Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

55 ANOS DO VILIPÊNDIO CONCILIAR-ECUMENISTA DA VERDADE, e seus festejados gurus!

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O argentino Jorge Bergoglio, agora Francisco, ajoelhado para receber uma «benção» protestante. Foi no dia 19 de junho 2006, no terceiro encontro fraterno da renovada comunhão de evangélicos e «católicos» no Luna Park de Buenos Aires, Argentina. Estavam presentes com o Arcebispo de Buenos Aires, Bergoglio e o Pregador da Casa Pontifícia, p. Raniero Cantalamessa. O ápice do encontro foi quando o cardeal caiu em joelhos para ser benzido por diversos pastores protestantes presentes, como está na foto. Nota-se o pastor protestante Carlos Mraida com a mão sobre a cabeça de Begoglio, à esquerda de Mraida na foto está o pastor Norberto Saracco da Igreja pentecostal da Argentina. O monge barbudo de costas para a câmara è p. Cantalamessa capuchinho, grande inspirador da nova «praxis ecumenista-conciliar», a da «caridosa humilhação universal católica»!

Vamos continuar a rever aqui denúncias esquecidas da operação de desvios diabólicos que, desde que o Segredo de Fátima ficou mais claro (1960), causaram atentados contra a Verdade que continuam em ato.

http://escogitur.wordpress.com/2013/03/02/la-sede-vacante-nel-segreto-di-fatima-mustero-culminante-della-storia/

Trata-se do Prefácio ao livro «Monseigneur Marcel Lefebvre: Rebelde ou Católico» do Magistrado Ricardo Henry M. Dip (O Expresso, São Paulo, 1977), escrito pelo insigne escritor e jornalista Lenildo Tabosa Pessoa, que tocou uma questão crucial.

PREFÁCIO

«No dia 26 de janeiro de 1955, a Suprema Sagrada Congregação do Santo Ofício, rebatizada depois com o nome de Congregação para a Doutrina da Fé, pôs no “Index” dos livros proibidos um trabalho de Josef Thomé intitulado «Der Mündige Christ” (“O cristão de maior idade”). O decreto de condenação foi aprovado por Pio XII no dia 29 do mesmo mês e publicado pelo “Osservatore Romano” no dia 3 de fevereiro.

«No dia seguinte, em um editorial de primeira página que tinha o mesmo título do livro (“Il cristiano maggiorenne”), o jornal vaticano afirmava que “não sem dor a Autoridade Eclesiástica se vê forçada a condenar livros escritos por católicos, que não tinham a intenção de combater a Igreja, mas antes pensavam em contribuir para tornar sua vida mais madura e fecunda”, acrescentando: “Quando, porém, tais livros desconhecem a própria natureza e a missão da Igreja de Cristo e visam a obter o seu “amadurecimento” por vias errôneas, a Autoridade Eclesiástica não pode dispensar-se do santo dever de proteger os fiéis contra doutrinas perigosas e métodos que conduzem a graves danos para a fé”. Dizia, em seguida, que nessa categoria de obras se inclui o livro de Josef Thomé, que, “dirigindo-se particularmente aos católicos leigos, e portanto a pessoas que geralmente não estão perfeitamente formadas na teologia, escreve de forma atraente e interessante, mas com tal falta de precisão lógica e de exatidão teológica que ao leitor menos avisado se toma impossível discernir o verdadeiro do falso”.

«O editorial passava, então, à análise doutrinária do livro, observando que ”o Autor fala muito de “Igreja”, mas não se vê claramente o que ela é em sua mente” e acrescentando: “Ele distingue uma Igreja invisível, que seria “o místico Corpo do Logos eterno”, e uma Igreja visível que, ligada ao tempo e ao espaço, seria um corpo formado por forças humanas. Esta Igreja visível, com sua organização hierárquica, seus dogmas e seu direito é aquela fundada por Jesus Cristo? O Autor deixa aos teólogos a missão de mostrar que a Igreja é fundada por Cristo. Segundo ele, a autoridade da Igreja sobre os fiéis baseia-se em sua experiência milenar. De uma autoridade imediatamente confiada a ela por seu divino fundador, Jesus Cristo, e representada pelo próprio Magistério da Igreja não se fala jamais nesse livro, nem se acena ao Espírito Santo dado por Cristo a sua Igreja para assisti-la no ensinamento e no governo das almas. De tais premissas se segue que o cristão de maior idade no seu “íntimo” não se deve deixar determinar por nenhum poder externo; o único poder ao qual ele pode submeter-se sem medo de errar é a própria consciência. Se a Igreja não reconhecer esse direito da consciência, os corajosos e maduros saem da Igreja e nela permanecerão somente os pequenos, os ingênuos, os “pagãos”. Os dogmas, embora exprimindo alguma verdade divina estável, não são senão sua veste, que muda segundo os tempos e os indivíduos; qualquer pessoa que sinta que o grau de verdade no qual se encontra não lhe convém mais, lance-se para o alto, em direção a um grau superior de verdade. A autoridade de ensinar e de dirigir não reside somente nos órgãos da Igreja hierárquica, mas existem também órgãos extraordinários: “apóstolos”, chamados imediatamente pelo Senhor, e “profetas”, impelidos pelo Espírito Santo do Deus vivente, os quais devem lutar, sem nada temer nem do alto nem de baixo, contra tudo o que na Igreja renegue, por seu torpor, o espírito vivente. O leigo que, fundado sobre sua situação concreta, sobre sua experiência, se ocupa dos deveres e dos problemas da Igreja, faz com isso mesmo correr forças transformadoras nas veias da Igreja entorpecida: e ela deve permitir-lhe falar com franqueza e liberdade, com linguagem clara, sincera, não embelezada. Somente assim a Igreja despertará de seu torpor impotente e infecundo”.

«Depois desse resumo das idéias de Josef Thomé, o “Osservatore Romano” dizia que “esta compilação de doutrinas que se deve classificar como pelo menos errôneas – e poder-se-ia acrescentar não poucas outras – bastará para demonstrar quão perigoso é este pequeno livro e quanto o Autor se afasta do ensinamento da verdadeira e visível Igreja, fundada por Cristo, guiada pelo Espírito Santo, dotada de autoridade doutrinária e disciplinar por seu próprio divino Fundador, infalível em seu ensinamento tanto ordinário quanto extraordinário”.

«O jornal vaticano recordava, por fim, que Pio XII condenara, na encíclica “Humani Generis”, muitas das teses expostas por Thomé em seu livro e fazia votos de que com esses autorizados ensinamentos o autor compreendesse a falsidade de suas idéias e pusesse suas forças e seu zelo a serviço “não de uma falaz miragem, mas daquela verdadeira Igreja de Cristo que é “coluna e fundamento da verdade” (I Tim. III, 15)”.

«Noticiando, em seu número de 19 de fevereiro de 1955, a condenação do livro, a autorizada revista dos jesuitas romanos “La Civiltà Cattolica”, muito ligada ao Vaticano, reproduzia amplos trechos de editorial do “Osservatore” e acrescentava, com palavras próprias, que examinando mais em particular o conteúdo da obra, “é fácil ver em quantos pontos o autor se afasta da doutrina tradicional da Igreja, reafirmada pelo reinante Pontífice na encíclica “Humani Generis” e ainda, há não muito tempo, nas duas alocuções ao Sacro Colégio e aos membros do episcopado reunidos em Roma para a canonização de Pio X e para o encerramento do Ano Mariano”.

«Em 1970, foi publicada na Itália uma segunda edição de “II Cristiano Maggiorenne” e, em seu número de 3 de abril de 1971, a mesma “Civiltà Cattolica” fez sua recensão, afirmando que o livro “tem antes de tudo um valor histórico-profético” e acrescentando: “Escrito em 1940, conseguiu obter a aprovação eclesiástica em 1949, mas foi posto no índice em 1955 e reabilitado depois do Vaticano II. Lendo-o agora, ainda que seja em uma segunda edição na qual o Autor introduziu retoques e inseriu o pensamento do Vaticano II, não suscita aquele interesse que teria podido suscitar antes do Concílio, mas põe certamente, para lá das considerações particulares, o problema da acolhida, na Igreja, de intuições e expressões proféticas que visam a uma liberação e a um amadurecimento, mas que por sua novidade suscitam reações agressivas. Os temas que o Autor trata são os mais familiares à problemática do Vaticano II: o emergir da dimensão “pessoal” da fé, … da liberdade, da responsabilidade. í aquela compreensível agressividade em relação a formas eclesiais que, segundo o Autor, bloqueiam o amadurecimento cristão; além disso, algumas vezes, o elogio incondicional de teólogos que sustentam a necessidade, para a Igreja alemã, de libertar-se do espírito “romano” para poder-se “germanizar”. Bastante equilibrado o último capítulo, A Igreja da fé”, no qual o Autor aceita a imperfeição como lei do modo ser terreno e se mostra consciente de que, não obstante todo empenho, a “Igreja de nosso último amor não poderá jamais realizar-se sobre a terra” (pág. 156)”.

«Transcrevemos todos esses textos, apesar de sua extensão e de não terem relação direta com o assunto deste livro, porque, na realidade, neles se pode facilmente descobrir a explicação e as causas profundas do “caso Lefebvre”. O que, antes do Concílio, era doutrina errônea e contrária aos ensinamentos do Magistério pontifício tornou-se depois manifestação de ”instituições e expressões proféticas” – a grande mania pós-conciliar – e o que era zelo da Igreja em defender, com a assistência do Espírito Santo, que a tornava ”infalível em seu ensinamento tanto ordinário quanto extraordinário”, a integridade da doutrina que lhe foi confiada por seu Fundador passou a ser manifestação de “reações agressivas”.

«Em outras palavras, contrariamente ao que afirmam, com leviandade, muitos bispos brasileiros, tanto “progressistas” quanto “ortodoxos”, a Igreja sofreu, com o Concílio, uma profunda transformação, que atingiu suas próprias posições doutrinárias antes apresentadas como imutáveis, e dificilmente conseguiria alguém descobrir na que nasceu do furacão conciliar a mesma dos séculos anteriores.

«Uma comparação entre as legislações anterior e posterior ao Concílio acerca do ecumenismo, por exemplo, é, a esse propósito, muito elucidativa. Uma Instrução do Santo Ofício, de 20 de dezembro de 1949 (cf. “Acta Apostolicae Sedis” – XLII – 1950- págs. 142 e ss.), reafirmando o ensinamento anterior das encíclicas “Satis cognitum”, “Mortalium animos” e “Mystici Corporis Christi”, concebia o ecumenismo como uma volta, ao seio da Igreja, dos cristãos dissidentes, com a aceitação integral de sua doutrina. E, levando em consideração que certas tentativas feitas tanto por pessoas particulares quanto por certas associações para promover essa reconciliação, “embora sendo inspiradas por ótimas intenções, nem sempre são fundadas sobre retos princípios” e, quando o são, “não estão isentas de certos perigos, como já foi provado pela experiência”, apresentava diretrizes que estão em franca contradição com a posterior legislação conciliar.

«A participação em reuniões do movimento ecumênico era reservada a sacerdotes idôneos ou a fiéis “conhecidos como bem instruídos e fortes na fé” e, mesmo assim, com especial autorização da autoridade eclesiástica, que devia proibir imediatamente tais reuniões se não apresentassem esperança de bons resultados – ou seja, de integral aceitação da doutrina católica pelos dissidentes – porque “a experiência ensina que as grandes reuniões desse gênero trazem pouco fruto e muito perigo”.

«Em tais reuniões, a Instrução proibia aos católicos aprovar ou admitir doutrinas que discordassem das verdades reveladas ou do ensinamento da Igreja mesmo se isso dissesse respeito apenas a questões sociais. Ao mesmo tempo, exortava-os a vigiar para que, “com o pretexto de que se deveria dar maior consideração a quanto nos une do que a quanto nos separa dos acatólicos, não seja favorecido o indiferentismo, sempre perigoso”. Devia-se evitar que, por um espírito chamado “irênico”, o ensinamento católico fosse acomodado às doutrinas dos dissidentes, como também “aquele modo de exprimir-se do qual têm origem opiniões falsas e esperanças falazes, que não podem jamais atuar-se; como, por exemplo, dizendo que não deve ser levado em tanta consideração o ensinamento dos Romanos Pontífices, contido nas encíclicas, sobre a volta dos dissidentes à Igreja, sobre a constituição da Igreja e sobre o Corpo Místico de Cristo; porque não é tudo de fé, ou (o que é ainda pior) porque em matéria de dogmas nem mesmo a Igreja Católica possui mais a plenitude de Cristo, mas pode ser aperfeiçoada pelas outras igrejas”. E, de modo coerente com essas premissas, a Instrução reiterava a absoluta proibição da chamada “communicatio in sacris”, ou seja, a participação de católicos e dissidentes nos mesmos atos de culto ou nos mesmos sacramentos.

«Note-se que a Santa Sé não fazia essas restrições por considerar que não havia, na ocasião, condições propícias à prática do ecumenismo, condições essas que poderiam eventualmente surgir depois, mas em nome da imutável defesa da integridade da doutrina.

«O decreto conciliar “Unitatis Redintegratio” e o Diretório aprovado por Paulo VI para o regulamentar contradizem todas as anteriores posições da Igreja acerca da matéria.

«O decreto diz, por exemplo, que pela celebração da Eucaristia nas igrejas orientais separadas de Roma, e que não aceitam o Papa, “se edifica e cresce a Igreja de Deus”, pelo que “certa communicatio in sacris, dadas oportunas circunstâncias e com aprovação da autoridade eclesiástica, não só é possível mas também se aconselha” (nº 15). O Diretório, por sua vez, partindo do pressuposto de que o movimento ecumênico “foi excitado pelo Espírito Santo” – que parece ter mudado de opinião acerca do assunto – sentencia: “Para fomentar a restauração da unidade entre todos os cristãos, não basta que os cristãos pratiquem entre si a fraterna caridade nas relações quotidianas da vida. Convém também que se permita certa comunhão no espiritual, ou seja, que os cristãos participem daqueles bens espirituais que lhes são comuns … Sob o nome de comunhão no espiritual se entendem todas as orações que se façam em comum, o uso em comum das coisas e lugares sagrados e tudo aquilo que própria e verdadeiramente se chama communicatio in sacris. communicatio in sacris quando alguém participa de qualquer culto litúrgico ou também dos sacramentos de alguma Igreja ou comunidade eclesial” (nºs 25, 29 e 30).

«O documento diz ainda que é oportuno que as celebrações comuns sejam feitas tanto nos templos católicos quanto nos protestantes e, citando o decreto “Unitatis Redintegratio”, apresenta esta obra –prima de ambigüidade: “A significação da unidade impede muitas vezes a comunhão. A procura da graça recomenda-a algumas vezes” (nº 38).

«O Diretório permite ainda a participação de católicos nos sacramentos das igrejas orientais separadas, inclusive na Penitência e na Eucaristia (nº 42 a 45), desde que haja causas justas, entre as quais se inclui o simples desejo de maior conhecimento (nº 50). Os sacerdotes orientais separados podem celebrar o culto em templos católicos

(nº 53) e os católicos que assistirem a suas missas, mesmo em templos não católicos, cumprem o preceito dominical (nº 47). Por outro lado, os protestantes podem, em certas circunstâncias, participar da Eucaristia católica (nº 55).

«Esse é apenas um dos aspectos da revisão e da negação de seu passado pela Igreja pós-conciliar, empenhada em uma autocrítica sem limites. No editorial de seu número de 19 de junho de 1976, referindo-se ao carisma da “profecia” – a engenhosa invenção conciliar que já vimos invocada a propósito do livro de Josef Thomé – a “Civiltà Cattolica” observava que “justamente foi dado novo valor hoje à função profética do povo de Deus, depois que os excessos do montanismo tinham, desde o século III, lançado sobre o profetismo uma sombra de descrédito”. Ou seja, durante dezessete de seus vinte séculos de existência – sobram apenas os três primeiros!

– a Igreja deixou de dar o devido valor a “um carisma do Espírito Santo que deve servir para a edificação da Igreja, para sua purificação e para sua santificação”, com a séria agravante de que isso ocorreu por influência de uma heresia!

«Em um número ainda mais recente, o dia 17 de setembro de 1977, a mesma autorizada revista – voltamos a recordar sua estreita ligação com o Vaticano – falava da função de complementariedade e de crítica que tem hoje a esperança cristã e, para não deixar dúvida quanto ao ponto a que pretendia chegar, acrescentava: “A fim de que esse discurso não pareça abstrato, pode ser iluminante ver como esta dúplice função da esperança cristã se pode exercitar também em relação à esperança marxista, que hoje no mundo é a mais difundida”. Reconhecendo “honestamente as esperanças verdadeiras das quais o marxismo é suscitador”, já que “contribuiu para desenvolver no mundo uma esperança de libertação, que é em si verdadeira e boa, que não deve ser frustrada”, o artigo, assinado pelo diretor da revista, padre Bartolomeo Sorge, S.J., reduzia o cristianismo a um mero complemento do marxismo, tentando suprir sua falta de transcendência sem modificar seus objetivos. Ou seja, o cristianismo procura realizar a “libertação” pretendida pelo marxismo através da destruição do sistema capitalista, como diz explicitamente o artigo – e, não tendo o sistema econômico próprio para pôr em seu lugar, é evidente que a substituição será feita pelo socialismo – para depois ir mais adiante, completando a “libertação” terrena com a salvação eterna, reduzida a uma espécie de “mais valia”.

«Essa peregrina doutrina não deve causar surpresa, se se tem presente que no dia 3 de março deste ano, 1977, o “Osservatore Romano”, órgão oficioso do Vaticano e, portanto, o jornal do Papa, publicou em sua primeira página, no local de destaque destinado a seus editoriais, um artigo de um certo Raniero Cantalamessa inexplicavelmente, não teve, no mundo, a repercussão justificada pela sua extrema gravidade.

Entre as inacreditáveis afirmações do artigo estava a de que o antigo critério da verdade objetiva (“verum est ens”) foi substituído, com o advento do historicismo, pelo “verum esr factum”, substituído, por sua vez, com a passagem do Iluminismo para o marxismo e o pensamento tecnológico moderno, pelo “verum est faciendum”, em virtude do que “a verdade que importa é o que fazer, isto é, a praxis” (“la verità che conta è il da farsi, cioè la prassi! “)!

«Pondo no passado os verbos que grifamos, o articulista do “Osservatore Romano” perguntava: “Se a Tradição tinha um seu lugar quando o primado era da verdade – e, indiretamente, do passado – que utilidade poderá ter agora que este primado é atribuído à praxis e portanto ao futuro?” E, com uma sinceridade e uma coragem

que deveriam servir de lição aos ingênuos ou tímidos que tentam reduzir tudo aos excessos dos “progressistas”, por um lado, e dos tradicionalistas, por outro, acrescentava: “Esta – queiramos admiti-lo ou não – é a verdadeira, profunda razão da crise da Tradição na Igreja e na teologia”.

«E, para não deixar dúvidas quanto à opção da Igreja pós-conciliar, dizia, pouco adiante, que, “nesta situação, dois são os perigos (e as tendências realmente em ato!)”, acrescentando: “O primeiro é a recusa global do novo princípio da verdade como praxis, com conseqüente retorno nostálgico à concepção da Tradição como tradicionalismo. É o caso de mons. Lefebvre e é significativo que nele a componente tradicionalista e anti-progressista vá de pari passu com a componente antimarxista”.

«Note-se que o perigo não está em que os católicos aceitem o novo princípio da verdade, mas em que não o aceitem. Por outro lado, sendo significativo que o tradicionalismo de mons. Lefebvre venha acompanhado do anti-marxismo, justamente porque ele não aceita ó novo critério de verdade, disso se segue que nos que o aceitam, como é o caso d,os que seguem a “ortodoxia” pós-conciliar, não há mais lugar para o anti-marxismo.

«Mais adiante, o artigo do “Osservatore Romano” citava como um problema que se arrasta sem ter sido jamais resolvido o de saber se existe alguma verdade ou instituição verdadeiramente apostólica que não se encontre de nenhuma maneira testemunhada na Escritura mas só na Tradição, acrescentando: “Se existe, qual é tal verdade ou instituição? (Pergunta, esta, à qual não se pôde jamais dar uma resposta convincente, nem mesmo no período em que se falou das duas fontes da Revelação). E se não, o que transmite em concreto a Tradição? Considero muito persuasiva a explicação teológica (mas advirto que se trata justamente de uma explicação teológica) que vai abrindo caminho e que o Concílio Vaticano II, deixando cair a fórmula das duas fontes da Revelação (“Dei Verbum”, nº 9), tornou pelo menos possível, e que se pode formular assim: objeto primeiro da Tradição é a interpretação da própria Escritura. A Tradição, em outras palavras, não seria senão a Escritura lida pela Igreja e na Igreja, ou, se se preferir, é a interpretação autêntica e sempre em progresso da Palavra de Deus que a Igreja recebeu dos apóstolos e que continua a desenvolver sob a ação do Espírito Santo. Como o Magistério, ela está portanto em função e a serviço da Palavra de Deus (cfr. “Dei Verbum” 10)”.

«A negação do critério objetivo da verdade e sua substituição pelo critério da “praxis” derrubam todo o edifício metafísico, sem o qual rui a própria estrutura do dogma. O. artigo do jornal vaticano não se limitava, porém, a atingir indiretamente essa estrutura, mas investia diretamente contra ela, negando a doutrina das duas fontes da Revelação e reduzindo a Tradição a uma simples maneira de ler a Escritura. Com isso, cai não somente um dogma expressamente definido, o da Assunção, fundado inteiramente na Tradição, mas o próprio valor da Escritura – a Igreja sempre ensinou, ao rejeitar a doutrina protestante sobre a Bíblia como única fonte da fé, que, sem a Tradição, fonte igualmente autorizada da Revelação, não se pode sequer provar a autenticidade da Escritura – e, com ele, todo o patrimônio doutrinário católico. De resto, se o critério de verdade é a “praxis”, o que estava errado ontem pode ser verdade hoje e o que era verdadeiro ontem constituir hoje um erro.»

(CONTINUA)

Uma resposta para “55 ANOS DO VILIPÊNDIO CONCILIAR-ECUMENISTA DA VERDADE, e seus festejados gurus!

  1. Gustavo agosto 17, 2015 às 8:07 pm

    Prezados, salve Maria!

    Descobri sem intenção essa página e gostei muito do que li.

    Sou estudante de Ciência Política e estou elaborando uma monografia sobre as mudanças da Igreja nas últimas décadas. Fiquei sabendo da existência desse livro (Monseigneur Marcel Lefebvre: Rebelde ou Católico?), mas não o achei para comprá-lo a um preço acessível.

    Será que, por caridade, os senhores tê-lo-iam disponível em alguma versão digital?

    Cordialmente,
    Gustavo

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