Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

A ALIENAÇÃO CLERICAL NA LUTA CONTRA O ABORTO: «DIREITO à LIBERDADE DE CONSCIÊNCIA»!

O ideário anti-abortista do P. Paulo Ricardo

No último artigo lembramos o que deveria interessar todo o mundo do pensamento: o fato que a criação divina do universo material se realizou do nada e num instante, por inteiro desde o início. Depois, ocorreram as mais incríveis transformações no cosmo, mas tudo, na esfera da matéria e da energia, já estava presente.
A partir desse todo Deus animou a vida na Terra e finalmente o ser humano com a alma espiritual. Esta criação da forma superior de vida neste mundo finaliza a Criação e continua no presente; demonstra ser a sua razão final, para que Deus manifeste Suas maravilhas através o ser humano, criado à Sua imagem e semelhança.
Isto se realizou com Maria Virgem e com os Santos; mártires e confessores e não só, mas em tudo o que muitos fizeram de bom e de edificante nesta terra.
A Criação de Deus continua, mas só das almas espirituais com os novos nascimentos e apesar dos erros defeitos e ofensas humanas, da qual a pior de todas é o aborto, crime contra esta Vontade de Deus na Sua inestimável obra de Criação.
Pode o católico esquecer este fato que define a razão da Igreja, de que se torna filho?
Esta não existe para confirmar a Fé evitando o aborto eterno das almas, que depende do nascimento da vida dos corpos, criados para um alto fim?
Toda a matéria e energia do universo não converge ali, no nascimento de um ser humano, numa pessoa que pode entender e glorificar a Criação divina?
Afinal a molécula, elétrons, bósons, etc., são para a pessoa, ou esta para estudá-los?
O que quero dizer é que há um fato infinitamente central no universo criado.
Neste sentido pode-se dizer que também a Igreja e o seu Papa existem para lembrar e confirmar essa criação espiritual e evitar seu aborto nas almas e corpos.
Em suma, em matéria de defesa da vida da alma e de seu corpo, como ato universal, o Papa católico está na primeira linha para representar o Redentor na Sua missão, porque no ataque contra a vida das almas nos nascituros se perpetra enorme crime.

Quando se fala de crime, que é transgressão de uma liberdade, pode-se ignorar que não há crime mais grave que o que vai diretamente contra a vida à imagem de Deus? Não se revela este em sua forma pior no abuso contra a liberdade da Religião divina: no direito à liberdade do erro e, portanto, do crime. E depois ao declarar o erro como «direito», e o crime como «lei»? Dizer bem o mal e mal o bem! Mas o pior do pior não é por acaso fazê-lo em nome da mesma Igreja de Deus? Pois isto aconteceu.
Ora, na luz da Criação divina a questão do aborto não é de alguns, mas envolve toda a humanidade. No presente implica na perversão de uma inteira geração e isto não deve estar na atenção só de alguns clérigos zelosos ou fiéis piedosos; envolve todo o mundo religioso, que deve conhecer a fundo a questão para enfrentá-la.
E claramente sua causa está no desregramento da liberdade humana, da qual a pior é a liberdade religiosa, que pode abranger a superstição e a idolatria. Direito?

Ora, os «papas conciliares», apesar da hipócrita aparência, são de fato ausentes na luta contra o aborto. Antes, são negativos, seja quanto aos princípios que à prática.
Isto todos podem saber, e padres apoiados em seus discursos já estão derrotados.
– Os falsos princípios estão na DH, da liberdade religiosa do Vaticano 2.
– A prática está no fato de suas escandalosas aberturas aos inimigos da Lei de Deus.
Por isto, pode-se dizer que quase todas as iniciativas e explicações de clérigos de boa vontade, como parece ser o P. Paulo Ricardo, disposto cada vez mais a enfrentar esta luta, até contra o atual desgoverno brasileiro, é fadada ao malogro.
Podem fazer válidas análises deste momento e veemente manifestação de indignação diante desse perigo do avanço do aborto no Brasil, mas inútil sem enfrentar a contradição de fundo, do «direito à liberdade religiosa» que é liberdade de consciência, mesmo formada em quaisquer princípios progressistas!
Esta «fidelidade» às avessas se repete nos adeptos da abnorme Igreja conciliar.
Ter como aliados nessa luta gente armada de falsos princípios é desastroso.
Neste confronto seus chefes por acaso não falam cá e lá contra o aborto? Sim, mas com qual resultado se esta luta, de enorme gravidade e dimensão, não serve para mobilizar a Cristandade inteira nem com uma fração da veemência necessária?
Por isto mesmo uma contradição no modo de enfrentá-la pode ser erro macroscópico, e sendo de ordem religiosa, profundamente pecaminosa, na prática e na teoria.

Uma vez definidas, a dimensão e a gravidade do crime, vejamos como foi possível chegar a isto e qual a parte da Igreja nesta devastação.
Afinal, se pode ou não ver que se trata de devastação precedente na ordem da razão e da fé? E neste caso não se deve rever a ação sobre isto na capital da Igreja?
Qual o termo para entender o que aconteceu senão o abuso da liberdade?
O aborto deve ser entendido como abuso da liberdade contra qual lei?
Hoje não se pode dizer que seja contra a lei civil, de estados, políticas, ou crenças.
Pelo contrário, passou a fazer parte de leis e até de serviços sanitários.
Quanto à «liberdade» para que esta prevalecesse sobre a verdade, precisaram do Vaticano 2. Dai passou a ser um «direito» para a religião conciliar, que hoje opera apoiada em cheio no que foi declarado no documento conciliar «Dignitatis humanae» (DH), encomendado pelo iluminismo das lojas e dos poderes liberais.

A questão do aborto não é certamente a única que implica esse erro humano, mas sendo clamorosa serve de exemplo para explicar o engano.
Quando surgiram processos políticos que justificavam crimes como o aborto na sociedade humana, a Igreja condenou o processo que levava a isso. A novidade da hora presente está no engano do processo revolucionário que leva os fiéis a decidir sobre o crime, isto é, que a maioria pode decidir sobre questões que envolvem o bem e o mal, de modo que o que é proibido pela lei de Deus seja aprovado pelas leis democráticas modernas. A verdade cede assim às ilusões, a moralidade às sensações sob os ditames de uma obscura vontade popular, que na verdade é condicionada pelos diversos manipuladores da nova cultura do progresso segundo os tempos. Mas não é justamente dessa manipulação das vontades por poderes ocultos que o homem e a sociedade queriam libertar-se? Hoje precisam libertar-se dos libertadores, que são visitados e condecorados pelos «papas conciliares»!
Basta pensar que Bento 16 condecorou tanto o presidente Cavaco Silva, que aceitou um referendo minoritário pro aborto e o primeiro ministro Sócrates, que o promoveu e depois também o casamento entre homo-sexuais em Portugal.

Benedict XVI

“A condecoração é por terem levado o país à ruína moral?”
Os clérigos conciliares se dizem contrários ao adultério, ao divórcio, ao aborto, à manipulação genética, às ligações homossexuais, à eutanásia, etc. Mas desde que proclamam o direito à liberdade de consciência e de religião, admitem tudo isto implicitamente, pois o que é mais alto e sagrado fica na dependência do voto que decide na base do contingente e da volúvel opinião democrática; cada uma com a «sua verdade». O democratismo põe todas as questões humanas sob um juízo popular, como valor absoluto. É a religião da Maçonaria.

Escreve a respeito o juiz Carlo Alberto Agnoli (A crise da Igreja moderna à luz da fé e o problema da liberdade de religião, Ed. Civiltà, Brescia, 1984):

“Percebendo o terrível perigo inerente ao princípio por eles expressamente enunciado pelo qual não se pode impedir ninguém de agir em conformidade com a própria consciência, princípio que dá legitimidade à prática de qualquer monstruosa doutrina, os Padres do Vaticano II consideraram possível eliminar ou pelo menos limitar o alcance subversivo deste, também na sociedade, afirmando que a liberdade de religião e de moral, ainda que direito primário, deve ser sujeita ao limite da ordem pública conforme a justiça. Deduz-se daí que segundo os Padres conciliares existiria uma ordem pública, fundamento de toda a convivência humana ordenada e conforme ao direito natural, antes, que do direito natural seria a quinta-essência, do qual o Estado seria depositário e árbitro exclusivo, que à este deveria recorrer para julgar se e até onde as religiões – todas as religiões – tenham direito de existir e manifestar-se. Este Estado, fora e acima das religiões, é claramente o Estado laico e ateu. Ora, na base da experiência histórica destes últimos dois séculos no curso dos quais afirmou-se o laicismo, a qual ordem pública alude o Vaticano II? Ao comunista, do KGB e do gulag? Ou ao demo-liberal que deve assegurar a legalização do aborto, da pornografia e da droga? Mas, “quem perdeu a noção da origem divina do direito como norma de justiça e da conseqüente superioridade e anterioridade da justiça e do direito diante do Estado, não perdeu o sentido mesmo do direito natural e de justiça e portanto também de ordem justa? É a justiça que legitima e justifica o Estado, que existe em função dela, não o Estado pode criar a nova justiça”.

Para a DH a dignidade do dialogar, mais que do crer, é já formadora da nova consciência, é já um princípio de verdade e justiça para a Igreja conciliar!

Ora, basta pensar que se o financiamento ao aborto vem também da ONU, se um vestido de seu chefe exalta esse organismo, favorece o contrário da «luta»: o aborto.
É o modernismo, que ignora ser a heresia contra a Fé, contra a vida, contra Deus mesmo. O fato certo é que os modernistas são os mais disfarçados adversários da autoridade católica, não só porque professam uma fé anti-católica, mas porque, em nome da autoridade católica, cujas posições escalaram disfarçados, querem alterar a Fé nas consciências com o Vaticano 2. Demonstram-se assim os maiores inimigos da Igreja, cuja defesa solapam. E visto que esta é a única verdadeira Cidadela divina contra erros horrendos, como o aborto, e este é contra a vida das almas; demonstram-se também como os maiores inimigos dos povos.
O que podem padres, como o Paulo Ricardo, falar contra a campanha abortista da ONU se «seus papas» visitam e exaltam essa entidade? Mas, muito pior: se declararam com a «Dignitatis humanae» nada menos que o direito à liberdade religiosa e de consciência?
Na nossa era, homens da hierarquia católica sentiram-se capazes de dialogar com toda ideologia, para estabelecer compromissos para uma convivência pacífica de que os «retrógrados» papas do passado não haviam sido capazes. A Igreja precisaria «conscientizar-se» do dever de desculpar-se (!). É a “humildade na soberba”, a nova ordem semântica dos conciliaristas que passaram a comandar na Igreja; homens que tanto ocuparam a Cátedra papal quanto descarregaram o pensamento dos Papas e de Pio XII sobre o desumano «direito do erro» na sociedade.
Queiram ou não, saibam ou não, só podem ter o título de vigários do Anticristo.
Mgr Lefebvre que conheceu de perto está gente, acabou por pô-lo em claras letras.

Será que o P. Paulo Ricardo pensa recorrer a este e ao Vaticano 2 para combater o aborto? Uma luta vã. Nesse sentido seguirei publicando algo do que foi essa luta na Itália e em Portugal, nas quais tive uma pequena parte.
Mas o resultado já se sabe, foi até hoje negativo.

Os compromissos entre idéias opostas são hoje a praxe mundial de uma instabilidade universal em que não contam mais as razões que dão sentido à política, mas políticas de amorfa convivência para uma alternância das «ideologias» do grande irmão.
Não há mais governos regidos por princípios, mas poderes eretos no pluralismo de opiniões controladas no destilador sinárquico, que dosa esse moderno democratismo, produto da alienação do essencial para o governo da vida do homem, corpo e alma. Ela opera a incrível inversão na ordem mental, hoje desordem conciliar.
Se alguém pensa apoiar-se no democratismo, ou no conciliarismo ecumenista dos «papas conciliares» para enfrentar a abominação do aborto, arrisca ele mesmo de afundar na alienação iluminista de que é afeto gravemente Bento 16 e o Vaticano 2; arrisca de abortar ele mesmo os princípios que regem o valor da vida espiritual dada por Deus.
Os chefes desviaram-se, os juízes são parciais, a segurança social tornou-se falência.
E os consagrados? Não só na América, os seus pedófilos vão levando a Igreja conciliar à bancarrota pelo multiplicar dos processos de corrupção, mas propagam a mentira e abraçam os transgressores da Lei de Deus. Muitos abortaram a mesma Fé!
Outros pensam poder conduzir essa luta contando com as próprias idéias, mas na fidelidade ao infiel aparato conciliar.
Ora, conduzir uma luta, por justa que seja, mas sem discriminar entre verdadeiros amigos e inimigos, entre os imutáveis princípios da Igreja e as perversas mutações conciliares, já significa perde-la, e não somente diante dos homens.
É aquele cego ativismo fatal que não leva às causas verdadeiras; combate efeitos e afunda na contingência deles. Deus não queira!

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