Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

NÃO TEMAIS, «PEQUENO RESTO», O PAI VOS CONFIA O «REINO»

O «pequeno resto» dos tempos finais é descrito no Evangelho: está nos desígnios de Deus; é Sua dote num mundo rebelde que repete a infidelidade do povo eleito, incrédulo diante do Salvador.

São poucos, isolados e até espezinhados por testemunhar a fé católica, que o alienado mundo hodierno detesta. Mas não são confundidos pelos seus anticristos finais, porque reconhecem a Voz de Jesus Cristo e os Sagrados Corações acodem esse «Resto».

Se o mundo espiritual não está centrado no culto de Nosso Senhor Jesus Cristo sacrificado por amor aos homens, este mundo agoniza, apesar de toda animação emocional, ou dissertações teologais.

Hoje a multidão nominalmente católica, desconhecendo os problemas reais da Fé, festejam de modo apoteótico um «papa» não católico, portador do anti-evangelho em que ecoa a voz do mundo!

Trata-se do Vaticano 2, aberto ao mundo que procura unir o aparente, pondo de lado o que separa, apartando-se justamente do que conta para o espírito. Demonstra assim ser encomenda de forças adversas à Igreja de Jesus Cristo para alterá-la conforme o mundo que repudia o Seu amor divino!

Esta abertura e alteração, operada de maneira branda com o engano de uma liturgia e magistério disfarçados por palavras de aspecto sagrado, já não pode mais enganar quem permanece católico.

Era a operação do engano através de uma «suprema autoridade», capaz de confundir até os eleitos.

Disso nos havia advertido Nosso Senhor sobre os prodigiosos enganos dos últimos tempos.

De fato, até os eleitos ter-se-iam deixado enganar neste último meio século, não fossem s acudidos.

Cada um percebeu o engano coberto pela própria miopia, dureza de coração e sombras pessoais. Nem todos, porém reagiram à altura contra o «supremo» embuste revestido de poder papal.

Este visava justamente uma nova «consciência madura» para os fiéis, especialmente se ligados às devoções de Maria e às mensagens proféticas que trouxe sobre grandes males para o mundo.

Também o mais reduzido número de conservadores e tradicionalistas, que reconhecem haver sérios problemas, não sabem hoje que testemunho prestar, senão o reconhecimento de tal «autoridade»!

Assim as primeiras vítimas do pérfido concílio pastoral seriam as consciências mornas, em especial as chamadas à vocação religiosa. A paixão de Jesus culmina na morte que dá a vida ao Seu Corpo Místico, a Igreja. Pode alguém para vivê-la pôr conveniências acima de Sua Voz?

Pertencer ao «Resto fiel» do puro e simples testemunho da Verdade é privilégio; é participar da Paixão da Igreja, que é a Paixão do Sagrado Coração de Jesus, junto ao Imaculado Coração de Maria.

Pio XII rezando

Pio XII rezando

A Igreja de Cristo, à qual o pequeno Resto está ligado, é descrita pelo Papa Pio XII:

“A doutrina do Corpo Místico de Cristo, que é a Igreja (cf. Cl 1,24), recebida dos lábios do próprio Redentor e que põe na devida luz o grande e nunca assaz celebrado benefício da nossa íntima união com tão excelsa Cabeça, é de sua natureza tão grandiosa e sublime que convida à contemplação todos aqueles a quem move o Espírito de Deus; e, iluminando as suas inteligências, incita-os eficazmente a obras salutares, consentâneas com a mesma doutrina… das riquezas da Igreja que Cristo adquiriu com seu sangue (At 20, 28) e cujos membros se gloriam de uma Cabeça coroada de espinhos… prova evidente de que a verdadeira glória e grandeza não nascem senão da dor; por isso nós quando compartilhamos dos sofrimentos de Cristo… perseguido, caluniado, atormentado por aqueles mesmos que vinha salvar, assim a sociedade por ele fundada também neste ponto se parece com o divino Fundador… perseguida por aqueles que, menoscabada a luz da sabedoria cristã, voltam miseramente às doutrinas, usos e costumes do antigo paganismo, mas freqüentemente é desconhecida, descurada, aborrecida por muitos cristãos, que se deixam seduzir pelas aparências, falsas doutrinas, ou arrastar pelos atrativos e corrupção do mundo… não só autores separados da verdadeira Igreja espalham graves erros nesta matéria, mas que também entre os fiéis serpeiam de todo falsas, que podem desviar os espíritos da reta senda da verdade. Enquanto de um lado perdura o racionalismo que tem por absurdo tudo o que transcende e supera a capacidade da razão humana, e com o erro do naturalismo vulgar que não vê nem quer reconhecer na Igreja de Cristo senão uma sociedade puramente jurídica; por outro lado grassa por aí um falso misticismo que perverte as Sagradas Escrituras, pretendendo remover os limites intangíveis entre as criaturas e o Criador… O Verbo de Deus, para remir os homens com suas dores e tormentos, quis servir-se da nossa natureza, assim, no decurso dos séculos se serve da Igreja para continuar perenemente a obra começada. A Igreja é um corpo, ensinam-nos muitos passos da sagrada Escritura: “Cristo, diz o Apóstolo, é a cabeça do corpo da Igreja” (Cl 1,18). Ora, se a Igreja é um corpo, deve necessariamente ser um todo sem divisão, segundo aquela sentença de Paulo: “Nós, muitos, somos um só corpo em Cristo” (Rm 12,5). E não só deve ser um todo sem divisão, mas também concreto e visível, como afirma Leão XIII, na encíclica “Satis cognitum”:

“Pelo fato mesmo que é um corpo, a Igreja torna-se visível aos olhos”. 

“Estão pois longe da verdade revelada os que imaginam a Igreja por forma, que não se pode tocar nem ver, mas é apenas, como dizem, uma coisa “pneumática” que une entre si com vínculo invisível muitas comunidades cristãs, embora separadas na fé. Como membros da Igreja contam-se realmente só aqueles que receberam o lavacro da regeneração e professam a verdadeira fé, nem se separaram voluntariamente do organismo do corpo, ou não foram dele cortados pela legítima autoridade em razão de culpas gravíssimas. “Todos nós, diz o Apóstolo, fomos batizados num só Espírito para formar um só Corpo, judeus ou gentios, escravos ou livres” (I Cor 12,13). Portanto como na verdadeira sociedade dos fiéis há um só corpo, um só Espírito, um só Senhor, um só batismo, assim não pode haver senão uma só fé (cf. Ef 4,5), e por isso quem se recusa a ouvir a Igreja, manda o Senhor que seja tido por gentio e publicano (cf. Mt 18,17). Por conseguinte os que estão entre si divididos por motivos de fé ou pelo governo, não podem viver neste corpo único nem do seu único Espírito divino.

“Com a morte do Redentor, foi ab-rogada a antiga Lei e sucedeu-lhe o Novo Testamento; então com o sangue de Cristo foi sancionada para todo o mundo a Lei de Cristo com seus mistérios, leis, instituições e ritos sagrados. Enquanto o divino Salvador pregava num pequeno território – pois que não fora enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel (cf. Mt 15,24) – corriam juntos a Lei e o Evangelho,(9)) mas no patíbulo, onde morreu, anulou a Lei com as suas prescrições (cf. Ef 2,15), afixou a cruz o quirógrafo do Antigo Testamento (cf. Cl 2,14), estabelecendo, com o sangue, derramado por todo o gênero humano, a Nova Aliança (cf. Mt 26,28;1Cor 11,25). “Então, diz S. Leão Magno falando da cruz do Senhor, fez-se a transferência da Lei para o Evangelho, da Sinagoga para a Igreja, de muitos sacrifícios para uma única hóstia, tão evidentemente, que ao exalar o Senhor o último suspiro, o místico véu, que fechava os penetrais do templo e o misterioso santuário, se rasgou improvisamente de alto a baixo”.

Na cruz morreu a Lei antiga; depois será sepultada e se tornará mortífera para ceder o lugar ao Novo Testamento, para o qual tinha Cristo escolhido ministros idôneos na pessoa dos apóstolos (cf. 2Cor 3,6): e é pela virtude da cruz que o Salvador, constituído cabeça de toda a família humana já desde o seio da Virgem, exerce plenamente o seu múnus de cabeça da Igreja. “Pela vitória da cruz, segundo o doutor angélico, mereceu o poder e domínio sobre todas as gentes”… A missão jurídica da Igreja e o poder de ensinar, governar e administrar os sacramentos não têm força e vigor sobrenatural para edificar o corpo de Cristo, senão porque Cristo pendente da cruz abriu à sua Igreja a fonte das divinas graças com as quais pudesse ensinar aos homens doutrina infalível, governá-los salutarmente por meio de pastores divinamente iluminados, e inundá-los com a chuva das graças celestes… não parecerão obscuras as palavras do Apóstolo, onde ensina aos efésios que Cristo com o sangue fez um povo único de judeus e gentios “destruindo na sua carne a parede interposta”, que separava os dois povos; e que ab-rogou a Antiga Lei “para dos dois formar em si mesmo um só homem novo”, isto é, a Igreja; e a ambos, reunidos num só Corpo, reconciliar com Deus pela cruz (cf. Ef 2,14-16).

“A Igreja que com seu sangue fundara, robusteceu-a com energias especiais descidas do céu, no dia de Pentecostes. Com efeito, depois de ter solenemente investido no seu ofício aquele que já antes tinha designado para seu vigário, subiu ao céu; e, sentado à direita do Pai, quis manifestar e promulgar a sua esposa com a descida visível do Espírito Santo, com o ruído do vento impetuoso e com as línguas de fogo (cf. At 2,1-4)… Este corpo místico, que é a Igreja, é distinguido com o nome de Cristo, porque ele deve ser considerado de fato como sua cabeça. “Ele é, diz S. Paulo, a cabeça do corpo da Igreja” (Cl 1,18). Ele é a cabeça, da qual todo o corpo convenientemente organizado e coordenado recebe crescimento e desenvolvimento na sua edificação (cf. Ef 4,16, com Cl 2,19).

“Cristo nosso Senhor, depois de ter, durante a sua vida mortal, governado pessoalmente e de modo visível o seu “pequeno rebanho” (Lc 12,32), quando estava para deixar este mundo e voltar ao Pai, confiou ao príncipe dos apóstolos o governo visível de toda a sociedade que fundara. E realmente, sapientíssimo como era, não podia deixar sem cabeça visível o corpo social da Igreja que instituíra. Nem se objete que com o primado de jurisdição instituído na Igreja ficava o corpo místico com duas cabeças. Porque Pedro, em força do primado, não é senão vigário de Cristo, e por isso a cabeça principal deste corpo é uma só: Cristo; o qual, sem deixar de governar a Igreja misteriosamente por si mesmo, rege-a também de modo visível por meio daquele que faz as suas vezes na terra; e assim a Igreja, depois da gloriosa ascensão de Cristo ao céu não está formada só sobre Ele, senão também sobre Pedro, como fundamento visível.

“O erro perigoso consiste em julgar poder unir-se a Cristo, cabeça da Igreja, sem aderirem fielmente ao seu vigário na terra, que professa a Sua Fé. Suprimido este vínculo visível da unidade, isto é a Fé íntegra e pura, se obscurece e deforma a razão mesma da cabeça visível da Igreja, que é confirmar essa Fé. Para ela existe o Vigário de Cristo, e não contrário. Para a visibilidade na Fé a Igreja deve ser visível. A visibilidade de uma igreja com outra fé é perigoso e contraditório, pois desvia do lugar da verdadeira fé, de modo que esta Igreja única “não possa ser vista nem encontrada por quantos demandam o porto da eterna salvação”.

“Devido à força da missão jurídica com que o divino Redentor enviou os apóstolos ao mundo, como o Pai o enviara a ele (cf. Jo 17,18 e 20,21), é ele que pela sua Igreja batiza, ensina, governa, ata, desata, oferece e sacrifica… compreendemos facilmente que não é outra coisa senão o Espírito Paráclito que procede do Pai e do Filho e de modo peculiar se diz “Espírito de Cristo” ou “Espírito do Filho” (Rm 8, 9; 2 Cor 3,17; Gl 4,6). A esse Espírito de Cristo, como a princípio invisível, deve atribuir-se também a união de todas as partes do corpo tanto entre si como com sua cabeça, pois que ele está todo na cabeça, todo no corpo e todo em cada um dos membros; conforme as suas funções e deveres, e segundo a maior ou menor saúde espiritual de que gozam, está presente e assiste de diversos modos… Leão XIII, na “Divinum Illud”: “Baste afirmar que, sendo Cristo cabeça da Igreja, o Espírito Santo é a sua alma”. O que temos dito da “cabeça mística” ficaria incompleto, se não tocássemos, ao menos brevemente, aquela outra sentença do mesmo Apóstolo: “Cristo é a cabeça da Igreja; ele é o Salvador do seu corpo” (Ef 5,23).

“Sem mancha alguma, brilha a santa madre Igreja nos sacramentos com que gera e sustenta os filhos; na fé que sempre conservou e conserva incontaminada. (A citação do Papa Pio XII foi tirada da Encíclica «Mystici Corporis Christi», de 29 junho 1943.)

A Igreja de Cristo não é encabeçada por «papas conciliares»

Para o católico é vital estar unido a Jesus Cristo, cabeça da Igreja, aderindo fielmente ao seu vigário na terra. Suprimida esta cabeça visível, rompem-se os vínculos visíveis da unidade e deforma-se de tal maneira o Corpo místico, que se obscurecem os caminhos para o porto da eterna salvação.

A pior supressão, porém, dá-se quando a Sede de Pedro é ocupada por quem deforma a Fé da Igreja.

Tivemos e temos manifestações e declarações episcopais suficientes sobre tal realidade apocalíptica de nossos tempos. Tudo é dito por amor à Igreja, representada pelo autêntico Vigário de Cristo.

São as mesmas palavras dos chefes conciliares a demonstrar tacitamente que não O representam.

Em cada documento do Vaticano 2 ressalta o plano dessa monstruosa mutação clerical, que aqui citamos, pois indica outra igreja, invertida, que não é de Cristo. Nela Sua Voz não é reconhecível na continuidade da Tradição que dita a Escritura, mas a de escrituras que ditam uma «nova tradição»!

A nova igreja não se reconhece unida na Fé, mas em busca de uma unidade perdida na rebelião!

Nela os Testamentos divinos são muitos e a morte do Redentor não ab-rogou a “antiga Lei, que se tornará mortífera, para ceder o lugar ao Novo Testamento”. Portanto os judeus não precisariam se converter, como ensinou Jesus. Na «Nostra aetate», que é o tempo da revolução conciliar, essa «religiosidade» humana assume o lugar da Religião divina. E para que se acredite em toda novidade, ou mesmo em nada, foi declarado o direito humano a toda liberdade de consciência e de religião perante Deus Uno e Trino.

Do mesmo modo que o católico é vinculado à autoridade de Jesus representado em terra pelo Papa, ele é obrigado a reconhecer a identidade dessa voz com a Voz de Cristo, única Cabeça da Igreja.

O que vem do «outro», não deve enganar com a apoteose de pompas e aplausos mundanos.

A Fé do «pequeno resto» é a da Verdade divina da Igreja, una, santa, católica e apostólica, na sua continuidade incontaminada, confirmada pela autoridade pontifical.

Eis então a «ponte» terrena para o Reino, cuja autenticidade só é reconhecível na Fé com que Jesus Cristo nos resgatou.

O resto é mortífera idolatria de anticristos instalados no Lugar santo.

4 Respostas para “NÃO TEMAIS, «PEQUENO RESTO», O PAI VOS CONFIA O «REINO»

  1. Rosane Lima Moretti março 29, 2012 às 9:02 pm

    Caro sr. Araí,

    Salve Maria sempre Virgem.

    Tenho duas perguntas:

    1) A citação do Papa Pio XII foi tirada de onde?

    2) Como fica a visibilidade da Igreja hoje, com a Sé vacante há tantos anos?

    Agradeço desde já as informações.

    Em JMJ,
    Rosane.

    • Pro Roma Mariana março 30, 2012 às 3:08 pm

      A citação do Papa Pio XII foi tirada da Encíclica «Mystici Corporis Christi», de 29 junho 1943.

      De fato o Papa católico representa esta Fé na Igreja. Aceitar outro papa seria idolatria (S. Vicente Ferrer). Ainda mais aceitar outra fé, por exemplo ecumenista e liberista. Note-se a contradição da «visibilidade» da igreja e papas conciliares: indicam o direito à liberdade de escolha religiosa, segundo o direito a fé que cada um quer «ver». Para que servem? Para que no lugar do porto de salvação se chegue ao poço do Anticristo.
      Eis porque, do mesmo modo que é indispensável aderir ao verdadeiro Papa católico, é indispensável reconhecer nele a Fé e a Voz de Jesus Cristo, única Cabeça da Igreja. Pode haver engano sobre a pessoa do papa, mas não sobre a Fé única, que é a sua prerrogativa, contrariada pelos «papas» ecumenistas. Isto deve ser meditado por todo católico: o Papa é para a visibilidade na Fé, não a fé para que se «veja» um «papa», mesmo de fé conciliar.

  2. José Carlos março 29, 2012 às 11:37 pm

    Prezado senhor Araí,
    Viva Cristo Rei!Salve Maria Puríssima!

    A passagem que eu gostaria de destacar seria esta: “Estão em erro perigoso aqueles que julgam poder unir-se a Cristo, cabeça da Igreja, sem aderirem fielmente ao seu vigário na terra. Suprimida a cabeça visível e rompidos os vínculos visíveis da unidade, obscurecem e deformam de tal maneira o corpo místico do Redentor, que não pode ser visto nem encontrado por quantos demandam o porto da eterna salvação.
    Pois é por por não terem aderido fielmente aos papas até PioXII -no caso,os papas vat II-,é que os católicos encontram-se nesta terrível situação.

    • Pro Roma Mariana março 31, 2012 às 7:50 am

      O comentário do amigo José Carlos centrou o alvo. A questão acusada pelo Papa Pio XII, que levaria a suprimir “a cabeça visível” da Igreja, obscurecendo e deformando o Corpo místico do Redentor, parece referir-se aos que almejam uma revolução religiosa iluminista e seus apoiantes clericais.
      Diz o Papa: “Ele encontra-se em toda parte e no meio de todos; sabe ser violento e sub-reptício. Nestes últimos séculos tentou operar a desagregação intelectual, moral e social da unidade no organismo misterioso de Cristo. Quis a natureza sem a graça; a razão sem a fé; a liberdade sem a autoridade; por vezes a autoridade sem a liberdade. É um ‘inimigo’ que se tornou cada vez mais concreto, com uma falta de escrúpulos que deixa ainda atônitos: Cristo sim, a Igreja não. Depois: Deus sim, Cristo não. Finalmente o grito ímpio: Deus morreu; aliás: Deus nunca existiu. Eis que a tentativa de edificar a estrutura do mundo sobre bases que Nós não hesitamos em apontar como as principais responsáveis pela ameaça que pende sobre a humanidade: uma economia sem Deus, um direito sem Deus, uma política sem Deus. O ‘inimigo’ empenhou-se e empenha-se para que Cristo seja um estranho nas universidades, nas escolas, nas famílias, na administração da justiça, nas atividades legislativas, na ordem das nações, onde determina-se a paz ou a guerra. Ele está corrompendo o mundo com uma imprensa e com espetáculos, que eliminou o pudor nos jovens e o amor entre esposos…”
      Pio XII via, já então, este processo tão avançado ao ponto de considerar inútil “ir ao seu encontro para bloqueá-lo e impedi-lo de semear a ruína e a morte”. Considerava mais urgente “vigiar, orar e operar, para que o lobo não penetrasse no redil para capturar e dispersar a rebanho”.

      Será que ele havia lido a terceira parte do Segredo de Fátima, onde o Papa é eliminado junto ao seu inteiro séquito fiel?
      O certo é que suas palavras descrevem os «papados» que seguiram.
      Depois da sua morte (1958) tal espírito, que é a Revolução de sempre em veste modernista, abriu as portas do Vaticano. Este espírito de abertura ao mundo é reconhecível nos conciliares porque estes, ao contrário dos Papas, declaram que o processo revolucionário, civil e religioso, é animado por um espírito profundo e generoso que prepara a fraternidade universal. Uma revolução clerical?
      Se o processo revolucionário tem em mira a extirpação da idéia de Deus na sociedade como poderia atingir o sacerdócio? Não há novidade histórica nisto; quase todas as heresias e cismas surgiram justamente entre os homens do hábito. O espírito da Revolução exalta a dignidade humana (Dignitatis humanae) e nega a responsabilidade do homem (Redemptor hominis).
      Essa revolução para atingir a sua meta final, que é seduzir toda a terra, precisava revestir-se do aspecto de uma autoridade universal que batize o processo revolucionário (Culto do homem que se faz Deus de Paulo 6). Em uma palavra: precisava introduzir a rebelião no plano religioso; é a revolução trazida para o plano religioso no «magistério» do Vaticano 2. É possível reconhecer uma tão obscura e espantosa transformação no espírito religioso? São as palavras da mesma hierarquia conciliar a revelá-lo, porque não casualmente, mas regularmente, ao contrário do que ensinam os Papas, reconhecem o ideal generoso das revoluções comunistas (Fidel) e a profunda religiosidade em Lutero e consideram os frutos nefastos da Revolução, as perseguições, genocídios, descristianização do mundo, imoralidade social, como o resultado de erros humanos acidentais e não intrínsecos ao processo revolucionário; são pela promoção de uma «nova ordem» de justiça, paz e progresso, conforme a dignidade humana, porque a ordem cristã da Igreja teria falhado!
      Podem clérigos imbuídos pela utopia modernista ter autoridade católica? Podem prelados que servem, mesmo indiretamente, a Revolução contra a Igreja de Cristo, representar a Sua suprema Autoridade? Como bem escreveu o pensador Ploncard d’Assac: “Ninguém pode fazer que o erro se torne verdade. Uma seita modernista pode ‘ocupar’ a Igreja, mas não será jamais a Igreja” (Jacques Ploncard d’Assac, L’Eglise occupée, Ed. Chiré, 1975).
      Viva Cristo Rei! Salve Maria Puríssima!

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