Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

A REPARAÇÃO DEVIDA AO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS, IIª Parte A R…

 A REPARAÇÃO QUE DEVEMOS AO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

Getsemani

 

Admirável é a forma como os Papas falam dos dogmas e neste caso do Sinal divino que nos foi dado, do Sacratíssimo Coração de Jesus. Textos que são compêndios atualizados de nossa santa Religião, além do que representam como norma de vida pessoal e social.

Por exemplo, São Pio X que fala do dogma da Imaculada Conceição de Maria, na época crucial que vivemos…:

«Não há mais verdade, nem compaixão, nem conhecimento de Deus na terra; a blasfêmia, a falsidade, o homicídio, o furto, o adultério triunfam».

“No meio deste dilúvio de males, nos aparece diante dos olhos a Virgem clemente, como árbitra de paz entre Deus e os homens – Colocarei o meu arco-íris nas nuvens e será o sinal do pacto entre Mim e a terra. Desabe a tempestade e se obscureça o céu: ninguém desespere. À vista de Maria, Deus se aplacará e perdoará. […] Creiam os povos e confessem abertamente que Maria Virgem, desde o primeiro instante da sua concepção, foi isenta de toda mancha; com isto mesmo será necessário admitir também o pecado original, e a redenção dos homens por obra de Cristo, o Evangelho, a Igreja, e até a mesma lei da dor: assim, quanto semeou o «racionalismo» e o «materialismo» será arrancado e destruído, e permanecerá para a doutrina cristã o mérito de guardar e defender a verdade…” (Enc. Ad diem illum laetissimum, 2.2.1904). 

Tudo isto tem um sentido revelado por Deus aos homens, enquanto a «fé conciliar» é idéia humana sobre Deus, como se lê por exemplo na obra de João Paulo 2 ou de Joseph Ratzinger, cujo «sobrenatural» não existe senão na medida do homem, como aparece nas elucubrações iluministas e evolucionistas, que excluem toda manifestação divina, identificadas com a Fé no amor do Sacratíssimo Coração, lembrado por Pio XI:

“O Sacratíssimo Coração de Jesus com a cruz sobreposta resplandecendo entre chamas de esplêndido candor. Nele devemos colocar toda esperança; a Ele há que pedir e só Dele há que esperar a salvação. Tudo isto, veneráveis irmãos, não está talvez contido neste muito fausto sinal e pela forma que o emana, toda a essência da religião e especialmente a norma de uma vida mais perfeita, naquela que mais eficazmente conduz as mentes a conhecer intimamente a Jesus Cristo, e induz os corações a amá-lo mais ardentemente, e a imitá-lo mais generosamente?

Quando se pensa que esta Encíclica surgiu entre duas manifestações de Jesus à Irmã Lúcia de Fátima, isto é a do Menino Rei em Pontevedra no dia 10 de dezembro de 1925, e a da Teofania Trinitária em Tuy no 13 de junho de 1929, se entende quanto o Segredo de Fátima se dirigia a Pio XI.

Se pense: dia 11 de dezembro de 1925, dia seguinte da manifestação de Jesus como Menino Rei, foi publicada a Quas primas, a Encíclica que instituía a festa de Cristo Rei.

Eis porque se pode considerar como enorme perda para a Igreja que não se tenha ligado os dois sinais divinos – dos Sagrados Corações – para sanar as apostasias de nosso tempo.

Estes sinais foram dados justamente para… guardar e defender a verdade… para a permanência da doutrina cristã… para que… quanto semeou o «racionalismo» e o «materialismo», até dentro da Igreja fosse… arrancado e destruído, para o amor pela Verdade que permanecerá na forma dos amantíssimos Corações de Jesus e de Maria.

Entre a Fé dos Sagrados Corações e a doutrina ecumenista do Vaticano 2 há um abismo. De fato esta última se afasta “de modo impressionante” da Teologia católica perene, não menos que o Novus Ordo de Paulo 6 do santo Sacrifício da Missa da Teologia católica repetida no Concílio de Trento. Nesta Encíclica foi lembrada a Teologia do espírito de sacrifício impresso por Deus na alma dos homens para salvá-los nesta e na outra vida.

Segue a continuação da Encíclica sobre o Sacratíssimo Coração de Jesus.

Carta Encíclica Miserentissimus Redemptor do Sumo Pontífice  Pio XI (8.5.1928)

“Embora a copiosa redenção de Cristo “tenha perdoado nossos pecados” (Cl II, 13)  abundantemente, todavia, devido àquela admirável disposição da divina Sabedoria, pela qual há que completar-se em nossa corpo o que falta à paixão de Cristo em Seu corpo, que é a Igreja (Cl 1, 24), podemos, aliás, devemos acrescentar às orações e satisfações “que Cristo ofereceu a Deus em nome dos pecadores”, também as nossas orações e satisfações. Mas convêm sempre lembrar que todo o valor da expiação unicamente depende do cruento sacrifício de Cristo, o qual se renova, sem interrupção em nossos altares de modo incruento; porque, “uma mesma é a Vítima, um mesmo é agora quem A oferece mediante o ministério dos sacerdotes, o mesmo de Quem se ofereceu na cruz; somente é diferente o modo de oferecer a hóstia” (Conc. Trid., sess. XXII, c. 2). Por este motivo, ao augusto sacrifício Eucarístico deve unir-se a imolação dos ministros e dos fieis para que também se ofereçam como “Hóstias vivas, santas e agradáveis a Deus” (Rm 12, 1). Assim São Cipriano não hesita em afirmar “que o sacrifício do Senhor não se cumpre com a satisfação devida se a nossa oblação e o nosso sacrifício não corresponder à Paixão” (Ep. 63, n. 381). E por isto nos admoesta o Apóstolo “trazendo em nosso corpo a mortificação de Jesus” (II Cr 4, 10), e sepultados e plantados com Cristo, à semelhança de sua morte, não só crucificamos a nossa carne com seus vícios e paixões (Cf. Rm 6, 4-5), “fugindo do que no mundo é corrupção e concupisciência” (Cf. Gl 5, 24), para que “em nossos corpos se manifeste à vida de Jesus” (II Pt 1, 4), e feitos partícipes de seu sacerdócio eterno possamos oferecer “dons e sacrifício pelos pecados” (II Cr 4, 10). Não somente são os que participam deste sacerdócio e do ofício de oferecer satisfações e sacrifícios aqueles de quem o Pontífice Nosso Senhor Jesus Cristo se serve como ministros para oferecer a Deus uma oblação imaculada em todo lugar desde o oriente até o ocidente” (Mal 1, 11), senão toda a multidão dos cristãos, chamada com razão pelo Príncipe dos Apóstolos “Raça eleita, sacerdócio régio” (I Pt 2, 9), deve oferecer sacrifício pelos pecados por si e por todo o gênero humano, quase da mesma maneira que todo sacerdote e pontífice “tomado entre os homens e a favor dos homens em tudo o que diz respeito a Deus” (Cf. Hbr 5, 1).

Quanto mais perfeitamente esta oblação e sacrifício tiverem correspondido ao sacrifício do Senhor, ou seja tivermos imolado nosso amor próprio e nossas paixões e crucificado a nossa carne com aquela crucificação mística de que fala o Apóstolo, tantos e mais abundantes frutos de propiciação e de expiação recolheremos para nós e para os outros. De fato, um admirável vínculo estreita os fieis com Cristo, do modo como há entre a cabeça e os demais membros do corpo, e assim como a misteriosa comunhão dos Santos que pela fé católica professamos, pela qual os indivíduos e os povos não só se unem entre si, mas também com o mesmo Jesus “Cristo, que é a cabeça da qual todo corpo é composto e ligado mediante a coesão de todas as suas junturas e segundo a operação própria de cada membro recebe força para crescer de modo a edificar-se na caridade” (Ef  4, 15-16). Este foi o pedido que o Jesus Cristo, mediador entre Deus e os homens, próximo à morte fez ao Pai: “Eu neles e Tu em mim, para que sejam consumados na unidade” (Jo 17, 23).

Assim, pois, do mesmo modo como a consagração professa e confirma a união com Cristo, assim a expiação, purificando das culpas, dá início à mesma união, e com a participação nos padecimentos de Cristo a aperfeiçoa, e com a oblação dos sacrifícios a favor dos irmãos a leva ao último cumprimento. Tal foi, certamente, o desígnio da misericórdia de Jesus quando quis revelar seu Coração com os emblemas da sua paixão, aceso pelas chamas do amor, a fim de que nós, meditando, de um lado a malícia infinita do pecado e do outro admirando a infinita caridade do Redentor, detestássemos mais vivamente o pecado e mais ardentemente correspondêssemos ao Amor.

Em verdade o espírito de expiação e reparação teve sempre a primeira e principal parte no culto com que se honra o Sacratíssimo Coração de Jesus; nenhum outro é mais conforme à origem, natureza e eficácia, às virtudes próprias dessa devoção particular, como a historia e a prática confirmam, pela sagrada liturgia e pelos atos dos Sumos Pontífices. Quando Jesus Cristo se manifestou a Margarida Maria, ao mesmo tempo que insistia sobre a imensidade de Seu amor, de forma dolorida se lamentava, por tantos graves ultrajes que recebe pela ingratidão dos homens com as palavras que haveriam de estar sempre gravadas no coração das almas boas e incanceláveis nas suas memórias: “Eis aqui o Coração que tanto tem amado os homens, e os cumula de tantos benefícios, mas em troca de seu infinito amor, ao invés de encontrar gratidão, não encontra senão esquecimento, indiferença, ultraje, e tudo isto causado por vezes também da parte de almas que Lhe estão obrigadas pelo mais íntimo e especial débito de amor».

Justamente em reparação destas culpas Ele, entre outras recomendações, fez estas especialmente caras a Si: que os fiéis com tal ânimo de reparação comunguem; é o que chamamos de «Comunhão Reparadora», e durante uma hora inteira pratiquem atos e preces de reparação, que propriamente se chama «Hora Santa»; devoções estas que a Igreja não só aprovou, mas enriqueceu com copiosos favores espirituais.

Mas como se poderá dizer que Cristo reina ditosamente no Céu se pode ser consolado por estes atos de reparação? Respondemos com as palavras de Santo Agostinho, que explicam bem a questão; “Da-me um coração que ame e compreenderás o que digo” (In Ioannis evangelium, tract. 26, 4).

Toda alma verdadeiramente inflamada no amor de Deus, se considera o passado, vê e contempla Jesus Cristo sofrendo angustiado pelo homem, no meio das maiores penas “sofridas por nós homens e pela nossa salvação”, quase esmagado pela tristeza e opróbrios dos “nossos delitos” (Is. 53, 5), e curando-nos com suas chagas. Quanto mais profundamente as almas piedosas devem meditar mistério; que os pecados e os crimes dos homens, em qualquer tempo cometidos, foram a causa pela qual o Filho de Deus se entregou à morte, que ainda hoje causaria a Sua morte, com as mesmas dores e tristezas, pois de novo cada pecado renova a seu modo a paixão do Senhor: “Novamente crucificam o Filho de Deus e o expõe a vilipêndios” (Hbr 6, 6). Também por causa dos nossos pecados futuros, mas previstos, a alma de Cristo esteve triste até a morte, embora se possa crer que pode ter experimentado algum conforto, já então, pela nossa futura reparação, quando “o Anjo do céu Lhe apareceu” (Lc 22, 43) para consolar o seu Coração oprimido por imensa tristeza e angústias.

Assim, já agora podemos e devemos consolar de modo admirado mas sincero aquele Coração Sacratíssimo, continuamente ferido pelos pecados dos homens ingratos, porque – como se lê também na Sagrada Liturgia – o mesmo Cristo se queixa de ser abandonado pelos seus amigos, dizendo pela boca do Salmista: “Opróbrio despedaçou meu coração e esmoreci, esperei que alguém se condoesse de mim; mas não houve ninguém; busquei quem me consolasse e não encontrei” (Ps 68, 21).

Acrescente-se que a paixão reparadora de Cristo se renova e de certo modo continua no seu Corpo místico, que é a Igreja. Servimo-nos de novo das palavras de S. Agostinho (In Ps 86): “Cristo sofreu tudo o que precisou sofrer; nada falta na dimensão de sua Paixão. Logo os sofrimentos foram completos, mas no Chefe;  os sofrimentos de Cristo ainda faltavam ser cumpridos no corpo”. Nosso Senhor mesmo declarou isto a Saulo, ainda “inspirador de ameaças e massacres contra os discípulos” (At 9,1), quando lhe disse: “Eu sou Jesus, a quem tu persegues” (At 9, 5); significando claramente que as perseguições contra a Igreja vão gravemente ferir a sua mesma Cabeça divina. Portanto, com razão, Jesus Cristo que ainda sofre no seu Corpo místico, quer ter-nos como participantes da sua expiação; assim requer também a nossa união com ele sendo nós “o corpo de Cristo como membros unidos” (I Cr 12, 27), necessário é que o que sofre a cabeça sofra com ela os membros (Cf. I Cr 12, 26).

Quanto seja urgente, especialmente neste nosso tempo, a necessidade da expiação ou reparação, não pode ignorar quem com os olhos e a mente, como dissemos, considere este mundo “todo submetido ao poder do mal” ( I Jo 5, 19). De fato, de todo lado nos chega o brado dos povos, cujos reis ou governantes em verdade se sublevaram e juntos conspiraram contra o Senhor e a Sua Igreja (Cf. Ps 2, 2). Nessas nações nós vemos aviltados os direitos  divinos e humanos; destruídos os templos desde suas bases, os religiosos e as freiras expulsos de suas casas, presos, submetidos à fome, lacerados por infames sevícias; multidões de crianças arrancadas do colo da Mãe Igreja e induzidos a renegar e blasfemar Jesus Cristo, e encaminhados aos piores delitos da luxúria; todo o povo cristão ameaçado, oprimido e em contínuo perigo de apostasia da Fé, ou de morte atroz. Fatos tão penosos parecem, pelas tais desgraças já anunciadas, antecipar “o início das dores” que manifestará “o homem iníquo que se levanta contra tudo o que se chama  Deus, ou que é adorado” ( II Ts 2, 4).

É ainda mais triste, Veneráveis Irmãos, que entre os mesmos fieis, lavados pelo batismo no sangue do Cordeiro Imaculado e enriquecidos pela graça, encontrem-se tantos, de toda ordem ou classe que, na ignorância das coisas divinas, infetados por falsas doutrinas, vivem uma vida viciosa, afastados da casa do Pai, sem a luz da verdadeira fé, sem a alegria da esperança numa futura felicidade, privados do benefício e do conforto que deriva do ardor da caridade. De forma que deveras se pode dizer que estão imersos na escuridão e sombras da morte. Cresce entre os fiéis a negligência da disciplina eclesiástica e das herdadas tradições nas quais toda a vida cristã é fundada, regulando a sociedade doméstica, defendendo a santidade do matrimônio; a educação das crianças é inteiramente descuidada ou estragada por muitas lisonjas de mimos, e até mesmo negada à Igreja a faculdade de educar a mocidade com normas cristãs; o pudor cristão no modo de viver e de vestir é deploravelmente esquecido, mormente pelas mulheres; uma cobiça insaciável dos bens perecíveis; um desenfreado predomínio pelos interesses civis; a busca desordenada de apreço popular; o desprezo da autoridade legítima, e, finalmente, da palavra de Deus, pelo que a mesma fé é abalada ou posta em risco.

Ao acúmulo de tantos males se agregue a preguiça e a vileza dos que, fracos na fé, são como os discípulos adormentados ou fugitivos, que miseravelmente abandonam Cristo rodeado pelos sequazes de Satanás e oprimido de angústias; não menos pela deslealdade desses que, na imitação do traiçoeiro Judas, ou com sacrílega temeridade comungam ou passam para o campo inimigo. Deste modo se apresenta à mente, mesmo sem procurar, o pensamento que se acerca o tempo vaticinado por Nosso Senhor: “Pelo multiplicar da iniquidade, se resfriará a caridade de muitos” (Mt 24, 12).

Diante destas considerações, os fiéis acesos de amor volverão piamente o ânimo para Cristo sofredor e não poderão deixar de expiar as culpas próprias e de outros com o maior empenho, reparando a honra de Cristo ao almejar a eterna salvação das almas. As palavras do Apóstolo: “Onde o pecado abundou, superabundou a graça” (Rm 5, 20), de alguma maneira servem também para descrever estes nossos tempos; porque embora a perversidade dos homens cresceu sobremaneira, também cresce, por graça do Espírito Santo maravilhosamente, o número de fieis de um e outro sexo, que com ânimo decidido se esforçam para satisfazer ao Coração Divino pelas ofensas que Lhe são feitas, e com espírito decidido não hesitam em se oferecer a Cristo como vítimas.

Quem  medita com amor tudo quanto aqui dissemos e o imprime no fundo do coração, com isto deverá sem dúvida, não só detestar todo pecado como sumo mal e evitá-los, mas oferecer-se inteiro à vontade de Deus e empenhar-se para reparar a honra ofendida da Divina Majestade com oração assídua, sofrendo penitências voluntárias, e as provas mortificantes que sobrevierem com paciência; enfim, ordenando toda a sua vida com este espírito de reparação.

Assim surgiram também muitas famílias religiosas de homens  e mulheres que dia e noite, com zelo fervente se propõem seguir em algum modo o Anjo que confortou Jesus no horto; daí as pias associações, aprovadas e enriquecidas com indulgências pela Sede Apostólica que, com adequados exercícios de piedade e de virtude almejam a finalidade da reparação; para não falar das demais pias práticas, o uso freqüente de solenes desagravos, da parte não só de fiéis particulares, mas de paróquias, dioceses e cidades.

Portanto, Veneráveis Irmãos, como a devoção da consagração, depois de seu humilde início se difundiu largamente e foi com a Nossa confirmação coroada do esplendor desejado, do mesmo modo aspiramos que este ato reparador, já há algum tempo santamente introduzido e propagado, receba a firme sanção de Nossa autoridade apostólica, e torne mais solene e universal essa devoção no meio do povo cristão. Para tal fim dispomos e ordenamos que todos os anos na festa do Sacratíssimo Coração de Jesus – que nesta ocasião quisemos que fosse elevada ao grau litúrgico de primeira classe com oitava – em todos as igrejas do mundo se reze segundo a mesma fórmula que segue unida a esta Encíclica , um solene ato de reparação ao nosso amantíssimo Redentor, para reparar com esta as nossas culpas e para ressarcir os direitos violados de Cristo, Supremo Rei e Senhor amantíssimo.

Não se deve duvidar, Veneráveis Irmãos, que desta devoção, renovada santamente e estendida a Igreja inteira, nos reprometemos muitos e assinaláveis bens; tanto para os singulares indivíduos, como para a sociedade religiosa, doméstica e civil; tendo o mesmo nosso Redentor prometido a Margarida Maria que «teria enriquecido com a abundância de suas graças todos os que tivessem honrado o Seu Coração com esta devoção». Os pecadores, certamente, que «voltaram o olhar para aquele a quem transpassaram» (Jo 19,37), e  comovidos pelos lamentos de toda a Igreja, detestando as injúrias feitas ao Supremo Rei, envergonhados «tornarão a si mesmos» (Is 46, 8); a fim de que não aconteça restarem obstinados nos seus pecados que laceraram Quem vêem «vindo sobre as nuvens do céu» (Mt 26, 64) e tarde demais chorem sobre Ele em vão (Cf. Ap 1, 7).  Quanto aos justos, tornar-se-ão mais justos e mais santos (Cf. Ap 2, 11) e consagrar-se-ão com renovado ardor ao serviço do seu Rei, a quem contemplam tão menosprezado e combatido e de tantas maneiras gravemente ultrajado; crescerá sobretudo neles o zelo pela salvação das almas, ao ouvir o lamento da Vítima divina: «para que serviu o meu sangue?» (Ps 19, 10); e ao mesmo tempo provando a alegria do Sacratíssimo Coração «por cada pecador que volta à penitência» (Lc 15, 4).  Sobretudo, Nós especialmente esperamos e intensamente desejamos que a justiça de Deus, a qual por dez justos teria perdoado Sódoma, ainda mais queira ter misericórdia de toda a família humana quando serão todos os fiéis unidos com Cristo, o Mediador e Cabeça a suplicá-la. Seja propícia a estes Nossos votos e disposições a mui benigna Mãe de Deus, a qual, tendo dado a nós Jesus Redentor e o tendo alimentado e oferecido ao pé da cruz como vítima por nós, através da admirável união que teve com Ele e por privilégio singular tornou-se ela também, como se diz  piamente, Reparadora. Confiando na sua intercessão junto de Jesus que, sendo o único «Mediador entre Deus e os homens» (I Tm 2, 5), quis associar a Sua Mãe como advogada dos pecadores, dispensadora e medianeira da graça, vos damos de coração como prenda dos dons celestiais de nossa  benevolência paterna, a Vós Veneráveis Irmãos, e para todo o rebanho confiado ao vosso cuidado, a Bênção Apostólica.

Dado em Roma, em São Pedro, em 8 de maio de 1928, sétimo ano do Nosso Pontificado.

PRECATIO PIACULARIS
AD SACRATISSIMUM COR IESU

Iesu dulcissime, cuius effusa in homines caritas, tanta oblivione, negligentia, contemptione, ingratissime rependitur, en nos, ante altaria tua provoluti, tam nefariam hominum socordiam iniuriasque, quibus undique amantissimum Cor tuum afficitur, peculiari honore resarcire contendimus.

Attamen, memores tantae nos quoque indignitatis non expertes aliquando fuisse, indeque vehementissimo dolore commoti, tuam in primis misericordiam nobis imploramus, paratis, volontaria expiatione compensare flagitia non modo quae ipsi patravimus, sed etiam illorum, qui, longe a salutis via aberrantes, vel te pastorem ducemque sectari detrectant, in sua infidelitate obstinati, vel, baptismatis promissa conculcantes, suavissimum tuae legis iugum excusserunt.

Quae deploranda crimina, cum universa expiare contendimus, tum nobis singula resarcienda proponimus: vitae cultusque immodestiam atque turpitudines, tot corruptelae pedicas innocentium animis instructas, dies festos violatos, exsecranda in Te tuosque Sanctos iactata maledicta atque in tuum Vicarium ordinemque sacerdotalem convicia irrogata, ipsum denique amoris divini Sacramentum vel neglectum vel horrendis sacrilegiis profanatum, publica postremo nationum delicta, quae Ecclesiae a Te institutae iuribus magisterioque reluetantur.

Quae utinam crimina sanguine ipsi nostro eluere possemus! Interea ad violatum divinum honorem resarciendum, quam Tu olim Patri in cruce satisfactionem obtulisti quamque cotidie in altaribus renovare pergis, hanc eandem nos tibi praestamus, cum Virginis Matris, omnium Sanctorum, piorum quoque fidelium expiationibus coniunctam, ex animo spondentes, cum praeterita nostra aliorumque peccata ac tanti amoris incuriam firma fide, candidis vitae moribus, perfecta legis evangelicae, caritatis potissimum, observantia, quantum in nobis erit, gratia tua favente, nos esse compensaturos, tum iniurias tibi inferendas pro viribus prohibituros, et quam plurimos potuerimus ad tui sequelam convocaturos. Excipias quaesumus, benignissime Iesu, B. Virgine Maria Reparatrice intercedente, voluntarium huius expiationis obsequium nosque in officio tuique servitio fidissimos ad mortem usque velis, magno illo perseverantiae munere, continere, ut ad illam tandem patriam perveniamus omnes, ubi Tu cum Patre et Spiritu Sancto vivis et regnas Deus in saecula saeculorum. Amen.

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