Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

Duelo a relembrar: Orlando Fedeli X Olavo de Carvalho (http://wp.me/pWrdv-ec) – O que faltou dizer sobre a Sede vacante

Arai Daniele

Salve Nossa Senhora de Lurdes e de Loreto!                                                Padroeira dos Pilotos.

Olavo                        Já passou um bom tempo desde que publiquei esse artigo, que iniciei confessando saber que estava muito atrasado em relação ao mencionado sonoro duelo do início do século!

Ora, ainda hoje sou instado a relembrá-lo porque a questão principal parece suspensa. Desta vou falar no início desta Quaresma dos tempos que dissipa o último Carnaval.

Na verdade havia e continua a haver pouca comunicação entre os filhos da Igreja e não só no Brasil, fato agora remediado em parte pela Internet e pela obra de internautas, da qual, porém, a velha geração ainda participa com dificuldade e atraso, apesar da boa vontade e da grande curiosidade.

Os dois duelistas são brilhantes e respeitadas mentes católicas, valentes e esclarecidos anti-comunistas e igualmente Marianos, sendo o Orlando já falecido, RIP.Orlando

A minha conclusão sobre aquele debate foi que em linhas gerais a razão estava do lado do Fedeli e ainda mais do seu aliado de então, o jovem Felipe Coelho, o mais atacado pelo Olavo, mas que chegou à conclusão mais coerente sobre a questão discutida. Eu dizia, porém, que era inútil acusar o gnosticismo e depois continuar em comunhão com quem em vestes papais tentou perfidamente introduzi-lo na Fé da Igreja. Porque isto é o que fazia e continua a fazer a «nova evangelização» do relativismo ecumenista!

Eis, pois, a verdadeira questão que não foi enfrentada naquela ocasião. No entanto, também sobre as raízes do problema discutido, os dois concordavam. Trata-se da «filosofia cartesiana» com que Descartes, consciente ou não do problema tornou-se a “charneira entre a gnose antiga e a moderna” (Jean Vaquié). O pensador francês inoculou o subjetivismo na mentalidade moderna com o seu «cogito ergo sum» (penso logo sou, que seria melhor penso logo «existo»), embora fosse conhecido como católico e tenha até tido parte na conversão à Fé da Rainha Cristiana da Suécia, filha de Gustavo Adolfo, luterano inimigo dos potentados católicos europeus (financiado, nada menos que pelo cardeal francês Richelieu, para alquebrar o Império dos católicos Habsburgos!),

Agora que conheço melhor o pensamento de Olavo de Carvalho, pois tive ocasião de ouvir diversas suas palestras, sei que ele no seu ecletismo, tem idéias muito mais afins, especialmente no campo político, às do Orlando Fedeli do que imagina. Aliás, ele confessa que muitas vezes reconhece uma velha influência gnóstica no que lhe passa pela cabeça. O fato é que falando de Cristianismo e Gnosticismo, diz que vivemos envoltos por uma tempestade de idéias gnósticas.

Aqui vou citar uma sua palestra de maio 2004 na Hebraica de São Paulo sobre o «totalitarismo islâmico». Ele inicia falando dessas raízes mentais que se traduzem naquele subjetivismo ocidental originado com a difusão do pensamento cartesiano, citado pelo pensador contemporâneo Heidegger, numa sua teoria sobre a origem remota do «totalitarismo», que tem por princípio básico o racionalismo da modernidade, pelo qual se pensa ter todo o conhecimento abrangente da realidade, ao qual corresponde a idéia da possibilidade de um total governo desta. No reino da subjetividade, onde tudo existe em função do que parte da própria cabeça, o homem é senhor e dominador da natureza, logo também do sistema para pôr ordem no governo dos homens.

Aqui interessa ver o aspecto gnóstico disso e o seu ideal ideológico: o homem novo elaborado para viver sob o controle total da sociedade moderna ideal. Para o Islam seria o imitador do Profeta.

Ora, colocando toda a questão do conhecimento, em especial sobre o homem, sua origem, estado presente e fim último no dilema entre a pistis e a gnose, como fez justamente o Fedeli, poder-se-ia sintetizar o alcance de todo esse conhecimento em duas posições: o da fé (pistis) está em ouvir para receber o conhecimento sobre o que é bem e mal para o ser humano; o do gnosticismo está em pretender ditar esse conhecimento para o aplicar ao governo dos homens. Por exemplo: pela fé há que respeitar um direito natural e divino que precede e é inerente à natureza do homem, criatura de Deus; no gnosticismo o direito é produto da mente humana, segundo os tempos e circunstâncias, como a mesma noção de família que seria mutável conforme o «progresso» social.

Como a aplicação desses conceitos passa pela consciência do indivíduo que constitui a sociedade, então é próprio falar do «homem novo». Note-se que este é o termo usado por Jesus; é evangélico, mas foi assumido pela revolução, que quer seu cidadão ideal.

No primeiro caso é fruto da conversão ao bem e ao fim revelado para toda vida humana. No segundo, revolucionário, é fruto de um doutrinamento segundo o bem ensinado pela ideologia do poder vigente. Ora, este avançou acusando o outro poder – de conversão da Igreja – de ter sido totalitário. Por isto haveria que explicar, para quem não é católico, o que está na base de cada um. Em breve: no primeiro está a Palavra divina, ensinada pela Igreja, no caso do Cristianismo; ensinada pelo Profeta Maomé no caso do Islam. No segundo está a ideologia imposta pelo regime que alcançou o poder.

A Igreja Católica ensina a liberdade das consciências, mas é contra a «liberdade de consciência» proclamada pela Revolução. Qual a diferença, senão a aplicação do que foi dito acima? Isto é, para a Igreja a liberdade é direito das consciências de serem formadas na verdade universal que corresponde à conversão ao bem e ao fim revelado para todo ser humano.

Para o sistema revolucionário, a liberdade é o valor que se confunde com a verdade segundo o doutrinamento de «bem» deduzido por ideologias de homens que conquistaram o poder para impô-la. Avançam porque se apresentam como libertadores, que fazem a exaltação da consciência individual.

Eis o engano, porque essa liberdade não tem por base um conhecimento universal, que portanto vale para todo homem. É uma aparente «liberdade» a serviço de uma ideologia; torna-se a liberdade de consciência só de quem propõe sua idéia como universal para aplicá-la aos povos, como o fizeram Lenin, Stalin, Hitler e tantos outros em seus momentos históricos.

E vai nesse engano uma forte componente religiosa ligada a toda forma de gnosticismo, como explicam muitos bons autores. Por isto ligo a questão do gnosticismo à minha posição de católico, esclarecendo que ela toca a fundo a revolução conciliar para «atualizar» a Igreja ao mundo no torvelinho da operação ecumenista.

Eis o ápice da gnose espúria que relativiza todos os credos para impor a sua nova verdade ecumenista na consciência dos católicos!

A nova «verdade» (pravda) de Lenin, que fez milhões de vítimas

Sobre o comunismo como «nova religião» da redenção social, muito se escreveu. Aqui basta dizer que era a rebelião da consciência de alguns que, em vista de uma consciência geral, era impingido como alma da revolução mundial para criar a «nova consciência coletiva». Para isto havia que abolir por decreto ou com uma «nova pastoral» a única consciência humana que é antes de tudo individual, mas que busca a verdade universal.

Não assim para Lenin, que tornou-se o progenitor do homem novo soviético – da santidade da nova verdade (pravda) do «bem coletivo». Para isto havia que liquidar as velhas verdades e instituições. Enfim a própria Tradição religiosa e seus fieis.

Os casos espantosos de Lenin e Stalin não parecem ter sido ainda compreendidos por muitos clérigos no seu método, ‘intrinsecamente perverso’, que continuaram a destruir com os seus vários discípulos, como Pol Pot. Desmontado o frankenstein soviético, permaneceu o espírito que engendrou o ateísmo dialético, porque quem ainda luta para impor o primado de uma ideologia ou partido sobre a verdade não comprometia o seu critério para julgar porque estaria apoiado no “sagrado” direito da própria “liberdade de consciência”! Eis a causa da crise universal: o direito à liberdade de consciência de alguns, políticos, banqueiros ou grandes sacerdotes contra o direito natural à liberdade das consciências de todos.

Com que critério se “consagrou” o direito da própria “liberdade de consciência” que, sem ter referências nas verdades sobre a natureza humana, constituída por corpo e alma, se contrapõe ao direito das consciências dos homens de não serem guiados por falsidades?

Como podem estas idéias utópicas, que são apenas opiniões contestadoras da existência de Deus e da alma espiritual humana, modelar o homem novo da Revolução? No entanto, foi o que aconteceu em grande parte do mundo, onde a lei do homem material se propôs abolir o espiritual.

O historiador inglês Paul Johnson na sua História do mundo moderno, 1917-1989 (Mondadori, Milão, 1989), tratando das primeiras utopias despóticas (p. 63), descreve o líder comunista Lenin: “Para entender o empenho que ele desenvolveu na política devemos supor que fosse animado por um ardente humanitarismo parecido com o amor dos santos para com Deus; nele não encontramos nenhum dos defeitos típicos dos políticos ambiciosos: não era vaidoso, nem tímido, não demonstrava particular interesse em comandar. O seu humanitarismo era porém muito abstrato, voltado à humanidade em geral, mas privado de afeto, ou sequer de interesse pelos indivíduos particulares. Para ele os companheiros de partido não eram pessoas, mas apenas receptores de suas idéias, e julgados unicamente sob este aspecto”.

Eis quem foi o precursor dos profissionais da política totalitária:

“Lenin sustentava firmemente que o marxismo refletia a verdade objetiva. Escreveu que “da filosofia do marxismo, fundido num único bloco de aço, era impossível tirar uma só premissa, uma só parte essencial, sem afastar-se da verdade objetiva” […] Esta certeza, junto a convicção de saber interpretar os textos marxistas, aproximou Lenin de Calvino, que reinterpretou as Sacras Escrituras, tornando-o muito mais intolerante para com os companheiros heréticos que para com os infiéis. […] Abolida a idéia da culpa pessoal, Lenin começou a exterminar (ele usou este verbo) classes inteiras, baseando-se simplesmente no trabalho que exerciam, ou na família à qual pertenciam, alimentando uma espiral de morte que não parou diante de nada”. Uma idéia ainda em ato em algumas nações.

As revoluções humanitaristas engendraram extermínios coletivos.

O genocídio nasceu com a Revolução francesa na Vandéia, mas foi promovido a corretivo social com o comunismo soviético, chinês, cambojano, etc. Todavia, há clérigos e intelectuais atraídos pela idéia de purificar esses grandes ideais humanitários. Para eles tais ideologias, purificadas de seu ateísmo, convertidas do seu ódio de classe, exorcizadas do materialismo, devem ser batizadas pelo hissope da solidariedade que ostentam. Ignoram, talvez, que elas têm raízes que afundam no desprezo da verdade, na inveja do próximo, no ódio a Deus? Ignoram que o mal radical de toda revolução é a imposição do seu modelo de ‘homem novo’, contraposto ao do Evangelho? A idéia que entre tais modelos haja compatibilidade já é ruptura da relação das consciências com a realidade; já é a «rebelião revolucionária» ecumenista do Vaticano.

 A ruptura utopística que ocorre nas consciências é um evento trágico. É o modo pelo qual o homem se põe à mercê dos seus piores inimigos através de seus instintos, ávidos de possuir e de dominar. Estes não têm escrúpulos em seguir o utopismo “democrático” que pretendem agilmente cavalgar. A verdadeira ruptura advém então pela demolição da barreira posta para conter a dissolução ao nível das consciências. Isto era ensinado pela Igreja, mas foi mudado quando o seu sacerdócio ficou reduzido a consultoria social, a sua autoridade a democracia, a Moral a uma opinião, e por fim, a Redenção divina a um direito humano. Isto tudo aconteceu, como vemos, não manu militari, mas clerical.

Entre estes clérigos estava Roncalli e depois destacou-se seu amigo Montini, que contra as directrizes de Pio XII, estabeleceu contactos com o chefe do comunismo italiano, Togliatti, e em 1944 e, segundo sérios indícios, com Stalin. Se o programa do chefe comunista era impor a ferro e fogo no mundo o utopismo marxista, qual seria o programa de J. B. Montini, futuro Paulo 6, se não o de batizá-lo para reconciliá-lo com o ‘progressismo’ almejado pelas esquerdas ou com o globalismo da Maçonaria.

Eis ao que ficou reduzida a SEDE de São Pedro de onde partiu a demolição cultural católica. Foi introduzida dentro aquela visão revolucionária de Antônio Gramsci, que já devastava a sociedade cristã desde fora. E isto continuou com João Paulo e depois com Bento 16, Basta ler com atenção os seus discursos e atos ecumenistas, cuja raiz é claramente do lado gnóstico-iluminista, como é o «ecumenismo» da «liberdade religiosa» patrocinado pelas lojas e pela ONU.

Por tudo isto a há que entender que a SEDE católica pode parecer ocupada por um «papa», mas na verdade está vacante da Fé, que foi demolida pelo Vaticano 2.

Todo o problema hoje é não permitir que continue ocupada por quem serve uma nova religião demolidora, não só da Cristandade, mas da ordem e paz no mundo. Disto não quiseram tratar nem os nossos ilustres duelistas, Orlando e Olavo, mas não há problema mais grave. Eles reconhecem o dilúvio maléfico do gnosticismo no mundo, mas parecem ignorar sua fonte suprema no Vaticano.

JP2 AlcoraoO homem novo que pode melhorar o mundo não é o «imitador» nem de Lenin nem de Maomé, e menos ainda de quem beija o Alcorão, com o pensamento gnóstico de edificar uma paz universal na nivelação religiosa, mas o homem novo busca o conhecimento de Nosso Senhor Jesus Cristo; è, pois o que ama a cruz do Redentor, como ensina São Paulo (I Cr 1, 18-31).

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