Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

A “CRIATIVIDADE DO MAL” NA PROFECIA DE FÁTIMA

segundo o ideário do P. Paulo Ricardo

Site Padre Paulo Ricardo 

Depois de ouvir algumas palestras do P. Paulo Ricardo, não resta dúvida que se trata de uma das melhores cabeças clericais no Brasil atual; o seu pensamento vai do bom filosofar à descrição do que seria a boa ordem católica. Neste sentido ele se aplica à missão de desmascarar os «erros da Rússia» esparsos no mundo civil e clerical, que são os apontados desde há quase um século na Profecia de Fátima.

O mais visível deles que é o comunismo. Mas o P. Paulo Ricardo não fica na superfície, não se contenta com o mais visível – aprofunda-se na análise de suas raízes mentais.

Não muitos pensadores do presente são capazes de apontar essas causas ocultas e ligá-las seguindo o fio do filosofar moderno, aplicado à uma ideal “criatividade do mal”.

Sim, porque os elementos do mal seriam mais animados e variegados que os do bem!

P. Paulo Ricardo fala do AIDS espiritual que anula “a coragem de chamar a heresia, a apostasia, a perversão, e tantas outras doenças espirituais com os seus nomes horrendos. Com isto, vamos cortejando o inimigo e matando aos poucos a fé que herdamos dos Apóstolos”.

Haveria então que falar também da continuidade da herança apostólica.

Aqui a coisa se complica, porque o P. Paulo Ricardo foi ordenado por João Paulo 2 e tendo temperamento de soldado fiel, vai precisar de tempo e lágrimas para entender que a «fidelidade conciliar» não se acorda com aquela contínua ao único Chefe da Igreja.

Só a fidelidade a Jesus vale para dar sentido a toda outra com os que O representam.

É urgente, pois, rever sob a ótica da continuidade, se há criatividade no sentido oposto ao do Magistério da Igreja desses «sucessores» de Pio XII.

É a acusação crucial que pende sobre o iniciador do novo curso histórico da demolição da Igreja e da Cristandade, Ângelo Roncalli eleito com o nome do antipapa João 23.

Hoje se pode reconhecer ser esta acusação menos equipada de provas documentadas que as imputadas aos seus sucessores. Estes, se auto-acusam tacitamente em quase todo ato e documento realizado. Mas João 23 navegou sempre numa ambigüidade tal que, para tão grave acusação, poucos querem «comprometer-se», apesar de sua «obra perversa».

Robert Schuman e monsenhor Angelo Roncalli, núncio apostólico em Paris, em 5 de fevereiro de 1953

Robert Schuman e monsenhor Angelo Roncalli, núncio apostólico em Paris, em 5 de fevereiro de 1953

É conhecido seu aberto favorecimento à heresia convocando e aprovando o Vaticano 2 e seu curso revolucionário, prestigiando e favorecendo desviados da «nova teologia», como seja De Lubac e sua escola, de heresia já enquadrada por Pio XII.

I quattro del Gesu

I quattro del Gesu - Livro de Giulio Andreotti que descreve o trajeto de Angelo Roncalli e seus companheiros modernistas no seminário, dois dos quais terminaram excomungados.

Além disso, temos a incrível ambigüidade da «Pacem in terris», madrinha da herética «Dignitatis humanae», das quais devemos tratar para documentar tal acusação fiel.

A primeira dúvida é se Roncalli, clérigo esperto, mas estudioso medíocre (de sério nada deixou e suas encíclicas constam ser de redação alheia), podia ignorar o mal da ruptura que preparava na questão central do magistério concernente a liberdade de consciência. Pode-se afirmar que o Papa Honório foi pesadamente condenado por menos.

Paulo VI e João-XXIII amigos do templo do Entendimento da ONU

Paulo VI e João-XXIII amigos do templo do Entendimento da ONU. Além de Atenágoras, com quem Paulo VI manteve "boas relações" ecumênicas e que hoje consta como maçon.

Compreende-se que a Profecia de Fátima não pode resolver uma «questão canônica», mas esclarece a posição espiritual – mais clara a partir de 1960 – para quem sabe que um «papa» leu um aviso – reconhecido de origem divina – sobre o risco da «eliminação» do papa católico, portanto da barreira à apostasia universal, mas em seguida o fez arquivar.

A defesa da Igreja num aviso profético de Nossa Senhora de Fátima podia não importar?

O fato é que João 23 escancarou as portas da Igreja, abaixando as suas defesas internas e externas; realidade histórica conhecida num quadro em gritante contraste com o Aviso de Fátima, que se revelou extremamente necessário e oportuno.

A mais sorrateira mistificação da fé. O «adn»(dna) da ideia que abrange  a «liberdade de consciência», servia para mudar a consciência católica com «genes» modernistas!

Não estamos diante de uma pérfida «criatividade no mal» de aspecto apocalíptico?

O que é pois a Igreja [para os modernistas]?

“Um parto da consciência coletiva, ou seja, da coletividade de consciências individuais; as quais, em virtude da permanência vital, dependem todas de um primeiro crente, isto é para os católicos, de Cristo… são teorias hoje passadas de moda. Como a Igreja emanou da coletividade das consciências, assim a autoridade emanaria da própria Igreja”.

Para os modernistas, “empenhados em encontrar modos para conciliar a autoridade da Igreja com a liberdade dos crentes”, era preciso criar uma nova autoridade, mais pastoral que dogmática: é o Vaticano 2, «dispensando» o Espírito Santo!

“Portanto a autoridade, assim como a Igreja, nasce da consciência religiosa e a esta mesma está sujeita;… Nos tempos atuais, o sentimento de liberdade teria chegado ao seu desenvolvimento pleno. No estado civil a consciência pública quis um regime popular. Mas a consciência no homem, como a vida, é uma só. Portanto se a autoridade da Igreja não quiser suscitar e manter uma guerra intestina nas consciências humanas é mister que ela também se adapte a essa forma democrática; tanto mais porque, se não o fizer, a dissolução estaria iminente: juraram os modernistas desde Blondel. “A sociedade religiosa não pode realmente ser una sem unidade de consciência dos seus membros e sem unidade de fórmula. Mas esta dupla unidade requer, por assim dizer, uma mente comum, à qual compete encontrar e determinar a fórmula que responda melhor à consciência comum…”.

Eis resumido por S. Pio X o plano da «criação da nova consciência» da Igreja conciliar-ecumenista de que foi «infausto porteiro» Ângelo Roncalli, que se tornou João XXIII, para implantar a idéia herdada e ampliada até hoje pelos seus sucessores.

É a «consciência coletiva» das revoluções modernas, das quais o Vaticano 2 registrava a criação religiosa encomendada pelos centros de pensamento da evolução iluminista a um clérigo de «simplicidade genial», como o definiu Jean Guitton.

Eis o curso da «criatividade» modernista para a mutação da espiritualidade humana! A Justiça e a paz poderiam ser emancipadas da verdade cristã! O iluminismo queria anunciar «valores» que o Cristianismo, fixado em rígidos «princípios» teria ignorado! Por exemplo, o direito à liberdade, como é insinuado por Bento 16, que exalta na revolução do Vaticano 2 a«herança» de Roncalli. Trata-se de uma «autonomia» da consciência, já em Erasmo, precursor da abertura «teológica», ensinando que “cada homem possui em si a teologia” e é “inspirado e guiado pelo espírito de Cristo”.

Erasmo pôs os ovos, Lutero os fará eclodir”. Eram crias do sussurro sedutor para que a consciência humana se emancipasse, desta vez em nome do espírito ordenador de Cristo. Essas idéias eclodiram nos últimos séculos para gerar a mentalidade da atual revolução ecumenista conciliar.

A «tolerância» do «bom» João XXIII relança na sua Pacem in terris a ambigüidade erasmiana, que, sendo a referência da declaração sobre a liberdade religiosa do Vaticano 2, «Dignitatis humanae» (Dh), contem claramente a frase chave da mutação conciliar sobre os conceitos de dignidade humana e liberdade religiosa.

Da doutrina criadora da reforma do princípio católico há que falar, porque domina a consciência fiel até de sacerdotes preparados, lembrando São Pio X que explica (Notre Charge Apostolique, sigla NChA, nº 40):

“Não se edificará a sociedade diversamente do modo com que Deus a edificou; não se edificará a sociedade se a Igreja não puser as suas bases e não dirigir os seus trabalhos; não é preciso inventar a civilização, nem é preciso pôr a nova sociedade nas nuvens. Esta existiu e existe; é a civilização cristã, é a sociedade católica. Trata-se só de instaurá-la, restabelecê-la incessantemente sobre as suas bases naturais e divinas contra os ataques da malsã utopia e da impiedade rebelde.

Da «Pacem ih terris» (Ptr) à «Dignitatis humanae» (Dh)

João XXIII retoma o fio de Erasmo. “Cada um tem o direito de honrar a Deus seguindo a justa norma de sua consciência e de professar a sua religião na vida privada e pública”, (AAS 55, 1963, p. 260). É a frase chave desse documento sobre o qual vejamos o resumo do texto do Padre carmelita Joseph de Sainte-Marie, publicado pelo «Courrier de Rome» (Maio 1987) e «Itinéraires», n° 315.  

«A Pacem in terris (Ptr) e o Vaticano II vão ao ponto de pôr em causa os mesmos princípios católicos. Exatamente nisto consiste a novidade e a gravíssima questão posta no texto conciliar com a afirmação de um direito à liberdade religiosa no foro externo inscrito na natureza humana e na «ordem mesma estabelecida por Deus», direito que se quer limitado unicamente pelas exigências de ‘ordem publica’.

«Note-se ainda, porque é fato de máxima importância, outra semelhança entre a encíclica de João XXIII e a declaração do Vaticano II: nos dois casos estes textos, de conseqüências tão pesadas na história recente da Igreja, assim permanecem para o juízo desse magistério. Estamos diante de uma ambigüidade. Sabemos que a moral católica reconhece o direito e proclama o dever, para todo homem, de seguir o juízo da «consciência reta»: conscientia recta. Entende-se com isto o julgamento de uma consciência formada segundo as normas da virtude da prudência e que se conformou à verdade… A consciência perde a sua dignidade no momento que adere ao erro por negligência culposa. A ambigüidade da Ptr aparece já na redação latina do texto. Este fala da rectam conscientiae suae normam, isto é da «norma reta da consciência». Deve-se entender que se trata da norma da «consciência reta» ou dessa «norma reta» que seria todo juízo em consciência? Cada um pode entendê-lo como quiser, nisto consiste a ambigüidade. Cada um a usará no sentido que quiser… a Ptr é um evento que, para os historiadores futuros, marcará uma reviravolta na história da Igreja… uma tomada de posição nova vis-à-vis do mundo moderno… A Ptr esboça «ambigüidades mantidas voluntariamente», mas isto não é mais esboço depois da Dignitatis humanae (Dh), título da declaração conciliar, onde há princípios que foram eles mesmos mudados. É evidente a irrefutável continuidade na mudança, os textos o mostram quanto os testemunhos… O sofisma que se repete nos dois textos consiste em passar indevidamente da afirmação inegável, evidente e fundamental, da liberdade essencial do ato de fé, liberdade pela qual toda pressão sobre este ato destrói a sua mesma natureza, à afirmação negada sempre pela Igreja, de uma liberdade igualmente essencial e ilimitada a priori em matéria de exercício público de qualquer culto religioso».

«Com quais seqüelas? – A primeira concerne a autoridade do magistério: – se a Igreja ensina solenemente hoje o contrário do que havia ensinado até 1963, significa que se enganou antes. Se enganou-se, porém, é falível; o é hoje como foi ontem. Que razão haveria então para crer nela hoje mais do que ontem? – A segunda é que ao proclamar hoje como princípio absoluto o direito natural à liberdade religiosa, a «declaração» conciliar representa uma condenação maciça não só do ensino anterior da Igreja, mas também do seu modo de agir; o que põe em causa não mais só sua potestas docendi, mas sua potestas regendi. A negação conciliar de direitos e poderes em matéria religiosa da Igreja na sociedade civil é a condenação implícita de todos os papas dos últimos séculos: teriam assim agido ignorando e ultrajando direitos naturais da pessoa humana.  – Pior ainda, com a concepção não só leiga, mas laicista da declaração conciliar é negado o direito de N. S. Jesus Cristo sobre a sociedade civil, o que contradiz não só o ensino constante da Igreja, mas também as verdades mais fundamentais da doutrina cristã da Redenção. Há uma impiedade nisto, no sentido próprio do termo, se não explicitamente, devido à sua iniludível implicação imediata. […]  Enfim, para voltar ao plano da ordem natural, essa separação indevida e falsa do que concerne à religião revelada, da ordem da sociedade civil reverte na ruína total dos fundamentos mesmos desta ordem. O caso extremo a que levam os princípios expostos é o da exaltação do Estado como realidade suprema e última. Não será este a julgar das exigências da ‘ordem pública’, em nome da qual foi indicado a regulamentar a liberdade da religião?».

Qual será esta «ordem pública»? Completa o Juiz Carlo Alberto Agnoli:

«Esse Estado, fora e acima das religiões é necessariamente o Estado laico e ateu. Pela experiência histórica dos últimos dois séculos no curso dos quais se afirmou o laicismo, a qual ‘ordem pública’ alude o Vaticano II? À comunista, do KGB e do gulag? Ou à demo-liberal que garante a legalização do aborto, da pornografia e da droga?» («La Crisi della Chiesa moderna alla luce della fede e il problema della libertà di religione», Civiltà, Brescia, 1984).

Não devemos talvez ser submissos a toda autoridade legítima?

“Submetei-vos a toda instituição humana por amor de Deus, seja ao rei como ao soberano, seja aos governadores como enviados dele para punir os malfeitores e louvar os que fazem o bem. Pois esta é a vontade de Deus, que praticando o bem, façais calar a ignorância dos insensatos. Comportai-vos como homens livres, não usando a liberdade como desculpa para o mal, mas como servos de Deus. Respeitai a todos, amai os irmãos, temei a Deus e respeitai o rei” (I Pd 2, 13-17).

Como se pode ler na Epístola do primeiro Papa, a submissão a toda instituição humana é ligada a função do bem público desta, portanto da Lei natural e divina compendiada no Decálogo universal. E a legalização do aborto, da pornografia e da droga vai contra esta; é uma anti-lei que obriga à resistência, não à submissão.

Como seria então quanto à submissão à autoridade na instituição divina que é a Igreja?

É ainda mais clara e obrigatória diante do enviado por Deus para defender a Sua Lei e punir os que a transgridem e corrompem.

Ora, com a “criatividade do mal” de uma «autoridade» que vai ao ponto de declarar, em nome da única Igreja de Deus, o «direito» à liberdade de consciência e de religião diante de Deus mesmo, estamos diante de «malfeitores religiosos» que pretendem «liberar» as consciências que a Revelação de Deus vincula à sua Lei, e para isto instituiu a autoridade pontifícia que rege esse Princípio em toda sociedade humana.

Quem segue a nova religião conciliar ecumenista, para ser lógico, deveria crer que não há mais necessidade de conversão à Verdade da Igreja do Sacrifício divino.

Tudo indica que a Profecia de Nossa Senhora de Fátima nos adverte que chegamos ao tempo em que «Roma perdeu a Fé e tornou-se a Sé do Anticristo», onde «papas conciliares» codificam essa liberdade de perdição.

Isto se tornou possível porque o Papa católico foi «liquidado por um tempo» com todo o seu séquito, como está na visão do Terceiro Segredo de Fátima, «mais claro em 1960», quando reinava João 23, que o arquivou para convocar o Vaticano 2  e cumprir o plano maçônico de abertura e aliança com o mundo.

Castigos para a Humanidade, Fátima, Guerras

Que os consagrados ao Amor de Deus e à Verdade demonstrem se há erro nesta visão, porque se está certa, como vemos, é melhor para suas almas defender a Verdade da Igreja de sempre antes que o aparato conciliar, produto da mais horrenda criatividade do mal, a bomba religiosa que declara o direito de crer e professar publicamente qualquer culto perverso, sem exclusão «legal» daquele da «velha serpente»! 

 As bombas religiosas, do início ao fim, são as mais devastadoras para a humanidade

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