Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

Literatura ou posição: “tonteria in action” ou testemunho cristão?

O editor do sito americano Tradition in action (TIA), o brasileiro Atila Sinke Guimarães, tem uma obra extensa de análise que demonstra a pérfida ambigüidade nos documentos do Vaticano II.

Como em 1997 ambos publicávamos livros sobre esse assunto, embora não nos conhecemos pessoalmente, ele enviou-me seu trabalho, In the murky waters of Vatican II, acompanhado de uma gentil missiva, à qual respondi enviando também meu livro em italiano, L’eclisse del pensiero cattolico, e não sei bem se também o outro em francês, L’esprit désolant de Vatican II (Cf. https://promariana.wordpress.com/livros/). Em 1999, escreveu-me de novo para comunicar-me ter redigido um livreto de análise sobre as festividades do milênio, programadas pelo Vaticano.

Respondi esclarecendo a minha posição resistente diante de tudo o que provinha do ecumenista Vaticano conciliar. Mas fiquei sem resposta.

Nem por isto deixo de indicar a sua obra, que cito até no nosso recente livro «Segredo de Fátima ou perfídia em Roma», onde escrevo: “Os erros, ambiguidades e heresias contidas nos documentos do Vaticano II, são analisados e acusados há quase meio século. Só como magro exemplo, veja-se a Bibliografia deste livro. Um autor brasileiro nos EUA tem uma obra de onze volumes («In the Murky Waters of Vatican II and Animus Delendi»), documentando o que se demonstra espantosamente mais grave e extenso do que qualquer desvio herético do passado, devido à sua fonte, de aparente autoridade divina! Sob esse «engano terminal», não só alteraram, mas inverteram, como se constata com o modernismo, o sentido da Fé em todas as direções.”

Todos estes livros alertam contra o veneno destilado pelo Vaticano II.

Venhamos ao presente citando apenas o caso de dois valentes sacerdotes.

 

Os dois sacerdotes lado a lado: à esquerda Padre Basílio Méramo à sua direita Pe. Floriano Abrahamowicz

Os dois sacerdotes lado a lado: à esquerda Padre Basílio Méramo à sua direita Pe. Floriano Abrahamowicz

Trata-se na Itália do P. Floriano Abrahamowicz e na Colômbia do P. Basílio Méramo, ambos proveniente da Fraternidade sacerdotal S. Pio X, da qual foram expulsos de recente, devido às suas claras posições.

Padre Floriano a testemunhou queimando em público o livro do Vaticano II para exorcizá-lo. Padre Basílio, que conheço desde seu tempo de seminarista, há muitos anos escreve contra esses erros e heresias, na contestação de seus autores. No momento, suas cartas interpelando a posição de traição de mons. Fellay em relação às acusações do Arcebispo Lefebvre, são publicadas pela Rádio Cristandad (cf. http://radiocristiandad.wordpress.com/2010/11/08/mas-detalles-sobre-la-censura-a-mons-lefebvre-en-el-interior-de-la-fsspx/) e assim difundidas também pela TIA, mas com a seguinte apresentação de Sinke Guimarães:

Espero que o Padre Méramo, assim como o Padre Abrahamowicz, também expulso em fevereiro – não caian na tentação do sede-vacantismo, mas que lutem como cavalheiros andantes contra o progressismo onde quer que mostre sua cara dentro da Igreja. Resistência significa a não aceitação do erro, bem como a denúncia e oposição a todo ensino dos Papas conciliares, que são contrárias ao Magistério perene e às tradições da Igreja. Porém não mais que isto. Não temos autoridade para julgar a situação jurídica de um Papa que cai em heresia. Rezo a Nossa Senhora Sede da Sabedoria para ajudá-lo a seguir mantendo a posição correta nesta difícil encruzilhada de sua vida. Também oramos por todos os membros da Fraternidads São Pío X clero ou leigos que se enfrentam com tais perplexidades. (Cf. http://www.traditioninaction.org/HotTopics/f032ht_ExpulsionReply.htm)

Assumo esta como resposta tácita e o silêncio em relação também a mim e vou responder claramente para o bem do amigo.

No meio tempo, enviei esta ressalva ao interessado, Padre Basílio Méramo, que me responde breve:

Muchas gracias pero no sé quien es el tal Guimaraes, de todos modos siempre hay un tontito que quiere pontificar de sabio. Que Dios lo bendiga.

Literatura ou posição: tonteria in action ou testemunho cristão?

Não sou o melhor leitor do sito indicado, mas já mais de uma pessoa me indicou aqui na Europa que a posição do seu edidor – o outro brasileiro – deve ser perto da sua. Parece lógico, dizem, pelo que ele escreve.

No entanto vimos que não é assim. Na verdade está longe da recusa da falsa autoridade que passa por católica inoculando o veneno conciliar.

E ainda, quer que as vítimas rezem pelo envenenador oficial e presente porque há que «lutar» como cavaleiros (de triste memória) nessa igreja.

Isto implicaria a cafajestice de quem não beija a mão com o seringão dourado dos poderosos ocupantes do Vaticano.

Com isto Atila Sinke denota bem a sua ligação com a TFP (qual delas?) na sua pompa e circunstância distinta, que quer ser bem apresentada. Mas onde fica o testemunho cristão nessa farsa? Afinal os males não mais se resumem no hórrido comunismo. Há piores venenos numa falsa doutrina religiosa modernista, ecumenista e sinuosamente mundialista.

Sinke Guimarães sabe disto porque de há muito o denuncia e aqui está a perigosa incongruência anti católica: reconhece o veneno junto com a autoridade dos seus ministrantes coroados, que chama de «papas conciliares», mas sem recorrer ao que dita a Lei da Igreja sobre isto.

Pode a Autoridade católica ministrar veneno contra a Fé?

Havia que deixar a resposta a este erudito escritor, que já leu muito e estudou os erros, ambiguidades e heresias do Vaticano II, porque da posição de cavaleiros da Tradição deveria reconhecer o perigo e defender a Igreja de todo ataque externo e interno, ainda mais se acontece em suas cátedras ocupadas.

No entanto certos cavaleiros dum patético trapezionalismo se pronunciam … como se a Igreja, regida pelo Espírito de Deus, pudesse instituir uma disciplina não só inútil e mais gravosa do que pode pode suportar a liberdade cristã, mas também perigosa e nociva que leve à crendice e ao materialismo” (Papa Pio VI, Auctoren Fidei).

Se a verdadeira Igreja não pode errar diante do rigor jansenista, tanto menos do relativismo e do abjecto relaxamento modernista.

Quanto ao Concílio, falam… como se os eminentes Padres a quem Deus confiou a sua Igreja como pastores e doutores, pudessem, sobre um ponto de extrema importância no que tange a constituição da Igreja, ou cair todos em erro, ou tornar-se causa de erro para os fiéis” (Papa Pio VI, Super Soliditare Petrae).

Papa Pio VI

Papa Pio VI

De fato, é de fé que a Autoridade que representa Deus, o Papa católico, não pode servir aos fiéis veneno contra a Fé.

Aqui volta então a questão posta pelo cardeal Seper. Este, chamado em 1980 por João Paulo II para as pazes com mons. Lefebvre, na falsa base de “aceitar o Vaticano II à luz da Tradição”, disse que não era só isso. Havia que escolher entre duas opções ao dizer que o «Novus Ordo de Paulo VI» é protestantizante: – ou isto é falso porque tal rito é perfeitamente católico porque dado por um papa, – ou falso é esse papa! (veja-se o nº extra da revista francesa Itineraires: Mgr Lefebvre et le Vatican).

Pode o católico da Tradição, do «sim, sim, não, não», ficar no trapézio do balanço espiritual numa questão de extrema importância no que tange a vida da Igreja, e portanto a salvação das almas?

Pior ainda. Podem tais trapezistas acusar impunemente os que restam firmes na resposta que segue a Lei da Igreja, além da mais elementar lógica, isto é, da incompatibilidade absoluta entre a heresia e a jurisdição católica? Ora, os clérigos que organizaram um concílio para satisfazer as ideias iluministas e a operação ecumenista, já condenadas pela Igreja, se auto excluíram dela e, como explica São Roberto Bellarmino, não pode ser cabeça quem não pertence ao corpo eclesial, onde vige a unidade em uma só Fé. Todo esse juízo é feito em relação à Fé católica íntegra e pura.

Sabemos que no mundo da mentira, dá-se extrema importância a toda aparência de cavalheirismo e distinção para ser aceitáveis e bem vistos.

Esta não foi a preocupação do heróico Arcebispo Thuc que declarou a Sede vacante, pelas mesmas razões que são muitos a repetir, mas sem chegar à conclusão; oscilam no trapézio do que é aceitável para o gosto do mundo. Será que ele era pouco apresentável para o gosto dos nossos engravatados? Se isto acontece com quem luta pela verdade, como será diante do Juízo de quem é a Verdade, o Caminho e a Vida para os que se envergonham da única Igreja da Verdade que o mundo hostiliza?

Declaração Sede Vacante de Mons. Thuc

Declaração Sede Vacante de Mons. Thuc

Declaração Sede Vacante de Mons. Thuc

À diferença destes, dizemos que toda essa literatura é para a «posição» católica e não o contrário. Além disso, o espetáculo logo termina, e antes que venha a morte, o juízo, o inferno ou o Paraíso, ainda há uma grande prova: o que farão os traicionalistas e os trapezionalistas quando o seu «papa» for chamado ao Tribunal divino? Então todos reconheceremos que a Sede está vacante. Mas aceitarão os fundamentados críticos dos venenos do Vaticano II alguém que continue a ministrá-los em nome da Autoridade de Vigário de Jesus Cristo?

Parece claro que nisto seremos todos julgados, não à luz do que escrevemos com a nossa pobre ciência, mas de nossa fidelidade ou de nossas contradições diante da Fé. Por isto, repito: ninguém pense que tratando destes assuntos polêmicos se deixe de lado o amor pelo próximo na Comunhão dos Santos, que é a Igreja Católica. Bem ao contrário, estes são testemunhos procedentes da Fé íntegra e pura e convergentes ao amor pelas almas, conforme ensina a Igreja de Deus; ensinamentos que tiveram e têm muitos adversários religiosos espalhados num mundo de aparências.

Aqui escrevemos para quem tem fé e se empenha em defendê-la, e cremos que mesmo os trapezionalistas e até os traicionalistas preservam este dom inestimável; talvez até Judas conservou a fé para a sua desgraça.

A questão evangélica é sempre como ser fiel acima e mesmo contra toda aparência, e hoje o engano chegou a ter dimensões finais.

Rezemos para que cada vez mais haja católicos com pensamentos ligados à defesa da Igreja, sem fazer acepção de pessoas, mesmo de aparência angélica ou apostólica (Gal. 1, 5); se trata de mandato divino.

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