Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

UM SÓ DEUS, UMA SÓ IGREJA DE DEUS, MESMO PARA ATEUS

Umberto EcoO conhecido escritor e filósofo italiano, Umberto Eco, dois dias antes da viagem de Bento 16 à Alemanha foi entrevistado pelo jornal alemão «Berliner Zeitung», declarando: «Não creio que Ratzinger seja um grande filósofo, nem um grande teólogo, embora geralmente se quer representá-lo como tal. As suas polêmicas, a sua luta contra o relativismo são, na minha opinião, simplesmente muito simplórias – nem mesmo um estudante de escola normal as teria formulado como ele. A sua formação filosófica é extremamente débil».

Para argumentar o seu juízo Eco se refere justamente à questão do relativismo, que está no centro do discurso de aproximação de Ratzinger sobre o declino da cultura ocidental e em particular européia. Numa resposta direta ao seu entrevistador Eco disse: «No prazo de seis meses eu poderia organizar um seminário sobre o tema. E tenha certeza: no fim apresentaria pelo menos vinte posições filosóficas diferentes sobre o relativismo. Ajuntá-las todas, como faz Bento XVI, come se houvesse uma posição unitária é, para mim, extremamente primário». Eco, fez uma comparação de Bento com João Paulo, sustendo que depois de Wojtyla era difícil para Ratzinger ser uma «big star». «Naturalmente é Eco o grande filósofo e grande teólogo!», comenta em tom irônico Jorg Bremer, menos sarcástico que outros valentes aduladores de B16.

Mas o que diz Ratzinger, que geralmente é visto como grande adversário do relativismo?

A luta contra o relativismo e suas conseqüências, que tornam «sem raízes» a construção da Europa foi o leitmotiv de Ratzinger, o qual desde 18 de abril de 2005, na sua homilia para a Missa pro eligendo Pontifice da sua «campanha eleitoral de papa» afirmava: «Ter uma fé clara, segundo o Credo da Igreja, é facilmente etiquetado como fundamentalismo. Enquanto o relativismo, isto é deixar-se levar “aqui e ali por qualquer vento de doutrina”, parece a única atitude à altura dos tempos hodiernos. Constitui-se uma ditadura do relativismo que não reconhece nada como definitivo e que deixa como última medida somente o próprio eu e as suas vontades».

É tragi-cômico este “jogo” do perigo fundamentalista contra o do relativismo referido, quando se prega a operação ecumenista conciliar, que é o relativismo elevado ao seu nível mais grave: o religioso, quando todas as revelações e religiões são boas na medida do pluralismo das vontades. Porém, não é este o problema de Eco, meio descrente, que neste plano teria razão. Não, o seu problema é não conseguir ver que se trata de uma outra «filosofia» tão mais tortuosa e falsa, que poder-se-ia suspeitar não ser fruto de mente humana. Se trata da coluna dorsal do modernista Vaticano 2, isto é, da quinta essência do relativismo aplicado à religião segundo elucubrações, vontades e modas dos tempos, modernismo por isto definido como esgoto de toda heresia.

Eis que para alcançar a dimensão de tal pacto mefistofélico, Ratzinger devia servir-se de uma super filosofia hegeliana; do relativismo absoluto para a síntese nada menos que do bem com o mal; do gnosticismo com a Fé, do Vodu com o Cristianismo, dos senhores do mundo com o Papado, do globalismo iluminista com a Igreja católica, universal.

Naturalmente este serviço que Bento 16 presta ao mundo pode agradar aos incautos. Vejamos o que publica o Antonio Socci: «Giuliano Ferrara – que é homem culto e consciente – depois do discurso no Bundestag manifestou entusiasmo, publicando o texto por inteiro no seu “Foglio”, acrescentando um seu filosófico comentário no qual se define “ratzingeriano” e – mesmo como não crente – afirma: “Só um Papa nos pode salvar”.

Umberto Eco não consegue entender tanto engano? Vê-se que desta vez a rosa era por demais coberta de escuras espinhas, mesmo para tal «grande filósofo e teólogo!» Imaginem para o pobre Socci que, se deu uma dentro reconhecendo as falcatruas quanto ao Segredo de Fátima da parte de Ratzinger, diante de sua sinistra filosofia, teve que recorrer ao peso do gordo Ferrara para não decolar com o vento do «pensamento ratzingeriano!

Dizia São Vicente de Lérins que são diferentes os papas. “Deus doa alguns, outros tolera, outros ainda os inflige”. Sim, mas em 1960 fez saber, através de Nossa Senhora de Fátima, que infligia a versão última desse castigo: a eliminação do Papa católico junto com o seu inteiro séquito fiel! Mas isto o Antonio Socci, que procura um 4º segredo no Vaticano de Bento 16, não pode ver!

Ataque ao «Sacrifício» do Amor divino; de Lutero a Ratzinger

Nossos leitores sabem que os escritos deste sito são muito mais dirigidos às razões da Fé do que aos eventuais episódios; mais à essência do que é católico do que aos seus códigos e números. Neste sentido, no artigo precedente falamos do Sacrifício redentor na dimensão de toda humanidade, na longitude e latitude de toda História dos povos.

Os desvios do seu sentido foram muitos, mas o grande ataque sacrílego contra o santo Sacrifício, perpetuado na Missa católica é dos tempos modernos, numa escalada desde Lutero até a mísera mentalidade ecumenista, é hoje infringido por Ratzinger, que vai às ocultas além de Lutero.

É possível? Vejamos o que pensava Lutero da Missa católica.

LuteroNuma homilia da 1ª do Advento Lutero declarou, talvez pela 1ª vez publicamente que – “todos os prostíbulos, homicídios, furtos, assassínios e adultérios do mundo são menos depravados que a abominação da missa papista”. E no “Contra Henricum” confirmou: “Quando a missa será destruída, penso que teremos destruído também o papado… De fato, o papado apóia-se sobre a missa como sobre uma rocha. Tudo isto desabará necessariamente quando cair a abominável e sacrílega missa deles”, isto é do Papa, que seria para Lutero o verdadeiro Anticristo.

Como se vê esta é a espantosa anti-religiosidade protestante de Lutero, que vai contra a idéia mesma do Sacrifício do Amor divino, e da presença da autoridade divina em terra, a Cátedra infalível da Verdade, que têm uma importância universal em dimensão de eternidade.

Eis que os «papas conciliares», explicitamente, pelo menos de João Paulo2 aBento 16, proclamam e reverenciam a «grande religiosidade de Lutero»!

Com isto justificam, não só quem pretende demolir o desígnio divino do Santo e perpétuo Sacrifício, como a Cátedra que é o primeiro bastião contra o anti-cristianismo.

Mas justificando esse pérfido libelo protestante, admitem a sua incrível congruência!

De fato, os «papas conciliares» aparecem como demolidores da Missa do Sacrifício perpétuo e promotores da liberdade protestante de todo juízo, que significa a remoção da rocha que é o obstáculo contra os anticristos na Igreja e no mundo. Não poderia ser mais clara a realização profética nos nossos tempos do que Nosso Senhor confirmou da Profecia de Daniel sobre a Fortaleza da Fé (Mt 24, 15). Que por sua vez é confirmada também por um inimigo da Igreja, como aconteceu com Caifas que foi profeta na morte de Jesus Cristo.

Da Verdade ninguém escapa, embora sejam infelizmente tão poucos a ver que os inimigos da Fé estão no Vaticano. Senão não seria possível que em tão breve tempo estes «papas conciliares» tenham demolido tão a fundo a Fé da Igreja, como em tempo algum nenhum heresiarca tenha podido fazer. Assim explicou Dom Mayer e também Mgr Marcel Lefebvre, embora o primeiro só no fim da vida o declarou à voz e o segundo continuou a escrever sem deixar aos seus a conclusão lógica desse fato. Por causa dessa omissão hoje o «melhor» que fazem, os que falam da luminosidade dessa sombra, é suspender o juízo enquanto continua a demolição protestante dos «anticristos», que são cada vez mais senhores do Vaticano.

Lutero foi tão bem servido, que estes foram além de sua justificação «só pela fé»!

Hoje, do Vaticano conciliar vem a pregação da «redenção universal», mesmo sem a fé!

Até a necessidade de crer e ser batizado foi solenemente alienada pelo espírito do Luterano 2.

Depois dele, os anticristos no Vaticano chegam a proclamar que Judeus, Maometanos e Cristãos têm o mesmo Deus e fazem parte da Igreja também como «cristãos anônimos».

Eis um sinal de alienação final que marca toda a História e assinala o seu epílogo.

Um só Deus, uma só Igreja de Deus, até para os ateus

Temos aqui uma verdade universal. Deus é um só, para as galáxias como para os planetas, para as plantas como para as pedras, para os Anjos como para os homens. Mas o Homem, à imagem de Deus, tem inteligência para entender a Sua Palavra, e livre vontade para cultuá-Lo no modo como lhe foi revelado para o Sacrifício perpétuo. Este só pode ser realizado no templo de Sua única Igreja para os «muitos» que crêem sejam remidos (Mt 20, 28; Mc 10, 45).

Os que não crêem não alteram essa verdade, senão a negarem para a própria perdição.

Vivemos, porém, um tempo em que aqueles sumos sacerdotes que deveriam proclamar o que é verdade para todos e também para Judeus e ateus, declaram o direito de negá-las e até mesmo de livremente ensinar essa negação e deplorar o Sacrifício. Se trata dos anticristos conciliares, que são os arautos dos documentos de liberdade ecumenista do Vaticano 2.

Neste testemunho às avessas, de um novo evangelho, temos um sinal certo do fim do tempo das nações; uma «visibilidade» às avessas que não pode deixar nenhum católico que ama a Igreja e crê na autoridade de Sua Cabeça, Jesus Cristo, indiferente: com um «juízo suspenso» sobre o que demanda uma atitude «resiliente», isto é, de volta aos princípios fundamentais da Fé na virtude que nos foi suscitada por Deus para a salvação de nossa alma.

Mas a fé, sem as obras da caridade, que no caso prima pelo testemunho da verdade que vivemos no presente, um juízo suspenso corresponde ao estado cataléptico que, no testemunho da fé pura e íntegra, é de semi morto em relação à verdadeira Cabeça da Igreja.

Cremos que neste sentido seja indispensável lembrar a condição histórica que vivemos.

A alienação da Palavra de Deus no fim dos tempos

Estamos diante do quadro de um declino religioso que invoca «o fim do tempo da nações» (Lc 21, 24) ao qual correspondeu o retorno dos Judeus à Jerusalém. São assombrosos fatos históricos preditos por Jesus. Se o Evangelho e a idéia de conversão afundam hoje no brejo ecumenista, pondo fim à civilização cristã e à crença no homem eterno, não foi dito ser urgente que esta demolição fosse proclamada dos telhados para o testemunho geral, a fim de que as consciências evitem enganos e reconheçam o tempo que vivemos?

De tais obscuros enganos pode-se dizer que Fátima tem sido reflexo.

Jacinta após o milagre do Sol

Jacinta segurada após o milagre do Sol

De fato, o ano da aparição de Fátima – 1917 – marcou uma mutação sem igual na história dos impérios, não só por causa das guerras e revoluções, mas pelo emergir de um poder de sinal bíblico; sinal da virada crucial na vida da humanidade profetizada por Jesus sobre o fim do «tempo das nações» e o destino de Jerusalém e do povo no eixo da História.

Contudo, a visão desse misterioso poder de Israel na história, realidade oposta à Cristandade, é obscurecida justamente por uma «autoridade» que se apresenta em nome de Jesus Cristo!

Assim, não se acredita mais numa «inteligência» da vida e da história; na sua filosofia, que inclui a profecia e o milagre da conversão de um império à ordem cristã; no milagre ordenado à profecia que desvela um desígnio divino para a Ordem universal. Hoje em que se acredita?

Com o Vaticano atual se quer a adesão à idéia de uma «nova ordem mundial».

Qual termo, melhor que «alienação», pode relacionar os enigmas cruciais da história do homem, de seu início até hoje; da rejeição da palavra do Pai com a queda original; da Encarnação divina do Filho com a Sua recusa pelo Povo eleito; do que revelou o Espírito nas Escrituras com o outro que as subverte no sentido da mutação ecumenista, indiferente e oposta às conversões?

Para entender essas visões e recusas espirituais que, numa seqüência fatal, vão da negação «original» à atual apostasia «ecumenista», pode-se usar o termo «alienação final».

Bento 16 na sinagoga

Sim, porque a idéia de «progresso social» engendrou a «fé» revolucionária marxista que, para obter tal «bem», justificou os piores massacres do mundo com a suposta «alienação» de “criar a divindade perfeita à qual se submeter”, mas submetendo-se à funérea alienação comunista.

Esta «alienação» coberta pela idéia de paz, liberdade e fraternidade, no paraíso terreno que exclui o eterno, custou cem milhões de mortos. Agora análoga atualização aparece aplicada à fé cristã, com custo para uma infinidade de almas! Tudo seguindo a elaboração religiosa ecumenista do progresso numa «fé mais universal»! Trata-se da fé no homem a dano da fé divina; dos «sinais dos tempos» dos modernistas contrapostos aos sinais da Providência, que resultaram em descristianização e apostasia: alienação universal de marca terminal.

A alienação presente é sinal que se revela à luz de sua íntima analogia com as duas fatais grandes alienações históricas da recusa do Verbo de Deus: a original e a hebraica. No presente, o Vaticano «conciliar» na sua afinidade com o novo poder terreno de Israel e a sua aversão não ocasional à Tradição católica, revela a terceira grande alienação.

Tal hora tremenda da história não estará ligada às Aparições de Fátima?

Não será por esta razão que a mensagem divina de ajuda foi estranhamente alienada?

No plano dos fatos a tentação moderna a substituir a ordem natural cristã pela nova ordem mundial ecumenista redundou no descalabro presente. A realidade hodierna é a decadência espiritual numa crise geral e profunda que atinge todos os níveis: da família ao estado, da justiça à política; onde não reinam violência e corrupção há ocultas perversões.

Convive-se com libertinagens, crimes e perfídias. Nunca a autoridade foi tão precisa, nunca tão ausente. Jamais houve controles tão potentes; jamais tanta inconsciência. Não há mais como recorrer a poderes humanos para conter desordens nacionais e chacinas internacionais.

Nunca a ajuda divina foi tão urgente, nunca tão falsificada na mesma Roma!

Que Deus nos ajude neste mundo que recusa os Seus claros sinais dos tempos, para acolher os «outros», que são falsos.

Sim, há um só Deus, uma só Igreja de Deus, até para os ateus.

A definir esta Igreja é o Verbo, a mesma Palavra divina de Verdade.

Barca de Pedro

Assim, quem acolhe uma igreja que prega a mentira em nome de Deus, com isto vê só a outra: a grande Babilônia da qual uma voz, para dar a derradeira oportunidade de salvação grita: «Sai dela, meu povo, para não ser «una cum» suas profanações, nem compartilhar das pavorosas pragas pendentes sobre ela» (cf. Apocalipse 18, 4)! 

Sobre a Entrevista de Eco:

Ver aqui em italiano http://www.corriere.it/cultura/11_settembre_20/calabro-critica-eco-papa_39c1909c-e376-11e0-91c7-497ab41fbb63.shtml

Ou uma breve em português: http://www.oreporter.com/detalhes.php?id=59442

Uma resposta para “UM SÓ DEUS, UMA SÓ IGREJA DE DEUS, MESMO PARA ATEUS

  1. Hugnert Gelhardt de Moura abril 30, 2015 às 12:54 pm

    Por que vocês colocaram uma foto do pai de Lutero? Por erro, ou para deixar ele com uma cara mais feia?

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