Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

PORQUE O ANTICRISTO DETESTA CHARLES MAURRAS

O católico conhecendo os eternos desígnios divinos para a História humana que conheceu a encarnação de Jesus Cristo, sabe que o Anticristo também está presente nessa História desde o livro da Genesis até o do Apocalipse.

No entanto seu nome apareceu claro somente no Novo Testamento, quando os possíveis amigos de Jesus passaram a ser seus inimigos.

Vamos seguir aqui esta oposição original para incluir entre estes amigos o famoso Charles Maurras (foto abaixo), que foi condenado pelo Vaticano depois de um seu altissonante «non possumus» contra a sentença do Vaticano que debilitava sua oposição à profunda e crescente demolição dos princípios cristãos na França, que ele como «monárquico pagão» ousava defender.

Charles Maurras

Ora, lembremos que no Evangelho entre os possíveis amigos de Jesus havia centuriões romanos, representantes de um Império pagão que iria no futuro perseguir os cristãos, mas depois de três séculos se converter à Fé de Jesus.

Aliás, já desde os primeiros tempos, esse Império podia ser considerado pelos Padres da Igreja como um obstáculo, o «katéchon» indicado por São Paulo na sua 2ª Epístola aos Tessalonicenses contra o Anticristo.

Entende-se isto porque os Romanos respeitavam na lei natural a «pietas» que podia com pouco converter-se ao Cristianismo, como aconteceu.

Aqui segue a tradução da parte inicial de um meu artigo em francês sobre a lição que se pode tirar da nota polêmica com Marc Sangnier, fundador do «Sillon» modernista, da parte de Maurras. No seu discurso ele professou essa mesma linha «romana» no texto que segue no original francês.

Antes disso, porém, é importante conhecer a história de suas atividades e de suas alianças com grandes católicos combativos naquela encruzilhada que marcou a história da França, da Igreja e de todo o nosso triste tempo.

Para isto nada melhor que seguir Gustavo Corção no seu bem documentado 1º capítulo na 2ª parte do livro «O Século do Nada» (Distribuidora Record, Rio-SãoPaulo, 2ª edição), livro que depois, numa palestra gravada, o autor afirmou que melhor teria sido intitulá-lo «O Século da Mentira».

Pois bem, Corção publica os textos sobre o envolvimento da «Action Française» de Maurras no «Affaire Dreyfus», que marcou ferozmente a história recente da França. Mas principalmente se ocupa da relação desse autor descrente com os Papas.

São Pio X evitou de publicar o dossiê que condenava a doutrina desse «enfant térrible» da política francesa e ao contrário, não perdeu a ocasião, quando foi o caso, de considerá-lo «belo defensor da Fé»!

Assim não foi com o Papa Pio XI, muitas vezes mal aconselhado pelos seus núncios. Por exemplo no caso dos «Cristeros» do México, quando orientou estes defensores da Igreja de Cristo Rei a cederam as armas ao governo da Revolução, que foram traiçoeiramente os dizimou.

Também em 1926, esse Papa condenou a Action Française(AF), liderada pelo monarquista Charles Maurras que, embora acatólico, liderava a luta contra o laicismo e pelo monarca que fosse o lugar-tenente de Cristo Rei. Pio XI queria favorecer a Ação Católica mas esta não tinha condições de substituir a Ação dos bons católicos da AF no campo político, o que levou a uma débâcle dos valores católicos na França. Mais tarde o mesmo Papa o reconheceu, mas era tarde.

Gustavo Corção

Gustavo Corção

Gustavo Corção documenta tudo isto e descreve os sofrimentos desse líder e das orações pedidas para a sua conversão. Esta se deu no fim de sua vida, tão combativa e lúcida por bons princípios, como amargurada por pérfidas perseguições contra a sua defesa destes, hoje demolidos na mesma Igreja.

Pode-se aplicar o pensamento de Charles Maurras, além das questões sobre a situação do mundo e da França, também às questões da Igreja?

Ora esse autor no seu livro ‘La Démocratie Religieuse’, trata do ‘dilemme politique de Sangnier’, com isto responde afirmativamente à questão. Esse livro desvela, até de modo que se pode dizer profético, o aggiornamento do Catolicismo à decadência do mundo moderno através da deletéria política democrata cristã do Sillon. Maurras analisou a ardilosa falsificação da Doutrina social católica por obra de Marc Sangnier, cuja doutrina adaptada ganhará enorme importância em seguida pela obra dos «papas conciliares».

De fato, o espírito desviante do sillonismo, depois condenado por São Pio X na «Notre charge apostolique», formou os clérigos que irão ser galgados às posições para representar a autoridade católica, mas na pérfida promoção da igreja democratista do Vaticano 2: de João 23 ao atual Bento 16.

O incroyant (?) Maurras, que se demonstrara mais próximo do pensamento católico do que o croyant Sangnier, revela-se ainda hoje, maior defensor do verdadeiro catolicismo do que a matilha conciliar. Isto por causa do que se pode definir pensar com firmes princípios tradicionais.

Pode-se constatá-lo no livro que enfrenta as questões do dilema sillonista, que apresentei nos títulos aos quais seguem as respostas a tais problemas.

A este ponto pode-se perguntar se o pensamento de Charles Maurras com seus princípios, além das questões sobre a situação do mundo, da França e da Igreja, não se aplica à questão do princípio da autoridade legítima na mesma Igreja? Qual seria sua posição vis-à-vis as autoridades conciliares? Ele que reagiu com um imprudente «non possumus» diante da Roma de Pio XI, se eximiria de pronunciar um indispensável e legítimo «non possumus» diante dos demolidores conciliares da Roma eterna, sua Cidade modelo?

Teria ele calado vendo na Sede de São Pio X, cuja doutrina admirava, um sucessor do desviado Sangnier, cujo pensamento modernista deplorava?

Maurras exaltava a ordem católica: “Rien au monde n’est comparable à ce corps de prin­cipes”. Nada no mundo se compara a este corpo de princípios. Podia faltar a ele a Lei para julgar o dilemme da contrafação silloniste, que dominou com o Vaticano 2? O fato certo é que nada no mundo envenena hoje mais os espíritos que esse aggiornamento na direção da nova ordem mundial; desordem fatal que conculca justamente os princípios da unidade, da fraternidade, da dignidade, da liberdade, e da unicidade católicos.

Entretanto, o «resto» dos católicos resistentes a essa demolição doutrinal, divide-se sobre a legitimidade de um papado conciliar, cuja pregação e iniciativas são justamente a causa da destruição dos princípios da Igreja de Jesus Cristo; «papado» sem autenticidade católica e romana, mas legítimo!

Aqui veremos como Maurras define essa romanidade católica insuperável.

Eu sou Romano

Je suis Romain, parce que Rome, dès le consul Marius et le divin Jules, jusqu’à Théodose, ébaucha la première configura­tion de ma France. Je suis Romain, parce que Rome, la Rome des prêtres et des papes, a donné la solidité éternelle du senti­ment, des moeurs, de la langue, du culte, à l’œuvre politique des généraux, des administrateurs et des juges romains. Je suis Romain, parce que si mes pères n’avaient pas été Romains comme je le suis, la première invasion barbare, entre le Ve et le Xe siècle, aurait fait aujourd’hui de moi une espèce d’Allemand ou de Norvégien. Je suis Romain, parce que, n’était ma roma­nité tutélaire, la seconde invasion barbare, qui eut lieu au XVIe siècle, l’invasion protestante, aurait tiré de moi une espèce de Suisse. Je suis Romain dès que j’abonde en mon être histo­rique, intellectuel et moral.

Je suis Romain, parce que si je ne l’étais pas je n’aurais à peu près plus rien de français. Et je n’éprouve jamais de difficultés à me sentir ainsi Romain, les intérêts du catholicisme romain et ceux de la France se confon­dant presque toujours, ne se contredisant nulle part. Mais d’autres intérêts encore, plus généraux, sinon plus pressants, me font une loi de me sentir Romain. “Je suis Romain dans la mesure où je me sens homme ani­mal qui construit des villes et des Etats, non vague rongeur de racines; animal social, et non carnassier solitaire; cet animal qui, voyageur ou sédentaire, excelle à capitaliser les acquisi­tions du passé et même à en déduire une loi rationnelle, non destructeur errant par hordes et nourri des vestiges de la ruine qu’il a créée. Je suis Romain par tout le positif de mon être, par tout ce qu’y joignirent le plaisir, le travail, la pensée, la mémoire, la raison, la science, les arts, la politique et la poésie des hommes vivants et réunis avant moi. Par ce trésor dont elle a reçu d’Athènes et transmis le dépôt à notre Paris, Rome signifie sans conteste la civilisation et l’humanité.

Je suis Romain, je suis humain, deux propositions identiques. Rome dit oui, l’Homme dit oui. Voilà l’identité profonde que m’a fait sentir M. Clemenceau au moyen de sa paraphrase misé­rable du non cher aux sauvages, aux barbares et aux enfants. Si le diable n’était trop grand seigneur pour être associé à nos contemporains, je dirais que ce simple sénateur radical m’a rendu le même service que le diable dans la nouvelle de Mis­tral: il a apporté sa pierre, une dernière pierre, au monument de ma conviction essentielle, ou du moins il a illustré d’un symbole satisfaisant tout ce qui m’était suggéré par ma réflexion en art, en morale, en littérature, en histoire. Avec quelques personnages qui lui ressemblent, avec le régime qui les reflète si purement, ils ont parfaitement réussi à nous faire entendre qui nous sommes et ce que nous aimons: très exactement le contraire de ce qu’ils aiment et de ce qu’ils sont… N’ai-je pas saisi une cause? Ne sais-je pas le fond de tant de haine ou d’amitié? Tout désormais s’explique par une diffé­rence, la plus claire du monde et la plus sensible: un oui, un non. Ceux-là ne veulent pas, ceux-ci veulent, désirent. Quoi donc? Que quelque chose soit, avec les conditions nécessaires de l’Etre. Les uns conspirent à la vie et à la durée: les autres souhaitent, plus ou moins nettement, que ce qui est ne soit bientôt plus, que ce qui se produit avorte, enfin que ce qui tend à être ne parvienne jamais au jour. Ces derniers constituent la vivante armée de la mort; ils sont l’inimitié jurée, directe, méthodique, de ce qui est, agit, recrute, peuple: on peut les définir une contradiction, une critique pure, formule humaine du néant.

“Le oui, le non: double série des causes contraires en travail. Le positif est catholique et le négatif ne l’est pas. Le négatif tend à nier le genre humain commela France et le toit domes­tique comme l’obscure enceinte de la conscience privée; ne le croyez pas s’il soutient qu’il nie uniquement le frein, la chaîne, la délimitation, le lien il s’attaque à ce que ces néga­tions apparentes ont de positif. Comme il ne saurait exister de figure sans le trait qui la cerne et la ligne qui la contient, dès que l’Etre commence à s’éloigner de son contraire, dès que l’Etre est, il a sa forme, il a son ordre, et c’est cela même dont il est borné qui le constitue. Quelle existence est sans essence? Qu’est-ce que l’Etre sans la loi? A tous les degrés de l’échelle, l’Etre faiblit quand mollit l’ordre; il se dissout pour peu que l’ordre ne le tienne plus. Les déclamateurs qui s’élèvent contre la règle ou la contrainte au nom de la liberté ou du droit, sont les avocats plus ou moins dissimulés du néant.

“Inconscients, ils veulent l’Etre sans la condition de l’Etre et, conscients, leur misanthropie naturelle, ou leur perversité d’imagination, ou quelque idéalisme héréditaire transformé en folie furieuse les a déterminés à rêver, à vouloir le rien.

A adesão de Maurras ao pensamento católico fundado sobre a ordem do Ser, seguia a necessária e urgente repulsa do desvario gnóstico, ao qual corresponde o non possumus diante do espírito modernista de Sangnier. Este formou a nova Igreja conciliar e hoje domina numa sociedade cuja mentalidade decadente não pode produzir outro fruto final que um nefasto nihilismo demolidor da ordem natural criada por Deus.

A confissão de fé de Maurras aparece aqui em germe. E se manifesta na oposição lúcida à religião do culto do homem fundada no «não» a Deus e reconhecida com «imensa simpatia» no discurso com que Paulo 6 encerrou o Vaticano 2:

“A Igreja, nesses quatro anos, se ocupou muito do homem, do homem tal como ele se apresenta na realidade em nossa época, o homem vivo. O homem todo inteiro ocupado consigo mesmo, o homem que se faz não somente o centro de tudo o que lhe interessa, mas que ousa pretender ser o princípio e a razão última de toda a realidade […]”.

“A religião do Deus que se fez homem se encontrou com a religião, porque ela é tal, do homem que se faz Deus”.

“Uma simpatia imensa invadiu totalmente a Igreja. A descoberta das necessidades humanas – e elas são tão maiores à medida que o filho da terra se torna maior – absorveu a atenção deste Sínodo”.

“A Igreja quase que se fez serva da humanidade”.

“Sabei reconhecer nosso novo humanismo: nós também, nós, mais que quem quer que seja, nós temos o culto do homem”.

(Extratos do discurso de Paulo VI no encerramento do Concílio Vaticano II)

Por tudo isto, se compreende bem como os papas conciliares puderam fazer uma opção preferencial pela ONU e Paulo VI, antes de encerrar o Concílio, tenha voado para Nova York a fim de proclamar no Palácio de Vidro seu novo conceito de liberdade religiosa, conforme à liberdade da UNESCO e não do Evangelho de Cristo, segundo todos os Papas e Concílios da Igreja.

Os resultados desse novo conceito de liberdade, exarado por tal «cátedra religiosa suprema», se difundiu para a inevitável degradação espiritual de todo o mundo humano. Maurras o previa e acusou em tempo.

«Je crois profondément que plusieurs des modernes ennemis du catholicisme conçoivent ce désir avec lucidité. Ils sont radi­calement destructeurs, destructeurs avec conscience. Ils nour­rissent la claire cupidité du néant. Ils en éprouvent la délecta­tion certaine, absurde et terrible. Comment ne pas être contre eux? Comment ne pas courir à l’aide du génie de la construc­tion en péril?»

É a conclusão de Charles Maurras diante dos demolidores, que porém ele só conheceu como autores do sillonismo, não de um «concílio» e de um «papado» que o promove, junto a outros erros e heresias, como se fossem parte em continuidade com a Doutrina católica. Quem professou e professa seus princípios não pode evitar de mobilizar-se contra este nihilismo que é o real fundamento da modernidade, cujo «progresso» foi abençoado pelos profetas do Vaticano 2, assembléia que aplicou as idéias do Sillon de Sangnier diante do perigo final: a conciliação gnóstica e hegeliana do «oui» com o «non», da fé católica com a superstição ecumenista, do bem com o mal, de Jesus Cristo com Belial e cupinchas paramentados!

Pode subsistir uma igreja com o nome católico para realizar essa incrível contraditória conciliação, fórmula anti-humana do nada? Podem os clérigos que conspiram contra a permanência da religião do Ser, os que constituem a armada frenética da nova religião vazia dos princípios basilares do Ser, constituir uma autoridade que não seja abortada pelas suas mesmas idéias demolidoras inspiradas pelo Anticristo e promovidas pelos seus vigários?

E pode o Anticristo não detestar até hoje esse líder, assim como a nós católicos que denunciamos essa funesta cilada de tempos finais?

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