Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

PODE TODA A HIERARQUIA DA IGREJA FALHAR?

Sao Pedro e Sao Paulo

Dom Antônio de Castro Mayer, que fez parte e foi membro ilustre da Hierarquia da Igreja Católica, sempre afirmou não ser possível que a sua Hierarquia falhe por inteiro:

A Hierarquia da Igreja é constituída do Papa e dos Bispos unidos ao Papa. Um bispo pertence à Hierarquia. Não é a Hierarquia. Em conseqüência pode haver um ou mais bispos que falhem nos seus deveres e mesmo na Fé, sem que por isso, a Hierarquia, como tal, tenha falhado… a Fé nos declara que “fora da Igreja” não há salvação. Em outras palavras, é na Igreja e pela vida na Igreja que o fiel se encaminha seguramente para sua salvação eterna. Há quem objete: E se toda a Hierarquia falhar? como parece dar-se atualmente, Respondemos, negando a possibilidade do fato. Como Jesus Cristo que instituiu a Hierarquia, como classe dirigente, para ensinar ao Mundo (Mt 28, 19, 20; Mc 16, 15, 16), a Hierarquia toda, como tal, não pode falhar. Sua falência seria a do próprio Jesus Cristo, coisa impensável. De maneira que, em qualquer época da História, tem o fiel meios de atingir o ensino autêntico da Hierarquia Sagrada, e dessa maneira, de não vir a falhar na sua Fé. Mesmo hoje – para ficar na época contemplada pela objeção – há, por toda parte na Hierarquia, sólidos movimentos de integridade doutrinária, bastante para manter intacta na Igreja a Revelação da Fé Apostólica, transmitida pela Tradição (Monitor Campista, 3.3.85).

Resta claro, porém, que, embora o Bispo aqui responda em termos gerais à questão principal, não resolve o crucial problema, nem daquele seu tempo, nem do presente.

De fato, ele mesmo foi participar enganado da consagração de quatro bispos em Ecône com Mgr Marcel Lefebvre. Enganado porque, embora convencido da necessidade de tais consagrações, demonstrou que em consciência precisava declarar a razão para o ato que não dispunha do mandato apostólico: a falta da autoridade papal na continuação da hierarquia católica, pois ali se assumia a existência de papa e de hierarquia conciliar.

Sabe-se que ele testemunhou no local, para quem queria ouvir, posição que depois, em Campos, tive modo de confirmar: que o principal testemunho era da falta de um papa.

Mas a questão, da falta de autoridade papal e jurisdição na Igreja, foi ignorada naquela ocasião, embora Mgr Lefebvre houvesse escrito aos Padres a consagrar a razão do ato acusado de rebelde e cismático: a presença de anticristos no Vaticano!

A carta foi publicada, mas deixava indefinida a verdadeira questão do papa. E do mesmo modo responder que diante da objeção que toda a hierarquia da Igreja falhou: “em qualquer época da História e… mesmo hoje, tem o fiel meios de atingir o ensino autêntico da Hierarquia Sagrada, e dessa maneira, de não vir a falhar na sua Fé”, e que “há, por toda parte na Hierarquia, sólidos movimentos de integridade doutrinária, bastante para manter intacta na Igreja a Revelação da Fé Apostólica, transmitida pela Tradição”. Assim se evitava falar de pessoas concretas e do cargo papal.

Movimentos de integridade doutrinária na Hierarquia?

Dom Mayer queria preservar a questão de Fé da permanência em todos os tempos da Hierarquia católica, mas como exemplo só podia escrever sobre o que acontecia e se «movimentava» em torno a si mesmo ou em modo paralelo algures.

D Antonio de Castro Mayer

Há que lembrar que no ano antes concedera uma entrevista sob o título «A Igreja de João Paulo II não é a Igreja de Cristo». Isto, passado um ano do “manifesto episcopal” que os dois bispos, ele com Mgr Lefebvre, dirigiram a Roma e ao mundo católico, em que denunciando o neo-ecumenismo que afasta da doutrina tradicional, punha a questão: pode subsistir essa Igreja conciliar na Igreja católica, que há séculos ensina como dogma de fé ser a única Esposa de Cristo e, portanto, a única Arca de Salvação?

Além disso, havia a questão de localizar a origem de tanto engano e saber até que ponto o responsável supremo da Hierarquia podia eximir-se de responder a estas gravíssimas questões, enquanto, na prática, acelerava o processo ecumenista. Assim na entrevista sob o título «A Igreja de João Paulo II não é a Igreja de Cristo», Dom Mayer responde:

Na raiz de todo esse mal está o falso ecumenismo instalado com o Vaticano II. Este apresenta-se mais como uma práxis que como uma doutrina. A doutrina encontra-se na declaração Dignitatis Humanae, com a qual o Concílio quis sancionar como direito natural do homem a liberdade religiosa, entendida como liberdade de religião. Para a doutrina católica esse direito seria uma aberração lógica, se antes não fosse uma blasfêmia, como foi dito no Manifesto Episcopal. De fato, é impensável que a Igreja, cuja voz é a mesma voz de Deus, possa afirmar o direito do homem de escolher entre as mais variadas concepções humanas de Deus, contra a verdade única que Deus mesmo revelou de Si. A doutrina, portanto, contida nessa declaração conciliar é herética. O Vaticano II, declarando direito natural do homem seguir a religião ditada pela própria consciência, ou não seguir nenhuma, proclama o direito ao erro. Ora, o erro não pode ser o fundamento de direito algum. O erro é contra a natureza humana feita para a verdade. Como pode ele reivindicar conformidade com essa natureza? Acresce que nessa matéria há uma lei divina que importa na obrigação por parte do homem de professar a religião católica. Como poderia a Igreja conceder direito contra essa vontade soberana? Pior ainda: como poderia dizer que esse direito contra a vontade divina é um direito natural? Fundado, pois, na própria natureza humana? Só admitindo que o homem está acima de Deus! Ora, isso é pior que heresia: é uma aberrante apostasia! Portanto, o Concílio Vaticano II proclamou uma heresia objetiva. Os que seguem e aplicam essa doutrina têm demonstrado uma pertinácia que normalmente caracteriza uma heresia formal. Ainda não os acusamos categoricamente dessa pertinácia para dirimir a mínima possibilidade de ignorância sobre questões tão graves. De qualquer modo, mesmo que essa pertinácia não se manifestasse na forma de uma efetiva ofensa à fé, manifesta-se claramente na omissão em defendê-la.

A Igreja que adere formal e totalmente ao Vaticano II com suas heresias não é nem pode ser a Igreja de Jesus Cristo. Para pertencer à Igreja católica, à Igreja de Jesus Cristo, é preciso ter fé, ou seja, não pôr em dúvida ou negar um artigo sequer da Revelação. Ora, a Igreja do Vaticano II aceita doutrinas que são heréticas, como vimos. Pode-se admitir, porém, a possibilidade de que haja fiéis em boa fé que não sabem ter o Vaticano II aderido à heresia. Mas, bispos? É difícil admiti-lo, mesmo não a excluindo como possibilidade absoluta.

Quanto à possibilidade de que um papa governe a Igreja rejeitando o que ela definiu, a história registra o caso do papa Honório I, condenado postumamente pelo III Concílio Ecumênico de Constantinopla e pelo papa São Leão II, por ter “… permitido com uma traição sacrílega que fosse manchada a fé imaculada.” (DZ 563)

É certo, porém, que a Igreja católica é a única Esposa de Cristo. Não há outras. Apresentá-la como “uma entre outras” é equiparar a verdade ao erro, o que é a essência de toda heresia. Uma Igreja engajada irreversivelmente nesse ecumenismo pós-conciliar não é a Igreja de Cristo, Igreja Católica Apostólica Romana.

Os católicos, para conservarem-se fiéis aos ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo, devem estar alertas e vigilantes para não se deixarem levar por essa falsa igreja.” (Entrevista concedida ao Jornal da Tarde de São Paulo, dia 6/11/1984.)

Há que lembrar também que nesse ano mesmo escrevia com Mgr Lefebvre uma carta a João Paulo II, com cópia para todos os membros do Sínodo em Roma no ano 1985, para dizer que se continuassem nas heresias conciliares, tinha-se o direito de considerá-los como não sendo mais católicos. Eles todos ali «representavam» a «Hierarquia católica»?

A certeza da Hierarquia na Igreja Católica

Para falar de «hierarquia» em geral e de sua presença em toda ordem de vida e na sociedade natural do homem, há que considerá-la como categoria do pensamento lógico, como para a quantidade ou qualidade coloca a escala de menos para mais e de pior para melhor. Para apreender não ocorre a submissão da mente à verdade do que já existe e a precede, do aluno ao professor? Quanto ao conhecimento, não é talvez verdade que há uma hierarquia nos assuntos tratados; entre quem sabe e ensina e quem ignora e aprende?

Não é também dai que vem a hierarquia da autoridade, que é suprema em Religião?

Como procuramos conhecer uma resposta para a pergunta sobre a Hierarquia da Igreja de Deus, que se tornou tão crucial para os católicos nos nossos dias, vamos então seguir a mesma ordem do modo de conhecer, válido em qualquer tempo e para todos.

Há o modo de conhecer pela observação dos fatos lógicos ou sensíveis, das causas aos efeitos, que pode ser descrito com leis. Este modo já em si pode ser enquadrado por outro, por uma filosofia da ciência, portanto por um conhecimento filosófico, que se estende a toda especulação, também teórica e abstrata, até o conhecimento do seu limite.

Aqui se passa a um conhecimento teológico sobre o ser e a existência de Deus.

Há, porém, ainda uma forma de conhecimento, dada pelo Criador, da qual todo homem dispõe para aproximar e «confirmar» os outros conhecimentos; é o «senso comum».

Com estas noções voltamos para a pergunta inicial sobre o conhecimento concernente a hierarquia na Igreja católica. Este reconhecimento deve passar pela ciência, filosofia e teologia de todos os Papas e doutores da Igreja em vinte séculos de sua vida, mas nunca privadas do senso comum católico, aplicado às mais diversas vicissitudes da história.

Neste sentido, pode-se lembrar as suspeitas históricas referentes à legitimidade de papas e hierarcas em tempo de grandes cismas e heresias; questões que devem ter sempre presente a sua forma hierárquica sem par, porque tem por ápice a autoridade divina de Deus mesmo, representado pelo Papa, que é o Vigário de Jesus Cristo.

E o termo «Hierarquia» vai designar os membros unidos ao Chefe com autoridade na Igreja, encarnando essa representação de modo visível para reconhecimento e bem dos fiéis. Esta Hierarquia encarna, por assim dizer, de modo superlativo, a essência da Igreja: a dependência de toda razão e cargo eclesiástico, de toda hierarquia em relação a Deus; este fato indo além dos homens e dos tempos é intrínseco à Igreja, como a sua divindade, e ordem perfeita. A representação hierárquica é para a Igreja de Deus e não o contrário.

Em tal visão o senso comum não pode ser substituído por nenhuma tese ou hipótese teologal, deve firmar-se sobre as razões da Fé, sob as quais estas idéias devem pousar.

À esta luz, então, se a «hierarquia humana» pode falhar por inteiro, causando suspensão interina de sua manifestação visível, não é assim para a sua razão de ser, isto é, como no texto citado de Dom Mayer, de permanecer com os seus meios para a salvação.

Trata-se do Magistério contínuo, que liga o fiel diretamente às palavras de Jesus Cristo: este procede dos Supremos Pontífices de todos os tempos, que constituem, como o próprio nome indica, ponte com o verdadeiro Senhor da Igreja, que é Deus.

Deus é “cabeça de Cristo (I Cr 11, 3), que diz: “Não busco a minha vontade, mas a vontade do Pai que me enviou (Jo 5, 30). “A Encarnação comporta, pois, em certo sentido, hierarquia”… “Se a causa suprema da Santa Igreja é Deus, por seu Cristo, a causa segunda é a sagrada hierarquia… A hierarquia é como o invólucro visível da invisível virtude de Cristo. A graça nos chega sobretudo através dos sacramentos ministrados pelo poder de ordem , e frutifica ao cêntuplo, quando orientada pelo poder de jurisdição. Donde a nossa fé não se deve deter no lado humano da hierarquia, mas ver nela o veículo das maravilhas do sobrenatural. Pela hierarquia a Igreja vem de Cristo; por ela ainda o Espírito Santo derrama no Corpo Místico a caridade.

A bem dizer, o poder de ordem, não é causa, senão puro instrumento da ação de Cristo… enquanto o poder de jurisdição comporta verdadeira iniciativa… é verdadeira causa, porém causa segunda, atualmente subordinada ao influxo de Cristo que assiste a sua Esposa. De sorte que, apesar desses intermediários humanos, a Igreja ainda é o Corpo de Cristo.” (P. Dr. M. Teixeira-Leite Penido, «O Mistério da Igreja», MDI, Vozes, 1956, p. 260, p. 263)

Este douto autor lembra que o poder da Igreja é ordenado ao culto e deriva do Sacrifício divino; que a Igreja é essencialmente litúrgica. Que o Sacrifício perpétuo seja o poder verdadeiro da Igreja, a «Fortaleza da Fé», já está na Profecia de Daniel evocada por Nosso Senhor Jesus Cristo como sinal da catástrofe do fim dos tempos, quando será suspenso. (Mt 24, 15; Dn, 9, 27; 11, 32, 12, 11). É verdade evangélica, questão de Fé.

Do mesmo modo que o Santo Sacrifício, o poder de jurisdição permanece na Igreja porque esta tem por razão suprema o Sacrifício redentor de Cristo, do qual procede seu poder, através de quem O representa – o Seu Vigário no mundo humano: o Sumo Pontífice, sucessor de Pedro. O homem morre e pode falhar em tudo, menos na Fé, porque Jesus rezou ao Pai para isso (Lc 22, 32). O Papado resta incólume. Já vimos esta questão ser discutida, mas deixando de lado o essencial, isto é do «desfalecimento pertinaz na fé» e por conseqüência o que a Lei da Igreja prevê neste caso para a sucessão de São Pedro.

Lembremo-nos, porém, outro ponto essencial: a palavra «sucessor» aqui não significa suceder ao papa precedente; este não transmite o poder papal, que é somente vigário.

O que há, então, é uma sucessão no Papado; não da pessoa, mas do cargo instituído por Deus para a continuação na confirmação da Fé; cada papa recebe esse poder de Deus.

Do mesmo modo cada sacerdote celebrante não sucede, mas renova o Santo Sacrifício.

Por esta razão toda lei de sucessão papal respeita a autonomia dos cardeais tanto para eleger como para ser eleito. São suspensos os juízos eclesiásticos. Mesmo inimigos pessoais do papa que estava no poder têm condições legais para eleger e serem eleitos.

Isto porque o poder papal procede sempre, imediatamente de Jesus Cristo.

Neste sentido a Igreja toda, representada através do Colégio Cardinalício, apresenta a Deus o seu escolhido, que deveria ser do ponto de vista ideal, por qualidades pessoais na fé e na liderança, para ser aprovado divinamente.

Como esta aprovação sobrenatural não é visível, a Igreja considera que uma vez que o seu membro escolhido por esse Colégio, que deveria ser do ponto de vista ideal de escol, aceita a missão, neste mesmo momento assume o poder papal (C.I.C., Can. 109)…

in supremu pontificatu, ipsomet iure divino, adimpleta conditione legitimae electionis eiudemque acceptationis: in reliquis gradibus iurisdictioni, canonica missione».

Este fato não pode ser absoluto porque as legítimas condições internas dependeram do falível juízo humano; até os homens mais sábios podem enganar-se. Será o tempo e a obra do eleito a confirmar o fato, se, porém, for apurado que o eleito entendia mudar a Igreja segundo sua heresia anterior, a eleição foi nula, qualquer que seja o tempo em que se acreditava na sua validade (Cf. Bula Cum ex apostolatus do Papa Paulo IV).

Agora, dirão, pode um leigo não teólogo vir falar disto e ainda acrescentar, como faço aqui, que a eleição de um papa é, em teoria, mais fácil que a consagração de um bispo?

Se segue o que a Igreja ensina todo católico deveria saber que, sempre em teoria, o candidato a papa é apresentado a Deus para ser aprovado, por todos os fiéis; com o consenso da Igreja toda. Por convenção o Papa é o bispo de Roma e deveria ser eleito pelo Clero desta cidade: não é fato evangélico, mas eclesiástico que tanto foi respeitado no tempo, que os cardeais a posteriori assumem a titularidade das paróquias romanas. Mas isto se tornou cada vez mais uma formalidade tradicional.

Assim também seria para os bispos, mas estes dependem da jurisdição pontifical.

Aqui interessa lembrar que a eleição para o cargo de suma jurisdição na Igreja, é de Direito divino pelo qual qualquer católico lúcido e fiel pode ser eleito papa: é papa potencial, materialiter. Trata-se da lei da Igreja. Então se pode dizer que a eleição do papa é mais fácil que a consagração de um bispo, se houver consenso da Igreja. É aqui que se invertem as «dificuldades», mas só devido a condições materiais e humanas.

Como reconhecer uma falsa hierarquia apresentada em nome da Igreja?

O Catecismo do Concílio de Trento distingue a verdadeira Igreja da falsa:
“Só a Igreja[…] tem o culto do Sacrifício legítimo o uso benéfico dos Sacramentos[…] pelos quais Deus nos comunica a sua santidade[…] E como só Ela é governada pelo Espírito Santo, é também a única infalível na Fé ena Moral.

“Ao contrário, todas as outras que usurpam o nome da Igreja são guiadas pelo espírito do diabo, e que caem inevitavelmente nos erros mais fatais da doutrina e de moral.

De que lado está, assim, a “igreja”Conciliar? Conservou o culto do Santo Sacrifício, ou inventou uma missa nova”, mudando a essência e o uso dos sacramentos? Como pode ser infalível se, em ruptura com a Fé dos Apóstolos, ensina que é possível ser salvo sem confessar Nosso Senhor JesusCristo e sem a observância de seus mandamentos?

A conclusão segue o ensino da Igreja e a regra da lógica:

A Igreja jamais ensinou e jamais ensinará o erro em matéria de Fé e de Moral;

A Igreja do Vaticano 2 ensina erros em matéria de Fé e de Moral;

Conclusão: Esta Igreja conciliar do Vaticano 2 não é a Igreja católica.

Que outra razão pode haver para invocar estes Bispos, mas evitar que se repita o que ensinaram e declararam publicamente, como membros da Hierarquia da Igreja?

Ora, no seu seminário e onde tem influência a «Administração Apostólica» de Campos, que escolheu ser parte dessa falsa Igreja conciliar, não se pode falar de Dom Antônio de Castro Mayer. “Sim, ele foi um bispo muito zeloso, mas no final da vida cometeu erros e exageros”. Esta é também a política da FSSPX quanto a Mgr Marcel Lefebvre.

De qualquer modo, devido a outro membro da Hierarquia, o Arcebispo Pierre Martin Ngô Dinh Thuc, tivemos a declaração que a Sede da verdadeira Igreja está vacante.

Como será que estes bispos anciãos, prestes a serem julgados por Nosso Senhor, pelo que testemunharam pela Fé e pelo Sacrifício na Igreja de Cristo, sentiram a necessidade de prestá-lo, enfrentando todo risco de desprezo e isolamento em tarda idade?

Este testemunho, justamente no fim da vida, não deve ter um valor especial?

Dom Mayer não aludia à continuação dessa Hierarquia, perseguida (?), quando dizia:

Em qualquer época da História, tem o fiel meios de atingir o ensino autêntico da Hierarquia Sagrada, e dessa maneira, de não vir a falhar na sua Fé. Mesmo hoje – para ficar na época contemplada pela objeção – há, por toda parte na Hierarquia, sólidos movimentos de integridade doutrinária, bastante para manter intacta na Igreja a Revelação da Fé Apostólica, transmitida pela Tradição.”

Trata-se de honrar com todas as nossas forças a Fé da verdadeira Hierarquia de Jesus Cristo Nosso Senhor e Salvador. Esta restará imutável até o fim, apesar dos homens.

4 Respostas para “PODE TODA A HIERARQUIA DA IGREJA FALHAR?

  1. Bacci julho 1, 2012 às 5:59 am

    Falando em falha, atualmente com a “solução” hermenêutica e o estabelecimento da tradição como critério de interpretação do Concílio (como a regra remota pode ser critério, para se avaliar e interpretar uma produção da regra próxima da fé, “è un mystère digne de la nouvelle théologie”), estipuladas por Bento XVI, para uma “reta” compreensão do Concílio, ainda é possível sustentar que o Concílio realizou aquilo, pelo que foi convocado? Isto é, que tornou a doutrina católica, mais acessível ao homem moderno?

    A boa lógica, a princípio diz que: se é preciso destas duas coisas, para compreender a doutrina católica como exposta pelo Concílio, então, ele não produziu o efeito, pelo qual foi convocado. Desta maneira, como explicar esta falha no plano teológico? Quais seriam as suas consequências? E uma vez exposto este problema, é possível que nos digam: – Não, o Concílio continua o mesmo para o homem moderno, a hermenêutica da continuidade e a tradição como critério para sua interpretação, são critérios apenas para o homem católico… Como explicar toda esta confusão?

    • Pro julho 1, 2012 às 8:43 am

      Não há dúvida que numa questão dessa dimensão falar de falha pode ser muito redutivo.
      Para aqueles que, como nós seguem as evidências dos textos e dos atos dessa hierarquia do Vaticano 2 para assinalar nestes um projeto de plena «atualização» (aggiornamento) doutrinal, a palavra não é falha, mas sucesso! De fato, para os que tinham em mente introduzir na Igreja a «nova teologia» e o modernismo iluminista e ecumenista, não falharam senão em relação à Fé!
      Isto é, no que conta para a missão da Igreja Católica e salvação dos homens; sem sentido para uma religião ecumenista na qual esta vem com a sinceridade e a boa vontade, que dispensa a verdade única. Todavia, quem usa as vestes da hierarquia tradicional sente-se obrigado a dar explicações segundo a Tradição. É o esforço de Bento 16 com a sua “solução”: a hermenêutica da «continuidade» verbal no “estabelecimento da tradição oral como critério de interpretação do Concílio (como a regra remota pode ser critério, para se avaliar e interpretar uma produção da regra próxima da fé, “è un mystère digne de la nouvelle théologie”)… não mais este interpretado à luz da Tradição, mas esta à “reta” compreensão do Concílio.
      O mistério se deslinda na constatação da inversão estipulada pelos «papas conciliares».
      Então agora podemos avaliar a «dimensão da falha»: total, porque é impossível sustentar que o «Concílio» não realizou aquilo, pelo que foi convocado. Isto é, tornar a doutrina católica em algo acessível ao iluminismo e ecumenismo do homem modernista. Foi a declarada abertura ao mundo que não falhou, mas na sua pertinaz continuidade de mais de meio século, vai arruinando o mundo, demolindo a Igreja e a Cristandade, perdendo multidões de almas.
      Eis as suas conseqüências. «Pelos frutos o reconhecemos», seguindo a hermenêutica da continuidade da tradição como critério para a sua interpretação às avessas, vemos só os últimos critérios para que seja o homem católico a falhar… Sim, porque toda esta confusão só se pode explicar à luz da Fé; se é aquela infundida por Deus nas almas, pouco há que interpretar. Mas se é algo elucubrado pela iluminação humana, toda a interpretação é vã porque cada um tem o seu «livre exame» para uma acessível perdição.

  2. Bacci julho 1, 2012 às 5:14 pm

    Compreendo. Os protestantes falam em “Ecclesia semper reformanda” e os novos teólogos, se aprofundaram tanto no protestantismo, que transformaram o lema protestante em “Ecclesia semper aggiornanda”, eles perderam de vista o Lógus, não podem mais compreender a realidade, pois o que é verdade para eles agora, no minuto seguinte, poderá não ser. Assim, não se pode dizer que tiveram sucesso em sua empreitada, pois uma plena atualização, a Microsoft conseguiu na passagem do Office 2003, para o 2007, que é algo estável (um fim atingido). O que aconteceu no Concílio foi bem pior, eles colocaram a Igreja em um divenire perpétuo (como em um transe ou a bela adormecida, tema recente de um livro italiano), eles abriram a caixinha de Pandora. Isto é de fato o que queriam, pois se “não se deve nunca confundir o erro e o errante”, como pode se ler na Pacem in terris de João XIII, então, hereges não existem mais, ninguém pode ir para o inferno e mesmo Nosso Senhor, não poderia ter dito a Maria Madalena, “vá e não peques mais”. Se por um lado os sacramentos de nossa fé, imprimem caráter, por outro, o pecado e a heresia também o imprimem, e isto foi negado pelo Concílio, através da afirmação de que o homem possuí uma dignidade a priori (eles converteram o “bom selvagem” de JJ Rousseau, no bom “filho de Deus” de Pelágio).

    No entanto a questão é, nós sabemos que este era o desejo deles, mas a grande maioria dos católicos, pensam exatamente que, o Concílio foi convocado para tornar a doutrina mais acessível ao homem moderno, e conseguiu realmente atingir este fim (me parece que esta questão sequer foi colocada para eles). Assim, se demonstramos que o Concílio não atingiu a finalidade apregoada, tornamos os problemas do Concílio “mais acessíveis ao homem moderno” e colocamos as “autoridades” conciliares em maus lençóis, pois terão que explicar a eles, e acabaram tornando as coisas claras para eles, Qualquer homem, por mais incapaz que seja, pode compreender que, as duas coisas citadas no primeiro post, não tornam a doutrina católica acessível, mas fazem o contrário…

    • Pro Roma Mariana julho 1, 2012 às 8:12 pm

      Por definição a Igreja nasce do Sacrifício de Jesus Cristo e se constitui na Doutrina confirmada pelo Espírito Santo. Só pode reformar o que o pensamento humano exprimiu mal ou de modo incompleto. Mas para voltar ao Magistério divino, que deriva do Logos eterno. Os protestantes quiseram reformar esta noção mesmo, como os novos teólogos quiseram operar um «divenire» religiosa desde dentro da Igreja; na sofisticação teologal, por vezes como ficção científico-literária tipo Teilhard, por vezes como ideologia filosófica tipo Rahner e depois Ratzinger.
      São todos erros já condenados, mas nessa feita «reformados» na linguagem de aparência mais «católica», embora igualmente alheia à realidade. Ora, nisto vai a realidade da mesma Igreja. Por isto bons autores não precisaram de muita ciência para enquadram a «igreja conciliar» como uma «outra», a neo-igreja dos papas conciliares» não pode ser a Igreja eterna de Jesus Cristo.
      Não haveria que falar de bela adormecida, como aqui já apontamos, porque dormentes estavam muitos católicos, que confundiram a Igreja com um espúrio papado empossado para drogá-La. E conseguiram, não só desde a «Pacem in terris» de João 23, mas dos seus sucessores, que não o são segundo a Palavra de Nosso Senhor, mas das ideias da «nova classe clerical e papal» de modernistas. São eles que o dizem e põem em prática com heresias apenas diferenciadas na aparência externa, mas de mesmo conteúdo iluminista para o reformismo ecumenista.
      Não é isto que revelam como finalidade apregoada? Então foi realizada e só há que acrescentar que a realização redundou numa «outra igreja». Sim, as “autoridades” conciliares estão em maus lençóis, pois terão que explicar esta contradição fatal, não à drogada Igreja desmilitante, mas a Deus. No fundo toda Teologia séria procura ver os problemas à esta luz …

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