Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

3 – DO ALVEÁRIO SACERDOTAL DE FÁTIMA AO VESPEIRO TEOLOGAL

na tese Cassicíaco do papa «materialiter-formaliter»

Deve-se sempre lembrar a razão espiritual porque se abordam essas difíceis questões.

No mundo humano a obra de Graça e Misericórdia de Deus se realiza através da Santa Igreja. Para esta sublime missão a Esposa de Cristo segue seu Chefe, representado no mundo pelo Papa católico, Seu Vigário. Na falta deste a obra de salvação declina, mas pior, pode ser deturpada e até invertida se no lugar do Papa aparece alguém portador de outro Evangelho. Então, não só a ordem religiosa, mas moral, mental e social entram em profunda crise no mundo, é a descristianização, o abandono da Obra da Graça e Misericórdia divinas na mesma Igreja e Cristandade. Isto se pode ver hoje, com «papas conciliares» que pregam o iluminismo ecumenista de religiões que, em pé de igualdade, negam a necessidade da Graça e Misericórdia Trinitária confiada à Igreja Católica para a salvação; à esta não seria mais preciso converter-se, como está na Profecia de Fátima.

A visão da Teofania Trinitária pela Irmã Lúcia em Tuy.

”]Visão da Santíssima Trindade, Tuy 1929. Irmã Lúcia

A Mensagem de Fátima indica o caminho de conversão e o perigo letal do seu contrário, como está na visão do Terceiro Segredo; da total hecatombe católica!

Nela o Papa católico é virtualmente abatido com todo o seu séquito; realidade espantosa que seria mais clara em 1960, quando a Igreja foi ocupada para ser maçonizada por João 23 e um «concílio ecumenista» embebido de iluminismo evolucionista, o Vaticano 2.

A este ponto a obra de misericórdia prioritária é fazer tudo para a volta do Papa católico, chefe terreno dessa Obra divina. Para tanto é necessário que o «papa da revolução» que ocupa o Vaticano com seus embustes ecumenistas, ofensivos a Deus, seja denunciado como «falso Cristo» e toda a aluvião anti-católica seja varrida da Igreja por um Vigário de Cristo verdadeiro.

O que fez o «alveário sacerdotal católico» diante dessa abominação terminal para a Fé?

Compreende-se que quando há alguém em Roma celebrado no mundo inteiro como Papa, o católico que põe a sua legitimidade em dúvida está arriscando o isolamento, ataques, senão um ódio surdo. Mas as questões de Fé são objetivas, à diferença do que pensam e pregam os modernistas conciliares no mundo do subjetivismo, hoje dominante.

Aqui não vamos repetir tanto estas razões, como as diatribes em volta do problema que, ao invés de produzir o bom mel da resiliência, segrega o fel da divisão e da dúvida.

Resiliência é retorno à objetiva permanência na identidade original. Sendo esta a clara identidade católica de sempre, seu contrário é a subjetiva experiência conciliar; o que pregam os «papas conciliares» com uma «nova consciência» de uma igreja que não é mais a una e única, mas dividida e pluralista, que não vincula ao mandato divino, mas reconhece o «direito» à liberdade de religião e de consciência livre desse mandato.

Uns reconhecem a monstruosidade desse erro e a falta de autoridade de quem o declara. Mas se é reconhecido geralmente como papa, põem mãos à obra nos vespeiros teologais para justificar seu «direito» ao cargo.

De fato, para alguns, vejam-se os partidários da tese “materialiter”, o conclave tem poder absoluto: o eleito é papa e fim de conversa! Se sua fé não presta e ele quer e faz tudo para a mudar a Igreja, não chega a ser “formaliter”, mas continua “materialiter”!

Assim, devem levantar objeções a leis da Igreja como seja a Bula «Cum ex apostolatus officio» de Paulo IV, como se esse Papa não tratasse nela questão de Fé e de Direito divino. Objeções deveras estranhas pois significariam duvidar que a Igreja deve ter um Vigário de Cristo que professe a íntegra e pura fé católica, condição para ser «papabile».

Esta Bula papal estaria superada, isto é, Paulo IV a promulgou num ímpeto passageiro pelo temor que cardeais ligados a ambientes carismático-protestanticos, pudessem ser eleitos! Apelam-se então para o que na Bula hoje só pode ser interpretado à luz do momento histórico em que todas as autoridades na Cristandade estavam sujeitos aos princípios católicos. Isto passou, não, porém, os princípios da Igreja e da bendita Cristandade. O teor dessa Bula não passa, nem pode passar quanto à necessidade de fé para a autoridade dos clérigos da Igreja; está nos termos da Bula e no Direito canônico. Contrariar isto com teses particulares de modo obstinado é deletério.

Eis porque a «tese de Cassicíaco» é perniciosa. Porque para ser elucubrada precisou alijar leis da Igreja, como a que consta na Bula «Cum ex» de Papa Paulo IV. Faltariam à Igreja leis para enfrentar sua maior missão de representar a Autoridade divina no mundo!

Precisaria ela dos estudos acadêmicos de Frei Guérard des Lauriers para ser socorrida dessa «carência legal» com a sua «Tese», idéia perniciosa porque vai contra a solução que sempre a Igreja aplicou, porque verdadeira: se falta o papa, que seja eleito o papa!

Se é quase impossível atua-lo na prática, não há que negar que seja o princípio a atuar.

Para esse Frei, com sua tese inovadora, o que faltava eram bispos!

Dom Mayer confiava na capacidade teologal de Frei Guérard de Lauriers, apesar dessa tese e de sua iniciativa das sagrações potencialmente sacrílegas, quando os principais discípulos, os padres De Blignières, Belmont e Lucien o abandonaram porque o Frei se deu em 1982 às sagrações sem mandato apostólico.

[LIVRO]

O fato é que a acusação aos «sedevacantista» – termo inventado para apontar quem hoje vê a Sé de Pedro vacante – è cada vez mais confusa e menos convencida: e se fosse mesmo verdade, isto não iria explicar finalmente a causa da crise que acomete a Igreja?

Para falar desse curso, vamos voltar ao publicado nos últimos anos, em especial ao que escreveu o quinzenário «si si no no» em 1997 e que hoje, quando a terrível realidade da vacância é clara e dramática, só faz cobrir a única explicação que serve aos católicos.

Para tal clareza serviu também a visibilidade recuperada pela Bula «Cum ex apostolatus officio», do Papa Paulo IV, em que empenhou a sua autoridade pontifícia para “definir” uma questão de fé, como está escrito em grandes letras nesse documento.

Diz o Sisinono de 1997:

“Os sedevacantistas sempre constituíram um grupo a parte na resistência católica ao modernismo, com a caraterística de antepor ao Credo a adesão a uma tese teológica… original: a tese «Cassiciacum»!”

Como se vê são escritos cujo parti pris faz baralhar justamente o que pensam «definir» para melhor o atacar. Mas essa tese não é «sedevacantista», pelo contrário, foi inventada para convencer Mgr Lefebvre a não «comungar» com os «papas conciliares», mas ao mesmo tempo deixando de lado todo «sedevacantismos» e «conclavismos».

Vejamos o curso histórico da «tese», nascida em 1977 de um professor de teologia do seminário de Ecône, o padre Guérard des Lauriers.

“Este bom Padre já famoso pelos seus cursos incompreensíveis seguindo uma tese da mesma linha: ninguém compreendia nada de sua distinção entre a «Sessio» e a «Missio». Um grupinho, porém, de jovens sacerdotes ordenados por Mgr Lefebvre, apenas saídos do ovo, dedicaram-se de alma e corpo à defesa da «tese»; chamavam o pequeno complô de «o sindicato»; … julgavam-se autênticos tomistas, que não podiam suportar mais o infantilismo doutrinal de Dom Lefebvre. Cedo deixaram a «Fraternidade Sacerdotal São Pio X» e «o sindicato» começou a dividir-se, tendo em comum somente o menosprezo cordial pelo Bispo que os ordenara. Por volta de 1980 saiu uma nova «versão popular» da «tese»: a versão Blignières-Lucien. Evitando o nó desta. A distinção entre «papa material» e «papa formal», na nova versão se esforçava para pôr em evidência uma deficiência certa da infalibilidade pontifícia, a fim de demonstrar que o papa aparente não podia ser realmente Papa… esses auto proclamados «teólogos» agitavam também a questão do «materialiter-formaliter», «formaliter-materialiter, que aos olhos de qualquer sacerdote preparado [como quem escreve!], eram elucubrações que desqualificavam (!) tais falsos faróisem teologia. Seguem erros de que os «sedevacantistas» são acusados:

“1) O magistério do concílio é Magistério Ordinário Universal (De Blignières-Lucien);

“2) O Magistério Ordinário Universal deriva a sua infalibilidade da infalibilidade pontifícia (De Blignière-Lucien);

“3) O Magistério Ordinário do Concílio é sempre infalível (Barbara);

“4) O Magistério Ordinário Pontifício é infalível (o Papa é a regra viva da fé) (Barbara);

Não é preciso ir além dessas «posições» para entender o que realmente encerram:

– «sedevacantismo» pelo qual, se a autoridade papal é legítima dispõe da capacidade de se pronunciar infalivelmente sobre questões de fé e de moral. Se nestas questões recusa o recurso à assistência divina para não desviar os fiéis e erra, a «modéstia pastoral» de seu «magistério» não exclui, mas indica provir de uma falsa autoridade pontifical.

Eis portanto que as autoridades e o magistério conciliar são anti-católicos e falsos.

– «sedeplenismo materialiter» pelo qual, a autoridade papal é legítima, com poder de se pronunciar infalivelmente em questões de fé e de moral se eleita num conclave canônico. Se dispensa o recurso à assistência divina para não desviar os fiéis e erra num «concílio pastoral», como aconteceu com o Vaticano 2, esse «magistério» é apenas um outro que não deve ser seguido, mas não pode indicar a presença de uma falsa autoridade papal.

Eis que as autoridades e o magistério conciliar são católicos, mas a rejeitar, porque ruins segundo o juízo desses novos mestres da «igreja com duas ou mais doutrinas»!

Don Nitoglia Si si no no

Nessa altura apareceu uma nova apresentação da «tese de Cassiciacum» de autoria do padre Sanborn na sua revista americana Sacerdotium, onde quer demonstrar ser possível e útil separar a condição de «papa materialiter» do «papa formaliter», e o faz pensando fundar-se na filosofia!

Ora, todo ser natural é de fato composto por dois co-princípios essenciais da matéria e da forma. Papa é o homem que sendo batizado e tendo a luz da fé, constitui, como inúmeros outros, «matéria» para receber a «forma» do papado. Quando apontado e eleito entre outros recebe essa forma diretamente de Deus, tornando-se Bispo de Roma e Pastor legítimo da Igreja. Nele o ser humano foi matéria da acidental forma sobrenatural de Vigário de Cristo. A matéria era igual à de inúmeros batizados, a forma única dada pela causa eficiente da indicação da Igreja em razão da causa final de representação da Autoridade divina no mundo. Como poderia a causa material humana do papa ser separada da sua causa final, derivada da natureza desse cargo ordenado à vontade divina e jamais à vontade humana?

Inútil foi para o padre Sanborn o recurso aos grandes autores da boa filosofia, estes aludem à autoridade da Lei (de Deus) que transcende qualquer poder humano.

Aqui desponta a grosseira contradição porque a função de vigário, isto é representar, não depende da idéia ou vontade de quem a assume, é inerente ao cargo. Mas para a «tese», ao «papa materialiter» falta ainda a intenção do eleito de representar Jesus para o bem da Igreja; transferiu-se a essência do cargo para o juízo de quem o ocupa!

Nota-se que o grande problema dos «sedeplenistas» de todo tipo é de assemelhar o cargo de representação da Autoridade divina aos poderes das sociedades civis.

De fato no jornal citado se diz que “se o homem investito de autoridade erra, não fica demonstrado com isso que seu poder não existe mais”, e faz até a comparação com a tirania. Na verdade, este não é o caso de erro sobre o ser do Vigário de Cristo cometido por quem foi eleito para representa-Lo na confirmação de sua Palavra. Vai além do simples erro, é o erro basilar de não representar porque não o «é» na Fé.

Um exemplo: se quem recebe poder para vincular as pessoas aos mandamentos de Deus, declara que elas têm o direito à liberdade religiosa e de consciência quanto a estes, além do grave erro, é como se tacitamente declarasse que não está ali para o vínculo, mas para o seu contrário – desvincular – o que é o contrário da função do cargo de representação. Com isto «ipso facto» declara – tacitamente – renunciar a este. Veja-se o Direito divino sobre a autoridade na Igreja (188, 4 e a Bula Cum ex). Tudo isto segue o ensinado pelo Evangelho (Gl 1, 8; Tito 3, 10) “Foge do homem herege, da primeira e segunda amonição, sabendo que um tal homem está pervertido e peca, é condenado pelo seu próprio juízo”. Isto é, se já antes o modernista não era elegível ao cargo, porque alheio e renunciatário à integridade da Fé, mais ainda quando isto se tornou patente nas suas obras; era caso de ruptura com a Fé católica codificado na condenação dos modernistas. Note-se que tudo na Igreja indica isto, ou se está com Cristo ou contra Cristo. A heresia é contra Cristo. O Vaticano 2 contem heresias, logo ele e seus autores, de João23 a Bento 16 são contra Cristo na Sua Doutrina.

Os Padres do «sindicato» se ocuparam disso com um trabalho meticuloso, que foi aprovado por Dom Antônio de Castro Mayer e tantos outros doutos católicos.

Trata-se de «Lettre à quelques êvêques» de Janeiro 1983, dos Padres mencionados.

Para atesta-lo aqui vai uma lista inicial de seus signatários de então:

Carta aberta aos bispos

Lista de signatários da análise sobre a heresia no Vaticano 2

No sisinono citado se reconhece que na sociedade humana a legitimidade não pode separar-se da autoridade; que a perda de uma comporta socialmente a perda da outra. Mas conclui, junto com os «tesistas»: a «legitimidade» existe. Partem da premissa falsa só discordando na conclusão sobre a autoridade: – em ato para os primeiros, – suspensa para os segundos do tresloucado «materialiter-formaliter»! Haveria para eles uma autoridade para o erro na Fé e no Culto católicos, como nega a lei da Igreja, a lógica e os assim chamados «sedevacantistas». Eis como conclue esse doutor:

“O problema do sedevacantismo a mim parece mais psicológico que teológico…

Certo, poder-se-ia ter indulgência pelo erro teológico, mas não pelos seus efeitos … obsessivos … Como explicar tal perversão do espirito cristão? É legítimo perguntar se o sedevacantismo não seja um fenômeno mais grave do que parece (Dionysius)!

Ora, é claro que o consagrado que vai contra a lógica católica deve ter um problema mais psicológico que teológico; que a indulgência ao erro teológico obsessivo não se aplica porque perversão do espirito cristão? Mas é legítimo afirmar que tudo isto concerne em cheio os que justificam a autoridade de «papas conciliares» que indo contra a função papal e a Verdade, promovem a medonha «teologia ecumenista de Assis». Só resta a pergunta: não têm vergonha de embrenhar-se nesses repugnantes vespeiros teologais para desculpar quem destrói a Igreja como nenhum heresiarca do passado conseguiu fazer, porque pontificam o erro ecumenista da Sé de Pedro?

Que os Sagrados Corações nos acudam diante de tanta confusão clerical!

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