Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

A RESISTÊNCIA DE DOM MAYER E O LIVRO DO DR. ARNALDO

NOM

 

Arai Daniele

Devido ao convívio filial que tive com o insigne Prelado que foi Dom Mayer, que viveu bastante isolado essa hora crucial da Igreja, penso que devo continuar a testemunhar com força a atitude que o Bispo assumiu diante da sofrida conclusão sobre o descalabro que acusava.

O livro de que tratamos fez parte de suas iniciativas iniciais e em certos pontos revela um conteúdo mais enquadrado ao nível de pesquisa na difícil matéria a aprofundar, do que posição definitiva a tomar.

Assim não parece ser, porém, para o seu co-autor o Dr. Arnaldo Vidigal Xavier da Silveira, que ainda hoje, e depois de tantos descalabros e escândalos da parte das «autoridades» do Vaticano, refere-se ao livro como relato de princípios definitivos. E isto apesar das considerações e críticas sobre desacertos contidos nas páginas de seu trabalho, que podemos pensar, seriam corrigidas por Dom Mayer.

Nesse sentido, se minhas observações e críticas verbais e escritas não convencem o seu Autor, espero que leia com atenção as últimas que constam no sito do amigo Filipe Coelho que, me parece responder bem e pontualmente sobre pontos em que o livro em questão falhou com relação à doutrina e à lei da Igreja; sobre “o poder canônico, que funda e promulga o direito imediatamente eclesiástico, mediatamente divino. O poder canônico da Igreja comporta, como o poder das cidades temporais, os poderes legislativo, judiciário e coercitivo. […] ». Este é representado no Trirregno papal alienado por Paulo 6 em veste de «autoridade conciliar»; gesto emblemático da situação de sua nova Igreja diante do poder divino.

O sito, «Acies ordinata», tem o mérito de seguir estreitamente a questão da Santa Missa com competência e recorrendo às notas mais nítidas e oportunas publicadas em várias línguas e traduzidas para o português. No caso, para tratar deste livro, vamos citar adiante o escrito do P. Francesco Ricossa sobre a rev. «Sodalitium».

 

«Considerações sobre o “Ordo Missae” de Paulo VI» (1970)

O Estudo mimeografado com esse título tem por autor Arnaldo Vidigal Xavier da Silveira e foi distribuído com o patrocínio de Dom Mayer (e da TFP) a todos os Bispos do Brasil.

Depois foi traduzido em francês para ser publicado na França em 1975.

No entanto ficou armazenado para ser distribuído só anos mais tarde, por razões que alhures relatarei.

Aqui seguiremos algo do que o livro expõe do pensamento ainda “condicional” de Dom Mayer.

Note-se que no trabalho original a hipótese do papa herege está na sua Iª parte. Na p. 37, 4. A questão central, lemos: “Haverá circunstâncias em que se possa e se deva dizer que Nosso Senhor estabeleceu que sustentaria, pelo menos por algum tempo a jurisdição de um papa eventualmente herege?”. No livro em francês poderia ser traduzido: “Existiriam circunstâncias nas quais se poderia dizer e se deveria dizer que Nosso Senhor decidiu manter, pelo menos durante certo tempo, um papa herético em sua jurisdição?” (p. 276).

A Questão central é posta, portanto, no condicional de uma dúvida que o estudo deve enfrentar. Não há dúvida, porém, que diante de heresia em «documentos pontifícios e conciliares» (é o assunto do Xº Capítulo), os fiéis devem resistir (Cap. XIº). E aqui é citada a posição de Dom Mayer, citando a carta de aprovação do ilustre Bispo de Campos ao magnífico «Vade-mécum do Católico Fiel», que convida à oposição  à nova heresia que hoje invade todo o orbe. (p. 68; 320).

É sobre o modo de resistir, sem recorrer à Lei da Igreja que, com o Dr. Homero Johas relevamos lacunas no livro que acarretam uma posição «teórica» variável na «prática»: – segundo as «circunstâncias»; – durante «certo tempo»; – segundo grau de «notoriedade e divulgação pública» (280).

Assim o livro justificaria uma posição subjetiva (moral de circunstância) diante de um delito objetivo real (heresia), mas considerando este dependente de um juízo sobre condições contingentes!

Ora, minha intenção aqui é testemunhar o modo como Dom Mayer empenhou-se para desfazer essas lacunas diante do delito relativo ao Culto divino exposto em seguida, mas cuja concretização deliberada por Paulo 6 só foi inteiramente conhecida no decorrer do tempo e nos seus efeitos devastadores.

O delito do N.O.M de Paulo 6 contra o Culto divino

A questão da infalibilidade das leis eclesiásticas sobre o Culto divino deve ser resumida na fidelidade e continuidade de manter a intenção da Igreja nos ritos que representam o Santo Sacrifício de Jesus Cristo.

Se não seguem essa Vontade, nada podem ter de infalíveis nem ter parte no magistério da Igreja. Decorre daí que, se são impostos como tal, constituem matéria de ato delituoso (sacrílego) contra a Igreja e Deus mesmo.

Na Revelação divina é bem claro que, sobre o Culto, é Deus mesmo que determina como tudo deve ser.

No Antigo Testamento isto está no Livro do Levítico que para nós só conserva este significado.

Tudo o que trata em detalhes não significa mais do que isso para a Igreja: o Culto deve seguir o que é vontade de Deus. É a questão central, já no antigo Sacrifício; já superado pelo Novo e Eterno Sacrifício, tanto que esse antigo Livro canônico só é citado na enc. «Mediator Dei», e indiretamente para lembrar a obrigação de todos. Vale a pena lembrar o trecho do Papa Pio XII:

“ I. A liturgia é culto público

11. O dever fundamental do homem é certamente este de orientar a si mesmo e a própria vida para Deus. “A ele, com efeito, devemos principalmente unir-nos como indefectível princípio, ao qual deve ainda constantemente aplicar-se a nossa escolha como ao último fim, que perdemos pecando, mesmo por negligência, e que devemos reconquistar pela fé, crendo nele”.(S. Tomás, Summa Theol., II-II, q. 81, a. 1.)

Ora, o homem se volta ordinariamente para Deus quando lhe reconhece a suprema majestade e o supremo magistério, quando aceita com submissão as verdades divinamente reveladas, quando lhe observa religiosamente as leis, quando faz convergir para ele toda a sua atividade, quando – para dizer resumidamente – presta, mediante a virtude da religião, o devido culto ao único e verdadeiro Deus.

12. Esse é um dever que obriga antes de tudo os homens individualmente, mas é ainda um dever coletivo de toda a comunidade humana ordenada com recíprocos vínculos sociais, porque também ela depende da suma autoridade de Deus.

13. Note-se ainda que esse é um dever particular dos homens, porquanto Deus os elevou à ordem sobrenatural. Assim, se consideramos Deus como autor da antiga Lei, vemo-lo proclamar preceitos rituais e determinar acuradamente as normas que o povo deve observar ao render-lhe o legítimo culto. Estabeleceu, para isso, vários sacrifícios e designou várias cerimônias com que deviam realizar-se e determinou claramente o que se referia à Arca da aliança, ao templo e aos dias festivos; designou a tribo sacerdotal e o sumo sacerdote, indicou e descreveu as vestes para uso dos sagrados ministros e tudo o mais que tinha relação com o culto divino.( Cf. Levítico )

14. E esse culto não era mais do que a sombra ( Cf. Hb 10,1.) daquele que o sumo sacerdote do Novo Testamento havia de render ao Pai celeste.

15. De fato, apenas “o Verbo se fez carne”,(Jo 1,14.) manifesta-se ao mundo no seu ofício sacerdotal, fazendo ao Pai Eterno um ato de submissão que durará por todo o tempo de sua vida: “entrando no mundo, diz… eis que venho… para fazer, ó Deus, a tua vontade …”,(Hb 10,5-7.) um ato que será consumado de modo admirável no Sacrifício cruento da cruz: “Pelo poder desta vontade fomos santificados por meio da oblação do corpo de Jesus Cristo feita uma só vez para sempre”.( Hb 10,10.) Toda a sua atividade entre os homens não tem outro escopo. Menino, é apresentando no templo ao Senhor; adolescente, ali volta ainda; em seguida ali vai freqüentemente para instruir o povo e para rezar. Antes de iniciar o ministério público jejua durante quarenta dias, e com seu conselho e o seu exemplo exorta todos a rezarem de dia e de noite. Como mestre de verdade, “ilumina todo homem”( Jo 1,9.) para que os mortais reconheçam convenientemente o Deus imortal, e não “se afastem para sua perdição, mas guardem a fé para salvar a sua alma”.( Hb 10,39.) Como Pastor, depois, ele governa o seu rebanho, conduzindo-o às pastagens da vida, e dá uma lei a observar, para que ninguém se afaste dele e da reta via que traçou, mas todos vivam santamente sob o seu influxo e a sua ação. Na última ceia, com rito e aparato solene, celebra a nova páscoa e provê a sua continuação mediante a divina instituição da eucaristia; no dia seguinte, elevado entre o céu e a terra, oferece o sacrifício salutar de sua vida; de seu peito rasgado faz, de certo modo, jorrar os sacramentos que distribuem às almas os tesouros da redenção. Fazendo isso, tem por único fim a glória do Pai e a crescente santificação do homem.”

Do Culto divino do Santo Sacrifício do Filho segundo a Vontade do Pai deriva tudo na Igreja, dos Sacramentos à luz para todo homem e sociedade, da sua Missão salvadora à sua Autoridade infalível.

Ora, o protestantismo de Lutero nega justamente esse Culto no Sacrifício como Deus dispôs. Como seria então possível querer confundir essa Luz do Culto Católico com a escuridão protestante?

Pois bem, essa foi a “intenção de Paulo VI — declarou Guitton em 19 de dezembro de 1993 — com relação à liturgia, a chamada vulgarização da missa, foi a de reformar a liturgia católica de modo a fazê-la coincidir praticamente em tudo com a liturgia protestante, com a Ceia protestante. […] Eu repito que Paulo VI fez tudo o que estava em seu poder para aproximar a Missa católica — ignorando o Concílio de Trento — da Ceia protestante… Noutros termos, há em Paulo VI uma intenção ecumênica de apagar — ou ao menos de corrigir, de atenuar — o que há de demasiado católico, no sentido tradicional, na Missa, e de aproximar a Missa católica, repito, da Missa calvinista” (cf. citação em Sodalitium, n.° 39, p. 62).

L’Eglise de Paul 6: Qu’en penser?

Para a verificação desse ato delituoso, sacrílego para com o Culto divino não havia que esperar nem a confissão de Guitton nem os nossos dias. Isto foi visto desde o primeiro instante da promulgação do Novus Ordo herético de Paulo 6 em 1969. Basta ler tudo o que foi publicado a respeito e os protestos vindos de toda parte no mundo. Basta ler esse mesmo livro do Dr. Arnaldo apoiado por Dom Mayer, que na sua indiscutível oportunidade levantou logo a hipótese do papa herege.

Mas tudo não bastou para que uma grande parte dos fiéis resistissem no modo previsto pela lei da Igreja, como aliás o livro em questão e Dom Mayer professaram, isto é, que têm por escrito:

– Existe um fato que causa a perda automática do papado (255). Julgamos que a 5ª sentença (de S. Roberto Bellarmino) é a boa (271).

É o que a Igreja estabelece no Cânon 188.4 e está na Bula «Cum ex apostolatus» do Papa Paulo IV.

– Segundo o Cânon 2264, se existe uma sentença declaratória, o ato de jurisdição é inválido. E se o delito é notório os fiéis têm o direito de exigir essa sentença declaratória (Cânon 2232) que o Superior deve pronunciar devido à exigência da questão para o bem comum (Cânon 2223, 4). O Cânon 2314 § 1, nn. 1 e 2, que reza: «após duas monições ele deve ser deposto» é pois decisivo.

– A perda automática do papado é de Direito divino: São Paulo Tito 3, 10 e São João II, 10-11, que ordenam de evitar o herege (255).

E a Bula do Papa Paulo IV define que o herege deve ser evitado.

Pois bem, posso afirmar que Dom Mayer percorreu embora com passo lento o caminho traçado, nas suas cartas públicas aos papas conciliares, que continham essencialmente essas monições (cf. Cânon 2315).

Se falta evidente houve neste difícil testemunho foi o fato do mundo católico tradicional não tê-lo seguido. E isto continua a ser o grave problema, porque quando se duvida da eficácia do testemunho prestado pelos dois preclaros Bispos, Dom Antônio de Castro Mayer e Mgr Marcel Lefebvre, a pergunta que se põe é: o que é feito das suas declarações públicas e conjuntas, que entram de maneira relevante na história da Igreja de nossos tempos? Porque não lembrar e invocar essas declarações episcopais de 1983, de Dom Mayer em 1984, públicas e conjuntas em 1985 e 86? Não seria o momento de fazê-lo para honrar a Lei da Igreja, o Direito de Deus e também a memória dos dois Bispos que isolados e mesmo abandonados acusaram tão grande delito? Este não chama em causa o silêncio de nossa geração de católicos?

Certo é que para prosseguir na justa resistência ao que desonra a santa Igreja de Deus não se pode esquecer que Dom Mayer acusou a presença de antipapas,  denunciados por Mgr Lefebvre como anticristos no Vaticano.

É evidente que para dar continuidade e imprimir força para a resistência, essas destemidas declarações episcopais são incontornáveis; se forem ignoradas, diante de tudo o que acontece em Roma e no mundo, confirmarão a vileza de uma triste geração que não é nem quente nem fria. Se for lembrada sem medo, pode representar o ponto de força de uma resistência católica unida na direção da vontade e do exemplo de Nosso Senhor crucificado.
Então por fim o Imaculado Coração de Maria triunfará.

 

2 Respostas para “A RESISTÊNCIA DE DOM MAYER E O LIVRO DO DR. ARNALDO

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