Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

ECLIPSE OU COLAPSO DA CONSCIÊNCIA CATÓLICA?

Arai Daniele

Falamos das gravíssimas conclusões sobre a presente condição de «Sede vacante», referindo-nos aos doutos juízos doutrinais, velhos e novos de consagrados ou leigos, falecidos ou vivos que, resistiram ou resistem à nefasta revolução ecumenista clerical, mas anti-católica do Vaticano II.

Também já falamos da urgência de uma reação ativa para a proteção das almas que supere a longa fase da resistência passiva na defesa da Fé.

Neste sentido devemos rever as etapas perdidas dessa resistência para saber em que, quando e porque foi insuficiente. Isto à luz dos sinais de aviso e de ajuda para os nossos tempos de desvarios revolucionários que a Igreja militante recebeu para concretizar a sua reação.

Consideramos que esta luz está na intervenção divina através de Maria Santíssima na Sua aparição decisiva, mas ainda suspensa de Fátima.

Há quem pense que se trata de uma «revelação privada» que pode ser ignorada e esquecida. A resposta a isto é que se pode ignorar Fátima, mas seria insano fazer o mesmo diante dos perigos históricos de que avisou e que desde então ocorrem no mundo e na Igreja. Assim, deixou-se de lado o sinal de um profético desígnio divino. Mas os funestos eventos históricos correspondentes a esse tempo, do atroz comunismo soviético até a descristianização atual, estes não podem ser ignorados!

O claro sinal do desígnio divino em Fátima

Pergunta: a aparição é para a sua mensagem ou esta é dispensável?

Infelizmente assim é que foi tratada nos seus pedidos, avisos e ofertas.

Isto apesar do peso de suas palavras avalizadas pelo Milagre do sol, que é único no seu cósmico esplendor em toda a história cristã.

Lembramos, porém, que antes de seu efeito maravilhoso, houve uma fase de terror em que pareceu que haveria um colapso do sol sobre a terra.

Seria esta visão sem sentido no que tange a profética mensagem divina?

Em verdade o sol em alguns documentos da Igreja figura o seu poder em relação ao poder civil. Leão XIII, ensina sobre a natureza e relação dos dois poderes nas suas encíclicas Diuturnum illud (1881), Immortale Dei (1885) e Sapientiae Christianae (1890). A fórmula do Papa reflete de modo mais ou menos explícito a consciência do poder da Igreja nas relações com o convívio humano, ilustrado na comparação em que cita o predecessor Bonifácio VIII:

«… sicut luna lumen nullum habet, nisi quod recipit a sole, sic nec aliqua terrena potestas aliquid habet, nisi quod recipit ab ecclesiastica potestate… Omnes potestates… sunt uno Christo et a nobis tamquam uno vicario Iesu Christi»…Assim como a lua não recebe luz alguma senão do sol, assim também o poder terreno recebe a luz (dos princípios) do poder da Igreja… onde Cristo é representado.

De fato é a Igreja que sustenta os princípios que dão a certeza do direito e da justiça mesmo nas obras independentes da sua missão espiritual. Esta consciência da Igreja foi estabelecida pelo seu divino Chefe, Jesus Cristo, no direito e dever de formar as consciências pessoais para a verdade sobre Deus e sobre o homem. Pode haver um direito à liberdade de consciência diante da verdade que nenhuma ciência humana conhece?

A isto voltaremos mais adiante porque trata-se do sinal revolucionário que contaminou o mundo civil e eclesiástico com o «vírus» que continua a sua obra de devastação do homem espiritual, como Deus o criou.

Pois bem, a visão do Milagre do sol em Fátima veio confirmar de modo inequívoco o sentido vital para os homens do profético aviso divino.

Milagre do Sol

Milagre do Sol - Fátima 1917

E desde então a história foi marcada por revoluções que, no campo civil alienaram todarelação de direito entre o poder terreno e sua matriz espiritual, o que preparou no campo clerical a demolição da consciênciada Igreja católica. De fato, Paulo VI passou a acusar iradamente chefes e países que ainda tinham na sua constituição o nome «católico».

O início de um colapso virtual do sol havia sido visto no céu de Fátima, mas ainda hoje é negligenciada a compreensão do seu sentido profético ligado àquela mensagem de Nossa Senhora em Fátima.

Quando e porque a resistência católica foi insuficiente?

Estas questões estão sempre ligadas ao censurado «Segredo de Fátima», que seria mais claro em 1960 e diante do qual se desvelava uma atitude de negação, dúvida e indiferença no seio da mesma Igreja. A negação veio de João 23 que, embora sem negar a sua origem, mandou arquivar esse sinal de um profético desígnio divino para não estorvar o plano modernista e maçónico que lhe fora confiado: um concílio para a abertura ecumenista e liberal da consciência católica. Isto aconteceu em 1959, e já ajudava a esclarecer o conteúdo da terceira parte do «Segredo» que foi censurado. Mas para que se chegasse a este ponto é claro que a Igreja passou pelo descalabro precedente de ver eleito um clérigo que ocultava atrás de sua aparência simplória o plano subversivo.

O «quando», portanto, só pode referir-se à eleição papal de um desviado na fé que galgava o trono da Sede de S. Pedro para alterar a consciência da Igreja na sua relação com o mundo inimigo da Fé de Jesus Cristo.

Trata-se de um fato constatado nos anos seguintes, como se sabe, mas se esquece estar previsto pela Lei da Igreja que a eleição de um clérigo sem a fé católica é nula, mesmo se recebeu o voto unânime dos cardeais.

Veja-se neste sentido a Bula «Cum ex apostolatus» do Papa Paulo IV, ditada justamente para as circunstâncias em que se enquadrou em cheio, como ninguém antes na história da Igreja, o clérigo Ângelo Roncalli, que assumiu o nome do antipapa João XXIII para inverter a rota da Tradição.

1ª conclusão: em que a resistência católica falhou para enfrentar nossos tempos revolucionários à luz dos sinais de aviso e de ajuda celeste? Pela razão que a Igreja militante não soube recebê-los para realizar a reação. A resistência católica tem uma pesada dívida para com a Mensagem profética de Fátima, que é imprescindível para uma real reação católica.

O «porque» do eclipse católico que se tornou colapso

Um eclipse tem duração horária, de modo que embora este termo tenha sido usado como título de livros que trataram da crise religiosa iniciada por João 23, e cito o documentado «L’Eglise eclipsée» dos Amigos de Cristo Rei, e do meu «L’Eclisse del Pensiero Cattolico», havia que lê-lo como escuridão que possibilitou o início da escalada na Cidadela da Fé.

A pergunta justa então passa a ser: porque se passou da escuridão de um eclipse horário, para o colapso de uma demolição católica em pleno dia, que já se estende, sem que se veja o fim, por mais de meio século? Quando iniciou a A INAUDITA AGONIA DA FÉ que ASSINALA O VULTO DO ANTICRISTO EM ROMA? Pode não transparecer nisto uma hora de sentido apocalíptico, que provoca um sentimento de espanto em todo católico? Até que ponto o espanto pode ser reduzido a resistência sem reação?

Na verdade o espanto – que como já se disse teve maturação decenal – quando se trata do testemunho e defesa da Fé não pode restar inerte.

Falamos já das últimas evidentes transgressões da Lei da Igreja no culto de um inteiro aparato de «beatificadores» de João 23 e de João Paulo 2, porque não aclararam em sede pública, nenhuma das documentadas acusações contra «papas» demolidores da Fé transmitida pela Tradição.

Onde estava a reação católica às falsidades do Vaticano II?

Recordamos no livro «Segredo de Fátima ou Perfídia em Roma» uma importante reação de prelados e leigos durante o Vaticano 2, hoje esquecida, mas constante do «Diário do Concilio» do progressista Henri Fesquet (Tutto il Concilio giorno per giorno,DCDiario del Concilio, Henri Fesquet, Mursia, Milão, 1967). Não é livro católico, mas volumosa obra de um seu ativo inimigo «conciliarista», entusiasta do plano revolucionário conciliar e indignado com quem reagiu a essa mutação:

No dia 16 de Outubro de 1965 (p. 966): “Sobre a definitiva adoção pelo Concílio da Declaração Nostra aetate… O Vaticano Il realizava a vontade de João XXIII acusando severamente o anti-semitismo. A Igreja reconheceu implicitamente as suas culpas passadas em tal matéria, que são pesadas, duráveis e numerosas. A nova mentalidade ecumênica venceu… mas houve uma reação que acusava os bispos que aprovaram o texto de «inconsciência». «Uma declaração digna de um antipapa»(p. 967)… No texto se lêem estas palavras espantosas: «Os hebreus desejam agora levar a Igreja a condenar-se tacitamente e a mudar de parecer diante de todo o mundo. É evidente que só um antipapa ou um conciliábulo (sic) poderiam aprovar uma declaração de tal gênero. É o que pensam como nós um número sempre maior de católicos esparsos no mundo os quais estão decididos a operar no modo que será necessário para salvar a Igreja de uma tal ignomínia».

“Quais firmas subscrevem esse panfleto? Trinta movimentos católicos entre os quais para a França as revistas «Itinéraires, Nouvelles de chrétienté», la «Cité catholique» cuja revista «Verbe» (que depois se chamou «Permanences»), é bem conhecida.

Ainda, l’«Action Fatima-la-Salette », e o « Movimento tradizionalista cattolico».

Eis o número dos outros movimentos classificados por nacionalidade: USA (3), Itália (3), México (3), Espanha (2), Argentina (2), Portugal (2), Chile (2), Alemanha (1), Áustria (1), Brasil (1), Equador (1), Venezuela (1), Jordânia (1). A França – como se vê – com cinco movimentos, tem o triste privilégio de estar na frente. Acrescento que é dificílimo interpretar os votos negativos de que falamos acima: 10 abstenções mais 250 non placet. [surpreendente aqui é só a surpresa de Fesquet!]. “Votaram contra o esquema numa proporção desconhecida os bispos dos Países árabes, os bispos de extrema-direita, e alguns bispos descontentes que o texto actual fosse menos preciso e menos forte daquele adotado em 1964.”

Assim descreveu o fato o jornalista francês, Henri Fesquet, progressista entusiasta das aberturas conciliares, pretendendo silenciar com desprezo os contestadores destas. Lamentavelmente o conseguiu! Aqui é pois indispensável recordar o caso desse manifesto da reação leiga às mutações na Igreja, quando, no fim do Vaticano II, foi aprovada a declaração «Nostra aetate», com sua ignóbil deserção diante dos outros credos em geral e do judaísmo em especial. Deserção que implica real inversão na doutrina e missão de converter à Fé católica. Era também o pensamento do «Coetus Internationalis Patrum», mas desta resistência depois de algumas centenas de bispos, depois de uns anos só restavam dois: o Arcebispo Marcel Lefebvre e o Bispo Antônio de Castro Mayer.

Onde ficou a defesa intransigente da Lei de Deus e a ruptura com o erro e o abuso, como sempre entenderam os Santos e no começo do século São Pio X? Depois deste santo Papa vieram três papas diplomáticos que abriram aos «papas conciliares», isto é, aos verdugos do Papado.

A tendência a conviver com os erros revolucionários condicionou desde então a real resistência ao poder aparente que se apresentava no vértice da Igreja. Assim passou, sem uma oposição definida pela Lei da Igreja, a ímpia subversão ecumenista da Nostra aetate, que restituiria as chaves do juízo único de Cristo ao panteão das religiões, mas sobretudo àquela que é eminentemente anticristã, hoje dominadora no cenário do mundo.

Ora, os católicos devem ter presente que o «Mistério da iniqüidade» não tem como causa primária os inimigos da Fé, mas o abandono de suas defesas. São Paulo ensina: “antes do Mistério de iniqüidade deve vir a apostasia”. A defesa reside no reto pensar católico e na memória e uso dos recursos legais e dos sinais divinos dados à Igreja militante.

Para isto existe a lei canônica e o seu código fundado no Direito de Deus.

O que causou o colapso da resistência católica?

Nos anos que se seguiram ao Vaticano II ficou bem claro que tal libelo de acusação de 1965, do espírito conciliar claramente «modernista» e «evolucionista», portanto estranho à Fé católica, era mais que fundado pois se tornara evidente que só através de um supremo poder desviado e um conciliábulo proclamado ecumênico, mas manipulado por forças adversas à verdade cristã, teria sido possível urdir e aprovar declarações profundamente anti-evangélicas que levaram à demolição da Igreja.

Mas essa justa reação dos autores do manifesto que partiu de suspeita legítima, evitou o recurso à Lei da Igreja e não avançou. Ela seguia a acusação que, mais que legítima, constituía um dever, mas fracassou por não observar que estando em jogo a Fé, até um papa legítimo podia e devia ser acusado, como sempre o foi na História.

E a Fé foi desde então cada vez mais ferida e de modo escandaloso até hoje, tudo porque a causa do colapso católico desde 1958 até hoje resta tabu: um conclave teria poder absoluto para eleger qualquer «papa»!

Mas como? Mesmo um «papa» modernista e mação? Eis no que crêem tranquilamente os ditos católicos, consagrados e leigos da hora presente!

Parece que só a canonização destes desviados pode provocar uma reação apenas suficiente para justificar a própria fé, porque a cerimônia de Assis da reunião das «grandes religiões do Mundo» promovido pelo «papa» hoje é parte da «nova evangelização» dessa «nova igreja» convertida a uma «nova consciência liberal e ecumenista»!

Declarações incompletas de apostasia e excomunhão

Sobre o non possumus documentado de Dom Mayer e de Dom Lefebvre aqui basta repetir que ele ficou inacabado e é tarefa da reação católica aplicá-lo ao presente para que sirva à defesa da Fé na Igreja.

Basta lê-los para conhecer suas denúncias e avisos.

Aqui vamos lembrar só um curto trecho profético do Papa Pio IX quando no século passado a agressão do mundo contra a Igreja abrangeu todas as esferas, inclusive a político-militar, pela invasão da Roma pontifícia:

“Visto que todo o mundo está contra Deus e a Sua Igreja, é evidente que Ele reservou a vitória sobre Seus inimigos a Si mesmo. Isto é mais claro considerado que a raiz de todos os nossos males presentes se encontra no fato que os que possuem talento e vigor almejam satisfações terrenas e não só desertam a defesa da Fé de Deus, mas desdenham-na por completo. Assim parece que estes não podem ser trazidos de volta a Deus por nenhuma outra via senão através de um ato que não poderá ser atribuído a nenhum agente secundário. Deste modo, todos serão forçados a reconhecer o evento sobrenatural, exclamando: «Isto acontece pela intercessão do Senhor e é admirável aos nossos olhos»! Acontecerá assim um grande «portento» que suscitará imensa admiração no mundo. Mas tal portento será precedido por um triunfo da revolução, quando a Igreja sofrerá enormemente. Seus servos e seus chefes serão escarnecidos, flagelados e martirizados.” (The Prophets and our TimesRv. R. Gerald Culleton, Tan Books, Rockford, Illinois, 1974, p. 206)

Esta visão profética do papa Pio IX parece bastante atual para o colapso católico dos que têm talento e vigor mas almejam satisfações terrenas e desertam a defesa da Fé de Deus… parece que precisam de um milagre para voltar a Deus. Parece que precisam do“portento” de Fátima pela intercessão sobrenatural que prediz depois de tantas perseguições do lado da revolução interna à Igreja, que levou muitos católicos a renunciarem a defendê-La do mesmo «papa» que passaram a aceitar.

2ª conclusão: Porque o eclipse católico se tornou colapso? Pelo fato que a questão mais importante – da autêntica representação da autoridade de Deus no mundo humano – passou a ser proibida até entre os católicos da Tradição. Todos os álibis foram inventados desde então, desde o papa que é o único a poder julgar a si mesmo, ao papa materialiter, não formaliter mas canónico, até o delírio que é melhor ter um papa herege do que nenhum. Foi assim que progrediu a idéia da canonização dos hereges, como exemplos provados de «santidade humanista»!

O que continua a faltar para uma real reação católica?

Falta certamente não apenas um Papa verdadeiro, mas também a mesma fé que este é um representante de Jesus, um Vigário de Cristo para cumprir a Vontade do Pai. Deus, em qualquer tempo, nos bendiz com os Seus sinais; os Sacramentos, os Santos, os milagres, as aparições e mensagens de Maria para transmitir os Seus desígnios para o bem da Igreja e a salvação da almas. Não há «papa» que os possa contrariar. Mas o contrário disto acontece quando muitos (em boa fé?) passam a crer, seguindo os pastores conciliares, que as religiões monoteístas adoram o mesmo Deus e podem reconciliar-se nas questões terrenas, deixando de lado as diferenças sobre, nada menos que Jesus e a Santíssima Trindade!

Foi assim que, não tendo o testemunho católico sobre os perigos que pendiam sobre a Igreja seguido o curso canônico, os chefes conciliares passaram a operar além de todo limite e o que restou da resistência católica ficou tristemente humilhado e ruinosamente dividido.

Faltavam talvez à Igreja instrumentos legais para impedir a seus inimigos e demolidores de operarem em seu nome? Não de certo, porque não podem faltar ao Corpo Místico de Cristo, instituído perfeito pelo Espírito Santo, os meios suficientes para a sua difusão e defesa.

Podem faltar, porém, como aconteceu, a lucidez e a coragem dos filhos da Santa Madre Igreja, incapazes de defendê-la nessa hora de paixão. Isto aconteceu apesar da ajuda inigualável para este tempo.

A submissão à Lei divina da Igreja será parte do grande Juízo?

Assim chegamos à questão chave da autoridade apostólica na Igreja, porque não é possível professar devidamente a fé da Igreja se esta é mudada por uma falsa autoridade que, ao invés de defendê-la a altera.

Ora, como é dever de todo fiel professar publicamente a Fé, quando esta é atacada e se encontra em perigo, e com ela a salvação de muitos, este dever de consciência só pode ser cumprido seguindo as Leis da mesma Igreja, que é a guardiã da Fé autorizada por Deus.

Sendo a consciência humana o «lugar» em que o Criador faz conhecer à sua criatura humana os Seus desígnios, ali mesmo o inimigo de Deus e dos homens queria chegar para demolir a Fé e fundar o seu reino.

É basilar a relação de causa-efeito entre a fé em Deus e a ordem pessoal e social dos homens, e, seu contrário: entre a descrença e a desordem humana. Na confusão entre verdadeiro e falso, entre ser e não ser, a consciência se priva do critério para separar o bem do mal, um falso papa de um fiel representante da Fé transmitida sem rupturas por Jesus Cristo.

Qual o desígnio divino de ajuda que foi descartado?

Pode o católico pensar que diante do máximo engano descrito, faltaria um sinal extraordinário, não para revelar algo ainda não revelado, mas para assinalar a hora dos sumos perigos já descritos em sinais revelados? Da hora que o Pastor será ferido e a grei dispersa? Da hora dos falsos cristos e pastores ídolos cuja obra foi abater a consciência da Igreja de

Deus, substituindo-a por outra, ecumenista e conciliar?

E os sinais para essa hora fatal podem faltar? Não temos de nossa parte o testemunho de Fátima, do massacre do papa católico com o seu inteiro séquito fiel, que bem pode representar uma Igreja militante abatida por um tempo: uma prova final para os fiéis!

Uma visão transmitida pela Mãe de Deus deve ser entendida porque foi dada para ajudar. Assim a visão do inferno santificou os pastorinhos que rezaram e fizeram sacrifícios para ajudar a salvar muitas almas iludidas com os enganos e prazeres deste mundo.

Do mesmo modo deve-se pensar da visão do massacre papal para que os fiéis rezem e testemunhem para a volta do Papa que por fim vai operar para o triunfo da Fé íntegra e pura capaz de converter a Rússia e o mundo em vista do incomparável amor do Sagrado Coração de Jesus junto ao Imaculado Coração de Maria.

Onde estão os doutos testemunhos de nossos últimos tempos?

Que fazem os doutos de nossos dias que leram os testemunhos e os avisos evangélicos, que demandam confessar a «evidência apocalíptica» do atual ataque à Fé? Quem vai hoje enfrentar a posição dos que nas multidões cultuam a exaltação da santidade de pastores «mercenários»? Estariam estes acima de todo juízo porque eleitos em conclaves de teor democrático avalizado pelo clero modernista e acordado com os planos maçônicos consagrados pela ONU e pela URI?

Eis como se admite a legalidade de uma falsa igreja em contraste com a Palavra de Deus, mas forte do vasto aplauso de massas teleguiadas.

Hoje a mentira é promovida a partir da mesma Sede da Verdade.

Mesmo assim a contestação à falsa autoridade papal é limitada por falsas noções de obediência e fidelidade porque se transfere o absoluto para os conclaves, para os clérigos e para os homens que se cultuam entre si, seguindo os próprios juízos, independentes da Lei da Igreja.

Eis o tempo que vivemos: o da demolição festiva da Fé pelos próprios católicos que se contentam com aparências tradicionais de um latinorum minado, como foram as bases de nossa sagrada Religião.

O Segredo de Fátima e o interregno da paixão cristã

Sobre  o percurso do «Terceiro Segredo de Fátima» vejam o artigo que trata dos seus dois longos interregnos (sito Pro Roma Mariana ver aqui)

Revelado em 13 de julho de 1917, foi redigido pela Irmã Lúcia em janeiro de 1944 e arquivado por João 23 em 1959, para ser finalmente publicado em 2000, com o quadro que hoje parece incompreensível.

No entanto, se este quadro se ajusta à realidade presente como cremos – do segundo interregno –, esta terceira parte do Segredo tem sentido profético bem evidente e a incapacidade dos fiéis de compreender suas grandes questões reside numa carência de fé. Isto porque, revelado em 1917, seria mais claro em 1960, conforme a Irmã declarou em 1955 ao Cardeal Ottaviani, Prefeito do Santo Ofício, que o confirmou.

Se só seria mais claro em 1960, quando podia ser publicado, refere-se a algo que aconteceu então, ou pouco antes, mas que, mesmo representado em forma simbólica, é evento de extrema relevância. Vamos lembrar o quadro descrito pelas palavras da vidente Lúcia; o Terceiro Segredo no seu texto publicado que descreve um evento em forma de visão:

“Depois das duas partes que já expus, vimos ao lado de Nossa Senhora um pouco mais alto um Anjo com uma espada de fôgo em a mão esquerda, ao centílar, despedia chamas que parecia iam incendiar o mundo, mas apagavam-se com o contacto do brílho que da mão direita expedia Nossa Senhora ao seu encontro O anjo apontado com a mão direita para a terra, com voz forte disse: Penitência, Penitência, Penitência! E vimos numa luz emensa que é Deus.‑ “algo semelhante a como se vêm as pessoas num espelho quando lhe passam por diante” um Bispo vestído de Branco “tivemos o pressentimento de que era o Santo Padre”. Vários outros Bíspos, Sacerdotes, religiosos e religiosas subir uma escabrosa montanha, no címo da qual estava uma grande Cruz de troncos toscos como se fôra de sobreiro com casca; o Santo Padre, antes de chegar aí, atravessou uma grande cidade meia em ruínas, e meio trémulo com andar vacilante, acabrunhado de dôr e pena, ia orando pelas almas dos cadáveres que encontrava pelo caminho; chegado ao címo do monte, prostrado de juelhos aos pés da grande Cruz foi morto por um grupo de soldados que lhe dispararam varios tiros e setas, e assim mesmo foram morrendo uns atrás outros os Bispos Sacerdotes, religiosos e religiosas e varias pessoas seculares, cavalheiros e senhoras de varias classes e posições. Sob os dois braços da Cruz estavam dois Anjos cada um com um regador de cristal em a mão, neles recolhiam o sangue dos Mártires e com ele regavam as almas que se aproximavam de Deus.” Tuy (Espanha).

[Nota do Editor: Aqui o texto se encontra como escrito pela irmã Lúcia, nada modificamos ou corrigimos.]

Visão do 3º Segredo

Muitos perguntam se é autêntico. Neste sentido colectamos os elementos para entender essa autenticidade no breve estudo publicado em quatro línguas sob o título«Da autenticidade do Terceiro Segredo de Fátima»

Em seguida à visão os pastorinhos devem ter levantado os olhos apavorados para Nossa Senhora, que os consolou dizendo:

“Em Portugal se conservará sempre o dogma da Fé(e aqui vem o etc.).“Por fim o meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar‑me‑á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz.”

O Segredo de Fátima apresenta, pois, a visão de um papa católico que, antes de seu sacrifício, sofrera sobre a cidade semi-demolida. Esta só pode ser a Cristandade, onde era já grande o morticínio de almas consagradas. Segue o martírio do mesmo Papa católico com todo o seu séquito fiel, enumerado em consagrados e leigos, para não deixar dúvida que se tratava de um atentado contra a mesma Igreja militante.

A este ponto temos dois interregnos referidos a pontificados católicos: o primeiro até uma data próxima a 1960 e o segundo que segue, isto é, o tempo em que a última visão que temos do Papa com o seu séquito é a do seu massacre. Só bem depois«por fim» segue a notícia: “O meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar‑me‑á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz”. Como isto pertence à parte final do Segredo, quer dizer que fecha o segundo interregno iniciado com o atentado mortal contra a Igreja militante. Os interregnos concernem dois longos períodos:

1º – de 1917 até a hecatombe papal, mais clara em 1960;

2º – da morte do Papa até seu reaparecimento – por fim – para ser reconhecido também pelo fato de realizar a Consagração pedida.

Como enquadrar este segundo interregno no tempo em que vivemos?

A Irmã Lúcia só aludiu brevemente às ameaças do segundo interregno na entrevista ao Padre Fuentes em dezembro de 1957. Depois disso, nunca mais falou em termos fortes sobre a hierarquia. Só aludiu, de passagem, a “desvios diabólicos” desta. Para entender o tempo do Segredo de Fátima, portanto, há que seguir não só o testemunho direto, mas indireto de Lúcia. Diretamente pelas palavras e visões transmitidas pela Vidente. Indiretamente pelas suas reações iludidas diante dos falsos pastores.

De fato, visto que o Segredo se refere à escalada da revolução anti-cristã dentro da própria Igreja, que acabará por abater o Papa, deveria ser prestado um testemunho para avisar desse perigo, apesar de todos os subterfúgios edesvios diabólicos de aspecto clerical dos inimigos da Igreja e executores dos seus vértices. Este testemunho falhou porque diante da visão do Segredo foi ignorada a aberta ruptura do Vaticano  II com a Tradição; uma oposição metafísica que tenta conciliar esta com a nova ordem religiosa. Se negam essa ruptura, serão as pedras a gritar!

Faz parte dissoa aversão aos «profetas de desgraças» declarada por João XXIII ao inaugurar o Vaticano II em 1962.

Aversão que pertence ao segundo interregno inaugurado com a eleição à Sede de Pedro do modernista e filo-mação Ângelo Roncalli.

Como é, porém, que Nosso Senhor enquadra essa aversão aos profetas enviados por Deus já no Antigo Testamento? Basta ler o Evangelho (Mt 23, 29-31: 34-36; Lc 11, 47-52).A aversão aos sinais de Deus se repete nos nossos dias com a recusa e o desprezo velado pelas mensagens proféticas como esta de Fátima, que foi boicotada e depois manipulada pelos “profetas de aventuras”; de João XXIII em diante e por João Paulo II, que a desapropriou à favor do atentado que sofreu, mas por razões alheias à Fé.

O testemunho de Lúcia para a credibilidade de Fátima

O que pensar da fidelidade do testemunho de Lúcia?

É claro que a missão da Vidente é ligada à obediência à autoridade da Igreja, o Papa. Mas tal obediência, mesmo sem visões sobrenaturais, pede a identificação dessa autoridade, cuja autenticidade é reconhecível pela fidelidade a Jesus Cristo, de Quem o Papa é Vigário.

O católico obedece e ouve o Papa porque está certo que ao fazê-lo, ouve e obedece a Deus. Esta certeza moral é necessária à própria fé e se há contradição no que concerne a Fé entre o que foi sempre ensinado pela Igreja e idéias humanas, seguir estas e quem as proclama como se fossem doutrinas é desobedecer a Deus.

Lúcia não foi a única testemunha das aparições, cujos sinais muitos viram e a Igreja reconheceu, mas sobre ela se apóia a mensagem e por isto deve-se compreender a gravidade de seus dilemas de consciência.

Muitos pensam que a credibilidade de Lúcia deve ser a mesma, seja no que concerne às palavras e às visões transmitidas, seja nas implicações que a Mensagem suscita. Assim não é. Pelo contrário suas opiniões demonstram que ela não é a autora do que descreve e pode muito bem ignorar do que se trata. Lúcia criança pensava que a Rússia fosse uma mulher malvada, como Bernadete ignorava a Imaculada Conceição. Foi-lhes confiada a transmissão de mensagens e não a interpretação delas, como Lúcia reconhece. Se tudo depende de um juízo doutrinal, compete à autoridade católica ajuizar; mas se depende de questões históricas ou de simples lógica, é universal e todos podem perceber, para crer.

Todo o problema do Segredo de Fátima estava na «consciência» da Irmã Lúcia. Mas pelas suas contradições sabemos que esta foi forçada, o que representa a outra característica deste segundo interregno: a promoção de uma «nova consciência da Igreja conciliar» que segue o promulgado pelo Vaticano II como questão doutrinal: a falsa liberdade!

De fato, a Igreja conciliar tem por programa declarar, como se fosse católica, a «liberdade de consciência e de religião», em substituição à «liberdade das consciências» de conhecer e aderir à Verdade revelada. Esta foi criada por Deus para a salvação dos homens, mas a outra foi estabelecida no programa maçônico para neutralizar a Igreja, nivelando-a a toda e qualquer religião. Trata-se de uma liberdade de perdição, como no caso do colapso original, mas como parecia provir da Santa Sé, enganou meio mundo abusando da falsa obediência. Aí tropeçou Lúcia.

Sobre este seu dilacerante dilema de consciência, escrevi a ela e depois um artigo, que foi publicado em três línguas. Tratava do engano abominável do segundo interregno que à luz do Segredo de Fátima pode ser entendido como o terceiro grande castigo.

Para ajudar a humanidade Nossa Senhora, na vigília da revolução russa, confiou aos três pastorinhos a mensagem que avisava doserros espalhados pela Rússia e dos perigos crescentes para o mundo, se os homens e os povos não deixassem de ofender a Deus; depois da devastadora I Guerra mundial viria uma “guerra pior”. Esta foi a pavorosa II Guerra mundial. Se depois desta guerra o mundo não mudasse, viria um terceiro flagelo, mais letal para as almas que todas as guerras e revoluções; o momento mais crucial da história.

Pode-se deduzir que esse novo flagelo seria de natureza tão tenebrosa, tão incrível nos dias em que foi anunciado, que deveria permanecer como segredo até a hora em que sua manifestação o tornasse visível à luz da Fé. Quando? Em 1960. Esta data merecia, pois, toda a atenção.

Estava no centro da entrevista da Vidente ao P. Fuentes, postulador da causa de canonização de Francisco e Jacinta. Era o momento misterioso em que seria “mais clara” a ameaça surgida contra a Fé. Mas, ao mesmo tempo, a causa desse perigo letal seria ocultada por uma enxurrada de enganos. Emblematicamente o Segredo ficou desde então encerrado no Vaticano e hoje se desconfia, errando, de tudo em torno a ele.

O período em torno a 1960 é referência histórica para a consciência no mundo moderno: houve então a mais radical revolução, que, alterando a religiosidade humana, iria invisivelmente envolver todas as sociedades. Poderia isto ser alheio à Mensagem de Fátima, cujo terceiro segredo, se fosse então revelado, seria mais claro? Não avisava este de um evento sem precedentes históricos, que, sucessivo às duas Guerras mundiais, seria mais avassalador que a Revolução russa? O que senão uma revolução universal de inspiração e origens ocultas, e de proporções e conseqüências desconhecidas porque ligadas ao «Lugar Sagrado»?

Sintomaticamente a divina Mensagem que falava de tais erros foi censurada pelos clérigos que preferiam seguir outra voz. Disse Jesus (Jo 5, 43):

«Eu vim em nome de meu Pai, e vós não me recebeis; quando vier outro em seu próprio nome recebê-lo-eis. Como podeis crer vós que recebeis a glória uns dos outros, e não buscais a glória que só de Deus vem?».

Devemos, pois, reconhecer a voz deste ‘outro’.

Vimos a sua operação para cancelar a idéia de Deus nas consciências pelo ateísmo e agnosticismo.

Mas atenção, ele já passou à fase sucessiva dessa pura negação de Deus; está na fase da substituição; não mais a nova idéia religiosa, mas uma «religião universal» que revelará como Deus deve ser, para o bem e a paz de todos, para a liberdade e a dignidade do homem em caminho para a nova ordem da divinização na «religião dahumanidade».

Ora, os desvios da verdade em matéria religiosa servem ao “mistério de iniqüidade”. Qual pode ser este hoje?

Não é talvez visível na manipulação das consciências e de Fátima?

Quanto à Irmã Lúcia, é claro que o seu testemunho segue duas fases:

antes e depois de 1958, quando morreu Pio XII e foi eleito Roncalli com o nome do antipapa João XXIII. Então, a primeira preocupação quanto à Fátima foi que Lúcia desmentisse a entrevista ao P. Fuentes. Depois que ela infelizmente obedeceu começou a cair em tantas contradições que até há quem dê por provado que haja duas Irmãs Lúcia. Coisas do segundo interregno da paixão cristã, que parece interminável.

Pode haver um colapso maior do que este para a «consciência católica»?

Quando, porém, um suficiente número de católicos reagirem com o testemunho da condição em que se encontra a Santa Igreja, que não pode ficar sob o poder de um «papa heresiarca», vigário do Anticristo, então, por fim, com o retorno da Fé verdadeira, o Imaculado Coração triunfará.

Rezemos nesta data meditando na consolação do Segredo dado em Fátima pela Mãe Celeste que anuncia o portento conclusivo:

Por fim, o Meu Coração Imaculado triunfará. O Santo Padre consagrar-Me-á à Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz”.

Nossa Senhora de Fátima - 13 de maio de 2011

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