Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

PODE HAVER TRISTEZA NO MONTE CARMELO?

Monte Carmelo, 16 de julho - Nossa Senhora do Monte Carmelo
O Profeta Elias, depois de ter sido o instrumento de Deus para a esplêndida vitória do Seu Culto sobre os 450 profetas do culto de Baal, foi perseguido pela cruel Jezabel.

Teve que fugir para salvar a sua vida e no topo da montanha sua alegria transformou-se em tristeza. Prevalecia nele o sentimento humano que, depois do triunfo, pode ser de desilusão e depressão; esquecido que Deus é fiel e nunca nos abandona.

A tristeza no Monte Carmelo preparava outro suave espanto de alegria.

O Profeta rezando naquela altura viu que se elevava do mar uma pequena nuvem como se fosse à mão de uma pessoa. Num instante o Céu escureceu e caiu uma forte chuva beneficiando toda a região. (1 Rs 18, 16-45). A nuvem benfazeja em forma de mão foi sinal da chuva providencial e passou a ser interpretada como figura da incomparável Intercessora enviada pelo Senhor em benefício do povo fiel; foi compreendida como sendo sinal da Mãe de Deus.

Os Cruzados chegados à Terra Santa no século XII encontraram no Monte Carmelo uma comunidade de eremitas da Mãe, da Virgem do Carmelo e que avocavam Elias profeta como fundador e patrono. Houve então a adesão de muitos cruzados, entre estes estava Bertoldo que entre 1153 e 1159 construiu com os companheiros e eremitas do local uma rústica Ermida perto da gruta de Elias onde havia algumas ruínas esparsas.

Em 1209 a Comunidade almejando reconhecimento dirigiu-se ao Patriarca de Jerusalém, o piedoso Bispo Alberto que, com afirmada sabedoria e prudência lhes deu uma Regra de vida. Eles a seguiram com devoção e posteriormente obtiveram para ela no dia 30 de Janeiro de 1226 a aprovação de Sua Santidade o Papa Honório III.

Entretanto alguns cruzados que viviam com os pacíficos eremitas do Monte Carmelo, devido a encarniçada luta otomana para dominar a Terra Santa, começaram a regressar aos seus países na Europa, já desde o ano 1220.

Dois destes cruzados ingleses chegaram na Inglaterra em 1222 com alguns dos eremitas. Simão Stock, que vivia no interior do país e era homem de oração, austero e penitente, soube disso e em consequência de uma forte inspiração se uniu ao grupo mariano.

Em 1238 a Terra Santa caiu sob o poder sarraceno e os eremitas que escaparam do massacre voltaram para as suas pátrias e fixaram-se em diversas regiões na Europa.

Foi quando tantos grupos reunidos na bendita devoção deu origem à Ordem Carmelita, popularmente conhecida como Ordem dos Irmãos da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo ou Ordem do Carmo. Não podia deixar de ser perseguida.

S. Simão Stock

Nessas tristes ocorrências, Simão Stock, que por sua eminente santidade tinha sido eleito em 1245 superior geral da ordem, voltou-se para Maria, pedindo-lhe com as mais fervorosas orações que protegesse sua Ordem do Carmo e lhe desse algum sinal sensível de sua proteção: “Ó Virgem Maria tomai nossa defesa e mostrai que sois nossa Mãe!”

Na manhã do dia 16 de julho de 1251, Simão Stock em Cambridge suplicava com grande empenho à Mãe do Carmelo sua proteção, recitando a oração que compusera, Flor Carmelis, quando, segundo relatou, de repente “a Virgem me apareceu em grande cortejo, e, tendo na mão o hábito da Ordem, disse: “Recebe, diletíssimo filho, este Escapulário de tua Ordem como sinal distintivo e a marca do privilégio que eu obtive para ti e para todos os filhos do Carmelo; é um sinal de salvação, salvaguarda nos perigos, aliança de paz e proteção sempiterna. Quem morrer vestido com ele será preservado do fogo eterno” “.

Essa graça especialíssima foi imediatamente difundida nos lugares onde os carmelitas estavam estabelecidos, e autenticada por muitos milagres que, ocorrendo por toda parte, fizeram calar os adversários dos Irmãos da Santíssima Virgem do Monte Carmelo.

O bem-aventurado Simão Stock, depois de ter trabalhado com muito zelo na difusão do santo escapulário; recebeu o dom das línguas e operou inúmeros milagres, vivendo em eminente santidade até veneranda idade; entregou a alma a Deus dia 16 de maio de 1265.

A Ordem cresceu e se divulgou em muitos países. Na Espanha, no século XVI, houve a sua renovação liderada por Santa Teresa de Ávila com o inestimável auxílio de São João da Cruz, místicos da Ordem, e originaram os Carmelitas Descalços.

O termo «Descalço» é usado para expressar a pobreza e despojamento interior das ordens reformadas, sempre Ordem do Carmo. E Santa Teresa, que não queria ver caras tristes, ensinava: “Em tempos de inquietação e tristeza, não abandones nem as boas obras, nem a oração, nem a penitência a que estás habituada. Antes, intensifica-as. E verás com que prontidão o Senhor te sustentará”.

São João da Cruz passando por uma experiência profundamente inquieta, que chamou de «Noite Escura», transformou tal inquietação e tristeza na alta poesia que se conhece.  

A tristeza que subsiste no Monte Carmelo

Este Monte é conhecido sobretudo porque ali o Culto do Deus verdadeiro predominou sobre o culto de Baal. Seus sacerdotes foram então exterminados. Mas desapareceram?

Ora, todo o culto não ordenado a Deus por Deus mesmo é culto humano ordenado pelo «outro»: o Inimigo de Deus e dos homens. Não pode enganar nem com aspecto arcano, esotérico, conciliar; é sempre culto do «outro» ou da deusa Razão iluminista, que nem mais vela o culto do homem pela natureza, pelo trabalho e progresso humano.

Por isto a tristeza não é só na presença de sacerdotes de Baal, ou de seus camaradas nos altares de Roma ou de Assis, mas nos pensamentos e corações de muitos, em especial dos consagrados. Este massacre espiritual é pior que o dos sarracenos.

Quando os lugares sagrados da Terra Santa foram ocupados, a Mãe de Deus voou (é a Padroeira nossa dos pilotos), enviada pelo Pai ao Ocidente cristão. Esteve na Dalmácia e levou Sua Casa para Loreto. Depois apareceu onde precisaram de Suas mensagens.

E tudo se liga porque tanto em Lourdes como em Fátima trouxe o santo Escapulário.

Sua ajuda não faltou, mas foi censurada tanto no Vaticano como em Assis, para não dizer o mesmo onde falha ou falta o Culto do Santo Sacrifício de Amor de Seu Filho.

Quando nos nossos tempos passou a predominar na Igreja um espírito de compromisso, este era fruto do racionalismo que acometeu grande parte dos pastores da Igreja, não da racionalidade que salva, mas da rebelião contra a verdadeira Religião e Sabedoria que perde; era o culto irracional do homem como ápice do universo.

E os sacerdotes dos cultos humanos se multiplicaram… até em nome da Igreja. Sim, toda a nova visão teológica, filosófica, política e social é mais sentimental que racional. O culto do homem dos vários Montini fundou-se essencialmente em «simpatias», Não menos as dos vários Rifan & Cia, nascidas tão só da própria suficiência em «converter» o próximo às idéias correntes de pluralismo na verdade, ou, muito pior, de «verdade ecumenista» onde o relativismo é a regra para fazer convergir os sentimentos religiosos de todos. Em que? Em festivas reuniões conciliatórias humanas, como Assis, ou Madrid onde os homens, visando uma paz terrena, se julgam capazes de conciliar os opostos.

Para isto estão prontos a «bondosamente» chamar o mal de bem e o bem cristão de mal!

Isto sim é o pior sentimentalismo – aquele da fraternidade no culto do erro que dana!

Esta é a mentalidade decadente e velha quanto o homem.

Para enfrentá-la Jesus morreu na Cruz abandonado até pelos seus.

Desse Sacrifício nasceu a Igreja do Culto da Verdade, hoje desprezada.

Nada de sentimentalismos nela, mas do mais sólido sentimento fundado no Bem.

Nela gerações cristãs aceitaram o martírio sem compromissos na única Fé que salva.

É a confissão que funda a Igreja  de Jesus Cristo em que nascemos e queremos morrer.

Todavia, na sua mesma Sé apareceu e foi proferido o supremo engano: foi inaugurado como «concílio ecumênico» algo que propunha não mais condenar.

Até aquela data os princípios católicos eram intocáveis, mas com o Vaticano 2 eles foram invertidos de modo escandaloso, Até a doutrina satânica do comunismo sempre condenada pela Igreja, deixou de sê-lo, junto a seus outros cultos.

Eis a tristeza no Monte Carmelo: que continuem a proliferar sacerdotes da mentira!

Pode a tristeza lacerar os Sagrados Corações? 

Sagrados Corações

O argumento da «tristeza de Cristo» pareceu teórico e pouco atinente à devoção cristã. Como, porém, para Santo Tomás de Aquino é questão sumamente importante, haveria que entendê-lo bem, porque pode velar algo deveras vital para a conversão das almas.

Aqui vale a pena abrir um parêntesis sobre a atenção dada à Escolástica e ao Tomismo, fenecida devido ao avanço do racionalismo, causador da decadência na Cristandade.

Fato paradoxal porque o Tomismo está justamente no topo da mais sadia racionalidade.

Com seu abandono o mundo foi acometido por um estranho racionalismo prevalecente sobre a racionalidade definida, bem como por um desvairado romantismo oposto ao sentimento sadio. Em suma, religiosidades imaginárias antepostas à Religião revelada, o que desvela a insana tendência da valorização do pensamento humano acima do divino.

Eis a base do culto do homem.

Passemos ao pensamento de Santo Tomás de Aquino sobre a questão se havia tristeza ou temor em Cristo (Utrum in Christo fuerit tristitia… timor; Suma III, q. 15, aa. 6-7).

De fato está no Evangelho o brado dolente de Jesus Cristo: “a minha alma está triste até a morte” (Mt 26, 38). Poderia esta tristeza ser uma imperfeição? Resposta do Santo: “O que por si mesmo é adverso à vontade, pode ser desejado como meio para um determinado fim; assim um remédio amargo não é desejado em si, mas como meio de cura. Igualmente a morte e a paixão de Cristo, consideradas em si mesmas, eram repelidas pela vontade e causavam tristeza, mas como meios finalizados à redenção do gênero humano eram voluntárias… do mesmo modo também o temor.”

Todos os sofrimentos, traições e humilhações assumidos por Jesus na Sua Paixão foram desejados por nossa causa. Nós sofremos pelo que nos atinge, mesmo visando outros; somos parte nós mesmos da tristeza e do temor de que somos vítimas. Não assim para Jesus que lacerado pelas feridas e sob a cruz, disse à mulheres de Jerusalém: “Não chorai sobre mim, mas sobre vós e os vossos filhos”, e sedento, morrendo na cruz, suas palavras não foram pedido de água, mas para que gravássemos: “tenho sede”! Até o fim a sede divina continua sendo tristeza e temor em vista da salvação das almas, pelas quais versou todo o Seu preciosíssimo Sangue: desde o suor sanguíneo no Horto, até os estertores da morte e o lado traspassado na cruz.

Era a tristeza divina pela nossa morte, que pode ir além do falecimento físico.

Quando o romano Públio Lêntulo escreveu ao imperador Tibério para descrever Jesus, fala de um rosto incomparável que ninguém nunca viu rir, mas foi visto chorar.

Assim, quando a Liturgia trata da tristeza causada por cada espinho na coroa de Jesus, e isto se estende ao Coração de Maria, sabemos pelo Evangelho que esta corresponde aos pecados dos homens de todos os tempos, que seguem os maus pensamentos de sempre contra a verdade da salvação. Estes são a causa devido a qual Jesus Cristo sofreu o Sacrifício de Amor que funda e sustem o Culto da Igreja. Tudo, como profetizado pelo ancião Simeão à Maria que levava ao Templo o infante Jesus para ser circuncidado:

«Este Menino vai ser causa de queda e ressurreição de muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição. Quanto a Ti, uma espada transpassará a Tua alma, a fim de que sejam revelados os pensamentos de muitos corações» (Lc 2, 25-35).

Nosso testemunho cristão na defesa e devoção pela Palavra da Verdade empenha-se portanto em referir-se sempre à imagem dada por Nosso Senhor mesmo, tanto para que Sua dor e tristeza sejam lembradas, quanto pela vitória de Seu amor; o Sagrado Coração de Jesus que quer ser honrado junto ao de Sua Santa Mãe e co-redentora Maria Virgem.

Isto reflete essa imagem, seja no plano do pensamento, que no do reto sentimento e da vontade à qual se deve aderir sem compromissos nem algum falso respeito humano.

Saibamos honrar as preciosas ajudas que nos foram dadas. Entre estas esplendem o Rosário e o Escapulário marrom.

2 Respostas para “PODE HAVER TRISTEZA NO MONTE CARMELO?

  1. Roberto F Santana julho 16, 2012 às 5:00 pm

    Mais um texto de inegável beleza.
    Noto que o autor é aviador, sendo assim, receba o agradecimento e a saudação de um outro aviador.
    Quando moço, li a carta de Publius Lentilius, nunca esqueci a última frase:

    “Chamam-lhe Filho de Maria”.

    Roberto F. Santana

  2. maria alcina julho 16, 2015 às 12:06 pm

    Inquietante e fascinante!!!

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