Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

A SEDE VACANTE NO SEGREDO DE FÁTIMA : mistério culminante da história

JudasArai Daniele

Nossa fé cristã se funda na intervenção do Pai na História por meio de Jesus Cristo, nascido de Maria, que através da Igreja opera para a salvação das almas. São ajudas na medida do que necessitam os homens com boa vontade para recebê-las seguindo o Magistério e os eventos proféticos invocados pela Igreja.

A intervenção de Maria, Auxilium Christianorum, sempre foi invocada nas horas cruciais com devota gratidão pelos Papas católicos.

O Segredo de Nossa Senhora de Fátima manifesta essa contínua intervenção da Misericórdia divina no mundo, revelando nos seus pedidos uma excepcionalmente necessária intervenção para superar insídias inauditas contra a Fé.

Ao aprofundar o que revela a Mensagem de Fátima, a alma católica fica abismada pelo modo admirável como a Providência responde aos apelos dos pontífices, para fazer chegar a verdade aos filhos de Deus, apesar da malícia dos poderosos.

Assim iniciou a história do Evento de Nossa Senhora de Fátima.

O Papa Bento XV, em plena guerra mundial, invocou publicamente a ajuda de Maria no dia 5 de maio de 1917. A resposta veio no dia 13 de maio seguinte.

Nossa Senhora aparecia para ajudar a humanidade, na vigília da revolução russa, confiando a três pastorinhos de Fátima uma mensagem que avisava da ameaça crescente dos erros espalhados pela Rússia; perigo devastador para o mundo… se os homens e os povos não deixassem de ofender a Deus. Se não, depois da ruinosa I Guerra mundial, viria outra “pior”. Se depois desta o mundo não mudasse, viria o terceiro flagelo, ainda mais letal para todos que as guerras e as revoluções juntas; algo ligado à visão do Inferno visto pelos pastorinhos no dia 13 de julho de 1917; flagelo de natureza tão tenebrosa, tão incrível nos dias em que foi anunciado, que devia permanecer secreto até o momento de tornar-se visível à luz da Fé.

Mas o evento sinistro só aconteceria se os ministros de Jesus Cristo, apesar da Sua intervenção no mundo através de Sua Mãe, desertassem tal ajuda nesse tempo crucial da História. Eis que o flagelo profetizado devia restar secreto por ser condicional; podia ser evitado com o atendimento dos pedidos da Mensagem que exprimia três vezes o «se» condicional: – Se fizerem o que eu disser salvar‑se‑ão muitas almas e terão paz… – Se atenderem os meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz, se não… Tratava-se em especial de evitar a segunda Grande Guerra e a difusão dos monstruosos erros comunistas da Rússia.

O «se» mais grave da mensagem, porém, não era só para os ministros e aquilo que Jesus Cristo lhes pedia, mas relativo à urgente chamada geral porque… se os homens e os povos não deixassem de ofender a Deus… então viria o pior castigo.

Ora, não houve suficiente consideração pela Intervenção de Fátima; seus pedidos não foram devidamente ouvidos, nem – por isso – deixou-se de ofender a Deus; antes, as ofensas cresceram de modo perverso no rastro da ruína desses conflitos.

Ignoradas as devoções pedidas para evitar o flagelo ainda mais letal para as almas que todas as guerras e revoluções juntas, deixava de ser condicional o castigo.

Num momento inspirado, tanto o Bispo de Leiria-Fátima, Dom Alberto Cosme do Amaral, como a Irmã Lúcia, lembraram que se tratava de algo pior que as guerras; seria a realidade de uma “desorientação diabólica” com que clérigos cravam uma estaca no coração da Igreja para erigir a nova evangelização. É o que se vive no sinistro sulco ecumenista da nova «igreja conciliar», causadora da “perda da Fé” e da apostasia geral descrita como central no Terceiro Segredo de Fátima.

Qual evento deflafrou o flagelo revelado no Segredo?

Sobre a data desse evento a Irmã Lúcia, que redigira a terceira parte do Segredo, elucidou que o ano para conhecê-lo era 1960; “assim queria Nossa Senhora”! Depois esclareceu ao card. Ottaviani a razão disso: porque então seria “mais claro”!

Note-se que para este mesmo importante Pro-Prefeito do então Santo Ofício, que fora eleitor de João 23, a sua elevação papal demonstrara-se claramente ruinosa, porque tudo o que dizia e fazia ia sinuosamente no sentido contrário ao apelo de conversão para que os homens e povos e deixassem de ofender a Deus.

A data de 1960, para que se pudesse conhecer o Segredo, merecia pois a máxima atenção; era quando seria mais clara a manifestação da tremenda ameaça para a Fé.

Em 1959 o «eleito papa» já havia desvelado a sua intenção inovadora ao convocar o Vaticano 2. Foi ai que, emblematicamente, censurou esse aviso do perigo; com uma enxurrada de enganos João 23 sepultou esse «Terceiro Segredo» no Vaticano, onde convocara um majestoso concílio! Inaugurou-o em 1962, explicitamente declarando ser contrário às profecias de desditas, denotando assim seu implícito afastamento da intervenção profética de Nossa Senhora de Fátima.

Desacreditava assim a fé na intervenção divina para aquela data histórica, temendo que o Segredo assinalasse a desdita para a sua iniciativa conciliar e ecumenista. Estes fatos fazem entender que o mistério em questão concerne o «novo Papado».

No Segredo de Fátima a figura central é o Papado

Como se viu Fátima pode ser considerada resposta ao apelo de Bento XV.

Ao Papa são dirigidos os pedidos de sua mensagem; é ele a estar no centro de perseguições e sofrimentos profetizados; dele depende a resposta às devoções pedidas; para ele vão as preocupações e orações dos pastorinhos; dele é dito que, por retardar o atendimento aos pedidos de Jesus, seguirá o rei da França na desgraça! Tudo isto valia para os Papas até Pio XII, morto em 1958. Depois, essa desgraça passou a ser relativa ao novo Papado, que censurou e instrumentalizou a Profecia de Fátima, segundo os próprios planos de aggiornamento ao mundo.

Ponham a mente nestes fatos os que contestam a autenticidade do «Segredo» publicado no ano 2000, alegando faltarem nele as palavras de Maria SS. para explicar como a apostasia iria assolar a Igreja nestes tempos. Não é justamente a falta do papa católico que permite toda investida contra a Fé e o Culto, bem como a confusão em torno da intervenção divina de Fátima, que leva à apostasia geral?

Não deveria surpreender então que a visão do «Terceiro Segredo» revelasse justamente a «liquidação» da autoridade papal na hora presente. Nesse sentido, publicamos em várias línguas um arrazoado sobre a autenticidade deste texto revelado em 2000 e a realidade da visão no tempo terminado com a morte de Pio XII. Em português: https://promariana.wordpress.com/2010/10/05/da-validade-do-segredo-publicado-em-2000/; English: https://promariana.wordpress.com/2012/11/01/2567/; Italiano: Sull’autenticità del «Segreto» pubblicato nel 2000: http://wp.me/pWrdv-Ml; também em espanhol e francês.

Quando o Papa é morto a Igreja fica com a Sede vacante

Esta se prolonga até a eleição de outro Papa católico. Como isto não aconteceu, pois só foram eleitos papas de «fé conciliar» e ecumenista, que não é católica, segue o interregno que vivemos desde 1958, com eleições papais nulas. Isto porque, diante das mutações ocorridas com a obra demolidora desses eleitos, que permitiram toda sorte de investidas contra a Fé e o Culto, e também a confusão em torno da intervenção divina em Fátima, pode-se afirmar que neste tempo faltou o Papa católico. Um Papa católico nunca poderia alterar a Doutrina e a Liturgia da Igreja num sentido que abalasse as defesas da Fé, levando os fiéis à geral apostasia.

Já em 1960 o quadro é outro quanto à Fátima: o «terceiro Segredo» foi arquivado para ficar escondido por mais de quarenta anos.

Quando foi finalmente aberto no ano 2000, por causa do teor de sua interpretação oficiosa, os mistérios em volta dele, ao invés de cessarem, multiplicaram-se dando ensejo às muitas novas dúvidas em várias publicações que acusam contradições vaticanas e não só, quanto ao testemunho da Vidente Lúcia.

Como é possível que a visão simbólica de um massacre a tiros do Papa com todo o seu séquito fiel não tenha suscitado nos católicos uma reação ao considerar o seu significado ligado ao presente? Mas que ao invés, prevaleça um conformismo apático diante da ruína atual da Igreja?

Estaria a Providência divina alheia ao que vai atrás de tudo isto?

Se o Segredo foi reduzido pelo seu interprete de então, o card. Ratzinger, a lembranças de imagens que os pastorinhos teriam “visto em livros de piedade e cujo conteúdo deriva de antigas intuições de Fé” (quando o correto é dizer que são os livros de piedade a derivar de visões na fé), qual a razão desses confusos encobrimentos? Pode a visão do inferno e da hecatombe do Papa católico, vista pelos pastorinhos, não interessar? Não é suspeito que uma visão dada para ajudar a Igreja no momento mais crucial da sua história, – a terceira parte do Segredo que seria ‘mais clara’ em 1960 -, seja apresentada como um quadro fora do tempo?

Devido a este e a outros pontos obscuros na interpretação vaticana do Segredo, grande foi a decepção dos fiéis que esperavam a revelação de uma assombrosa verdade que sacudisse o torpor das consciências, guiando os homens para a Fé.

Na verdade, a razão desses desvios diabólicos em relação à mensagem dada pela Providência divina ainda não foi – à Sua mesma luz – devidamente aquilatada.

Ou melhor, o que ainda impede que ela seja reconhecida por todos é algo ligado justamente ao que o Segredo revela; de um lado à pérfida malícia de clérigos no poder, do outro, à reação abúlica dos fiéis diante da visão que, pela sua origem e conteúdo é claramente profética; conteúdo não só religioso, mas também histórico – relativo à presente demolição eclesial. Eis o mistério no mistério.

A abertura do Segredo foi então parte do seu mistério

Depois de quarenta anos, João Paulo 2º chegou à convicção que poderia levantar o sigilo do Segredo imposto por João 23, embora seu sentido lhe fosse obscuro. A razão dessa iniciativa tardia demonstra-se ligada a uma operação de imagem.

Em vista da enorme popularidade que atingiu no mundo, o risco de publicar a misteriosa mensagem seria compensado pelo benefício à imagem de Wojtyla vítima dos inimigos da paz. Após, a questão do Segredo ficaria definitivamente superada.

Quem lembraria que a questão da Sede vacante ficou pendente pelo fato que entre o Papado até Pio XII e o que seguiu há uma evidente ruptura? É o que devemos lembrar aqui. A ruptura é gritante desde João 23 na Doutrina, na Liturgia e em tudo o que tem valência sagrada, inclusive o mesmo Papado. Agora, com a estranha renúncia de Bento 16, tudo isto fica ainda mais evidente.

Neste sentido temos o válido arrazoado do meu amigo o professor de estética e curador da obra de Romano Amério, Enrico Maria Radaelli, autor do notável livro «La Sinagoga bendata». Diante de conclusões insofismáveis sobre a «hermenêutica da ruptura» de estudiosos da fama de mons. Brunero Gherardini, do Bispo Oliveri e outros, Radaelli achou necessário pedir ao mesmo Bento declaração infalível sobre a questão (veja http://chiesa.espresso.repubblica.it/articolo/1348309?eng=y) Não é preciso dizer que ficou sem nenhuma resposta. No entanto, como se tudo não continuasse como antes, agora vem explicar e pedir porque Bento 16 deveria renunciar à renúncia: « PERCHÉ PAPA RATZINGER-BENEDETTO XVI DOVREBBE RITIRARE LE SUE DIMISSIONI. NON È ANCORA IL TEMPO DI UN NUOVO PAPA PERCHÉ SAREBBE QUELLO DI UN ANTIPAPA.» (veja http://www.enricomariaradaelli.it/aureadomus/aculeus/aculeus_dimissioni_papa_benedettoXVI.html ).

Como se vê a idéia da presença de um antipapa futuro começa a pairar por ai até entre arraigados anti-sedevacantistas.

Este Autor repete a estranha noção do filósofo Romano Amério sobre a demolição conciliar, quando fala das «variações da Igreja no século XX». É mesmo estranho que estes intelectuais queiram uma Igreja infalível, mas «variável», assim como o Dr. Arnaldo Xavier da Silveira aponta para uma Igreja com ensino autêntico mas segundo o «princípio de que pode haver erros e heresias em documentos do Magistério pontifício e conciliar não garantidos pela infalibilidade».

O que faz ficar abismado pela posição destes importantes autores diante de seus falsos papas, é que são estes mesmos a declarar obrigatórios seus erros e heresias, como agora, é Bento 16 a declarar que a sua estranha renúncia é vontade de Deus!

Porque insistem que essa vontade lupina deva e possa guiar e ensinar o rebanho?

O fato é que para entender o Segredo de Fátima há que reconhecer a situação de perseguição interna à Igreja e ao Papado através do reconhecimento dos falsos conclaves. Estes foram momentos que pedem dos católicos profunda meditação, pois implicam o castigo evocado no Evangelho de São Mateus: “Ferirei o pastor e as ovelhas do rebanho serão dispersas” (Mt 26, 31). O Senhor é a um tempo o Pastor e quem permite o seu abatimento. Mas permitir que seja abatido quem O representa, isto é o Papa católico, não equivale a retirar-se?

O mistério da punição do mundo perseguidor da Fé, através da perseguição contra a Igreja e o Papa, é a chave do Segredo, que se desvela para quem o recebe como profecia realizada no atentado dos falsos conclaves contra a essência do Papado.

A chave de leitura para a Profecia de Fátima está justamente nessa oposição entre continuidade e ruptura; entre conversão e perversão. Uma é a vida, a outra a morte e ausência do verdadeiro Papado católico por longo tempo. No Segredo temos a visão simbólica da hecatombe papal, mas se conclui com o triunfo da Fé e de Maria Virgem, que prometeu voltar a Fátima ‘ainda uma sétima vez’, provavelmente num tempo conexo à volta do Papa católico. Devemos pois rezar para que Nosso Senhor permita que os homens invoquem a promessa de Sua Mãe dizendo: “Por fim o meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar‑me‑á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz.”

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