Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

O ÔMEGA DA LITURGIA CONCILIAR: LANÇAR EM ÓRBITA O SACERDÓCIO CATÓLICO!

No ideário de Ratzinger, Teilhard e Fernando Pessoa

Enquanto nestes dias as publicações católicas tradicionais tratam excitadamente das questões ligadas ao eventual «ralliement» da FSSPX ao Vaticano conciliar e do possível abate do Sacerdócio católico pela carência de «mandato apostólico» para continuá-lo, vemos como prioritário considerar o filosofar acalentado pelos «papas» e clérigos modernistas.

Neste se vê a ruptura com as questões de Fé; da Igreja; de Deus.

Portanto é este que está à origem do caos envolvente a Religião. Sim, mas seguido de perto pelo conceito papal dos que o ignoram.

Para lidar com tal questão essencial para as almas, temos que ver o estado da Liturgia: Culto espiritual público ao Mistério de Deus.

Queremos iniciar estas considerações rendendo uma homenagem de gratidão ao valoroso «resto» de sacerdotes católicos que reagiu ao «grande sacrilégio» da nova missa de Paulo 6 (Novus Ordo Missae – NOM) apesar dos grandes sofrimentos físicos e morais que isto lhes causou.

Maior homenagem, porém, deve ir aos que acusaram as idéias à origem da suprema ofensa ao Sacrifício de Jesus crucificado, hoje multiplicada em Roma e Assis pelos «anticristos no Vaticano».

Ali continuam devido aos tantos que preferem suspender esse juízo.

Chardin e Ratzinger

Assim os pastores do NOM continuam como antes, mais que antes, no seu magistério de cósmica perdição ecumenista como segue:

«A função do sacerdócio é consagrar o mundo a fim de que se torne hóstia viva, para que o mundo se torne liturgia: que a liturgia não seja algo ao lado da realidade do mundo, mas que o próprio mundo se torne hóstia viva, se torne liturgia. É a grande visão que depois teve também Teilhard de Chardin: no final teremos uma verdadeira liturgia cósmica, onde o cosmos se torne hóstia viva. E peçamos ao Senhor que nos ajude a ser sacerdotes neste sentido, para ajudar na transformação do mundo, em adoração a Deus, a começar por nós mesmos. Que a nossa vida fale de Deus, que a nossa vida seja realmente liturgia, anúncio de Deus, porta na qual o Deus distante se torna o Deus próximo, e realmente dom de nós mesmos a Deus. (©L’Osservatore Romano – 24 de julho de 2009 – Homilia de Bento 16. Conf. Site Vaticano)

Mas a grande visão de Teilhard era panteísta; da divindade da matéria! Para ele, quimérica é a lição do Pecado Original, dos Novíssimos, da morte, juízo, inferno e paraíso; e de Fátima, onde se viu o inferno e se fala dos erros da Rússia, de salvação e do Céu!

Então esta é outra liturgia para outro sacerdócio cuja função seria consagrar o mundo em evolução a fim de que se torne uma outra realidade ao lado daquela suscitada por Deus.

Sim, a grande visão que teve também Teilhard de Chardin ficou impressa no ambíguo Vaticano 2: era de tal modo liturgia cósmica, que projetou os padres nas órbitas mais remotas para iniciar por si mesmos a transformação do mundo e do Cristianismo, se não em adoração ao Deus distante, ao culto de um deus próximo, que é realmente o culto do homem! Neste a vossa vida fala de um Deus e é realmente liturgia do anúncio do deus deste mundo; o homem adulto que tendo direito à liberdade pode religiosamente optar pelo seu deus, sua religião e sua «verdade filosófica». Quanto à Liturgia, sabemos que é obra a um tempo divina e humana, de Fé e de arte.

Na Liturgia a arte está para a Fé na oração: lex orandi, lex credendi.

Aqui surge, portanto o perigo que uma lex orandi de lavra humana, altere a divina lex credendi. E visto que isto pode depender da arte, sabemos como os Pontífices se ocuparam sempre de discipliná-la quando se trata do sagrado. Do mesmo modo os contra-fatores da Fé queriam empenhar-se em alterá-la, com a desculpa «artística».

Esta foi a surda campanha de sempre das reformas e revoluções.

Desde sempre os homens imprimem suas idéias através das «artes».

Nossa Senhora do Rosário de Fátima

Um abalizado estudioso de literatura (C. S. Lewis) lembra numa sua obra, (penso seja Studies in Words) que já os antigos gregos desconfiavam dos poetas, palavra que cuja interessante etimologia nos vem do grego ποιητής (poietes), que se referia a “quem põe ou cria”, que podia ser um perigo se aplicado à verdade e aos bons costumes. Com a imaginação, de fato, podemos criar o mal como se fosse um bem, o irreal como se fosse real (eis o utopismo), o falso como se fosse patente realidade, etc. Daí que a Revolução se serviu da arte, em nome da qual tudo é permitido.

As revoluções através das artes poéticas

Basta ler a homilia supra de Bento 16 para perceber como atrás de suas palavras enlevadas, apoiadas na «poesia evolucionista» de Teilhard se esconde todo um projeto de religião futura e «mais universal». Isto não é certo somente por causa dessas linhas, mas de toda uma obra ecumenista, que está nas linhas e capítulos da «filosofia» modernista do Vaticano 2.

Mas isto não é novidade, mas uma constante da tal «cultura moderna» no filosofar e criar artístico, que chega impunemente na maior pornografia.

Aos grandes poetas tudo é permitido e aplaudido, mesmo termos infectos.

Vejamos um exemplo através de uma mensagem que recebi e a qual respondi.

Subject: «Fernando Pessoa para ler todos os dias».

“Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo, e que posso evitar que ela vá à falência. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um ‘não’. É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta. Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo…”. (Fernando Pessoa)

Apreciei Fernando Pessoa poeta, como o fez o grande amigo Gustavo Corção, que na dedicatória que me fez do seu romance «Lições de Abismo» o lembrava no verso: «o poeta é um fingidor, finge tão completamente, que chega a fingir que é dor, a dor que deveras sente».
Não posso, porém, aceitar a sua aversão à Igreja nos versos de Alberto Caeiro, seu heterônimo (Poemas, Ed. Ática, Lisboa, 1958). Para ele o menino Jesus fugiu do céu:

«Diz-me muito mal de Deus. Diz que ele é um velho estúpido e doente, sempre a escarrar no chão e a dizer indecências. A Virgem-Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia. E o Espírito-Santo coça-se com o bico, empoleira-se nas cadeiras e suja-as. Tudo no céu é estupido como a Igreja Católica…».

Mas esta sua «conversinha poética» não é casual porque ele se deu
à Teosofia e traduziu a Helen Blavatsky, escrevendo então a um amigo:

‘Se observas que a Teosofia, porque admite todas as religiões, tem um caráter inteiramente semelhante ao paganismo, que admite no seu Panteão também todos os deuses, perceberás o segundo fator da grave crise de minha alma. A Teosofia me terroriza com o seu mistério. É o horror e a atração do abismo realizados no além alma. Um espanto metafísico, meu caro’ (A Voz do Silêncio, Ed. Civilização Brasileira, Rio, 1969).

Pessoa morreu prematuramente aos 47 anos. A sua inquietude existencial levou-o ao alcoolismo e à morte. Internado devido à cirrose aguda, sabia que seu estado era crítico ao ponto que bastaria mais um copinho para morrer. Bebeu esse copo e foi encontrado morto no dia seguinte.

Dizia: «não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo, e que posso evitar que ela vá à falência».

Não faliu para o mundo, conquistando o título de grande poeta. Mas teria esquecido a lição de Jesus, de que nada serve conquistar o mundo todo… sem lembrar que a maior lição a transmitir é o cuidado da alma? No seu tempo a Igreja não a alterava admitindo toda religião de modo semelhante ao paganismo, que o admite no seu Panteão, como foi a reunião de Assis.

Essa é coisa da «estúpida igreja conciliar», para não ver em  dia algum!

Cuidado, pois, com a celebração de Fernando Pessoa junto às crianças. Ele viveu a atração do Mistério da Fé, mas na órbita do além alma!

As «filosofias», as ciências e a comunicação poética

E que dizer da «poesia» de Teilhard de Chardin, não é um caso pior?

E então de Bento 16? Não é o caso extremo da abominação do engano?

Se não há que confiar as crianças a estes, como confiá-las a tal «papa»?

O filósofo Luigi Stefanini (1891-1956) descreve o caso do existencialismo:

“…é literatura por uma exigência intrínseca da sua filosofia. Esta evita o universal, as abstrações e as concepções lógicas, onde tudo é reduzido a um plano de uniformidade impessoal; evita o conceito que se separa da realidade para representá-la numa espécie genérica que a torna irreconhecível… pretende surpreender a existência” («Heresias do nosso tempo», Livraria Tavares Martins, Porto, 1960).

Nesse mesmo livro se trata de outras «filosofias» cuja natureza é a mesma: pura literatura filosófica. Mas quando se chega ao livro de Teilhard, «O fenômeno humano», então este «evolucionismo» filosófico-literário salta à vista de modo alarmante; passa a ser também religioso e «ciência» sobre a origem e fim do homem!

Quem diria que essa abusada utopia literária, logo condenada pela Igreja, iria influenciar pesadamente um clero católico, já entregue ao liberalismo e, por meio do Vaticano 2 deles, a Doutrina, a Moral e a Liturgia católica!

Como se viu com Ratzinger, Bento 16, estas «artes» continuam a desviar, mas desta vez em nome de uma «autoridade» que se quer apostólica.

A pergunta é: de quem a culpa, dos que ocupam e operam para demolir a Fé da Igreja por vocação desviada, ou dos fiéis que os aceitam?

Voltemos aos fatos atuais porque nestes dias as publicações católicas tradicionais tratam vivamente mais do caso de um eventual «ralliement» da FSSPX ao Vaticano conciliar, que da questão chave: se pode exercer autoridade católica autêntica quem destrói a Fé da Igreja; quem reprime o único Sacerdócio da Liturgia católica para o Santo Sacrifício, Fortaleza da Fé? Pode esta ruir pela falta de «mandato apostólico» para continuar a missão instituída nela até o fim mundo pelo nosso Salvador?

O engano dos enganos é lançar em órbita as razões da Fé

Este desastre mental ocorre quando as razões contingentes se impõem às razões transcendentes. A Igreja vive hoje nestas condições? Vejamos.

Na profecia de Daniel para o fim dos tempos, confirmada por Jesus, o Sacrifício perpétuo é suspenso, mas por fim será purificado (Dn 8, 13-14).

Se assim não fosse, ao surgir do NOM, soaria a hora do fim dos tempos.

É verdade que tudo piora dia a dia na Igreja, mas com o aspecto mais de grande prova que de fim, exigindo penitência. Deus castiga para apurar no crisol da fé (Ap 3, 19); para converter e salvar com a resiliência: a volta à fidelidade ao Seu Santo Sacrifício; às primeiras obras (Ap 2, 5).

A este ponto, há que se referir aos Bispos legítimos e fiéis que, mesmo no meio da grande tribulação na Fé instalada depois da morte de Pio XII, tiveram em mente a continuação do Sacerdócio para o Santo Sacrifício.

Podiam e deviam usar o poder de que dispunham para transmitir o poder de ordem. Como bispos sabiam que poderiam ordenar e consagrar.

A dúvida era se podiam fazê-lo sem incidir na grave mancha de cisma.

A resposta indireta veio do «papa conciliar», ocupante da Sé romana que, alterando a Fé e demolindo a Cristandade, revelou-se ilegítimo. Foi a resposta para ter, por fim, a certeza do estado de Sede vacante e agir. O Arcebispo Thuc o declarou por escrito; Dom Mayer o testemunhou para quem quis ouvir. Assim veio à luz a razão de Fé, dessas consagrações.

Leia-se a Declaração escrita pelo Arcebispo vietnamita e ouçam-se os testemunhos da declaração do Bispo Castro-Mayer, além de sua homilia.

Declaração de Vacância na Sé Apostólica por Mons. Thuc

Declaração de Vacância na Sé Apostólica por Mons. Thuc

O fato de ter declarado, embora imperfeitamente, estar a Igreja sem papa e Roma ocupada por anticristos, foi razão de Fé suficiente para consagrar bispos que ordenassem padres e continuassem a celebração do Sacrifício.

Sagração de Mons. Carmona e Zamora

A razão de Fé tem força para superar todo possível e inevitável defeito acarretado pela circunstância de engano e falta de mandatário apostólico.

O Sacramento, a Hierarquia e o Sacerdócio são para a Fé e não o oposto.

Isto se aplica de modo dúbio à decisão de Dom Lefebvre neste sentido, com a declaração contraditória quanto ao mandato apostólico inexistente e impossível da parte do anticristo no Vaticano, reconhecido como papa.

Pouco se diz da razão legítima das consagrações episcopais de 1988 em Ecône, não devida ao que omitiu Mgr Lefebvre, mas ao que disse Dom Mayer, de modo que a verdade foi dita ali, ainda que de modo precário, para fundamentar sua intenção de agir com o poder apostólico de Bispo.

Devo testemunhar o que sei, com a certeza da gratidão que merecem os Bispos que foram e são o instrumento da Providência para estabelecer a tênue linha de continuidade que salva o mundo do abismo de ser privado do recurso ao divino Sacrifício do Amor de Deus.

Restava evidenciado o extremo estado de necessidade para preservar o Sacerdócio do Santo Sacrifício como Nosso Senhor quer.

Pode esta razão conferir liceidade sacramental às consagrações à espera?

Tudo hoje na Igreja sem papa está sub conditionem até que nas suas obras de restauração do Papado se manifeste a vontade de Deus.

O Sacramento, a Hierarquia e o Sacerdócio são para a Fé e não o oposto.
Nesta ordem está o cerne da constituição de Direito divino da Igreja.
Isto se aplica ao modo dúbio da decisão de Dom Lefebvre, com a declaração contraditória quanto ao mandato apostólico inexistente e impossível da parte do anticristo no Vaticano, reconhecido como papa. O Papa é para a Fé e não esta para crer no poder do anticristo que ocupa a Sé; eis a questão prioritária para Dom Mayer, que foi por ele omitida e que devia ser de algum modo atestada.

Está no poder de Nosso Senhor Jesus Cristo «purificar» tal precariedade de «Seu resto», que vive na grande tribulação da Fé, mas ansiando que se restaure a Ordem católica de cumprir a adorável Vontade de Seu Divino Coração junto ao Imaculado Coração de Maria, Mãe de Deus e nossa!

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O Poder das Chaves, o Mandato Apostólico e o Testemunho Católico

Uma resposta para “O ÔMEGA DA LITURGIA CONCILIAR: LANÇAR EM ÓRBITA O SACERDÓCIO CATÓLICO!

  1. Bacci novembro 12, 2011 às 3:06 pm

    Teilhard de Chardin, lança uma nova gnose. Observem que, para os antigos gnósticos, a matéria havia sido criada por uma divindade má e o espírito por uma divindade boa. O falso jesuíta pretende resolver este problema, afirmando em sua “teologia”, a santificação da matéria pela encarnação do Verbo. Logo, não haveria necessidade da nossa redenção pela cruz, haja vista que, ela já se realizou pela encarnação. Quero dizer, o falso jesuíta, não vê a salvação de nossas almas, como finalidade da obra de Cristo, mas sim a salvação da matéria. Disto resulta que, muitos Padres ao realizar a consagração na missa nova, ao fazerem a consagração, estão na verdade “fazendo memória” da santificação da matéria, pela encarnação do Verbo.

    Dito isto, creio, que as palavras de Bento XVI, ganham uma melhor compreensão. Porque a consagração do mundo, é análoga a consagração da hóstia, que remete exatamente, a santificação da matéria pela encarnação do Verbo. Isto quer dizer provavelmente, que a única finalidade da Cruz, seria dar o testemunho da encarnação (e da subsequente santificação da matéria). Justamente por acreditar no falso jesuíta, João Paulo II, afirma em documentos (o que veio constar no novo catecismo):

    “Pela sua encarnação, ele, o Filho de Deus, uniu-se de certo modo a cada homem”.

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