Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

O CASO HONÓRIO E O TRAICIONALISMO TIPO RIFAN

 

Honorio I

Honorio I

por Arai Daniele

Vejamos o que nos ensina o tormentoso caso do Papa Honório I do século VII, para depois ver a vantagem que pretende desfrutar dele o tenebroso traicionalismo dos nossos dias. Vamos entender aqui porque isto é verdadeiramente tenebroso para as almas.

Apesar das grandes diferenças entre essas épocas, há pontos em comum no que tange à defesa da Fé, visto que em todos os tempos se manifestam heresias favoráveis às  políticas de poder de sinal ariano ou monotelita, gnóstico ou modernista, visando a homogeneização de marca ecumenista. Nos dias do Papa Honório I, o Patriarca Sérgio difundia a heresia monotelita da vontade única de Jesus com o Pai, pela qual tudo o que fez dependia só da vontade divina. Portanto, Jesus não poderia ter feito outra coisa, nem ter oferecido livremente o Seu sacrifício para “cumprir a Vontade do Pai”. Esta falsidade favorecia graves heresias em curso e o Papa Honório foi indiciado pelo facto de ter enviado duas cartas conciliatórias a Sérgio, Patriarca de Constantinopla, sobre a heresia do monoteletismo conexa com a do monoenergismo, julgando assim, com o tal «juízo prudencial», pôr fim aos litígios.

A fórmula que usou foi «una voluntas», evidente a partir do contexto da primeira carta, que podia ser entendida em um sentido moral, não físico, como uniformizar a vontade da natureza humana decaída, assumida por Cristo, à vontade divina. O problema é que a sua carta a Sérgio concedia ambiguamente espaço para a ideia herética, apesar da verdadeira fé que lhe foi lembrada então em uma carta de clara doutrina por São Sofrônio, Patriarca de Jerusalém.

A ambigüidade cobriu por longo tempo o fato de Honório ter favorecido a heresia, razão porque, só décadas depois de sua morte foi condenado pelo Papa Leão II:

Anátema seja Honório que não ilustrou esta Igreja Apostólica com a doutrina da Tradição Apostólica, mas permitiu, com uma traição sacrílega que fosse manchada a Fé imaculada recebida de seus antecessores (…). Não extinguiu, como convinha à sua Autoridade apostólica, a chama da heresia incipiente, mas a fomentou com a sua negligência” (DS. 563 e 561).

Da mesma forma, o VI Concílio Ecumênico, rejeitou e execrou em absoluto como nocivas para as almas as cartas do Papa Honório, porque “verificou seu total desacordo” com a Tradição.

A ambigüidade «prudencial» lhe foi fatal. Pensemos, pois, o horror que causariam e devem causar os enormes desvios e heresias dos papas conciliares, que vão além das ambigüidades e de toda decência!

A preocupação dos traicionalistas, porém, é bem outra; querem conviver

com heresias e heréticos, «interpretados à luz da Tradição».

O que fazem do «caso Honório»? O colocam como exemplo dessa possibilidade porque dizem que não consta que o Papa Honório tenha perdido o pontificado.

Quanto às heresias, dizem que se estas são pronunciadas por um papa sem a nota da infalibilidade pontifical do Magistério, nada alteram na legitimidade da manutenção do poder dessa autoridade.

Citam ainda S. Roberto Bellarmino, que nega a condenação de Honório como fruto de intrigas e alterações de «orientais» contra o Papa de Roma.

Sobre a última ideia, já o mesmo São Roberto afirma:

«O VIII Concílio Ecumênico por inteiro era de parecer que em caso de heresia o Papa podia ser julgado».

E de fato, as condenações do Papa Honório são públicas e constaram até no Breviário Romano onde permaneceram durante pelo menos duzentos anos, tanto o seu delito – de não ter como Papa defendido a Fé íntegra e pura – foi execrável.

Disto tudo o católico tira esta última lição, que é a principal; concerne a defesa da Fé, e reconhece a grave diferença: Honório, que era certamente um Papa católico, se tornou cúmplice mais que promotor da heresia do patriarca Sérgio. Isto, à diferença dos «papas conciliares», que são promotores das heresias sobre a liberdade religiosa e de consciência, da operação ecumenista com o sinuoso apoio ao laicismo mundialista, etc.

Vamos tratar das duas objeções levantadas pelos traicionalistas, ou seja:

– não constar que Honório tenha decaído da cátedra papal;

– que um papa que pronuncia uma heresia fora do âmbito magisterial não decai do cargo;

Anátema seja Honório que não ilustrou esta Igreja Apostólica com a doutrina da Tradição Apostólica, mas permitiu, com uma traição sacrílega que fosse manchada a Fé imaculada recebida de seus antecessores (…). Não extinguiu, como convinha à sua Autoridade apostólica, a chama da heresia incipiente, mas a fomentou com a sua negligência” (DS. 563 e 561).

Logo fica claro que o anátema papal atingiu a pessoa do Papa Honório pelo crime de permitir que a Fé fosse manchada, e o anátema significa a exclusão não só do cargo, mas da Igreja; a sua excomunhão.

Ora, Honório já havia morrido muito antes, então que sentido tem isto?

Encontramos a palavra «anátema» nos Evangelhos.

Nas Epístolas de São Paulo aos Gálatas (1, 8 ) e de São João (II, 1, 10), lemos do anátema a quem traz outro Evangelho: no sentido de exclusão: “nem os saudeis… para não ter parte em suas obras ímpias”.

A condenação de Honório aconteceu diante da Palavra de Deus e mesmo se tardia se refere ao tempo em que ocorreu o delito, portanto, mesmo se os homens são tardos em entender e julgar, o anátema ao Papa Honório I, embora reconhecido só muito depois da morte, se refere ao tempo de seu pontificado e visto que a advertência apostólica não exclui “nem um anjo do céu nem um de nós”, se trata de sua exclusão da Igreja.

Honório havia traído com um ato de seu magistério papal, ex cathedra?

Não consta que o tenha feito «ex cathedra loquitur», mas nas suas cartas ao patriarca Sérgio. E, no entanto, recebeu o anátema devido a estas.

De fato, parece que quase ninguém percebera isso então.

Depois de sua morte, o sucessor foi seu secretário, que até procurou justificá-lo e tudo se passou sem que se verificasse interrupção na Sé Apostólica. Todavia, a excomunhão diz respeito ao tempo do delito. Portanto, o Papa Honório perdeu a sua jurisdição perante Deus e os homens durante o curto tempo que restou do seu pontificado, embora a Igreja, pelos seus Papas, só o tenha reconhecido (humanamente) bem mais tarde. Isto é o que ditam os termos dos documentos oficiais citados.

Vacância antecipada

Pode alguém alegar que tal caso interrompe a continuidade da jurisdição na Igreja, mais do que o estado de Sede vacante pela morte de um papa? Deveria demonstrar nesse caso que faltou algo de essencial para essa continuidade papal e que os atos de autoridade do decaído Papa Honório, causaram um vazio ou um mal para a Igreja, maior que o da ambigüidade que mostrou na defesa da Fé, o que não foi nem alegado, nem provado. E aqui seria bom lembrar que há também uma jurisdição delegada para o bem das almas. Quanto aos sacramentos, uma eventual sua invalidez não seria diferente daquela de qualquer consagrado nas mesmas condições, pois concerne o poder de ordem do sacerdócio.

Em breve, nunca constou que a sentença de anátema com que o Papa Honório foi fulminado pela Igreja a posteriori, a tenha deixado naqueles dias desarvorada. Mesmo porque, se em algum plano isto seria possível, por exemplo, devido a algum decreto que implicasse a infalibilidade, que seria nulo, a autoridade do sucessor no cargo papal restabeleceria o que eventualmente faltou, se isto tivesse ocorrido.

Nada indica, portanto, a menor falha na continuidade da Igreja por causa da condenação do Papa Honório, mais que uma vacância antecipada.

E, no entanto, o traicionalismo é capaz de rasgar suas vestes diante desse caso extraordinário da perda de jurisdição ipso facto de um papa legítimo que caiu na heresia indireta de não ter defendido a Fé como era seu dever.

De fato o Direito Canônico se aplica a tais clérigos antes de suas eleições, simplesmente porque sendo de fé modernista, como demonstram suas carreiras e obras, enganaram para serem eleitos, embora tivessem antes optado por uma outra fé, renunciado à Fé católica. Assim, não são imputáveis simplesmente por não defenderem essa Fé, mas por não a professarem, mas conspurcarem com o relativismo ecumenista.

Porque os defendem? Seria para justificar a permanência de legitimidade dos «papas conciliares», que caem no caso de delitos de bem outra natureza e gravidade? Eis a marca do «traicionalismo» atual: se ocupa antes da defesa de cargos humanos, como os seus, que da defesa da Fé!

Papa Honório traiu a sua função de Defensor Fidei, mas os conciliares fingiram fidelidade para melhor demolirem a Fé da Igreja de Deus, substituindo-a por outra iluminista já condenada como plano anticrístico.

Nisto a vacância deste tempo independe até dos desviados, que de há tempo não são de fato membros da Igreja, mas depende da apostasia invisível do mundo que os aceita com as suas obras desviadas da Fé.

A posição de Mons. Lefebvre e Mons. Castro Mayer

 

 

Mons. Lefebvre e Mons. Mayer assinando o manifesto Episcopal de 1983

Em novembro de 1983, o Arcebispo Marcel Lefebvre junto com o Bispo Antonio de Castro Mayer, elaboraram a Carta aberta a João Paulo II com um Manifesto episcopal, testemunho extraordinário na história da Igreja nestes tempos de sua paixão. Mas esse encontro foi solicitado e promovido a despeito dos padres presentes de ambos os lados. Somente o sacerdote Francesco Putti de «Sì sì no no» teve parte ativa, embora indireta na promoção desse documento comum dos dois ilustres Bispos.

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É um fato que estes dois Bispos, de modo diferente entre eles, pouco ou nada esclareceram a respeito, nem da vacância do Papa Honório, nem da nulidade do poder católico dos «papas conciliares» porque não souberam recorrer à Lei da Igreja, mas procuraram soluções conformes ao próprio juízo, como se verificou nas consagrações episcopais de Econe. Mas, também ficou registrado que a eles faltou muito um esclarecido apoio clerical para secundá-los na tão espinhosa missão de esclarecimento da verdadeira posição segundo a Lei da Igreja católica.

Já se falou das escolhas traicionalistas pessoais do P. Rifan e colegas, abertos à impossível interpretação do Vaticano II à luz da Tradição, contra a explícita declaração de Dom Mayer.

Mais adiante falaremos do livro que o querido Bispo escreveu junto ao Arnaldo Vidigal Xavier da Silveira, que tanto seria oportuno naquela hora para levantar o problema real da autoridade na Igreja, quanto foi falho no conteúdo e no uso que dele se fez.

Para acenar às confusões em torno do Arcebispo Marcel Lefebvre, aqui basta a foto que o retrata assinando o protocolo de acordo com a Roma apóstata, preparado com a assistência do padre Tissier de Mallerais (à direita na foto seguinte).

 

Arcebispo Marcel Lefebvre assinando o «protocolo» que foi negociado com o Vaticano entre Joseph Ratzinger e alguns padres da Fraternidade S. Pio X, dos quais o principal foi o futuro bispo Tissier de Mallerais, que aparece satisfeito na foto. Mas o que foi solicitado e promovido por estes padres foi na mesma noite melhor avaliado e denunciado pelo Monsenhor Lefebvre como um compromisso de consequências nefastas que devia recusar.

No dia 5 de maio de 1988 o Arcebispo Marcel Lefebvre assinou o «protocolo» que foi negociado com o Vaticano entre Joseph Ratzinger e alguns padres da Fraternidade S. Pio X, dos quais o principal foi o futuro bispo Tissier de Mallerais, que aparece satisfeito na foto. Mas o que foi solicitado e promovido por estes padres foi na mesma noite melhor avaliado e denunciado pelo Monsenhor Lefebvre como um compromisso de consequências nefastas que devia recusar. Hoje a manobra julgada nefasta é repetida por esses clérigos, mas na ausência do Prelado, «excomungado» pela igreja conciliar!

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Esse acordo foi denunciado pelo monsenhor Lefebvre depois de uma noite de pesadelos no dia seguinte. No entanto da foto transparece que a assinatura do dia 5 de maio de 1988 da qual o Prelado se arrependeu em tempo, era motivo de alegria e satisfação para estes seus padres!

Caso Honório, farol ou pedra de tropeço traicionalista?

Como se viu, o caso Honório foi e continua sendo usado como desculpa para aceitar os «papas conciliares», deixando de lado o delito contra a Fé.

Além disso, cita-se o caso de heresia sem distinguir o fato que no mesmo delito incorre quem a silencia ou confunde, em cumplicidade com o herege declarado, direto responsável de trazer um «evangelho diferente».

Este herege indireto,  por assim dizer, pode ter conservado a fé e desviar-se mais no campo do agir, do mau juízo «prudencial» e por fim da traição à Igreja como instituição, do que ter desgarrado da Doutrina.

Isto é lembrado aqui por causa da oração de Jesus pela fé de Pedro e sucessores, que fez com que São Roberto negasse a condenação do Papa Honório, a quem Jesus Cristo não deixaria faltar a fé com Sua oração.

Podemos dizer o mesmo de Judas? Talvez, e no plano atual podemos  pensar isto até de muitos traicionalistas, cujo desvio é no plano da ação, mas nas questões doutrinais aparecem até bastante ortodoxos.

Porque é importante lembrar esta diferença? Porque a Santa Sé declarou que nunca um papa no exercício do seu ensino falhou, como pode parecer (por engano) seja o caso do Papa Honório. Neste sentido veja-se o longo relato histórico e doutrinal, sob o nome de Maurice Pinay, que publicamos para lembrar a conclusão: as cartas de Honório ao Patriarca Sergio não caem na heresia, mas na ambigüidade que a favorece (ver https://promariana.wordpress.com/2010/06/03/un-papa-excomulgado/).

Inútil a objeção que essas cartas são de caráter privado, pois são públicas manifestações escritas que partiram da Sé de Pedro, como tantas outras que constituem o magistério papal autêntico até tempos recentes.

Todas estas confusões são verdadeiramente tenebrosas para as almas porque tendem a desacreditar a Igreja, sua Hierarquia e seu Clero fiel, em detrimento da Fé, sem a qual não há ordem neste mundo nem salvação no outro. Assim, o recurso à história da Igreja, aos tempos em que quando todo fiel saía a descoberto para defender a Fé, nem que fosse acusando um Papa, hoje é invertido porque se recorre abusivamente à história da Igreja para inventar desculpas de modo a justificar e perpetuar a permanência dos desviados conciliares na Sé de Pedro.

Eis como se confirmam os sinais do fim dos tempos das nações cristãs através dos compromissos e oportunismos dessa classe clerical decadente.

“Fatos espantosos e horríveis ocorriam na terra: profetas profetizavam mentiras e os sacerdotes os aplaudiam com as suas mãos; e meu povo amou essas coisas. Que castigo não virá depois de tudo isto?” (Jr. 5, 30-31).

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