Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

Santo Atanásio, Mgr Lefebvre e o Magistério católico

Santo Atanásio

Santo Atanásio

Um amigo argentino, referindo-se a quem vê em Mgr Lefebvre o Atanásio de nossos tempos, escreve que ele, ao contrário, se demonstrou um monumento vivo à contradição:

“San Atanasio habría excomulgado a todos los papas conciliares y posconciliares en vez de crear una secta colgante del trono del Anticristo. ¿No ha quedado en evidencia que se les trató siempre como una secta mendicante de dicho trono?… ¿Qué diría un Atanasio, un Ignacio de Antioquía, un Agustín de Hipona, un Ignacio de Loyola, un Roberto Belarmino de este Lefebvre que aparentaba rechazar al Concilio avalando a sus dirigentes?”
Esta frase, que se conclui com um raciocínio lógico, por ser contraditório e inútil rechaçar o Vaticano II aceitando a autoridade de seus promotores, merece, porém, uma observação prática concernente a Lei da Igreja que é uma das questões sobre a qual vamos discutir neste artigo.

Mas antes disto devemos enfrentar as penosas seguintes questões:

– Podem alguns ver Mgr Lefebvre como modelo de defensor impertérrito da Fé segundo critérios alheios ao que ele mesmo quis, fez e disse?

– Pode-se crer que, após tudo o que se seguiu à iniciativa desse Prelado de consagrar bispos para a sua Fraternidade, sua posição hoje seria igual?

– Pode o critério para julgar a obra de um prelado católico seguir aquela ideia pragmático-modernista dos números e das condições de seu tempo?

– Pode a verdadeira questão, antes de ser concernente ao Magistério, não o ser com relação à legitimidade de quem vai exercê-lo?

Para enfrentar estas questões, que hoje são tanto comuns quanto parecem insolúveis, há que assumir a posição de filhos fiéis da Igreja, enfrentando quem a ataca, mas também quem encontra desculpas para contemporizar. Para isto vamos tomar como exemplo a posição escrita do Ir. Tomás de Aquino, do Mosteiro da Santa Cruz de Nova Friburgo, escusas da qual parte para acusar católicos firmes na conclusão lógica que citamos acima.

Trata-se de dois suplementos, números 3 e 4 de 2009 (sigla TA).

TA:

A questão do sedevacantismo foi levantada por muitos, e Dom Lefebvre, ele mesmo, se perguntou como era possível que um Papa presidisse à destruição da Igreja. “Pois, enfim, um grave problema se impõe à consciência e à fé de todos os católicos desde o pontificado de Paulo VI, dizia Dom Lefebvre numa entrevista concedida ao jornal Figaro em agosto de 1976. Como um Papa, verdadeiro sucessor de Pedro, ao qual não falta a assistência do Espírito Santo, pode presidir à destruição da Igreja, a mais profunda e a mais extensa de toda a sua história, num espaço de tempo tão curto, coisa que nenhum heresiarca jamais conseguiu fazer?” (1) “Temos verdadeiramente um Papa ou um intruso sentado sobre o trono de Pedro? Bem-aventurados aqueles que viveram e morreram sem ter que formular uma tal questão”. (2)

Presenciamos a situação da Santa Madre Igreja dilacerada profunda e mortalmente, como jamais, pela alcatéia de heresiarcas enfiados na sua mesma Santa Sé. Mas como a presidir a devastação está quem senta  no trono de Pedro”, a questão de consciência é tão clara como única, mas fatal:


“Temos verdadeiramente um Papa ou um intruso… Dom Lefebvre não deixou essa pergunta sem resposta?

Se não deixou qual é a resposta católica? Porque para isto temos a Lei de Deus e da Igreja, com a qual, ao contrário do que diz e quer TA, é possível esclarecer inteiramente essa questão, ou melhor, por isso mesmo, o ensinamento infalível [da Lei e] do magistério a esse respeito, a atitude de reserva quanto a essa Lei se impõe só aos fugitivos.

De fato, a nenhum filho fiel interessa saber se o agressor flagela a sua mãe por erro; se o faz sem “usar o seu carisma de infalibilidade” tudo bem… “Por que se escandalizar e dizer: ‘Então ele não é Papa’. Ah não, flagela só por erro, mas com toda a autoridade de papa!

TA está mais preocupado com a sua teoria invertida que com a defesa da Igreja que é devastada. Isto é inversão, porque põe a falsa questão de uma autoridade papal eleita num conclave como absoluto, antes da realidade da destruição da Fé. Como se o conclave, o Papa o clero os Sacramentos e tudo o mais na Igreja não fosse para a Fé. No momento que, por exemplo, Bento XVI justifica um certo uso dos preservativos, questões de fé são envolvidas de modo nefasto. Qual o padre que poderia com seu magistério neutralizar esse erro enorme?

Só Papas verdadeiros podem abater grandes erros, como os de Ario.


“Nós não sabemos até onde um Papa levado por não sei que espírito ou formação, submetido a não sei que pressões ou por negligência pode arrastar a Igreja a perder a Fé, mas nós constatamos os fatos.

Sim, constatam a flagelação e fogem:


“Eu prefiro partir deste princípio: nós devemos defender nossa Fé; eis aí o nosso dever (3).

Pasmem, não só pelo modo de «defender» a Fé, mas pela fonte «magisterial» do novo «princípio fugaz da Igreja» sobre o qual “não há a menor sombra de dúvida”… se trata da nota (3): – o livro de Mgr Tissier de Mallerais!

Qual a fonte indubitável do novo «magistério de princípios fugazes»?


“Mais claramente, Dom Lefebvre se perguntava: pode-se afirmar a heresia formal do Papa? Quem tem autoridade para declarar isso? Quem fará as monições previstas pelo Direito Canônico, necessárias para esta constatação? Além disso, se o Papa não é Papa, em que situação se encontra a Igreja? Quem nos indicará o futuro Papa?

Tal referência magistral de conveniência se reduz «mais claramente» a perguntas sem resposta e sem a menor preocupação de consultar a Lei da Igreja para guiar a própria consciência. Mas como podem responder se fogem à questão sobre a autoria do terrível delito da flagelação da Santa Madre Igreja, que perdura há meio século? Não tinham os Papas advertido sobre o perigo da infiltração assassina na Igreja e tomado medidas para evitá-la? Isto é claro, mas vejamos o que ficou para TA:


Mais uma vez recorramos a Dom Lefebvre, o qual deu provas de uma grande sabedoria em todo o seu combate pela Tradição… Vejamos a sua argumentação: “Não é porque eu digo que o Papa é infiel à sua missão que eu concluo que ele não é mais Papa, ou que ele é herético formal. Eu creio que é necessário julgar os homens da Roma atual e aqueles que estão sob a sua influência, como os Bispos, da mesma maneira como o Papa Pio IX e São Pio X consideravam os liberais e os modernistas. O Papa Pio IX condenava os católicos liberais. Ele tem mesmo esta frase terrível: “Os católicos liberais são os piores inimigos da Igreja”. Que podia ele dizer de mais forte? No entanto ele não disse: “Todos os católicos liberais estão excomungados, fora da Igreja e que é necessário lhes recusar a comunhão.” Não, ele considerava estes homens como “os piores inimigos da Igreja” e, no entanto, ele não os excomungou.

Note-se a malícia de citar uma frase negativa, que não é do Papa, para concluir com a não sentença do Papa:


não excomungou os que ele considerava como “os piores inimigos da Igreja”.

A mesma malícia, agravada, vão aplicar ao Magistério de São Pio X que, na sua encíclica Pascendi, fez um juízo igualmente severo sobre o modernismo, qualificando-o de “encruzilhada de todas as heresias”. Eu não sei se é possível fazer um juízo mais severo para condenar um movimento! Mas ele não disse que todos os modernistas estavam doravante excomungados, fora da Igreja e que era necessário lhes recusar a comunhão. Ele condenou alguns dentre eles.

Chama-se malícia a estudada alteração da realidade para provar o contrário da intenção dos atos desses santos pontífices para defender a Fé. É claro que os inimigos infiltrados não foram excomungados só porque com «diabólica» hipocrisia simularam fidelidade e piedade para enganar os superiores fiéis, embora perante Deus são perjuros desviados que, apoiados e promovidos para mudar a Igreja, como é o caso de Roncalli, perpetraram essa obra com o Vaticano II. Mas qual é a conclusão dos nossos enrustidos tradicionalistas que, de uma premissa invertida, deduzem uma 2ª posição sábia de Mgr Lefebvre:


“Assim também, eu penso que, como esses dois Papas, nós devemos julgar severamente os modernistas, mas não devemos considerá-los necessariamente como estando fora da Igreja. Esta é a razão pela qual eu não quero seguir os sedevacantistas que dizem: “Eles são modernistas; o modernismo é a encruzilhada de todas as heresias; logo os modernistas são heréticos; logo eles não estão mais na comunhão da Igreja, logo não há mais Papa…” Não se pode formular um julgamento de uma lógica tão implacável. Há paixão e um pouco de orgulho nessa maneira de julgar. Julguemos estes homens e os seus erros como os Papas eles mesmos o fizeram. O Papa é modernista. Isto é evidente, como são também o cardeal Ratzinger e vários homens próximos do Papa. Mas nós devemos julgá-los como os Papas Pio IX e São Pio X os julgaram”. (Revista Fideliter – n°57 – maio de 1987, pág. 17). Eis aí a posição de Dom Lefebvre. Ela é luminosa e nos ajuda a compreender como a Fraternidade São Pio X pode combater o modernismo de Bento XVI e ao mesmo tempo tratar com ele. Situação difícil, sem dúvida, mas atitude realista que concilia o amor da verdade e o amor das almas que é preciso converter, a começar pela do próprio Papa.

Aí está a nova fonte do tal «magistério prudencial» com o qual se afastam não só do verdadeiro Magistério, mas da lógica. Pelas palavras que usam ao fazê-lo, vem a dúvida que ignorem o que seja a probidade católica. A este ponto é evidente que são estes mesmos textos a responder às penosas questões que colocamos no início deste breve escrito, isto é:

– Mgr Lefebvre, apesar de suas qualidades pessoais e de sua obra parcial, não é modelo de defensor da Fé por falta de critérios ligados de forma firme e contínua à Lei da Igreja, de cuja existência e aplicação para o terrível caso atual ele mesmo demonstrou duvidar, segundo disse uma vez e não disse outras vezes. – É lícito, porém, crer que após tudo o que se seguiu à iniciativa desse Prelado de consagrar bispos para a sua Fraternidade – porque há no Vaticano anticristos que destroem a Igreja –  sua posição hoje seria outra.

– Todavia o critério para julgar a obra de um prelado católico não pode ser a ideia pragmático-modernista dos números e das condições de seu tempo, para ordenar e consagrar o maior número possível de padres, mesmo falhos na Doutrina e na intenção de enfrentar a flagelação da Igreja. O resultado se constata na confusão de certo clero que não se ocupa do verdadeiro problema da autoridade na Igreja, segundo a sua Lei, mas dizem que o papa pode ser um herege modernista que destrói ordinariamente a Fé!

Se assim fosse, estavam errados todos os grandes santos da Igreja. Exorbitou o corajoso Atanásio e os outros heróis, mas especialmente os grandes Papas: – São Leão II, que anatemizou o Papa Honório I depois de morto por não ter defendido a Fé imaculada da Igreja, ainda que o fez em cartas «sem a nota da infalibilidade». E  Paulo IV, que deixou claro para sempre que o eleito papa, de quem depois se soube ser previamente afeto de heresia, nunca foi papa e sua eleição foi nula, mesmo se aprovada pela unanimidade dos cardeais.

A verdadeira questão é posta assim sob a cama com a desculpa que se o flagelo dos inimigos modernistas não concerne o Magistério infalível não há relação entre as chagas causadas pelos escândalos e heresias e a legitimidade de quem as provoca! Na verdade, se a questão do condom está ligada ao condenado Modernismo, do direito à liberdade de consciência do Vaticano II, isso vem demonstrar mais uma vez que Ratzinger, que o implementa, nunca foi papa elegível.

Ora, Mgr Lefebvre esteve diante de «papas» afetos pelo menos da heresia modernista e que por isto não só deixaram de defender a Fé imaculada, mas eles mesmos tentaram corrompe-la, evitando tocar na nota da infalibilidade até no concílio que apelidaram ecumênico! Pode ser este o critério para reconhecer a fé de quem despreza o dogma da infalibilidade, do mesmo modo que o faz o mundo. Como reconhecê-los com os critérios de Dom Lefebvre que num dia via a presença de anticristos no Vaticano e no outro queria interpretar à luz da Tradição as heresias destes verdadeiros vigários do Anticristo?

Portanto não se pode, em plena sanidade mental e fiel, vangloriar-se de seguir Dom Lefebvre, calando para isto, qual de seus divergentes caminhos e declarações convêm seguir para continuar no silêncio.

TA começou pela questão de saber se quem senta no Vaticano é realmente papa e acabou por deixar tudo como antes de modo que os anticristos continuem a flagelar mortalmente a nossa Santa Madre Igreja com suas imposturas.

Só resta uma observação prática a fazer concernente à Lei da Igreja e às questões discutidas a partir das palavras do amigo argentino: São Atanásio não precisava excomungar todos os papas conciliares e posconciliares, bastava excomungar o primeiro e os outros que seguem a hermenêutica da continuidade modernista nunca deviam ser reconhecidos papas pelos católicos. Agora, como vimos nestes patéticos suplementos, até o decorrer de um longo tempo desde que estas tremendas realidades foram encobertas, serve de argumento para a continuação «legal» de um «papa herético»:


Como poderá ele (um papa) ser designado se não há mais cardeais, já que o Papa atual não é Papa e portanto não pode criar validamente novos cardeais? E Dom Lefebvre conclui: “Este espírito sedevacantista é um espírito cismático”. E ainda: “A visibilidade da Igreja é por demais necessária à sua existência para que Deus possa omiti-la durante décadas” (4).

Se a «visibilidade da Igreja» destes tradicionalistas depende da presença de um papa herético, deve-se concluir que eles também passaram, como o fizeram os vários traicionalistas à la Rifan, à essa nova igreja proposta pelos seguidores do 2º Mgr Lefebvre, que um dia, para interpretar o Vaticano II à luz da Tradição, chegou a dizer:

“Por essas razões… “Eu não posso admitir que, dentro da Fraternidade, alguém se recuse a rezar pelo Santo Padre e, portanto, se recuse a reconhecer que há um Papa. Seria entrar num caminho que é um impasse. Eu não quero conduzir os senhores a um impasse, pôr os senhores numa situação impossível” (5).

Dito e feito: a situação impossível se perpetua neste mundo e a situação de fidelidade se agrava na sua Fraternidade até em relação à escolha mais «possibilista» do seu fundador excomungado.

Isto devia ser o suficiente para inspirar maior seriedade aos defensores de uma posição que leva a tais loucuras, pondo em risco certo a salvação eterna de suas almas, e de muitas outras.

Como é de Fé que o poder do Papa católico vem, não da Igreja e dos cardeais reunidos em conclave, mas imediatamente de Deus mesmo, há que tornar o quanto antes à Sua Lei e à de Sua Igreja, a fim de evitar a blasfêmia pela qual seria Deus mesmo a autorizar o poder de um Seu representante para “presidir à destruição da Igreja, a mais profunda e a mais extensa de toda a sua história, num espaço de tempo tão curto, coisa que nenhum heresiarca jamais conseguiu fazer”.

Eis a contradição desvairada que deve ser sanada para a honra da Santa Madre Igreja e para a glória de Deus.

Notas do magistério lefebvriano

1- Mgr. Tissier de Mallerais – Marcel Lefebvre, éditions Clovis, pág. 515; 2- Ibidem – pág.533 ; 3- Ibidem – pág.534 ; 4- Ibidem – pág. 536; 5- Ibidem – pág. 536.

Depois do fim (41).

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