Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

Revelação «privada» do Anticristo?

Arai Daniele

Recebi um longo telefonema de um amigo da Inglaterra avisando-me que sou criticado por ter um livro sobre Fátima com a apresentação de Hutton Gibson, que seria contra Fátima.

Devo publicar esta minha explicação em inglês, mas inicio por fazê-lo na minha língua porque estão em causa questões de nossa santa Religião.

Antes de tudo é preciso repetir que a Revelação pública ficou concluída com a morte do último Apóstolo, que transmitiu diretamente o que viu e recebeu dos mesmos lábios de Jesus Cristo.

Ora, é justamente através da Revelação de nosso Salvador que os Seus fiéis de todas as épocas sabem que haverá sinais dos tempos, especialmente para o discernimento dos tempos finais dos falsos cristos e falsos apóstolos.

Há, portanto que distinguir entre sinais para cada época e a Revelação para todos os tempos.

Disso se ocupou o apostolado católico de sempre, no qual se inserem as migalhas de nossos livros e artigos. Nestes assinalamos as Mensagens de Nossa Senhora, que ainda são catalogadas como privadas, assim como a fé na Mediação Universal de Maria, que ainda não foi proclamada como dogmática. Antes, esta fé foi censurada no Vaticano 2, enquanto a terceira parte de seu Segredo dado em Fátima já havia sido censurada pelo clérigo modernista e filo-mação, Roncalli, tido no mundo conciliar e ecumenista como o «papa bom».

Como se viu, eram assim inaugurados os tempos de uma nova classe de pontífices que seguiam os sinais dos tempos revelados pelas lojas e sinagogas do mundo.

É o engano colossal que enreda hoje o rebanho católico, enquanto muitos de seus clérigos inventam desculpas para não reagirem contra tais poderes, reinterpretando os avisos evangélicos e mesmo canônicos, especialmente os trazidos por Nossa Senhora em aparições extraordinárias nas quais a Igreja reconheceu sinais de desígnios divinos. Os avisos proféticos que transmitiram, porém, que são a razão mesma das aparições a fim de prevenir contra o obscuro «mistério da iniqüidade», são eventos hoje já realizados. Todavia esses avisos providenciais, junto com os pedidos e promessas que os acompanharam, seriam só «revelações privadas», embora ligados a questões que envolvem a ordem no mundo e na Igreja!

Vejamos o que escreveu Dom Antônio De Castro Mayer sobre esta matéria, para depois voltar ao nosso amigo Hutton Gibson, que apresenta este meu livro traduzido, mas ainda não publicado em inglês.

Apresentação de Dom Mayer do meu livro sobre Fátima («Entre Fátima e o Abismo»):

“Pio XII foi chamado papa de Fátima porque foi sagrado bispo precisamente no dia 13 de maio de 1917, data em que a Virgem Santíssima visitou seus filhos da Terra, aparecendo a três pastorzinhos em Fátima, Portugal, e consignando-lhes salutar mensagem de paz. O título atribuído a Pio XII está a indicar que Fátima e sua mensagem não são um fato particular, que visaria apenas os três videntes da Cova da Iria. Fátima alcança todos os homens. Pertence à história da Igreja. É elemento que interessa à salvação de todos os homens. Não é uma revelação pública. A revelação pública, com efeito, impõe o ato de fé, sob pena de pecado grave; e terminou com a morte do último apóstolo. No entanto, com o encerramento da revelação pública, não ficaram os fiéis privados da graça de revelações que os auxiliassem a viver sempre mais fielmente como cristãos e a melhor cuidarem de sua salvação eterna. Tais revelações são ditas privadas, embora sujeitas ao controle da Santa Igreja. Entre elas há muitas que interessam, de modo geral, a toda a Igreja, a todos os fiéis. Exemplo palpitante são as revelações de Jesus Cristo a Santa Margarida Maria Alacoque, às quais está vinculada a difusão, altamente santificante, da devoção ao Sagrado Coração de Jesus. Revelações como esta a Santa Margarida Maria não são públicas no sentido clássico. Mas também não podem ser chamadas meramente privadas, como se colimassem o bem tão-só da pessoa, ou das pessoas que a receberam. Elas têm caráter universal, como atesta o exemplo citado das revelações a Santa Margarida Maria. Entre estas estão, sem dúvida, as aparições e mensagem de Fátima. Poderíamos, mesmo, dizer que a mensagem de Fátima é a revelação ou profecia universal da nossa época, para indicar a amplitude de seu alcance. Marginalizando Fátima, afasta-se o fator da paz legado aos filhos pela Medianeira de todas as graças. Eis que, sobre ela, há toda uma literatura e não poucos documentos papais. Não é só. Pois, à medida que correm os anos e se agravam no mundo as desordens de toda espécie, o silêncio, que acoberta a revelação do Terceiro Segredo confiado aos três videntes de Fátima, e que, de si, já deveria ter sido rompido, sublinha sempre mais o alcance e valor inestimável dessa graça que, com as aparições e mensagem de Fátima, a misericórdia de Deus concedeu à Igreja e aos homens. Com o fim de auxiliar a apreciação dos eventos de Fátima, o sr. Daniele, apreciado colaborador de revistas altamente qualificadas, torna públicos os seus estudos sobre as vicissitudes que vêm acompanhando a revelação e o significado do último segredo de Fátima. Trabalho sério, altamente recomendável por si mesmo e mais ainda pelo assunto que versa.

Livro de Fátima

ENTRE FÁTIMA E O ABISMO Uma crucial contagem regressiva

Passo à apresentação por Hutton Gibson na língua original:

“I always eschew private revelations. For my purpose it is never an argument. It depends for ecclesiastic approval on its harmony with the Deposit of Faith. It is not defined dogma. I cannot call it essential for salvation, because obviously the Church operated centuries without it. Yet, it seldom helps fight the heresies characterizing the post conciliar ‘Church’. This book is not on private revelation, but rather a history of mistreatment of private revelations, of exploitation of Sister Lucy, and control through obedience – we can readily appreciate this ploy in what she may reveal. Who will believe, for instance, that a bishop who has practically demanded a written account of the Third Secret has then passed it on to Rome without reading it to see it was worth the effort [in spite of the insistence of Sister Lucy on him to read it] ? And that if the message was irrelevant in 1960 anything was ameliorated by not releasing it? Rome’s entire treatment of the matter necessarily attracts suspicion, particularly in the subsequent climate created by the over implementation of the documents and decrees of the Second Vatican Council. Truth is no longer a note of Rome under the conciliar rule: the way the Fatima event was recently treated proves it. If the ministers of Jesus Christ had difficulties to defend the Catholic Truth until Pius XII’s time, after his death this defense collapsed. This is a historical fact and since this would be clearer in 1960, as Cardinal Ottaviani heard from Sister Lucy, there is an astonishing ‘coincidence’ between the date of this emblematic disaster and the subsequent ‘conclave’ that elected John XXIII. He is the one who, in 1960, had already opened the Church to any deceit and apostasy. This after censuring the description of the Catholic pope ‘liquidation’ with his faithful followers, as depicted in the Third Secret of Fatima. This book is definitely worth the effort.”

Basta traduzir a parte final desta apresentação para saber que seu autor não é contra Fátima.

«A verdade não é mais uma nota de Roma sob o governo conciliar: o modo como o evento de Fátima foi recentemente tratado o demonstra. Se os ministros de Jesus Cristo tiveram dificuldades em defender a Verdade Católica até o tempo de Pio XII, depois de sua morte esta defesa ruiu. Este é um fato histórico e visto que seria mais claro em 1960, como o Cardeal Ottaviani ouviu da Irmã Lúcia, há uma notável ‘coincidência’ entre a data deste emblemático desastre e o subsequente ‘conclave’ que elegeu João XXIII. Ele é quem, em 1960, já havia aberto a Igreja à todo engano e apostasia. E isto depois de censurar a descrição do que foi a ‘liquidação’ do papa católico com os seus fiéis seguidores, como no ‘Terceiro Segredo de Fátima’ é mostrado.»

Visão do Segredo de Fátima

Depois disso, vemos que mesmo quem segue a nota clássica de «revelação privada» aplicada às Mensagens das Aparições marianas, por exemplo de La Salette e Fátima, nem por isto deixa considerá-las como uma indicação para que um mundo cego e um clero míope vejam o evento que parece incrível. Mas o principal é confrontar-se antes de tudo com essa realidade atual.

Ora, como o católico sabe, o aviso sobre a vinda do Anticristo está na Revelação pública.
Realmente incrível é, pois, que quando o seu sinal se concretiza com a presença em Roma de clérigos que pregam um evangelho diferente e proclamam uma «nova consciência da Igreja», haja mais resistência ao «aviso celeste» da ruína na defesa da Fé, do que aos seus demolidores.

No Seu «Discurso escatológico» Jesus avisou:

“Muitos virão em meu nome e dirão ‘Eu sou o Cristo’ e enganarão a muitos”. “Surgirão falsos profetas e farão prodígios e maravilhas, ao ponto de, se possível, enganar até os eleitos. Vede que vos preveni de tudo isto”.

Hoje, poder-se-ia dizer que entre estes «prodígios e maravilhas enganadoras» ‘até para os eleitos’ está justamente o engano de uma «realidade religiosa» de aparente continuidade na Fé, quando se demonstra a preparação de uma verdadeira oposição e ruptura com o Evangelho de Jesus Cristo. Eis a prodigiosa manobra do «Anticristo» reconhecível à luz da Fé revelada, também nas Epístolas de São João “na última hora, como tendes ouvido, chegará o Anticristo (e os anticristos que);… de nós saíram, mas não eram dos nossos” sim, porque os de hoje não negam diretamente Jesus Cristo, mas aceitam, abraçam e justificam quem O nega. Para o fazer elaboraram as ambigüidades do Vaticano 2 com suas doutrinas liberais e ecumenistas.

O católico tem o dever de detectar os portadores de tais enganos na Fé, injetados em nome da Sé da Verdade. E estes se manifestam já há mais de meio século na igreja conciliar que, à imagem do mundo moderno, declaram a liberdade de toda consciência diante da Lei de Deus e celebram essa livre «diversidade religiosa» no espírito de encontro das «religiões do mundo» em Assis!

Que os filhos da Igreja considerem, em consciência, se um engano dessa dimensão e extensão, não precisava de um aviso extraordinário para ser publicamente reconhecido e enfrentado.

A terceira parte do Segredo de Fátima assinala a «liquidação» do papa que é o obstáculo a esse momento crucial de toda decadência humana. Mas contra o discernimento do seu aviso insurge um aparato clerical e não só, que nega a atualidade dos avisos trazidos pelas aparições marianas de nossa era. Seriam apenas revelações privadas! Sim, mas os eventos avisados e já realizados na história do mundo e da Igreja, como seja a obra demolidora dos profetas conciliares de João 23 a Bento 16, é pública e notória para quem professa a Fé católica; são reconhecíveis mesmo por quem não acredita nos avisos de Nossa Senhora. Só para quem não vê com horror a demolição da Igreja estes podem não assinalar a obra do Anticristo numa Roma que perdeu a Fé.

La Salette Nossa Senhora Rainha destronada

Como se constata, porém, a decadência religiosa e clerical de nosso tempo é abissal e mesmo na presença deste inimigo – quando Roma perde a Fé e se torna a sede do Anticristo – alguns infelizes dirão que se trata só de uma visão privada. Ou então, que é melhor ter um vigário do Anticristo no lugar do Papa do que reconhecer a inaudita vacância atual, que já dura mais de meio século! Na verdade ela dura e continua a durar só porque não foi nem é reconhecida por essa geração de minguada espiritualidade e acabrunhante materialidade.

No livro do Apocalipse para estes casos é recomendado o colírio da Fé, porque ao contrário de ver a realidade da Igreja, uma imensa maioria segue a miragem nefasta do falso culto papal. Este aumenta ao ponto de ver a beatificação dos que demoliram a Fé e abriram a Igreja a toda sorte de heresias e profanações. Ou será que estes também são fatos privados?

A potência máxima do engano anticrístico usa um culto de aparência papal para ocupar o vértice da Igreja sem encontrar resistências. Com isto o engano do maior inimigo da Fé resta em força enquanto a pouca fé e a parca inteligência de muitos o aceita e demanda a quem o contesta as provas «canônicas» desse engano sacrílego! Para estes a alteração do Evangelho por quem foi coroado papa é um delito relativo se este não ousou fazê-lo de modo «infalível».

De absoluto só haveria o poder do conclave que elege o papa, mesmo se depois se verificou que esta foi a eleição de um desviado oculto escolhido pela anti-igreja para implementar o plano de maçonizar a Fé e demolir a Igreja. Ou será que isto não é um fato público e notório, mas uma realidade «privada» que o fiel é livre de ver ou simplesmente ignorar!

Que ninguém se engane porém: no testemunho final da Fé acima de toda aparência reside a prova de cada consciência fiel. Só quem ama a verdade acima de toda conveniência e risco humano pode servir fielmente a Igreja e agradar a Deus. Para isto nos foram dados os «talentos» da inteligência e da vontade com que acolher todo sinal que a Providência divina nos manda para nos salvar em nome de Jesus crucificado no testemunho da Verdade.

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