Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

MAGISTÉRIO ORGÂNICO DA IMACULADA ESPOSA DE CRISTO

Arai Daniele

Quando meditamos e escrevemos sobre os Sagrados Corações, temos sempre presente a idéia do sagrado Sangue do Verbo de Deus que circula para alimentar a vida do Corpo Místico de Jesus Cristo, na Igreja nossa Mãe.

Agora recebemos de nosso amigo Arnaldo Vidigal Xavier da Silveira o seu apreciável escrito sobre o Magistério orgânico, cuja descrição, tratando de questões em que a verdade sobrenatural se propõe na sua harmonia natural, segue linha semelhante.

Foi, pois, agradável ler a essa luz aquilo que nosso douto Autor sentiu o desejo de explicar na IIª parte do seu labor (7) – Teologia dogmática ou poesia devota?

Sim, porque ao que foi dito sobre o caráter orgânico do Magistério ordinário, pareceria caber uma objeção de fundo se: “tal concepção mistura teologia com poesia.

“Uma coisa, diria alguém, é a Sagrada Teologia, científica, pura e fria, exposta nos tratados de dogmática, moral, etc., e outra coisa é a beleza contida no depósito revelado, que pode ser expressa na oratória, na poesia, na música, etc., para edificação dos fieis… O que defendemos, é que essas «outras coisas que Jesus fez», que não cabem nos livros, como também as que estão registradas por escrito, contêm um sem-número de verdades que os manuais não esgotam, e que devem ser ensinadas pela Igreja, como sempre o foram. É a Tradição. É o caráter “orgânico”, e não mecânico ou livresco, do objeto da Sagrada Teologia, e portanto dela própria. Recorde-se uma vez mais o texto em que, dirigindo-se expressamente tanto ao fiel comum como ao filósofo e ao teólogo, Pio XII ensina que a explicitação da verdade revelada se faz «e forma tão ordenada e orgânica como vemos estar constituída a própria natureza da qual se extrai a verdade»”…

De fato, é próprio ao Evangelho a linguagem de sinais e símbolos espirituais em termos singelos e naturais. E assim foi em todas as épocas e lugares para guiar os homens pelos labirintos da vida com sinais sobrenaturais. A Sagrada Escritura é a história destes sinais dados a todos, aos judeus como aos ninivitas, aos reis como aos escravos, numa seqüência secular que, de monte em monte e de profeta em profeta, conduziu até o sinal supremo: o Verbo Encarnado. O sinal de Belém foi visto pelos sábios reis de países remotos como pelos pastores simplórios das cercanias. Os sinais do Céu são dados para serem entendidos e guiar todo homem de boa vontade. Se antes do Advento serviram para anunciar o Salvador, depois continuaram para confirmá-Lo nos séculos. Para este testemunho perene Jesus Cristo instituiu Sua Igreja, a fim de que os falsos sinais dos profetas do mundo não prevalecessem. Deter-se, pois, a perscrutar os sinais impressos na nossa natureza não é passatempo ocioso nem curiosidade gratuita, mas cuidado inalienável para a vida espiritual e social; é vigilância orgânica sobre o que pode ameaçar nosso tempo terreno, momento em que fica decidido nosso destino eterno.

“Sabeis distinguir o aspecto do céu e não reconheceis os sinais dos tempos?” (Mt. 16,4)

A sabedoria do Evangelho demonstra que nada é mais universal e perene para os ouvidos humanos que a parábola que descreve o Céu falando de campos e de flores, de frutos e de pão. O pastor, a ovelha, os porcos, o figo, o barro, a videira, o rico e o pobre, e tudo o mais que o homem continua a ver por aí, na repetição feérica de natureza e comunidade, de colheitas e de tempestades; é a linguagem de sempre… sinais usados por Jesus para ensinar a sublime Verdade. (Cf. Permanência, maio de 1975).

Passo ao tema para o qual o ilustre Autor teve a gentileza de pedir minhas observações.

Inicio observando algo na sua explicação da etimologia da palavra “orgânico” (6), noção do órgão vivo, por oposição ao maquinal, morto, mas também ao inerte e cego; acrescentaria à sua explicação a noção essencial da finalidade; da causa final do órgão.

Se há hoje uma parte da Filosofia sistematicamente ofuscada é a «teleologia»: sobre a finalidade; no caso do órgão à função. E a função do Magistério da Igreja é fornecer a palavra salutar que atinge dos mananciais da doutrina revelada por Jesus.

Este nos veio dos Apóstolos, e passou até hoje, pelo influxo da graça, de modo vivo e orgânico porque transcende o homem: é finalizada à sua santificação e salvação.

Quando contestamos o «magistério conciliar», apontamos para a alienação radical desse fim; o seu novo «fim» passou a ser «sociológico»: a paz e o bem neste mundo.

Como «órgão analogado», assim a comparação analógica de nosso Autor, também pode indicar a função biológica invertida, isto é, da vida da alma que passa a ser para o corpo, tanto pessoal como social, e não o contrário; é a “corrupção” do fim «orgânico» do homem, cujo corpo é moldado por Deus para a alma espiritual, que tem por fim aspirar a Verdade revelada na relação trinitária, física e mental de tudo e de todos.

E aqui coube bem a comparação de Pio XII entre povo e massa, pois se intui logo o que diferencia o povo cristão, da Fé trinitária, que vive e age numa vida terrena em vista da eterna, fim estranho à massa, incluindo aquela embasbacada pelo palavrório conciliar.

O Magistério ordinário da Igreja católica é “orgânico” enquanto tem por coração a Fé, da qual parte a circulação do que dá sentido à vida, desde o senso moral a toda virtude. Qualquer discurso sobre moral social alheio à primazia e razões da Fé é anti-magistério.

Pelos suas prioridades, na sociedade e no mesmo âmbito clerical, o reconheceremos.

Num artigo anterior dissemos que a hierarquia da Igreja lhe é intrínseca, tanto na sua natural constituição como no seu magistério, porque ordenada ao mais alto: à Fé.

Nesse trabalho a noção do caráter orgânico do pensamento católico é lembrada citando o Magistério da Igreja na Encíclica Humani generis, de Pio XII (12.8.1950), que nos é grato repetir:

“Qualquer verdade que a mente humana, procurando com retidão, descobre, não pode estar em contradição com outra verdade já alcançada, pois Deus, verdade suprema, criou e rege a humana inteligência, de tal modo que não opõe cada dia novas verdades às já adquiridas, mas, apartados os erros que porventura se tiverem introduzido, edifica a verdade sobre a verdade, de forma tão ordenada e orgânica como vemos estar constituída a própria natureza da qual se extrai a verdade. Por esse motivo o cristão, seja filósofo, seja teólogo, não abraça apressada e levianamente qualquer novidade que no decurso do tempo se proponha, mas deve sopesá-la com suma diligência e submetê-la a justo exame a fim de que não venha perder a verdade já adquirida ou a corrompa, com grave perigo e detrimento da mesma fé”.

O texto afirma tanto o caráter orgânico, como «hierárquico» da doutrina católica, de modo que se a «ordem da verdade» é des-organicamente alterada não há mau magistério, mas anti-magistério; circulação que não oxigena, mas envenena com escórias venosas… ou contamina com vírus mortais.

Nosso Autor já falara do magistério direto por atos e atitudes, que na transmissão da verdade revelada pode ser mais pleno e eficiente do outro da palavra escrita ou falada.

A vida conhecida de Jesus é já toda ela supremo magistério não escrito; assim também a Tradição apostólica, nos seus atos e atitudes, demonstra sua natureza viva e orgânica. Esta fundamenta todo ensino e modela mentalidades; é a reta «filosofia dos sentidos».

Assim nosso Autor expõe o Magistério ordinário da Igreja como naturalmente orgânico. E um «magistério» cujo objeto primeiro e último não fosse a Verdade subsistente, que vai além das palavras humanas, porque derivado do que as precede – o Verbo criador -, não é o Magistério, cuja natureza é em seguida descrito segundo os Papas e Santo Tomás que, citando São Paulo diz que a “lei do Espírito de vida” (Rm 8, 2) “não deveria ser escrita com tinta, mas pelo Espírito de Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas nas tábuas de carne do coração do homem” (2 Cr 3, 3).

“Tal intelecção se nutre de atos, gestos, atitudes, silêncios, símbolos, imagens, pelas artes”… e pela Sagrada Liturgia… “esses caminhos podem muitas vezes levar melhor à intelecção dos imponderáveis, do sublime, do transcendente”.

De fato, o Magistério da Tradição oral precede o da Escritura como a palavra falada a escrita… “para uma mentalidade verdadeiramente católica, o sensus fidelium, o sentir com a Igreja de Santo Inácio de Loyola, mais valem que a erudição na ciência teológica. Que Deus quer salvar o homem pelo homem, mandando suas ancilas convocarem os soldados, é verdade essa essencial para bem entender o Magistério ordinário e o âmago de sua conceituação”.

Também para o normal modo humano de conhecer… escrevemos (veja artigo): «Há o modo de conhecer pela observação dos fatos lógicos ou sensíveis, das causas aos efeitos, que pode ser descrito com leis. Este modo já em si pode ser enquadrado por outro, por uma filosofia da ciência, portanto por um conhecimento filosófico, que se estende a toda especulação, também teórica e abstrata, até o conhecimento do seu limite. Aqui se passa a um conhecimento teológico sobre o ser e a existência de Deus. Há, porém, ainda uma forma de conhecimento, dada pelo Criador, da qual todo homem dispõe para aproximar e “confirmar” conhecimentos: o «senso comum».

É verdade que este «senso» se depura no “Sensus fidelium” (II. 6), “senso católico, sentir com a Igreja na sua «pregação pela palavra, a presença viva do Magistério ordinário orgânico junto ao fiel, do mais simples ao mais erudito, criam neste um novo “sentido”, ou “sentidos”, pelos quais suas reações diante dos acontecimentos refletem profunda e espontaneamente suas convicções religiosas e morais. São hábitos arraigados no âmago da alma, pelos quais o fiel “sente” com Nosso Senhor. Torna-se, com a graça, um “alter Christus”. Surgem assim os conceitos de sensus fidelium, de senso católico, de sentir com a Igreja, cada um dos quais merece uma análise cuidadosa. (41) O sensus fidelium acentua, sobretudo o sentido da fé. Assim, sobre a crise ariana, o Cardeal Newman escreveu que “o dogma de Nicéia se manteve durante a maior parte do século IV, não pela firmeza inquebrantável da Santa Sé, dos Concílios e dos Bispos, mas pelo consenso dos fiéis”. No sito nós também já havíamos escrito sobre essa observação histórica.

Ainda Santo Tomás é citado em C. Gent., IV, cap. I:

“a verdade divina, que vai além do intelecto humano, desce até nós por revelação, não como verdade demonstrada a ser vista, mas como verdade dita a ser crida”; e logo a seguir ele repete: “as coisas divinas a serem por nós cridas nos são reveladas pela locução”, e assim “a verdade revelada sobre as coisas divinas nos é proposta não para ser vista, mas para ser crida“.

Explica o Autor:

“O significado da norma excede a questão estrita dos cinco sentidos. O bom falar vem, como regra geral, acompanhado de gestos, de expressões faciais, de silêncios significativos, de comunicação do calor humano, de convites implícitos a isto ou àquilo, enfim de um sem-número de imponderáveis que com frequência dizem mais que as próprias palavras. Ou pelo menos as completam de forma extraordinária. A boa conversa, e sobretudo a pregação da verdadeira religião, tendem a transmitir uma mentalidade, a modelar o espírito do ouvinte, a movê-lo para o reto caminho. Inspiram em sua alma o sensus fidelium, o senso católico, o sentir com a Igreja de Santo Inácio de Loyola. – É o apostolado, hoje quase proscrito sob a alegação dita ecumênica de que todas as religiões são boas e levam à salvação”.

Pode-se, pois, também explicar que tal «alegação ecumenista» é ato, gesto, atitude, que está organicamente para o Magistério católico como a indigestão está para o fim oposto¸ da boa alimentação.

A organicidade foi ainda complementada pela metáfora bíblica pela qual… a iluminação de Deus e dos anjos é recebida sobretudo pela audição: “falai, Senhor, que vosso servo escuta” (1 Rg 3,10), “ouvirei o que o Senhor me dirá” (Ps 84, 9). Assim, a Imitação de Cristo, num arroubo místico, exclama: “bem-aventurada a alma que ouve o Senhor que lhe fala […]; bem-aventurados os ouvidos que acolhem o mais íntimo do sussurro divino […]; plenamente bem-aventurados os ouvidos que não escutam a voz que berra de fora, mas a de dentro, que ensina a verdade” (III, caps. I e II).

Magistério ordinário e formação da mentalidade católica

Nesta parte o Autor toca um fato assaz relevante: a “troca de idéias oral, a conversa sobre temas religiosos, mais ainda a pregação da verdadeira religião, e acima disso, o ensinamento magisterial vivo, tendem possantemente a transmitir uma mentalidade, a modelar o espírito do ouvinte, a movê-lo a fixar-se em definitivo no reto caminho, criando nele sólidos hábitos de virtudes”. Mas ao mesmo tempo pergunta: “O que é a mentalidade? – A palavra “mentalité” só aparece na língua francesa no século XIX. Segundo os dicionários, e no seu sentido mais pobre, é a mente, a qualidade do que é mental, a capacidade intelectiva, o pensamento. – Num sentido já um pouco mais rico, é o conjunto dos hábitos intelectuais e psíquicos de um indivíduo ou de um grupo, é a maneira individual de pensar e de julgar, é o estado mental ou psicológico da pessoa. – Essas expressões entretanto não dizem tudo. Em seu sentido pleno, que aqui adotamos, a mentalidade indica a visão do mundo, a Weltanschauung, o fundo mais íntimo do posicionamento da personalidade perante as coisas, sua concepção última sobre a natureza, o universo, a criação, enfim sobre Deus, incluindo essencialmente as regras fundamentais de procedimento que a pessoa adota na vida.”

Ora, tendo em vista o que visa a «Revolução», há que aquilatar o outro sentido do termo que é o de uma imagem do mundo; mentalidade imposta aos povos; uma ideologia.

O termo alemão é adotado para expressar significados que remontam ao XVIIIº século. Assim, liga-se às idéias e crenças pelas quais deveria ser o indivíduo a interpretar o seu mundo. Neste sentido o Magistério da Igreja não se limitou a ensinar a doutrina, mas, com uma concepção orgânica do ensino, reagiu ao que se opõe ao educar e formar de modo pleno a personalidade e a mentalidade dos católicos. Isto se viu com particular ênfase na encíclica Divini Illius Magistri, de Pio XI:“a educação cristã abraça toda a extensão da vida humana, sensível, espiritual, intelectual e moral, individual, doméstica e social, não para diminuí-la de qualquer maneira, mas para a elevar, regular e aperfeiçoar segundo os exemplos e doutrina de Cristo”. 

Magistério orgânico para imunizar a grei de ideologias perversas

Deve-se evidenciar aqui que o magistério citado de Pio XI veio, mormente depois da enc. «Divini Illius Magistri» (31.12.1929), para indicar a necessidade de «imunização» da grei católica diante das novas ideologias modernas, de ordem religiosa e civil, a saber, do pan-cristianismo com a «Mortalium animos» (6.1.1928); do fascismo com a «Non abbiamo bisogno» (29.6.1931, apesar da concordata de 1929 com o governo fascista na Itália); do nazismo com a «Mit brenneder sorge» (14.3.1937), e do comunismo com a «Divini Redemptoris» (19.3.1937). Este magistério e o seguinte denota tal preocupação.

A verdadeira educação da Igreja pelo seu magistério não podia deixar, organicamente, de suscitar um “calor de alma” para a atividade e zelo da defesa da Fé, sem a qual não há educação cristã. E sem isso igualmente não há ouvidos para o Magistério ordinário orgânico. De fato, aparecia então o anti-magistério da contra-cultura marxista de Gramsci e da Escola de Frankfurt, de que falamos em nossa artigo que citava também o escritor Olavo de Carvalho na defesa contra estes intelectuais empenhados na demolição da Cristandade. A consistência desta estava no fato que todos os seus membros, de Santo Tomás de Aquino ao fiel mais simples, pensavam da mesma maneira. Eis outro exemplo do que acabou com o novo «magistério conciliar» de abertura para as novas mentalidades, a mesma Weltanschauung, de visões pluralistas do mundo moderno. De modo que no fundo da alma e da mente do fiel despontasse a dúvida sobre tudo o que estava moldado segundo a única verdade revelada por Nosso Senhor Jesus Cristo e a sua Igreja. Este antigo Magistério de edificação e defesa de uma e una Tradição devia ser substituído por um novo magistério, segundo uma «nova consciência da Igreja».

Na expressão do Autor sobre o ensino magisterial vivo que tende “possantemente a transmitir uma mentalidade, a modelar o espírito do ouvinte, a movê-lo a fixar-se em definitivo no (reto) caminho… ficou implícita a reta função da autoridade magisterial.

Mas, e se sob este nome for operada a inversão para abrir à reconciliação com o mundo da Revolução iluminista, protestante, ecumenista e hedonista? Pode-se ignorar que é isto o que se declara e que se constata nos atos e gestos da hierarquia conciliar?

Eis a verdadeira “lavagem cerebral orgânica” da submissão irracional, inconsciente, imposta pelo Inimigo da graça e da divina Revelação como nova «autoridade» do novo «magistério conciliar» que, por isto mesmo se desvela ato contra natura; anti-orgânico.

Como seria bom se o mundo seguisse o ensinamento tradicional do Magistério ao invés das novidades de hoje. Não mais cairia no mal de adotar um “livre exame” protestante, da escolha do que se quer crer, mal acusado na «continuidade orgânica do Magistério», na fidelidade à Tradição, por exemplo da Encíclica «Mortalium animos».

Que o católico recorra, pois, a este verdadeiro magistério orgânico, não nascido de um livre exame, mas para a submissão da inteligência e da vontade ao revelado por Nosso Senhor, única e subsistente Verdade ensinada ao longo dos séculos pelo Magistério perene da Igreja. E quando se ministra o remédio do verdadeiro Magistério, certamente se purga o que lhe é contrário, por ele acusado. Por exemplo aqui o «pan-cristianismo», que os conciliares ministram através da «pandemia ecumenista».

Com a promoção revolucionária da liberdade religiosa em foro externo da Dignitatis humanae, todo o Magistério da Igreja que define, obriga e condena de modo infalível na Fé, seria «revogado»; não fora que este «anti-magistério, para quem tem olhos católicos para ler, ao inverter a função docente da Igreja, revela tacitamente a própria aversão à sua razão vinculante de existir para ensinar, pois é lógica (e ainda mais teológicamente) impossível admitir funções opostas no mesmo organismo.

Portanto, há que reconhecer o Magistério orgânico e excluir o outro: ou se está com a vida em Cristo ou contra ela. O tempo de decidir para a «saúde» de cada também vence.

Concluindo: como se viu sobre esse modo de considerar o Magistério na vida orgânica da Imaculada Esposa de Cristo, o texto de Arnaldo Xavier da Silveira, mais mereceu aqui uma recensão que comentários; presta-se bem ao urgente diagnóstico que demanda o organismo católico, para enfrentar o seu mal presente: “do apostolado, hoje quase proscrito sob a alegação dita ecumênica de que todas as religiões são boas e levam à salvação”. Trata-se de «alegação ecumenista» que, feita sob a aparência de autoridade magisterial da Igreja, é como o AIDS, mal gravíssimo que afeta o organismo da Igreja desde suas entranhas. Se fosse «alegação» feita por quaisquer clérigos, podia ser sanado pela ação da cabeça que rege o organismo. Surgindo, porém, em nome desta mesma «autoridade», torna-se fatal auto-demolição. A Igreja não pode morrer, mas a moléstia que supura tal «alegação» pustulenta, como se procedesse dessa cabeça do organismo católico, só pode ser sanada ao se diagnosticar a correspondência não analógica, mas equívoca, entre os dois magistérios; entre o vindo da heresia e o da Autoridade divina.

Por isto o conceito de «magistério orgânico» pode ajudar a detectar o mal que infecta ruinosamente o organismo, justamente por aparecer como cura… para melhor drogá-lo.

Aqui o “senso católico” no seu alcance mais amplo, conotando ações e atitudes fiéis para a defesa da fé sem acepção de pessoas, mas em face de tudo o que diz respeito à preservação da Fé na Igreja e à salvação das almas, deve manifestar-se.

Isto é o que corresponde ao « “espírito católico”, ao “bom espírito” que deve sempre atuar na vida do organismo vivo da Esposa de Cristo, lembrando que o católico deve pensar, operar e relacionar-se com a realidade presente, em tudo enfim, como outro Cristo. “Segundo o velho dito de Santo Agostinho, talvez mais místico de que ascético, “Deus intimior intimo meo”, “Deus me é mais íntimo do que o meu íntimo” (Confissões, liv. 3, cap. 6)».

Qual a Vontade de Deus se a Fé da Igreja é contaminada na circulação «magisterial», como o sangue intoxicado por agentes letais externos? «O “sentir com a Igreja”, de que fala Santo Inácio de Loyola, “representa a fina ponta do querer e deixar-se modelar pela fé” ». Esta pedia então a ação da contra-reforma que o Santo atuou plenamente.

“Para em tudo acertar, devemos estar sempre dispostos a acreditar que o branco, que eu vejo, é negro, se a Igreja hierárquica assim o determina”.

O Magistério já o determinou. Diz Pio XI: «É claro que a Sé Apostólica não pode em nenhum modo participar nessas reuniões e que em nenhum modo os católicos podem aderir ou apoiar tais tentativas; se assim fizerem, dariam autoridade a uma falsa religião cristã, assaz afastada da única Igreja de Cristo. Poderíamos Nós tolerar a mais que iníqua tentativa de ver arrastada a compromissos a verdade divinamente revelada?»

Quem diz e faz como os «papas conciliares», com as reuniões das «grandes religiões em Assis», e não só, claramente para o “senso” e “espírito” que modelam o pensamento e a reta vontade do católico verdadeiro, representa uma «falsa religião cristã»; os seus promotores são os «falsos cristos e falsos profetas» nos lugares santos; a situação do engano final previsto por Jesus. E isto pede uma contra-reforma sem par porque o espírito luterano, que quer «conciliar o papa com o mundo» ocupou o Vaticano,

O Sillabus do Magistério orgânico condena o plano para destruir o Corpo Místico: “que o Pontifice Romano possa e deva reconciliar-se e acordar-se com o progresso, com o liberalismo e com a civilização moderna”… é a «nova ordem» visada pelos conciliares.

Para finalizar, pergunta-se: a ímpia inversão do que há de mais sagrado para a vida da Igreja, não obriga a caridade fraterna de uma conclusão custosa, mas inequívoca?

Como se pode invocar um influxo da graça para não seguir o Magistério indubitável da Igreja, acusando sua incompatibilidade com o que é falso, contrário à doutrina da Igreja?

Omitir-se não implicaria abdicar do próprio “senso moral”, “senso de justiça”, “senso de honra”, “senso de hierarquia”, “senso do pecado”, “senso contra-revolucionário”?

Pode o “espírito católico”, “espírito de fé”, “de sacrifício”, “de apostolado”, restar auto-neutralizado quando em nome da Igreja se inocula como magistério o que ofende a Fé? Quando se conhece a dimensão avassaladora desse ataque à função salvadora da Igreja, pode isto não obrigar o católico a defendê-la? Ao contrário, evitando enfrentar os seus verdadeiros agressores, inimigos em vestes pontificais, não se incorre em uma, mesmo que indireta cumplicidade (2 Jo 1,10), não isenta de culpa, e na mesma razão do próprio grau de conhecimento?

A todo fiel é pedido meditar isto em consciência, pois desde o primeiro Magistério, do mesmo Apóstolo São Pedro somos avisados sobre o advento de falsos mestres:

Houve falsos profetas no povo de Israel, e entre vós também aparecerão falsos mestres que introduzirão heresias perniciosas; negarão o Senhor que os resgatou e atrairão sobre si repentina destruição. Muitos seguirão as suas doutrinas dissolutas e, por causa deles, o caminho da verdade cairá em descrédito… Depois de evitar as imundícies do mundo mediante o Magistério de nosso Senhor Jesus Cristo, se de novo são seduzidos e se deixam vencer por elas, o seu último estado torna-se pior do que o primeiro… Desviando-se do santo magistério que lhes fora confiado. Aconteceu com eles o que diz o provérbio: «O cão volta ao seu próprio vômito»... (Cf. II Pd 2, 1-2: 20-22) rejeição orgânica do único verdadeiro Magistério, alimento divino para o espírito humano.

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