreja uma liberdade de fé tal que se conforme com as iniciativas pessoais.

Imensa é a diferença entre esta mentalidade, própria da sociedade que existe por vontade dos homens, e a Igreja que existe por direito divino.

A Igreja não rejeita as conquistas recentes, acrescentadas ao patrimônio científico e ampliaram os confins da prosperidade pública, porém o desenvolvimento deve vir com o respeito da sua autoridade e ciência para evitar os efeitos da degradação espiritual, visto que a modernidade leva rejeitar como supérfluo todo o magistério externo.

Afirmam que o Espírito Santo derrama agora, melhor que em tempos passados, carismas sobre seus fiéis, sem qualquer intermediário: esta é a temerária confusão entre o Magistério consagrado por Deus e o livre juízo.

Assim nasceu a nova apologética americanista que finge remover os obstáculos que poderiam reter o homem moderno de abraçar a fé católica e impedir o prestígio do catolicismo diante da civilização contemporânea.

Sua Santidade, o papa Leão XIII

Carta Apostólica Testem Benevolentiae, contra o ‹‹Americanismo›› – 22 de janeiro de 1899.

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