Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

A FAMÍLIA QUERIDA PELA PROVIDÊNCIA DIVINA

Famiglia di Dio

Qual conforto e força nos dá saber que podemos pertencer à Família de Deus.

Este era o título de um livro do preclaro Padre Walter Mariaux S.J., ex-secretário mundial das Congregações Marianas, que foi meu Padre espiritual na Congregação Beatae Mariae Virginis a Bono Consilio nuncupatae in Collegio Paupolitano S. Aloisii.

Ao meditar que Deus revelou-se aos homens como Pai e encarnou-se por obra do Espírito Santo como Filho no seio da Mãe Imaculada, e ficou sob a guarda de São José, reconhecemos que revelou assim a Sua Família, onde queria adotar a todos como filhos. Por isto edificou também a Sua Casa universal, a Igreja, Reino de Deus para o bem e a ordem na terra.

Eis que nossa salvação em Deus e também na ordem deste mundo, passa pela Família, cuja revelação como Igreja e Reino indica ser certamente única. Deus nos quer adotar na Sua Família, dispensadora do Bem e da Verdade já na ordem terrena. Mas a adesão depende das pessoas e dos povos. Na sua falta prevalece a desordem.

Se a visão da Família, querida pela Providência, é alterada, temos uma crise mundial.

Pode-se entender isto no quadro histórico porque, no declinar dessa adesão num mundo descristianizado, hoje temos uma grande crise que avança inexoravelmente.

Todavia, o refúgio para esse mal crescente, ainda está na família, também nos países outrora cristãos, apesar da culpa a que devem responder mais que todos esta geração de católicos.

É inevitável constatar que a razão disto se deve ao poder de vozes desviantes que soam desde o seio da mesma Igreja, como se dispusessem de sua autoridade divina.

Para demonstrá-lo mencionamos aqui a linha do discurso de Bento 16 à Cúria na Véspera de Natal deste ano (21.12.2012), que embora reflita lampejos católicos, está imbuído de uma cultura iluministicamente deteriorada.

Os lampejos sobre a família poderiam ser de enorme importância no presente, quando se inventa até a família homo-sexual, mas são em seguida falseados pelo discurso inter-religioso pluralista conciliar, no qual a univocidade da Família de Deus é obliterada a favor de um diálogo com intenção ecumenista.

“…«Prope este iam Dominus, venite, adoremus! – O Senhor está perto; vinde, adoremos!». Também nós, como uma única família, nos preparamos para adorar, na gruta de Belém, aquele Menino que é Deus em pessoa e tão próximo que Se fez homem como nós… Todas estas ocasiões permitiram tocar temas fundamentais do momento presente da nossa história: a família (Milão), o serviço em prol da paz no mundo e o diálogo [?] inter-religioso (Líbano), bem como o anúncio da mensagem de Jesus Cristo, no nosso tempo, àqueles que ainda não O encontraram e a muitos que só O conhecem por fora e, por isso mesmo, não O reconhecem. De todas estas grandes temáticas, quero reflectir um pouco mais detalhadamente sobre o tema da família e sobre a natureza do diálogo, acrescentando ainda uma breve consideração sobre o tema da Nova [?] Evangelização… A grande alegria, com que se encontraram em Milão famílias vindas de todo o mundo, mostrou que a família, não obstante as múltiplas impressões [dialogadas] em contrário, está forte e viva também hoje; mas é incontestável – especialmente no mundo ocidental – a crise que a ameaça até nas suas próprias bases. Impressionou-me [!]que se tenha repetidamente sublinhado, no Sínodo, a importância da família para a transmissão da fé como lugar autêntico onde se transmitem as formas fundamentais de ser pessoa humana. É vivendo-as e sofrendo-as, juntos, que as mesmas se aprendem. Assim se tornou evidente que, na questão da família, não está em jogo meramente uma determinada forma social, mas o próprio homem: está em questão o que é o homem e o que é preciso fazer para ser justamente homem. Os desafios, neste contexto, são complexos. Há, antes de mais nada, a questão da capacidade que o homem tem de se vincular ou então da sua falta de vínculos. Pode o homem vincular-se para toda a vida? Isto está de acordo com a sua natureza? Ou não estará porventura em contraste com a sua liberdade e com a auto-realização em toda a sua amplitude? Será que o ser humano se torna-se ele próprio, permanecendo autónomo e entrando em contacto com o outro apenas através de relações que pode interromper a qualquer momento? Um vínculo por toda a vida está em contraste com a liberdade? Vale a pena também sofrer por um vínculo? A recusa do vínculo humano, que se vai generalizando cada vez mais por causa duma noção errada de liberdade e de auto-realização e ainda devido à fuga da perspectiva duma paciente suportação do sofrimento, significa que o homem permanece fechado em si mesmo e, em última análise, conserva o próprio «eu» para si mesmo, não o supera verdadeiramente. Mas, só no dom de si é que o homem se alcança a si mesmo, e só abrindo-se ao outro, aos outros, aos filhos, à família, só deixando-se plasmar pelo sofrimento é que ele descobre a grandeza de ser pessoa humana. Com a recusa de tal vínculo, desaparecem também as figuras fundamentais da existência humana: o pai, a mãe, o filho; caem dimensões essenciais da experiência de ser pessoa humana. Num tratado cuidadosamente documentado e profundamente comovente, o rabino-chefe de França, Gilles Bernheim, mostrou que o ataque à forma autêntica da família (constituída por pai, mãe e filho), ao qual nos encontramos hoje expostos – um verdadeiro atentado –, atinge uma dimensão ainda mais profunda. Se antes tínhamos visto como causa da crise da família um mal-entendido acerca da essência da liberdade humana, agora torna-se claro que aqui está em jogo a visão do próprio ser, do que significa realmente ser homem. Ele cita o célebre aforismo de Simone de Beauvoir: «Não se nasce mulher; fazem-na mulher – On ne naît pas femme, on le devient». Nestas palavras, manifesta-se o fundamento daquilo que hoje, sob o vocábulo «gender – gênero», é apresentado como nova filosofia da sexualidade. De acordo com tal filosofia, o sexo já não é um dado originário da natureza que o homem deve aceitar e preencher pessoalmente de significado, mas uma função social que cada qual decide autonomamente, enquanto até agora era a sociedade quem a decidia. Salta aos olhos a profunda falsidade desta teoria e da revolução antropológica que lhe está subjacente. O homem contesta o fato de possuir uma natureza pré-constituída pela sua corporeidade, que caracteriza o ser humano. Nega a sua própria natureza, decidindo que esta não lhe é dada como um fato pré-constituído, mas é ele próprio quem a cria. De acordo com a narração bíblica da criação, pertence à essência da criatura humana ter sido criada por Deus como homem ou como mulher. Esta dualidade é essencial para o ser humano, como Deus o fez. É precisamente esta dualidade como ponto de partida que é contestada. Deixou de ser válido aquilo que se lê na narração da criação: «Ele os criou homem e mulher» (Gn 1, 27). Isto deixou de ser válido, para valer que não foi Ele que os criou homem e mulher; mas teria sido a sociedade a determiná-lo até agora, ao passo que agora somos nós mesmos a decidir sobre isto. Homem e mulher como realidade da criação, como natureza da pessoa humana, já não existem. O homem contesta a sua própria natureza; agora, é só espírito e vontade. A manipulação da natureza, que hoje deploramos relativamente ao meio ambiente, torna-se aqui a escolha básica do homem a respeito de si mesmo. Agora existe apenas o homem em abstracto, que em seguida escolhe para si, autonomamente, qualquer coisa como sua natureza. Homem e mulher são contestados como exigência, ditada pela criação, de haver formas da pessoa humana que se completam mutuamente. Se, porém, não há a dualidade de homem e mulher como um dado da criação, então deixa de existir também a família como realidade pré-estabelecida pela criação. Mas, em tal caso, também a prole perdeu o lugar que até agora lhe competia, e a dignidade particular que lhe é própria; Bernheim mostra como o filho, de sujeito jurídico que era com direito próprio, passe agora necessariamente a objeto, ao qual se tem direito e que, como objeto de um direito, se pode adquirir. Onde a liberdade do fazer se torna liberdade de fazer-se por si mesmo, chega-se necessariamente a negar o próprio Criador; e, consequentemente, o próprio homem como criatura de Deus, como imagem de Deus, é degradado na essência do seu ser. Na luta pela família, está em jogo o próprio homem. E torna-se evidente que, onde Deus é negado, dissolve-se também a dignidade do homem. Quem defende Deus, defende o homem…”

Bento 16 fala de um seu conciliar «magistério petrino», que deve recorrer a um «magistério rabínico», evidentemente porque o seu esclarece menos que esse.

“Gostava de chegar ao segundo grande tema que, desde Assis até ao Sínodo sobre a Nova Evangelização, permeou todo o ano que chega ao fim: a questão do diálogo e do anúncio. Comecemos pelo diálogo. No nosso tempo, para a Igreja, vejo principalmente três campos de diálogo, onde ela deve estar presente lutando pelo homem e pelo que significa ser pessoa humana: o diálogo com os Estados, o diálogo com a sociedade – aqui está incluído o diálogo com as culturas e com a ciência – e, finalmente, o diálogo com as religiões. Em todos estes diálogos, a Igreja fala a partir da luz que a fé lhe dá.

Como ensina Santo Tomás de Aquino, “a heresia por si se opõe à Fé” (S. Th., II-II, q. 39, a. 1, ad 3), e “hereges são aqueles que professam a Fé de Cristo mas corrompem os seus dogmas” (S. Th., II-II, q. 11, a. 1, c.). Aqui se trata da «igreja conciliar» que fala a partir de sua fé estragada, que não encarna, mas despreza a memória pela qual o homem pode reconhecer o que significa ser filho de Deus, que o criou e quis a sua família, à imagem e semelhança da divina. A nova igreja conciliar, aberta ao mundo da falsa civilização do «aggiornamento» de toda verdade, só reconhece em si mesma o critério verdadeiro. Ora, sem a memória da sua única origem, perde a noção de sua própria identidade. Assim foi com o aparato humanista, iluminista e ecumenista conciliar, que perde, com a memória da única Família querida por Deus, a própria identidade católica.

“Aquilo que foi dado ver à Igreja, no encontro entre revelação e experiência humana e que ultrapassa  sem dúvida o mero âmbito da razão”, constitui um estorvo no mundo ecumenista porque cada religiosidade tem seu padrão de família, que para o não-crente, difere do que seja a Família de Deus. Qual diálogo do Estado da sociedade laicista com a Igreja que tem uma visão revelada e soluções prontas para as diversas questões? Mas, o aparato conciliar e modernista “unido às outras forças sociais, lutará pelas respostas que melhor correspondam à justa medida do ser humano” segundo os tempos. “Aquilo que ela identificou como valores fundamentais, constitutivos e não negociáveis da existência humana, deve defendê-lo com a máxima clareza [!]. Deve fazer todo o possível por criar uma convicção que possa depois traduzir-se em ação política”.

Note-se a maliciosa contradição da «clareza» do liberalismo modernista, «criar  uma convicção», como se já não existissem normas «inegociáveis sobre o ser humano»!

Para o anti-cristão dos anticristos conciliares; “Na situação atual da humanidade, o diálogo das religiões é uma condição necessária para a paz no mundo, constituindo por isso mesmo um dever para os cristãos bem como para as outras crenças religiosas. Este diálogo de religiões possui diversas dimensões. Há de ser, antes de tudo, simplesmente um diálogo da vida, um diálogo da ação compartilhada. Nele, não se falará dos grandes temas da fé – se Deus é trinitário, ou como se deve entender a inspiração das Escrituras Sagradas, etc. –, mas trata-se dos problemas concretos da convivência e da responsabilidade comum pela sociedade, pelo Estado, pela humanidade. Aqui é preciso aprender a aceitar o outro na sua forma de ser e pensar de modo diverso.”

Eis as «questões de fé» que dispensam «Deus trinitário» no «ano da Fé»! Dispensam assim também o Pai o Filho e o Espírito Santo; a Encarnação e a Redenção; a Igreja e o Reino de Deus, sua Família e Ordem social, que é uma e única, indiscutível para o fiel e verdadeiro cristão. É isto a ser representado pelo Papado, cujo Vigário de Cristo é figura única que repete a Sua Palavra e não os delírios ecumenistas de que o mundo moderno nutre as suas crenças e desvarios. Assim fica demonstrado que no lugar do Papa católico, abatido simbolicamente com todo o seu séquito na visão do Segredo de Fátima, está alguém que prega ao mesmo tempo algo da Família querida por Deus, junto ao seu contrário, isto é a liberdade religiosa para “criar uma convicção que possa depois traduzir-se em acção política”; eis o domínio da política liberal aberta a todo erro e desvio anticristão, inspirado pelos «papas conciliares», que por isto mesmo só podem ser vigários do anticristo! Professam o «credo» de uma igreja que não é a Una e Santa.

Diante deste quadro tenebroso devemos permanecer fiéis à Família, Igreja e Reino estabelecidos por Deus Uno e Trino para a salvação de todos os homens. Não há outra e quem a ela pertence pela Fé, também recebeu a virtude da Esperança e da Caridade na missão de sua única evangelização, para todos os povos da Terra.

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