Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

O testemunho de Dom Mayer na Paixão da Igreja

D. Antônio de Castro Mayer

D. Antônio de Castro Mayer

Arai Daniele

A grande conspiração da qual tratamos nunca foi produto da imaginação de “complotistas”, que em tudo vêem elementos de uma fictícia “história do complô”. Não, essa história, da qual tudo indica que vivemos etapas conclusivas, remonta à Religião revelada do livro da Gênese e à tentação do Pecado Original, a realidade mais comprovada da conflitiva história humana de todos os tempos.

E o Antigo Testamento se explica no Novo e Eterno Testamento de Jesus Cristo pela “conspiração” que levou ao Seu Sacrifício na Cruz para nos redimir da queda na “conspiração original”. Hoje há quem põe a questão: Deus podia querer todo esse desatino e crueldade na Sua “Teodicéia”?

Teodicéia é termo que vem do genial Leibniz que, nascido protestante, sentia-se bem próximo do catolicismo. A obra Teodicéia “põe a questão da «justificação de Deus», isto é, de sua bondade e onipotência em relação ao mal e à liberdade humana” (História da Filosofia, Julián Marias, Ed. Souza & Almeida, Porto, 1973).

Aqui usamos este termo porque se adapta bem ao discurso sobre a conspiração original até o presente. Não vamos em tudo seguir o Filósofo, que de resto tem ainda uma obra desconhecida, mas que na conhecida tornou-se idealista. Nós seguimos a Igreja, e esta foi posta em causa por quem aparece hoje como Vigário de Deus para interpelá-Lo escandalosamente. Sim, porque nunca antes se poderia imaginar um clérigo em veste papal acusar Deus, como Bento XVI fez ao visitar Auschwitz. “Diante de tantos horrores, onde estava Deus escondido?”.

Na esfera espiritual assim se inverte a referência da consciência humana na absoluta bondade de Deus, porque haveria homens, mais prudentes e bondosos que Deus, que poderiam contestar a sua falta de compaixão!

A questão de Ratzinger define assim duas religiões diretamente opostas:

– a de clérigos que se envergonham e se desculpam pela Religião de Deus, que na versão gnóstica criou um mundo cruel de horrores!;

– a Religião católica que ensina e celebra o Sacrifício do Filho de Deus vindo a redimir homens caídos no mal da contínua conspiração original.

Jesus Cristo, Filho de Deus encarnado, veio ao mundo “sofrer” todo o mal físico, de carências, dores e morte, e o seu mal espiritual de ódio, engano, vilipêndio e traição, para deixar um legado de bondade e amor.

Os filhos de Sua Igreja o testemunharam desde estão e pelos séculos com o martírio físico e espiritual no Seu exemplo. Esta é a presença de Deus no mundo, cujos horrores se devem ao repúdio deste divino Sacrifício.

A Igreja representa essa presença, mas os «papas conciliares» fizeram surgir outra iluminista, para interpelar o «escondimento de Deus»!

No tempo cristão, o ser humano buscava a verdade e o bem da presença divina na consciência, sabendo que a estas verdades não podia chegar por si. Hoje há quem chegou ao ponto, com o culto do homem, de sentir-se livre e capaz de julgar a Deus diante de eventos que são justamente derivados de seculares alienações da Fé no plano divino de redenção.

Assim, nestes tempos, a voz para o «culto do homem vítima de Deus», provem nada menos que de quem pontifica como papa!

É o sumo engano do espírito gnóstico da anti-religião, diametralmente oposta à Católica, que interpela a bondade divina num mundo cuja falsa liberdade, que os homens julgam ser um direito, causa imensos horrores!

Quão poucos percebem e testemunham contra isto. No seu tempo Dom Mayer o fez, reconhecendo que, desde Paulo VI, com seu discurso de fechamento do Vaticano II, se configurava a nova Igreja que começou com João XXIII, alterando a questão da liberdade de consciência, até esta de Bento XVI, cuja «consciência conciliar» o leva a pronunciar estas frases dignas do ofídico conspirador original, agora final.

Dirão: este não foi, porém, o testemunho de Dom Mayer no seu tempo.

De fato, ele reconheceu que o Vaticano II configurava uma nova Igreja, mas só no fim percebeu que seu testemunho devia ir além da denúncia contra a liberdade religiosa e de consciência conciliar; devia ser contra seus autores. Já vimos antes no «caso Rifan» que uma tortuosa ação «traicionalista» barrou muitas vezes o que o Bispo entendia testemunhar.

Duas religiões diametralmente opostas

Assis

Poucos percebem hoje, no meio da grande apostasia, como se pode falar de duas religiões opostas, diante das palavras edificantes a favor da família, da moral e mesmo de Jesus, vindas do aplaudido chefe conciliar.

Devemos assim voltar ao início para saber o que opôs e o que favoreceu a conspiração demoníaca contra a Palavra divina, que permitiu tanto mal.

Ora, na Teodicéia, porque teria Deus permitido certamente o mal do erro e do engano, senão em vista de um bem maior?

Explica-se isto dizendo que Deus, sendo a perfeição do Bem e do Amor, “precisava” comunicá-lo a seres que o reconhecessem e aderissem a Ele livremente. É o bem maior das criaturas espirituais, cuja filial dignidade à imagem e semelhança do Pai, dispõem da liberdade, embora nesta seja implícito o risco da escolha do mal.

E assim foi em seguida com os anjos que escolheram o próprio culto e a danada conspiração universal que quiseram transmitir à nova criatura humana, posta na encruzilhada da matéria e do espírito.

Ora, há o mal espiritual do erro, do engano, do pecado e dos vícios da inveja e ódio, assim como dos outros descritos no Catecismo católico.

A tudo isto vão corresponder os males físicos dos defeitos, doenças, sofrimentos e da morte. Quando o homem é livre de escolher por si e até contra a Palavra de Deus, Perfeição e Vida, só pode cair no seu contrário de imperfeição, defeito e morte; todos males derivados do que deveria ser o bem da liberdade humana, que foi mal usada.

Para bem usá-la, Deus suscita nas consciências as virtudes para enfrentar os males e os vícios e nisto não somos livres de escolher e ditar o bem e o mal. Mas foi justamente a esta árvore que o conspirador original dirigiu o apetite de Adão e Eva. Hoje faz o mesmo com todos, mas tem por tentador adjunto o papado e o clero conciliar que declararam o “direito humano” à liberdade de consciência e de religião! O contrário do espírito de obediência aos Mandamentos, para o qual existe a Religião!

Resultado: esses infelizes «consagrados e coroados» chegam a interpelar Deus, como vimos, trajados de representantes da Sua mesma Igreja e assim mesmo são recebidos por quantos ainda se consideram católicos.

O engano da desgraçada conspiração traicionalista

Padre Rifan e os bispos da Nova Igreja Conciliar

Padre Rifan e os bispos da Nova Igreja Conciliar

Crucifixo Blasfemo

"Crucifixo" da "Missa" "concelebrada" em Aparecida pelo Bispo Dom Rifan fiel.

Quem foi formado para discernir entre o bem e o mal, entre o verdadeiro e o falso, entre a Igreja de Cristo e o aparato de Satanás, ainda tem condições de aderir à Verdade e repudiar o engano de aspecto religioso.

É aqui que aparecem os clérigos que, diante do poder dos falsos cristos e falsos pastores no Vaticano, optam pela visão traiçoeira de duas igrejas! Seriam duas igrejas mas um só chefe, reconhecido no papa conciliar! Como podem reconhecer uma só Fé, mas ao mesmo tempo uma outra ecumenista, em busca de interconfessionalismo e pluralismo religioso?

Como cúmulo do engano e da má fé, acusam em especial os que não aceitam a nova igreja conciliar, já denunciada na sua duplicidade por clérigos como Dom Mayer, que só no fim realizou angustiado também essa desgraça inaudita da duplicidade na sua autoridade.

Ora, a conspiração que data do início da História, foi melhor planejada dentro da Igreja pelos vários Roncallis, Montinis, Wojtylas, de sinistra memória e de Ratzinger, da alarmante presença. Podem os traicionalistas negar os crescentes equívocos e crises atinentes à autoridade na Igreja?

Se não leram o que almejavam os mações vamos lembrá-lo aqui, porque desde então dizem em suas publicações como operar sorrateiramente nos seminários católicos. Tudo diz respeito à liquidação do Cristianismo, e nisto são empregados poderes civís e religiosos mundiais, governantes do mundo junto a grandes prelados elevados às mais altas cátedras.

A presente Paixão da Igreja acontece sob a marca do engano

Esta Paixão da Igreja é bem diversa da inicial dos primeiros cristãos.

De há pelo menos dois séculos, as forças que queriam destruí-la, sabendo que isto se revelou impossível, passaram ao plano alternativo: ocupá-la para transformá-la segundo ideias liberais, maçônicas e judaizantes da política mundial moldada pela Revolução e depois pelo Vaticano II.

Hoje não há mais segredo sobre o que liga as idéias do modernismo com os planos maçônicos. Se trata do mega neoecumenismo capaz de abraçar não só as mais diferentes religiões, como a judaica, mas as mais obscuras ideologias, como a da nova ordem mundial. O plano da URI o desvela. Ora, compreende-se que tal programa representava uma última manobra dialética que só poderia ser aplicada por um “poder” dentro da Igreja.

Eis que o principal plano maçônico nesse sentido era o de eleger essa “nova autoridade” para assumir o comando da Sé de Pedro. Tramava-se pois para obter um poder papal segundo o desejo dos maçons.

Um bom número de documentos o atesta, descrevendo o plano. Citamos aqui de novo a descrição de um consagrado apóstata, o Canônico Roca, que hoje seria cardeal, onde se planeja um papa ao serviço da revolução religiosa total, que avançaria com aspecto clerical.

Vejamos de novo o plano de mutação da Igreja do Canônico Roca, clérigo apóstata:

O Concílio do Vaticano (novo), como Cristo que revelou aos seus irmãos um novo ensinamento, não deverá guiar a Cristandade, nem o mundo, na plenitude de outras direções senão aquelas seguidas pelos povos sob a secreta inspiração do Espírito, simplesmente para confirmá-los no modo de vida moderno, cujos princípios evangélicos, idéias e obras essencialmente cristãs, tornam-se, sem que eles o percebam, os princípios, idéias e obras das nações regeneradas antes que Roma cogitasse em preconizá-las. O Pontífice contentar-se-á de confirmar e glorificar a obra do Espírito de Cristo no setor público, e, graças ao privilégio de sua infalibilidade pontifical, declarará – urbi et orbi – que a civilização presente é a filha legítima do Santo Evangelho e da redenção social (Glorieux Centenaire, p.111).”

O grande complô do qual falamos não foi nunca produto da imaginação de complotistas, mas num outro trecho dessa publicação fala até de como deviam operar sorrateiramente nos seminários católicos.

Essa almejada transformação liberal da Santa Sé assim documentada, que era nada mais nada menos que a eleição de um futuro papa segundo o plano da lojas maçônicas, que convocaria um futuro concílio (segundo esses planos), já aconteceu depois da morte de Pio XII. E prevaleceu a nova pedagogia que passou a subverter o culto, a vida e a história cristã.

Haveria então que reconhecer que a descristianização global demonstra que o complô é uma tremenda realidade apocalíptica, embora se realize na indiferença geral. Os seus chefes são nomeados, eleitos e consagrados qual simulacros papais, sem reações adversas na Cristandade.

Uma nova pedagogia subverteu o culto, a vida e a história cristã.

Ora, a Religião revelada é primariamente História Sagrada.

Da Gênese ao Apocalipse são vistos os desígnios divinos concernentes o ser humano e as etapas daquela perene luta do mal contra o bem que se manifesta na história, com resultados bons ou maus segundo os homens acolham ou recusem a Ordem divina com a liberdade que foi dada às suas consciências para o bem.

Portanto, mutilar a história de seu aspecto sobrenatural não significa só privá-la de sentido, mas abolir a própria Religião, e com ela o respeito da razão na sociedade e do fim último do ser humano, que é o culto a Deus.

A real guerra do mundo se resume no complô contra a Cristandade que, para sobreviver, deve preservar a presença do sobrenatural no Santo Sacrifício, enquando que a Revolução para abatê-la procura com todos os meios substitui-lo com um novo culto aberto à gnose ecumenista.

Ora, é fato acertado que uma “cria” dessa secreta revolução modernista, aberta ao naturalismo e ao ecumenismo maçônico e judaizante, foi eleito papa. Trata-se de Angelo Roncalli cujas ideias modernistas apareceram já no seminarista, como seu amigo modernista, o senador Andreotti relata no livro «I quattro del Gesù. Storia di un’eresia» (Rizzoli, 1999).

O complô tocou o culto do Sacrifício divino

A convulsão teve aspectos lacerantes para a alma do sacerdote católico, que se sentiu profundamente ferida na sua mais alta missão.

Mas também havia o aspecto do abandono político da Cristandade.

Pode-se dizer que alguns prelados mais esclarecidos, como Dom Mayer e Dom Lefebvre, compreenderam logo que a Revolução encontrava as portas abertas no Vaticano. Isto se pode entender pelos seus escritos dos anos seguintes. Mas a que ponto estamos hoje?

Um abundante clero traicionalista, que viu o retorno aparente da Santa Missa, mas para outro testemunho, passou a procurar a comunhão com a nova igreja conciliar, que havia «excomungado»  os seus Bispos.

Teriam estes reconhecido Joseph Ratzinger como Papa? Retamente se deve duvidar. Dom Mayer já dizia antes de 1988, para quem queria ouvir,  que estávamos sem papa e no Vaticano sentava um antipapa.

Por seu lado, Dom Lefebvre também já antes de 1988 dizia que Ratzinger não sabia o que era a Verdade e nenhuma colaboração com eles era possível porque querem descristianizar o mundo, e nós queremos cristianizá-lo. Depois escreveu que no Vaticano havia anti-cristos.

Ora, uma vez que se reconhecem os autores da demolição conciliar como papas legítimos, se permanece numa igreja onde a fumaça de Satã e sua rebelião conciliar penetrou para enraizar-se de modo «irreversível»!

Isto é o que procura o aparato ecumenista conciliar.

Isto é o que os dois valentes Bispos denunciaram até o fim.

Bispos D. Mayer e D. Lefebvre

Será que a honra destes Bispos interessa tão pouco o seu clero, ao ponto de desdenhar o sofrido e corajoso testemunho que prestaram?

Ignoram estes que deste modo participam das obras ímpias dos falsários?

(3)Porque ela embriagou as nações com o vinho do furor da sua prostituição. Com ela se prostituíram os reis da Terra. Os mercadores da Terra ficaram ricos graças ao seu luxo desenfreado». (4)Ouvi outra voz que dizia: «Sai dela, meu povo, para que não sejas cúmplice dos seus pecados, nem atingido pelas suas pragas. (5)Porque os seus pecados amontoaram-se até ao Céu, e Deus lembrou-Se das suas iniquidades. (Ap. 18, 4)

Diante de certas contradições alucinantes, dos que se rendem aos poderes do mundo, rezemos para que lúcidas reações de sacerdotes e leigos, ainda fiéis, se multipliquem no testemunho desta conspiração terminal.

Se trata do encanto serpentino do hediondo «complô » contra a liberdade da Santa Madre Igreja e a salvação das almas. Contra esta impiedade, embora isolados, queremos a todo custo testemunhar para que seja exorcizada e possamos viver por fim o triunfo final do Sagrado Coração de Jesus junto ao Imaculado Coração de Maria.

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