Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

PARA ENTENDER DONDE VEM O Verbo DE BENTO 16

Rahner e Ratz

Vamos partir da atual visão conciliar de Bento 16 com o resumo da Rádio Cristiandad (11.3.2011), seguido duma breve ponderação sobre a Revelação divina comparada com a «Constituição dogmática Dei Verbum» (DV), e um comentário sobre a nova orientação do Vaticano II para esta Nostra aetate.

En su nuevo libro, Benedicto XVI quiere encontrar al “Jesús real” –Invita a usar más el método de interpretación del Vaticano II

Hemos estado desconociendo al Cristo Real… ¡Hasta ahora!

Nos encontramos ante una exégesis (la interpretación de la Sagrada Escritura) que comunica la esperanza de “encontrar a Jesús y creer en Él”. Aplica las indicaciones del Concilio Vaticano II en la Dei Verbum – no suficientemente exploradas -, y cita recientes publicaciones alemanas… explica su método en el prólogo. Cita autores (de los que hace rigurosamente referencia en una bibliografía abundante): Martin Hengel, Peter Stuhlmacher y Franz Mußner, quienes le han “confirmado explícitamente en el proyecto de seguir” este trabajo y “de acabar la obra iniciada”: “un precioso aliento”. Evoca también el “Jesús” publicado en 2008 por el que él llama un “hermano ecuménico”, el teólogo protestante Joachim Ringleben. Subraya que entre los dos libros hay una “profunda unidad en la comprensión esencial de la persona de Jesús y de su mensaje”. Cita también el libro de crítica bíblica de Marius Reiser, de 2007 del que recoge “indicaciones relevantes para las nuevas vías de la exégesis, sin abandonar la importancia que siempre tiene el método histórico-crítico”.

Armonizar dos métodos de interpretación

Benedicto XVI, de hecho, subraya los frutos del método histórico-crítico, el estudio de las Escrituras a la luz de las circunstancias históricas. “Una cosa me parece obvia: en doscientos años de trabajo exegético la interpretación histórico-crítica ha dado ya lo que tenía que dar de esencial”. Pero para que la exégesis pueda renovarse, el Papa considera que es necesario que dé “un paso metodológicamente nuevo volviendo a reconocerse como disciplina teológica, sin renunciar a su carácter histórico”. Propone pasar de una “hermenéutica positivista” a una “hermenéutica de la fe”, desarrollada de manera correcta”, de manera “conforme al texto”, uniéndose a una “hermenéutica histórica, consciente de sus propios límites para formar una totalidad metodológica”… “Esta articulación entre dos géneros de hermenéutica muy diferentes entre sí es una tarea que ha de realizarse siempre de nuevo”, afirma el autor.  Modestamente reconoce: “No pretendo afirmar que en mi libro esté ya totalmente acabada esta integración de las dos hermenéuticas. Pero espero haber dado un paso en dicha dirección. En el fondo, se trata de retomar finalmente los principios metodológicos para la exégesis formulados por el Concilio Vaticano II (cf. Dei Verbum 12), una tarea en la que, desgraciadamente, poco o nada se ha hecho hasta ahora”…

“Podría decirse, exagerando un poco, que quería encontrar al Jesús real”. El “Jesús histórico” que presentan algunos teólogos y exegetas “es demasiado insignificante”, “está excesivamente ambientado en el pasado para dar buenas posibilidades de una relación con Él”… llegar a la certeza de la figura realmente histórica de Jesús”. »

Sobre o método “histórico-crítico” conciliar.

O grande e lamentável resultado desse método está aqui – na «hermenêutica ratz-hegeliana» sobre Jesus Cristo histórico, além de outras interpretações conciliares das Sagradas Escrituras que descreveremos abreviadamente.

Dei Verbum’: abertura ao revisionismo da Transcendência

Deus revela Si mesmo e a Sua Vontade para que o homem seja, à sua imagem e semelhança, sujeito de bem e de harmonia divina na ordem terrena. Mas o homem, que é livre também de desviar-se deste desígnio, como aconteceu na prova original, não consegue compreender o que o transcende; precisa recebê-lo e a ele responder segundo um princípio que vai além da mente. De fato o conhecimento revelado pressupõe o influxo sobre o homem de um princípio cognoscitivo ‘novo’, pro­veniente não “da carne ou do sangue”, mas de Deus (Mt 16, 17): é a virtude teologal da fé, “sem a qual não se agrada a Deus” (Hb 11, 6), porque Deus revelou-se ao ser humano para dele receber uma resposta fiel.

Dei Verbum’: abertura ao revisionismo da Tradição

A Palavra divina é manifestada à inteligência e livre vontade do ser humano que, conhecendo a própria ignorância e dependência na ordem universal, volta-se para a In­teligência de tudo, Causa da criação, para conhecer o segredo da sua origem e do seu fim, para ser guiado ao seu bem.

Deus revela Si mesmo e a Sua Vontade para que o homem seja, à sua imagem e semelhança, sujeito de bem e de harmonia divina na ordem terrena. Mas o homem, que é livre também de desviar-se deste desígnio, como aconteceu na prova original, não consegue compreender o conhecimento que o transcende; precisa recebe-lo e a ele responder segundo um princípio que vai além da mente. De fato o conhecimento revelado pressupõe o influxo sobre o homem de um princípio cognoscitivo ‘novo’, pro­veniente não “da carne ou do sangue”, mas de Deus (Mt 16, 17): é a virtude teologal da fé, “sem a qual não se agrada a Deus” (Hb 11, 6), porque Deus revelou-se ao ser humano para dele receber uma resposta fiel.

O ‘mistério da iniquidade’ humana se manifesta igualmente na Igreja, levantando idéias, dúvidas e revisões da Palavra divina, segundo o juízo próprio, imanente, para relativizar a transcendência absoluta de Deus ao mundo, elevando a inteligência do homem que “se oporá e se elevará sobre tudo o que se chama Deus, ou que é adorado, de sorte que se sentará no templo, apresentando-se como se fosse Deus” (cf. 2Ts 2, 4).

Ora, pode parecer que tal iniquidade só é atribuível a homens que atacam abertamente a verdade e a importância da Revelação. Não é assim. O mal pior é sempre sorrateiro, interno, de aparência semelhante ao bem. Eis que as S. Escrituras e S. Paulo avisam os fiéis que o espírito anti-crístico prepara o maior engano para romper a comunhão entre o Criador e a criatura, corromper a Fé em Jesus Cristo e celebrar a idéia de Cristo não rei mas servo, no próprio Lugar santo. Onde, senão numa falsa Igreja, que usa o nome do único Magistério divino para ensinar uma fé pluralista? Muitas vezes quis-se descrever o Anticristo como um chefe popular. Mas, em que outro lugar pode-se manifestar a suprema iniquidade da falsificação da doutrina do Verbo divino se não onde deve estar a suprema fidelidade a Deus em terra, isto é na Sua Igreja? O que seria se homens ensinassem seus erros iníquos cobertos pelo carisma do Evangelho? Mas S. Paulo lembra que o engano infeta somente quem não abraça a Verdade com amor (2Ts, 2, 10). E a primeira verdade é a absoluta glória de Deus. “Todas as intenções, obras e méritos dos Santos se referem à glória e louvor de Deus, a quem só pode agradar o que Ele mesmo suscita” (Concílio de Efeso, cap.V). 

O revisionismo da Revelação consiste em que, de um lado se queira cientificamente restringi-la à algumas verdades salvíficas, do outro se pretenda ecumenicamente que suas indefinidas e múltiplas sementes sejam esparsas por todo lado, formando religiões com diferentes quotas de verdades.

Há que distinguir atitudes opostas diante de Revelação:

– religiosa, que reconhecendo a sua natureza teândrica, inteiramente de Deus para o homem, sabe que ela contem muito mais do que se possa entender, razão porque a atitude correta, que não dispensa todo recurso das ciências humanas para melhor reconhece-la, é de contemplação e aprendizado através dos seus instrumentos: dos evangelistas à autoridade magisterial de interpretação;

– irreligiosa, que a analisa como um relato humano sujeito à influência dos tempos, dos mitos, das culturas, das linguas, do gráu de ‘maturidade científica’ de seus autores e também do contexto social de seus leitores: o texto é um produto cultural humano;

– modernista, que pretende combinar as duas: diz aceitar a posição religiosa, mas põe reservas à sua integridade inspirada. Ao invés da atitude receptiva do fiel assume outra, discursiva, para torna-la aceitável aos homens no que tange a necessidade dos tempos, e para tanto passa ao recurso das ciências para usar os seus mesmos termos segundo um seu programa: é a atitude androdeísta.

Quanto à Religião católica, segundo o espírito da DV, para decodificar suas verdades simbólicas selecionando as salvíficas, teriam de pronunciar-se especialistas cujas conclusões devem sobrepor-se às do Magistério que declarou a inerrância das Sagradas Escrituras; o novo magistério deveria ser aggiornato pelas ciências humanas!

Cabe reconhecer que os exegetas católicos, naturalmente anti-modernistas, conseguiram com um árduo empenho evitar que na Dei Verbum fossem introduzidas heresias explícitas. A luta deles continuou no pós-Vaticano II, seja diretamente contra as heresias contrárias à exegese católica, que agora têm livre curso, seja contra quem interpretava a DV em sentido herético. Mas vai nisto um erro de método. De fato, para saber se o problema da DV reside na sua interpretação errônea, é preciso conhecer a sua interpretação autêntica; isto é do autor a quem se atribui o texto, e sabendo que os textos do Vaticano têm por intérprete quem está à cabeça da Igreja conciliar, a sua é a interpretação autêntica. Se esta não está em discordância com o documento quer dizer que o problema é outro: está no seu próprio conteúdo.

A revolução semântica

A Pascendi condena, 12: … “Não é talvez revelação, o sentimento re­ligioso que manifesta-se despontando na consciência? Não é revelação o apa­recimento, ainda se confuso, de Deus nas almas pelo mesmo sentimento re­ligioso? Acrescentam aliás mais ainda, que sendo Deus tanto objeto como causa da fé, a dita revelação é ao mesmo tempo de Deus e provinda de Deus; isto é, tem Deus tanto como revelante como revelado. Daí, veneráveis Irmãos, vem aquela deveras absurda sentença dos modernistas que toda religião, segundo o seu prisma particular, deva ser dita igualmente natural e sobrena­tu­ral. Daí a confusão de atribuir significado igual entre a consciência e a revela­ção. Daí a lei pela qual a consciência religiosa se dá como re­gra universal, para aplicar-se a tudo de par com a revelação e sob a qual todos tem a obrigação de submeter-se, sem exclusão da mesma autoridade suprema da Igreja, tanto quando ensina, quanto se legifera em matéria de culto ou de disciplina.”

Bento XV com a enc. Spiritus Paraclitus (15/9/1920) confirma, reafirma e amplia a síntese doutrinal de Leão XIII, lamentando que “alguns eclesiásticos e professores de ciências sagradas que, baseando-se orgulhosamente no próprio juízo, opuseram-se ao magistério da Igreja sobre esse ponto”. […] “afirmam sim que a inspiração estende-se a todas as frases, aliás até mesmo a todos os vocábulos da Bíblia, mas re­stringem os seus efeitos, e sobretudo a imunidade de erro e a verdade absoluta, ao ele­mento primá­rio ou religioso. Consideram de fato que Deus, nas Escrituras, ensina só o que concerne à religião”.

Contra esta heresia Bento XV lembra a doutrina de S. Jerônimo e dos outros Padres da Igreja, os quais “atingiram esta doutrina relativa aos livros sagrados na própria escola do divino Mestre Jesus Cristo. Por acaso lemos que N. Senhor tenha tido uma diversa concepção da Escritura? As palavras: “Está escrito”, e “é preciso que a Escritura se realize” são nos Seus lábios um argumento sem exceção, de tal modo que excluem toda possível controvérsia.”

Pio XII na Divino Afflante Spiritu (30.9.43), para comemorar os cinqüenta anos da Providentissimus de Leão XIII, denuncia, por sua vez, as heresias que se insinuam na Igreja e reafirma a absoluta inerrância das Escrituras Sagradas. Lembradas as definições dos Concílios dogmáticos Tridentino e Vaticano, Pio XII prossegue: “Também depois [do Concílio Vaticano I], em contraste com esta solene definição da doutrina católica, a qual reivindica a autoridade divina para os livros inteiros com todas as suas partes, que estão isentas de todo erro, alguns autores católicos não temem restringir a verdade da S. Escritura somente às questões referentes a fé e a moral”.

O ‘cristão maior de idade’ para os racionalistas é aquele capaz de ler a Bíblia compreendendo o que outros menos ‘cultos’ não podiam entender, antes, imaginavam mitos. A premissa desta idéia é a emancipação adulta do Magistério maternal da Igreja, e portanto da Tradição. Neste sentido o Santo Ofício em 29/1/1955 condenava o livro de Josef Thomé, ‘Der Mündige Christ’, onde se idealiza ‘uma igreja invisível que seria o Corpo místico do Logos eterno’ distinta da Igreja hierárquica (mãe discutível); razão porque para o cristão maior de idade: ‘o único poder ao qual ele se pode submeter sem medo de errar é a própria consciência (OR 3/2/55). Tratava-se não só da negação da Igreja “coluna e sustento da verdade”(ITm 3,15), condenada anos antes na Humani generis de Pio XII, mas do ensinamento evangélico pelo qual a Palavra de Deus deve ser recebida, e só pode ser entendida, tornando-nos como crianças, com amor filial (Mt 18, 1-6; 19, 14: Mc 10, 14-15; Lc 18, 16-17). Em 1970 o livro voltou a ser publicado e Civiltà Cattolica (3.4.71) o comenta: “Os temas tratados são os mais familiares ao Vaticano II (que o reabilitou): o emergir da dimensão pessoal da fé… da liberdade, da responsabilidade”. Trata-se da própria interpretação da Palavra divina. Sobre o que isto representa falaremos adiante (DV 9).

A “Dei Verbum” do Vaticano II e a gestão dos opostos

Na “const. dogmática Dei Verbum (DV) do Vaticano II não poderiam faltar verdades sobre a divina revelação. Mas aqui veremos como da Dei Verbum, que repete a verdade da inspiração divina das Sagradas Escrituras, chegou-se ao seu oposto, isto é à Formgeschichte, teoria ou “história das formas”, o método histórico-crítico, um método racionalista em nítido contraste com as três verdades reveladas, que são as bases da exegese católica: inspiração divina, inerrância absoluta e historicidade dos Evangelhos. Tal método nega, além disso, o princípio dogmático pelo qual o Magistério infalível da Igreja é a norma próxima para a exegese católica. Vejamos, sobre isto, a “Dei Verbum”(DV) do Vaticano II.

DV 2) Aprouve a Deus, na sua bondade e sabedoria, revelar-se a Si mesmo e dar a conhecer o mistério da sua vontade (cf. Ef 1, 9), segundo o qual os homens por meio de Cristo, Verbo encarnado, têm acesso ao Pai no Espírito Santo e se tornam participantes da natureza divina. Em virtude desta revelação, Deus invi­sível, na riqueza do seu amor fala aos homens como amigos e convive com eles, para os convidar e admitir à comunhão com Ele. […] 3) [Ele…] cuidou continuamente do gênero humano, para dar a vida eterna a todos aqueles que, perseverando na prá­tica das boas obras, procuram a salvação (cf. Rm 2, 6-7). 5) […] Para que a compreensão da re­velação seja sempre mais profunda, o mesmo Espírito Santo aperfeiçoa sem cessar a fé mediante os seus dons.

O ato de amizade de Deus dando a conhecer a Revelação para a fé dos homens (Jo 3, 16; 15, 16) chama todos a um grave dever. A inteligência humana não pode pretender ­ser norma de verdade, mas deve aceitar a Revelação da verdade; não imaginando um deus imanente, mas crendo no Onipotente. Quando Deus fala se é obrigado a crer. O termo dessa amizade é a fé incondicional, não uma impossível reciprocidade: “A ignorância da Escritura é ignorância de Cristo” (S. Jerônimo).

“Porque eu não me envergonho do Evangelho; que é o poder de Deus para salvar a todo o crente, primeiro ao Judeu e depois ao Grego. Porque a justiça de Deus manifesta-se nele pela fé e conduz à fé, como está escrito: ‘o justo vive da fé’ (Rm 1, 16-17) ; “Deus, que há de dar a cada um segundo as suas obras a vida eterna aos que, perseverando na prática do bem, buscam a glória, a honra e a imortalidade; ira e indignação aos pertinazes, indóceis à verdade, mas dóceis à injustiça” (Rm 2, 6-8).

Pascendi 55: “A respeito da revelação especialmente e do dogma, a doutrina dos moderni­stas não tem nada de novo; mas é aquela mesma que no Syllabus (5) de Pio IX encontramos condenada na sua expressão: A divina revelação é imperfeita e portanto sujeita a contínuo e indefinido progresso, próprio da razão humana”: a encontramos depois mais solenemente reprovada pelo Concílio Vaticano I com os termos: Nem a doutrina da fé, que Deus revelou, é proposta aos engenhos humanos para ser aperfeiçoada como uma idéia filosó­fica, mas como um depósito confiado à Esposa de Cristo, para guardá-la fielmente e declará-la infalivelmente. Portanto dos sagrados dogmas também deve-se sempre preservar tal sentido, que foi uma vez declarado pela santa Madre Igreja, e nunca se deve afastar de tal sentido sob o  pretexto e em nome de uma mais alta inteligência (Const. Dei Filius, Cap. IV). Mas a DV continua falando do amadurecimento dessa compreensão:

DV 7) Deus dispôs amorosamente que permanecesse íntegro e fosse transmitido a todas as gerações tudo quanto tinha revelado para a salvação de todos os povos. Por isso, Cristo Senhor […] mandou aos Apóstolos que pregassem a todos, como fonte de toda verdade salutar e de toda a disciplina de costumes, o Evangelho, […], comuni­cando-lhes assim os dons divinos. […] 8b) Esta Tradição apostólica progride na Igreja sob a assi­stência do Espírito Santo. Com efeito, progride a percepção tanto das coisas como das palavras transmitidas, quer mercê da contemplação e estudo dos crentes, que as me­ditam em seu coração, quer mercê da íntima inteligência que experimentam das coisas espirituais, quer mercê da prega­ção daqueles que, com a sucessão do episco­pado, receberam o cari­sma da verdade. Isto é, a Igreja, no decurso dos séculos, tende continuamente para a plenitude da verdade divina, até que nela se realizem as palavras de Deus.

“A Palavra de Cristo habite em vós abundantemente” (Cl 3, 16). Fé “que foi dada aos crentes uma vez por todas” (Judas 3).

Dz 303: Definição sobre imagens sagradas e a tradição … “Porque a honra da imagem é endereçada ao original” […] De tal modo mantém-se o ensino dos nossos santos Padres, ou seja, a tradição da Igreja católica, que recebeu o Evangelho, de um extremo ao outro da terra”. Dz 336: “Abertamente nos exorta o Apóstolo Paulo a manter as tradições recebidas, seja pela voz, seja por cartas (2Ts 2, 14), dos santos eminentes.”

A Palavra divina não é sujeita a um “aperfeiçoamento como um quesito filosófico” – De fato toda a exegese católica consiste em compreender melhor o que foi transmitido uma vez por todas pelo Senhor através de Seus Apóstolos. A transmissão da Revelação completou-se assim com a morte do último Apóstolo. E isto confirma o elo essencial entre a Revelação e os seus únicos depositários e interpretes apostólicos. Os seus sucessores receberam pois a verdade divinamente revelada para preserva-la como é, e esta não progride nem tende continuamente para a plenitude da verdade divina’, mas é plenitude da verdade, que mal compreendemos. Neste sentido o imanentismo modernista tende a identificar a verdade com o que o homem pensa dela. Por essa razão a verdade evoluiria com as ciências humanas. Esta ‘evolução’ do pensamento é aplicada também a Jesus Cristo. Enquanto a Igreja ensina como sentença certa que “a alma de Cristo possuía desde o primeiro instante de sua vida terrena a visão imediata de Deus (viator et simul comprehensor), os modernistas querem que Ele aperfeiçoasse cada vez mais a consciência de si.

A visão imediata de Deus da parte de Jesus Cristo, verdadeiro homem é negada pelo modernismo, que também por esta razão é condenado pelo decreto Lamentabili. 32: “Não consta que na alma de Cristo vivendo entre os homens houvesse a ciência que têm os beatos ou compreensores” (Dz 2183). Pio XI confirma esta doutrina na Miserentissimus Redemptor. Pio XII, MC: “Também a visão beatifica vige Nele em tal modo, que seja em âmbito seja em clareza supera inteiramente a consciência beatifica de todos os santos do céu… devido àquela visão beatifica de que gozava desde o momento em que foi recebido no seio da Mãe divina, Ele tem constante e perfeitamente presentes todos os membros do Corpo místico.”

Como conseqüência dessa nova doutrina da DV, na catequese de João Paulo II, justamente quando ele nega a existência do Limbo, isto é do dogma da descida de Jesus Cristo aos infernos (disc. 11.1.89), lêem-se as expressões modernistas e conciliares da admissão da alma de Cristo “à plenitude da visão beatifica de Deus” e do “ingresso da alma de Cristo na visão beatífica no seio da Trindade”. O que significa que a compreensão do Senhor ‘crescia’, tendendo à sua plenitude da verdade em Deus; idéia que basta para demolir todas as certezas de Seu ensino, que seria divino por etapas evolutivas; como o ensino humano em suma!

Com respeito à verdade da Igreja, que existe para a glória de Deus, não há sinais de uma crescente compreensão neste sentido, pelo contrário, e a difusão destes textos o comprovam. A expressão verdade salutar, com a adição do adjetivo “salutar” à verdade, limita o alcance da inerrância da Revelação nas sagradas Escrituras às questões atinentes à salvação e a moral, não testemunha certamente o poder da manifestação divina, não é conforme às disposições magistrais acima referidas. Contra a ambigüidade de tais palavras levantaram-se protestos na assembléia conciliar e a expressão foi retocada no texto latino, mas repetiu-se no n.11 com as palavras “para nossa salvação”, mostrando que havia detrás delas um preciso desígnio redutivo. Qual a relação entre a DV e a Verdade que nos foi transmitida?

DV 9) A relação entre Tradição e Escritura –  A S. Tradição e a S. Escritura estão intimamente unidas e compenetradas entre si… A S. Tradição, por sua vez, transmite integralmente aos sucessores dos Apóstolos a palavra de Deus confiada aos Apóstolos… para que… a conservem, a exponham e a difundam; donde resulta assim que a Igreja não tira só da S. Escritura a sua certeza a respeito de todas as coisas reveladas. Assim, ambas devem ser recebidas e veneradas com igual espírito de piedade e reverência.

Comparando o texto inicial sobre a Revelação preparado para o Vaticano II conforme à Tradição, e logo substituído com este da DV, de ambígua redação, percebe-se a tentativa de redimensionar a importância da S. Tradição a favor das S. Escrituras no sentido protestante. Depois de muitas discussões e revisões, conseguiu-se fazer constar nele que não basta a S. Escritura para certificar o que foi revelado. Omite-se porém o esclarecimento essencial pelo qual, onde a S. Escritura não basta, só pela S. Tradição pode-se conhecer com certeza a Revelação.

Eis que a DV, ao invés de esclarecer, confunde a relação conhecida entre Tradição apostólica e Sagrada Escritura, que estava formulada no esquema preparatório do Vaticano II “De Duplici fonte Reveationis” (Da dupla fonte da Revelação): ”A Sagrada Escritura não é a única fonte da Revelação contida no Depósito da Fé. De fato, além da Tradição divina que é exposta na Sagrada Escritura (tradições interpretativas), há a Tradição divina das verdades (Tradição constitutiva), que não está compreendida na Sagrada Escritura.

A Igreja, depositária da Tradição, estava já perfeitamente constituída antes da redação dos Evangelhos. Na tradição oral, que é o depósito da Fé ensinada pelo Divino Mestre, está a forma constitutiva, o conteúdo doutrinal e o poder jurisdicional da Igreja. A explicá-lo é a mesma tradição escrita (S. Escritura), interpretada pela autoridade da Igreja. Se esta desconhecesse a ordem conexa à mesma origem da autoridade de magistério da Igreja como poderia exercitá-la? Como poderia ensinar com autoridade omitindo este esclarecimento sobre o próprio fundamento de seu poder? Aqui começa a delinear-se uma contradição na autoridade de magistério do Vaticano II.

“O Bispo de Spalato, Franic, relator de minoria, sentiu-se obrigado a notar que o cap. II, sobre a relação Escritura-Tradição, não é propriamente errôneo; mas está viciado pela grave omissão que desqualifica o ensino comum na Igreja do Concílio de Trento em diante” (Betti, op. cit. Spadafora). Alijando o texto preparatório com a doutrina certa à favor de um texto que dá lugar à falsa doutrina é favorecer o erro. A função do Magistério não é justamente evitá-lo?

O «magistério do Vaticano 2 é falso justamente porque introduz uma ambiguidade intrncional e sistemática, que bão se resolve mas agrava com o recurso da «hermenêutica da continuidade», «verbo» de Bento 16, que é prova da longa disfarçada ruptura com o verdadeiro Magistério da Igreja.

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