Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

A RÚSSIA NA PROFECIA POLÍTICA DE FÁTIMA

Nossa Senhrora de Fátima e a Rússia

Arai Daniele

O sentido cristão da política

Todos os povos em todos os tempos, assim como a grandíssima maioria dos vivos, sabem que a natureza em si não é suficiente para explicar ao homem que a existência humana é ligada a um fim que transcende a vida terrena. Não há, pois ciência, filoso­fia, história ou política por si mesma, de natureza puramente terrena, leiga.

Não há dúvida que a razão possa, com as suas especulações, analisar os fenômenos relativos ao corpo, mas, justamente porque incapaz de captar a essência da alma, ela não consegue explicar o homem no seu todo.

A fisiologia, a psicologia e a sociologia são impotentes para explicar o destino da vida humana. Não há em nós uma só faculdade que não esteja ligada a um terminal espiritual, de modo que a harmonia do natural com o sobrenatural na criatura humana frutifique neste mundo. Qualquer filosofia que preten­da determinar o fim do homem por meio só da razão é destinada à falência. Por conseqüência, o homem deve guiar a sua vida pessoal e seguir uma política social seguindo, não só a mortiça luz das ciências naturais, mas a intensa luz dos sinais sobrenaturais.

Na sociedade moderna, domina a ideia agnóstica pela qual toda ciência deve libertar-se do sentido sobrenatural que, se existe, deve ficar confinado no fundo das consciências. Mas se é impossível conhecer o homem na sua totalidade sem o auxílio da luz revelada, como seria possível explicar a sociedade sem recorrer à mesma luz que ilumina a natureza e o destino humano? A sociedade, soma de seres humanos, não pode ter um fim alheio ao homem. Por isto tal domínio agnóstico, gerando políticas para governar o mundo, que são ignaras da natureza humana, conduzem a um resultado cada vez mais deletério. Não se escapa, a história da sociedade humana se descortina no palco no qual se manifesta o sobrenatural, seja quando a doci­lidade dos povos à Fé consente que sobre apetites materiais prevaleça tal princípio, seja quando este é ignorado pelo abuso da liberdade, causador do declínio das nações e do suicídio dos impérios.

A este ponto os cristãos deveriam entender que, se o Cristianismo representa a verdade completa, como cremos, a história das sociedades deve ter sentido cristão para ser decifrável. E todo sistema político, se privado de uma visão de ordem sobrenatural, é fundado sobre as areias movediças de ideologias que depravam o destino ideal do homem e da sua sociedade. É assim que a iníqua política de uma polis, roída por rebeliões e revoluções contrárias à ordem cristã, inocula os germes da «nova ordem» no mundo.

Representa a Profecia de Fátima uma intervenção política?

Seria ideia abstrata que a política, no sumo objetivo do bem na polis humana, permeasse a Profecia de Fátima? Só seria abstrata se não fosse atinente, no modo mais espantoso, a uma trágica hora da humanidade.

O Cristianismo é a Religião da intervenção divina no mundo; da intervenção evangélica de Cristo, por vezes velada, por respeito à liberdade humana, criada à imagem divina, e certamente ordenada à elevação e redenção das almas espirituais. Na visão deste desígnio de intervenção divina no mundo, conhecemos a mesma fé da Religião de Deus encarnado.

Vejamos agora quanto tudo isto se coaduna com a visão do Evento de Fátima, lembrando que a fé católica não ignora nem prescinde dos termos de razão. A Deus é devido “um culto racional”, ensina o Apóstolo (Rm 12, 1) o que é confirmado pelo Concílio Vaticano I (Const. Dei Filius).

Há então certamente uma relação entre este culto e a política, razão pela qual São Pio X havia proclamado o «Instaurare omnia in Christo».

São Pio X

São Pio X

Para restaurar tudo em Cristo a Igreja prevê operações políticas no seu mais alto sentido. São Pio X, com a sua habitual firmeza e clareza, no seu primeiro Consistório de 9 de novembro 1903, um mês depois de sua primeira memorável Encíclica, responde a isto de maneira afirmativa e em termos de valor doutrinal.

“O que é a Política senão a aplicação da lei moral à vida civil e social dos povos e das Nações? Portanto, o Papa que é Mestre supremo da lei moral no mundo, ocupa-se também de Política. É um seu direito e um seu dever.”

O Papa se ocupa de Política, não à maneira dos homens de partidos, mas tendo em vista o bem de toda a humanidade; teria, isto sim, feito a Política de Jesus Cristo.

Atenção, aqui pode inserir-se um duplo erro: 1º- da disjunção da intervenção de Jesus daquela de Sua Santa Mãe; 2º- do «Milenarismo». Ambos têm aspectos sutis, mas consequências deletérias para a Fé de Igreja.

A Consagração da Rússia na «política» de Nosso Senhor

Os termos da Profecia de Fátima foram expressos por Nossa Senhora, mas são ditados por Nosso Senhor; é Ele que interveio e intervêm no mundo humano através de meios ordinários e extraordinários. Estes últimos são os milagres e aparições – com o concurso e mediação de Maria.

Os meios ordinários são atuados através da Sua Igreja com o Seu Vigário e Apóstolos, e o Seu Sacerdócio para os Sacramentos que instituiu, tudo  para a santificação dos homens e a salvação das almas. Para isto serve a «política» de Jesus Cristo, ordenada à defesa e difusão de Sua Igreja.

Voltando à Profecia de Fátima, constatamos que esta estava em perfeita conformidade com o pedido de Bento XV também na explicação implícita do desígnio divino que determinou a grandiosa resposta ao Papa. Sim, porque este Papa se aplicara em modo especial à difusão da verdade de Fé, ainda por dogmatizar, da Mediação universal de Maria Santíssima.

E Fátima foi a aparição de Maria Medianeira de todas as graças em resposta ao pedido do Papa, para que toda a Igreja com todos os seus bispos recorram a Jesus através da Rainha da Paz usando a invocação, ordenada pelo pontífice a fim de que pelos séculos se preste glória ao poder de intercessão e triunfo de Maria.

Ora, acontece que sempre foram enormes as dificuldades para atender ao pedido, porque na Igreja ia se perdendo o sentido da intercessão de Deus na vida do mundo, que é a essência da Religião do Verbo encarnado.

Assim, anos mais tarde a vidente Lúcia confirmará esse desígnio com a ex­plicação dada por Nosso Senhor sobre a razão pela qual não operaria a conversão da Rússia sem que o papa fizesse a consagração pedida:

“Porque quero que toda a Minha Igreja reconheça essa consagração como um triunfo do Coração Imaculado de Maria, para depois esten­der o Seu culto e pôr, ao lado da devoção do Meu Divino Coração, a devoção deste Coração Imaculado.” (Documentos de Fátima, P. A. Martins, p. 415).

Tudo isto está não só em conformidade com o modo em que foi pedido pelo Papa, mas também com a linguagem de sempre da Igreja. Há continuidade de fé com mensagens dadas aos san­tos de eras precedentes e íntima ligação entre os pedidos do Sagrado Coração de Jesus e do Imaculado Coração de Maria. Ambos seguem de perto o curso dos eventos históricos.

Sobre isto é surpreendente o que se ouviu referente ao rei da França.

Assim como é extraordinário o elo entre Fátima e o Apocalipse, fato prenunciado também por santos anteriores às majestosas aparições de Maria SS., como é o caso de São Luís Maria Grignion de Montfort.

 

São Luis Grignon de Montfort

Estátua de São Luis Grignon de Montfort

 

Quanto à atinência da Profecia de Fátima ao momento histórico, no mundo e na Igreja, é a sua razão mesma e deve ser vista em plena extensão.

Quero que toda a Minha Igreja reconheça essa consagração como um triunfo do Coração Imaculado de Maria.

É claro que estas palavras, que exprimem uma vontade divina, são uma «instrução» para que os católicos assumam uma posição livre, mas necessária. Esta pode ser chamada de «política» porque concerne a Rússia, nação vítima de um atroz e falimentar regime ateu e materialista.

Muito se discutiu sobre o possível engano da Irmã Lúcia ao referir a palavra «consagração», como foi o caso do P. de Nantes da CRC, achando que havia inversão de palavras: consagração no lugar de conversão.

O mundo deveria ficar admirado com a «conversão da Rússia», antes de saber como isto foi possível? Não poderia ser na ordem contrária? Isto é, que o mundo ficaria admirado pelo retorno do Papa católico que, fazendo a «consagração da Rússia», como Nossa Senhora pediu em Fátima, obteve o milagre dessa «impossível» conversão à Igreja Católica? Porque na verdade foi essa fé que “move montanhas”… e nações, que Jesus pediu e pedirá sempre aos homens; nos nossos tempos, através da Virgem Maria.

Pode-se crer que o modo como Bento XV entendia a Mediação de Maria incluísse uma intervenção miraculosa na história humana, como já havia acontecido com a “política” de Joana d’Arc na história da França?

À esta luz pode-se entender o dilema de Bento XV, que pediu a ajuda de Nossa Senhora, mas depois não entendeu a resposta que teve em Fátima.

De um lado, movido pelo Espírito de piedade, acreditava que a intercessão da Mãe de Deus pudesse mudar a história, mas do outro retinha a sua confiança no intimo da própria consciência, evitando que uma visão piedosa pudesse prevalecer em questões sobre as quais a rigorosa e hierática teologia romana não se havia ainda pronunciado, como não o fez até hoje.

O conhecido mariólogo P. Gabriele Roschini coloca a questão de fé nos seguintes termos: “É discutido se na mediação mariana, além da causalidade moral (aquela de intercessão), se possa admitir também a de causalidade física instrumental [aquela de intervenção?] (Dizionario di Mariologia, Studium, Roma, 1961, p. 349; EC, v. XIII, p. 576). A questão, de enorme importância em vista das grandes aparições marianas do século XIX, não concernia talvez em primeira pessoa o Vigário de Jesus Cristo? Porque assim foi com as aparições de Nossa Senhora em La Salette, Lurdes e Fátima. (veja-se «Entre Fátima e o Abismo»).

Esta dificuldade em reconhecer plenamente intervenções sobrenaturais, às quais apenas se aplica uma vaga (e rendosa) piedade popular, acarreta o triunfo do naturalismo, até no âmbito católico que, associado às tramas maçônicas do mundo, desacredita a “política” espiritual da Igreja. De fato, como é possível que a sua hierarquia, depois de ter sido fortificada por um sinal divino não se empenhasse em reconhecê-lo para segui-lo? Que sentido tem representar Jesus Cristo, mas não perscrutar o Seu desígnio? Poderia esta lacuna restar sem consequências? Ou, ao contrário, comportar uma próxima eliminação do Papado por um tempo (visão do Segredo), até que se cumpra a vontade:

que toda a Minha Igreja reconheça essa consagração como um triunfo do Coração Imaculado de Maria.

Pode o evento extraordinário de Fátima não estar ligado a este desígnio divino, que se revela a razão mesma da profecia de Fátima? Em outras palavras, ter ignorado esse profético desígnio divino numa hora tão crítica para o mundo e para a Igreja não terá sido a causa do colapso católico, sem precedentes na história? Tal dúvida pesa sobre os pontificados que vão de Bento XV a Pio XII. Que conseqüência podia isto ter senão o degrado espiritual e clerical que seguiu e acometeu justamente o Papado?

Jesus revelou à Irmã Lúcia, já em 1930 que os Seus ministros acabariam por seguir o destino do Rei da França e hoje a Hierarquia está decapitada.

A falta de definição da Igreja numa questão tão importante, como seja a Mediação universal de Maria, que faria entender melhor as intervenções marianas no mundo, pode indicar o desalento atual do pensamento cristão, oscilante entre teorias e realidades não esclarecidas pela teologia católica. Quando definha a percepção sobrenatural, o mesmo ocorre com a natural. “Se Deus não vigia sobre a cidade, em vão vigiam os seus guardiães”.

O nome da Rússia na Profecia de Fátima

Ainda hoje, deve-se dizer, não foi suficientemente avaliada a presença do nome Rússia na Mensagem de Fátima. No início, aquele nome, estranho aos pastorinhos, foi motivo de surpresa: seria Rússia talvez a mulher má de cabelos vermelhos? Talvez a mula russa do tio Joaquim. Assim, fica claro que as crianças não inventaram esse nome, atestando desse modo a autenticidade das palavras reveladas. Quanto aos erros espalhados pela Rússia, não deixa dúvida que se tratava da revolução comunista acontecida dias após a última aparição de 13 de Outubro 1917? Mas porque Nossa Senhora se ocupou da Rússia e não da Alemanha ou dos Estados Unidos da América, que intervinham então na Grande Guerra de 14-18 na Europa, que foi um massacre indizível? E porque na previsão da “Guerra pior”, del 39-45, não foi mencionada a potência nazista, cujo poder havia superado o da União Soviética? Todas estas forças se combateram com imensas perdas, mas resta que o inimigo comum era um: a Cristandade!

Hoje, com a profecia ainda suspensa no seu acolhimento e promessa, qual nome permanece ligado ao futuro da Cristandade senão o da Rússia, que se converterá? Quando essa união de uma Europa miseravelmente ecumenista que, à imagem e semelhança dos EUA, se revela alheia à ameaça de demolição da Cristandade duramente ferida pelas duas grandes guerras, que poder terreno pode ainda defende-la diante do Islão que avança? Um estudo apenas de cunho político indicará que este poder seria a Rússia.

Se trata de uma grande nação que, depois de ter padecido sob a tirania do infernal império ateu,… “conservando escondidas as próprias icônes cristãs e marianas na espera de tempos melhores… ”, como havia previsto o Papa Pio XII com a sua parcial consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria no dia 31 de Outubro de 1942 e depois em 1952.

Hoje ali estas imagens sagradas são levadas em grandes procissões para  testemunho de uma Cristandade imbatível por nenhuma potência.

 

Rússia – um novo império cristão?

É preciso lembrar que no campo político, visto ser a paz a tranqüilidade na ordem (Santo Agostinho), o plano ideal de paz deve ser ordenado ao direito natural e divino e este, a sua vez, deve ser sustentado por um poder terreno. Santo Agostinho a tal respeito reconhecia a importância da preservação da Ordem Romana. Hoje, nos tempos da grande apostasia, a qual império um cristão deveria volver o olhar? Àquele da nova ordem ecumenista e americanista; poder sem fronteiras reais que só o utopismo mação das nações unidas pode tentar em vão de justificar?

Surpreenderá a muitos, mas não aos verdadeiros católicos que conhecem a Profecia de Fátima, saber que esta encerra um plano divino para os nossos tempos em que consta o nome da nação mais ligada à futura paz mundial: a Rússia convertida. Tal plano, que traz o sinal da sabedoria divina, não  deveria guiar os projetos dos homens da Igreja para o bem do mundo?

O verdadeiro ecumenismo não concerne talvez, mais que tudo, o diálogo Roma-Moscou? Não é o que tinham em vista os papas do século passado?

Para tal fim, São Pio X havia conferido poderes e privilégios patriarcais a um dos maiores bispos católicos orientais, o conde Andrei Septyckyj.

Ge­nial apóstolo do ecumenismo, amigo do filósofo russo Vladimir Solov’év, pela sua importante ação na defesa da nação ucraniana foi preso pelos russos de 1914 a 1917, quando foi libertado pelo governo Kerensky.

A este intrépido pastor se deveria dar mais atenção, porque foi exemplo de dedicação, mente e coração ao verdadeiro ecumenismo católico, que cedo ou tarde deverá beneficiar toda a humanidade. Foi uma das tarefas também do saudoso Padre Alessio Ulisse Floridi, S.J., morto vinte anos atrás em Roma (Albano). Formado no Russicum, ele também dedicou a vida ao desígnio divino da conversão da Rússia. Mas para que a Rússia se converta, antes é necessário que a mesma Roma se converta exorcizando os males do indiferentismo apóstata suscitado pela insídia ecumenista planejada pelos pastores iluministas do maldito Vaticano II; antes é necessário que Roma volte a ser profundamente mariana como Deus quer.

Eis a “política” esquecida por obra da miserável operação conciliar, a favor de uma nova desordem ecumenista mundial.

Esta mais alta política, mesmo sem considerar a sua excelsa origem, impõe-se pelo seu profético e sábio realismo histórico.

É hora, portanto, que mesmo os católicos que não entenderam ainda a importância para o mundo futuro da “política” transmitida aos pastorinhos por Nossa Senhora de Fátima, considerem a história recente, para reconhecer esta oferta para o bem da humanidade, cuja palavra chave é “conversão”; é convite para a volta à Fé que pode restituir a ordem às nações neste mundo e salvar uma infinidade de almas para o outro.

 

 

Nossa Senhora de Fátima, Imaculado Coração de Maria

Imaculado Coração de Maria, sede a nossa Salvação!

 

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

AMOR DE LA VERDAD

que preserva de las seducciones del error” (II Tesal. II-10).

Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

Radio Spada

Radio Spada - Tagliente ma puntuale

Catholic Pictures

Handmaid of Hallowedground

Hallowedground

Traditional Catholic Visualism

Acies Ordinata

"Por fim, meu Imaculado Coração triunfará"

RADIO CRISTIANDAD

La Voz de la Tradición Católica

%d blogueiros gostam disto: