Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

FÁTIMA: O MILAGRE PROMETIDO DA CONSAGRAÇÃO DA RÚSSIA

Na questão da promessa crucial contida na Profecia de Fátima sobre a consagração e a conversão da Rússia, à qual me tenho dedicado já há muito tempo, ressalto sempre a distinção que se deve fazer entre as palavras «consagração» e «conversão» porque a primeira implica a conversão da Igreja à qual é pedida a consagração da Rússia.

Nossa Senhora de Fátima, Imaculado Coração

Isto segundo a explicação de Jesus à Irmã Lúcia sobre o desígnio divino para o nosso tempo: “Porque quero que toda a Minha Igreja reconheça essa consagração como um triunfo do Coração Imaculado de Maria, para depois estender o seu culto e pôr, ao lado da devoção do Meu divino Coração, a devoção deste Imaculado Coração.”

Ao reino dos Sagrados Corações chega-se só pelo sinal que, representando a vontade de Nosso Senhor Jesus Cristo, deve atrair-nos sem nenhuma outra elaborada elucubração.

Procuremos antes de tudo e sem esmorecer o Reino de Deus e sua Justiça, representado no mundo pela Sua Igreja verdadeira, e o milagre nos será dado por acréscimo, segundo o claro desígnio divino atual, isto é, através Maria Medianeira de todas as graças.

Como entender um desígnio divino para nossos tempos?

Este não pode diferir dos desígnios divinos para todos os tempos, acrescido do que será comunicado com sinais oportunos para a salvação através da Igreja nos nossos tempos.

Isto está indicado no Evento de Fátima, que resta por cumprir-se se forem entendidas suas condições históricas, isto é, que haja a autoridade na Igreja que entenda e cumpra esse desígnio, constante na sua Mensagem de 13 de julho de 1917.

Vejamos o que está escrito para que se realize a promessa de Nossa Senhora no Segredo: «Por fim o meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar‑me‑á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz».

Será preciso, então, além de quaisquer interpretações particulares, que haja na Igreja um Santo Padre fiel que por fim tenha superado a crise espantosa que vivemos.

Atenção, porém. Como a disposição na fé para cumprir tal consagração pode justamente ser a solução para a crise da Igreja, aqui falamos de duas diferentes conversões, isto é, da primeira, interna à mesma Igreja, para suscitar quem possa entender e cumprir a necessária consagração para a conversão da Rússia.

Esta demonstra ser a chave de entendimento da oportunidade histórica aqui mencionada. Mas se trata dos eventos históricos lidos através da Profecia de Fátima. É possível?

A visão católica segue o Pensamento que precede e transcende o pensamento humano.

Quanto a este pensamento, como já fora descrito por Aristóteles, inicia com o mesmo maravilhar-se do conhecer filosófico, citação à qual haveria que acrescentar a outra na parte da Metafísica, em que descreve de certa maneira o fim para o qual as admirações começaram. Isto para saber se as coisas são como parecem, como devem ser vistas pela mente que manifesta o objetivo de transcender a maravilha do conhecimento que é mais divino que humano. Assim se chega à posição filosofia aristotélica cristianizada por São Tomás de Aquino, vendo todas as coisas como tendo sua origem em Deus a conhecer, prolongando e até perpetuando o sentimento de estupefacção que Aristóteles exprimiu para o início do pensar filosófico e continua com São Tomás ao escrever que “todos os esforços da mente humana não podem esgotar a essência de uma única mosca.”

E quanto à visão histórica, pode o cristão não ficar admirado diante da Revelação sobre o Verbo encarnado que instituiu Sua Igreja para salvar celebrando Sua paixão salvadora?

Essa admiração será portanto o início do entendimento mais completo do que aconteceu. Isto para que fique clara a impossibilidade humana de conhecer por si a história futura.

A história da «consagração da Rússia» até o tempo de Pio XII

A Promessa de Fátima transcende as categorias do «possível humano», não menos que a possibilidade de reconversão da Igreja, hoje envolvida numa crise devastadora.

Consideremos agora as ações dos papas desde 1917 a esse respeito. Bento XV pediu a intervenção de Maria Santíssima pela paz universal. Não cogitou, porém, que Fátima fosse a resposta [De todo modo, foi ele a restabelecer a Diocese de Leiria]; Pio XI, citado na mensagem, apoiou o culto de Fátima e instituiu a festa de Cristo Rei, mas não fez a consagração pedida; Pio XII, chamado o papa de Fátima, atendeu pessoalmente duas vezes à solicitação, mas sem ordená-la aos bispos.

Pio XII consagra o mundo [com menção a Rússia] ao coração Imaculado de Maria no 25º aniversário das aparições

Pio XII consagra o mundo [com menção a Rússia] ao coração Imaculado de Maria no 25º aniversário das aparições

Em 1942 Pio XII quis atender parcialmente ao pedido de consagração do mundo do Imaculado Coração de Maria, com especial menção à Rússia. Assim havia sido pedido pela irmã Lúcia, em carta de dezembro de 1940:

“… Povos separados pelo erro e pela discórdia, e especialmente aqueles que professam por Vós uma singular devoção e em cujas casas não faltava o vosso venerável ícone para honrar-Vos, provavelmente hoje escondido à espera de melhores dias. Dai-lhes a paz e reconduzi-os ao único rebanho de Cristo, sob o único e verdadeiro pastor!”

Era a alusão, indireta, mas inequívoca, à Grande Rússia, que se separou de Roma e proclamou-se ortodoxa e fora submetida ao comunismo ateu.

Faltou, porém, a essa consagração a participação dos bispos, como fora pedido, e isto fazia com que ela fosse incompleta. Apesar disso, pode-se verificar que naqueles dias alterava-se o curso da guerra, e um dos livros que dá testemunho disso, Fátima, The Great Sign, de Francis Johnston, cita como referência a obra «The Second World War», vol. 4,33, do insuspeito Winston Churchill, que para aqueles dias usava a expressão: “the turning of the hinge of fate”, sem certamente referir-se, não sendo católico, à consagração feita dia 31 de outubro de 1942, tão radical foi a mudança do curso da guerra. Johnston cita a frase de irmã Lúcia no mês seguinte:

“Deus já demonstrou a Sua satisfação por esse ato. Mas, como ele foi incompleto, fica a conversão da Rússia para mais adiante.” [p. 40] Carta da Lúcia de 4.5.1943 em DOC (P. A. Martins, Porto).

Cabe concluir que a esperança posta no cumprimento da promessa de intervenção do Céu era insuficiente. Com quais conseqüências em seguida?

Viu-se isto na eleição do modernista filo-mação João XXIII, que mandou arquivar a parte ainda secreta da mensagem, justamente no período que esta seria «mais clara»!

Seguiu a convocação do tenebroso Vaticano 2 para a demolição demoníaca da Igreja.

Isto sob a chefia de Paulo 6 que, embora indo a Fátima em 1967, evitou toda menção da Mensagem. Na véspera da viagem leu a exortação apostólica Signum Magnum, com a qual reconhecia em Nossa Senhora a mulher vestida de sol do Apocalipse, mas ignorou seu pedido. Não escondeu que punha sua última esperança de paz na ONU. Foi quem adaptou a Santa Missa aos protestantes, transferiu a liberdade da Igreja aos cidadãos e a tiara, símbolo da soberania de Cristo Rei, aos pobres. Seus sucessores houveram por bem continuá-lo e ao seu concílio de perdição. Ficava assim instaurada uma Igreja Conciliar onde o projeto de paz passou a depender de iniciativas humanas sem vínculos espirituais. Além do quê, seria a liberdade de consciência e de religião a constituir o fundamento da dignidade dos homens, e como desta destoa prostrar-se contrito diante de Deus para elevar-lhe súplicas de misericórdia, a oração transformou-se em simples e vulgar diálogo. Aos homens livres competiria mais julgar que acatar mistérios.

Era a liberdade de “julgar” o que deve ser verdade, a premissa da grande apostasia da Palavra, insuflada desde o início pelo ofídico sedutor: “Sereis como deuses, conhecendo o bem e o mal” (Gn 3, 5). São Paulo (Ts.II, 2) fala desse mistério de iniqüidade presente desde o início, mas retido pela Igreja até que alguém, recebendo a «chave», abrisse o abismo de onde sairia o leviatã para impor na Igreja o culto e o domínio do homem.

Podemos ainda considerar essa liberdade diante da verdade uma insídia hermética e remota nos nossos dias?

É claro que pôr em dúvida a verdade única e os sinais da vontade de Deus é manifestação de apostasia e adesão a poder que, “com sinais e prodígios enganosos, com todas as seduções da iniqüidade para aqueles que se perdem porque não abraçaram o amor da verdade para serem salvos. Por isso Deus lhes enviará o artifício do erro de tal modo que creiam na mentira” (Ts. II, 9-10). Qual artifício do erro maior que o culto do homem, o homem que se faz deus na Igreja de Deus que se fez Homem?

Jesus deu-nos o sinal do momento culminante dessa iniqüidade: “Quando pois virdes a abominação da desolação, que foi predita pelo profeta Daniel, posta no lugar santo…” (Mt 24, 15). Daniel fala do Templo onde cessou o sacrifício e a oferta (9, 27), do santuário da fortaleza onde cessou o sacrifício perpétuo (11, 31).

É sempre à Igreja do Sacrifício que somos chamados a dirigir os olhos. Esta é a Nova Jerusalém, o Lugar santo, o templo e o santuário, a fortaleza da fé. Dela vêm os chamados à vigilância e à oração, mas nela veremos o assédio, a invasão, a abominação da desolação no altar, o iníquo que “se sentará no Templo de Deus, apresentando-se como se fosse Deus” (II Ts 2,4). Mas quando o engano atinge tal ponto tudo é possível e os católicos seduzidos defenderão e respeitarão tal invasor. A quem apelar, então?

A conversão da Rússia nesse desígnio divino

É um fato que Pio XII fez duas consagrações da Rússia, de modo limitado, instituindo a festa do 31 de maio para repeti-las até satisfazer Nosso Senhor.

Eis que a decisiva consagração está ainda por cumprir para resolver o interregno dessa acefalia desoladora em Roma.

Devemos, pois, lembrar que o nome  Rússia está desde o início na Profecia de Fátima.

Era um nome estranho aos pastorinhos, que não podiam tê-lo inventado (v. A RÚSSIA NA PROMESSA DE MARIA EM FÁTIMA).

Quanto aos erros que espalhou com a revolução comunista de 13 de Outubro 1917, trata-se de fato histórico. Mas hoje, quando a «União Européia» ecumenista, como o EUA, colaboram na ameaça de demolição da Cristandade, já gravemente ferida pelas duas grandes guerras européias, qual poder terreno poderia ainda defende-la diante do Islã que avança? Não é preciso ser profeta para entender que só resta a Rússia.

Essa grande nação após ter sobrevivido à infernal tirania soviética e ateia, “conservando as ícones cristãs e marianas na espera de melhores tempos… ”, como escreveu Pio XII para a sua parcial consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria em 1942 e depois em 1952, hoje testemunha seu antigo cristianismo sem acanhamento político.

[Prefeitura de Moscou de novo proíbe parada gay ]

Eis o País que abrigou o colosso revolucionário, mas que apresenta-se hoje do outro lado do aparato maçônico-ecumenista, que ocupa a Igreja de Deus e pontifica o erro por toda a Terra, seduzindo com uma falsa união religiosa pela paz que é ofensiva à religião única revelada por Deus e lembrada pelo portento sobrenatural de Fátima.

Ali foi colocada a pedrinha que destruirá o leviatã infernal para glória de Deus e triunfo de Maria, Mãe da Misericórdia que não deixou de avisar seus filhos da hecatombe do papa católico com todo o seu séquito fiel, como está na visão do Terceiro Segredo.

Nessa hora, que seria mais clara em 1960, estava instalado no Lugar santo da Igreja de Deus o clérigo Ângelo Roncalli, aliás, João 23, para, arquivar a Profecia de Fátima e fazer avança o plano para a ocupação da Roma fiel, a descristianização geral e para a abertura do abismo de perdição, que só a grande conversão mariana poderá sustar.

Deus não abandonará Sua Igreja nesse momento de paixão e apostasia. Prometeu a conversão da Rússia. Para isso avisou querer: “que toda a Minha Igreja reconheça essa consagração como um triunfo do Coração Imaculado de Maria”.

No «reconhecimento» do poder de intervenção divina no mundo, através do ato de um verdadeiro papa – cumpridor do desígnio divino – o mundo verá a «conversão da Igreja», para a salvação de uma multidão de almas e um período de paz na terra!

3 Respostas para “FÁTIMA: O MILAGRE PROMETIDO DA CONSAGRAÇÃO DA RÚSSIA

  1. Dantela junho 16, 2012 às 12:22 pm

    your articles are highly appreciated from me and some people i know, good work.http://www.apartamentosecasas.org

  2. Daniela junho 18, 2012 às 5:10 pm

    cheers my friend, great job for you and your work.http://www.dominiodisponivel.net

  3. Pingback: SERÁ A “ASSUNTA” VIRGEM IMACULADA A NOS VALER « Pro Roma Mariana

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

AMOR DE LA VERDAD

que preserva de las seducciones del error” (II Tesal. II-10).

Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

Radio Spada

Radio Spada - Tagliente ma puntuale

Catholic Pictures

Handmaid of Hallowedground

Hallowedground

Traditional Catholic Visualism

Acies Ordinata

"Por fim, meu Imaculado Coração triunfará"

RADIO CRISTIANDAD

La Voz de la Tradición Católica

%d blogueiros gostam disto: