Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

O «PAI» DA APOSTASIA GERA CÚMPLICES DOS ANTICRISTOS

Diabo e Anticristo

A RELAÇÃO ENTRE O ANTICRISTO E A SEDE VACANTE

 

Arai Daniele

Deus fechou todos na descrença (apostasia) para de todos ter misericórdia” (Rm 11, 32). Mas desta só beneficia quem se converte à Verdade da única Igreja pela qual o Filho de Deus deu a vida na Cruz. Esta nada tem a ver com a igreja conciliar-ecumenista do Anticristo. Eis o filho do Diabo assassino da Verdade. A prova de sua obra no Vaticano 2 se tem também pela total omissão de sua existência e do Inferno, naquela imensa papelada infernal[1]. Quem não a denuncia, para que seja exorcizada junto com os seus pérfidos autores, torna-se cúmplice deste «pai», príncipe deste mundo em vias de perdição.

A Sede pontifícia da Igreja Católica Apostólica Romana foi instituída divinamente sobre São Pedro e sucessores para representar Nosso Senhor Jesus Cristo na defesa e confirmação da Sua Fé na terra. Esta defesa abrange também a justiça segundo a lei natural, divina e humana neste mundo, pondo obstáculo ao mal de decorre do que se opõe à ordem social decorrente da lei ligada à natureza do homem, como Deus o criou.

Este obstáculo, o “katéchon” das Escrituras, defende a lei divina revelada e gerida pela entidade centrada na ordem natural. Portanto o «obstáculo» à desordem social podia ser identificado com o Império romano e depois com a Igreja e o seu Pontífice.

Para São Tomás ele depende da união e submissão ao Império espiritual romano, que passou do antigo império temporal à Igreja Romana, sede e centro da fé católica.

Até quando este império da ordem natural e divina for reconhecido, respeitado e obedecido, o obstáculo ao Anticristo subsistirá. Quando tal guardião, o Papa, é eliminado, cai o obstáculo e prevalece o Inimigo com a liberdade da desordem e da impiedade. Eis o evento promotor da demolição do império espiritual cristão a favor de impérios materialistas, que destroem a vida tanto das almas como das nações.

Qual é o «aviso» evangélico a respeito? No Discurso escatológico Jesus previne: “Muitos virão em meu nome e dirão ‘Eu sou o Cristo’ e enganarão a muitos” (Mt. 24, 4-5; Mc. 13, 3-4; Lc. 21, 8). “Surgirão falsos profetas e farão prodígios e maravilhas, ao ponto de enganar, se fosse possível, até os eleitos. Vede que vos preveni de tudo” (Mt. 24,23-24; Mc. 13, 21-23).

Sede da Verdade e Templo de Deus

São Paulo descreve este falso cristo sedutor com seu grande poder de sedução; será «o homem da iniqüidade e o filho da perdição, que se opõe e se lança contra tudo o que se disse Deus ou é adorado, até sentar-se no Templo de Deus» (Cf. II Ts. 2, 4). Assim descreve uma realidade sem nome, mas com uma posição de presídio reconhecido que vai enganar muitos; uma maioria!

O nome deste invasor aparecerá nas Epístolas de São João:

«Filhinhos, esta é a última hora, como tendes ouvido está para chegar o Anticristo; digo-lhes agora, que muitos se fizeram Anticristos… De nós saíram, mas não eram dos nossos (I Jo, 2, 18-23).

Ora, nesse tempo final o Katéchon, o obstáculo será eliminado, segundo São Paulo (II Ts), para que no seu lugar apareça entronizado na Sede mesma de Deus o Anticristo, em ruptura enganosa e oposição essencial a tudo o «que tem o nome de Deus».

De qual sede se fala senão da Sede suprema que representa Deus em Terra: a Santa Sede?

A este ponto qual o estado dessa Sede? Estará certamente ocupada pelo máximo poder de engano e perfídia diante da Fé. Mas isto não significa ao mesmo tempo a vacância da mesma autoridade católica e apostólica instituída por Nosso Senhor Jesus Cristo?

Qual o modo para discernir sobre essa tremenda realidade senão a Fé ali confessada?

E hoje sabemos que ali se professa a nova fé conciliar, modernista e ecumenista!

Como o engano nessas condições é máximo, podendo enganar até os fiéis, vejamos o modo como são acusados os ditos «sedevacantistas», empenhados nesse discernimento, pelo conhecido professor Orlando Fedeli, que foi um combativo católico militante. Ele afirma:

O sedevacantismo é condenável sempre, porque necessariamente todo sedevacantista é cismático, se não herege. Não há poder na terra que possa declarar que um Papa perdeu a autoridade. Se houvesse um poder assim, as chaves da Igreja estariam, não com Pedro, mas com esse poder. Por isso, o conciliarismo – tese que afirma a superioridade do Concílio sobre o Papa – é condenado pela Igreja. [http://www.montfort.org.br/old/index.php?secao=cartas&subsecao=apologetica&artigo=20040730123932&lang=bra]

Trata-se de uma “demonstração” baseada na própria “conclusão”!

Esta «declaração» do Orlando Fedeli propõe-se a responder a uma questão alheia ao “sedevacantismo” porque este não contesta o poder de um papa autêntico. Pelo contrário, considera, seguindo o Magistério papal, que uma falsificação deste, por exemplo dando direito à liberdade religiosa, não pode provir de um verdadeiro Papa. Isto o diz para preservar a honra dessa Sede.

Assim a questão ficou invertida ao supor que todo clérigo eleito papa, qualquer que seja a sua fé, teria a autoridade de Deus e a posse da Santa Sé. Ora, o Evangelho, a Lei da Igreja e o Papa Paulo IV, ensinam que quem traz um evangelho diferente (herético) não só é privado de autoridade, mas é condenável (anatemizado), mesmo se parece um anjo ou um apóstolo.

Basta ler a Epístola aos Gálatas (1,8) ou considerar seriamente o Magistério da Igreja. Este, na Bula do Papa Paulo IV e não só, nega toda autoridade aos hereges em qualquer tempo.

“(…) E queremos e decretamos que todos aqueles que até agora houvessem sido encontrados, ou houvessem confessado, ou fossem convictos de ter-se desviado da Fé Católica, ou de haver incorrido em alguma heresia ou cisma, ou de tê-los suscitado ou cometido; ou bem os que no futuro se apartaram da fé (o que Deus se digne impedir segundo sua clemência e sua bondade para com todos), ou incorrerem em heresia, ou cisma, ou os suscitarem ou cometerem; ou bem os que houverem de ser surpreendidos de haver caído, incorrido, suscitado ou cometido, ou o confessem, ou o admitam, de qualquer grado, condição e preeminência, incluso os bispos, Arcebispos, Patriarcas, Primados, ou de qualquer autoridade ou dignidade qualquer, outra dignidade eclesiástica superior; ou bem Cardeais, ou Legados perpétuos ou temporais da Sé Apostólica, com qualquer destino; ou os que sobressaltam por qualquer autoridade ou dignidade temporal, de conde, barão, marquês, duque, rei, imperador, enfim queremos e decretamos que qualquer um deles incorra nas ante ditas sentenças, censuras e castigos“.

Como poderia um falso cristo receber “poder” de Deus para desgovernar a sua Igreja? Se os homens se enganam num conclave que o elege, pode Deus ser enganado outorgando poder a um desviado?

Eis a questão que vamos considerar agora, respondendo às confusões da infeliz afirmação acima citada, que ignora a Lei da Igreja e toda lógica, como se reconhece logo nas indefinições que encerra.

Então precisamos definir os seus termos:

Sedevacantistas: Católicos que reconhecem ser impossível que no Trono de Pedro tenha autoridade quem não professa a fé católica, visto que este não é membro da Igreja e se não é membro não pode ser sua cabeça visível.

Os sedevacantistas seriam sempre cismáticos.

Ora, o que é cismático? O que é um cisma?

Cisma é a separação voluntária e pertinaz do batizado da unidade da Igreja” (M.C. Coronata Tomo II, col. 2298). O cisma normalmente se dá por insubmissão às autoridades eclesiásticas legítimas. Indica uma ruptura, tanto mais grave quando concerne também a Fé.

Herege: Enquanto o cânon 1325 [do direito canônico, direito eclesial] declara herege quem nega ou duvida pertinaciter (pertinazmente) de uma verdade a ser crida com fé divina e católica, o cânon 1323 sublinha que doutrina alguma é considerada pertencente a essa categoria “nisi id manifeste constiterit” (a não ser que isso seja manifesto). Herrmann [teólogo da Igreja] resume a doutrina comum dos teólogos fazendo a precisão de que proposição herética é aquela que se opõe diretamente, certamente e manifestamente a uma dessas verdades (Inst. Theol. Dogm. I[. 32).]

Pois bem, os católicos que não reconhecem como papas legítimos os clérigos que desde a morte do Papa Pio XII ocupam a Sede de Roma, devido ao fato destes serem hereges por negarem publicamente verdades de fé, não são cismáticos porque não rompem com nenhuma autoridade legítima, pelo contrário seguem o conselho do Direito divino de não receberem quem traz outro evangelho (Gálatas 1,8), e não se unem àqueles que romperam com a Doutrina Revelada por Cristo. O fazem baseados na Lei da Igreja que afirma inválida a eleição de um herege mesmo se com o consenso unânime dos cardeais. Além disso, é doutrina dos teólogos da Igreja o seguinte:

Tampouco é alguém um cismático por negar a sua sujeição ao Pontífice com base em ter dúvidas solidamente fundamentadas concernentes à legitimidade da eleição dele ou ao poder dele” (DE LUGO, Disputationes Scholasticae et Morales, De Virtute Fidei Divinae, disp. xxv, sect. iii, nn. 35-8).

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