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Fátima e a Paixão da Igreja

COMO O PROFESSOR MARCELO CAETANO PERDEU A FÉ

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Salazar+CaretanoMarcelo Caetano ( Presidente do Conselho de Portugal entre 1968 e a Revolução do 25 de Abril) nasceu em Lisboa em 17 de Agosto de 1906, falecendo no Rio de Janeiro em 26 de Outubro de 1980. Oriundo de famílias bastante humildes, da zona de Arganil, o pai, homem de profundas e combativas convicções católicas, e exemplar chefe de família, estabelecera-se em Lisboa como funcionário das alfândegas, a mãe falecera tinha Marcelo dez anos de idade. Morando junto à igreja dos Anjos, o pequeno Marcelo contactou assiduamente com Monsenhor Pereira dos Reis (1881-1960), prior dos Anjos,  licenciado pela antiga faculdade de Teologia da Universidade de Coimbra, homem de profunda e bem organizada cultura, intelectualmente superior, bem relacionado, mas de ideias algo avançadas. Marcelo conta, nas suas memórias, como terá cogitado seguir as pisadas desse homem que tanto o havia influenciado, embora ulteriormente decidisse seguir Direito, ainda que sem sentir particular vocação por esse ramo do conhecimento, como também confessa.

Na vida de Marcelo cruzaram-se outras múltiplas influências, desde o integralismo Lusitano, até certas correntes do republicanismo moderado, passando pelas tendências socialistas do seu sogro João de Barros, antigo ministro da república, bem como do seu cunhado Prof. Henrique de Barros, que viria a ser Presidente da Assembleia Constituinte em 1975. Marcelo cultivava aliás amizades com conhecidos oposicionistas, tais como o Prof. Adelino da Palma Carlos, que lhe sucedeu no cargo de Presidente do Conselho, e o advogado Abranches Ferrão.

Inteligência sistemática, e pedagogicamente recapitulativa e expositiva, mas não criativa, Marcelo Caetano também se não podia considerar um espírito verdadeiramente combativo; a sua adesão a determinados princípios nunca foi verdadeiramente dogmática; sinceramente creio que se pode, fundamentadamente, duvidar que Marcelo Caetano, depois de alcançar a idade da razão, tenha algum dia possuído a virtude Teologal, Sobrenatural da Fé.

Descreve ele igualmente nas suas memórias, como os primeiros embates que sentiu contra a sua Fé promanavam dos exemplos mundanos de carreirismo eclesiástico de que foi testemunha.

Marcelo Caetano possuía uma profunda formação em Ciência Política e Direito Administrativo, cultivando também a História. Sabia pois, como ninguém, proceder à distinção entre o Papa chefe de Estado temporal e o Papa chefe da Igreja Católica. Quando Paulo VI recebeu, oficialmente, os chefes terroristas que assolavam o antigo Ultramar português, fossem eles pró-americanos ou pró-soviéticos, em Junho de 1970, Marcelo Caetano sofreu um rude golpe e uma afronta enorme no plano político e até como cidadão português, mas não só…

A História regista como existiram graves oposições e até guerras entre o Papa chefe de Estado temporal e monarcas católicos como o Imperador Carlos V ( ex. o saque de Roma por tropas imperiais no tempo do papa Clemente VII, em 1527). Todavia tais disputas constituíam conflitos puramente políticos e não implicavam matérias de Fé. Muito diferente foi este caso de Paulo VI – e Marcelo Caetano advertiu-o: Paulo VI só pôde receber, oficialmente, os chefes terroristas PORQUE JÁ CLAUDICARA NA FÉ COMO CHEFE DA IGREJA CATÓLICA.

A pouca Fé de Marcelo Caetano não resistiu a semelhante choque; pouco antes da revolução do vinte e cinco de Abril ainda produzia, como Presidente do Conselho, a seguinte asserção:” Abalada a Igreja Católica na firmeza dos seus princípios e na projecção da sua doutrina.” //

E já no exílio no Brasil escreveu o seguinte:

“A Igreja Católica, sim, deixei de respeitar. Não como entidade histórica que desempenhou o seu papel na evolução da Humanidade. Mas como Igreja, comunidade de fiéis, com uma hierarquia de ordem, em conjunto depositários do que dizem ser um tesouro revelado, como tal indiferente às mudanças de tempo e às contingências do espaço. Tenho lido as explicações do «aggiornamento», da adaptação ao mundo. Da valorização do Homem a par de Deus, etc. Disso tudo tirei apenas que a Igreja é uma organização humana, política, oportunista, que capta fiéis como os candidatos captam votos. Respeitava-a se ela continuasse igual a si mesma e não temesse cair de pé para não negar nada DO QUE UM DIA APRESENTOU COMO ETERNO.

Às vezes perde-se a Fé e conserva-se o respeito pela Igreja em que ela foi vivida: em mim desapareceu um e não ficou o outro. Mas são realidades distintas: não sou mais católico, porque não creio mais nos dogmas que definem o catolicismo; não sou mais cristão, porque não acredito na Divindade de Cristo; não sou religioso, porque não presto culto a Deus, a Quem não nego, apenas considero a criação e conservação do mundo um grande e prodigioso mistério, insusceptível de ser penetrado pela inteligência humana, capaz apenas de procurar hipóteses explicativas, das quais a existência de Deus é uma delas.” (extraído de «Marcelo Caetano – Uma biografia política». De José Manuel Tavares Castilho. Editora Almedina.) //

Infelizmente este texto podia ser subscrito por milhões de almas que nos últimos cinquenta anos perderam a Fé.

O grande erro imanente neste tipo de raciocínio é: ANALISAR A FÉ À LUZ DOS TRÁGICOS ACONTECIMENTOS DOS ÚLTIMOS CINQUENTA ANOS, QUANDO ESSES MESMOS ACONTECIMENTOS TÊM É QUE SER PENSADOS, ESSENCIALMENTE, À LUZ DA FÉ.

É por demais evidente que uma pessoa com Fé superficial, informe, isto é, sem a Graça Santificante, sem a sacrossanta Caridade, nunca poderá deixar de proceder a uma análise da situação permanecendo num nível ontológico naturalista, incapaz de dele emergir. A Igreja surgir-lhe-á assim como uma instituição ESSENCIALMENTE SUBMETIDA AOS ACIDENTES DA HISTÓRIA. Os Santos Evangelhos, O Concílio de Trento, o Concílio Vaticano II constituirão assim mais uma unidade civilizacional, entre outras; tudo integrado num fluxo FUNDAMENTALMENTE RELATIVISTA, assim tombando no agnosticismo e no ateísmo. Não olvidemos que: O ÚNICO “deus” DA IGREJA CONCILIAR É A PRÓPRIA HUMANIDADE EM EVOLUÇÃO RUMO AO TAL PONTO ÓMEGA DE QUE FALAVA TEILHARD DE CHARDIN.

Foi esse o único “deus” que nos deram Roncalli, Montini, Wojtyla e Ratzinger.

E porque os tempos se encontram muito longe de estar convenientemente amadurecidos pelo sofrimento, MAS MESMO MUITO LONGE, não devemos nutrir ilusões quanto ao sucessor de Ratzinger. MAS DEVEMOS ORAR INSISTENTEMENTE, porque como me disse um saudoso sacerdote, o Padre Oliveiros de Jesus Reis ( 1921-1990), aquando da morte de Paulo VI, em Agosto de 1978: “Meu filho, eu não tenho esperança nenhuma, o mal penetrou tão fundo (na Igreja), que humanamente é impossível – só Deus Nosso Senhor pode salvar a sua Igreja.”

Lisboa, 11 de Fevereiro de 2013

2 Respostas para “COMO O PROFESSOR MARCELO CAETANO PERDEU A FÉ

  1. laert de oliveira pereira fevereiro 14, 2013 às 7:14 pm

    O problema não vem de cinquoenta anos passados, mas de muito mais tempo, antes de mesmo do inicio da Idade Média, e as raízes do mal, com tanto tempo estão por demais enraizadas. Culpa de quem? Certamente não do povo, mas do alto clero, a corrupção do ótimo resultou no péssimo.

    • Pro Roma Mariana fevereiro 15, 2013 às 6:03 pm

      Temos de distinguir cuidadosamente entre a indignidade pessoal e a apostasia. Papas e bispos indignos sempre houve, mas tal não lhes corrompia essencialmente e constitutivamente a função. Foi apenas desde a revolução de 1789 que começaram a surgir bispos filiados na seita maçónica (perdendo assim a jurisdição). Com Roncalli e Montini a suprema cátedra foi mortalmente atingida, bem como a generalidade das cátedras episcopais.

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