Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

A GESTA SEMI-CONTRAREVOLUCIONÁRIA SEM A GRAÇA

Do ideário da TFP ao da FSSPX

Gargula

No Capítulo V do livro «Revolução e Contra-revolução» do Prof. Plínio Corrêa de Oliveira – As Três Profundidades da Revolução: nas tendência, nas idéias, nos fatos – temos a visão de «Revolução» que, como hoje é claro, se demonstrou capengante.

Sobre a «Revolução nas tendências» diz o Autor:

“Como vimos, essa Revolução é um processo feito de etapas, e tem sua origem última em determinadas tendências desordenadas que lhe servem de alma e de força propulsora mais íntima. Assim, podemos também distinguir na Revolução três profundidades, que cronologicamente até certo ponto se interpenetram. A primeira, isto é, a mais profunda, consiste em uma crise nas tendências. Essas tendências desordenadas, que por sua própria natureza lutam por realizar-se, já não se conformando com toda uma ordem de coisas que lhes é contrária, começam por modificar as mentalidades, os modos de ser, as expressões artísticas e os costumes, sem desde logo tocar de modo direto – habitualmente, pelo menos – nas idéias.”

Segue:

“A Revolução nas idéias: dessas camadas profundas, a crise passa para o terreno ideológico. Com efeito – como Paul Bourget pôs em evidência em sua célebre obra Le Démon du Midi – “cumpre viver como se pensa, sob pena de, mais cedo ou mais tarde, acabar por pensar como se viveu”. Assim, inspiradas pelo desregramento das tendências profundas, doutrinas novas eclodem. Elas procuram por vezes, de início, um modus vivendi com as antigas, e se exprimem de maneira a manter com estas um simulacro de harmonia que habitualmente não tarda em se romper em luta declarada.

Ora, quem nos lê sabe que repetimos a sequência: “cumpre viver como se pensa, para não acabar por pensar como se vive”. Mas a esta sequência acrescentamos sempre a questão fundamental para a Fé: «Cumpre viver como se pensa e pensar como se crê, para não acabar por crer como se pensa e pensar como se vive.»

No último caso, seria o modo de vida a formar o pensamento e este, segundo as modas, ditaria uma nova «fé aggiornata» aos tempos; inversão em que domina um gnosticismo, que depois vai ser também agnosticismo ecumenista com o Vaticano 2.

Quando nosso Autor em seguida fala na «revolução nos fatos» toca por alto a esfera religiosa, mas não como central, nem determinante do processo; como se não estivesse em causa, sobretudo, uma «revolução religiosa», cujo «crer» determinando o «pensar» está na origem de todo o processo. De fato escreveu:

“Essa transformação das idéias estende-se, por sua vez, ao terreno dos fatos, onde passa a operar, por meios cruentos ou incruentos, a transformação das instituições, das leis e dos costumes, tanto na esfera religiosa quanto na sociedade temporal. É uma terceira crise, já toda ela na ordem dos fatos.”

No Capítulo VI – A Marcha da Revolução – o Autor considera dados sobre a marcha da Revolução:

“seu caráter processivo, as metamorfoses por que ela passa, sua irrupção no mais recôndito do homem, e sua exteriorização em atos… A mais possante força propulsora da Revolução está nas tendências desordenadas. E por isto a Revolução tem sido comparada a um tufão, a um terremoto, a um ciclone. É que as forças naturais desencadeadas são imagens materiais das paixões desenfreadas do homem.

Segundo a ordem que citamos tal tufão ocorre na consciência; seu olho é a apostasia!

Para o Autor:

“os cataclismos, as más paixões têm uma força imensa, mas para destruir. Essa força já tem potencialmente, no primeiro instante de suas grandes explosões, toda a virulência que se patenteará mais tarde nos seus piores excessos. Nas primeiras negações do protestantismo, por exemplo, já estavam implícitos os anelos anarquistas do comunismo. Se, do ponto de vista da formulação explícita, Lutero não era senão Lutero, todas as tendências, todo o estado de alma, todos os imponderáveis da explosão luterana já traziam consigo, de modo autêntico e pleno, embora implícito, o espírito de Voltaire e de Robespierre, de Marx e de Lenine.

Mas, não seria mais próprio dizer que o espírito que acometeu todos estes era antes de tudo anticristão, o da famigerada frase: «écrazez l’infâme»! Este era o pior excesso!

Ninguém duvida que a «Revolução exaspera suas próprias causas». O que quero dizer é que há uma e principal causa dela: a religiosa.

O problema quando se esquece isto é de esquecer que o alvo supremo da «Revolução» é a Autoridade de Deus em Terra. É verdade que tais

“tendências desordenadas se desenvolvem como os pruridos e os vícios, isto é, à medida mesmo que se satisfazem, crescem em intensidade… produzem crises morais, doutrinas errôneas, e depois revoluções. Umas e outras, por sua vez, exacerbam as tendências. Estas últimas levam em seguida, e por um movimento análogo, a novas crises, novos erros, novas revoluções. É o que explica que nos encontremos hoje em tal paroxismo da impiedade e da imoralidade, bem como em tal abismo de desordens e discórdias.

Será preciso ver tudo isto atingir o âmbito clerical para saber que a «Revolução» chegou ao Vaticano? Mas já Nossa Senhora em La Salette não havia explicado qual a origem de todos os males… a corrupção clerical pela qual “Roma perderá a Fé e tornar-se-á a sede do Anticristo”? Foi diferente o aviso na Profecia de Fátima, da hecatombe papal?

Diz o Autor:

“Pelo que vimos se explica que cada etapa da Revolução, comparada com a anterior, não seja senão um requinte. O humanismo naturalista e o protestantismo se requintaram na Revolução Francesa, a qual, por sua vez, se requintou no grande processo revolucionário de bolchevização do mundo hodierno. É que as paixões desordenadas, indo num crescendo análogo ao que produz a aceleração na lei da gravidade, e alimentando-se de suas próprias obras, acarretam conseqüências que, por sua vez, se desenvolvem segundo intensidade proporcional. E, na mesma progressão, os erros geram erros, e as revoluções abrem caminho umas para as outras.”

Faltou dizer para onde leva esse caminho; qual o alvo final! Qualquer que seja a velocidade dela, o importante não é compreender para onde vai?

Em seguida o Autor trata de velocidades para resistir à «Revolução», quando seria preferível começar pelo entendimento, mais que de seu curso, de seu objetivo final.

À luz da questão das velocidades da «Revolução» agora o Autor trata da velocidade dos resistentes; isto é: “Revolucionários de pequena velocidade e “semicontra-revolucionários”.

O que distingue, o revolucionário que seguiu o ritmo da marcha rápida, de quem se vai paulatinamente tornando tal segundo o ritmo da marcha lenta, está em que, quando o processo revolucionário teve início no primeiro, encontrou resistências nulas, ou quase nulas. A virtude e a verdade viviam nessa alma de uma vida de superfície. Eram como madeira seca, que qualquer fagulha pode incendiar. Pelo contrário, quando esse processo se opera lentamente, é porque a fagulha da Revolução encontrou, ao menos em parte, lenha verde. Em outros termos, encontrou muita verdade ou muita virtude que se mantêm infensas à ação do espírito revolucionário. Uma alma em tal situação fica bipartida, e vive de dois princípios opostos, o da Revolução e o da Ordem. Da coexistência desses dois princípios, podem surgir situações bem diversas:

a. O revolucionário de pequena velocidade: ele se deixa arrastar pela Revolução, à qual opõe apenas a resistência da inércia… b. O revolucionário de velocidade lenta, mas com “coágulos” contra-revolucionários.

Também ele se deixa arrastar pela Revolução. Mas em algum ponto concreto recusa-a. Assim, por exemplo, será socialista em tudo, mas conservará o gosto das maneiras aristocráticas. Conforme o caso, ele chegará até mesmo a atacar a vulgaridade socialista. Trata-se de uma resistência, sem dúvida. Mas resistência em ponto de pormenor, que não remonta aos princípios, toda feita de hábitos e impressões. Resistência por isto mesmo sem maior alcance, que morrerá com o indivíduo, e que, se se der num grupo social, cedo ou tarde, pela violência ou pela persuasão, em uma geração ou algumas, a Revolução em seu curso inexorável desmantelará.

c. O “semicontra-revolucionário” diferencia-se do anterior apenas pelo fato de que nele o processo de “coagulação” foi mais enérgico, e remontou até a zona dos princípios básicos. De alguns princípios, já se vê, e não de todos. Nele a reação contra a Revolução é mais pertinaz, mais viva. Constitui um obstáculo que não é só de inércia. Sua conversão a uma posição inteiramente contra-revolucionária é mais fácil, pelo menos em tese. Um excesso qualquer da Revolução pode determinar nele uma transformação cabal, uma cristalização de todas as tendências boas, numa atitude de firmeza inabalável. Enquanto esta feliz transformação não se der, o “semi-contrarevolucionário” não pode ser considerado um soldado da Contra-Revolução.

É característica do conformismo do revolucionário de marcha lenta, e do “semicontrarevolucionário”, a facilidade com que ambos aceitam as conquistas da Revolução. Afirmando a tese da união da Igreja e do Estado, por exemplo, vivem displicentemente no regime da hipótese, isto é, da separação, sem tentar qualquer esforço sério para que se torne possível restaurar algum dia em condições convenientes a união.”

Diante desta descrição minuciosa no detalhe aparente, mas não no conteúdo, temos que esse movimento deu ensejo – é o que acabou por representar hoje – justamente ao que criticava e explico por que.

A verdadeira, a mais decisiva e mortal «Revolução» atingiu Roma.

Quem não percebe isto e era católico, mas passou a ser conciliar, dispunha de uma velocidade de compreensão tão reduzida diante das verdadeiras causas, que hoje, ou parou, ou engrenou a marcha a ré para seguir a Igreja do Vaticano 2.

Sei que Dom Mayer entendeu o desastre dessa reviravolta no campo das verdadeiras idéias e, percebendo que não era ouvido, distanciou-se dessa TFP.

Falamos da verdadeira «Revolução», cujo cerne mais pérfido, quis atingir a Religião do Sacrifício do Amor de Deus. É a grave infecção conciliar!

Quanto à FSSPX, ali esta «Revolução» infecciosa foi cedo detectada por Mgr Marcel Lefebvre. Infelizmente foi tão mal entendida até hoje, que seus chefes não são nem a metade dos tais semi-contrarevolucionários desta meia-fábula!

Pudera! Dom Lefebvre enganchou-a ao contra-peso desastroso das tendências mentais de um clérigo como Franz Schmidberger. Dizem até que é amigo de Ratzinger, porque se entendem bem na língua teutônica. Talvez ele o creia, mas o fato é que este último através de tão lamentável elemento já conseguiu triturar a resistência dessa organização desde 1984; e já tem o que quer!

Podem até esquecer as manobras do indulto-insulto; do rito ordinário-extraordinário e da prelazia apregoada. Com tais elementos «intra-muros» fica claro que «Roma perdeu a Fé e passou a ser a sede do Anticristo». Mais revolução do que esta?

O certo é que não prevalecerá no fim, quando muitos o testemunharem até dos tetos e a tempo e contratempo. Esta é a santa velocidade na direção da Verdade!

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