Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

A AGONIA DE JESUS DIANTE DA PERVERSIDADE HUMANA

Jesus no Horto

Esta pintura de Gauguin, Cristo no Horto, parece exprimir mais profunda reflexão do que mortal agonia. Ora, para o mundo intelectual o insolúvel dilema sobre a origem, o estado atual e o destino do homem é a atormentada ignorância que, emaranhando o bem e o mal no governo da vida humana, pessoal e social, a imerge em dúvidas cruciantes.

Talvez por esta razão o Pintor quisesse representar a sua própria «reflexão agônica».

Esta, porém, só se resolve no âmbito religioso, que hoje aparece poluído até em Roma. Por isto quando se afirma que o mundo humano atual só se pode salvar- voltando à sua natureza e ordem espiritual, portanto à sua essência cristã, acaba-se por suscitar estupor e duras reações em quem vive no plano prático do humanamente possível.

Todavia, a verdadeira questão não depende da aparência no plano do possível, mas do que «é» na ordem do ser, a única da salvação na esfera pessoal, mas também social, que depende do conhecimento de nossa origem, situação neste mundo e fim último.

Esta cognição a mente humana só recebe pela Revelação divina. É a razão crucial porque Jesus instituiu a Igreja: para ensinar a Verdade em toda a Terra.

Ora, muitos se convertem comovidos a Jesus, que é a mesma Vida para as almas; mas esquecem que Ele é também a Verdade e o Caminho para toda a sociedade humana.

O certo é que o «grande mundo» político-social, sem exclusão do religioso, hoje afunda alieno da essencial reflexão sobre este Cristianismo vital.

A verdadeira direção da vida vem do espírito; quando este mundo rasga este elo espiritual, corta as razões mesmas da vida verdadeiramente humana.

A ocupação com a vida espiritual fez sempre parte do governo dos povos, ao contrário do que ocorre hoje. Esteve sempre presente em modos diversos, até violentos, deformes e invertidos: é inevitável, como foi para o «credo» comunista. Para este havia mesmo que eliminar o espiritual religioso a favor da «civilização» do materialismo socializador.

Conquistas e guerras, como as de Alexandre, não eram estranhas aos ideais universais da civilização helenista de seu mestre Aristóteles. E o mesmo se diga de civilizações como a Romana e após a mais alta de todas, centrada no espírito: a Ocidental cristã.

E quando se pode compreender o que foi mais alto, então se deve também saber o que é a sua decadência: vivemo-la tão fundamente que não se sabe nem mesmo ao que voltar.

Bem poucos lembram a importância de pensar e operar nesse sentido em nossa época.

Na verdade pensamentos certos sobre isto nesta era revolucionária vieram dos Papas, cujo Magistério foi repetido e difundido pelos consagrados e pensadores católicos.

A decadência espiritual, porém, ocasionou um «progressismo» que foi cada vez mais corrosiva e tortuosamente atacando a Fé no âmbito do deletério modernismo clerical. Este aos poucos fez avançar a pérfida mutação conciliar do Vaticano 2 que poluiu uma Roma enleada por compromissos de sobrevivência com os grandes novos poderes. Isto porque na prática pensavam que a perda de apoio do poder civil, cedo ou tarde é fatal.

Veja-se de um lado a aproximação de Roosevelt com Pio XII, e o do outro o obscuro «pacto» que Montini, futuro Paulo 6, procurou nada menos que com Stalin!

Neste sentido, cresceram na Europa movimentos e ideologias deformes.

E os erros do comunismo, do socialismo e do liberalismo geraram forças contrárias.

O Nazismo iludiu muito também devido a seus pensadores preocupados com o retorno de forças espirituais antepostas ao materialismo soviético e ao liberalismo mercantil americano. Basta ler o filósofo Heidegger e outros associados a tal regime.

Isto embora o seu maior mal ficou logo evidente com a troca da Cruz pela suástica.

Entre os iludidos ressalta em especial Carl Schmitt, que como maior jurista do regime, acabou julgado no tribunal aliado de Nuremberg. Todavia, ele compreendeu e escreveu sobre o verdadeiro problema.

Encontramos a questão central de que tratou em «Ex Captivitate Salus», onde fala do «Kat-echon», o obstáculo ao poder do Anticristo, segundo São Paulo (II Ts, 2).

No plano do governo seu conceito universal de «império» é essencialmente ligado à função de obstáculo ao mal contrário à Lei natural e divina.

E visto que a quintessência do mal no governo humano será concentrada no Anticristo, o Império cristão deveria travar em todos os campos, religioso e cultural a sua escalada ao poder; devia ser essencialmente contra-revolucionário, contra-reformista, anti-liberal.

Daí que este autor foi ferrenho inimigo de toda forma de liberalismo intelectual, a partir do germe teológico, filosófico, panteísta de Espinosa.

Militou nesta resistência indicando a necessidade do retorno ao Cristianismo como única salvação na ordem social.

Trata-se sempre da afirmação no plano mental que o mundo humano atual só se pode salvar voltando à sua única natureza e ordem espiritual de salvação na ordem social que é a Ordem cristã, representada então pela Roma da Igreja católica e apostólica.

Se hoje isto suscita estupor na ordem do possível: – parece humanamente impossível – nem por isto deixa de ser a questão ligada à Verdade: esta não muda!

Se não é reconhecida no bem de sua presença, será conhecida no mal de sua ausência!

Seria o mundo do «Mercado global» o da ordem «real»?

Pensador

Se atualmente parece que a Verdade muda adaptando-se à «moralidade» dos tempos, isto é também devido aos discursos e à presença em Roma de «papas conciliares».

Não são assim estes a representar a ruína, vista como a de «anticristos no Vaticano»?

Que esta grave hora tenha sido parte da agonia mortal de Jesus no Horto o sabemos pelas Suas palavras de então, advertindo os Seus contra «falsos cristos e falsos profetas», palavras depois repetidas e aplicadas pelos Seus Apóstolos, Santos e fiéis seguidores.

Como melhor reconhecer o que distingue o Vigário de Cristo de um falso Cristo senão na defesa do Lugar santo; do obstáculo ao Mal segundo o conceito de «kat-echon»?

Uma «defesa» da Verdade por parte de quem traz outro evangelho é só outro embuste!

Isto o mundo ignora porque nele domina o palavreado e as iniciativas de uma nova Roma que simpatiza até com os governos do materialismo socialista e do liberalismo mercantil em toda direção, religiosa e cultural; poderes essencialmente revolucionários, reformistas, liberistas, que apóiam uma nova ordem mundial até com «encíclicas».

Mas a prova maior está nos documentos do Vaticano 2, entre os quais o da «liberdade religiosa», Dignitatis humanae, que tratando da liberdade no topo de todas, diante de Deus, é o principal inspirador do liberalismo religioso e ecumenista hodierno.

Além disso foi operada também uma inversão da posição clerical diante do judaísmo negador de Cristo e que por esta razão é o maior poder religioso e cultural anti-cristão.

Estamos diante de uma mutação inaudita das razões mesmas do Cristianismo, da Igreja – Nova Israel – e de Roma – Nova Jerusalém. Tudo aponta para a previsão de Jesus: em Lucas 21, 24: “Jerusalém será pisada pelos Gentios até que o tempo das nações (dos Gentios) se completem”. Deste sinal não há uma exegese católica definitiva. Mas ao considerar a Igreja como nova Israel, é claro que este nome não poderia ser mais aplicado a um povo que hostiliza a Igreja que continua a Religião da Revelação divina do Antigo Testamento, anunciante do Novo. Fé alterada pela igreja conciliar indicando aos cristãos a espera do Messias junto com os hebreus (Novo Catecismo, nº 840, etc.)

O incrível é que isto ocorra onde foi estabelecidaa Sé de Pedro e a Cátedra da Verdade como Luz para as Nações (exorcismo de Leão XIII em defesa da Igreja expugnada).

Estaríamos aí diante do quadro de um declino religioso que invoca «o fim do tempo das nações» (Lc 21, 24) ao qual correspondente o retorno dos Judeus a Jerusalém?

Não são assombrosos estes fatos históricos de nossos tempos? Algum autor tratou dele?

Na sua «Teologia Política» Carl Schmitt, ferrenho inimigo do liberalismo, trabalhou com uma série de convergências e paralelismos históricos e conceituais entre Igreja e Império; o poder temporal dos papas; o vínculo estrutural entre o Direito romano e o Direito canônico; a analogia entre a estrutura eclesiástica de poder e o aparato estatal-imperial; deixa claro com a sua «Teologia Política» que a política não pode ser alienada do conflito original entre «bem» e «mal». Antes, que a verdadeira ação política é reflexo desse confronto perene e daí a sua dimensão metafísica e escatológica.

Da sua leitura pode-se concluir de modo geral a contraposição entre a modernidade e a escatologia, assim como a incompatibilidade entre liberalismo e autoridade legítima.

De resto, como outros autores assinalam na ordem lógica, há contradição fundamental numa «autoridade» que, em nome desta, «libera» do fato de ser considerada vinculante.

Ora, se essa «autoridade» ainda por cima se pronuncia em nome de Deus, então a incompatibilidade vai além da ordem legal; é de ordem metafísica. No caso prático do Vaticano 2 e de seus chefes, como é possível em nome da autoridade de Cristo – como Vigário de Cristo – declarar o «direito» das consciências de crer e agir em foro externo livres e mesmo contra a Sua Lei! Só com poder anticrístico!

No nº de 30 de junho deste ano o periódico «Sì sì no no» explica bem porque “nenhuma autoridade eclesiástica ou civil pode pedir obediência quando manda algo que é abertamente contrário à Doutrina católica, divinamente revelada, apostolicamente transmitida e infalivelmente ensinada pelo Magistério no curso de 1400 anos.”

Só faltou a coragem de concluir conforme determina a Doutrina apostólica (Gl 1, 8), isto é, quem prega, ou pior, impõe a nova marca conciliar como papal e católica, o que é contrário a Fé, fruto de um outro evangelho, seja anátema.

É o testemunho na caridade para que outros não sigam falsos cristos e falsos pastores.

É claro que quem não distingue o Vigário de Cristo de falsos Cristos, segundo a única doutrina de Cristo, falseada por lobos em pele de cordeiros pontificais, resta alheio ao triunfo da Verdade nas consciências e no mundo.

Em todo o caso, este artigo não é mais, graças a Deus, do «Sì sì no no» que aceitava «uma Igreja com duas doutrinas»”, da qual a segunda seria esta: o contrário da primeira!

Resta que o verdadeiro testemunho segundo a Fé, a Esperança e a Caridade suscitada por Deus nas almas dos Católicos só pode ser o da denúncia obrigatória deste aparato eclesiástico conciliar, que não é o «real», o católico, em que há esperança de salvação.

Então, até o Segredo de Fátima, do massacre do Papa com todo o seu séquito, que seria mais claro em 1960, se torna claro: trata-se da remoção simbólica do «katechon» que impedia a escalada da mente dos modernistas, mações e mundialistas, para substituí-lo por «papas» dessa mentalidade que, para operar a maior mutação religiosa de todos os tempos, promoveriam nada menos que um «concílio ecumenista»!

Esta perversa ruptura «epocal» acontece no mundo outrora cristão.

Podia não estar nos angustiados pensamentos de Jesus na sua agonia mortal no Horto?

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