Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

PODE O CATÓLICO CONTESTAR A INFALIBILIDADE DA IGREJA? L’Eglise de Paul 6: Qu’en penser?

Montagem fotográfica reconstitui momeno em que a imagem de Nossa Senhora é projetada no centro do Labirinto de Chartres na festa da Assuncao

Festa da Purificação da Purissima Virgem Maria

Nossa Senhora do Bom Sucesso que por fim triunfará!

Purissima

Pode o católico nutrir uma indefinível suspeita sobre as certezas da Fé?

É possível duvidar da solidez da própria fé e da dos homens, mas o católico não pode duvidar da infalível Fé da Igreja. Esta vem diretamente de Deus para a missão da Igreja de converter e salvar as almas. Por causa da volta desta dúvida hoje, não se pode deixar de discuti-la com toda a atenção e capacidade de que dispomos.

Considerações sobre um princípio do livro

do Dr. Arnaldo Xavier da Silveira, “La Nouvelle Messe de Paul VI: Qu’en Penser?”, de 1975, Diffusion de la Pensée Française, Chiré-en-Montreuil

É a razão porque considero bom e útil tratar da questão, especialmente se quem levanta a dúvida é um autor de peso como o Dr. Arnaldo Xavier da Silveira, estudioso que de certo merece atenção maior que a do meu modesto blog sobre o que parece um dilema insolúvel. Este conhecido autor me escreve, creio, porque nossas almas têm um elo extra na comunhão dos santos devido à indelével pertença à mesma Congregação Mariana (de há 66 anos) votada à defesa da Fé, sem a qual não há salvação. Diz:

“Agradeço suas observações sobre meu artigo contra Mons. Müller. Lamento as divergências que se verificam entre nós. A questão de fundo é saber se a infalibilidade é monolítica, isto é, se em documento oficial do Papa e do Concílio pode haver proposição errônea, herética ou heretizante. Mesmo assim permito-me submeter à sua crítica o artigo anexo, que acabo de publicar. Em especial, eu agradeceria uma palavra sua sobre a nota de rodapé no 6, na qual digo que um esclarecimento de Bento XVI sobre o caráter monolítico da infalibilidade seria muito oportuno. Se São Pedro, levando outros consigo, entre os quais São Barnabé (Gal., 2, 11-16), foi repreensível em matéria doutrinária (Sto. Tomás, S. Theol. I-II, q.103), por que um Papa e um Concílio não o poderiam ser? Com um abraço, sou cordialmente seu, in Jesu et Maria, Arnaldo Xavier da Silveira, em 25-01-13.

Segue o ponto colocado pelo Autor, que pede minhas observações sobre o tema posto da seguinte forma:

«Trata-se do princípio de que pode haver erros e heresias em documentos do Magistério pontifício e conciliar não garantidos pela infalibilidade [2].  Com efeito, esse princípio está em geral ausente dos arrazoados antimodernistas, que nos últimos decênios têm alimentado e sustentado o orbe católico com a boa doutrina». Ver “La Nouvelle Messe de Paul VI: Qu’en Penser?”, que publiquei em 1975, Diffusion de la Pensée Française, Chiré-en-Montreuil, parte II, caps. IX et X, e trabalhos ali citados.

Este «princípio» seria apoiado pelo que antecipamos aqui do ponto 5 de seu último escrito.

5.    Negar de modo absoluto a possibilidade de erro ou mesmo de heresia em documento pontifício ou conciliar não garantido pela infalibilidade, é atribuir a esta um caráter monolítico, que não corresponde ao que Nosso Senhor quis e fez ao instituí-la. As prefiguras neotestamentárias são claras: a barca de Pedro quase soçobrou, só sendo salva por um milagre; Pedro renegou a Jesus Cristo, e não esteve ao pé da Cruz. Para o episódio da resistência de São Paulo a São Pedro na questão dos ritos judaicos, busquem-se as explicações mais subtis que possam ser excogitadas, mas é incontroverso que São Pedro era “digno de repreensão” (“reprehensibilis erat”) [Gal. 2, 11].

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Ora, das menções acima só pode ser considerado apodítico para a questão tratada o argumento do mau comportamento de Pedro nas circunstâncias descritas, e como sumo pontífice, mormente após a Pentecostes: “o episódio da resistência de São Paulo a São Pedro na questão dos ritos judaicos: São Pedro (“reprehensibilis erat”) passível de repreensão, porque errou, mas entendeu o erro no proceder cristão, que emendou no seu magistério, que passou a constituir o infalível Magistério da Igreja, que nos guia desde então.

Daí se conclui que ele podia, mas não queria errar na questão de costumes que dizia respeito à Fé. E isto justifica a consideração de que para não errar precisava da intervenção divina, da infalibilidade pontifícia para “confirmar os irmãos” na Fé com uma orientação nela infalível.

Pedro confessou o amor por Jesus e sua Palavra divina e recebeu a graça especial de ser assim nela infalível. Esta é a exegese que faz a infalível Constituição apostólica «Pastor aeternus» (18.7.1870), baseada na oração de Jesus “Eu orei por ti, para que a tua fé não falhe; e tu, uma vez convertido, confirma os teus irmãos” (Lc 22, 32); «convertido» a que, senão à Fé infalível, que devia confirmar pelos séculos afora?

A razão de ser do poder papal já era tal desde o início da Igreja: para a fé,  «carisma de verdade e de fé, divinamente conferido… que nunca falhou»«De fato o Espírito Santo foi prometido aos sucessores de Pedro não para que com inspiração pessoal propusessem uma nova doutrina, mas para que religiosamente guardassem e fielmente ensinassem, graças à Sua assistência, a revelação transmitida aos Apóstolos, ou seja, o depósito da Fé. » Inútil dizer que o ensino do Papa já era infalível nessa Intenção – em virtude da oração de Jesus para a fé de Pedro (e sucessores) – muito antes que Pio IX proclamasse tal verdade na Constituição apostólica «Pastor aeternus» (sublinhado nosso).

Eu havia respondido no último escrito com textos não convincentes para o Autor, embora fossem citações também papais. Por exemplo, do Papa Pio VI.

A graça da infalibilidade divina era necessária devido à imperfeição humana dos vigários de Jesus Cristo no cargo instituído para preservar a Fé da Igreja. Esse cargo é definido pelo amor e vontade do seu titular em guardar e ensinar a Fé recebida sem mancha.

É, de fato, condição ontológica para ser eleito papa professar a Fé católica. Esta pode então beneficiar, para o bem geral, do carisma extra da infalibilidade a fim de transmitir a certeza divina da mesma Fé, “sem a qual não se pode agradar a Deus” e tanto menos se pode representá-Lo para ensinar erros e heresias. Aqui, Fé em letra maiúscula é substantivo que está para a Crença suscitada por Deus, a Religião divina. Em minúscula, é a imperfeita fé humana pessoal, que deve almejar conformar-se sempre à Fé, virtude suscitada por Deus.

O Papa Leão XIII trata da questão da infalibilidade na enc. «Satis cognitum»: “Porque é necessário que todos os cristãos estejam unidos entre si pela comunhão de uma Fé imutável, nosso Senhor Jesus Cristo, em virtude de suas orações, obteve para Pedro que no exercício de seu poder sua fé nunca falhasse (Lc 22, 32). E ordenou-lhe também que, toda vez que as circunstâncias o pedissem, comunicasse aos seus irmãos a luz e a força de sua alma: «Confirma teus irmãos». Assim, quer que quem foi designado como fundamento da Igreja, seja coluna da Fé.”

A esta questão está ligada a da obediência e ainda Leão XIII na enc. «Sapientiae christianae» (10.1.1890) ensina: “Ao definir os limites da obediência devida aos pastores de almas e, especialmente, o Romano Pontífice, não se deve pensar que eles contêm apenas os dogmas aos quais a inteligência deve aderir, cuja obstinada recusa constitui o crime de heresia. Nem sequer é suficiente dar um assentimento sincero e firme às doutrinas que, sem nunca terem sido definidas por qualquer juízo solene da Igreja, são no entanto propostas à nossa fé, pelo seu magistério ordinário e universal, como sendo divinamente reveladas, e que, de acordo com o Concílio Vaticano, devem ser acreditadas de fé católica e divina. É preciso, além disso, que os cristãos aceitem como dever deixar-se reger, governar e guiar pela autoridade dos bispos e, em  especial pela da Sé Apostólica. Quanto isto seja razoável é fácil demonstrar. De fato, entre as coisas contidas nos ditames divinos, alguns se referem a Deus, o princípio da felicidade que esperamos, e os outros ao próprio homem e aos meios para alcançar esta felicidade. Cabe por direito divino à Igreja e na Igreja ao Romano Pontífice, determinar nessas duas ordens o que se deve crer e fazer. É por isso que o Papa deve poder julgar com autoridade sobre o que contêm a Palavra de Deus, decidir que doutrinas concordam com Ela e quais as que A contradizem. Da mesma forma, na esfera da moral, cabe a ele determinar o que é bom e o que é mau, o que é preciso cumprir e evitar se quisermos alcançar a salvação eterna, caso contrário, ele não poderia ser nem o intérprete infalível da Palavra de Deus, nem o guia seguro da vida humana.”

Como esse julgamento do que é bom ou mau depende da Fé íntegra e pura para guiar à salvação milhões de almas – missão do Pastor universal, o Papa -, quem não professa essa Fé imutável: “não poderia ser nem o intérprete infalível da Palavra de Deus, nem o guia seguro da vida humana”não pode ser nem mesmo candidato ao cargo de representante de Deus, cargo instituído divinamente para essa missão, que recebe diretamente de Deus e não da Igreja o seu poder apostólico.

Aqui já está a resposta da Sede Apostólica, confirmando que sem a fé ninguém pode ser papa (a evidente condição ontológica já mencionada). Atualmente há, portanto, que reconhecer apesar do incrível atraso, a posição canônica ilegítima de quem demonstra professar com a sua doutrina, atos e gestos outra fé (modernista e ecumenista) para mudar a Fé da Igreja. Prestaria um falso testemunho quem afirmasse que nessa ação «revolucionária» contínua, que dura há mais de meio século, podem ser vistos e apurados apenas erros esparsos, talvez heresias materiais e ocasionais, na série dos assim chamados «papas conciliares».

Só quem desconhece o Magistério papal, em especial o de São Pio X sobre o modernismo, pode ignorar a entidade desse desvio e seu modo de operar revolucionário. Aliás, sobre o que seja a crise causada pela «Revolução», temos a página magistral do pensador Plínio Corrêa de Oliveira que bem a classifica como processo universal, uno, total e dominante, que atinge o fundo da alma humana.

Recentemente sobre o quinzenal «si si no no» (julho de 2012) essa obra foi lembrada para mencionar uma abertura daquele Autor à Maçonaria anglo-americana, deista e não anti-clerical, para concluir que “non la sola Massoneria opera la Rivoluzione, ma anche il Giudaesimo incredulo…”.

Nessa oportunidade assinalei no meu editorial no sito www.agerecontra.it, ser impossível enfrentar a subversão total, sem reconhecer, não só os inimigos e métodos contra a Ordem cristã e a Igreja, mas principalmente o seu alvo final, que é o de abater o Papado católico e assim mudar a Igreja no sentido almejado pela «Revolução» por antonomásia, que vai alem do protestantismo e do iluminismo atualizado por Bento 16. Isto ocorreu como è historicamente reconhecível nos fatos sucessivos à morte de Pio XII com o Vaticano 2, que o mesmo Dr. Plínio descreveu, como ouvi dele, o maior desastre para a Igreja. Foi a razão do livro sobre a possibilidade de heresia papal, que promoveu junto com Dom Mayer; um oportuno brado de alerta, depois usado diversamente! Hoje, o livro pesa devido justamente ao aspecto negativo de fazer crer que a Igreja, sociedade perfeita, não disponha de lei para impedir a sua «auto-demolição» por um clero infiltrado.

Sobre esse extremo atentado à Fé na pessoa do Papa e seu séquito fiel, estou convencido verte a simbólica visão do Segredo de Fátima, que seria mais clara no tempo de João 23, em1960.

Em todo caso, com todos os elementos objetivos que apontam para a grande ruptura na origem da mega crise hodierna, haveria que reconhecer que o fim revolucionário de abater o Papado católico foi atingido. Hoje temos «papas» que pregam o iluminismo ecumenista até para os muçulmanos (Disc. 22.6.06, de Bento 16). Falar destes como de simples erros ou heresias casuais inseridos num legítimo magistério papal, admitindo isso como hipótese teológica, é querer levantar um dedo para obscurecer o sol. E como o Sol de nossa Fé é Jesus Cristo que ensinou: “Cuidai que ninguém vos engane, porque virão falsos Cristos e falsos profetas…”, arrisca-se esconder Seus mesmos avisos salvadores para tempos extremos, anunciados pela sua Santa Mãe.

Não se pode ficar «empalhado» em hipóteses, quando a realidade do atentado à Fé ultrapassou todos os limites em documentos, atos e gestos, causando frutos nefastos para as almas. São décadas vividas no meio de misérias de toda ordem num mundo cada vez mais anti-cristão, como sabe bem o amigo Dr. Arnaldo, que me escreve agora para discutir seu escrito com o seguinte título:

«INFALIBILIDADE MONOLÍTICA E DIVERGÊNCIAS ENTRE ANTIMODERNISTAS»

O mundo católico deve muito ao povo simples que conserva a fé verdadeira, bem como aos escritores e homens de ação antimodernistas que nos últimos decênios têm desenvolvido amplamente as doutrinas e ações em defesa do depósito sagrado da Tradição. Em variados campos da teologia, especialmente na eclesiologia e na liturgia, o aprofundamento dos princípios tradicionais tem sido notável; e, no terreno prático da vida católica, igualmente, os antimodernistas têm batalhado com denodo heroico que no futuro a História da Igreja registrará com destaque.

Divergências nos meios antimodernistas

2. Não são poucos, entretanto, os desacordos que têm surgido, na teoria como na prática, entre os antimodernistas. Alguns aceitam incondicionalmente o Concílio Vaticano II, outros não. Alguns se denominam tradicionalistas, outros rejeitam essa qualificação [1]. Alguns dizem que o Papa Honório foi herege, outros o negam, e análogas divergências existem em relação a numerosos fatos da história da Igreja. Muitos adotam algumas teorias doutrinárias modernistas, a ponto de se afastarem da ortodoxia, embora continuem a dizer-se tradicionalistas. E por aí seguem as diferenças nos modos de ver, chegando com frequência a graves aversões pessoais.

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[1]  Para indicar o gênero daqueles que abraçam a fé verdadeira, seguindo a Tradição católica, emprego de preferência o termo “antimodernistas”, que parece mais abarcativo do que os demais que são correntes, como ”tradicionalistas” e “antiprogressistas”.

3.      No atual momento histórico, não parece possível conciliar posicionamentos tão diversos e mesmo opostos entre si. É de esperar que, com o tempo, com o amadurecimento das idéias, com o influxo da graça que não pode abandonar a Igreja, as orientações dos fiéis verdadeiros caminhem para convicções convergentes e sólidas, de modo que, submissos ao Magistério como manda a lei da Igreja, os antimodernistas acabem por harmonizar melhor suas posições, respeitado sempre o velho princípio: in necessariis unitas, in dubiis libertas, in omnibus caritas.

Uma infalibilidade monolítica?

4.      Existe um ponto doutrinário fundamental ao qual não se vê que os doutrinadores mais eminentes do antimodernismo, bem como seus seguidores, dêem a importância devida. Trata-se do princípio de que pode haver erros e heresias em documentos do Magistério pontifício e conciliar não garantidos pela infalibilidade [2].  Com efeito, esse princípio está em geral ausente dos arrazoados antimodernistas, que nos últimos decênios têm alimentado e sustentado o orbe católico com a boa doutrina.

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[2]  Ver “La Nouvelle Messe de Paul VI: Qu’en Penser?”, que publiquei em 1975, Diffusion de la Pensée Française, Chiré-en-Montreuil, parte II, caps. IX et X, e trabalhos ali citados.

5         Negar de modo absoluto a possibilidade de erro ou mesmo de heresia em documento pontifício ou conciliar não garantido pela infalibilidade, é atribuir a esta um caráter monolítico, que não corresponde ao que Nosso Senhor quis e fez ao instituí-la…

Veja acima o comentário ao ponto 5 até “reprehensibilis erat”)… Ora, se «monolítico» aqui está para «perfeito», sem pechas, não há dificuldade em admitir que nada que o homem produz ou elabora, da língua à filosofia seja perfeito, absoluto. Mas se a idéia é de um «monolitismo» quanto a Fé, então são os papas a assegurar a impossibilidade de erro (até de heresia) em documento pontifício ou conciliar do magistério em questões de Fé e de Moral, que exclui questões contingentes, mesmo que estes textos não sejam garantidos pela infalibilidade. Compete a quem o nega demonstrar em que ponto isto ocorreu na longa História da Igreja para não incorrer em juízo temerário e difamar o magistério ordinário e universal da Igreja. Os raríssimos casos históricos passíveis de suspeita podem ter explicação suficiente devido à ambigüidade, com no caso do papa Honório I, condenado diversos anos depois de sua morte, devido à ambigüidade quanto à dupla Vontade de Jesus Cristo, perfeito Deus e perfeito homem.

Dos ensinamentos não infalíveis

6.      Na história da infalibilidade pontifícia prevalece até nossos dias, infelizmente, mesmo em autores tradicionais dos mais consagrados, a divisão simplista e dicotômica, segundo a qual o Papa só pode falar, em matéria doutrinária: (1) como doutor privado, ou (2) numa definição infalível do Magistério extraordinário. Para tais autores, “non datur tertium”, isto é, não há outro modo pelo qual o Papa possa falar, não há como fugir a essas duas alternativas. Nessa linha, fica na sombra a terceira possibilidade, que é a de um pronunciamento magisterial público mas não infalível. Com efeito, foi apenas a partir do século XIX que se explicitou melhor e se cristalizou a noção do Magistério ordinário não infalível, e que os Papas e os grandes doutores aprofundaram a doutrina preciosa e riquíssima segundo a qual o Magistério Ordinário pode gozar da infalibilidade, quando universal no tempo e no espaço, preenchendo ainda as demais condições da infalibilidade.

7.      Grandes autores da neoescolástica, preocupados em combater o liberalismo, o modernismo e heresias afins, ressaltaram sempre a autoridade doutrinária papal, parecendo insinuar às vezes uma infalibilidade monolítica, que subsistiria de modo absoluto em todas as circunstâncias, como se não dependesse de condições, nem mesmo das que foram expressamente declaradas no Concílio Vaticano I. Na neoescolástica encontra-se entretanto, com frequência, maior precisão nesses conceitos, tornando-se assim claro que, ocasionalmente, ou em períodos de crise, ou quiçá em outras circunstâncias extraordinárias, são possíveis pronunciamentos papais que não exprimam a verdade. E, nesta matéria, o que vale para o Papa vale também, mutatis mutandis, para o Concílio [4].

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[4]   “(…) o problema do critério da infalibilidade não se põe de maneira essencialmente diferente no caso do papa e no do concílio ecumênico. Um e outro, com efeito, podem ter a intenção de envolver sua autoridade de maneira apenas parcial, ou de maneira irrevogável. Somente esta última vontade é critério certo de infalibilidade” (Charles Journet, “L’Eglise du Verbe Incarné”, Desclée de Brouwer, 3ª ed. aumentada, 1962, t. I, p. 578, nº 1)].

8.      Há quem diga que, embora nem sempre garantido pela infalibilidade, um pronunciamento doutrinário papal ou conciliar não pode conter erro. Essa posição se enuncia melhor da seguinte forma: dizer que um ensinamento não é infalível, não significa que nele possa haver erro, significa apenas que tal ensinamento não está formalmente garantido pelo carisma da infalibilidade; para esse ensinamento, no entanto, mesmo não assegurado pela infalibilidade, permanece a assistência do Espírito Santo, e portanto vale o princípio de que não pode conter erro. ― A boa doutrina, contudo, é outra. Essa assistência prometida à Igreja pode ser absoluta, assegurando a verdade do ensinamento, e o é quando estão preenchidas as condições da infalibilidade. Quando, entretanto, não estão preenchidas tais condições, é possível a recusa da graça pelo homem. E aplica-se então a regra enunciada por Santo Tomás: “quod potest esse et non esse, quandoque non est” (“o que pode ser e não ser, às vezes não é”). Em sã lógica, não se vê como acolher a noção inflacionada e monolítica da infalibilidade, que levaria ao absurdo de um “falível infalível” [5].

[5]  A expressão é de Jean Madiran, in Le faillible infaillible : l’analyse de Jean Madiran, La Riposte Catholique, 27.11.2012.

Desconheço o artigo do Madiran, noto apenas que nosso Autor menciona argumentos para sua tese apoiada num «princípio» pelo qual afirmações sobre a Fé e os costumes de papas podem conter erros e heresias.

A boa doutrina assegura a verdade do ensinamento da Igreja assistida pelo Espírito Santo, e portanto vale o princípio de que não pode conter erro: o absoluto aplica-se ao Magistério divino da Igreja. Este é perfeito, «monolítico». Contudo, essa assistência prometida à Igreja pode não ser acolhida; é absoluta devido à sua origem divina, mas relativa devido ao seu beneficiário humano. A regra do “que pode ser e não ser, às vezes não é”, pela sã lógica, não se aplica ao Magistério ensinado pela Igreja; aplica-se ao novo «magistério», que podia ser se não contivesse erro, mas por causa deste «não é», uma vez que o «ser» magistério depende da assistência infalível do Espírito Santo, não da vontade humana de declará-lo «magistério vivo». Porque aí sim teríamos o absurdo de um magistério «falível infalível» por decisão humana. Há substancial contradição nisto quanto à razão mesma do magistério papal: a certeza na Fé. Isto em especial modo quando descermos no cerne da inaudita questão de nossa época, isto é dos «erros e heresias sistemáticos do Vaticano 2» e de seus «papas conciliares», que se querem apresentar em continuidade com a Fé da Igreja ensinada pelo Magistério precedente. Então pensam que basta declarar ser «magistério» a doutrina desviada que ensinam. Isto parece suficiente para quem acredita na autoridade apostólica de que dispõem. Mas só confirma o fato que ao aceitar uma falsa autoridade que se apresenta de origem divina, por conseguinte se aceita toda desculpa para o erro menor que segue este maior, razão porque é dito: «corruptio optimi pessima».

Assim é que se tenta justificar a validade de uma mutação sistemática que representa não um ou dois erros, mas uma enxurrada deles numa concatenação modernista já condenada pelo Magistério anterior.

Se por absurdo fosse este Magistério (Quanta cura, Syllabus, etc) a demonstrar-se errado, então não havia nem a continuidade nem a conformidade que hoje se quer fazer crer (ninguém se conforma ao que julga errado). Se esse Magistério estava certo, como cremos, então a mentira é confirmada pela ruptura efetiva, mas negada. De certo já se vê nesta ineludível mentira o abismo insuperável mesmo entre erros limitados e casuais – que dizer da invasão  deles programada pela mentalidade iluminista e maçônica – e o Magistério católico, isto é, conformado ao que é perfeito; trata-se de uma devastadora auto demolição em termos já condenados nos mesmos textos do Magistério da Igreja aqui citado.

Distinguindo o herético do “heretizante”

9.      Se pode haver erro ou mesmo heresia em documentos papais e conciliares, a fortiori pode haver neles proposições merecedoras de censuras menos graves. Aplicado esse princípio ao Concílio Vaticano II, vê-se que o problema não é só saber se nele haveria heresias formais, mas é também verificar se, em confronto com a Tradição, há nos seus documentos finais proposições favorecedoras do erro ou da heresia, com sabor de erro ou de heresia, ofensivas aos ouvidos pios, escandalosas, ou merecedoras de outras censuras teológicas. Numa palavra, não se trata apenas de saber se no Concilio há erros ou heresias, mas também de verificar se nele há proposições heretizantes [6].

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[6]  Pode-se perguntar se o que aqui escrevo não se chocaria com o apelo de Bento XVI, em discurso à Cúria Romana de 22-12-2005, para que o Concílio seja interpretado segundo uma “hermenêutica da reforma na continuidade”. ― Na mesma ocasião, o Papa declarou que a aceitação do Vaticano II, “em grande parte da Igreja”, isto é, entre os antimodernistas, depende de uma “justa chave de leitura e de aplicação”. Em espírito filial e de religiosa submissão ao Magistério vivo em toda a medida que a doutrina católica a impõe, digo que as dúvidas e polêmicas sobre o Vaticano II, que há décadas enchem de perplexidade os católicos fieis, certamente se reduzirão, ou talvez mesmo desaparecerão, se Sua Santidade declarar, de modo mais específico do que até agora o fez, e absolutamente preciso, qual é essa “chave” da interpretação do Concílio como “reforma na continuidade”. Por sua natureza, essa declaração não pode deixar de esclarecer se é teologicamente possível que haja que não preencham os requisitos da infalibilidade.

O magistério de um autêntico Concilio católico tem natureza de per si «interpretante» de questões doutrinais colocadas em dúvida nas circunstâncias históricas em que foi convocado  para clarificá-las, corrigi-las ou mesmo condená-las. Se for o mesmo «concílio» a dever ser interpretado em suas sistemáticas ambigüidades e inversões diante do Magistério, nisto já se configura objetiva descontinuidade que pode abranger toda a malícia de proposições errôneas, heréticas em ensinamentos doutrinários agravados pela cobertura de uma «autoridade» que se apresenta com caráter conciliar ou pontifical. Na esfera objetiva das obras dos que o seguem se demonstrará então seu caráter heretizante, como é flagrantemente o caso do Vaticano 2, cada vez mais demonstrado em ruptura com a Tradição, apesar da falsa negação de seus promotores. Mas aqui se quer submeter o juízo sobre um objetivo desvio justamente aos seus operadores togados.

A propósito de «apelos ao papa» temos o triste caso de meu ilustre amigo anti-sedevacantista o prof. Enrico Maria Radaelli, curador da obra do filósofo Romano Amerio e autor do notável livro «La Sinagoga bendata» http://chiesa.espresso.repubblica.it/articolo/1348309?eng=y que diante das conclusões incontornáveis sobre a «hermenêutica da ruptura» de estudiosos da fama de mons. Brunero Gherardini e do Bispo Oliveri e outros, decidiu que era necessário pedir ao mesmo Bento uma declaração infalível sobre a questão. Continua à espera, mas neste Natal nem respondeu mais aos meus votos de bom ano novo com sucesso nos seus desejos.

Querem que seja o lobo a cuidar do rebanho!

10.       Manifestamente, una proposição conciliar errônea, herética ou heretizante não se incorporaria ao patrimônio das verdades de fé, por não estarem aí preenchidas as condições da infalibilidade do Magistério ordinário. Tal proposição seria uma declaração falha do Concílio, o qual não goza de uma infalibilidade monolítica. Ademais, caso ocorram várias proposições heretizantes, articuladas entre si num mesmo sistema, este, igualmente, não se incorporaria à doutrina da Igreja.

Em conclusão

  1. Entendo que são apodíticos os argumentos escriturísticos e da Tradição que fundamentam a doutrina da possibilidade de erro e heresia em documento papal e conciliar não infalível. Por outro lado, a noção da infalibilidade monolítica inspira a maior parte, tanto dos sedevacantistas, quanto dos neoconciliares que atribuem força dogmática ao Vaticano II; e está na raiz de dúvidas, perplexidades e angústias que atormentam numerosos espíritos fiéis. Um amplo esclarecimento dessa matéria seria um fator de convergência, apto a eliminar mal-entendidos e a reduzir diferenças de visão que há, na doutrina e na prática, entre pensadores e movimentos antimodernistas.

A PERIGOSA DÚVIDA ELABORADA PELO DR. ARNALDO

No artigo publicado em janeiro 7, 2013, em resposta à mensagem das vésperas do Natal do Dr. Arnaldo sobre o seu artigo contra Mons Müller, coloquei a foto de: Paulo 6 ao alienar o Trirregno de Cristo, que não era seu, alienou o que representava o poder divino em que não cria. Era um dos sinais emblemáticos da entrega eclesial nas mãos dos que queriam a devastação que assola a Igreja. No gesto de quem se apossou do símbolo da representação do poder de Deus, para vendê-lo, se vê a renúncia tácita à Fé em Cristo Rei! Um gesto que revelou outra fé a ser implantada sistematicamente através de uma nova Doutrina, Liturgia e Lei canônica. Tudo isto foi mudado com os atentados (por ex. cancelar a doutrina da enc. «Quas primas») que «ocorrem em várias proposições heretizantes, articuladas entre si num mesmo sistema».

Ora, que estas não se incorporariam à doutrina da Igreja, é o que já se descreveu como «óbvio ululante»; só faltava mais essa! Mas aqui se trata do que ataca a honra da santa Igreja, da restauração da Cristandade e da salvação das almas.

Para o nosso Autor “o Papa é a coluna e fundamento da verdade. No entanto, grandes santos, doutores e Papas, admitem a possibilidade de queda do Sumo Pontífice em erro, e mesmo em heresia. E não é de se afastar a hipótese teológica de que tal queda se dê em documentos oficiais do Papa, e em Concílios com o Papa (ver “La Nouvelle Messe…”, parte II, caps. IX e X, e meus trabalhos anteriores ali citados)… «A maior parte, tanto dos sedevacantistas, quanto dos neoconciliares atribuem força dogmática ao Vaticano II; e isto está na raiz de dúvidas, perplexidades e angústias que atormentam numerosos espíritos fiéis.

Perdão, mas força dogmática é o que a Igreja atribui a um Concílio ecumênico católico. Se sua doutrina não é livre de erros e heresias, nem é concílio nem é católico. Sua autoridade é suspeita e maldita para a Fé, como registra a História da Igreja.

O Autor na sua «conclusão» para seguir a realidade devia dizer: – O que atormenta os fiéis e entusiasma os modernistas é a mega revolução pela qual está passando a Igreja. Isto sim está na raiz da grande apostasia terminal que alguns até lêem num Segredo de Fátima não publicado; Devia perguntar-se: «Como é que um papa, verdadeiro sucessor de Pedro, garantido pela assistência do Espírito Santo, pode presidir a destruição da Igreja, a mais profunda e a mais extensa da sua História, no espaço de tão pouco tempo, o que nenhum heresiarca conseguiu alguma vez fazer?»

Só um corajoso esclarecimento dessa matéria nas consciências poderia ser um fator de convergência, apto a eliminar mal-entendidos e a reduzir diferenças de visão que há, na doutrina e na prática, entre pensadores e movimentos antimodernistas. Sim porque foi a fumaça do modernismo que invadiu a Igreja de Deus com a eleição do suspeito infiltrado Ângelo Roncalli, que abriu suas janelas e portas para os erros do mundo, para a perdição de multidões de almas que «por não abraçarem com amor a verdade, acolhem a mentira» (II TS, 2).

Pode um papa estabelecer uma nova «igreja» para ensinar outra fé? Ora, justamente porque devemos ser ciosos da Fé única, creio no Papa que segue na continuidade objetiva, testemunhada e registrada no santo Magistério, na Liturgia e na Lei, seguindo o ensino apostólico da Igreja. O católico não pode receber como verdadeiro Sumo Pontífice – que recebe o poder diretamente de Deus – clérigos que ensinam contra a verdade da Fé com gestos conformes às idéias e documentos oficiais do Vaticano 2.

Meu diálogo com o Dr. Arnaldo visa justamente eliminar essas lacunas de seu livro que sobre matéria tão importante não faz referência à Bula «Cum ex apostolatus» do Papa Paulo IV, e portanto falha quanto à aplicação da Lei canônica à matéria que julga tratar amplamente. Tratar de matéria delicadíssima como da «possibilidade teológica de um Papa herege», só tem sentido para defender a Fé divina, não as elaborações religiosas desviadas de clérigos eleitos ao papado. Descartar essa defesa, denegrindo a fidelidade do Magistério, mesmo sem o carisma da infalibilidade, não enobrece. Será que o escrito do Dr. Arnaldo nega ser o «Novus Ordo de Paulo 6» protestantisante? Seria apenas um dos tais erros ou heresias possíveis do magistério não infalível? Então seria falso o dilema do cardeal Seper, pelo qual se esta acusação é verdadeira e tal rito nocivo à Fé, então não pode ser dado por um papa católico? Não equivale isto à maldição de chamar bem o mal e mal o bem e imaginar que um papa possa fazê-lo até no que respeita o Sacrifício de Nosso Senhor, fonte de tudo na Igreja, desde os Sacramentos à sua Autoridade?

Será que o mal, o erro e a heresia sistemáticos em questões de «extrema importância no que tange a vida da Igreja e a salvação das almas», tem direitos e autoridade na direção apostólica da Igreja de Deus?

O amor pelo Papa é edificante enquanto derivado do amor por Jesus Cristo e da Fé, que o Papa deve representar com a vontade de enfrentar o sistema de heresias modernistas, como as do Vaticano 2. Quem hoje o promove é contrário não só à Igreja, mas à defesa do Reino de Cristo. No entanto, os que, deveriam defender a Igreja de toda pérfida alteração, hoje ocupam a Cátedra de Pedro; são justamente os autores de tais desvios, mas são, assim mesmo reconhecidos como papas. É a síndrome suicida de um cego «papismo» acatólico porque, a ocupação do cargo para a defesa da Fé é o engano que constitui o máximo perigo (veja a Bulla Cum ex); a calamidade de alguém que, vestido de chefe da Igreja beija o Alcorão… como se os eminentes Padres a quem Deus confiou a sua Igreja como pastores e doutores, pudessem, sobre um ponto de extrema importância no que tange a constituição da Igreja, ou cair todos em erro, ou tornar-se causa de erro para os fiéis (Papa Pio VI, Super Soliditate Petrae).

Continuamos a lembrar ao Dr. Arnaldo que segundo São Tomás um papa rezando sobre o túmulo de Maomé é um exemplo claro que caracteriza a apostasia pública da fé católica. São os “papas” conciliares a assumir essa «objetiva» e sistemática apostasia com seus atos apoiados no plano eumenista do Vaticano 2.

É de fé que a Autoridade que representa Deus, o Papa católico, não pode servir aos fiéis veneno contra a Fé, seja com palavras, documentos, iniciativas ou atos. Não é isto que têm feito e fazem os «papas conciliares»?

Pela lei evangélica não se trata de julgar quem promove a heresia, mas de reconhecer pela Fé esta e aqueles, que já estão julgados e condenados; trata-se de reconhecer o fato à luz da Fé, da lei da Igreja e da Caridade para com multidões sem fim enganadas em nome da Igreja de Cristo, como ocorre atualmente.

Há pois que abster-se de todo subterfúgio teologal, para não se confundir nem enganar o próximo. No caso dos argumentos eruditos de nosso Autor, para a possibilidade teológica de um «papa herege», que mantêm seus poderes apostólicos de Vigário de Cristo, para melhor desviar o povo, estamos num fato sumamente ofensivo a Deus e que corrobora na aplicação do plano demolidor da verdade do Reino de Cristo em terra.

A profissão de fé depende de certezas e uma delas é ser impossível que um pastor enviado por Nosso Senhor guie às pastagens envenenadas de um «magistério» contrário à Fé, na Doutrina ou na Liturgia. Por isto um católico só pode rejeitar não apenas sua letra, mas seus promotores, que são os «papas conciliares».

A Igreja Católica hoje é visível na profissão de Fé que repudia o Vaticano 2 por inteiro, como última artimanha revolucionária global para levar os fiéis à uma falsa igreja. Esta, no seu ardor iluminista de abertura ao mundo, prega uma «nova consciência» para um «novo apostolado», frutos de uma «nova pentecostes». O processo desta igreja conciliar, liberal, modernista e ecumenista, está inteiramente definido num plano de revolução universal, uno, total e dominante, que atinge o fundo da alma humana, em especial a dos cristãos que se entregam nas mãos da nova igreja e arrastam outros no falso testemunho dessa entidade cujos chefes passam a pontificar sobre o bem e o mal, «segundo os tempos»; uma verdade que pode ser contradita na ordem humana, que por isto nada tem da religião divina ensinada pela Igreja de Jesus Cristo!

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