Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

3 – FÁTIMA E OS FALSOS MESTRES – DE CERINTO A STEINER

no ideário de Olavo de Carvalho e de Nougué

O ser humano é um «aprendiz» por sua própria natureza.

Desde que começa a fazer uso da razão, precisa aprender como e para que usá-la. Por isto é ato inicial desse uso da razão buscar quem ensina.

A este «encontro» segue o crer, verbo que aparece como o primeiro a ser conjugado no sentido racional.

«Os doutores da Lei e os fariseus têm autoridade para interpretar a Lei de Moisés. Por isso, vós deveis fazer e observar tudo o que dizem. Mas não imiteis o que fazem, pois o que dizem não praticam… Fazem tudo só para serem vistos… gostam de ser cumprimentados nas praças públicas e de que as pessoas lhes chamem mestre ( Mt 23, 2-3). 

«Quanto a vós, nunca vos deixeis tratar por mestre, pois um só é o vosso Mestre, e todos vós sois irmãos. Na Terra, não chameis pai a ninguém, pois um só é o vosso Pai, Aquele que está no Céu. Não deixeis que os outros vos chamem guias, pois um só é o vosso Guia: o Messias… «Ai de vós, doutores da Lei e fariseus hipócritas! Fechais o Reino do Céu aos homens. Nem vós entrais, nem deixais entrar quem o deseja. Ai de vós, doutores da Lei e fariseus hipócritas! … Percorreis o mar e a terra para converter alguém, e, quando conseguis, tornai-lo merecedor do inferno duas vezes mais do que vós (Ib., 12-16).

Fariseus

A criança crê e quer crer nos pais e mestres que ensinam.

Parece então lógico que os mestres de cada mente humana são muitos.

Se assim é, a lógica do ensino evangélico, para que o Mestre seja um só, diz respeito à Palavra única que é ensinada, à essência do aprender.

Isto fica bem claro tratando-se da Verdade; esta é uma e seu ensino correto é único, mesmo se repetido por inúmeros mestres que, a este ponto, não fazem mais que repetir o que aprenderam do Mestre original.

A dúvida sobre o mestre único passaria então ao objeto do ensino.

Aqui parece haver de novo contradição porque a mente foi criada para a vasta apreensão do existente, não para limitar-se a uma verdade.

Ora, a verdade na mente é, conforme Aristóteles e depois S. Tomás,  justamente a conformação à realidade. E assim desponta a miríade de problemas filosóficos, que chegam, com o subjetivismo rampante, a inverter a questão de modo que será a mente a definir o ser e a verdade.

Voltemos, porém, ao problema dos «mestres» sem, no entanto, deixar de lado os termos usados para verdade e realidade.

Ora, mesmo para o não tomista Bertrand Russel, o domínio da verdade é muito mais amplo que o do conhecimento, isto é, a noção de verdade não é redutível à de verificação da realidade. Com isto confessa que para o verdadeiro conhecimento do real, precisamos de uma «revelação irredutível»; de um mestre que sabe o que «é», à luz do Mestre único.

Ao mesmo tempo, sabemos que para conhecer mais sobre matemática ou física, química ou história, não há que procurar nas Escrituras.

Vamos então «limitar-nos» à «Verdade» revelada do único Mestre.

Para quem não crê seria inútil começar aqui por dizer que todas as outras nela convergem e dela dependem. Vamos dizer «apenas» que não há conhecimento ou ciência humana que possa responder sobre a origem o estado atual e o fim último do ser humano. Todavia, não pode haver sabedoria que dispense essa meta do conhecimento humano.

Aqui estamos no plano religioso de um só conhecimento real, de direção «teândrica»; de Deus para o homem, que exclui o conhecimento «androteísta» do pensamento humano sobre Deus e do seu «projeto humano».

Aqui só pode haver um Mestre ao qual «compete» o ensino do único conhecimento da razão da vida em geral e da humana em particular.

Diante dele, ao ser humano «compete» crer para conhecer.

Eis a sabedoria e se a filosofia é a sua ciência, aqui devemos usar as maiúsculas porque, assim como há uma só Mestre de uma Verdade, assim há uma só Filosofia perene, ao qual deve convergir todo filosofar.

Sabemos que na realidade do mundo atual não se pensa assim e aparecem muitas filosofias, segundo os tempos e o progresso das ciências.

A intenção desse nosso escrito é simples: que se descubram verdades em todos os campos com inumeráveis hipóteses, mas deixando intocável a Verdade que está acima de todas e que vai além do humano saber.

Aqui o católico tem o critério inabalável par julgar a «bondade» de um mestre; que o aproxime da mais alta verdade, que transcende o humano.

Ao contrário, o falso mestre é o que afasta, não de algumas verdades, mas dessa aproximação, seja com os desvarios comunistas, liberistas, etc., seja com uma religiosidade alheia à Religião da Igreja única.

A «religiosidade» americanista

Visto que os E.U.A. são os portadores da “nova ordem” e ao mesmo tempo a segunda nação católica do mundo, é preciso entender como isto funciona, para não cair numa incerta religiosidade global das religiões da paz utópica da ONU e URI, onde a grande excluída é a Verdade.

George Washington em trajes maçonicos

A crise da consciência europeia do século XVIII, não foi só a parteira do enciclopedismo e de revoluções nacionais e mundiais, mas também do americanismo, como «fé» simples, igualitária, liberal e ecumenista, que não foi devidamente impugnado e que por isso, tornou-se poderoso bastante para estabelecer-se como novo ideal religioso do mundo.

A Revolução americana pretendia ter resolvido o dilema diante da «fé», através da superior democracia dos EUA, que aplicava pacificamente os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade, para tornar-se exemplo para todo o mundo, porque capaz de gerir em concreto as grandes antíteses, até entre o veraz e o falso, entre o bem e o mal. Isto porque o juiz de toda idéia seria a tal opinião pública, sempre à disposição das sondagens e do voto, para decidir e concluir uma questão humana por um certo tempo. Mas a moral, e a verdade da Religião divina não muda com o tempo, com a suprema corte, o voto ou com os governos.

http://www.youtube.com/watch?v=OZsnEQYP93Y&feature=player_detailpage#t=144s. Link do momento em que Olavo de Carvalho se refere aos EUA: o país mais religioso do mundo, onde não há conflito entre a Maçonaria e a Igreja Católica.

Será que ele conhece a história do Americanismo, seus desvios, sua condenação pela Igreja e sua influência na «fé conciliar-modernista»?

Quem pode ignorar que atrás da Revolução americana estava a Maçonaria? E que as relações desta com Roma eram de diametral oposição?

Essas razões podem ser canceladas? Só ignorando a essência mesma da Fé divina (pistis) sobre a natureza e o fim do homem, à qual se opõe a gnose humana, dependente de elucubrações segundo poderes terrenos.

Todavia, os católicos conviviam na América na base de uma recíproca tolerância, visto que essa grande nação tinha por prioridade desenvolver seus enormes potenciais e realizar um progresso material sem precedentes num mundo pluralista… também quanto à Verdade! Prevalecia ali a «religião» do utilitarismo, do pragmatismo e de um consumismo até no concernente ao espírito, que permite às outras a liberalidade de culto.

É o exemplo claro do fato que uma sociedade, que crê segundo vive, ou seja, adaptando a verdade e o bem ao que parece a melhor escolha de vida, liberal e democrática, ignora estar sujeita às manipulações imperceptíveis de ocultos poderes, que são os centros secretos da Maçonaria.

Foi assim que diversas gerações de cristãos americanos, depois de uma ação contínua de lavagem cerebral, trocaram a norma de vida cristã pela servidão consumística, com a convicção de ter escolhido a liberdade pela qual, segundo os mestres democráticos, valia até a pena morrer.

Se a suspeita sistemática da consciência europeia levou a negar que haja uma ordem superior na terra e propor uma nova ordem, a Revolução americana resolveu seu dilema com a fé na «democracia sincretista» que os EUA passaram a exportar como exemplo para o mundo.

Isto implicava a liberdade religiosa de uma super religião ecumenista.

Eis o programa do «pluralismo religioso» que se identifica, portanto, com o «americanismo»: doutrina e movimento religioso cuja inspiração é liberal e naturalista, embora tenha amadurecido nos EUA no seio do catolicismo no fim do século XIX. Sua meta seria a de intensificar e facilitar as conversões à fé, através de uma vasta obra de conciliação e de síntese entre a antiga tradição católica e o novo pensamento de novas aspirações da religiosidade moderna» (Enciclopédia Católica).

Tratava-se, pois, essencialmente, da idéia de «estabelecer uma síntese religiosa» de marca modernista, para quem aguardava que a Igreja universal se convertesse aos ditames gnósticos de aparência católica.

Muitos seguiam esse «ideal» por ignorância do que fosse a «Fé única». Outros visavam mesmo a fé pluralista do que viria a ser o ecumenismo conciliar, cujos danos vieram à luz com o «aggiornamento» da Fé segundo tempos e conivências do modernismo. Assim, o vírus letal de que era portador o «americanismo católico», foi subestimado em Roma, até a infestação «ecumenista» mundial, que precedeu o Vaticano 2º.

Note-se que já o primeiro bispo da América, o irlandês Carrol, tinha seu pensamento atraído, seja por uma certa «universalidade» da Igreja, como pelo «patriotismo americanista», cuja utopia é nada menos que a libertação e união global de uma humanidade guiada pela exemplar democracia americana, nascida da revolução iluminista.

Como se vê o americanismo religioso vem de longa data, mas nem seus «confessores» o entendiam, como depois não entenderam que era ligado ao modernismo e toda essa peçonha vinha da mesma revolução liberal.

Cardeal Gibbons

O que se vai conhecer sob o nome de «americanismo» começou a florir plenamente sob o cardeal Gibbons, como se lê na sua carta junto aos bispos Ireland, O’Connell e Keane. Foi quando a heresia ficou patente para as autoridades de Roma, que a enquadraram sob o aspecto de uma consolidada ignorância: «O grande dilema dos prelados americanos era o da dupla fidelidade ao Vigário de Cristo e à autoridade civil».

O «popular» Gibbons era conhecido pela sua cega fidelidade ao Estado, mesmo quando a política democrática deste favorecia a Maçonaria e fortalecia o indiferentismo religioso. Esse prelado orgulhava-se que o seu catecismo omitia toda razão de conflito com o Protestantismo.

Em 1893, por ocasião da «Exposição mundial de Chicago», seus organizadores decidiram promover um «Congresso Internacional de Religiões», no qual aos representantes destas competia explicar o que cada uma destas fazia para o bem da humanidade! Por mais de duas semanas, a pedido do cardeal Gibbons, os padres, ao lado de ministros protestantes, muçulmanos e budistas, aplicaram-se a dar explicações para «no sentido de uma ação coordenada contra os inimigos comuns, chegar a um acordo no terreno de princípios morais e religiosos».

Roma não podia admitir que os princípios morais e religiosos fossem discutidos separados da Fé verdadeira, e numa feira, mas fez silêncio.

Em 1895 uma Delegação Apostólica foi enviada à América. Os americanistas protestaram, mas o Papa Leão XIII insistiu no envio, explicando-o na sua carta conhecida como «Longinque Oceani» sobre os perigos do que se manifestava como «americanismo». Era o primeiro aviso. Depois de louvar o trabalho feito pela Igreja na América o Papa escrevia: «A Igreja daria frutos mais abundantes se, além da liberdade, tivesse o favor das leis e o patronato da autoridade pública».

Quando um congresso semelhante ao de Chicago foi proposto em 1900 para Paris, Leão XIII pronunciou-se com um não sereno, mas firme.

Note-se que, assim como para a revolução liberal, também para tais congressos ecumenistas, a iniciativa americana precedeu a francesa.

Uma condenação do «Americanismo» chegou ao cardeal Gibbons com a carta de Leão XIII, «Testem benevolentiae» (sigla TB), de 22 de janeiro de 1899, que restabelecia a verdadeira missão do padre católico, falseada na biografia do padre Hecker, sacerdote de doutrina incerta.

Ora, justamente nos anos da crise entre Estado e Igreja na França, a voz que chegava do clero americano sugeria que o pluralismo e a separação da Igreja do Estado americano deviam servir de modelo também para a Europa. Deste modo, os americanistas, apesar da intenção de difusão do catolicismo na América, punham em dúvida a universalidade da Igreja romana, que não seria a única Igreja de Cristo.

Leão XIII

Leão XIII interveio lamentando esse erro com a carta ao cardeal Gibbons, admirador das idéias do padre Hecker. Essa era uma carta em tom amigável, não de encíclica, porque parece que Roma duvidasse da consciência desses prelados diante da gravidade dos problemas concernentes o sistema religioso e o modo de pensar americano.

Por causa desses erros capitais, que pareciam plenamente ignorados no exame que a carta faz do americanismo, o Papa parece escrever mais para protestantes e modernistas que para católicos. Na síntese desses erros pode-se facilmente ler os futuros erros e heresias conciliares.

Daí que a liberdade religiosa do Americanismo dos vários Courtney-Murray, «perito teológico» dos Bispos americanos no V2, foi o pai do conciliarismo bastardo inseminado em Roma com o Vaticano 2º.

Assim, há que entender que a vasta religiosidade americana só leva à tal falsa religião democrática, que não é preciso ser católico para descrever (Emilio Gentile, «La Democrazia di Dio», Laterza, 2006) e que não tem parte, mas aversão à única Religião da Verdade.

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