Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

O MILENARISMO

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

“Vi um anjo que descia do céu,trazendo a chave do abismo,e uma grande cadeia na sua mão. Subjugou o dragão-que é o diabo,o satanás-e aprisionou-o por mil anos. Lançou-o no abismo que se fechou e selou a fim de que não desencaminhasse as nações antes de decorridos mil anos. Será posto em liberdade,mas por pouco tempo.
Vi também tronos em que estavam sentados os que tinham recebido o poder de julgar; vi também as almas dos que foram decapitados por haverem proclamado o testemunho de Jesus e a Palavra de Deus e de quantos se recusaram a adorar a besta e a sua estátua,nem se deixaram marcar na fronte ou na mão: ressuscitaram para uma vida nova e com Cristo hão-de reinar durante mil anos. Os outros mortos não poderão ressurgir para a vida senão antes de terminarem os mil anos. É a primeira ressurreição!Feliz e santo é quem participa na primeira ressurreição!A segunda morte não se apoderará deles. Serão sacerdotes de Deus e de Cristo,e com Ele hão-de reinar ao longo de mil anos. ao terminar os mil anos,satanás posto já em liberdade, dedicar-se-á a arrastar as nações dos quatro cantos da Terra,Gog e Magog,para o mal e a reuni-las para as guerras,que serão numerosas como a areia do mar.” (Apocalipse 20, 1-9)

INTERPRETAÇÃO DE SANTO AGOSTINHO NA “CIDADE DE DEUS 20,7,1-2” E DESDE SEMPRE OFICIALMENTE ACEITE PELA SANTA MADRE IGREJA: O MILÉNIO CORRESPONDE A TODO O PERIODO DECORRIDO DESDE A ENCARNAÇÃO DO VERBO DE DEUS ATÉ À PARUSIA FINAL.DURANTE ESSE TEMPO A ACTIVIDADE DO DIABO SERÁ RESTRINGIDA E NOSSO SENHOR JESUS CRISTO REINARÁ COM A IGREJA MILITANTE,NA TERRA. A PRIMEIRA RESSURREIÇÃO SIGNIFICA A FILIAÇÃO DIVINA PELO SANTO BAPTISMO E CONSEQUENTE RECEPÇÃO DA GRAÇA SANTIFICANTE, VIRTUDES CARDEAIS E MORAIS E DONS DO ESPÍRITO SANTO. ESTA VIDA SOBRENATURALMENTE REGENERADA CONSTITUI POIS A PRIMEIRA RESSURREIÇÃO EM CONTRAPOSIÇÃO À RESSURREIÇÃO CORPORAL GERAL,QUE É DENOMINADA A SEGUNDA RESSURREIÇÃO. A PRIMEIRA MORTE CORRESPONDE À SEPARAÇÃO DO CORPO E DA ALMA; A SEGUNDA MORTE É O INFERNO ETERNO,O QUAL SE INICIA NA TERRA PELO PECADO. OS TRONOS SÃO A HIERARQUIA CATÓLICA COM O SEU PODER DE VINCULAR OU DESVINCULAR. MAS NÃO SOMENTE É A IGREJA MILITANTE QUE REINA COM CRISTO-IGUALMENTE A IGREJA TRIUNFANTE NA SUA GLÓRIA. O REINO MILENAR DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO MAIS NÃO É POIS DO QUE A ÍNTIMA CONFIGURAÇÃO SOBRENATURAL DO CORPO MÍSTICO NAS SUAS FASES TERRENA,PADECENTE E TRIUNFANTE.

O único Padre da Igreja a professar,como dogma de fé,a falsa e errónea doutrina dum reino de mil anos,inaugurado por Nosso Senhor Jesus Cristo,NESTE MUNDO,em companhia dos eleitos ressuscitados,ANTES DO JUÍZO FINAL,foi santo Ireneu (séc.II).
São Justino (falecido em 166) igualmente se inclina para o milenarismo na sua obra “Diálogo com Trifão”. São Jerónimo interpreta-o espiritualmente sem o condenar explicitamente.O milenarismo pode ser professado,como tantas outras realidades, num plano espiritual ou numa perspectiva sensível,ou mesmo carnal,segundo as características ontológicas e cosmológicas atribuíveis a esse reino milenar terreno.
Depois de Santo Agostinho o milenarismo praticamente desapareceu. Nem nos devemos surpreender que algumas egrégias figuras da Santa Madre Igreja tenham caído nesse erro,na exacta medida em que a Revelação sobrenatural embora já totalmente formalizada,não se encontrava ainda tão EXPLICITADA como veio a ser em tempos ulteriores. Tal constitui aliás uma das funções da Cátedra de São Pedro: Possui a sagrada prerrogativa não de criar um novo depósito de Fé,mas sim de explicitar o único e ETERNO depósito já formalmente revelado de uma vez para sempre.
Há cerca de dois séculos o Padre Lacunza e Diaz (1731-1801),natural de Santiago do Chile, como que pretendeu ressuscitar o milenarismo, tendo as suas erróneas ideias obtido alguma ressonância,sobretudo na América do Sul.
Em 22 de Abril de 1940,o Arcebispo de Santiago do Chile consultou a Santa Sé sobre as teses do Padre Lacunza, havendo esta última respondido com o decreto “o sistema milenarista”. Posteriormente,em 21 de Julho de 1944,o Santo Ofício insistiu em que o milenarismo mitigado NÃO SE PODIA ENSINAR COM SEGURANÇA.E proibiu COM TODA A SEVERIDADE que as teses milenaristas,sob qualquer pretexto,fossem de alguma maneira defendidas,propagadas ou ensinadas. A qualificação teológica da condenação não é doutrina herética,mas sim doutrina errónea. Uma doutrina errónea nega uma conclusão teológica, ou uma doutrina teològicamente certa. Conclusão teológica é aquela que é dessumida a partir de premissas formalmente reveladas combinadas com premissas da experiência natural;uma doutrina teològicamente certa é constituída por teses filosóficas, ou da experiência natural,sem as quais a fé não se pode extrinsecamente manter. A Doutrina herética nega um dogma de fé,o qual é constituído por uma doutrina formalmente revelada e proposta a crer pelo magistério ordinário,ou extraordinário,da Santa Madre Igreja-ambos infalíveis.
É verdadeiramente lamentável que numa época tristíssima,em que a Santa Madre Igreja desapareceu totalmente como realidade social e cultural, existam tradicionalistas que pretendam reviver o milenarismo,APRESENTANDO O FLANCO àqueles que nos acusam de heresia.
Quer se queira quer não,a concepção do reino terreno, milenar,MESMO MITIGADO,de Nosso Senhor, acaba POR DESTRUIR A ORDEM SOBRENATURAL!

p.s. Foram consultados o volume 249 (Bíblia comentada de José Salguero e Maximiliano Cordero) da BAC, bem como o volume 73 da mesma editorial (Sacrae Teologiae Summa de JOSEPH Aldama e Francisco Solá)

4 Respostas para “O MILENARISMO

  1. luciano de campos março 27, 2013 às 3:58 pm

    Ressalvado o respeito ao digno articulista, esse artigo é péssimo.
    Trata de maneira simplista um assunto complexo. Não basta ler apenas duas fontes colhidas na BAC. E, lamentávelmente, as conclusões a que o autor chega são visívelmente erquivocadas, até ao católico leigo na matéria.
    Como explicar as profecias de Sallete e Fatima, eminentemente apocalípticas?
    Como explicar a fundação do estado de Israel?
    Negar que estejamos vivendo em tempos apocalípticos é negar a realidade.
    O digno articulista deveria estudar mais o assunto antes de fazer a afirmação que lançou, pelo menos ler os trabalhos dos Padres Basilio Meramo e Juan carlos Ceriani no site RadioCiristiandad.
    Por exemplo: http://radiocristiandad.wordpress.com/2013/02/11/p-basilio-meramo-parusia-y-milenarismo/

    Se aceitarmos a premissa do articulista, todos os Padres da Igreja nos primeiros cinco (5) séculos do Cristianismo estariam excomungados, pois todos eles pregavam o legítimo milenarismo, que receberam dos Apóstolos.
    Reze e estude, meu amigo, porque os tempos não são fáceis.

    Luciano

    • Pro Roma Mariana março 28, 2013 às 12:17 pm

      Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral responde:
      Nota: É temerário negar formalmente doutrina formulada pelo Santo oficio.
      Na realidade também consultei o dicionário de Teologia Católica de Vacant-Magenot, onde o tema não possui grande relevância. Todavia o mais importante é o Milenarismo ter sido condenado pelo santo oficio. Repito o essencial: o milenarismo destrói a ordem sobrenatural,logo destrói a fé; mesmo como doutrina errónea,e assim foi classificado pelo santo oficio. Quer seja considerada conclusão teológica, quer seja considerada doutrina certa, (a negação do milenarismo) a manutenção de tal doutrina destrói extrinsecamente a fé teologal. A SACRAE THEOLOGIAE SUMMA é o que de melhor se escreveu em teologia, em todo o mundo,na primeira metade do século do século XX.

  2. Luciano de Campos março 28, 2013 às 4:11 pm

    Prezado Alberto:

    Desculpe, mas é insustentável sua posição de cega oposição ao milenarismo mitigado.
    Você se apoia apenas na condenação do Santo Ofício de 1944.
    Não diz uma palavra sobre Fatima, Sallete, a criação de Israel em 1948…

    Ora, sua posição é muitíssimo frágil.
    A condenação do Santo Ofício foi limitada, parcial e condicionada, não foi completa e total, como voce faz entender.
    Ademais, não é isenta de críticas.
    Confira:http://radiocristiandad.wordpress.com/2012/12/23/especiales-de-cristiandad-con-el-p-ceriani-dic-2012-anexo-1-sobre-el-milenarismo/

    Ademais, meu caro, e o seu discernimento?
    Vai desliga-lo e cegamente se aferrar à essa “condenação”?
    Entre o Santo Ofício do século 20 (suspeitíssimo de infiltração maçônica) e Nossa Senhora – ou voce nega Sallete e Fátima? -, você fica com o Santo Ofício?
    Meu amigo, vais confiar numa condenação (que não é de fé, podendo ser discutida) e fechar os olhos para o que Nossa Senhora nos falou?
    Ou será que voce não percebe o tamanho e a singularidade da crise atual?
    Pergunte ao Arai o quanto ele sofreu anos atrás, ao tentar construir a Igreja em Fátima.
    Sofreu nas mãos desse mesmo clero que editou a tal “condenação” que você aceita como verdade de fé.

    Acorde, amigo, ou você, assim como os coitadinhos da Montfort, vai acabar engolindo, aos bocados, a Missa Nova e o Vaticano II.

    Leia a respeito do tema os trabalhos dos padres Meramo e Ceriani.
    Depois, confronte com essas condenações superficiais.
    Aí sim, gostaria de ouvir seus argumentos.
    Não os argumentos que você apenas repete, com o devido respeito e sem querer ofende-lo, sem maior reflexão.

    Reze e estude, meu amigo.

    Luciano, 28/03/2013

  3. Pro Roma Mariana março 29, 2013 às 4:04 pm

    Sou sedevacantista há 32 anos, oficialmente dado como louco, tudo pela fé católica e sempre pela graça de Deus. O depósito formal da fé é objectivo e eterno, todavia homogeneamente explicitável, consoante a luz intelectual da santa Madre Igreja incide mais intensamente sobre um ou outro aspecto em si mesmo formalmente revelado. Isso explica como padres da Igreja consideraram o milenarismo como integrando o depósito da fé. O Prefeito do Santo Ofício em 1944 era Pio XII. O Pontificado de Pio XII foi fraco mas válido. Fátima constituiu a maior irrupção de sobrenatural do século XX, mas o milenarismo, mesmo mitigado, mesmo concebido como facto natural, ou como necessidade filosófica, resulta extrinsecamente incompossível com a revelação sobrenatural. Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

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