Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

EM BUSCA DO PAPA CATÓLICO

São Pedro, Primeiro Papa

No ideário de Newman e Atila S. Guimarães

Nosso Senhor Jesus Cristo, Mestre divino, prometeu permanecer com a Igreja até o fim dos tempos, representado pelos sucessores dos Apóstolos, confirmados pelo Seu Vigário.

A São Pedro e sucessores foi confiado o poder de representar em Terra a Autoridade de Deus, única que confirma sem erro a Verdade divina que guia os homens ao fim para o qual fomos criados.

Eis que nenhum poder é mais importante que este no mundo humano.

E o ensino revelado é transmitido pela Tradição oral e escrita explicada no Magistério pontifical, que em matéria de Fé e de Moral é infalível.

É a presença milagrosa do poder de Deus ao longo da história humana.

A fé neste Princípio divino sempre foi vital na Religião católica.

Este é o «Princípio» que desejamos lembrar neste momento histórico em que a visão da continuidade do Magistério universal parece obscurecida.

Inicio com um episódio esquecido na questão monotelita do pontificado de Honório I. Na vasta documentação estudada pelo Dr. Homero Johas, e que em boa parte eu trouxe para ele de Roma, encontravam-se menções deveras estranhas para o nosso modo de entender a questão da autoridade única na Sede Romana. Esta era regida pelo Papa Honório que, em uma carta a Sergio, patriarca de Constantinopla, referiu-se a «um tal Sofrônio, monge, mas agora, pelo que ouvimos, constituído bispo de Jerusalém…».

O Papa ouvia falar da constituição de um bispo (?) e era São Sofrônio que, envolvido em pleno contra a heresia monotelita escrevia antes a Sérgio, denominando-o «Santidade». Pensava talvez dirigir-se ao papa?

Fato é que São Sofrônio enviou suas razões ortodoxas contra a heresia à autoridade superior na carta sinodal ao bispo de Roma e a Sérgio, levada pelo diácono Leôncio e o leigo Polieucto (Msi 10/650, cit. Homero Johas, «Um Papa Herético», Vol. II, Corbã, p. 51). Resta que o reconhecimento entre eles da pessoa com autoridade pontifical podia ser precária, mas era firme o Princípio da necessidade de dirigir-se a quem representava o Magistério que em nome da Igreja de Cristo podia resolver questões de Fé.

Podia ser dúbia a pessoa que representava o Magistério, como ocorreu também durante o Cisma do Ocidente, mas não o Princípio papal ao qual se submeter (veja-se o caso de S. Vicente Ferrer), em vista da Autoridade do Magistério divino no mundo.

No atual período histórico, porém, não se vê esse Magistério continuado.

Ao contrário, já decorre meio século desde que iniciou a ser tortuosa e sistematicamente invertido pelos ocupantes da Cátedra magisterial.

Doutos católicos muito se empenham a demonstrar este escandaloso fato objetivo. Menos, porém, a enfrentar a causa da desolação espiritual que cada vez mais se expande para desordem do mundo e perda das almas.

A causa concerne o plano jurídico da autoridade vigária de Cristo; quer-se «ver» conservado um «princípio papal» sem continuidade magisterial!

Ora, à luz da Revelação, sabemos que nos tempos finais a Igreja viverá condições sem precedentes, que nenhum católico prudente vai comparar com alguma outra prova pela qual a Igreja tenha passado; qual seja a de «anticristos no Vaticano», que só dois Bispos ousaram acusar.

O efeito é reacender a dúvida primordial concernente as consciências.

São Pio X

A falsa catequização, que culminou na área católica com o modernismo, fez voltar à tentação original do rapto da «autoridade» de conhecimento do bem e do mal, sujeitando a Revelação às consciências (S. Pio X).

Isto é pregado hoje com a «liberdade religiosa» da Dignitatis humanae, não pela serpente, mas pela nova «autoridade pontifícia conciliar» à qual (nova consciência eclesial) obrigar a consciência em nome da Revelação; seria esta a subsistir em nome do novo «magistério» e não o contrário! O «magistério modernista conciliar» a determinar a verdade revelada sobre o direito à liberdade de consciência no erro, até em foro externo!

A necessidade de formação da consciência católica

A alusão à consciência do Cardeal Newman é ilustrativa:

“A consciência é o verdadeiro vigário de Cristo na alma; um profeta pelo que informa; um monarca pela sua decisão; um sacerdote pelas suas bênçãos ou anátemas, segundo a obedecermos ou não”.

A razão da autoridade papal é a necessidade de afirmar a Revelação divina nas consciências, para que assim: sejamos conhecidos por vós em vossas consciências (2 Cor. 5, 11).

É fundamental a relação de causa-efeito entre o Magistério da fé e a ordem pessoal e social dos homens, e daí o contrário: entre a descrença e a desordem humana. Na confusão entre verdadeiro e falso, entre ser e não ser, a consciência se priva do critério para separar o bem do mal.

Por isto, para confirmar o bem ensinado na continuidade de Seu Verbo, Deus proveu a Igreja do Pontífice, que é o Seu vigário no mundo.

Este é reconhecido na fidelidade ao Magistério contínuo e fiel; autêntico em quanto a autoridade humana confirma a autoria divina, que sendo acessível a todo fiel, ocorreu, como a História registra, foi preservada pela Igreja discente, mesmo diante de falhas de uma maioria de bispos.

Esse fato, de enorme importância para a Igreja, ficou registrado na regra para reconhecer a verdadeira Fé, confessada por todos em todo tempo e lugar, do Comonitório de S. Vicente de Lerins, que a Igreja adotou.

O Cardeal Newman, como relatamos num artigo precedente, também se ocupou dessa defesa compacta da Fé pelos simples fiéis da Igreja docta.

Na referência de Newman, porém, desponta um problema que se arrasta, pois o Prelado diz que «houve suspensão temporária das funções da Ecclesia docens. O conjunto dos bispos foi infiel ao dever de confessar a sua fé» (Permanência, nn.160-161).

Ora, na verdade os fiéis reforçaram bispos da ortodoxia na resistência, até ao papa. Estes bispos nunca faltaram, mesmo se reduzidos a poucos, a Igreja docente continuava, não no «corpo» dos que auto-suspenderam a confissão da fé, mas no ensino do Corpo que a mantinha íntegra e pura.

Assim também a idéia da auto-demolição da Igreja declarada por Paulo 6º é totalmente enganosa. O fato que clérigos, até um eleito papa, mesmo cardeais ou bispos, mesmo uma multidão deles, náufragos na fé, possam demolir a Igreja por terem renunciado a professá-la, é falso. São eles que se «auto-demoliram» porque se «auto-alienaram» da Fé. A igreja perde esses filhos, mas nem por isto se altera, senão no número de fiéis.

Sabemos, porém, que a mentalidade moderna é sensível aos números e por isto cai nessa confusão que toca a mesma natureza íntegra da Igreja.

Essa mesma mentalidade é sensível às aparências; ao que o mundo quer ver. Assim, também a visibilidade da Igreja é «vista» por muitos, mais pelo que «parece», do que pelo que é; mais no «fenômeno» do que no ser. E o ser da Igreja concerne a Fé que não muda. Deveria ser óbvio pensar assim, mas até conservadores tradicionalistas tropeçam nesse obstáculo virtual que descrevem contraditoriamente com suas mesmas palavras.

Vamos ver um caso atual que serve de exemplo para alguns outros.

Condições aduzidas para uma «certeza anti-sedevacantista»

Segue a tradução do texto final de um artigo que está no sito americano TIA, Tradition in Action, gerido pelo brasileiro Atila S. Guimarães (foto)…

Diz (aqui):

Atila Sinke Guimarães

«Em conclusão e combinando as duas perspectivas – a divina e a humana – eis a minha posição» (anti-sedevacantista):

      • A heretic Pope loses the pontificate automatically before God, who knows his innermost thoughts and actions, at the moment when he falls into heresy, or, if he is already a heretic, at the moment when he reaffirms the heresy after his election;

(Um Papa herege perde o pontificado automaticamente diante de Deus, que conhece os seus pensamentos e ações mais íntimos, no momento em que ele cai em heresia, ou, se ele já é um herege, no momento em que a reafirma após sua eleição;)

  • He continues to be Pope before the visible Church until a respectful opposition of the faithful makes his government impossible;

(Ele continua a ser o Papa diante da Igreja visível até que uma oposição respeitosa dos fiéis torna seu governo impossível;)

  • Catholics have the obligation to resist him in all that he does that favors heresy;

(Os católicos têm a obrigação de resistir-lhe em tudo o que ele faz que favorece a heresia;)

  • They also have the obligation to spread the position of resistance as much as possible;

(Eles também têm a obrigação de difundir a posição de resistência, tanto quanto possível;)

  • They should pray much and offer sacrifices asking Our Lord Jesus Christ, the true Head of the Church of which the Pope is only the Vicar, to intervene and bring this great trial for the Church and the faithful to an end.

(Eles devem rezar muito e oferecer sacrifícios pedindo a Nosso Senhor Jesus Cristo, Cabeça da Igreja verdadeira de que o Papa é apenas o Vigário, para intervir e trazer esta grande prova para a Igreja e os fiéis a um fim.)

Quais «certezas» se deduzem da posição que implica claramente a maior e pior situação para os fiéis, como é reconhecido: de um Papa herege que por isto, diante de Deus, perde o pontificado, se jamais o recebeu?

Não é mais «certo» pensar que Deus, conhecendo os pensamentos e ações mais íntimos do herege, e sua intenção de promover a heresia após a sua eleição, não iria conferir-lhe o Seu poder para demolir a Sua Igreja? Sim, porque o poder do Vigário de Cristo não procede dos cardeais eleitores da Igreja, mas direta, embora invisivelmente, de Deus (conf. S. Pio X Pascendi – citando Pio VI Auctorem Fidei e Pastor Aeternus, Concílio Vaticano).

Para os homens muita coisa é invisível, como seja a heresia do «eleito papa», que passa por católico com o engano. Só será conhecido pela sua obra herética que, no caso do V2, já não é invisível para nenhum católico. Portanto, a esse ponto, também não é mais invisível a visão católica da impossível concessão do poder divino ao herege eleito papa para atuá-lo.

«Visão católica» é o mínimo que se pode dizer do que está escrito na Bula Cum ex apostolatus do Papa Paulo IV. Esta deveria ser invocada pelo que define, mas mesmo se a ela se recorre pelo que aponta como nulo, isto é, que não recebeu de Deus autoridade na Igreja quem antes de ser eleito era herege, já bastaria para esclarecer as mentes fiéis.

Isto se aplica inteiramente ao caso dos «papas conciliares» que, com o Vaticano 2, demonstraram professar uma «fé» modernista e aberta a toda idéia maçônica para uma nova ordem mundial. Podiam receber de Deus a autoridade do poder papal para programar essas doutrinas, contra as quais, como o nosso autor afirma, é obrigação dos católicos resistir, alargando a resistência quanto possível, até tornar seu papado impossível?

Não se compreende qual lei ou doutrina católica possa fundamentar essa resistência, porque se a razão está no fato de ser essa «autoridade», mesmo de aspecto angélico ou apostólico, portadora de doutrina ou liturgia nociva à Fé, equivalente a trazer um novo evangelho, a reação certa está prescrita em claras letras na mesma Revelação: seja anátema!

Quando é que a Igreja passou pela prova de ver «anticristos» vestidos de papa e ocupando o Vaticano com doutrinas condenadas, e só um mínimo «Resto» acusando essa sacrílega invasão?

Quem encontrará qualquer precedente histórico para poder aplicar à essa luz o mais recente direito eclesiástico prescrito pela autoridade em condições ordinárias da Igreja?

Porém, foi sempre contrário à Lei da Igreja resistir à autoridade legítima em questões definidas de Fé e de moral: isto sim é razão de ruptura com a Igreja.

Para evitar essas confusões que perdem, há que rezar muito e oferecer sacrifícios pedindo a Nosso Senhor Jesus Cristo, Cabeça da Igreja verdadeira, da qual o papa é apenas vigário, para intervir afim de que esta grande prova de acefalia terrena para a Igreja e para os fiéis termine cedo.

Sabemos, porém, que para a Sua maior glória, Deus se serve de homens e na Igreja de clérigos chamados com um mandato apostólico.

O católico que professa não haver hoje autoridade para conferir Mandato apostólico, deve fundamentar toda a sua reação a partir desta realidade.

Com tal premissa deve reconhecer que passa a haver, por isto mesmo, um «mandato-dever» para todo e qualquer fiel da Igreja militante.

E este é que o Mandato apostólico pontifical seja restabelecido para a continuação do poder de ordem e de jurisdição na Igreja.

Eis a intenção fiel da Igreja toda que, nas suas orações e testemunhos deve almejar o ato que testemunha o Princípio do qual depende a vida do Corpo Místico de Jesus Cristo: a eleição de um Papa católico que rejeite tudo o que é contrário à Fé, o que hoje é representado pelo Vaticano 2, seus promotores, suas doutrinas, suas liturgias e suas obras ecumenistas.

O modo como isto será cumprido nas precaríssimas condições presentes ultrapassa nossos conhecimentos. Mas que seja este o Princípio vital a restabelecer é uma certeza de Fé na Igreja que representa a Autoridade divina no Vigário de Cristo em Terra.

As consagrações e ordenações feitas em vista disso, só podem superar a sua «iliceidade» atual na medida em que demonstram servir com orações e testemunhos este ato de restabelecimento na continuidade do poder da Igreja; prontos a submeter-se ao futuro Pontífice, canonicamente eleito para afastar tudo o que deturpa a sua una, santa católica e apostólica Fé.

Hoje não basta estar na mesma barca dos que repudiam a falsa religião.

San Pietro

É preciso remar na direção da sobrevivência da Fé buscando merecer a graça de obter um verdadeiro Vigário de Cristo. Este era preciso, mais e antes que bispos e padres de consagração ilícita o fossem.

Recorrer à busca do Papa católico devia ter sido feito, mas não foi, dando largas a grandes irregularidades, senão profanações.

Logo, nós precisamos e ainda mais eles, do Papa que ponha tudo isto em ordem em consideração das almas que vivem essa grande tribulação beirando graves contradições na fé, apostasias e sacrilégios.

Eis o mandato prioritário hoje: remar nesse sentido para merecer que Nosso Senhor faça por acréscimo o «resto», com o milagre da conversão às Suas Razões de Fé dos povos da Terra, da Rússia, dos Hebreus e de todos os que ainda não reconheceram o Seu Santo Sacrifício de Amor.

Apuremos nossas mentes na súplica aos Sagrados Corações porque isto já foi prometido através do triunfo do Imaculado Coração de Maria.

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