Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

1 – O GRAAL DO IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA

 

Maria Imaculata, Vas spirituale, Vas honorabile, Vas insigne devotionis

O termo «graal» está hoje ligado a toda uma série de lendas românticas sobre a procura do cálice ou vaso santo que, segundo tradição corrente nos romances de cavalaria, teria servido a Cristo na última ceia, e no qual José de Arimatéia havia recolhido o sangue que jorrou do lado de Cristo quando o centurião o lançou.

Poderia haver então o risco de misturar o sacro com o lendário, a Religião com as lendas? É o que tem ocorrido durante séculos e que ainda atrai o interesse e curiosidade de muitos, devido ao «mistério» velado, que acaba servindo à imaginação geral e ao lucro pessoal de escritores que sabem desfrutá-lo com deformações atrativas para filmes com propósitos anticristãos.

Esta não é, porém, razão para evitar o termo consagrado também pela literatura, porque devem ser as questões menores a servir ao conhecimento das maiores, não o contrário. A atração por esse termo, que é usado para o «Cálice sagrado», procede da devoção ao Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, que desde sempre representa o «supremo poder» nesta terra. Esta é a visão clara e constante que condiciona toda outra, apesar das névoas e nódoas que tentaram ofuscá-la.

E visto que o ser humano é afeto da ambição do poder, sobretudo de dominar e perpetuar a vida, o termo em questão foi ligado à alquimia, à «pedra filosofal» e até ao Reich, perdendo a sua razão espiritual para as almas.

Quantos somos ainda a meditar sobre a verdadeira vida espiritual que nos permeia a alma como o sangue o nosso corpo? Quantos somos ainda a entender que na Palavra revelada do Verbo tudo se liga; vida e morte fluem do pensamento divino para indicar o destino humano voltado ao céu do amor de Deus?

Para meditá-lo e viver essa fé, esperança e caridade, Nosso Senhor Jesus Cristo edificou sua Igreja a fim de confirmá-lo neste mundo maculado.

Por isto, na dissipação desse pensamento, se percebe quão poucos se aproximam ainda temerosos do verdadeiro altar do Verbo de Deus, ao qual nada da vida em qualquer tempo foi ou será alheia.

Aqui, portanto, haverá o empenho em voltar, sempre de novo, à justa tensão na fé, esperança e caridade, que suscita a menção do Sangue salvador de nosso Divino Redentor junto ao Imaculado Coração de Maria, porque isto nos invoca a menção do «Sacro Cálice» e veremos as profundas razões dessa atração.

Como a referência para o católico é sempre a Revelação conhecida pela Tradição oral e escrita, é a esta que vamos recorrer desde o primeiro Livro das Escrituras e seguindo depois o especial testemunho apostólico de São Paulo.

Para desenvolver o tema proposto, há porem que partir da realidade presente no mundo e na Igreja, voltando ao mistério das primeiras visões do livro da Gênese, que podem clarear, se soubermos lê-lo, a nossa hodierna hora tenebrosa, em que se manifesta cada vez mais o desvario de que é capaz o ser humano decaído. Tenebroso hoje é o que ocorre na mesma terra de Jesus e Maria, onde sobre a faixa de Gaza, se desencadeia o furor de um povo, perseguido até tempos recentes, mas que hoje é o mais militarmente equipado da história. Ali se massacram os nativos aglomerados num território que foi transformado num «gueto» onde falta tudo, desde água até alimentos e remédios para uma população desesperada.

E tudo isto na indiferença, senão hostilidade, de nações outrora cristãs, mas hoje de imensas maiorias degeneradas que vivem desinteressados da vida eterna de suas almas, vegetando no meio de vícios sem fim para o gozo de seus corpos.

De um lado, atrozes episódios sangrentos de guerras e abortos, do outro, insanas rapinas mentais da manipulação genética, através da famigerada «evolução» das ciências com engenharias para «criar clones» de indivíduos rebeldes ao Criador. Uma hora terminal!

Na Revelação encontramos uma palavra sobre esta condição extrêma na leitura do livro da Gênese, logo após a transgressão de Adão e Eva do único preceito dado então por Deus: “Podes comer do fruto de todas as árvores do jardim; mas não comas do fruto da árvore da ciência do bem e do mal; porque no dia em que dele comeres, morrerás indubitavelmente.” (Gn 2,17)

Adão conhecia portanto o que representava a ameaça de morrer, mas com Eva preferiram iludir-se aderindo ao sussurro diabólico: (Gn 3, 4) “Oh, não! não morrereis! Deus bem sabe que, no dia em que dele comerdes, vossos olhos se abrirão, e sereis como deuses, conhecedores do bem e do mal.”

Eis como o gênero humano caiu nos primeiros pais e mereceu a sentença divina: “Porque comeste do fruto da árvore que eu te havia proibido comer, maldita seja a terra por tua causa. Tirarás dela com trabalhos penosos o teu sustento todos os dias de tua vida. Ela te produzirá espinhos e abrolhos, e tu comerás a erva da terra. Comerás o teu pão com o suor do teu rosto, até que voltes à terra de que foste tirado; porque és pó, e pó te hás de tornar.” (Gn 3, 17-19: 21)

«O Senhor Deus fez para Adão e sua mulher umas vestes de peles, e os vestiu. Deus disse: “Eis que o homem se tornou como um de nós, conhecedor do bem e do mal. Agora, pois, cuidemos que ele não estenda a sua mão e tome também do fruto da árvore da vida, e o coma, e viva eternamente.”

É a frase misteriosa da Revelação depois que Deus veste a criatura humana para enfrentar a sobrevivência no frio e agruras da vida fora do Jardim do Paraíso, mas reconhecendo nosso poder no mal.

Que pensar dessa frase da Trindade divina sobre o risco do poder humano de colher do fruto da árvore da vida e viver eternamente?

Alguns exegetas lêem-na como motejo divino diante da pretensão do homem de contrariar a sentença divina, porque em «Deus expulsou-o do jardim do Éden, para que cultivasse a terra donde tinha sido tirado. 24. E colocou ao oriente do jardim do Éden querubins armados de uma espada flamejante, para guardar o caminho da árvore da vida.

Na verdade, muito mais desde então estava nos desígnios de Deus Uno e Trino para a recuperação do ser humano, o vivente à sua Imagem e Semelhança, que iria viver livre, mas com o espírito alienado do Jardim da árvore do bem e da vida.

Era o divino desígnio da própria paixão, tormento de cruz e morte do Filho do homem, a segunda pessoa da Santíssima Trindade, para que, compartilhando da humanidade e sofrimentos da criatura que criara livre, mas que decaíra, poder remi-la para a vida eterna.

Para isto a Sabedoria divina havia previsto a «outra Imaculada criação».

Aquela frase com aspecto de motejo era nada menos que o sublime desígnio de uma compaixão que impunha o Sacrifício do Filho pelo Pai, o sorver do cálice de dores lacerantes, previstos na última Ceia e depois no sangue e água jorrados do lado de Jesus Cristo morto na cruz e recolhidos por José de Arimatéia.

Eis que um Sacro Cálice ficou sendo o símbolo do poder no Sangue derramado para o bem de uma humanidade, que no tempo primordial arriscou – para viver eternamente – perder-se para sempre com a rapina do fruto da Árvore da vida.

São muitos os que no mundo empolgam-se com uma visão do poder humano sobre o próximo e sobre a matéria, seja no micro como no macro cosmo.

Isto marcou e marca toda a história humana com a idéia de perpetuar-se com o controle pelo império seja sobre a vida dos povos, seja sobre as células e espaços siderais; uma soberania conquistada pelo progresso das ciências!

Ao lado disso, resta, porém constante uma tênue intuição que todo está além; pode estar no segredo do Sangue de Cristo, no mistério do Rei de todos os mundos. Sim, um Reino presente e visível numa Igreja que ninguém consegue abater, apesar que hoje, falsos cristos e míseros profetas conseguiram ocupá-la e perverter sua lei e imagem no mundo; conseguiram degradar quase por inteiro sua classe clerical. Basta ouvir o que elucubram até os que parecem ser seus melhores, como o dúbio mons. Williamson (do «sedeplenismo» de Caifás, ver http://wp.me/pWrdv-rw), e sobre o poder de Cristo Rei, simples «reino de amor» do erudito Paulo Ricardo. Tudo para honrar os seus anticristos conciliares, que depuseram o «Trirregno» a Tiara dos três poderes do Vigário de Cristo, como se a Verdade trazida por Nosso Senhor não fosse princípio de Lei para todo este mundo humano de nações.

Seria melhor dizer, para ser conforme ao Magistério, especialmente de Pio XI, que o Reino de Jesus vai além deste mundo, porque impregna as leis da sociedade humana neste mundo em vista do outro, eterno. Mas a igreja conciliar dispensa a necessidade desse Reino para todas as gentes e prefere a separação da Igreja do Estado; dispensou o Trirregno e com isto eliminou por um tempo o poder do Vigário de Cristo e seu séquito, como se viu no 3º Segredo de Fátima.

A desculpa para esse massacre foi o minimalismo do «reino de amor», que, no seu relativismo ecumenista serve a gregos e troianos, mas abre à perdição!

Para nós católicos, foi Deus mesmo no Seu poder a criar esse Cálice do Sangue, da Vida e da morte lacerante de Jesus Cristo, esse Graal de «outra criação», como está na Carta de São Paulo aos Hebreus (9, 11); Cálice vivo que tem o Santo Nome da Mulher e Mãe, criada para mediar essa Redenção, como se pode ver no ensinamento revelado transmitido pelos séculos e que foi visto por São Paulo.

Eis o Nome do poder que volta como única solução no nosso tempo. É o Nome de Maria Santíssima, a Medianeira de todas as graças, a cujo Imaculado Coração foi confiado o poder de converter homens e nações para instaurar por fim a Ordem da Verdade que seu divino Filho trouxe ao mundo. Sobre a busca da verdade sobre essa aparição e consagração prometidas, continuaremos a falar.

Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo!

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