Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

RELIGIÃO DA GÊNESE OU GÊNESE DAS RELIGIÕES?

O intelectual moderno, especialmente se modernista, resolve o “problema da gênese da religião” remontando ao homem primitivo que, “no meio de potências incógnitas da natureza devia sentir um temor misterioso: e procurando explicar os fenômenos que se manifestavam sob os seus olhos os interpretava à luz da própria consciência e personalidade…” (Turchi, História das religiões, Bocca, 1912).

Ora, isto é verdade do mesmo modo que também o homem moderno diante das incógnitas explica os fenômenos segundo os seus novos conhecimentos.

Todavia, os modernistas querem que a religião proceda da consciência humana (S. Pio X).

Os manuscritos do Mar Morto (Qumram)

Dei Verbum – “É absolutamente falso que tal documento prossegue na linha das encícli­cas de 1893 e de 1943 e prolonga esta linha de modo fecunda” (Mons. Spadafora). Portanto há que perguntar qual foi a parte da Dei Verbum (DV) no engano do qual fez-se portador não só este documento, mas também o “novo catecismo” conciliar, que retoma o erro apontado pelos padres conciliares.

A Formgeschichte e a Redaktionsgeschichte são sistemas racionalistas para “explicar a origem” das Sagradas Escrituras através de uma teoria; da história dos gêneros literários criada pelos protestantes Bultman e Dibelius (1920). “Este sistema nega, de partida, a autenticidade e a historicidade dos quatro Evangelhos, para sustentar, não sobre dados de fato, mas sobre postulados pseudo-filosóficos, que se trata de criações populares nascidas da exaltação fideísta da primitiva comunidade cristã. E, visto que tal criação popular requer tempo (pelo menos uns quarenta anos), a data de composição dos Evangelhos deveria ser e de fato foi adiada, sempre apriorísticamente, para depois do ano 70. Ora, esta composição ou é originada por Deus, como declara, ou é mentirosa e representa só uma coleção de falsas histórias”.

Na verdade “a Formgeschichte e a Redaktionsgeschichte estão em contraste com a fé, com a lógica e com os dados comprovados pela verdadeira crítica. A sua “adoção” por parte do Pontifício Instituto Bíblico [P.C.B] teve como fruto só a demolição da exegese católica, ao ponto de pôr em discussão textos que tocam o dogma e dos quais já existe a interpretação do Magistério solene” (Mons. Spadafora).

Cardeal MartiniEstes métodos, reprovados em 1962, mas apoiados pelo poderoso Jesuíta Bea, voltaram vencedores no V2 com a Instrução da P.C.B. (1964), que tornou-se norma para a DV. O card. Martini conclui: “Pode-se dizer que neste capítulo o hodierno movimento bíblico encontrou o seu mais alto reconhecimento e a sua magna charta, que dará ensejo a permear eficazmente e livremente todos os aspectos da vida da Igreja…” Como se demonstrou na sua demolição.

Os manuscritos do Mar Morto (Qumram), especialmente o fragmento 7Q5, impõem uma datação do Evangelho de S. Marcos precedente ao ano 50 d. C., tornando vãs as teorias racionalistas sobre as Sagradas Escrituras que queriam atribuir-lhes uma datação tardia.

P. José O'Calaghan

P. José O'Calaghan

Os estudos conduzidos desde 1972 pelo P. José O’Calaghan, que levaram à essa descoberta sobre aquele fragmento de Qumran, foram cerrada e obstinadamente censurados pelos exegetas e chefes do V2, e portanto por todo um poderoso aparato clerical.

“A descoberta mantida secreta por Paulo VI, sob conselho do atual card. Martini, então reitor do Pontifício Instituto Bíblico, foi assinalada e confirmada pelo papirólogo protestante Carsten Thiede que recebeu o aval competente e definitivo de peritos de fama mundial” (Si si no no, 15/4/95).

P. Jean Carmignac

P. Jean Carmignac

Os estudos lingüísticos à propósito do biblista P. Carmignac, valorizados por aquela descoberta, foram igualmente rejeitados pelos conciliares, enquanto aqueles do biblista Anglicano Robinson que chegavam às mesmas conclusões eram difundidos amplamente como relata a revista 30 dias (…). A guerra continua apesar de alguma declaração mais neutra do mesmo Martini: “No pequeno fragmento 7Q5 estaria contida uma excepcional confirmação documentária do que a Igreja ensinou ininterruptamente durante dezenove séculos” (30 Giorni, junho 1991).

Dei Verbum – “É absolutamente falso que tal documento prossegue na linha das encícli­cas de 1893 e de 1943 e prolonga esta linha de modo fecundo” (Mons. Spadafora). Portanto há que perguntar qual foi a parte da Dei Verbum (DV) no engano do qual fez-se portador não só este documento, mas também o “novo catecismo” conciliar, que retoma o erro apontado pelos padres conciliares.

Segundo o espírito da DV, para decodificar as verdades simbólicas das «salvíficas» deveriam pronunciar-se analistas humanos cujas conclusões iriam sobrepor-se às do Magistério que declarou a inerrância das Sagradas Escrituras.

Enfim, o verdadeiro magistério deveria ser produto científico de laboratório. Pena que a falta de verdade danifica também a ciência. Mas cabe reconhecer que os exegetas católicos, naturalmente anti-modernistas, com um árduo empenho conseguiram evitar que a Dei Verbum ensinasse heresias explícitas.

A luta deles continuou no pós-V2, seja diretamente contra as heresias contrárias à exegese católica, que agora têm livre curso, seja contra quem interpretava a DV em sentido herético. Mas vai nisto um erro de método.

Verificamos aqui que o espírito com que foi redigida a DV era o da heresia, de uma “nova exegese”, que nega as verdades fundamentais da exegese católica, condenada no decreto Lamentabili de S. Pio X, n. 9:

“Aqueles que crêem realmente que Deus é o autor das Escrituras Sagradas, mostram muita ingenuidade ou ignorância”; 11: “A inspiração divina não se estende a toda a Sagrada Escritura de modo que toda e cada uma de suas partes sejam imunes de qualquer erro”.

A resposta à pergunta sobre a origem do pensamento religioso não pode estar na explicação dos medos ancestrais do ser humano, estes são mormente ligados à morte que não muda. Antes, está no ser ou não ser da Religião revelada. Se essa é, explica o que precisamos saber, é a explicação-mãe; se não é, passa a ser inútil explicá-la. Ao contrário, explicá-la com uma sociologia, como o fizeram Durkheim e outros, é contraditório e significa fazer de um pensamento derivado o original, não menos da coletividade à origem do Evangelho, como se tem proposto modernamente.

O pensamento religioso não surge para que o homem explique o homem, mas para que escrutemos o que nos transcende e explica.

Se é o homem a cogitar uma sua religião, esta não é nem rima nem solução, mas só uma nefasta especulação subjetiva.

De qualquer modo o tal primitivo é mais lógico que o seu detrator, que é o intelectual moderno, porque reconhecia a necessidade de uma causa: não conhece a causa de um evento, mas sabe que todo evento tem uma causa, e que há uma primeira Causa de tudo.

É uma questão de bom senso e de ordem: a Religião ou vem de Deus ao homem, ou não é. A Gênese ou precede tudo ou é só um erro semântico.

Quando se está no campo da heresia, mascarada na sua formulação, mas evidente na sua aplicação, é necessário fazer uma precisão. Por exemplo: No “novo catecismo” foi inserido, junto com a palavra veritatem, o adjetivo salutarem: “a S. Escritura ensina – com certeza, fielmente, e sem erro a verdade salutar, salvífica -”. Se, tal frase, entende dizer que a Sagrada Escritura ensina só a verdade concernente o dogma e a moral, é herética.

Conseqüentemente, o documento de onde essa promana, a DV, entendido deste modo, favorece a heresia.

Não há por onde dissimular que este modo herético de entender é oficialmente demonstrado pela cúpula do Vaticano.

Eis que o hiato entre a exegese infalível e os métodos históricos, entre o dogma e a análise crítica, entre autoridade da Igreja e os exegetas conciliares é da mesma dimensão daquele existente entre verdade e heresia.

Estes métodos, duvidando também da historicidade dos Evangelhos, abrem a estrada para qualquer revisão da história da humanidade e da Igreja, objetivo já atingido pelos chefes do V2. Mas é prevaricatório fazer isto no Nome de Nosso Senhor que revelou-se o Verbo de Deus, ou da Igreja que O representa.

O V2 é uma trama acintosamente contra a Verdade revelada“. Assim o classifica o exímio exegeta Mons. Spadafora (A Tradição contra o concilio, Volpe, Roma, 1989, p. 156). E fica demonstrado por que.

Diante da Palavra divina, “quem não está comigo, está contra Mim; quem não recolhe comigo, dispersa”.

A posição da Igreja não pode mudar em relação aos Evangelhos. Como a mutação instaurada nos últimos decênios para “demitizar” a Palavra, os milagres, o dogma católico, com análises racionalistas receberam luz verde da DV, cumpre constatar que o V2 coloca-se como uma passagem que leva ao modernismo a exegese católica que, no seu teor genuíno, tem por fundamento a fé sobrenatural transmitida pela Tradição oral e escrita.

Mas quem decidiu estabelecer esta passagem, em que autoridade pensa poder fundar a própria decisão? Naquela que procede da continuidade na fé das comunidades cristãs que, segundo eles, ainda confundiam o trovão com a vontade divina?

Conclusão – Quem discute sobre a consciência na fé dos primeiros cristãos como pode pensar em sucedê-los?

A doutrina constante e universal da Igreja sobre a interpretação autêntica da Sagrada Escritura tem por origem e fundamento a sua: divina inspiração, inerrância absoluta, historicidade dos quatro Evangelhos, e por sua autoridade o Magistério da Igreja.

Logo, o sistema que levanta dúvidas sobre a origem e integridade da Tradição, que está pronto a revisionar as Sagradas Escrituras, que representam o instrumento direto da Autoridade divina, visto que ninguém recebe autoridade de Deus para contestá-Lo, não fazem mais que indicar com esta abertura revisionista a própria radical incompatibilidade com a posição de autoridade católica, o que é suficiente para vê-la apeada de sua jurisdição na Igreja.

Jesus disse:

Enquanto não passar o céu e a terra, não desaparecerá da lei nem um iota ou ápice, sem que tudo seja cumprido” (Mt 5, 18); “O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão” (Mt 24, 35).

E na conclusão dos livros da Revelação:

Porque protesto a todos os que ouvem as palavras da profecia deste livro, que, se alguém lhes juntar algo, Deus o castigará com os flagelos descritos neste livro; e se alguém tirar qualquer coisa das palavras da profecia deste livro, Deus lhe tirará a sua parte do livro da vida e da cidade santa, e das coisas que estão descritas neste livro” (Ap. 22, 18-19). Palavra de Deus.

Fonte: L’Eclisse del Pensiero Cattolico. A. Daniele. Roma – 1997

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