Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

DO CATOLICISMO EMPALHADO AO TRADICIONALISMO EMPULHADO

Não se pense que o “empulhar” aqui se refere só à operação ecumenista conciliar.

Esta só tem em comum com o catolicismo o abuso da sua denominação.

A empulhação da qual há que falar provém dos que conhecem esta perfídia, mas pregam o disfarce de tal calamidade da Igreja ocupada pelos seus inimigos.

Nesta longa ocupação muitos são os que sabem que foi engendrada uma «outra igreja», mas o disfarçam para constar como membros desse simulacro conciliar que controla o centro de pensamento, finanças e influência mundial do Vaticano.

Não aderem de corpo e alma a tal mega aparato adulterino, mas como este dita as regras do «bom-tom» religioso, não querem arriscar suas sentenças de “excomunhão”.

Assim, até pensam e pregam que fora dessa neo-igreja não haveria salvação.

Tudo isto, embora dita comunhão derive da adesão aos «papas» recebidos e honrados pelo mundo devido às suas amplas aberturas ecumenistas em ruptura com a Tradição.

Não importa que esses «papas» conciliares exaltem a ONU, organização que promove o aborto e outros crimes no Brasil e no mundo. Tais empulhações planetárias conjuntas não tocariam a autoridade de «papas» de posição garantida por um conclave canônico!

Eis que – há que repetir – a função e a autoridade pontifical são representativas.

Só por esta razão o Vigário de Jesus Cristo é simbolicamente até mesmo «adorado».

Mas sua tríplice coroa, sua cátedra gestatória e tudo o mais não é propriedade pessoal.

Assim, quando Paulo 6 «doou» a Tiara papal, alienava o que não era seu e tal gesto demonstrava ser alheio à fé, especialmente no correspondente à função papal de vigário de Jesus Cristo Rei, que tem todo o poder no Céu e na terra.

Ultimamente o assunto dos gestos voltou no texto em português de autoria de um estudioso do peso de Arnaldo Xavier da Silveira, que o publicou em seu site.

O artigo aborda a questão do Magistério Ordinário da Igreja Católica e esclarece que um papa ensina não apenas por palavras e documentos, mas que do seu magistério ordinário também constam seus atos e gestos públicos. Cita São Tomás, além de documentos do ensinamento doutrinário convencional. Tudo apoiado nas palavras de Nosso Senhor aos seus apóstolos sucessores, Papa e Bispos: “quem vos ouve a mim ouve”.

A denominação que esse ensino comum e contínuo assumiu no tempo foi de Magistério ordinário. Este vai dos discursos solenes dos Papas, às encíclicas, decretos, cartas e pregações, que exprimem também condenações, para esclarecimento das questões de fé.

Quando estas atingem um grau de importância extrema para toda a Igreja, envolvem a proteção divina da infalibilidade.

Mas como esse magistério escrito ou falado implica sempre a autoridade da Igreja, também a pessoa que a representa deve manifestar credibilidade e fidelidade à Cátedra.

Ora, a profissão de fé depende de certezas e uma delas é ser impossível que um papa ensine por meio de seu magistério o que é contrário e mesmo nocivo à Fé, na Doutrina ou na Liturgia. Por isto um católico não pode rejeitar um rito de missa promulgado por um papa, alegando ser «heretizante» ou «protestantisante».

Foi o dilema – ainda pendente e daí «empalhado» -, no diálogo de Mgr Lefebvre com o «papado» do Vaticano conciliar, representado então por João Paulo 2 e o Cardeal Seper.

Vejamos de novo a questão, porque dessa pendência brotou a casta dos «empulhadores», triste posição dos que reconhecendo o erro e devendo defender a Igreja de toda pérfida alteração, ficam com suas mentes petrificadas diante da Cátedra de Pedro ocupada.

É a síndrome de um cego «papismo» acatólico porque, a ocupação do cargo para a defesa da Fé é o perigo do maior engano. Trata-se da calamidade de alguém que, vestido de chefe da Igreja beija o Alcorão… como se os eminentes Padres a quem Deus confiou a sua Igreja como pastores e doutores, pudessem, sobre um ponto de extrema importância no que tange a constituição da Igreja, ou cair todos em erro, ou tornar-se causa de erro para os fiéis (Papa Pio VI, Super Soliditate Petrae).

Nosso amigo Sandro Pontes nisso lembra ao Arnaldo que

“São Tomás diz que um papa rezando sobre o túmulo de Maomé [e de Ghandi] é um exemplo claro que caracteriza a apostasia pública da fé católica. Qual a diferença entre este exemplo de São Tomás para os atos e gestos feitos pelos “papas” conciliares?”

É claro que os atos e gestos dos conciliares são muito piores porque são sistemáticos e diretos a concretizar a perversão ecumenista.

Flores ao túmulo de Ghandi

É de fé que a Autoridade que representa Deus, o Papa católico, não pode servir aos fiéis veneno contra a Fé, seja com palavras, documentos, iniciativas ou atos.

Mas não é isto que têm feito e fazem os «papas conciliares»?

Se a verdadeira Igreja não podia errar diante do rigor jansenista, tanto menos pode errar diante do debochado relativismo ecumenista, máxima ofensa à única soberania divina.

No entanto esses empulhadores não só falam, mas impõem um concílio ecumenista… como se a Igreja, regida pelo Espírito de Deus, pudesse instituir uma disciplina não só inútil e mais gravosa do que pode suportar a liberdade cristã, mas também perigosa e nociva que leve à crendice e ao materialismo” (Pio VI, Auctoren Fidei).

UM CATOLICISMO EMPALHADO

Sobre esse ponto voltamos à questão posta pelo Cardeal Seper, chamado por João Paulo 2 para fazer as pazes com Mgr Lefebvre se este aceitasse o Vaticano 2 à luz da Tradição!

O nó ficou devido à sua afirmação: ser o «Novus Ordo de Paulo 6» protestantisante.

E o mesmo Seper diz por que: – ou isto é falso e tal rito – dado por um papa – é católico, ou quem o institui não é papa! (ver o nº extra da revista francesa Itineraires: Mgr Lefebvre et le Vatican).

Pode o católico fiel, do «sim, sim, não, não», chamar católico o que é protestante, ou vice versa; tanto um rito – mas muito mais – as autoridades que os promovem?

Não equivale isto à maldição de chamar bem o mal e mal o bem?

E o que é instituído com valência litúrgica não deveria ser magistério?

Ou será que o mal, o erro e a heresia em questões de «extrema importância no que tange a vida da Igreja e a salvação das almas», tem direitos e autoridade na direção apostólica da Igreja de Deus? Não têm, nem quem os promovem em nome da Igreja tem nenhum direito. Se talvez tiveram, decaem dele «ipso facto».

É a Lei da Igreja e a ordem lógica da autoridade em representação de Jesus Cristo.

Aqui despontam, porém, alguns novos mestres de mente petrificada pelo «papismo» cego, com uma atitude de «status quo» acatólico: não se pode julgar um papa!

Haveria que conviver com o herege até a vinda de outro papa, finalmente fiel!

Note-se que pela lei evangélica não se trata de julgar a heresia e quem a promove; estes já estão julgados e condenados, mas se trata de reconhecer o fato à luz da Fé e da lei da Igreja. Senão esses falsos Cristos, em posição papal, vão enganar sem freios multidões.

Os tradicionalistas que «empalham» essa questão alegam a posição de seus maiores.

Benção conjunta com um falso bispo.

E aqui vem a contradição que se vale do nó não desfeito por Mgr Lefebvre.

Não só, mas se quer valer da não posição de Gustavo Corção, que nem sequer conheceu o tempo e as abominações de João Paulo 2. Já bastara Paulo 6 para a sua indignação.

Ou então, se querem valer das posições suspensas diante do caso específico de heresia, dos professores Plínio Corrêa de Oliveira, de seu opositor Orlando Fedeli, e outros.

É assim que se confunde quem procura exemplos para restar firmes na defesa da Igreja.

E chegamos a quem tratou e continua a tratar da questão, mas sem querer resolve-la.

Não entendi de certo acusar a intenção de pessoas, como a do Dr. Arnaldo Xavier da Silveira com o meu artigo sobre seu erro (ver artigo e debate), mas indicar a grave e repetida contradição canônica relativa ao Magistério Ordinário, como descrito acima.

O Autor agora deixa claro que palavras, atos ou gestos são parte do que complementa o magistério de um papa, que não pode assim ser rejeitado pelos fiéis.

Como aplicar isto ao que fazem e dizem os «papas conciliares» tendo, por exemplo culminante as reuniões religiosas no espírito de Assis? Podem estas ser rejeitadas mais que quem as promove apresentando-se como se fossem papas católicos?

Estes, através de tal «magistério» verbal e gestual manifestam claramente não professar nem a fé católica verdadeira, nem a continuidade na missão do cargo.

Já foi dito, não falamos aqui desse abominável «empulhar» magisterial da desoladora operação ecumenista conciliar. Esta nada tem com o catolicismo, senão o abuso satânico da denominação católica. Aqui falamos aos que têm fé e conhecem o enorme problema, além dos possíveis leitores que respeitam a lógica e a coerência universal. Estes não estão no Vaticano, onde basta o inspetor que nos alista nos seus livros negros.

A Roma conciliar iniciou seu caminho de apostasia do Catolicismo há mais de meio século, procurando e ensinando como supremo valor a paz na terra, o que significa inverter a Ordem cristã sempre seguida e pela qual lutaram os Católicos (ver artigo sobre a «Pacem in terris»).

Até judeus, protestantes e anglicanos o entenderam e converteram-se à Religião que os «católicos» hodiernos, empulhados por falsos mestres, abandonam sem perceber.

Para melhor ilustrá-lo publicamos autores como o Padre Benson e Gustavo Corção.

É da luta deste ilustre autor que devemos falar, porque para alguns «conservadores» do tradicionalismo ele fixou, ou melhor, empalhou uma posição de resistência inalterável, isto é, inerte e inócua no decorrer do tempo, porque alheia à descoberta das causas e de quem a promove a demolição em veste papal. Não conta a sua reação diante de Paulo 6, que morreu dois meses depois dele em 1978. Não importa tudo o que ocorreu deste então na Igreja, com o progresso do Vaticano 2 e a sistemática inversão no plano dos dogmas da Fé católica. Hoje, qualquer resistência a isto deveria se pautar, segundo alguns, pelos arrazoados comedidos de historiadores e teólogos críticos dos erros conciliares, como acidentes eclesiásticos, até ignorando o que disseram nos anos Setenta e Oitenta os bispos Lefebvre e Castro Mayer.

Essas corajosas posições episcopais deveriam ser igualmente empalhadas, senão jogadas no lixo da História, como o fizeram e fazem os vários Rifans.

Eis a outra mega empulhação da qual é preciso tomar consciência para testemunhá-la.

Vai nisso a nossa fidelidade católica a Jesus Cristo e amor pela Sua santa Igreja.

Num artigo em italiano sobre o recente despertar de doutos estudiosos, como o Padre Brunero Gherardini, sobre a ruptura conciliar com o Magistério da Igreja, noto que tudo o que fora já assinalado muito antes deles pelos dois Bispos, ficou à margem. (Agere Contra)

Mas não foram justamente as declarações conjuntas de Mgr Lefebvre e Dom Mayer a enfrentar desde então o problema e de modo progressivo as reais conclusões?

Pois bem, é recurso da empulhação tradicionalista referir-se aos Bispos como se estes teriam continuado a aceitar o novo «papa conciliar» Bento 16, Ratzinger, que além de ter sido já então acusado por escrito por Mgr Lefebvre como um dos anticristos no Vaticano, já estava entre os prelados sinodais que continuando os erros e heresias do Vaticano 2 confirmavam aos fiéis «o direito de não os considerar mais como católicos».

Bento XVI recebe o Corão

Concluindo: é um catolicismo empalhado o que resta em posição cataléptica diante dos inauditos desvios conciliares que continuam promovidos por «autoridades legitimadas» apesar deles; como se houvesse autoridade papal autorizada a promover uma nova igreja com «outro» Evangelho e um magistério vivaldino!

E é uma empulhação nefasta a interromper a sofrida reação seguida por estes Bispos, ignorando o que manifestaram em documentos públicos e notórios.

Hoje, chegam a dizer em Campos que Dom Mayer fez e disse muito, chegando a acusar que havia um antipapa no Vaticano, como resultado de canseira devida à idade.

Como estou neste testemunho há mais de quarenta anos, continuo a repetir que é preciso, sobretudo, tirar as conseqüências do que ficou publicamente demonstrado contra a Fé e que levou à constituição da neo igreja conciliar: a reunião ecumenista de Assis!

Nosso Senhor pediu aos primeiros cristãos um testemunho cruento. Hoje, parece que não pedirá de muitos mais que consistência na ação caridosa de resistir.

Ora, o inimigo principal desta é a canseira; origem de miragens ilusórias e desculpas que levam a contradições para que se deixe de combater o que ofende a Fé da Igreja.

Jesus ensinou que a derradeira perseguição será revestida do engano.

No nosso tempo tudo indica que a última gesta para a vitória da Cristandade depende desse alerta, do esforço por parte dos poucos católicos de restar fiéis ao testemunho da Verdade, a tempo e contratempo.

Então por fim poderemos esperar que o Imaculado Coração de Maria triunfe; que volte a haver um papa em uma Roma católica e mariana e que sob a Autoridade de Jesus Cristo e na imitação de Seu Sagrado Coração, se restabeleça a unidade na Igreja e um período de ordem no mundo.

3 Respostas para “DO CATOLICISMO EMPALHADO AO TRADICIONALISMO EMPULHADO

  1. Leonardo junho 4, 2012 às 8:02 pm

    Não só cansa, mas dói. Esta última de Dom Fellay foi como uma adaga no flanco. Até hoje estou sem ar. Persigo a Missa, a graça e quanto mais vou atrás, mais escorre pelas mãos. É duro. Minha esposa é a própria modernidade. Temo pelos meus filhos. Sei que não me terão por muito tempo. Sei que deverão saber de muitas coisas em curtíssimo tempo. Uns poucos me dizem: contente-se com o Rosário e a penitência, mas sou fraco e sensível. Às vezes tenho a impressão de ter levado uma surra. É, então, que me ocorre que a única coisa que posso oferecer é este martírio oculto, jamais revelado pela aparência num mundo de tanta ação publicitária, até mesmo para a fé. Deus me livre da acídia, da tibieza e da impenitência. Amém.

    • Pro Roma Mariana junho 5, 2012 às 7:03 am

      Porque dói e por vezes de maneira lacerante, envolvendo o que temos de mais caro na vida, cansa e faz oscilar a resistência na fé, na esperança e na caridade. Sobrevêm então dúvidas e inquietações. Vale a pena preferir a porta estreita, as subidas, os sacrifícios, quando o corpo, o ambiente, tudo no mundo prefere as descidas e as estradas largas? E depois as traições de todo tipo, que reforçam as dúvidas sobre se serve resistir no meio da crise geral do crer, esperar e fazer por uma causa que parece humanamente perdida.
      Quanto à FSSPX, lembro que quando fui com meu filho à Ecône para a ordenação dos amigos monjes, Tomás e Lourenço, ouvimos ali o desditoso discurso do Superior, P. Schmidberger, cuja esperança era sair da «ilegalidade»! Então todos ali, que queriam manter a fé e a Missa de sempre seriam ilegais perante a Roma conciliar! Imaginem os pais e mães, irmãos, parentes e amigos que viam os seus entregues à vocação de vida fora-da-lei, marginais da Igreja. São as imbecilidades em ato que tornam a resistência ainda mais árdua porque a associa a repelentes contradições em questões de fé. O único amparo está na paixão de Quem conheceu dores e traições para nos remir.

  2. Leonardo junho 5, 2012 às 11:27 pm

    Sim. Quando menino, eu via filmes sobre a Paixão e tentava imaginar até onde o Senhor sofreu e procurava me consolar com o fato de que Ele é Deus. Só depois fui saber que Ele sofreu foi na sua humanidade, mesmo mantendo um Amor divino. A Paixão da Igreja serve também para dar uma pista acerca dos sofrimentos de um Deus forte mas paternalmente delicado que jamais invade, mesmo o mais simplório dos entes. Os conciliares não sabem o que fizeram às famílias. A que reduziram as famílias. O que fizeram aos pais. Jesus dizia: “Pai perdoa-lhes porque não sabem o que fazem”. Temos de dizer também, mas, se a partir das famílias, podemos ter uma pista do que fizeram e fazem a Deus, para alguns dos traidores, creio que podemos repetir o que Cristo disse do seu traidor contemporâneo: “Melhor que nem tivesse nascido”. São os “ais” do Apocalipse que os justos sofrem por Deus e pelas almas que Deus quer ganhar e os ímpios passam alegremente por eles para depois verem o que fizeram não na ignorância inocente, mas na cegueira da soberba.

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