Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

CERTEZAS DE FÉ E ESPECULAÇÕES TEOLÓGICAS

Rogério Araújo

A Bula «Cum ex apostolatus officio» do Papa Paulo IV rompeu alguns «tabus» que ainda hoje atormentam muitos teólogos, como seja do «poder absoluto» do conclave que elege o Papa; do termo «papa eleito» pela unanimidade dos cardeais e por isto recebido pela Igreja. Estes não implicam certeza de fé que deve ser pacificamente aceita. Não só, mas a condenação do desviado elevado a um cargo de jurisdição não depende do momento que os fiéis reconhecem a sua heresia, mas ele já está julgado por Deus. Trata-se do julgamento «ipso facto», que é imediato, embora aguarde o reconhecimento tardio dos filhos da Igreja.

Destas certezas devemos voltar a falar, no meio da maior divisão de teólogos que discutiram a questão seguindo especulações teóricas, que não partem das certezas já estabelecidas pelos Papas, que se aplicam à situação atual, realidade sem precedentes.

Neste sentido pode-se constatar que o conhecido livro do Dr. Arnaldo Vidigal Xavier da Silveira, escrito junto com o preclaro Bispo Antônio de Castro Mayer – de extrema oportunidade nos anos Setenta – já nascia condicionado por um velho desvio de ordem teologal: omitia a Bula em questão e suas certezas insofismáveis.

Recentemente tivemos a satisfação de ver esse Autor de volta à liça numa contestação pública ao artigo (L’Osservatore Romano) do Vigário-Geral do Opus Dei: «Grave lapso teológico de Mons. Ocáriz».

Resumo:

Primeira distinção: papa herege, herege eleito papa.

O Magistério da Igreja é Infalível (em absoluto), seguro, nunca adverso a Fé, tanto o ordinário quanto o extraordinário. 

Aqui contradigo o que disse o Dr. Arnaldo no artigo contra o superior da Opus Dei, publicado aqui.

Teólogos X Magistério

Primeira distinção: papa herege, herege eleito papa. 

A questão primeira em debate era a hipótese teológica do papa herege, tratada pelo Dr. Arnaldo. A questão pode ser levada em duas direções. Um homem não «papabile» por direito divino e um eleito que após a eleição incidiu em heresia.

Sobre isso destaco apenas que já tratamos o assunto com o Dr. Arnaldo e demonstramos que o conclave pode, sem dúvida, falhar na eleição de um homem ao papado, entronando um herege, porém essa eleição é nula por direito divino. Algo em que o Dr. Arnaldo se declarou conforme. Inclusive acentuando o caráter absoluto da Bula, permanecendo em dúvida apenas quanto ao momento da perda do cargo.

É esse o caso presente, e a heresia dos papas conciliares é notória em sua obra.

Outra questão que foi discutida pelos teólogos, e que consideramos alheia ao caso presente, é se o papa eleito e revestido de poder divino pode cair em heresia. Sobrea discussão se levanta o caso do papa Honório. Mas também sobre isso já tratamos, afirmando que o papa Honório, que tem sua condenação publicada em dois concílios, além do Breviário Romano, foi excomungado e dito herege por não ter defendido a Fé, ainda não sendo certo que a tenha perdido.

O Magistério da Igreja é Infalível (em absoluto).

Há no texto do Dr. A. Xavier da Silveira um engano em relação ao Magistério ordinário acusado pelo amigo Felipe em várias de suas valorosas publicações. (Acies Ordinata – http://aciesordinata.wordpress.com/novo-roteiro – Vários tópicos como Introduções abrangentes, Infalibilidade e Obediência …)

Esse engano é demonstrado pelos teólogos, que afirmam que o Magistério ordinário é blindado contra afirmações nocivas à fé.

Além dos Teólogos há também a afirmação do Vaticano I de que a infalibilidade da Igreja se estende também ao Magistério Ordinário (Dz 1.792, citado em http://aciesordinata.wordpress.com/2009/12/05/o-texto-essencial-em-traducao-inedita/#resp).

A questão que também não pode ser ignorada é a da indefectibilidade da Igreja. Também trazida por uma tradução do Felipe Coelho (http://aciesordinata.wordpress.com/2010/02/26/textos-essenciais-em-traducao-inedita-31/)

Teólogos x Magistério

Logo o Dr. Arnaldo está num impasse. Correto?

– Não.

– Porquê?

– Porque ele vai recorrer aos Teólogos que discutiram a questão do papa que caiem heresia. E estes simplesmente disseram que é preciso resistir, negar obediência e alertar os outros católicos de não obedecer-lhe, nem acolher seus ensinamentos.

Aqui aparece um enorme dilema: Seria insolúvel? Só ignorando a Bula Cum ex apostolatus officio, documento tão providencial quanto abandonado  [sobre esse abandono, ver o trabalho do Prof. Tello Corraliza em «Segredo de Fátima ou Perfídia em Roma?», sigla SFPR]. Esta tem um caráter e peso inquestionável também para o Dr. Arnaldo, que só precisaria da ajuda de algum teólogo para descobrir o momento em que deve ser aplicada a sentença do herege já definida pelo papa Paulo IV, ou seja, a perda do cargo. [O Dr. Homero Johas lembra a Escritura que diz: «Quem não crê, já está julgado»].

Nesse ponto do recente debate sobre o assunto, Felipe Coelho iniciou com um conceito impreciso ao dizer aqui: trata-se de uma bula disciplinar e sem a promulgação de dogma algum. Todavia, lembrou em seguida que esta é fonte do Canon 188 do CIC de 1917, que define a perda ipso facto do cargo pelo herege, expressão inúmeras vezes presente na Bula como lembramos aqui.

Para resolver o impasse poderíamos lembrar algo publicado sobre outro assunto por um teólogo brasileiro muito conhecido, o padre Maurílio Teixeira-Leite Penido. Ele lembra que Pio XII ao escrever a sua Mysticis Corporis, apartou-se dos teólogos de sua época (entre os quais Billot), para recorrer à Patrística e afirmar o caráter invisível da Igreja ao precisar o tema de Sua fundação. Isto porque muitos teólogos permaneciam presos à discussão como foi posta no Concílio de Trento, quando a Igreja mirava os protestantes que negavam o caráter jurídico da Igreja. (Conf. O Mistério da Igreja, PENIDO, Pe. DR. M. Teixeira-Leite, p. 128 e 129. Vozes 1956. Texto do livro).

Pio XII proclama o dogma da Assuncao

Pio XII proclama o dogma da Assuncao

A mesma prudência de Pio XII é oportuníssima nessa discussão, quando temos a declaração do Magistério sobre o Papa encontrado em Heresia que perde o cargo. Ouso lembrar o tão criticado Homero Johas que diz: Corrijam-me com o Magistério e não com opiniões teológicas. Lembro, ainda, o pensamento do Prof. Tello Corraliza sobre a matéria [do abandono do recurso a bula nos estudos teológicos sobre a matéria] (SFPR).

Assim, também na questão do papa herege, como na da visibilidade da Igreja, os teólogos em dados momentos podem ter primado por um aspecto que é o menos importante historicamente. Como o reconheceu Pio XII.

As discussões teológicas, em tempos de fé e durante Pontificados católicos, podem ser fecundas. Não acontece o mesmo quando o perigo para a Fé é notório e procede de uma autoridade que se apresenta como divina.

Hoje com Nossa Santa Mãe Igreja invadida por inimigos da Fé católica, a Prudência justa só pode ser aquela do Papa Paulo IV, em primar pela defesa do rebanho disperso, confundido pelas águas infernais do Vaticano 2 com seus anticristos.

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