Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

O Segredo de Fátima e o interregno da paixão cristã

Nossa Senhora da Piedade

O Terceiro Segredo de Fátima diz respeito a dois longos interregnos.

Revelado em 13 de julho de 1917, foi redigido pela Irmã Lúcia em janeiro de 1944 e arquivado por João XXIII em 1959, para ser finalmente publicado em 2000, com o quadro que hoje parece incompreensível à maioria dos fiéis.

No entanto, se este quadro se ajusta à realidade presente como cremos – do segundo interregno –, esta terceira parte do Segredo tem sentido profético bem evidente e a incapacidade dos fiéis de compreender suas grandes questões reside numa carência de fé. Isto porque, revelado em 1917, seria mais claro em 1960, conforme a Irmã declarou em 1955 ao Cardeal Ottaviani, Prefeito do Santo Ofício, que o confirmou.

Se só seria mais claro em 1960, quando podia ser publicado, refere-se a algo que aconteceu então, ou pouco antes, mas que, mesmo representado em forma simbólica, é evento de extrema relevância.

Se não se vê, é porque há pouca fé e esta é manipulada para que tudo fique atrás de uma barreira de espessa fumaça clerical.

Algo que iniciou o interregno correspondente ao período de 1960.

Vamos lembrar o quadro descrito pelas palavras da vidente Lúcia; o Terceiro Segredo no seu texto publicado que descreve um evento em forma de visão:

“Depois das duas partes que já expus, vimos ao lado de Nossa Senhora um pouco mais alto um Anjo com uma espada de fôgo em a mão esquerda, ao centílar, despedia chamas que parecia iam incendiar o mundo, mas apagavam-se com o contacto do brílho que da mão direita expedia Nossa Senhora ao seu encontro 0 anjo apontado com a mão direita para a terra, com voz forte disse: Penitência, Penitência, Penitência!

E vimos numa luz emensa que é Deus.‑ “algo semelhante a como se vêm as pessoas num espelho quando lhe passam por diante” um Bispo vestído de Branco “tivemos o pressentimento de que era o Santo Padre”. Vários outros Bíspos, Sacerdotes, religiosos e religiosas subir uma escabrosa montanha, no címo da qual estava uma grande Cruz de troncos toscos como se fôra de sobreiro com casca; o Santo Padre, antes de chegar aí, atravessou uma grande cidade meia em ruínas, e meio trémulo com andar vacilante, acabrunhado de dôr e pena, ia orando pelas almas dos cadáveres que encontrava pelo caminho; chegado ao címo do monte, prostrado de juelhos aos pés da grande Cruz foi morto por um grupo de soldados que lhe dispararam varios tiros e setas, e assim mesmo foram morrendo uns atrás outros os Bispos Sacerdotes, religiosos e religiosas e varias pessoas seculares, cavalheiros e senhoras de varias classes e posições. Sob os dois braços da Cruz estavam dois Anjos cada um com um regador de cristal em a mão, neles recolhiam o sangue dos Mártires e com ele regavam as almas que se aproximavam de Deus.” Tuy (Espanha). [Nota do Editor: Aqui o texto se encontra como escrito pela irmã Lúcia, não modificamos ou corrigimos.]

Em seguida à visão os pastorinhos devem ter levantado os olhos apavorados para Nossa Senhora, que os consolou dizendo:

“Em Portugal se conservará sempre o dogma da Fé (e aqui vem o etc.). “Por fim o meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar‑me‑á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz.”

O Segredo de Fátima apresenta, pois, a visão de um papa católico que, antes de seu sacrifício, sofrera sobre a cidade semi-demolida. Esta só pode ser a Cristandade, onde era já grande o morticínio de almas consagradas. Segue o martírio do mesmo Papa católico com todo o seu séquito fiel, enumerado em consagrados e leigos, para não deixar dúvida que se tratava de um atentado contra a mesma Igreja militante.

A este ponto temos dois interregnos referidos a pontificados católicos: o primeiro até uma data próxima a 1960 e o segundo que segue, isto é, o tempo em que a última visão que temos do Papa com o seu séquito é a do seu massacre. Só bem depois segue a notícia: “Por fim o meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar‑me‑á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz”. Como isto pertence à parte final do Segredo, quer dizer que fecha o segundo interregno iniciado com o atentado mortal contra a Igreja militante. Os interregnos concernem dois longos períodos:

1º – de 1917 até a hecatombe papal, mais clara em 1960;

2º – da morte do Papa até seu reaparecimento – por fim – para ser reconhecido também pelo fato de realizar a Consagração pedida.

Como enquadrar este segundo interregno no tempo em que vivemos?

A Irmã Lúcia só aludiu brevemente às ameaças do segundo interregno na entrevista ao Padre Fuentes em dezembro de 1957. Depois disso, nunca mais falou em termos fortes sobre a hierarquia. Só aludiu, de passagem, a “desvios diabólicos” desta. Evitou responder sobre isto, como estava na carta que o P. Rifan enviou por meu intermédio a ela.

Para entender o tempo do Segredo de Fátima, portanto, há que seguir não só o testemunho direto, mas aquele indireto de Lúcia.

Diretamente pelas palavras e imagens transmitidas pela Vidente.

Indiretamente pelas suas reações diante dos pastores da nova Igreja.

De fato, visto que o Segredo se refere à escalada da revolução anti-cristã dentro da própria Igreja, que acabará por abater o Papa, deveria ser prestado um testemunho para avisar desse perigo, apesar de todos os subterfúgios e desvios diabólicos de aspecto clerical, dos inimigos da Igreja e executores dos seus vértices. Mas este testemunho faltou.

Perante a visão do Segredo foi ignorada a evidente ruptura do Vaticano  II com a Tradição; uma oposição metafísica. Mas a tentativa de conciliar esta com a nova ordem religiosa repugna até a quem prefere a nova ordem mundial.

Se negam essa ruptura, serão as pedras a gritar!

Faz parte disso a aversão aos «profetas de desventuras» declarada por João XXIII ao inaugurar o Vaticano II em 1962.

Aversão que faz parte do segundo interregno inaugurado com a eleição do modernista e filo-mação Ângelo Roncalli à Sede de Pedro.

Como é, porém, que Nosso Senhor enquadra essa aversão aos profetas enviados por Deus já no Antigo Testamento? Basta ler no Evangelho (Mt 23, 29-31: 34-36; Lc 11, 47-52). Esta aversão aos sinais de Deus se repete nos nossos tempos com a recusa e o desprezo velado pelas mensagens proféticas como esta de Fátima, que foi boicotada e depois manipulada pelos “profetas de aventuras”; de João XXIII em diante e por João Paulo II, que a desapropriou à favor do seu sacrifício: o atentado que sofreu, mas por razões alheias à Fé.

O testemunho de Lúcia para a credibilidade de Fátima

Irmã Lúcia

Irmã Lúcia

O que pensar da fidelidade do testemunho de Lúcia?

É claro que a missão da Vidente é ligada à obediência ao Papa; à autoridade da Igreja. Mas esta obediência, mesmo sem visões sobrenaturais, implica a identificação dessa autoridade, cuja autenticidade é reconhecível pela fidelidade a Jesus Cristo, de Quem o Papa é Vigário. O católico obedece e ouve o Papa porque está certo que ao fazê-lo, ouve e obedece a Deus. Esta certeza moral é necessária à fé e se há contradição no que concerne a Fé entre o que foi sempre ensinado pela Igreja e instruções humanas, seguir estas e quem o proclama é desobedecer a Deus.

Lúcia não foi a única testemunha das aparições, cujos sinais muitos viram e a Igreja reconheceu, mas sobre ela se apóia a mensagem e por isto deve-se compreender a gravidade de seus dilemas de consciência.

Muitos pensam que a credibilidade de Lúcia deve ser a mesma, seja no que concerne às palavras e às visões transmitidas, seja nas implicações que a Mensagem suscita. Assim não é. Pelo contrário suas opiniões demonstram que ela não é a autora do que descreve e pode muito bem ignorar do que se trata. Lúcia criança pensava que a Rússia fosse uma mulher malvada, como Bernadete ignorava a Imaculada Conceição. Foi-lhes confiada a transmissão de mensagens e não sua interpretação, como Lúcia mesma reconhece. Se tudo depende de um juízo doutrinal, compete à autoridade católica ajuizar; mas se depende de questões históricas ou de simples lógica, é universal e todos podem perceber, para crer.

Todo o problema do Segredo de Fátima estava na «consciência» da Irmã Lúcia. Mas pelas suas contradições sabemos que esta foi forçada, o que representa a outra característica deste segundo interregno; a promoção de uma «nova consciência da Igreja conciliar» que segue o que o Vaticano II promulgou como questão doutrinal: a falsa liberdade! De fato, a Igreja conciliar tinha por programa declarar, como se fosse católica, a «liberdade de consciência e de religião», em substituição à «liberdade das consciências» de conhecer e aderir à Verdade revelada. Esta foi criada por Deus para a salvação dos homens, mas a outra foi estabelecida no programa maçônico para neutralizar a Igreja, nivelando-a a toda e qualquer religião. Trata-se de uma liberdade de perdição, mas como parecia provir da Santa Sé, enganou meio mundo devido à falsa obediência. Nisto tropeçou Lúcia.

Sobre este seu dilacerante dilema de consciência, escrevi a ela e depois um artigo, que foi publicado em três línguas. Tratava do engano abominável do segundo interregno que à luz do Segredo de Fátima pode ser entendido como o terceiro grande castigo.

Para ajudar a humanidade Nossa Senhora, na vigília da revolução bolchevista, confiou aos três pastorinhos a mensagem que avisava dos erros espalhados pela Rússia e dos perigos crescentes para o mundo, se os homens e os povos não deixassem de ofender a Deus: depois da devastadora I Guerra mundial viria uma “guerra pior”. Esta foi a pavorosa II Guerra mundial. Se depois desta guerra o mundo não mudasse, viria um terceiro flagelo, mais letal para as almas que as guerras; o momento mais crucial da história.

Pode-se deduzir que esse novo flagelo seria de natureza tão tenebrosa, tão incrível nos dias em que foi anunciado, que deveria permanecer como segredo até a hora em que sua manifestação o tornasse visível à luz da Fé. Quando? Em 1960. Esta data merecia, pois, toda a atenção.

Estava no centro da entrevista da Vidente ao P. Fuentes, postulador da causa de canonização de Francisco e Jacinta. Era o momento misterioso em que seria “mais clara” a ameaça surgida contra a Fé. Mas, ao mesmo tempo, a causa desse perigo letal seria ocultada por uma enxurrada de enganos. Emblematicamente o Segredo ficou desde então encerrado no Vaticano.

O período em torno a 1960 é referência histórica para a consciência no mundo moderno: houve então a mais radical revolução, que, alterando a religiosidade humana, iria invisivelmente envolver todas as sociedades. Poderia isto ser alheio à Mensagem de Fátima, cujo terceiro segredo, se fosse então revelado, seria mais claro? Não avisava este de um evento sem precedentes históricos, que, sucessivo às duas Guerras mundiais, seria mais avassalador que a Revolução russa? O que senão uma revolução universal de inspiração e origens ocultas, e de proporções e consequências desconhecidas?

Sintomaticamente a divina Mensagem que falava de tais erros foi censurada pelos clérigos que preferiam seguir outra voz. Disse Jesus (Jo 5, 43): «Eu vim em nome de meu Pai, e vós não me recebeis; quando vier outro em seu próprio nome recebê-lo-eis. Como podeis crer vós que recebeis a glória uns dos outros, e não buscais a glória que só de Deus vem?». Devemos, pois, reconhecer a voz deste ‘outro’.

Vimos a sua operação para cancelar a ideia de Deus nas consciências pelo ateísmo e agnosticismo. Mas atenção, ele já passou à fase sucessiva dessa pura negação de Deus; está na fase da substituição; não mais a nova idéia religiosa, mas uma «religião universal» que revelará como Deus deve ser, para o bem e a paz de todos, para a liberdade e a dignidade do homem em caminho para a nova ordem da divinização da humanidade.

Ora, os desvios da verdade em matéria religiosa servem ao “mistério de iniqüidade”. Qual pode ser este hoje?

Não é talvez visível na manipulação das consciências e de Fátima?

Quanto à Irmã Lúcia, é claro que o seu testemunho segue duas fases:

antes e depois de 1958, quando morreu Pio XII e foi eleito Roncalli com o nome do antipapa João XXIII. Então, a primeira preocupação, quanto a Fátima, foi que Lúcia desmentisse o que disse ao P. Fuentes. Ela obedeceu e daí para frente caiu em tantas contradições que até há quem tenha por provado que haja duas Irmãs Lúcia.

Coisas do segundo interregno da paixão cristã, que parece interminável.  Mas, por fim o Imaculado Coração triunfará. Salve Maria santíssima!

Araí Daniele

3 Respostas para “O Segredo de Fátima e o interregno da paixão cristã

  1. Paulo Henrique de Lima setembro 19, 2010 às 2:07 am

    Salve Maria Santíssima!
    Irmão em Cristo, Araí. Gostei muito do artigo. Muito bom, excelente. O blog esta cada vez melhor. Que a Virgem Santíssima, Nossa de Fatíma, sempre proteja sua alma!

  2. Pingback: ECLIPSE OU COLAPSO DA CONSCIÊNCIA CATÓLICA? | Pro Roma Mariana

  3. Pingback: PAPA ABATIDO = APOSTASIA SOB Simulacros papais « Pro Roma Mariana

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

AMOR DE LA VERDAD

que preserva de las seducciones del error” (II Tesal. II-10).

Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

Radio Spada

Radio Spada - Tagliente ma puntuale

Catholic Pictures

Handmaid of Hallowedground

Hallowedground

Traditional Catholic Visualism

Acies Ordinata

"Por fim, meu Imaculado Coração triunfará"

RADIO CRISTIANDAD

La Voz de la Tradición Católica

%d blogueiros gostam disto: