Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

O «pacote» Rifan interpretado à luz da Tradição?

por Arai Daniele

Ninguém pense que tratando destes assuntos polêmicos se deixe de lado o amor pelo próximo na Comunhão dos Santos, que é a Igreja Católica. Bem ao contrário, estes são testemunhos procedentes da Fé íntegra e pura e convergentes ao amor pelas almas, conforme ensina a Igreja de Deus; ensinamentos que tiveram e têm muitos adversários disfarçados e disso vamos falar, porque se vive cada vez mais num mundo de aparências.

A estratégia diplomática conciliar-traicionalista prega estranhas peças, como da ridícula possibilidade de conciliação entre duas religiões com duas geometrias de sentido oposto. Não sabem ainda seus arautos que justamente o modernismo insinua esta disparatada contradição para prostituir-se com as forças dominantes no mundo? No entanto, tal sinistra incongruência foi tornada moeda corrente em alguns arrabaldes mentais até em Campos, de modo que, para o mundo mediático, a verdadeira resistência católica do “pequeno resto”, aparece majoritariamente desarmada na gloriosa Diocese que foi de Dom António de Castro Mayer.

Nesta hora tenebrosa para a Igreja e para a humanidade, vamos lembrar um pouco de história para que aqueles que ainda pensam possível recorrer a revolucionários clericais para obter restauração, ou a Bento XVI para voltar à íntegra e pura Fé da Igreja, se dêem conta da confusão em que se embrenham. Sim, porque pensam que quanto é promovido pelo erro possa conduzir à verdade; que possa retornar à Tradição o que foi maquinado pelo modernismo conciliar de João XXIII, para invertê-la.

Deveriam ao menos lembrar que o Modernismo já fora condenado para sempre pelo Magistério da verdadeira Igreja como esgoto de toda heresia, e justamente por causa dessa inversão de seu fim, isto é da intenção de ajustar a Tradição segundo “as necessidades dos tempos modernos”!

Hoje uma velha-nova classe clerical quer ajustar a Igreja Católica às vantagens de um novo Vaticano ecumenista para serem louvados e promovidos.

Sendo o Modernismo a base do Vaticano II, aqui a pergunta inicial a dirigir aos tais arrabaldes deveria ser, ao invés de: “o concílio interpretado à luz da Tradição”, “é possível interpretar a heresia à luz da Tradição”?

Deve-se ainda mostrar que a real resistência católica do “resto fiel”, apresentada ao mundo como completamente desarmada de meios, está na verdade muito bem armada de razões, históricas, lógicas, legais e sobretudo de Fé; baseada em 2000 anos de Fé, em 20 Concílios ecumênicos, em 260 Papas e em todos os Santos?

Basta recorrer a este santo arsenal para, com a ajuda das Palavras e da Graça de Nosso Senhor, demonstrar como estão penosamente confundidos estes seus adversários, que respiram festivos a grande fumarada de Satã sem confessá-lo.

Para demonstrar isso tudo, iniciemos pelas razões históricas.

Depois que as revoluções modernas sacudiram o mundo, as defesas da Igreja e da Cristandade iniciaram a ficar desguarnecidas devido à sedução que as idéias iluministas anticristãs exerceram sobre bispos e padres de fé enfermiça. Destes, alguns chegaram até a celebrar o culto da deusa razão, indicando a inevitável aparição de uma nova classe clerical e leiga de pregadores, não mais da Palavra, mas da Revolução; não mais do discernimento, mas da conciliação a todo transe, até mesmo com a hegeliana síntese dos opostos. Seu produto inicial foi a “fé liberal” introduzida pelo Vaticano II, até a “fé terminal” de Bento XVI, que prega a urgente necessidade de conversão ao iluminismo até aos muçulmanos!

Parece mentira, mas é isso ai, basta ler:

“Torna-se cada vez mais evidente, como o mundo tem urgentemente necessidade do diálogo entre fé e razão. Emanuel Kant, na sua época, tinha visto expressa a essência do iluminismo na expressão “sapere aude”: na coragem do pensamento que não se deixa colocar em embaraço por preconceito [católico?] algum… Num diálogo a ser intensificado com o Islão deveríamos ter presente o fato de que o mundo muçulmano se encontra hoje com grande urgência diante de uma tarefa muito semelhante à que foi imposta aos cristãos a partir dos tempos do iluminismo e que o Concílio Vaticano II, como fruto de uma longa pesquisa fadigosa, levou a soluções concretas para a Igreja católica [a demolição na fumaça de Satã?]. Trata-se da atitude que a comunidade dos fiéis deve assumir face às convicções e às exigências que se afirmaram no iluminismo [do católico Voltaire?]… Em Regensburg o diálogo entre as religiões foi tratado apenas marginalmente… Outro ponto de vista referia-se à afirmação que as religiões devem encontrar-se na tarefa comum de se porem ao serviço da verdade [cada um na sua?] e, por conseguinte, do homem.”  (disc. Roma, 22.12.06, site http://www.vatican.va).


Ratzinger amante do iluminismo maçon.

 

Busto de Voltaire

Busto de Voltaire, maçon, filósofo iluminista que influenciou a Revolução Francesa que procurou destruir a Igreja na França.

Apesar das condenações do Magistério Pon­tifício, subsistem confusões sobre o que seja o liberalismo nascido do iluminismo. Lembramos então con­cisamente que liberalismo é essencial­mente, atribuir à liberdade humana uma prioridade sobre as verdades reveladas na lei de Deus. Segue-se que esta inversão contra a verdade, defendida pela Igreja, é tanto mais insidiosa quando perpetrada por clérigos ou prelados em nome da Fé. Muitos destes casos escandalosos se registraram desde 1789, com apostasias para servir a Revolução; houve até o caso da adaptação acrobática aos sucessivos governos do bispo Tal­leyrand. Mas a tentativa real de acolher na Doutrina Cató­lica e batizar na vida política cristã o liberalismo, foi abertamente ousado só desde o caso do padre Lamennais.

Dai que a partir do século XIX, tal liberalismo religio­so avançou no sentido de desviar do rumo da Igreja. O primeiro, de Lamennais, consistia em considerar o direito à liberdade questão universal, em que se inseria a liberdade da Igreja, como uma espécie particular em relação ao gênero universal. Esta posição, pelo que concerne à liberdade religiosa, tinha por conseqüência direta a total separação entre Estado e Igreja, e, portanto entre as leis humanas e a Lei de Deus.

Depois da revolução de 1830, tal ruptura revolucionária agravou-se porque a corrente liberal do padre Lamen­nais foi apresentada à opinião pública como “católica”, não só, mas como a melhor idéia para defender a liberdade da Igreja! Eis como foi dada a partida para o engano que corre hoje mais do que nunca. Então, porém, a insidiosa tentativa foi logo firmemen­te acusada pelo Papa Gregório XVI com a en­cíclica “Mirari Vos” de 1832 onde, reconhecendo a entidade do perigo, invocava palavras da profecia apocalíptica de São João sobre a delirante abertura do poço do abismo pelo bispo com a chave.

 

Gregório XVI - 254º Papa

Gregório XVI - 254º Papa

A segunda tentativa para lançar um “libera­lismo católico” foi maquinado com a desculpa de uma estratégia para a aliança da Igreja com a idéia democrática. Tal ten­tação foi repelida com força e pre­cisão doutrinal, pelo Papa Pio IX na sua encíclica “Syllabus” e no Concílio Vaticano I, que ensinam: não há maioria democrática que possa prevalecer sobre as verdades que a Igreja e o Papa afirmam infalivelmente.

 

Pio IX - 255º Papa

Pio IX - 255º Papa

Em 1871, Pio IX, recebendo uma delegação de católicos franceses, dizia:

«Há um ma­l mais temível que a Revolução, mais te­mível que a Comuna, com seus homens de intenções infernais, que semearam fogo em Paris. O que temo é e­sta infeliz política; é o liberalismo católi­co a ser o pior flagelo!…»

A terceira tentativa obteve su­cesso na prática política sob Leão XIII o qual, embora firme na Doutrina, foi levado a conceder o assim chamado “ralliement”, ou seja, a aliança dos católicos franceses com o governo que ope­rava com os princípios liberais condenados pela Igreja. Mas, visto que Leão XIII concedia na França o que negava na “Questão Romana”, há que entender que só se tratava de questão diplomática. Mesmo assim, esse “ralliement” transalpino influenciou no sentido de conciliações também no campo religioso e hoje, depois do Vaticano Il, não se faz mais distinção de campo: a confusão induziu a operação ecumenista!

Leão XIII - 256º Papa

Leão XIII - 256º Papa

Aqui é preciso lembrar um fato histórico muito importante para a defesa da Igreja: as forças terrenas, do início até os tempos recentes, jamais prevaleceram sobre a Igreja sólida na fé, nem mesmo na ordem social. Na França, no começo do século XX, governos inimigos apoderaram-se de todos os bens da Igreja. São Pio X não cedeu em nenhuma questão de princípio. Por isto naquele País vicejou e ainda viceja uma autêntica resistência de Fé.

É por esta razão que se pode dizer com certeza que o verdadeiro perigo, em 1789, como em 1830, em 1917, como no presente, não vem tanto do furor revolucionário, quanto das insídias internas de clérigos liberais que promovem aber­turas religiosas que lesam o patrimônio divino da Doutrina. Isto aconteceu e acontece em modo especial em torno do conceito de liberdade.

Alguém aduzirá indignado: mas padres como o Fernando Rifan sempre acusaram esses erros e sofreram por causa disto! Calminha; também no mundo tradicional, em Campos e alhures, se viveram e se vivem dois bem definidos interregnos. Até um certo momento se entendia o que Dom Mayer ensinava sobre as falsidades da Igreja conciliar que procurou enganar os tradicionalistas com aquela pérfida frase; «Há que interpretar o Vaticano II à luz da Tradição»!

O ilustre Bispo insurgiu contra essa tramóia, que seria como querer um «círculo quadrado». Escreveu sobre isto nos jornais da Cidade e foi traduzido em outras línguas. Todo mundo sabe disso.

Quando visitou Roma junto com o Pe. Rifan, chegou a me dizer, na frente deste; quando estiver com Dom Lefebvre, lhe diga que isto é impossível.

Trata-se de questão chave porque, ao aceitar essa dialética, todo o resto, que apenas lembramos – da revolução liberal, iluminista e anti-católica – vem junto.

Hoje se vive o segundo interregno e para melhor descrevê-lo, pode-se usar um termo comum na política, no turismo, etc. a palavra «pacote».

Quem aceita uma sua parte aceita o todo; quem contrata a sua aliciante oferta, nesse seu pacto aceita tudo o que contêm.

No pacote conciliar temos as artimanhas clericais que vem de João XXIII até as falcatruas do seu presente pastor, citado, palavra por palavra naquela parte do seu obsceno discurso aos muçulmanos. Fazem parte do «pacote conciliar», que é como a cartola do mago promotor de um Halloween clerical.

Assim sendo, é inútil dizer que isto ou aquilo da nova igreja não se aceita; dessa encomenda recebida e assinada não se tira nem uma gota do seu letal veneno de apostasia. E infelizmente nesse pacote há também títulos, chapéus e tiaras episcopais. Quem os recebe e usa, pode dizer o que quiser, mas assumiu o pacote. Seria ainda mais hipócrita se, depois de tê-lo encomendado e posto na cabeça, com pleno conhecimento do que seja a impossível interpretação do círculo-quadrado, andar por aí dizendo que defende a Tradição só porque pratica ainda o seu latinorum.

Rezemos para que estes ainda entendam o que fizeram e tenham a coragem de devolver o pacote com aquele sedutor brinde de perdição.

Cremos na Igreja Católica, Comunhão dos Santos, que não se confunde com as pompas e pacotes da congrega ecumenista. Oremos para ter a graça de testemunhar que Ela é a única e santa Esposa de Nosso Senhor e para permanecer na sua inestimável e sublime Fé até a morte.

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