Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

I – ENTRE OS SAGRADOS CORAÇÕES E O ABISMO

Jesus e Maria, Sagrados Corações

O católico sabe que todo bem, pessoal e social nesta terra é conforme a vontade de Deus.

E esta vontade para o mundo está na Ordem trazida por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Ela manifestou-se com a inigualável Civilização Cristã.

Num certo momento histórico ela começou a ser desdenhada. De modo especial quando a consciência coletiva foi submetida à grande tentação revolucionária de substituí-la com um evoluído e iluminado pensamento filosófico capaz de abater a Ordem cristã.

Trata-se, como hoje é de fácil verificação, do período em torno do ano 1689 na França.

Para reconhecer quanto esse momento histórico foi crucial para a sociedade e também para cada ser humano, lembramos os fatos centrais que se entendia então negar: que a vida no mundo é manchada pelo Pecado original da rebelião a Deus e que esta precisou do Sacrifício de Jesus Cristo para ser remida.

O fato é que a rebelião pessoal transformou-se na história em Revolução universal.

Aqui vamos, pois, voltar a falar do processo revolucionário que começava a inocular-se então na mentalidade dos povos, a par do sinal da vontade divina manifestada nessa hora da história humana para domá-lo.

Em seguida vamos ver como a Igreja acolheu e cumpriu esse desígnio de ajuda de Deus, diante de um mundo cada vez mais contaminado pelas ideologias revolucionárias.

Com isto poderemos atualizar a visão do curso dessa crise humana aos nossos dias,

Esta tem sido a especial e constante ocupação deste sito.

O ano crucial de 1689

Isto é lembrado no artigo “O Segredo do Sagrado Coração de Jesus e Fátima” (PRM, 11.6.2010 ), sobre o culto do Coração de Jesus.

Esta nobilíssima parte do divino corpo é símbolo do Amor infinito, dado para enfrentar o que afasta Dele, da sua Sabedoria os homens com as revoluções racionalistas.

Trata-se do grande mal que passou a atormentar a humanidade e cujos efeitos tornam-se hoje devastadores porque o mal chegou a invadir e ocupar o lugar visível da Igreja.

No estudo do historiador francês Paul Hazard o período entre 1680 e 1715 representa o momento de conjunção de novas atitudes mentais cujo conjunto conduziria à revolução para a fatal virada histórica. Seria a grande “crise da consciência européia”, vista pelo autor nos fins do reinado de Luís XIV.

Dela o Papa Bento XV diria:

“Desde os três primeiros séculos, durante os quais a terra ficou emprenhada pelo sangue dos cristãos, pode-se dizer que nunca a Igreja atravessou uma crise tão grave como aquela em que entrou no fim do século XVIII.”

E também:

“É sob os efeitos da louca filosofia resultante da heresia dos Inovadores e da sua traição que os espíritos saíram em massa dos caminhos da razão e que explodiu a Revolução, cuja extensão foi tal que abalou as bases cristãs da sociedade, não só em França, mas paulatinamente em todas as nações.” (A.A.S. 7/3/1917)

De fato, só a revolução comunista, que estava para eclodir, ultrapassaria tudo isto.

Note-se, porém, que seria inimaginável para Bento XV que os «valores» da «louca filosofia resultante da heresia dos Inovadores» iluministas, estariam no centro do plano conciliar (Vaticano 2) para serem inseridos no Catolicismo.

Isto passou a ser explicado por prelados como Ratzinger como uma necessidade (v. entrevista com V. Messori) e hoje é pregado abertamente até para os muçulmanos (v. discurso 22.12.2006) por quem assumiu o nome de Bento XVI.   

Vamos falar da conexão disto tudo com o Segredo de Fátima.

Agora, porém, note-se que o estudo de Hazard é alheio a Fátima e a sua simpatia pela revolução do pensar é até criticada pelos escritores católicos como Jean de Viguerie e Xavier Martin. É uma questão histórica que explica uma crucial hora religiosa.

A velha crise da consciência européia

A Reforma foi a parteira dessa revolução européia e mundial que no fim do século XVII culminou na grande crise das idéias que dirige a vida social. A crise que começou na católica França é descrita por Paul Hazard (La crise de la conscience européenne, Paris, 1934). Nos basta aqui o seu prólogo:

“Que contraste! Que brusca evolução! A hierarquia, a disciplina, a ordem garantida pela autoridade, os dogmas que regulavam a vida com firmeza: eis o que os homens do século XVII amavam. Sujeição, autoridade, dogmas: eis o que detestam os homens do século XVIII, seus imediatos sucessores. Os primeiros são cristãos, os outros anticristãos; os primeiros crêem no direito divino, os outros no direito dos homens; os primeiros vivem à vontade numa sociedade dividida em classes desiguais, os segundos sonham com a igualdade […]. A maioria dos franceses pensava como Bossuet; de repente, os franceses passam a pensar como Voltaire: é a revolução. […] Entra em cena Spinoza, cuja influência começava então a fazer-se sentir, Malebranche, Fontenelle, Locke, Leibniz, Bossuet, Bayle, Fénelon, só para mencionar os maiores e sem falar da sombra de Descartes, que ainda pairava. Estes heróis do espírito, cada um segundo o próprio gênio e caráter, ocuparam-se de repensar, como se fossem novos, os problemas que solicitam eternamente o homem: da existência e da natureza de Deus, do ser e das aparências, do bem e do mal, da liberdade e da fatalidade, dos direitos do soberano e da formação do estado social. Todos problemas vitais. Em que se deve crer? Como se deve agir? e despontava sempre a pergunta, que já se julgava definitivamente regulada: quid est veritas? Aparentemente, prolongava-se o Grande Século com a sua soberana majestade… Tratava-se de saber se havia que obedecer à tradição ou rebelar-se contra esta; se a humanidade poderia continuar o seu caminho confiando nos mesmos guias, ou se alguns novos chefes a fariam mudar para levá-la a novas terras prometidas. Os nacionais e os religionários, como dizia Bayle, disputavam uma luta que tinha por testemunho toda a Europa pensante.

“Os sitiantes, pouco a pouco, levaram a melhor. A heresia já não se isolava nem escondia; ganhava discípulos, tornava-se insolente e presunçosa. A negação já não se mascarava; exibia-se. A razão já não era uma sabedoria equilibrada, mas uma crítica audaz. As noções mais comuns, do consenso universal que demonstrava Deus, dos milagres, eram agora objeto de dúvida. Transferia-se o divino para céus desconhecidos e impenetráveis; o homem, só o homem, permanecia como medida de todas as coisas… Era preciso, pensava-se, destruir o antigo edifício que havia abrigado mal a família humana e a primeira tarefa seria de demolição. A segunda seria preparadora dos fundamentos para a reconstrução da cidade futura… a constituição de uma filosofia que renunciasse a sonhos metafísicos… de uma política livre do direito divino, de uma religião sem mistério, de uma moral sem dogmas.

“O afã era no sentido de forçar a ciência a deixar de ser um simples jogo do espírito para tornar-se decididamente um poder capaz de dominar a natureza. Através da ciência poder-se-ia conquistar uma felicidade sem equívocos. Reconquistando assim o mundo, o homem poderia organizá-lo para o seu bem estar, para a sua glória e felicidade futuras. Nestas linhas reconhece-se sem embaraço o espírito do XVIII século. Quisemos mostrar que as suas características essenciais vieram à luz muito antes de quando se julga; que este espírito encontra-se inteiramente formado na época em que Luiz XIV estava em pleno esplendor, que as suas características já eram patentes por volta de 1680, com quase todas as idéias que pareciam revolucionárias por volta de 1760 e até 1789. Ocorreu então a crise da consciência européia entre o Renascimento, do qual procede, e a Revolução francesa, que prepara. Não há nenhuma outra mais importante na história das idéias. A uma civilização fundada na idéia do dever, deveres para com Deus, para com o Príncipe, os novos filósofos procuraram sobrepor uma civilização fundada na idéia do direito; direitos da consciência individual, direitos de crítica, direitos da razão, direitos do homem e do cidadão.”

O ponto central dessa revolução contra Deus

Leão XIII, PapaO ensino dos direitos de Deus na “Tametsi futura” do Papa Leão XIII: “Do que tem sido chamado “direitos humanos” muito as pessoas já ouviram falar; que alguma vez ouça por fim falar dos “direitos de Deus”… e segue com a devoção ao Redentor.

O crucial dessa revolução francesa, considerada aqui ‘a mais importante na história das idéias’, é sem dúvida o novo modelo mental colocado nas consciências.

E a nova consciência, fundada na sua própria razão e ciosa de seus direitos, passará a travar uma luta entranhada à Fé. Vai servir, mesmo sem sabê-lo, a um novo «senhor».

Este espírito já pairava, como ilustra Paul Hazard, perfeitamente articulado antes de ficar constituído o poder maçônico e cem anos antes da Revolução francesa.

A revolução cultural apareceu depois com a filosofia idealista, o evolucionismo, o comunismo, o freudismo, Gramsci e a Escola de Frankfurt, etc. Poucos o perceberam no seu tempo, como depois aconteceu com o Modernismo. Só a Igreja o percebia.

Quanto a entender a preciosa ajuda divina para evitar a revolução nas consciências, o Rei da França, talvez não a entendeu, mas certamente não a atendeu.

Trata‑se de Luís XIV, da família Bourbon, que em 1689, quando estava com 50 anos e em pleno poder, recebeu, provavelmente através de seu confessor Père La Chaise SJ, o pedido de consagrar seu reino ao Sagrado Coração, pedido este transmitido a Sta. Margarida Maria Alacoque, que teve uma visão no mosteiro de Paray‑le‑Monial em 17 de junho daquele ano. Eis os termos iniciais:

Faz saber ao filho primogênito de Meu Sagrado Coração que, assim como o seu nascimento temporal foi obtido pela devoção aos méritos de Minha santa Infância, do mesmo modo ele obterá seu nascimento na graça e na glória eterna pela consagração que fará de si mesmo ao Meu adorável Coração que quer triunfar sobre o seu, e por meio dele, sobre os dos grandes da terra”.

Voltamos a esse fato histórico, conexo ao Rei de França, porque é misteriosamente ligado ao Segredo de Fátima, como o relatei (Entre Fátima e o Abismo, p. 28-30).

Do mesmo modo, o ataque ao coração da Fé, planeado em vista dos pontos vulneráveis do homem moderno, já estava perfeitamente delineado um século antes de João 23.

A ajuda do Sagrado Coração através de Maria em Fátima

Neste mês dedicado ao Sagrado Coração de Jesus queremos lembrar como a profecia feita em 1917 em Fátima, que pede oração e penitência e faz a oferta de paz, indica a vontade divina de associar o culto ao Sagrado Coração de Jesus do Imaculado Coração de Maria, para resolver problemas humanamente insolúveis da Igreja e do mundo.

São sinais extraordinários oferecidos aos homens para que evitem passagens históricas de conseqüências mais devastadoras que a Revolução francesa, engendrando as grandes guerras para a eliminação da Cristandade e a total degradação da humanidade.

Conhecemos estas intervenções divinas e seus pedidos de consagração, através de almas simples e inocentes. Por exemplo o que relata a Irmã Lúcia sobre uma comunicação de Nosso Senhor, que talvez ela mesmo nunca tenha compreendido na sua importância.

O padre Joaquim Maria Alonso OFM, estudioso de Fátima, cita em seu livro Fátima Ante la Esfinge a carta de irmã Lúcia a seu bispo, de 29 de Agosto de 1931, em que comunica as palavras de Nosso Senhor:

“Faça saber aos Meus ministros que, como eles seguem o exemplo do Rei da França ao retardar a execução de Meu pedido, eles o seguirão na desgraça. Nunca será tarde demais para recorrer a Jesus e a Maria.”

Essa terrível comunicação do Senhor a Seus ministros, pelas suas omissões em seguir o pedido de Fátima, consta também em outros documentos, como seja, no que descreve a comunicação íntima que irmã Lúcia teve:

“Não quiseram atender ao Meu pedido! [de consagração]… Como o Rei da França, arrepender‑se‑ão e fá‑lo‑ão, mas será tarde. A Rússia terá já espalhado os seus erros pelo mundo, provocando guerras e perseguições à Igreja. O Santo Padre terá muito que sofrer.” (Documentos do P. A. M. Martins, Porto, p. 465)

Comparação feita por Jesus entre reis do passado e papas recentes

Eis o termo de comparação proposto pelo próprio Senhor, entre passados reis cristãos da França e papas de nossos tempos recentes.

Ambos deveriam ser essencialmente executores dos desígnios de Cristo Rei e um destes havia sido expresso em forma de pedido tanto singelo e discreto como de ajuda necessária. Dependia da fé desses chefes reconhecê-los e cumpri-los para salvar seus reinos, que no caso dos papas, de Bento XV até Pio XII, para salvar o Papado da sua ocupação por quantos planejavam a abertura da Igreja ao mundo e aos anticristos.

Essa abertura hoje é clara porque Bento 16 nem mais precisa esconder que a intenção do Vaticano 2 e a sua era introduzir no catolicismo os valores e direitos iluministas, cuja matriz pode ser reconhecida bem na descrição acima do escritor Paul Hazard.

Note-se como essas idéias da centralidade do homem, de seus direitos, da «realidade subjetiva» do idealismo, hoje entraram em cheio no plano religioso através do Vaticano 2 e de seus profetas. Ouvimos e lemos estas idéias iluministas desde os tempos de João 23, através de teólogos, uma vez censurados que passaram a ditar a nova «consciência da Igreja» cujos «papas conciliares» a aplicam e difundem na operação ecumenista dos novos tempos. E estes estão aí com toda sua força de devastação mental e moral.

Foram etapas planejadas por um poder secreto, material e pedagógico, que opera para o domínio do mundo com a mentalidade moderna, gerada por idéias e amores humanos, pluralista, como as vontades que mudam com as modas e cuja constante é a avidez do prazer e do domínio. Mas ela tende a pretender um supremo domínio mundial.

Trata-se de substituir a Idéia tradicional, fundada na Transcendência, adaptando a Moral e a Religião à mentalidade contingente de cada época: o Modernismo.

Para este a função da Igreja é de animadora espiritual da vida social e política num mundo que organiza a concupiscência para libertar o homem da visão da vida depois da morte; esta é central para a consciência cristã; eis a razão do mundo para abatê-la, ou pelo menos para revê-la e relegar a visão do Inferno a um vazio virtual.

O antídoto à Revolução está na vontade e direitos dos Sagrados Corações

Neste sentido este escrito vai continuar para mostrar o que o Papado fez para difundir o culto do Sagrado Coração em obediência à vontade de Deus e fidelidade ao Seu direito.

Este foi dado num momento histórico que reforçava as razões religiosas de sinais divinos que pedem de devoções tanto pessoais como universais. Trata-se da posição diante do amor de Deus da consciência humana. E hoje sabemos que tudo isto se liga, tanto na sua oposição – que vai desde a revolução de 1789 na França ao 1958 no Vaticano – quanto na ajuda para a sua solução, que vai desde Paray-le-Monial a Fátima.

De fato, foi em 1689 que ocorreu a incomparável intervenção do Sagrado Coração de Jesus, que envolve a história da França, da Europa e do mundo até hoje.

Era a discreta manifestação da vontade de Deus para que um rei cristão pudesse conter males que estavam para se desencadear de modo violento na vida dos povos ao ponto de abrir a quem iria penetrar perfidamente até no Lugar santo de Deus (cf. II Ts 2).

Veremos então como antes disso em Roma se acolhia o Desígnio de Consagração do Gênero Humano ao Sagrado Coração de Jesus em 1899, pelo Papa Leão XIII na Encíclica Annum Sacrum e aqui o início da Encíclica «Miserentissimus Redemptor» do Papa Pio XI sobre o «Ato de Reparação ao Sacratíssimo Coração de Jesus».

“Nosso Misericordioso Redentor, depois de ter trazido a salvação ao gênero humano  na madeira da Cruz e antes de sua ascensão a partir deste mundo ao Pai, para consolar seus apóstolos e discípulos em luto disse: ” Eis que eu estou convosco todos os dias até o fim do mundo”. Estas muito agradáveis palavras são motivo de esperança e segurança, veneráveis irmãos, vem à memória facilmente todas as vezes que vemos, a partir desta alta cúpula da família universal humana aflita por tantos graves males e misérias, até mesmo a Igreja, atormentada sem trégua por assaltos e insídias. […] Sempre, certamente, Nosso Senhor Jesus Cristo assistiu a sua Igreja; mas com ajuda mais válida proteção especialmente quando foi vítima de perigos e desgraças mais graves, dando justamente aqueles remédios que eram os mais aptos às condições dos tempos e das questões, com a sua divina Sabedoria que «chega de uma extremidade à outra com potência, e com suavidade dispõe tudo» (Sb 8, 1).

Mas nem nos tempos que nos são mais próximos «encurtou a mão do Senhor» (Is 59, 1), especialmente quando erros se introduziram, e muito largamente se difundiram, de modo a fazer temer que fossem secadas de algum modo as fontes da vida cristã para os homens que se afastavam do amor de Deus e do seu convívio. E visto que alguns ignoram, outros descuidam dos lamentos que o muito amado Jesus fez a Margarida Maria Alacoque nas suas aparições, como também os desejos e vontades que manifestou aos homens, em verdade para a nossa mesma vantagem, queremos, Veneráveis Irmãos, entreter-Nos convosco para falar do dever que impõe de fazer reparação honrosa ao Sacratíssimo Coração de Jesus, com esta intenção: que cada um de vós ensine diligentemente o próprio grei quanto Nós vos teremos comunicado, e o leve a execução quanto estamos para ordenar.

Publicaremos em seguida em português o «Ato de Reparação ao Sacratíssimo Coração de Jesus» disposto na Encíclica «Miserentissimus Redemptor do Papa Pio XI.

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