Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

NA ROMA ACÉFALA A OBRA DE MGR LEFEBVRE TORNOU-SE BICÉFALA

No meio do caminho de nossa resistência católica, nos encontramos numa emaranhada selva escura da qual sair sem um bom guia parece impossível.

Teria Nosso Senhor nos deixado desamparados nessa hora terrível em que o mundo parece tomar posse da Igreja e introduzir nela os seus venenos?

Não havia prometido justamente que não a abandonaria e que as portas do inferno não prevaleceriam sobre Ela? Isto é uma certeza de Fé, mas hoje até a interpretação destas palavras tornou-se equívoca para uma classe clerical, cuja decenal confusão mental passou a ser tanto incerta como invertida; quando falta a Cabeça, despontam os mais disparatados juízos próprios.

Devido à importante dimensão assumida pela FSSPX de Mgr Lefebvre, vai ser com respeito a esta que aqui relataremos essa desastrosa bicefalia, em parte ajudados pela abundante literatura a respeito, mormente o atual relato da Radio Cristiandad EL PLAN DE ADOCTRINAMIENTO DÍA A DÍA, de Sábado 17 setembro 2011. Ali se mostra a lavagem de cérebro dos fiéis com certas declarações selecionadas do Arcebispo, como se não existissem outras declarações mais importantes e esclarecedoras sobre a enganosa manobra conciliar dos anticristos que estão no Vaticano!

A bicefalia de duas mentes diversas: a incerta e a invertida

Devemos começar a descrição pelas mentes invertidas, que são as mais numerosas e escandalosas para a Fé e para o testemunho da Tradição.

Nesta mentalidade estão incluídos os que manipulam o testemunho de Mgr Lefebvre para eliminar nele todo sentido de repulsa doutrinal ao Vaticano 2.

Não precisamos repeti-lo na sua abundância, que consta de discursos, livros e declarações públicas. Basta dizer que hoje estes são censurados pela nova FSSPX, que chegou a levar aos tribunais civis Padres, editores e amigos do Arcebispo, para sustar a publicação deste testemunho que consideram prejudicial ao curso de seus entendimentos com a «Roma conciliar».

Trata-se de uma desonesta inversão da rota seguida pelo Fundador sobre o que é a razão mesma da existência dessa Fraternidade sacerdotal.

Padre Rifan

Mais além da inversão da rota seguida pelo valente, mas incerto Arcebispo, envolto na maior tramóia religiosa de todos os tempos, temos o exemplo da fatal inversão mental de neo-convertidos à Igreja conciliar, como seja o infeliz P. Rifan, que hoje assume o contrário do que explicava no passado:

«Se, na teoria ou na prática, considerássemos a Nova Missa, em si mesma, como inválida, sacrílega, heterodoxa ou não católica, pecaminosa e, portanto, ilegítima, deveríamos tirar as lógicas conseqüências teológicas dessa posição e aplicá-la ao Papa e a todo o Episcopado residente no mundo, isto é, a toda a Igreja docente: ou seja, sustentar que a Igreja oficialmente possa promulgar, tenha promulgado, conserve há décadas e ofereça todos os dias a Deus um culto ilegítimo e pecaminoso – proposição reprovada pelo Magistério – e que, portanto, as portas do Inferno tenham prevalecido contra ela, o que seria uma heresia… Pela teologia católica, a Igreja, pela sua infalibilidade e indefectibilidade, não pode promulgar oficial e universalmente um rito não católico ou prejudicial às almas e, por isso mesmo realmente não o fez.» (http://coetusacerdotalis.blogspot.com/2011/08/nota-sobre-concelebracao-da-santa-missa.html) [COMENTÁRIOS AQUI]

Aqui vemos o deplorável processo de inversão mental e espiritual, que nem os católicos sérios, nem quem respeita a simples lógica, podem aceitar.

Pela teologia católica, a Igreja, devido à indefectibilidade e infalibilidade de Seu único Chefe, promulga e universalmente aplica ritos católicos para a salvação das almas. Se é feito o contrário com um rito daninho, então nem o rito é católico, nem quem o promulgou é fiel a Quem finge de representar.

A verificação objetiva disso se faz na conformidade do rito com a Doutrina de Jesus Cristo sempre ensinada, jamais no aspecto de voz «angélica ou apostólica» (veja Gl 1.8) de falsos mestres a serviço de outrem.

Ora, a considerar que a Nova Missa é em si objetivamente heterodoxa, não católica e, portanto, ilegítima, foram Cardeais, Bispos e Teólogos do mais alto nível, que expuseram essas razões objetivas ao alcance de todos porque definidas pelo Magistério. Veja-se o «Breve Exame Crítico» dos Cardeais Ottaviani e Bacci sobre a «Nova Missa de Paulo 6», que “se afasta de modo impressionante da Teologia católica do Concílio de Trento”.

A outra dicefalia mental: da incerteza militante!

Tantos textos descrevem quais são essencialmente as razões que nortearam Mgr Marcel Lefebvre na formação da sua Fraternidade Sacerdotal, à qual aderiram tantos católicos, resistentes às pérfidas inversões conciliares.

Em seguida, porém, diante da enorme pressão de um Vaticano conciliar aliado ao mundo moderno e aos seus desvairados enganos, a lógica clerical passou a servir em duas frentes: identificar erros, mas justificar errantes.

E hoje se paga caro essa ambigüidade, usando e abusando de frases de Mgr Lefebvre. Por exemplo quando disse:

“Há duas «Romas» que combatem entre si. É absolutamente certo que há uma profunda divisão entre elas. Devemos rezar muito, porque o Papa está envolvido no centro de uma tormenta e já não comanda. É uma situação muito grave.  Algumas congregações ordenam uma coisa, outras o contrário”.

Se a palavra «acefalia», isto é, sem cabeça, assume hoje na Igreja católica um sentido emblemático, visto que esta tem por verdadeira e única Cabeça perene Nosso Senhor Jesus Cristo, que nunca lhe pode faltar, e se vemos no presente confirmados os temores de duas Romas, haveria que definir a verdadeira e recusar a falsa. E hoje, já muitos teólogos importantes falam dessa «igreja em ruptura»: «outra igreja» com uma nova cabeça surgida para substituir a decapitada (veja a previsão de Nosso Senhor em Fátima sobre o Papa como o Rei de França).

A verdadeira Roma é reconhecível pelo dogma de Fé definido pelo Concílio Ecumênico Vaticano I:

“Esta Sé de São Pedro permanece imune de todo erro, segundo a promessa de Nosso Divino Salvador feita ao Príncipe de Seus Apóstolos: “Eu roguei por ti, para que tua Fé não desfaleça; e tu, uma vez convertido, confirma teus irmãos (Lc 22, 32)”. Esse mesmo Concílio Ecumênico Vaticano I define que este carisma da verdade e da fé que nunca falta, foi conferido a Pedro e a seus sucessores nesta cátedra…”.

Ora, como toda acepção lógica implica a sua forma reversa, uma «Sé» que não permanece isenta de todo erro, mas ensina este aos fiéis, abusa desta identidade; demonstrando com isto não ser “a Sé de São Pedro imune de todo erro”, objeto da promessa de Nosso Divino Salvador feita ao Príncipe dos Apóstolos. Este é o fato do qual devemos tirar as lógicas conseqüências teológicas, porque a referência é a Fé imutável e não aparências efêmeras; é a Palavra divina transmitida sem interrupção apostólica, não as novidades impostas com aspecto apostólico para aprazer o mundo anticristão.

O Papa pronuncia uma questão de Fé porque esta é verdadeira e não o oposto, isto é, uma questão, ou um rito passa a ser verdadeiro porque assim o declara um «papa». É, portanto, claro que faltando ao novo rito de Paulo 6 o carisma da verdade e da fé católica, este não se torna verdadeiro rito da Igreja e seu promotor não deve ser tido como vigário de Quem confere o poder para confirmar a infalível Fé católica na perpétua «lex orandi».

Ora, por um lapso de tempo, durante uma vacância na Sede de Pedro, pode-se falar de Igreja provisoriamente acéfala, privada de uma «cabeça terrena», do Vigário de Cristo, o Papa, sucessor de Pedro também chamado «Cefas».

A verdadeira Igreja se revela na ordem sobrenatural, que mantêm intacta a continuidade na «profissão de Fé» de Pedro, «não revelada pelo sangue ou pela carne, mas por Meu Pai que está nos céus; sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão sobre ela» (Mt 16, 17-18).

Daí que esta outra Igreja que prega o erro é «a-Cefas». Embora hoje seja de moda no estupidário traicionalista falar de um papa para duas igrejas e de «uma só Igreja e duas doutrinas» (Si si no no, 30.o6.2011).

O princípio da Igreja, a pedra, a chave, a autoridade e tudo Nela, deriva de uma única Fé sobrenatural, que deve reger a ordem natural humana, porque é ela que a determina e transcende. Que católico fiel pode imaginar uma igreja, ou um papa, ou um povo, que se dizem fiéis dispensando essa Fé a favor de outra «multicultural», «mais universal» e «ecumenista»?

Isso aconteceu com o «aparato conciliar do Vaticano II», que não pretende converter mais ninguém, nem mesmo os judeus, à Féem Jesus Cristo.

Um fato escandaloso e de cunho terminal; uma alienação da Igreja de Deus.

No entanto, ainda hoje predomina um profundo aviltamento do testemunho clerical, dito católico, que se manifesta na contradição de reconhecer e até acusar outra igreja e outro povo caídos no desvio fatal, mas não os «seus chefes» responsáveis, que são a causa eficiente da demolição da profissão de Fé da Igreja, senão nos papéis e nos discursos, nos seus atos.

A dicefalia da classe clerical «incerta»

Para não recorrer à Lei da Igreja, são pregadas por padres e monges as mais indigentes desculpas de ordem natural e humana que dispensam a ordem sobrenatural, no sentido que não se pode julgar um «papa modernista», que passa a ter uma autoridade provinda imediatamente de Deus mesmo.

Bento 16

Há quem diga que, como o papa é detentor das chaves, ninguém pode depor um papa. Ou então, que só um futuro papa, sucessor legítimo destes, pode julgar os papas conciliares. Entretanto, seria melhor ter um papa herético, um heresiarca na Sede de S. Pedro, do que nenhum! O grave problema é que tal testemunho não está do lado da profissão de fé católica, mas do lado do incerto aparato que a conspurca com o projeto do Vaticano 2.

Chegam a invocar a luminosidade do ensino de Mgr Lefebvre nesse sentido.

É possível, porém, invocar tal testemunho alegando contatos repetidos com o Bispo para chegar a esta estranha conclusão, que não leva a parte alguma?

Neste sentido é evidente que seria tolo, senão maroto alegar tais contatos pessoais alheios aos graves problemas de nossa Fé e de nossa Igreja. Porque então, ou estes fatos da maior relevância para os católicos, que tanto afligiram o Prelado, não importavam nestas ocasiões, e isto denota que tais interlocutores não estavam à altura de discuti-lo, ou se tratava de encontros triviais, privados da intenção de guiar no que conta; ou ambas as coisas.

Resumindo: é sem sentido alegar a direção do Arcebispo ignorando que ele tinha uma sofrida, contínua e crescente preocupação com a situação da autoridade na Igreja, abrangendo nisto a da Doutrina e da Liturgia católica.

Quem ignora estas questões de máxima importância arrisca passar da mentalidade incerta para a invertida no sentido de neutralizar qualquer reação contra o falso poder, abandonando a real defesa da Fé, da Igreja e da autoridade do Vigário de Jesus Cristo, fundada na sobrenatural profissão de Fé petrina; arrisca pensar que as Chaves e a Cátedra da Verdade e tudo na Igreja, esteja à disposição humana para dispor do que é a base da Igreja.

Lefebvre

Só uma vantagem buscada na ordem material pode explicar tal inversão.

Se um consagrado queria realmente conhecer a direção espiritual de Mgr Lefebvre – e esta é ligada ao Santo Sacrifício da Missa – teria perguntado a ele o que diz no momento santo da Consagração. Pois bem, os sacerdotes ligados à essa questão central de Fé, tiveram a resposta:

“Quand je célèbre la messe, m’a dit Mgr Lefebvre, je dit UNA CUM VERO SUCCESORE PETRI”.

O Arcebispo evitava assim o infido «uma cum» anticristos!

Os irmãos militantes que confundem pirilampos com faróis

Nas trevas da emaranhada selva religiosa em que vivemos, é inevitável que alguns queiram ver em textos ardilosos emanados pela a assim chamada congregação para a Doutrina da Fé conciliar luzes de ensinamentos ricos, embora incertos! Por exemplo este publicado em 14 de setembro último, em que alguns querem ver uma grande novidade, um passo em frente certo, pelo qual se reconhece a queda do «tabu» sobre o caráter de super-dogma do Vaticano 2, pois “na medida em que nenhum Papa poderia eximir um católico das decisões dos concílios dogmáticos, Bento XVI emancipa as almas das decisões de um concílio pastoral. Doravante, é possível estar na Igreja sem sustentar os pontos litigiosos do Vaticano II” (!) [ver artigo Fratres in Unum]

Eis o tal passo avante para voltar com dois atrás para as areias movediças.

É como se dissessem: aceitem os vaga-lumes como faróis de nosso reinado conciliar, com suas decenais injustiças, e tudo vos será dado por acréscimo!

Sim, “tendo em conta as preocupações e as instâncias apresentadas pela Fraternidade Sacerdotal São Pio X a propósito do respeito da integridade da fé católica em face da “hermenêutica da ruptura” do Concílio Vaticano II em relação à Tradição – hermenêutica mencionada pelo Papa Bento XVI em seu discurso à cúria romana de 22 de dezembro de 2005 –, a Congregação para a Doutrina da Fé toma por base fundamental para a plena reconciliação com a Sé Apostólica a aceitação do Preâmbulo Doutrinal…”

É verdade que houve uma “concessão”, como a dos insultuosos “indultos”, mas com qual objetivo, se é justamente a “desintegridade da fé conciliar” que obrigou os bons bispos, sacerdotes e leigos católicos a resistir a esses falsos Cristos e falsos profetas. Como é que agora alguém pode crer que na mutação da resistência em admiração pelos «incertos ensinamentos» se pode resolver a deturpação da Fé? Quantos são ainda os que vagam por ai famintos pelos pires de lentilhas a sorver à luz fátua dos pirilampos da nova Roma modernista? Não temem os vampiros de almas? Em todo caso, pode-se apreciar a sutil-mordaz ironia do site «Fratres in unum», tanto sobre esse «astucioso preâmbulo», como sobre os comentários ao «talentoso Rifan».

Convidamos os católicos a meditar sobre a série de públicas declarações dos bispos Lefebvre e Castro Mayer que, contra toda conveniência pessoal, prestaram testemunho sobre a realidade da Igreja sem a «cabeça católica». Só faltou pôr a intenção na Santa Missa da liberdade e exaltação da Santa Madre Igreja:

«Supplici, Domine, humilitate deposcimus: ut sacrosanctae Romanae Ecclesiae concedat Pontificem illum tua immensa pietas; qui et pio in nos studio semper tibi placitus, et tuo populo pro salubri regimine sit assidue ad gloriam tui nominis reverendus. Per Dominum nostrum».

Que de agora em diante esta súplica a Nosso Senhor para o bem de Sua Igreja e do mundo dos homens, para cuja redenção sofreu e morreu, possa ser repetida nas Santas Missas católicas até que a Santa Madre fique livre do putrido regime conciliar-ecumenista, controlado por anticristos.

2 Respostas para “NA ROMA ACÉFALA A OBRA DE MGR LEFEBVRE TORNOU-SE BICÉFALA

  1. José carlos junho 12, 2014 às 2:52 pm

    Viva Cristo Rei!Salve a Virgem de Guadalupe!
    Prezado sr.Araí,se D.Lefebvre dizia,“Quand je célèbre la messe, m’a dit Mgr Lefebvre, je dit UNA CUM VERO SUCCESORE PETRI”,por que será então que vários padres sedevacantistas foram expulsos da fraternidade na época dele e além do mais o arcebispo vivia tentando fazer acordos com os falsos sucessores de Pedro?

    • Pro Roma Mariana junho 13, 2014 às 10:28 am

      Viva Cristo Rei e Nª Sª de Guadalupe
      Caro José Carlos, a sua pergunta é difícil de responder sem entendermos que Mgr Lefebvre seguia um comportamento eclesial no qual dominava uma estranha diplomacia e uma mal entendida obediência. Se assim não fosse como explicar que todos os padres conciliares aceitaram erros e heresias sufragadas por Paulo 6º e sucessores. Só ele com Dom Mayer romperam no fim da vida esse encantamento. Precisaram muita coragem e sejam benditos no que fizeram, mas foi testemunho parcial que deixou esta e tantas outras dúvidas. Basta ver a confusão em que navegam a maioria de seus seguidores da FSSPX e de Campos. O que não se pode dizer, porém, é que eles hoje, se vivos, não assumiriam abertamente o testemunho da sede vacante que se propuseram resolver.
      Santo Antônio,Martelo dos hereges», ora pro nobis!

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