Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

1 – FÁTIMA E OS FALSOS MESTRES – De Cerinto a Steiner

no ideário de Olavo de Carvalho e de Nougué

A Religião revelada liga a consciência das criaturas à luz do Criador.

Assim, todo discurso religioso consistente parte da lição fundamental que está na Revelação divina, desde o início da Bíblia.

A primeira lição se refere ao episódio do Pecado original do livro da Gênesis, que revela haver duas opções para as consciências.

Cronologia do Eden

Essa dupla visão, que é religiosa, determina toda a história humana.

A reta visão, que podemos dizer teândrica, segue a direção da verdade que procede de Deus para os homens; a outra, ilusória, que podemos dizer «androteista», segue a direção das idéias humanas sobre Deus, na pretensão de raptar a verdade divina.

O conceito assumiu um aspecto tão universal, que já os antigos gregos o exprimiram na mitologia com a história de Prometeu, um dos titãs, o qual roubou o fogo do Olimpo para dá-lo aos homens, ensinando-os a usá-lo, razão por que Zeus o supliciou acorrentado no cimo do Cáucaso.

A pretensão prometeica de dispor do arcano divino leva à ilusão de poder raptar impunemente o conhecimento do bem, que é de Deus, na ilusão do saber quimérico, utópico, «androteista», que descerra o «abismo» do mal.

A Religião faz entender que, tendo a verdade divina uma direção única, a contrária é enleada por ilusões, também religiosas e filosóficas, que multiplicam erros e ardis perigosos ao infinito. E, sob um aspecto místicoide, inoculam, em nome de falsidades religiosas, doutrinas alheias à verdade, tão pluralistas como são os devaneios e a miríade de opiniões humanas.

Sobre estes produtos «culturais» a vigilância é imperiosa porque podem parecer como «religiões», mas na verdade são apenas frutos da «religiosidade», da qual é fértil a alma humana. Seria como pretender definir verdade, com o conceito que exprime apenas «veracidade» ou «fidelidade».

Neste sentido vai a frase de Olavo de Carvalho:

“A multiplicidade das religiões, sobretudo as grandes religiões universais, longe de ser um argumento contra a religião, é um argumento a favor. Ela mesma é um milagre, quando você começa a aprofundar um pouco o que é o judaismo, o islamismo… e você vê a imensa maravilha desses edifícios, maravilha de conhecimento, de valores tremendos, de valores humanos criados, de expressões de santidade, de sabedoria que tem em todas elas, você fica surpreso com a abundância. E longe de aspirarmos que todas se unifiquem numa só… não, deixa assim como está porque está muito bom” [Entrevista vista em http://www.youtube.com/watch?feature=player_detailpage&v=6mIDzdBavhY#t=194s ]

O pluralismo cultural que exprime a religiosidade humana pode ser um bem se leva à verdade religiosa. Mas não é matriz de nenhuma verdade.

A Verdade não é produto humano, nem de definição plural, mas singular.

A Verdade é uma, enquanto a veracidade – até no erro – é múltipla.

A heresia ecumenista-conciliar, visando reunir múltiplas religiões, segue a idéia sincretista, que tem caráter pluralista e história antiga e atual!

O objetivo de suas mistificações é sempre a conquista das consciências através de todo tipo de pedagogias adversas à Religião única.

Este plano vem desde o início do Cristianismo, por exemplo, no gnosticismo promovido por Cerinto, e chega até a heresia ecumenista-conciliar (veja-se a Encíclica “Mortalium animos” de Pio XI), passando por Rudolf Steiner que porém é, para Olavo de Carvalho, “um dos maiores filósofos e místicos de todos os tempos” (conf. http://dennymarquesani.sites.uol.com.br/semana/influencia_planetas_metais.htm#_ftn3).

A este ponto, visto que Steiner é também um dos reformadores das Escrituras, voltemos em primeiro lugar, aos elementos que nela constituíram a reta opção para as consciências que, na procura da verdade, condicionam toda a filosofia e a história humana. Estão todos na Gênesis (2, 15-17):

“O Senhor Deus colocou o homem no paraíso de delícias, para que o cultivasse e guardasse. E deu-lhe este preceito: – Come de todas as árvores do paraíso, mas não comas do fruto da árvore da ciência do bem e do mal; porque, o dia que comeres dele, certamente morrerás”.

Trata-se da Religião única do Verbo, que ensina o vínculo da ordem humana a Deus, a quem devemos amar em consciência, sem rebeldias, reconhecendo a única verdade do próprio fim e bem. É esta verdade que torna livres e guia os seres humanos à liberdade na tranqüilidade da ordem.

A motivação da vida é a felicidade, a cultivar e guardar segundo a Palavra divina. Esta é o alimento da vida espiritual diante de cujo «bem» o homem é livre em tudo exceto em juízos próprios sobre o bem e o mal, o que seria usurpação do arcano conhecimento divino; escolha de mal e de morte, como explicado ao nosso primeiro pai.

A lição divina sobre a impotência humana de adquirir em modo autônomo o conhecimento do bem e do mal é claro: incapazes do pleno conhecimento do Bem, que é Deus mesmo, só podemos conhecer o bem e a sua privação no mal de modo reflexo, revelado. Que nome dar a uma anti-religião que vai além de todas as mitologias e lendas, porque não recebe alguma verdade, mas inventa e deduz a «gnose» de tudo, isto é do «conhecimento» do bem e do mal. Dessa «gnose» espúria vem o «gnosticismo».

O homem, criado livre na encruzilhada do mundo espiritual e material, é dotado de livre arbítrio, valor supremo da vida terrena. Dispõe da vontade que deve ser ordenada retamente no sentido de atingir um bem espiritual no mundo material. Este precede e transcende todo ser humano, que não pode inventá-lo, senão, vai na direção contrária da realidade já existente: teria uma vontade avulsa da verdade; iludida de «criar» o próprio saber.

Na consciência do homem está a liberdade de opções para a vida natural sobre as quais recebeu esse poder original, usado para colher o fruto do bem e do mal. Assim, ao longo da sua história o homem se demonstrou único potencial operador da chave de comando que pode descarrilar o mundo da sua ordem original. Eis a razão da ânsia do espírito do mal pelo controle total das consciências humanas. Ali semeia continuamente o seu joio, com aspecto de trigo evangélico, para atraí-las ao mundo oposto à ordem divina. Promete abundância, garante liberdade e satisfaz a árida avidez da carne, do possuir e do dominar, como deuses; ao preço que negue ou altere perfidamente a Palavra divina.

O estranho mestre apresenta-se com uma voz humana e exerce o seu poder para exaltar a dignidade do eu, para inocular nos homens a sua ânsia que fará com que sejam atraídos pelo mundo material, para aglomerar um povo de contestadores globais da ordem universal por Deus revelada.

Voltando às duas únicas opções para a formação da consciência, o episódio do Pecado original, que condiciona toda a história humana, temos de um lado a Religião da Lei de Deus, do fruto proibido e da felicidade associada à responsabilidade da resposta fiel. Do outro, os juízos próprios da própria consciência, que elabora como quer suas leis, sua moral, suas crenças e descrenças, num pluralismo moral e religioso, centrado no homem desligado de Deus.

Foi assim que um vírus antropocêntrico infectou o homem que era livre de respeitar o único preceito divino e afastar-se do sussurro tentador: – De nenhum modo morrereis. Deus sabe que o dia que comerdes dele, abrir-se-ão os vossos olhos e sereis como deuses, conhecendo o bem e o mal.

É a tentação gnóstica de criar um poder humano emancipado de Deus.

E os primeiros pais deixaram que esse vírus mortal, destruidor da imunidade da graça divina na consciência, a infectasse da tara que lhe causou como que uma mutação genética.

Os elementos para o desvio das consciências estão todo ai; são os mesmos elementos do bem, mas alterados. A liberdade é aplicada ao comércio e à criatividade no mal, que incute a ilusão da autonomia da Palavra divina nas consciências. A felicidade assume as feições do prazer da carne, do possuir, do dominar até as outras consciências, como deuses.

De um lado está a fé no Criador, do outro a falsa ciência, a gnose da criatura. Seguem os enganos devastadores como equiparar o bem ao mal, e a impossível tentativa de conciliar os contrários, que leva a consciência a colher, pelo abuso culposo da liberdade, frutos envenenados de mal.

Em breve, o homem é livre de criar e inventar, menos na Religião.

O curso histórico do «complô original»:

da gnose prometeica ao gnosticismo ecumenista

Existe hoje, como é bem difícil negar, um “complô” para substituir a Fé na Religião da Igreja de Jesus Cristo, do conhecimento «teândrico» vindo de Deus, com uma secreta “anti-Igreja” gnóstica.

Sendo esta uma operação secreta, é preciso, para identificá-la, reconhecer os termos que a caracterizam em modo contínuo no curso da história até os nossos dias.

E eis os termos concatenados que remontam a antes do Cristianismo até hoje: Gnose, Cabala, Platonismo, Sincretismo, Rosa-cruz, Teosofia, Antroposofia, Maçonaria, Mundialismo new age, Ecumenismo conciliar.

Esses termos não são unívocos, mas reconhecíveis pelo seu plano final: a anti-igreja para animar com um culto sincretista a “nova ordem” global, que foi chamado MASDU: “Mouvement d’Animation Spirituelle de la Démocratie Universelle”.

Mistério da iniqüidade

Para seguir essas idéias e suas obras, aqui vamos recorrer aos livros de Pierre Virion e Epiphanius (E.), que se completam. Este texto segue o primeiro e resume o segundo, partindo da queda original que permitiu ao espírito do mal orga­nizar uma hierarquia oculta para dominar as consciências segundo um longo percurso histórico que vai reunir uma imensa massa humana sujeita a renovadas idolatrias, a “potestas tenebrarum”: a anti-igreja que se apropria de todo atributo da Igreja de Deus.

A Revolução religiosa explodiu nos tempos modernos com a pseudo-reforma. Tratava-se de submeter a objetiva e imutável Verdade divina ao livre exame subjetivo e fugaz, submetendo-a a interpretações pluralistas.

ONU, nova Babel

Para essa relativização do Bem absoluto, e portanto da autoridade outorgada à Igreja católica e ao seu chefe visível, o Papa, a Verdade revelada deveria ser liquidada porque de obstáculo à afirmação das “novas” verdades descobertas com o progresso das ciências. Assim um ódio intelectual desenvolvido pelo velho pensamento gnóstico em todos os tempos, reapareceu no Renascimento e foi “encarnado pelos alquimistas e Rosa-cruzes do Seiscentos e passou a operar através das lojas martinistas, dos Iluminados da Baviera, do Movimento Sinárquico, chegando no nosso atormentado século, das grandes sedes mundialistas da O.N.U. e da U.N.E.S.C.O.

Parlamento Europeu, Estrasburgo

Parlamento Europeu, Estrasburgo. Torre de Babel?

Hoje, à vigília do Governo Mundial, o inimigo é ainda a Igreja católica da Religião verdadeira, única via de salvação para os homens e de ordem para a humanidade.

Contra a Igreja sempre se travou a luta, para a qual se concentram as forças do mal. Mas hoje a crise que destrói a Fé da Igreja e a sua missão de depositária da Verdade é a mais devastadora de todos os tempos porque se trava em nome do engano ecumenista alargado a todas as religiões.

Existem vértices gnósticos ocultos?

Vamos recorrer aqui a Pierre Virion (1898-1988) – uma das maiores autoridades católicas no campo do mundialismo – e a um dos mais abalizados e prepa­rados estudiosos do fenômeno maçônico, mons. Ernest Jouin (1844-1932), com quem Virion colaborou durante anos na redação da célebre e da muito bem documentada revista Revue Internationale des Sociétés Secrètes, fundada em Paris (1912): “De minha parte não considero a ação direta do demônio no governo maçônico, mas compreendo que o estudo das iniciações faça com que o espírito propenda para esta solução mística, aos quais os atos da Maçonaria moderna conferem uma aparente confirmação. À tal solução oponho simplesmente a ordem providencial na base da qual tudo neste mundo depende de um poder humano: e, como Jesus Cristo, chefe invisível da Igreja católica, é representado visivelmente na terra pelo Papa, do mesmo modo considero que Satã, chefe invisível da armada do mal, comande seus soldados através de homens, seus acólitos, sempre livres porém de subtrair-se às suas ordens e às suas inspirações. Quanto a este poder, mais ou menos oculto, da Maçonaria e das Sociedades Secretas que perseguem o mesmo fim, ele existe pela simples razão que não há corpo sem cabeça, sociedade sem governo, exérci­to sem general, povo sem poder público. O axioma romano: tulle unum est turba: adde unum est populus, encontra aqui sua plena justificação: sem poder direcional, a Maçonaria seria uma massa mais ou menos perdida em alguma idéia subversiva, mas que se teria decomposto por si mesma ao invés de ser a dominadora do mundo”. (Pierre Virion, Bientôt un gouvernement mondial?, St-Cenéré, Ed. Téqui, 1967, pp. 217-18).

Como essa citação poderia parecer parcial, seguem outras de importantes protagonistas da história, insuspeitos de anti-maçonismo.

Winston Churchill no artigo intitulado “ZIONISM versus BOLSHEVISM;  A Struggle for the Soul of the Jewish People”, publicado na página 5 do Illustrated Sunday Herald de 8.2.1920, depois de ter descrito os vários aspectos do hebraísmo de então, no qual individuava uma componen­te “nacional” boa e leal e uma internacional decidida­mente má, tratando desta última, escrevia: “Dos dias de Spartacus-Weisshaupt até Karl Marx, Trotzkij (Rús­sia), Bela Kuhn (Hungria), Rosa Luxemburg (Alemanha) e Emma Gol­dmann (USA), este complô mundial para a destruição da civilização e para a reconstituição da sociedade na base de uma interrupção do progresso, do mau ânimo invejoso e da impossível igualdade, desenvolveu-se poderosamente. Ele representou – como demonstrou eficazmente uma escritora moderna, Webster – uma parte claramente reconhecível na tragédia da Revolução Francesa: foi a causa primeira de todos os movimentos subversivos do século XIX; e agora, enfim, este grupo de per­sonalidades extraordinárias do mundo subterrâneo das grandes cidades da Europa e da América agarrou pelos cabelos o povo russo e tornou-se praticamente o dominador sem rival desse enorme império”.

Kremlin

O nome da Rússia, que os pastorinhos de Fátima confundiam com o de uma mulher ruiva e má, estava no centro das preocupações de Nosso Senhor e de Maria SS. Sua conversão à Igreja teria sido um sinal de paz na Ordem cristã. Mas tudo conspirava contra este desígnio, até no campo religioso, confluindo no dramático e nefasto evento que foi para o catolicismo o Vaticano 2, seguido pelo primeiro ato ecumenista de uma ORU, organização que está para as religiões, como a ONU está para as nações: a animação geral contra a conversão cristã.

E tudo ficou desvelado na reunião de oração pela paz das religiões de Assi­s, que constitui a nova «religião mais universal»… do Anticristo!

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