Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

FÁTIMA, A PARUSIA E O NEO-MILENARISMO

O evento crucial ao qual eu me tenho dedicado e sobre o qual tenho escrito ultimamente foi «revelado» no ano 2000 com a visão da terceira parte da Profecia de Fátima publicada pelo Vaticano de João Paulo 2.

Na verdade esta seria mais clara em 1960, como a Irmã Lúcia disse ao Cardeal Ottaviani em 1955. Ora, como nesse intervalo de tempo o evento relevante na história da Igreja e ligado em modo especial à essa visão foi a morte de Pio XII em 1958 e o conclave para a sua sucessão, só poderia ser essa a data profetizada no Terceiro Segredo de Fátima.

O que acontecia então que poderia ser relacionado com a visão da hecatombe do Papa com todo o seu séquito católico?

Pois bem, com relação a Pio XII, é um fato histórico que a hierarquia fiel à ortodoxia do catolicismo por ele mantida foi em breve tempo removida e esta ortodoxia alterada.

Quanto ao eleito papa, Ângelo Roncalli, que assumira o nome do antipapa João XXIII, apesar da sua avançada idade, abriu a Igreja aos ventos das novidades modernistas.

Tratava-se da ventania doutrinal evitada e condenada pela Igreja, devido à qual Roncalli se tornara suspeito de desvios e fora afastado das cátedras de ensino.

Essa eleição papal só não seria o «evento crucial» relatado à Profecia de Fátima se não tivesse causado efeitos devastadores para a Cristandade. Mas, desde os dias de João 23 assomou ao horizonte da Igreja a devastação doutrinal, a contaminação litúrgica e a autodemolição do Clero, que seguiram e continuam após mais de meio século.

Um evento crucial sem precedentes para o Catolicismo porque provocado desde seus vértices, que desmantelaram as suas defesas abrindo-o às mutações do mundo moderno.

Eis que a data do «evento» de 1958, que seria mais claro em 1960, situa uma «débâcle» histórica que, mesmo sem a visão do Terceiro Segredo de Fátima é mais que evidente.

Temos, porém, essa mensagem especial que ajuda a focalizar o problema no Papado.

Não é portanto casual que os ocupantes do Vaticano se tenham dedicado em especial à neutralização da Mensagem de Nossa Senhora de Fátima desde João 23. Este começou por arquivar do Segredo em 1959 e numa sequência histórica, também seus sucessores ocuparam-se dele para desvirtuá-lo. Até João Paulo 2, que o revelou por engano, crente que poderia desapropriá-lo a favor do culto de sua personalidade carismática de novo mártir para a transformação de um mundo novo: o vento de crise que hoje vivemos!

A crise como se vê, e não poderia ser de outro modo, teve origem e tem cunho religioso numa dimensão jamais vista na história da Igreja; de aspecto terminal.

A este ponto os católicos, privados de uma autoridade romana em continuidade com a doutrina apostólica de todos os Papas e Concílios da Igreja, encontram-se desordenados e desunidos; procuram soluções doutrinais e lideranças e na falta destas as inventam.

As soluções paradoxais alienas à lei católica

Vamos aqui enumerar brevemente as mais vistosas «soluções» para a Igreja em que passou a faltar uma autêntica autoridade católica, mas que tem um «papa ocupante» do Vaticano, que, seguindo o Vaticano 2,  altera sistematicamente a doutrina católica.

Em suma: haveria uma sucessão de papas suspeitos ou claramente caídos em heresia, mas com «poderes apostólicos» reconhecidos universalmente – situação paradoxal?

Para esta foram inventadas soluções, estas sim paradoxais.

– Um Papa foi canonicamente eleito desde 1958 e sucessivamente. Mas não exerce porque foi impedido por poderes que violaram o Conclave. É a solução do «Papa Siri» que tem o pequeno inconveniente do próprio nunca se ter reconhecido papa!

– O problema só começou com Paulo 6 que, percebendo a qual autodemolição e fumaça satânica levava o maldito Vaticano 2, se convertera e fora em seguida aprisionado nas masmorras do Vaticano, onde se encontraria – até hoje? Teria 115 anos! (1897).

– O «papa» é prisioneiro, mártir, vítima do séquito que o impede de agir livremente, ou está drogado e condicionado a aceitar todo erro. Mas é o papa legítimo. Essa é a visão diabólica que Mgr Lefebvre denunciou, mas sem explicar a justa para a idiotice do «irresponsável» com plena autoridade. Deve-se aguardar a solução dos teólogos.

– Esses «papas eleitos», Paulo6 aJoão Paulo 2, são papas «materialiter», mas não «formaliter», porque não têm a intenção de fazer o «bem da Igreja». Não têm autoridade apostólica e não se deve rezar em comunhão com eles até chegarem a essa «conversão».

Isto não ocorreu, mas o contrário porque «fazem um mal» sem precedentes nos feitos dos piores heresiarcas. Mas haveria uma canônica «sucessão materialiter» – até quando?

– Haveria que aceitar os «papas hereges» como validos porque senão faltariam também os cardeais para eleger um próximo papa católico, por estes indicados no futuro.

O problema é que estes cardeais conciliares são da mesma lavra que seus «papas»!

– Há que submeter o juízo infalível sobre o «escândalo público, a heresia e o cisma», descritos em longos «Liber» (1973, 1983, 1993) aos «irmãos na fé», Paulo 6 e depois João Paulo2, aeles mesmos. Problema não lêem, mas condenam os seus autores!

– Aceitam-se esses papas que promovem essas doutrinas heréticas sem piar. Mais, se admite uma Igreja autêntica com duas doutrinas, sendo a primeira tradicional e a segunda ecumenista, isto é aberta a qualquer heresia e cisma! Até qual desvio?

– Não se aceitam esses «papas», que devem ser acusados como falsos profetas e suas doutrinas enfrentadas em homilias, palestras e escritos, mas não há mais nada a fazer, na espera da Parusia de Nosso Senhor, que na Sua vinda vai aniquilar o Anticristo com o sopro da Sua boca. Quem imagina a restauração atual do Papado, estaria enganando.

O P. Basilio Méramo escreveu na Rádio Cristiandad nas vésperas do Natal de 2010:

Esta crisis de fe, con toda la ola Revolucionaria de autodestrucción de la Iglesia, no puede no ser algo apocalíptico por su amplitud, gravedad y perversión; pues se cae en lo absurdo; y estulto o ignorante se tiene que ser para no verlo. Esta crisis no puede ya nadie remediarla humanamente, sólo con la intervención del cielo se remediará. Pensar de otro modo es caer en la tentación del Progresismo, si bien se mira, pues para el Progresismo las soluciones se obtienen por las solas fuerzas intrahistóricas y del hombre.”

Foi então que perguntei: De onde sacó esto? Falo do Magistério e não da interpretação de autores, por bons e santos que se queira. Porque isto presume a vinda de Nosso Senhor para reparar a atual crise de aspecto terminal com Sua presença.

A Igreja militante está sem as graças prometidas pelo Salvador para se defender?

Será preciso que Ele venha pessoalmente de novo para remediar a falência humana?

Se houvesse essa vinda antes da Sua volta para o Juízo, então seria para constituir o perfeito Reino terreno: o Milenarismo: “palavra que vem do latim Millenium, designa a doutrina religiosa, retirada da Bíblia (Apocalipse 20, v. 1 a 10), que anuncia o regresso de Jesus Cristo para constituir um reino que duraria mil anos”… Tal crença supunha que, após um período de perseguições, como sofreram os cristãos, haveria a era para instaurar a era da Justiça messiânica no reino milenar do Messias.

O milenarismo cristão aprovado baseia-se no Apocalipse, onde se lê que o Demônio permanecerá acorrentado num abismo durante mil anos, durante os quais Cristo reinará através da Sua Igreja, com os mártires e santos que não adoraram a “Besta”. Do ponto de vista histórico, depois de mil anos iniciou o declínio da Cristandade, que precisaria da graça de grandes santos e nos nossos tempos da intercessão de Maria Santíssima para prosseguir na sua missão no mundo.

Nisto P. Basílio cita “San Luís María Grignion de Monfort, el santo mariano más apocalíptico: “Si, pues, como es lo cierto, deben extenderse por el mundo el conocimiento y el reinado de nuestro Señor Jesucristo, ello será indudablemente una consecuencia necesaria del conocimiento y reinado de la Santísima Virgen María, la cual lo dio a la luz la primera vez y lo hará resplandecer en la segunda.” (Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria), para concluir: “Queda claro que es una misma cosa el Reino de Cristo Rey, el Reino del Sagrado Corazón de Jesús y el Reino del Inmaculado Corazón o el Reino de los Sagrados Corazones de Jesús y María. No verlo, no aceptarlo, no reconocerlo, es desvirtuar estas cosas en devociones truncadas en su profetismo apocalíptico y su cabal realización.

O Padre, porém, associa esta visão à sua; da volta de Jesus Cristo ao mundo antes do Juízo e continua: “Situar o esperar el triunfo del Corazón Inmaculado de María antes de la Parusía es un error; y lógicamente también lo es situarlo antes del Anticristo, puesto que será derrotado por Cristo Rey, como dicen las Sagradas Escrituras:

«Y entonces se hará manifiesto el inicuo, a quien el Señor Jesús matará con el aliento de su boca y destruirá con la manifestación de su Parusía» (II Tes. 2, 8).

“El triunfo que todos esperan, y que esperamos, no es un triunfo incompleto, parcial, mitigado, pues es y debe ser un triunfo completo, pleno, universal; es un triunfo absoluto, no un triunfo relativo, es como si comparásemos un gran banquete (y con octava de festejo) con una merienda rápida y frugal, tomando este ligero refrigerio por el de una comida en forma.”

… É querer a perfeição neste mundo, no Vaticano (agora condicionado) e na Rússia, com a intervenção direta de Nosso Senhor: “Con o sin consagración de Rusia, el triunfo final del Corazón de María se realizará. La paz relativa (cierta paz), que como un pequeño refrigerio (merienda), como anticipo al gran banquete nupcial si se hubiera consagrado Rusia sin que esta esparciera sus errores comunistas o socialistas, es decir el humanismo ateo (secular, laicista), por todo el mundo, y condicionando al Vaticano; esa paz relativa no puede, ni se debe miopemente confundir con el triunfo total, pleno y absoluto. No se puede confundir un triunfo y una paz relativos, con el gran triunfo y paz plenos, que sin condiciones se dará al fin y al cabo, al final, finalmente. Por esto, el Triunfo del Inmaculado Corazón de María no se puede esperar sin el Triunfo de Cristo Rey, cuando venga en gloria y majestad. El Triunfo del Inmaculado Corazón de María es inseparable del Triunfo del Sagrado Corazón de Jesús, es el Triunfo de los Sagrados Corazones de Jesús y María, y separarlos es dividir a Cristo, es disolver a Jesús, que es lo característico del Anticristo, qui solvit Jesus“, según la expresión del apóstol del Sagrado Corazón, el discípulo amado, San Juan Evangelista.

Para que se realize a promessa de Nossa Senhora no Seu Segredo: «Por fim o meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar‑me‑á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz», será preciso, segundo as interpretações milenaristas do Padre, que antes Jesus volte ao mundo e nomeie um papa fiel! Como é possível que a Cabeça da Igreja precise de alguém para uma consagração. Ou será que se insinua que essa promessa está errada, criando uma ilusão?

É mais fácil pensar que o P. Basílio, diante dessa crise espantosa da Igreja, não acredite mais que as portas do inferno não prevalecerão, comprovando a Mediação da Mãe de Deus, sem um retorno da Pessoa de Nosso Senhor ao mundo terreno.

Agora, ao criticar as confusões de outro tipo, o P. Basílio, abismado pela imensa crise da Igreja, continua insinuando a sua inaceitável solução para os males atuais com uma «Parusia intermediária»: “De otra parte, está confundiendo el triunfo del Inmaculado Corazón, que no puede ser antes de la Parusía, con lo que dice el Tercer Secreto, no revelado, sobre la apostasía universal, adulterando así el mensaje mariano, para reavivar una esperanza falsa en un triunfo que no requiere la directa intervención de Cristo Rey. Pues el triunfo que todos esperamos, es con la Parusía de Nuestro Señor, por su directa e inmediata presencia que destruye el poder del mal personificado en el Anticristo tanto político como religioso, o pseudo-profeta, y no antes sin esta intervención, como quiere el modernismo progresista, de un triunfo de la Iglesia por las solas fuerzas intrahistóricas y humanas. Y de aquí su ecumenismo de unir a los hombres sin dogmas que dividan.”

(ressaltos nossos)

Para os milenaristas dessa idéia, o católico só deve esperar que Nosso Senhor volte para pôr as coisas em ordem na Terra. Atenção porque dizem coisas justas, mas concluem com uma invenção que altera a nossa Fé e a Mensagem de Fátima.

Nós seguimos o ensino da Igreja, e às deduções de Lacunza e outros, antepomos a explicação de Jesus à Irmã Lúcia sobre o claro desígnio divino: “Porque quero que toda a Minha Igreja reconheça essa consagração como um triunfo do Coração Imaculado de Maria, para depois estender o seu culto e pôr, ao lado da devoção do Meu divino Coração, a devoção deste Imaculado Coração.”

Sagrado Coração de Jesus

Sagrado Coração de Jesus

Ao reino dos Sagrados Corações chega-se só pelo sinal que, representando a vontade de Nosso Senhor Jesus Cristo, deve atrair-nos sem essa elaborada elucubração milenarista.

Procuremos antes de tudo e sem esmorecer o Reino de Deus e sua Justiça, representado no mundo pela Sua Igreja verdadeira, e o resto nos será dado por acréscimo.

Salve Maria Medianeira de todas as graças.

3 Respostas para “FÁTIMA, A PARUSIA E O NEO-MILENARISMO

  1. Leonardo fevereiro 14, 2012 às 9:42 pm

    Aprecio sobremaneira que sempre termina invocando a Virgem Maria. Como São Luís Maria mesmo fulminou: “Cristo não voltará se não por Maria. Porque, se veio por Maria, voltará por Maria”. Isto é verdade caríssima a Deus, podem acreditar, pois, através de Maria, a própria humildade divina dá perfeitíssima lição nos orgulhosos anjos maus e aplica misericórdia a toda humanidade. Acerca de tudo dito antes no artigo, irmão, fico com dó do Sr. Não se perturbe tanto. É o mistério da iniquidade! Se há novidade espiritual em nossa época que quase podemos tocar é este mistério. Totalmente em andamento e recapitulando todo o mal na história. E mistério quer dizer o seguinte: sem solução possível aos homens. O Sr. vai rodopiar como pião e não encontrar solução. Deus nos explicará depois de vencido o episódio ou apenas no juízo final. Até lá será o que é: apenas a mais dura prova à fé que precisa se segurar nas profecias para se confiar com segurança em Deus e na Virgem e, assim, permanecer vigilante de pé e não ser confundido nem envergonhado quando o Senhor voltar. “O justo viverá pela fé”. E só pela fé. Não pelas múltiplas canonizações e não pela razão humana.

  2. Leonardo fevereiro 14, 2012 às 9:57 pm

    Corrijo porque faltou um verbo na locução verbal: “e não vai encontrar solução”. Quanto à fé, é pela fé que Maria venceu e reina. Fé obediente. A mais perfeita. Fé que não indaga, mas confia segura. Quando questionada, responde como São Miguel: “quem como Deus?”. “Fides” é tanto fé, como confiança e garantia. Tudo é “fides”. Remessa à Deus. Se Deus não tivesse advertido e não tivesse dito que seria a mais dura prova e que o engano seria quase geral, aí, poderíamos questionar e até duvidar. Mas Deus e Nossa Senhora disseram que seria exatamente assim! O conluio do homem com o diabo precisava disso. Leia de novo o Livro de Jó. O mal, Deus conteve para não perder os inscritos no Livro da Vida, mas o mal precisa se esgotar e cair por si mesmo. As profecias dão o tempo certo para Deus: só Deus sabe como encurtar para os justos e alargar para os que ainda se converterão. Se Deus deixasse ao gosto humano até dos seus, perderia gerações. A paciência com o tempo de Deus é caridade necessária ao cumprimento do primeiro mandamento e é assentimento ao plano salvífico que leva os amigos de Deus para a Cruz. Tenha calma e resignação, irmão. Deus agirá. A Virgem silenciosa vai vencer sem deixar margem à dúvida. Benditos sejam Deus e a Virgem Maria Sua Mãe.

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