Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

O QUE FALTA NA BIOGRAFIA DE MGR LEFEBVRE?

No mundo de hoje os leitores sabem quanta sonegação da verdade circula em periódicos e também em livros, que parecem desfrutar de uma certa ‘autoridade’. Aqui, mais que as questões pessoais, nos interessam as que tocam a Doutrina, a Lei e a vida da Igreja e sua história. Neste sentido é que as pessoas dos bispos Marcel Lefebvre e Antônio de Castro Mayer são muito especiais e devem ser lembradas pelo testemunho de fé que prestaram nestes tempos da mais tortuosa perseguição da verdade.

mgr Lef. port.

Temos em vista três livros em francês, dos quais dois têm versão em português. São eles:

1º – «Vida de Mons. Marcel Lefebvre» de Mons. Bernard Tissier de Mallerais (Edição : Les amis de saint François de Sales, tradução da segunda edição corrigida);

2º – «La Gueule du Lion» – Monseigneur Antonio de Castro Mayer et le Dernier Diocèse Catholique . Dr. David Allen White, Éditions Sainte Jeanne D’Arc.

3º – «La nouvelle messe de Paul VI: qu’en penser? Arnaldo Vidigal Xavier da Silveira: Diffusion de la pensée française, Chiré-en-Montreuil, 1975.

Sobre este último e sua oportunidade já escrevi, mas muito ficou por contar, porque depois do que foi acontecendo as teses desse livro não só o tornava superado na sua oportunidade, como disse ao John Daly, que cogitou republica-lo, mas tornou-se nocivo. Aqui serão pois explicadas as razões disso, mesmo porque o livro é considerado quase um manual de princípios canónicos segundo os melhores autores!

Publicamos agora o que recebemos do Sr. Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral, que foi o principal tradutor da obra «Vida de Mons. Marcel Lefebvre» e que segue de perto e de há muito o que acontece na FSSPX. Para concluir, indicarei um documento dos dois preclaros Bispos não publicado e relatarei a sua breve história.

 ALGUMAS NOTAS SOBRE A DECADÊNCIA RELIGIOSA DAS CHEFIAS DA FRATERNIDADE SÃO PIO X NOS ÚLTIMOS VINTE ANOS.

“Devemos recordar-nos bem da asserção de Monsenhor Lefebvre: São os chefes que fazem os súbditos e não o contrário. Referia-se o arcebispo à possibilidade dum acordo formal entre a Fraternidade e o Vaticano em 1988. O próprio Monsenhor Lefebvre vacilou nessa ocasião, como é conhecido. Satanás tem conseguido enfraquecer os melhores de entre nós. Tem constituído um espectáculo muito triste, para todos os espíritos verdadeiramente combativos, o servilismo, a cobardia e mesmo a apostasia com que os mal escolhidos sucessores de Monsenhor Lefebvre pretendem arvorar a causa sacrossanta da Fé Católica nos últimos vinte anos. Será que não vêem que de cada vez que enaltecem e consagram como válidas as autoridades da Igreja conciliar enviam uma série de almas para o Inferno? Efectivamente se tais autoridades são verdadeiras, contradizendo formalmente as autoridades da Igreja do passado, então se infere que a Igreja se contradisse – ORA UMA INSTITUIÇÃO QUE SE CONTRADIZ NÃO PODE SER DIVINA. As autoridades da Fraternidade conferem assim plena sequência ao plano da maçonaria, a qual investiu a sério no suprareferido raciocínio. Que não nos iludamos: o plano maçónico gizado em meados do século XIX possuía duas vertentes fundamentais: 1- enquadrar a santa Doutrina numa moldura liberal; 2- Constituir uma encenação em que a Igreja pareça contradizer-se, com todos os corolários teológicos e canónicos subsequentes, como foi referido. Efectivamente, a Igreja conciliar quando proclama, materialmente, a verdade, procede enquadrando a santa Doutrina numa moldura liberal; daí resulta que, metafisicamente, necessariamente, uma tal moldura DESTRÓI TODO O CONTEÚDO DOGMÁTICO, TODO O CONTEÚDO MORAL E TODA A SÃ FILOSOFIA.

“É verdadeiramente o golpe de mestre de Satanás tão sublinhado por Monsenhor Lefebvre. Pois se a Igreja se enganou, durante toda a sua existência, em matéria grave e essencial (ex. Direitos do Homem), então ENGANOU-SE EM TUDO!!!

“Será que os senhores chefes da Fraternidade não vêem isto? Não vêem que a Igreja conciliar utiliza as referências culturais cristãs tal como Luís de Camões utilizou nos «Lusíadas» a mitologia da Antiguidade Clássica?

“Porque mesmo para a própria corrente sedevacantista chamada “privacionista,” na qual me filio, a verdade material dos heresiarcas significa somente que se eles se converterem (ou pelo menos se recuperarem a intenção formal de fazer o que faz a verdadeira Igreja) reintegrar-se-ão “ipso facto” em todas as prerrogativas das suas funções, portanto independentemente de qualquer outra formalidade jurídico-canónica. Antes disso só podem ser invectivados à conversão.

“Livros de conteúdo muito válido, publicados por membros da Fraternidade, tais como: “Cem anos de modernismo”do Padre Bourmaud, e “A religião do Homem” do Padre Calderon, padecem contudo da enfermidade da privação da conclusão formal final: A PLENA INVALIDEZ DA IGREJA CONCILIAR. E tudo por causa da TIRANIA dos chefes da Fraternidade, sequiosos de ficarem bem na fotografia do mundo.

“A própria biografia de Monsenhor Lefebvre de Bernard Tissier de Mallerais, válida do ponto de vista narrativo, recusa contudo proceder às conclusões que se impõem, quer no plano teológico, quer no plano da estratégia e coerência do combate. Neste quadro conceptual, não nos devemos surpreender que o cancro que corrói a parte humana e quantitativa do Corpo Místico, destrua muito em breve todo o contingente da Fraternidade. Oremos para que um movimento sacerdotal vigoroso, plenamente sobrenatural, mas com os pés bem assentes na Terra, escorrace dos seus cargos e da própria Fraternidade todos aqueles que profanam o santo Nome de Deus em contubérnios infames e altamente desonrosos para com aqueles que nos amaram tanto, que tudo deram pela nossa salvação.

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral                       18 de Janeiro de 2013

1986, o espírito do Vaticano 2 mostra sua cara em Assis

No dia 27 de outubro de 1986, João Paulo 2 convocou os representantes das grandes religiões do mundo para um encontro de oração pela paz em Assis. Ali, pronunciou estas palavras: “Que tantos líderes religiosos estejam aqui juntos para rezar … a fim de que o mundo tome consciência de que existe outra dimensão da paz … não é o resultado de … compromissos políticos e acordos econômicos, mas o resultado da oração que, na diversidade das religiões, exprime uma relação com um poder supremo que está por cima de nós. … Nosso encontro testemunha … que na grande batalha em favor da paz, a humanidade, com sua grande diversidade, deve tirar sua motivação das fontes mais profundas e vivificantes nas quais se plasma a sua consciência e sobre as quais se fundamenta a ação moral de toda pessoa. … Daqui iremos a diferentes lugares de oração. Cada religião terá o tempo e a oportunidade de exprimir-se em seu próprio rito tradicional.”

Assim o mundo assistiu ao espetáculo de bonzos incensando um Buda colocado sobre o Sacrário de um altar católico de onde havia sido removido o crucifixo. Concluindo as orações pela paz de Assis, João Paulo II disse: “Eu professo de novo minha convicção, condividida por todos os cristãos, de que em Jesus Cristo, salvador de todos, pode-se encontrar a paz. … Repito aqui humildemente a minha própria convicção: – a paz leva o nome de Jesus Cristo.” Como conciliar a convicção expressa nestes atos e palavras com o convite de oração pela paz feito aos representantes de crenças não cristãs? Poderia um papa ignorar sua missão de ensinar e confirmar a fé de modo universal?

Em abril de 1987 o Grande Oriente da Itália publica: “O nosso interconfessionalismo nos causou a excomunhão de 1738 por parte de Clemente XII. Mas a Igreja estava certamente em erro se é verdade que dia 27 de outubro de 1986 o atual pontífice reuniu em Assis homens de todas as confissões religiosas para rezar pela paz. Que procuravam de diferente nossos irmãos quando se reuniam nos templos senão o amor, a tolerância, a solidariedade e defesa da dignidade humana, considerando-se iguais acima dos credos políticos e religiosos?” A maçonaria dava razão a João Paulo II, que dava razão a esta e a imitava em detrimento de tudo quanto a Igreja ensinou. Ora, para quem crê que é possível pedir pela paz sem invocar o santo Nome de Deus e professar Sua fé, também a Mensagem de Fátima, pela qual Deus confiou a paz do mundo ao Imaculado Coração de Maria, não pode ter sentido, ou pelo menos importância. De fato, o espírito ecumaníaco de Assis não é conciliável como o verdadeiro ecumenismo de Fátima que convida à conversão à fé católica. Foi assim que uma imagem de Nossa Senhora de Fátima levada a Assis por peregrinos da Calábria ficou ali excluída das igrejas naquela ocasião.

Vejamos o que declararam os dois Bispos fiéis em relação a este ato inaudito:

Dich.Bs.Aires.860001 

DECLARAÇÃO (como conseqüência dos acontecimentos da visita de João Paulo II à Sinagoga e ao Congresso das Religiões em Assis). Roma mandou nos perguntar se tínhamos a intenção de proclamar nossa ruptura com o Vaticano por ocasião do Congresso de Assis. Parece-nos que a pergunta deveria, antes ser esta: o senhor acredita e tem a intenção de declarar que o Congresso de Assis consuma a ruptura das autoridades romanas com a Igreja Católica?Porque é precisamente isto que preocupa àqueles que ainda permanecem católicos. Com efeito, é bastante evidente que, desde o Concílio Vaticano II, o papa e os episcopados se afastam, de maneira cada vez mais nítida, de seus predecessores. Tudo aquilo que foi posto em prática pela Igreja para defender a Fé nos séculos passados, e tudo o que foi realizado pelos missionários para difundi-la, até o martírio inclusive, é considerado doravante como uma falta da qual a Igreja deveria se acusar e pedir perdão. A atitude dos onze papas que, desde 1789 até 1958, em documentos oficiais, condenaram a revolução liberal, é considerada hoje como “uma falta de compreensão do sopro cristão que inspirou a revolução.”

Donde a reviravolta completa de Roma, desde o Concílio Vaticano II, que nos faz repetir as palavras de Nosso Senhor àqueles que O vinham prender. “Haec est hora vestra et potestas tenebrarum.” Esta é a vossa hora e o poder das trevas. (Lc, 22:52-53)

Adotando a religião liberal do protestantismo e da revolução os princípios naturalistas de J.J. Rousseau, as liberdades atéias da Constituição dos Direitos do Homem, o princípio da dignidade humana já sem relação com a verdade e a dignidade moral, as autoridades romanas voltam as costas a seus predecessores e rompem com a Igreja católica, e põem-se a serviço dos que destroem a cristandade e o Reinado Universal de Nosso Senhor Jesus Cristo. Os recentes atos de João Paulo II e dos episcopados nacionais ilustram, de ano para ano, esta mudança radical de concepção da fé, da Igreja, do sacerdócio, do mundo, da salvação pela graça. O cúmulo desta ruptura com o magistério anterior da Igreja, depois da visita à sinagoga, se realizou em Assis.

O pecado público contra a unicidade de Deus, contra o Verbo Encarnado e Sua Igreja faz-nos estremecer de horror: João Paulo II encorajando as falsas religiões a rezar a seus falsos deuses: escândalo sem medida e sem precedente. Poderíamos retomar aqui nossa declaração de 21 de novembro de 1974, que permanece mais atual que nunca.

Quanto a nós, permanecendo indefectivelmente na adesão à Igreja Católica e Romana de sempre, somos obrigados a verificar que esta religião modernista e liberal da Roma moderna e conciliar se afasta cada vez mais de nós, que professamos a Fé católica dos onze papas que condenaram esta falsa religião. A ruptura, portanto, não vem de nós, mas de Paulo VI e de João Paulo II, que rompem com seus predecessores.

Esta negação de todo o passado da Igreja por estes dois papas e pelos bispos que os imitam é uma impiedade inconcebível e uma humilhação insuportável para aqueles que continuam católicos na fidelidade a vinte séculos de profissão da mesma Fé.

Por isso, consideramos como nulo tudo o que foi inspirado por este espírito de negação: todas as Reformas pós-conciliares, e todos os atos de Roma realizados dentro desta impiedade.

Contamos com a graça de Deus e o sufrágio da Virgem Fiel, de todos os mártires, de todos os papas até o Concílio, de todos os santos e santas fundadores e fundadoras de ordens contemplativas e missionárias, para que venham em nosso auxílio na renovação da Igreja pela fidelidade integral à Tradição.

Buenos Aires, 2 de dezembro de 1986  Marcel Lefebvre, Arcebispo-Bispo emérito de Tulle;  Antônio de Castro Mayer, Bispo emérito de Campos, que concorda plenamente com a presente declaração e a faz sua.

Concluímos perguntando como é possível que a Fraternidade de Mgr Lefebvre e os padres de Campos, que tiveram a honra de terem um Bispo como Dom Mayer, deixem de lado este testemunho.

Isto já acontecia em 1986 com a publicação tardia desse importante comunicado para todo Católico.

É claro que declarações episcopais de tal importância para a Fé da Igreja e a fiel reação a elas fazem parte da longa vida da Igreja. O resto, que vai contra a Fé, ou não a defende por respeito a «anticristos no Vaticano», devem ter um bem escuro registro (cf. Ap 13, 8; 17, 8)… vão para o mais negro «sumidouro da história».

Uma resposta para “O QUE FALTA NA BIOGRAFIA DE MGR LEFEBVRE?

  1. Antônio Carlos Faria Paz abril 8, 2013 às 9:02 pm

    Sou muito simpático à tradição, sou estudioso de assuntos católicos.
    Gostaria que o Sr. enviasse a mim, a título de DOAÇÃO, um exemplar dos dois livros supra mencionados, que tem tradução em português, pois meus recursos são parcos para aquisição.
    Meu endereço: Antônio Carlos Faria Paz
    Rua Padre José Mariano, 242
    35.550-000 – Itapecerica/MG

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