Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

I – A REPARAÇÃO QUE DEVEMOS AO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

Cristo Rei

Neste mês de junho, dedicado ao Sagrado Coração de Jesus, enquanto se adensam no horizonte nuvens negras de muitas crises humanas e revoltas ainda não placadas dos que mergulharam na mentalidade do mundo inimigo do Cristianismo, queremos lembrar uma das ajudas divinas que recebemos e que permanece para todas as épocas.

Assim, oferecemos a nossa tradução do italiano da Carta Encíclica Miserentissimus Redemptor do Sumo Pontífice Pio XI, com total devoção ao Sacratíssimo Coração de nosso adorável Redentor. E por isto, com atenção ao Segredo de Nossa Senhora de Fátima, estreitamente ligado ao desígnio divino de ajuda para os nossos tempos.

Este ficou manifestado pela Vontade de Jesus transmitida à Irmã Lúcia sobre o seu não satisfeito pedido de consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria:

Porque quero que toda a Minha Igreja reconheça essa consagração como um triunfo do Coração Imaculado de Maria, para depois estender o seu culto e pôr, ao lado da devoção do Meu divino Coração, a devoção deste Imaculado Coração.”

A Irmã:

“Mas, meu Deus o Santo Padre não me há-de crer, se Vos mesmo o não moveis com uma inspiração especial”. Jesus responde: “O Santo Padre! Ora muito pelo Santo Padre. Ele há-de faze-la, mas será tarde. No entanto o Imaculado Coração de Maria há-de salvar a Rússia. Está-Lhe confiada.” (Documentos, P. António Maria Martins SJ, Carta da Irmã Lúcia ao Rvmo. Senhor P. Gonçalves, Pontevedra, 18-5-1936, p. 415)

Carta Irmã Lúcia

Documentos de Fátima do Padre Antônio Maria Martins, Porto – 1976

Para que toda a Igreja de Jesus Cristo volte a entender a importância de um sinal que exprime a Sua Vontade para o bem dos homens, será preciso uma grande conversão.

Dessa carência começava a sofrer o Reino da França no fim do século XVII, devido à influência protestante e ao início da infiltração cultural «iluminista» para os direitos do homem, de cunho naturalista e racionalista.

A aparição de Jesus à irmã Margarida Maria Alacoque para o pedido é de 1689.

Não foi acolhida por Luís XIV por alguma razão desconhecida.

Exatamente cem anos após, jour pour jour, 17 de junho de 1789, festa do Sagrado Coração, o Terceiro Estado revolucionário despojava a monarquia dos Bourbon de seus poderes. O rei Luís XVI, descendente direto de Luís XIV e, por isto, conhecedor do pedido, já prisioneiro tentou cumpri-lo com uma solene promessa, mas era tarde demais.

Na prisão do Templo foram encontradas imagens do Sagrado Coração com a consagração da França assinada por Maria Antonieta e Mme. Elisabeth, irmã de Luís XVI, que compôs então um belo ato de resignação cristã. Em 1793 o Rei da França foi guilhotinado e igual destino coube a quase toda a família real e a grande parte de sua corte. Era a revolução desencadeada contra a Civilização cristã e seus reis, da qual Nosso Senhor quis preservar a França católica, mas a suprema Misericórdia não foi ouvida em tempo. Aquela intervenção divina numa hora crucial da história talvez fosse considerada inverossímil, como no nosso tempo o Segredo de Fátima sobre o Papado.

Para se ter uma idéia do colapso religioso da hora presente, basta pensar que preside no Vaticano um pastor «protestantizante» em veste papal que prega, até aos muçulmanos, direitos iluministas e é aplaudido por um mundo à beira de um conflito global.

Todavia, como é da Fé na intervenção divina no mundo dos homens que a Igreja vive. Esta deve ser restaurada na devoção dos filhos prontos a testemunhar contra tudo o que lhe é contrário, desde o modernista Vaticano 2 aos seus «papas conciliares». Ao Reino dos Sagrados Corações só se chega seguindo a Vontade de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Por isto, procuremos antes de tudo e sem esmorecer o Reino de Deus e sua Justiça, representado na Terra pela sua Igreja Católica; o milagre virá por acréscimo, segundo o desígnio divino atual; através de Maria Medianeira de todas as graças.

EncíclicaMiserentissimus Redemptor do Sumo Pontífice Pio XI (8.5.1928)

Aparição de Jesus a Santa Margarida Maria de Alacoque

Nosso Misericordioso Redentor, depois de ter oferecido a salvação ao gênero humano na madeira da Cruz e antes de sua ascensão e partir deste mundo para o Pai, a fim de consolar a tristeza de seus apóstolos e discípulos, disse: “Eis que eu estou convosco todos os dias até o fim do mundo(Mt 28, 30). Estas dulcíssimas palavras são motivo de esperança e segurança e, veneráveisirmãos, vem facilmente à memória todas as vezes que vemos, a partir desta alta cúpula, a família universal humana aflita por tantos graves males e misérias, e até mesmo a Igreja, atormentada sem trégua por assaltos e insídias. Esta divina promessa, assim como no início levantou os ânimos abatidos dos apóstolos incentivando-os e inflamando-os para difundir a semente da doutrina evangélica pelo mundo, assim depois guiou a sua igreja para a vitória sobre as potências do inferno.

Certamente Nosso Senhor Jesus Cristo sempre assistiu a sua Igreja; com a mais válida ajuda e proteção especialmente quando foi vítima dos mais graves perigos e catástrofes, justamente com aqueles remédios mais convenientes às condições dos tempos e das questões, com a sua divina Sabedoria que «chega de uma extremidade à outra com potência, e suavemente tudo dispõe» (Sb 8, 1).

Nem nos tempos que nos são mais próximos «encurtou a mão do Senhor» (Is 59, 1), e especialmente quando erros se introduziram, e muito largamente se difundiram, de modo a fazer temer que fossem secadas de algum modo as fontes da vida cristã para os homens que se afastavam do amor de Deus e do seu convívio.

E visto que alguns ignoram, outros descuidam dos lamentos do muito amado Jesus a Margarida Maria Alacoque nas suas aparições, como os desejos e vontades que manifestou aos homens – em verdade para a nossa mesma vantagem – apraz–nos, veneráveis irmãos, entreter-Nos convosco para falar do dever a que estamos obrigados de honrosa reparação ao Sacratíssimo Coração de Jesus, com esta intenção: que cada um de vós ensine diligentemente a própria grei quanto Nós vos comunicamos, e a leve a cumprir quanto estamos para ordenar.

Entre todos os testemunhos da infinita bondade de Nosso Redentor resplandece singularmente este: que, quando a caridade dos fieis esfriava, a mesma caridade de Deus se apresentava para ser honrada com culto especial, e os tesouros de sua bondade se descobriram por aquela forma de devoção com que damos culto ao Coração Sacratíssimo de Jesus “em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência” (Cl 2, 3). De fato, assim como a bondade de Deus outrora quis que o olhar do gênero humano saído da arca de Noé fixasse o sinal da amizade na aliança do “arco íris que apareceu nas nuvens” (Gn 2, 14), assim nos turbulentíssimos tempos da modernidade, quando a mais astuta heresia serpeava, a jansenista, inimiga do amor e da piedade diante de Deus; que pregava um Deus não tanto de amar como Pai a temer como implacável juiz, o benigníssimo Jesus mostrou seu Coração como bandeira de paz e de caridade que assegurava a vitória no combate.

Portanto, bem a propósito, o nosso predecessor Leão XIII de feliz memória em sua encíclica «Annum Sacrum», admirando a enorme oportunidade do culto ao Sagrado Coração de Jesus não vacilou em afirmar: “Quando a igreja na sua origem sofria opressão sob o julgo dos Césares, a cruz aparecida no céu a um jovem imperador foi sinal e causa da ampla vitória lograda em seguida. Agora se nos oferece aos olhos outro sinal assaz fausto e divino: o Sacratíssimo Coração de Jesus com a cruz sobreposta resplandecendo entre chamas de esplêndido candor. Nele devemos colocar toda esperança; a Ele há que pedir e Dele se deve esperar a salvação”.

Tudo isto, veneráveis irmãos, não está talvez contido neste muito fausto sinal e pela forma que o emana, toda a essência da religião e especialmente a norma de uma vida mais perfeita, naquela que mais eficazmente conduz as mentes a conhecer intimamente a Jesus Cristo, e induz os corações a amá-lo mais ardentemente, e a imitá-lo mais generosamente? Ninguém estranhe, pois, que os nossos predecessores tenham sempre defendido de denegridores esta ótima forma de devoção e a tenham sumamente louvada e promovida com o máximo empenho que as circunstâncias pediam. Assim foi de certo por divina inspiração que a pia devoção dos fiéis ao Sacratíssimo Coração de Jesus tem crescido dia a dia; multiplicam-se por toda parte piedosas associações para promover o culto ao Coração Divino; e daí que se estendeu por toda parte o costume de comungar na primeira sexta feira de cada mês, conforme o desejo de Jesus Cristo.

É certo, porém, que entre todas as práticas que propriamente se referem ao Culto do Sacratíssimo Coração de Jesus, salienta-se digna e memorável a pia consagração com a qual oferecemos ao Coração Divino de Jesus nós mesmos e todas as nossas coisas, reconhecendo-as como recebidas da eterna caridade de Deus. Tendo o nosso Salvador manifestado a tanto inocente discípula de seu coração, Margarida Maria, o quanto Ele desejava, movido mais que por seu próprio direito, por sua imensa caridade para com nós, que os homens lhe rendessem esse tributo de devoção, antes de todos a Santa os ofereceu junto com o seu Padre espiritual Cláudio de la Colombière; seguiram depois a tributá-lo, no curso do tempo, indivíduos particulares, depois as famílias privadas e as associações, e finalmente as mesmas autoridades, as cidades e os reinos. Mas como no século passado, pelas maquinações dos ímpios se chegou ao ponto de desprezar o império de Cristo Senhor e a declarar publicamente guerra à Igreja, com leis e moções populares contrárias ao direito natural e divino e até com assembléias inteiras gritando “não queremos que reine sobre nós” (Lc 19, 14), justamente com essa consagração diríamos que a voz unânime de todos os devotos do Sacratíssimo Coração em forte contraste prorrompia para reivindicar a sua gloria e defender os seus direitos “é necessário que Cristo reine (I Cr 15, 25) venha a nós o Vosso reino”. A feliz conseqüência disso foi que todo o gênero humano, que por direito inato pertence a Jesus Cristo, único no qual todas as coisas são reunidas (Ef 1,10), no início deste século foi consagrado ao Coração Sacratíssimo de Jesus, por nosso predecessor de feliz memória Leão XIII, com o aclamação de todo o orbe cristão.

Tão faustos e aprazíveis exórdios, como já dissemos em nossa Encíclica «Quas Primas», Nós mesmos, devido à suma bondade de Deus, levamos ao seu completamento, quando, acendendo aos desejos e votos de numerosos bispos e fieis, ao término do Ano jubilar, instituímos a festa de Cristo Rei universal, de solene celebração em todo o orbe cristão. Com isto, não só declaramos o sumo império de Jesus Cristo sobre todas as coisas, sobre a sociedade civil e doméstica e sobre cada um, mas desde então antecipamos juntos o júbilo da visão daquele faustíssimo dia em que o mundo inteiro aceitará de bom grado e boa vontade o suavíssimo domínio de Cristo Rei. Contemporaneamente, assim ordenamos que, na ocasião da festa instituída se renove cada ano aquela mesma consagração para obter o seu mais certo e abundante fruto e estreitar no coração de Cristo – Rei dos reis e Senhor dos senhores – todos os povos, com amor cristão na comunhão da paz.

Ora, a todas estas devoções e especialmente a tão frutífera consagração, que mediante a instituição da festa de Cristo Rei foi, digamos, confirmada, convêm acrescentar outra da qual, veneráveis irmãos, nos é caro agora entreter-vos mais: o ato de expiação ou reparação, como se usa dizer, a prestar ao Coração Sacratíssimo de Jesus. Se na consagração sobressai a intenção de responder ao amor do Criador com o amor da criatura, segue-se naturalmente outro dever: o de compensar as injúrias que de algum modo foram perpetradas ao Amor incriado, quando foi ou desdenhado ou esquecido ou ultrajado através de ofensas. A esse dever comumente chamamos de reparação.

Se a um como ao outro dever nos obrigam as mesmas razões, por mais forte motivo de justiça e de amor estamos particularmente obrigados ao dever de reparar: – em justiça, para expiar as ofensas feitas a Deus por nossas culpas e restabelecer com a penitência a ordem violada; – no amor, para padecer com Cristo “paciente e saturado de opróbrios”, e, oferecer-lhe algum consolo, apesar de nossa indigência. Como somos todos pecadores, envolvidos por muitas culpas, não podemos nos limitar a honrar ao nosso Deus somente com aquele culto com que O adoramos do modo devido a Sua suprema Majestade, ou mediante a oração reconhecemos seu absoluto domínio, ou com ações de graças louvamos a sua generosidade infinita. É ademais necessário satisfazer o justíssimo vindicar de Deus Juiz “por nossos inúmeros pecados, ofensas e negligências”. À consagração, pois, com que nos oferecemos a Deus com a santidade e firmeza próprias da consagração como ensina o Angélico (II, II, q. 81, a. 8. c.), há de acrescentar a expiação com que extinguir totalmente as culpas, não seja que a santidade da divina justiça rechace a nossa imprudente indignidade, e em vez de aceitar, recuse a nossa oferenda como desagradável.

Este dever de expiação pesa sobre todo o gênero humano, pois, como sabemos pela fé cristã depois da miserável queda de Adão o ser humano, infetado de atávica culpa, sujeito às paixões e depravado no modo mais deplorável, merecera ser condenado à eterna perdição. Negam, esta verdade, os soberbos sabichões do nosso século os quais, renovando a velha heresia de Pelágio, orgulham-se de uma bondade congênita de sua humana natureza, que por sua virtude evolui cada vez maior perfeição. Mas estas falsas invenções da soberba humana são condenadas pelo Apóstolo, o qual nos admoesta que «éramos pela nossa natureza merecedores de ira» (Ef 2, 3). Em verdade, já desde o início do mundo os homens reconheceram de algum modo o débito de tal comum expiação e com um certo instinto natural se dedicaram a aplacar a divindade mesmo com sacrifícios públicos.

Nenhuma força criada, porém, era suficiente para expiar as culpas dos homens se o filho de Deus não houvesse assumido a natureza humana para redimi-lo. Assim o anunciou o mesmo Salvador dos homens pelos lábios do Salmista: “Nem vítimas nem oblação quisestes, mas me deste um corpo. Holocaustos pelo pecado não te agradaram; então disse: Eis-me aqui” (Hbr 10, 5-7). E “certamente Ele tirou nossas enfermidades e sofreu as nossas dores; e ferido foi pelas nossas iniqüidades” (Is V, 3; IV, 5); e “levou nossos pecados em seu corpo sobre o madeiro” (I Pt 2, 24); “apagando o testemunho escrito contra nós, quitando este documento e cravando-o na cruz” (Cl 2, 14), “para que, mortos ao pecado, vivamos para a justiça” (I Pt 2, 24).

Continua

5 Respostas para “I – A REPARAÇÃO QUE DEVEMOS AO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

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