Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

O MUNDO TRAMADO PELO CONCLAVE CONCILIAR: UMA SEDE VACANTE SEMPER IDEM?

Se vacanteArai Daniele

O Católico sabe, ainda mais que qualquer pessoa de bom senso, que a entidade que elege uma pessoa que vai receber o poder da infalibilidade doutrinal deve, por sua vez, dispor desse poder infalível. Para reconhecer esse fato lógico não é preciso nem mesmo crer na infalibilidade papal, basta saber que ninguém e nada pode conceder o que não tem.

Como a infalibilidade não é condição natural do homem – muito pelo contrário – só pode vir de Deus, o Católico sabe que o poder do Papa é dado imediatamente, não pela Igreja, mas por Jesus Cristo, de Quem o Papa è vigário; representante no mundo.

O autêntico conclave da Igreja recebe o poder de indicar, através de eleição, a pessoa, que vai receber de modo infalível esse poder de infalibilidade. Assim foi durante dois milênios, antes dessa forma eleitoral e apesar das tramas clericais e humanas urdidas contra o Papado. Deus garantiu essa Sede instituída infalível para a salvação das almas, apesar da fraqueza dos eleitos, impondo só a condição absoluta da continuidade na Fé.

De fato, esta é não só a missão da Igreja, mas a condição para que seus homens sejam elegíveis para guiar os outros, especialmente desde a suprema Sé.

Ora, a Fé da Igreja de Deus se reconhece direta ou indiretamente numa pessoa pela sua profissão pública, mas principalmente pela sua intenção de manifestá-la ativamente nas obras, em especial se a pessoa pertence à Igreja docente.

Nestes dias volta-se a considerar com a máxima atenção as condições para a eleição de um Papa, mesmo da parte de quem já constatou o fato evidente que os «papas» eleitos, de João 23º a Bento 16º, introduziram outra fé. O fizeram procurando manter, dentro de um programa de radical «aggiornamento», as aparências da tradicional fé católica.

O último dessa série, com sua mentalidade sofisticada, até inventou para esse fim uma mentirosa «hermenêutica da continuidade», o que foi demais mesmo para eclesiásticos de uma elite ligada ao presente Vaticano, como seja mons. Brunero Gherardini. Isto o levou a escrever livros e artigos para expor o seu estupor; quando è demais, è demais!

O fato é Bento que 16º chegou ao ponto de recorrer a uma «nova lógica» filha do filosofismo hegeliano da tese, antítese e síntese, que justifica o encontro dos opostos até na religião; uma nova «dialética» de transformações doutrinais na Igreja a serviço de operações ecumenistas extremas, como a que se manifestou em Assis.

Das tantas opiniões que se ouvem nestes dias entre os que testemunham essa objetiva ruína que decorre de uma longa vacância na Fé, temos a do bispo Donald Sanborn, reitor do Seminário Most Holy Trinity in Brooksville, Florida, EUA, propondo uma comparação política: se alguém é eleito presidente de um país com a intenção de transformar a sua Constituição, este «eleito» não deve ser considerado legítimo.

O mesmo vale para um «eleito papa» não intencionado a continuar confirmando a Fé da Igreja, como esta foi instituída por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Ora, a intenção desviada, tanto para refundir a constituição, como para mudar a Fé da Igreja, já existiria antes da eleição, mas só vai manifestar-se depois desta e de maneira discutível, pois, no caso da Igreja, o infrator aparece revestido de autoridade apostólica. De modo que haveria que pesquisar sobretudo a formação original desse eleito.

Seria ele um estrangeiro, falsificando os documentos de nacionalidade, como o Olavo de Carvalho mostra ser Obama? Ou, no caso da Igreja, estranho à fé de sempre?

Em ambos os casos, porém, tais eleitos empossados, só depois de algum tempo deixam transparecer dissimuladamente, como se viu, a falta de intenção que é indispensável para o cargo, porque revela a necessária fé inicial.

Aqui proponho, portanto, avançar nessa comparação do Bispo, indagando sobre o estado legal do eleito para ser elegível, «papabile».

As constituições dos estados exigem que tenham a sua nacionalidade, como também a Igreja impõe a condição diante de Deus, ontológica, que o eleito professe a fé católica. Por isto, já há uma distinção nítida entre os eleitos das nações e os da Igreja.

Da falta ou do desvio desta fé decorre a falta de intenção de confirmá-la; a falta na fé tem por efeito a falta de intenção para com ela. Dai a falta de intenção de fazer o bem da Igreja. A falta dessa intenção é o efeito da falta de identidade na fé de que vive a Igreja. Logo um eleito papa que carece ou desvia da fé católica, trazendo um novo Evangelho (Gl 1, 8) deve ser visto e declarado ilegítimo, para que o mundo não fique tramado por esse sumo engano.

Isto há que evitar: na Igreja o eleito desviado que professa outra fé, pode enganar os homens, nunca a Deus. Portanto, imaginemos, numa hipótese quase impossível, que por fim demonstrasse a verdadeira intenção católica.

Segundo a «Tese Cassiciacum», proposta no tempo de Paulo 6º pelo acadêmico P. Guérard des Lauriers, distinguindo o «papa materialiter» (aparente) do «formaliter» (efetivo), a única solução possível seria a conversão do papa eleito, mas desviado, à intenção de fazer o bem da Igreja, legitimando assim formalmente a posição que teria só materialmente com a sua eleição. Isto suscita um enorme problema, porque o desviado pode nunca se converter, mas acelerar a mutação eclesial com seu poder aparente, mas amplamente aceito, como acontece há mais de meio século desde a eleição de João 23.

Como pode ficar esquecido que o conclave é válido se ficou satisfeita a condição de fé católica e anti-modernista do eleito. Mas o condenado modernismo filo maçom ficou demonstrado nas obras do eleito João 23. Logo a Lei da Igreja na Bula do Papa Paulo IV dita que a eleição foi nula, mesmo se contasse com a unanimidade dos votos cardinalícios.

Afinal pode a Igreja não dispor de uma lei para estas situações de extremo engano?

PAPA MATERIALITER E PAPA FORMALITER

Como considerar a «solução» «materialiter-formaliter» proposta pela «Tese» citada?  Seguem as considerações atuais (17.2.2013) do amigo de Lisboa, Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral:

“Existem vocábulos que podendo ser precisos numa determinada esfera conceptual, não  serão contudo apropriados noutras esferas, sobretudo num plano eminentemente prático.

Que significa então papa materialiter? Significará que temos de suportar um indivíduo que toma a aparência de papa, mas constituindo na realidade um vil instrumento de Satanás? Será que temos que aguardar pacientemente a sua conversão? Evidentemente que não. Tal personagem é um objecto que ofende a Deus e arrasta as almas para o Inferno. Não o podemos respeitar, nem suportar, em sentido algum. E num plano jurídico-canónico constituído, objectivo e rigorosamente hierárquico, um tal indivíduo é merecedor de PENA DE MORTE, culpado de deicídio, alta traição à Santa Madre Igreja e genocídio de almas. A Igreja, Pessoa Moral de Direito Divino, é indefectível, todavia na sua face humana, o Corpo Místico pode acobertar traidores, e esses devem ser severamente castigados. Na realidade é este o maior CRIME da História Universal: a usurpação do Trono de Pedro.

“Que significa então papa materialiter? Só pode significar que se um dia for eleito (aparentemente ou materialmente) um impostor que, COM A GRAÇA DE DEUS, venha a rectificar as suas disposições, SERIA ENTÃO POR DEUS INVESTIDO NA PLENITUDE DOS SEUS PODERES PAPAIS, POR SUPREMO SUPRIMENTO DA IGREJA ETERNA. Mas aqui é necessária a maior atenção, bem como a maior profundidade analítica.

“Efectivamente nenhum apóstata, nem nenhum herético formal, obstinado ou não, pode possuir jurisdição alguma na Santa Igreja, seja papa, bispo ou simples sacerdote, neste último caso no que concerne aos Sacramentos da Penitência e do Matrimónio. Todavia a referida jurisdição é compatível com um estado íntimo, NÃO FORMAL, de confusão de ideias, incapacitando contudo, momentaneamente, para o acto e para o hábito da Fé Teologal, Sobrenatural, NA EXACTA MEDIDA EM QUE A INTENÇÃO FORMAL DE FAZER O QUE FAZ A VERDADEIRA IGREJA SEJA MANTIDA, E EFECTIVAMENTE CUMPRIDA.

“Esta intenção, que implica a manutenção dum vínculo formal com a Santa Madre Igreja e com tudo o que institucionalmente representa, é contraditoriamente incompatível com a heresia formal, como referimos já por diversas vezes.

“No caso de Roncalli: o conclave de 1958 foi intrinsecamente válido, mas não basta, e não basta porque o papa, embora deva proceder dum conclave válido (ou doutra qualquer formalidade regularmente instituída pelos poderes humanos) , RECEBE CONTUDO A SUA SUPREMA JURISDIÇÃO DIRECTA E IMEDIATAMENTE DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO. O Conclave constitui como que o órgão canónico no qual encarna a vontade providencial de Deus. Portanto Roncalli, como agente da maçonaria, encontrava-se totalmente indisposto para ser investido por Deus nas prerrogativas funcionais Petrinas. Mesmo que fosse “apenas” herege formal, e na

material?

medida em que era formal, tal já constituiria uma realidade pública de Direito, a princípio não notória, mas tendendo necessariamente a tornar-se notória, que lhe invalidaria o acesso ao Sólio Pontifício.

“Analogamente, o Vaticano II não foi válido, embora nele participassem muitos bispos fiéis, oriundos sobretudo da Espanha, Itália, Portugal e América Latina. E não foi válido porque a “forma” da sua convocação possuía, de Direito, a marca da besta.

“Para concluir: temos que nos precaver contra o advérbio “materialiter,”não seja o caso que tal nos conduza a respeitar um anti-Cristo, assassino de almas. Todavia a expressão “papa potencial” é ainda mais inadequada. Solicitamos que seja então utilizada a expressão “papa aparente” ou “aparência de papa”, porque permanecerá mais bem definida a realidade do supremo deicídio.”

UM RESUMO CONCERNENTE OS ENGANOS CONCILIARES

Acima o amigo Alberto Cabral limitou o uso do termo «papa materialiter» a um eleito papa que fosse impostor, no sentido do carreirista que simula uma aptidão que não tem para ocupar o cargo papal. A graça de Deus poderia retificar as suas disposições, para investi-lo na plenitude dos poderes papais, por supremo suprimento da igreja eterna?

Uma coisa é certa, ele não poderia ser totalmente privo de fé para ser eleito, e muito menos ter intenção de mudá-la, para poder receber essa graça imediatamente de Deus.

Podia ser o caso do eleito que por ignorância ou displicência não faz o bem da Igreja.

Agora, como pode a «Tese materialiter-formaliter» em questão, atribuir aos «papas conciliares» em geral a falta de intenção de fazer o bem da Igreja, quando na verdade eles operam com a intenção de sua mutação. E isto não em poucos pontos discutíveis, mas na sua mutação completa; para faze-lo com uma «nova consciência de Igreja», que até demandou uma «nova Pentecostes». São todos termos utilizados pelos inovadores conciliares que, de João 23º até Bento 26º seguiram uma linha direta para implementar a inversão do «Syllabus» do Papa Pio IX, da «Pascendi» de São Pio X, da «Mortalium animos» do Papa Pio XI, da «Humani generis» do Papa Pio XII. Isto só para citar uma parte das ímpias intenções. Assim, dizer que omitem fazer o bem da Igreja não é nem mesmo um eufemismo, mas incrível disfarce da realidade; na adesão às doutrinas já condenadas pela Igreja, da «liberdade religiosa», do Modernismo, do «pancristianismo» ecumenista, e da «nova teologia» cuja intenção de retorno às fontes, no seu litúrgico arqueologismo encerra até aspectos do gnosticismo inimigo do cristianismo apostólico.

Poderiam falsos pastores desse calibre receberem de Deus um mandato de jurisdição como «papas» materialiter, para poderem mudar a Sua Igreja ao ponto de mostrá-la  como uma «nova igreja mais universal» e adaptada às necessidades do mundo?

Desde o advento da Igreja conciliar muito se fala em sinais dos tempos e nova Pentecostes, dignidade humana e liberdade de consciência, em abertura ao progresso e amor pelo mundo, em igualdade e ecumenismo, etc., tudo menos do perigo de pecar, de castigo, que são causa e efeito para os povos e indivíduos que, esquecidos de Deus, não voltam à oração e à penitência, dando ouvidos ao verdadeiro “sinal dos tempos”.

Sobre isto, a Igreja e os papas conciliares silenciam, assim como sobre a descrição dos grandes pecados presentes, e dos castigos terrenos para os povos, eternos para as almas. A censura do terceiro segredo por João 23º não foi, nem mais nem menos, que a representação desses silêncios, enganos e omissões. Quanto às conseqüências para a Fé, foi Paulo VI quem as descreveu, assustado, quando falou em fumaça de Satanás e auto-demolição. No entanto se ignora que para cada efeito há uma causa, para cada perigo um aviso, para cada erro uma correção e para cada delito um castigo.

Nosso Senhor em João (9, 39-41) disse: “Eu vim ao mundo para exercer um juízo — para que os que não vêem vejam e os que vêem se tornem cegos. E ouvindo isto alguns fariseus que estavam com Ele, disseram-lhe: Porventura nós também somos cegos? E Jesus respondeu: Se vós fósseis cegos, não teríeis culpa; mas, pelo contrário, dizeis: nós vemos. Permanece portanto o vosso pecado.”

Esses fariseus são aqueles doutores religiosos que não aceitam os sinais que o Messias deu com os Seus milagres. Antepõem a estes planos adotados nos sinédrios e concílios de marca humana e venal. As conseqüências foram a destruição da Jerusalém antiga como hoje da Jerusalém católica que se tornou Babilônia conciliar.
Assim foi no passado e assim é no presente. Pode ser este o epílogo na era cristã?

O fato é que o mundo neste momento está tramado pelo conclave conciliar que impede que ali vá quem representa a continuidade do ensino transmitido pelo Divino Mestre.

Enquanto não for removido o Vaticano 2 por inteiro, as suas obras deletérias e seus falsos mestres, o Magistério da Igreja continuará a aparecer adulterado com a Santa Sé ocupada semper idem, até que uma intervenção conforme à adorável Vontade de Nosso Senhor a resgate de seu exílio e por fim triunfe a Roma mariana do Imaculado Coração de Maria.

Uma resposta para “O MUNDO TRAMADO PELO CONCLAVE CONCILIAR: UMA SEDE VACANTE SEMPER IDEM?

  1. Sempre Catlico da Tradio fevereiro 18, 2013 às 3:10 pm

    ESTE FATO OCORRE DESDE PIO XII(SANTO PAPA)

    SANTA MISSA TRADICIONAL Santa Missa aos Domingos semprecatolico@hotmail.com.br“Mesmo que os Catlicos fiis Tradio se reduzam a um punhado,so eles a verdadeira Igreja de Jesus Cristo”Santo Atansio,Bispo de Alexandria,Doutor da igreja.

    Date: Sun, 17 Feb 2013 22:41:39 +0000 To: semprecatolico@hotmail.com.br

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